The Prophecy
4 Capítulo 4
Notas iniciais
– Acho que uma adaga seria melhor...
– Grace, eu lembro dessa garota treinando, um arco vai ser melhor. Fora que assim ela terá que manter uma distância de lutas e tenho certeza que é isso que você quer. – Clarisse resmungou e Thalia assentiu indo junto com ela para outro corredor do depósito de armas
Olhei para trás de Nico brincava com um bracelete de prata que achou em uma prateleira. Resolvi seguir as duas, mas um barulho chamou minha atenção.
– Uou. – ele disse enquanto empurrava algo contra uma das prateleiras – Se abaixa!
Gritou e algo escapou de suas mãos, voando na minha direção, abaixei e o objeto ricocheteou na parede, um pouco acima da minha cabeça e sumiu no meio do depósito.
– Era o bracelete? – perguntei e ele assentiu
– Criou asas e endoidou do nada. – ele deu de ombros – Vamos atrás das meninas. – disse ignorando o ocorrido
Procuramos as duas pelo depósito, Thalia testava a corda de um arco e Clarisse preparava a aljava, que se adaptava e se transformava numa espécie de mochila para não chamar atenção.
– Os filhos de Hécate fizeram algumas alterações. Acho que flechas infinitas são úteis. – Clarisse murmurou e jogou a mochila na minha direção – Mudaram o arco também, pode transportá-lo na mochila.
A mochila era preta com detalhes laranjas, tinha um pégaso bordado no bolso da frente, me perguntei se aquilo não chamaria a atenção de algum mortal mas então me lembrei que ninguém repara em bordados de mochilas.
– Sinto falta de lutar com um arco. – Thalia sussurrou, com os olhos distantes – Mas prefiro uma espada mesmo.
– Di Angelo, quer alguma coisa? – a filha de Ares perguntou e o garoto se encolheu um pouco nas sombras
– Não. – resmungou – Acho que me dou bem só com a minha espada.
– Sugiro um escudo, vai facilitar a sua defesa. – Clarisse rebateu
– Não preciso de escudo. – Nico murmurou entre dentes e Thalia fez uma expressão de falso ofendimento
– Você tem algo contra Aegis?
Nico abriu um sorriso e entrou na brincadeira.
– Apenas acho que escudo é um objeto inútil, Grace.
– Quero ver se vai pensar assim até estar de cara com a medusa que está gravada aqui. – minha namorada arregaçou a manga da jaqueta de couro e balanço o punho com o bracelete de prata, Nico ergueu as mãos num gesto de defesa
– Ele vai mudar de ideia rapidinho na missão... – Clarisse murmurou — Rachel, treine um pouco com esse arco agora a tarde e veja se você se adapta bem a ele, creio que vai ser útil nessa missão. –assenti
Aparentemente ela havia tomado a liderança da missão, mas consultava Thalia sempre antes de decidir alguma coisa. As duas eram uma boa equipe.
– E Annabeth? – Thalia perguntou
– Se ela quiser alguma coisa que se vire depois. – Clarisse resmungou – Tentei falar com ela hoje e me ignorou, não parece animada com a missão.
– Ela só está traumatizada. – Nico a defendeu – A última missão foi muito difícil... Ela literalmente foi para o inferno e voltou. Sei como é isso... Mexe muito com a mente da pessoa. – o garoto pareceu melancólico e Thalia olhou de relance pra ele, Clarisse suspirou e balançou a cabeça, como se aquilo a incomodasse
– Nós temos um plano? – perguntei tentando mudar de assunto – Tipo, o que vamos fazer?
– Ir para oeste. Aí a missão vem até nós. – Clarisse resmungou e pegou uma caixa cheia de adagas e espadas – Droga. — disse ao ouvir um barulho de metais caindo
Praguejou algumas palavras em grego antigo e disparou para um outro corredor, procurando a fonte do barulho. Nós a seguimos e ela lutava com um objeto pequeno e rápido, Nico pareceu ficar mais pálido, era o bracelete.
– Peguei! – a filha do deus da guerra comemorou – Objeto inútil, nunca descobrimos o que é.
Ela segurava o bracelete e ele se debatia em suas mãos fortes, ela passou por mim e então parou. Recuou alguns passos parando na minha frente e se afastou de novo. Franziu o cenho e me encarou.
– O que foi? – perguntei
– Ele para de se debater quando está perto de você.
– O que isso significa?
– Rachel, já ouviu a expressão “A arma escolhe o herói”? – Thalia me encarou e assenti
Ela foi até Clarisse e pegou o bracelete, também se debateu nas mãos dela, mas ela conseguiu segura-lo.
– Veja, ele se acalma perto de você. – Thalia disse e sorriu pra mim
Aproximei a minha mão da dela e peguei o bracelete. Ele não se debateu e nem tentou escapar, as pequenas asas que ele tinha se escolheram e o rodearam, como se fossem apenas enfeites.
– Sinistro. – Clarisse disse – Ele está aí há anos e nunca deixou ninguém usa-lo.
Olhei para Thalia e ela me incentivou a colocá-lo. Ele coube bem certinho no meu pulso direito.
– Fique com ele, se não quiser ficar de um jeito de se livrar dele. Só incomoda nesse depósito. – disse indo para outro corredor – Di Angelo, venha, temos outras coisas para resolver sobre a missão antes de anoitecer.
Nico fez um expressão de desanimo, e Thalia deu um tapa nas costas dele o encorajando. Ele e Clarisse desapareceram no final do corredor. Fiquei observando o bracelete, era de prata e as asas o cobriam. Achei bonito e resolvi ficar com ele, mesmo não sabendo a utilidade.
– Deve ser um escudo ou coisa do tipo. – Thalia disse – Vem, vamos sair.
Ela me puxou pela mão e me passou o arco.
– Vou te deixar treinando com os filhos de Apolo. Tenho que ir atrás de Annabeth para saber se está tudo bem com ela, não faz o tipo dela escapar de missões. — assenti
– Acha que serei útil com o arco? – perguntei – Responda com sinceridade, como líder de uma missão e não como minha namorada.
– Vai sim. Clarisse tem razão, você é boa nisso, só é melhor dar uma praticada hoje.
Assenti e coloquei a mochila atravessada no meu corpo, era um daqueles modelos de uma alça só. Girei o bracelete no meu pulso e ela me observava pelo canto dos olhos.
– Mais tarde te ajudo a descobrir o que isso é. Ou levamos até um filho de Hefesto pra ver se consegue descobrir.. – ela disse apontando o bracelete
– Se for apenas um bracelete já fico feliz, gostei dele.
– Braceletes não tem assas.
– Braceletes não viram escudos. – rebati e ela riu
Nos despedimos com um beijo e cada uma seguiu para um lado. A observei por um tempo, fazia um calor enorme e ela continuava com as tradicionais roupas punk. Amava o estilo dela. Thalia caminhava com segurança e atitude, nem parecia que tinha se ferido gravemente há quatro noites atrás. Nem parecia a mesma pessoa que havia chegado naquele estado na noite da tempestade... Ela se recuperava bem. Fui até a área de treino de arco e flecha.
Uma garota do chalé de Apolo me perguntou onde arrumei o bracelete e o irmão dela pareceu surpreso, segundo ele, ninguém tinha conseguido “domar” o bracelete.
Tentei não dar atenção para aquilo, não era a minha maior preocupação. Suspirei e comecei a treinar. Por causa da minha ligação com Apolo que era boa com arco e flecha, fiz uma oração silenciosa para ele pedindo sua ajuda para essa missão.
–x---
– Thalia... – deixei um gemido escapar e ela passou os beijos para meu pescoço
– Eu preciso de você Rachel... – sussurrou contra o meu pescoço causando arrepios por ele – Não faço a mínima ideia do que pode acontecer nessa missão. Eu preciso te sentir mais uma vez...
Me empurrou contra a escrivaninha que tinha no meu quarto e voltou a dar beijos, e mordidas pelo meu pescoço. Aquele pedido havia me tocado profundamente, eu precisava dela também. Poderíamos estar juntas hoje, mas só o destino sabe o dia de amanhã, precisávamos aproveitar essa última noite de paz. Gemi quando senti sua língua fazendo cócegas no meu pescoço. O quarto estava escuro e minha visão entorpecida pelo prazer, apenas conseguia sentir o calor do corpo dela contra o meu.
– Ascende a luz... – pedi com a respiração falhando – Quero te ver.
Ela se afastou de repente ouvi seus passos até a porta, a chave girou na maçaneta e ela encostou no interruptor ascendendo as luzes.
Dei um sorriso tímido e olhei para baixo, ciente de que ela estava me observando. Ela se livrou da jaqueta que vestia, Thalia foi se aproximando de mim e ela tinha um sorriso malicioso no rosto.
Parou a poucos centímetros de mim e levou as mãos até a barra da própria camiseta. A tirou e jogou a camiseta em dos cantos do quarto. Como meu olhar estava baixo, pude admirar a barriga lisa de definida. Ela estava exigindo muito do meu auto controle, toquei a barriga dela com as mão e senti os músculos bem trabalhados se contraírem ao meu toque.
– Rachel... – ela sussurrou enquanto explorava seu abdômen e suas costas
Decidi agir e a empurrei em direção da cama. Raras eram as vezes que Thalia deixava eu assumir o controle, ela sempre foi muito possessiva. Uni nossos lábios mais uma vez, num beijo lento e cheio de erotismo, mas também repleto de amor. Senti a mão dela na barra da minha camiseta e nos afastei o suficiente para ela tirar a minha camiseta. Ela tentou agir mas eu fui mais rápida e a derrubei na cama.
Começou então da dança pelo prazer. Thalia havia desistido de tomar o controle da situação, as mãos dela passeavam pelo meu corpo, desde a nuca até o final da minha coluna. Eu estava nua sobre ela, acariciando o vão entre seus seios e descendo pela barriga, eu beijava a região perto do umbigo, era uma área sensível para ela.
Suspiros e gemidos escapavam pelos lábios dela me dando mais estímulo para continuar. Não conseguia ver a sua expressão pois ela estava com a cabeça inclinada para trás, mas podia apostar que estava em deleite de prazer.
Me levantei, ficando de joelhos na cama e como se fossemos conectadas por um imã ela me seguiu. Segurei o rosto dela com as duas mãos e depositei um beijo na testa dela. Thalia se aproximou mais do meu corpo e beijou a região abaixo do meu seio esquerdo. Eu passava a mão pelos cabelos curtos dela e quando ela se afastou me puxou junto me forçando a deitar novamente, deitei no espaço ao lado dela e começamos a explorar o corpo uma da outra com carícias.
Não tínhamos pressa nenhuma, queria que aquela sensação viesse na minha mente nos momentos mais difíceis da missão. Ela se virou, vindo pra cima de mim e começou a descer os beijos para os meus seios, senti aquela energia emanando dela, mas não tive medo, dessa vez a energia me transmitia uma sensação boa.
Ela me encarou por alguns segundos, como se tentasse memorizar cada detalhe do meu rosto, dei um sorriso tímido e ela abriu um sorriso torto em resposta. Então começou a descer os beijos pelo meu abdômen.
– Thalia... Eu te amo... – sussurrei e me entreguei para aquele prazer
–x—
A filha de Zeus estava agarrada a mim, eu aproveitava a sensação do calor do seu corpo nu contra o meu, ela estava com a cabeça apoiada no vão do meu pescoço, ela brincava com os meus dedos enquanto eu brincava com o cabelo dela. Já estava tarde, partiríamos logo que amanhecesse, dali poucas horas, mas nenhuma de nós duas ligava pra isso.
– Rachel... Me promete que não vai fazer nada estúpido nessa missão? Nada que coloque a sua vida em risco. – disse de repente e pensei alguns segundos em que resposta eu deveria dar
– Só pelo fato de eu estar com quatro semideuses enquanto a deusa da terra ameaça ressurgir novamente em todo seu esplendor de sujeira e lama eu já corro risco de vida. – dei uma risada rouca, mas ela não riu da minha piada e nem achou graça, soltei um suspiro, não queria ter aquela conversa agora, mas se aquilo a tranquilizaria... – Eu prometo, meu amor. Desde que você prometa o mesmo.
Aquela resposta a convenceu. Achei que aquela conversa estava encerrada, estava quase fechando os olhos, me entregando para o mundo dos sonhos quando um soluço entrecortado quebrou o silêncio do quarto.
– Thalia? – perguntei assustada com o soluço então percebi que ela tinha me apertado ainda mais no abraço
Ela escondia o rosto no meu pescoço, os soluços faziam seu corpo estremecer. Fiquei sem reação e não sabia o que fazer, normalmente era ela que me confortava, e não o contrário. Então deixei que ela me abraçasse e molhasse meu pescoço com as lágrimas.
– O que foi meu amor? – perguntei tentando soar o mais suave possível
– Eu... Eu não queria isso! Rachel, eu to com medo, não quero te perder, muitos semideuses morrem em missões, não quero que isso aconteça com você.- ela parou pois uma onda de soluços a atingiu – Eu sei que estou parecendo fraca agora, você é o que mantém firme e na linha, mas também é a minha fraqueza.. Ah meu anjo, se alguma coisa acontecer com você eu nunca vou me perdoar.. Eu estou com tanto medo...
Ela me apertou ainda mais, se é isso é possível. Eu não sabia como conforta-la. Me mexi na cama procurando uma posição confortável para nós duas. A acolhi no meu peito, se tinha uma coisa que nunca pensei que veria era Thalia Grace chorando e soluçando de desespero.
Fiquei abraçada a ela até ela se acalmar, quando apenas espasmos percorriam o seu corpo eu comecei a murmurar algo. Uma canção.
Nunca tinha gostado de cantar, não era a minha área na arte. Mas nesses últimos tempos a minha ligação com Apolo estava mais forte, e como ele também era o deus da música isso devia estar influenciando.
Não sabia o significado de grande parte das palavras que estava dizendo, era uma música em grego antigo. Não me lembrava de ter ouvido ela em lugar algum, mas acho que Thalia sabia o que a letra significava.
Cantava no ritimo de uma canção de ninar. Aos poucos ela se acalmou, e senti seu corpo e seu aperto em volta de mim relaxar. Quando sua respiração pesada confirmou que ela havia dormido eu parei de cantar.
– Eu também estou com medo de te perder, meu amor. – sussurrei e deixei uma lágrima solitária rolar pelo me rosto
Abaixei meu rosto até encostar meus lábios na testa dela, adormeci entorpecida pelo doce aroma que vinha de seus cabelos.
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