The Prophecy

28 Capítulo 28


Notas iniciais
Heeey!

Estava sentada no gramado do Acampamento, alguns semideuses treinavam a céu aberto e um desses semideuses era Thalia. Eu estava desenhando em um bloco de notas, fazendo um esboço daquela área do Acampamento, sempre amei desenhar paisagens.

Ergui meu olhar do trabalho apenas para ver Thalia dando o golpe final em seus adversários, ela lutava contra dois garotos e uma menina. Usava o peitoral de uma armadura, mas nada nos braços, assim era possível notar os músculos de seus braços quanto lutava. Ela respirou fundo enquanto encarava seus adversários no chão e enxugou o suor da testa com as costas da mão, abrindo um sorriso vitorioso e começou a caminhar na minha direção.

Antes que ela olhasse para mim fingi estar concentrada no meu desenho, senti sua aproximação e logo em seguida ela desabou deitando no chão ao meu lado.

– Eu estou exausta. – ela reclamou e sorri de lado

– Você precisa dar intervalos entre os combates. – rebati, enquanto ela normalizava a respiração

– O que está fazendo? – ela perguntou se sentando e avaliando o desenho na minha mão – Está muito bom. – elogiou enquanto pegava uma garrafa de água que estava ao meu lado

– Obrigada. – agradeci dando um sorriso torto

Uma brisa suave cortava o calor do sol escaldante, deixei meu trabalho de lado, abraçando meus joelhos e observando os detalhes do rosto dela. Estava com uma fisionomia séria enquanto observava os treinos que ainda aconteciam, então notou meu olhar e abriu um sorriso extremamente fofo. Passei meu braço ao redor de seu pescoço e a puxei, dando um beijo em sua bochecha.

– Eu estou toda suada! – ela protestou soltando uma risada

– Quem disse que ligo pra isso? – argumentei a soltando

Thalia deu de ombros e se sentou mais próxima a mim, apoiando a cabeça no meu ombro, ficamos poucos minutos assim, pois logo três pessoas se aproximaram, Piper McLean, que carregava uma mochila nas costas e uma bolsa de mão, e mais uma garota e um garoto, também filhos de Afrodite.

– Não liguem para gente, já vamos sair, só queremos assistir o show. – o menino disse para nós e eles se sentaram no gramado

– Show? – Thalia perguntou erguendo a cabeça do meu ombro e eu encarei os filhos de Afrodite

– Vocês vão ver. – Piper disse abrindo um sorriso

Observei os semideuses espalhados naquela área do Acampamento, alguns treinavam, outros conversavam em grupos, e tinha alguns que apenas estavam sentados sem fazer nada. Encarei Thalia e ela deu de ombros abrindo um sorriso torto, também não sabia o que iria acontecer, ela segurou a minha mão atraindo minha atenção para si, fazendo um gesto com a cabeça para sairmos dali.

– E lá vêm elas. – ouvi o filho de Afrodite dizer antes que eu pudesse responder Thalia e segui o olhar do garoto

Annabeth estava saindo da Arena, ela vestia uma armadura semelhante a de Thalia e carregava uma espada no cinto, a filha de Atena mantinha a cabeça baixa, era notável que ela estava irritada.

– Annie... – Thalia sussurrou ao meu lado com um olhar preocupado

Mas a filha de Atena estava sendo seguida, Clarisse corria para se aproximar e segurou Annabeth pelo ombro, a loira se virou irritada, elas estavam distantes, mas isso não atrapalhou para ouvir, pois Annabeth praticamente gritou aquelas palavras:

– Você disse que seríamos amigas! Confiei em você! Você prometeu que não ia me abandonar e agora diz que não podemos mais ser amigas! – a filha de Atena desabafou enquanto Clarisse ainda a segurava

A filha de Ares fez uma expressão confusa, como se custasse acreditar que estava ouvindo aquilo, então soltou Annabeth, encarou os semideuses que prestavam atenção naquela conversa, pois elas tinham atraído a atenção de todos ali.

– Para uma filha de Atena, você tem dificuldades em interpretar frases. – Clarisse disse sorrindo, mas Annabeth continuava fuzilando a filha de Ares com o olhar

– É agora! – a irmã de Piper exclamou

– Shiu. Eu quero ouvir. – Piper rebateu

Clarisse deu um passo na direção de Annabeth, mas a loira recuou, possivelmente só vendo provocações nos gestos de Clarisse, mas a filha de Ares estava calma, nunca tinha visto ela daquele jeito.

– Eu não quero mais sua amizade, Annabeth. – a filha de Ares disse de maneira rude e séria, o rosto da loira mostrou toda a mágoa que ela teve e Clarisse engoliu em seco – Porque eu quero algo que está além disso.

Todos ali estavam atentos para o que viria a seguir, a filha de Ares se aproximou mais uma vez de Annabeth, que não recuou dessa vez, ela estava paralisada. Sorri já sabendo o que viria a seguir, enquanto admirava a coragem de Clarisse por se declarar na frente do Acampamento todo. A filha da guerra segurou a mão da filha da sabedoria e levou a outra mão até o rosto da loira.

– Se você não conseguiu entender antes eu falo agora. – Clarisse disse e seu olhar ameaçador percorreu todos os semideuses, para afugentar os preconceituosos – Annabeth, eu não quero sua amizade porque ela não é o suficiente para mim. Eu estou apaixonada por você.

Ela disse de forma convicta, a reação dos semideuses ali foram diversas, alguns ficaram boquiabertos igual Thalia, outros apenas sorriram igual a mim, outros pareciam que iam desmaiar igual os filhos de Afrodite.

Mas a reação que surpreendeu a todos foi a de Annabeth. A filha de Atena deixou a mágoa de lado e se jogou nos braços de Clarisse, abraçando o pescoço da filha de Ares, segundos antes de beijá-la.

Os filhos de Afrodite puxaram as palmas e muitos semideuses os seguiram. Alguns encaravam a cena com descrença no olhar.

Clarisse quebrou o beijo, Annabeth carregava um sorriso largo e Clarisse espelhava o gesto, a filha de Ares estava com as bochechas levemente coradas, ali eu soube que seria a única vez que veria Clarisse La Rue envergonhada.

De relance vi Piper McLean se retirar, levando suas bagagens consigo, ela percebeu o meu olhar e se virou para trás, dando um sorriso e um breve aceno antes de seguir seu caminho. Entendi porque ela estava partindo... Só esperava que ela tivesse feito a escolha certa para si mesma.

Mas voltei a sorrir quando senti os braços de Thalia me puxando para si e seus lábios tocaram o alto da minha cabeça.

– x-

– Acha que elas vão dar certo? – Thalia perguntou depois do jantar, quando saímos do refeitório de mãos dadas

– Por que não dariam? – perguntei enquanto caminhávamos pelo gramado, parando bem na subida da colina e se sentando ali, era um lugar nosso, pois nas vezes que ela visitara o Acampamento quando ainda era Caçadora ela sempre se sentava ali e eu vinha para conversar

– Sei lá. Elas viviam brigando antes dessa missão... Esses sentimentos despertaram tão depressa? – Thalia argumentou, enquanto passava os braços ao meu redor e me puxava para o meu peito, escorreguei nos seus braços até apoiar minha cabeça em seu ombro, me sentia segura quando ela me abraçava por trás assim, envolvendo o meu corpo

– As brigas serviam para encobrir os sentimentos. – contra ataquei

– Bem... Então por que a Annie estava com o Percy e não com a Clarisse até esses tempos?

– Não sei, pergunte para ela, vocês não são tipo melhores amigas? – argumentei e ela deu de ombros

– As duas tem um gênio complicado, por isso brigavam tanto. – Thalia falou – Talvez isso atrapalhe.

– Ou talvez seja isso que une as duas. – falei sorrindo

– É, tem razão.

Me virei apenas para encontrar seus lábios, em um beijo curto, mas repleto de carinho e logo em seguida voltei a posição original, acariciando suas mãos enquanto ela beijava toda a extensão do meu rosto.

Muitos casais de campistas passeavam pelo Acampamento, apreciando a beleza da noite, mas a maioria caminhava em direção da fogueira, não sentia a mínima vontade de sair dali agora.

Era daquilo que eu precisava para minha felicidade, precisava dos meus amigos, do Acampamento, mas precisava de Thalia, sem ela eu não era nada.

Senti sua boca no canto da minha e virei meu rosto para beijá-la mais uma vez.

Nunca me cansaria de amar Thalia Grace.

–x-

Pov. Reyna Arellano

Depois daquela guerra eu precisava organizar a reconstrução das áreas do Acampamento que foram destruídas, além de arrumar um método para melhorar a segurança daqui. Graças aos deuses eu tinha essas obrigações para manter minha mente ocupada, assim pude parar de pensar nela.

Piper não dava notícias e também não entrei em contato com a filha de Afrodite, meu orgulho falou mais alto. Queria ela para mim, mas não podia forçá-la a largar o filho de Júpiter. A pior coisa do mundo era ver a pessoa que você ama sendo amada por outra pessoa.

Era raro encontrar tempo para descansar, mas estava na minha sala, com a companhia de Aurum e Argentium, os cães me encaravam com os olhos de rubi, aguardando alguma ordem. Estava com os braços apoiados na mesa, enquanto deslizava o meu dedo pela inscrição “S.P.Q.R” gravada no meu braço.

Uma movimentação atraiu a atenção dos meus cães, eles normalmente rosnavam para as pessoas que se aproximavam de mim, como um alerta, mas dessa vez eles abaixaram as orelhas e relaxaram, Aurum até abanou o rabo de ouro, e foi essa reação que me despertou do meu transe.

– Vim passar alguns dias aqui, mas me disseram que eu deveria falar com a Pretora antes… — a voz suave preencheu a sala e ergui o olhar para dar de cara com aquelas obres multicoloridas, que mudavam de cor a cada segundo

– McLean... – sussurrei surpresa enquanto Piper me encarava de forma tímida, ela pegou um dos fios de cabelo da sua franja e colocou atrás da orelha, cada gesto que ela fazia era encantador, logo tentei me recompor – Preciso fazer algumas anotações sobre sua estadia aqui. – disse enquanto me levantava

Piper se aproximou ficando em frente a minha mesa, ela não sabia como me cumprimentar, tudo o que eu queria era abraçá-la e implorar para que ficasse comigo, mas apenas estendi a minha mão e ela fez o mesmo, trocamos um aperto de mão e me sentei novamente, nunca conseguia deixar a formalidade de lado.

– Está sozinha ou outro semideus a acompanhou até aqui? – perguntei, mas aquelas palavras significavam “Veio sozinha ou trouxe seu namorado junto?”

– Sozinha. Gostei dos dias que passei aqui, embora estivesse tudo muito corrido, e resolvi vir aqui novamente. – ela respondeu se sentando e Aurum e Argentium se aproximaram da filha de Afrodite, o cão de prata até apoiou a cabeça no colo dela

O que tinha de errado com aqueles cães? Eles não agiam assim nem comigo! Piper deu um sorriso torto e apoiou a mão na cabeça do cão.

– Vai passar quanto tempo aqui?

– Ainda não sei. – ela respondeu e eu escrevi “Estadia indeterminada” na ficha dela, embora que quisesse colocar “Para sempre”

Ficamos em silêncio enquanto eu organizava a ficha, sentia o olhar de Piper sobre mim e senti minhas bochechas esquentarem um pouco.

– Precisa de ajuda com as malas? – perguntei entregando a chave de um dos quartos

– Tenho poucas, posso carregar sozinha. – ela respondeu

– Eu insisto. – rebati – É o mesmo quarto que ficou da última vez... Estamos fazendo uma reforma no dormitório dos nossos visitantes gregos...

– Ah! Tudo bem, se não tiver problema... – ela deu de ombros enquanto pegava uma das mochilas que ela trouxe, só havia duas, meu coração se apertou pois se ela não trouxera muita bagagem, não tinha intenção de ficar muito tempo

Andamos pelos corredores do prédio principal, estranhamente Aurum e Argentium não nos seguiram. Quando chegamos até o quarto em que eu cedi para ela, Piper retirou a chave do bolso e abriu a porta.

Ascendi a luz no interruptor e deixei a mochila sobre a cama, ela fez o mesmo, segui até a sacada abrindo a cortinha que tinha ali e deslizei a porta de vidro logo sem seguida, indo ali fora e me apoiei na mureta de pedra, o perfume de Piper me indicou que ela estava ao meu lado, nós duas estávamos admirando a paisagem noturna do Acampamento.

– Já se decidiu? – perguntei, mas não a encarei... Piper sabia do que eu estava falando

– Quando estou no Acampamento Meio Sangue eu me sinto em casa. – ela começou e meu coração se apertou ainda mais, ela tinha vindo aqui para acabar com todas as minhas esperanças?

– E não sente o mesmo aqui. – conclui, ainda sem encará-la

– Não é isso, no Acampamento grego eu me sinto em casa, mas algo falta em mim... Me sinto incompleta... E esse vazio só é preenchido quando estou aqui.

Engoli em seco e me virei para Piper, ela fitava o Acampamento, como se também hesitasse em me encarar.

– Quando estou com Jason eu sinto sua falta. – ela deu um sorriso triste – Não queria magoá-lo, mas não posso ficar te prendendo a mim para sempre, sei que você está me esperando.

– Como eu prometi. – sussurrei

– Então eu resolvi dar uma chance para nós. – ela disse de forma convicta se virando para me encarar e me perdi naquela íris calendoscópica

– Mas você ainda está...

– Pedi um tempo. – ela disse erguendo a mão no ar e notei que a aliança dela não estava ali – Se eu me sentir mais feliz com você eu termino de vez com ele e fico somente com você.

Pensei por alguns segundos, não gostava dessa ideia de “dividi-la”, mas ela estaria o tempo todo aqui, e se eu provasse o quanto eu a amava eu a teria para sempre. Que outra chance eu teria?

– Então já pode terminar com o filho de Júpiter, senhorita, pois eu vou te fazer a mulher mais feliz do mundo. – respondi e um sorriso brotou em seus lábios

– Já estou feliz, só por estar com você. – meu sorriso espelhou o dela e naquele instante eu percebi

Piper McLean seria minha, isso já estava destinado, a própria mãe dela tinha me dito aquilo.

– Vou respeitar o compromisso que ainda tem com... Aquele garoto. – falei e não escondi o desprezo na minha voz – Então não vou fazê-la minha até você terminar com ele mesmo, vou provar o meu amor de outras formas.

Mal terminei de dizer aquilo e enlacei sua cintura com apenas um braço, enquanto minha mão livre ia para sua nuca, Piper encurtou a distância que faltava e me beijou.

Já tínhamos trocado um beijo uma vez, logo após a guerra contra os gigantes, eu tinha tomado uma bebida batizada pelos filhos de Hermes e acabei agindo por instinto, havia puxado Piper para um canto do Acampamento e a beijei, um beijo que ela não retribuiu, pelo contrário, ela me empurrou e me fez contar porque tinha feito aquilo. Abri meu coração e contei tudo o que estava sentindo por ela, depois de um tempo recebi uma mensagem de Íris, Piper disse que estava sentindo algo a mais por mim e pediu para eu esperar ela se decidir, eu tinha guardado aquele amor tão bem que nem ela sendo filha da Deusa do amor

Mas esse beijo foi diferente, sentia suas mãos em meus ombros e eu a apertava ainda mais contra mim. Piper deslizou a língua sobre a minha boca, mas não deixei que ela comandasse o beijo. Deuses, quantas sensações ela me proporcionava em somente um beijo.

Quando o ar faltou em meus pulmões me afastei e direcionei meus lábios para o alto da cabeça dela, dando um beijo ali na testa. A respiração de Piper batia contra o meu pescoço e mantive nossos corpos unidos com um abraço.

– Eu vou fazer de tudo para te ver feliz. Eu te amo, você pode não me amar agora, mas sei que sente alguma coisa... Você ainda vai me amar, Piper McLean. – disse de forma suave e sues braços me apertaram ainda mais contra si

“Cuide bem da minha filha.”

Ouvi a voz de Afrodite em minha mente e sorri.

“Vou cuidar.” Pensei “Aprova esse relacionamento?”

“Você é a melhor pessoa para ela, dou minha benção a vocês.”

– Seu abraço é muito bom. – Piper disse ainda com a cabeça apoiada no meu ombro e sua voz me atraiu de volta para a realidade, sorri por causa do comentário dela

– Aproveite. – respondi – Poucos têm esse privilégio.

A risada dela bateu contra meu pescoço e acabei rindo junto. Eu precisava dela em meus braços, comigo, somente assim eu seria feliz.

Eu já a amava há um bom tempo e sabia que Piper iria me amar também, ainda mais agora, com a deusa do amor ao nosso lado.

A filha de Afrodite se afastou pouco, passou a mão pela minha franja que ficava fora da trança no meu cabelo de desceu a mão para a minha nuca.

Fechei os olhos no instante em que senti seus lábios contra os meus mais uma vez.

Notas finais
E aí? Claribeth e Pipeya num cap só, comentem u.u