The Prophecy
27 Capítulo 27
Notas iniciais
Pov. Rachel Dare
Estava sentada na mesa principal, ao lado do Sr.D, ele murmurava algo com Quirón sobre o quanto odiava o fato de Percy ter se tornado um deus menor, dizia que o garoto estava insuportável. Realmente não conseguia entender como ele tinha se perdido tanto no caminho da vida... Sempre fora um garoto bom.
Alguns semideuses já tinham tomado o café da manhã, mas eu encarava o meu prato pela metade, sem vontade de comer o resto.
Mas então algo atraiu a atenção de todos, percebi isso porque o volume das conversas diminuiu e ergui a cabeça para saber o que era.
Ela.
Thalia estava séria, numa postura até tensa. Ela acenou para Annabeth e a filha de Atena se levantou de sua mesa para acompanhar a amiga, Nico também foi até ela e os três caminharam juntos até a mesa de Zeus, onde Jason esperava com um sorriso no rosto e de braços abertos para receber a irmã.
Meu coração estava acelerado. O que ela estava fazendo aqui? Não conseguia deixar de encará-la. Três semanas esperando por esse dia e ela aparece do nada aqui, sem eu ter chamado ela.
Thalia estava linda, ela vestia uma regata cinza e um jeans preto rasgado com seu tradicional all star, o cabelo estava mais bagunçado do que nunca e ela passava a mão por ele, exibindo os braceletes pretos, nisso pude ver minha aliança reluzindo em sua mão.
Nosso olhar se cruzou quando ela colocou a mochila sobre a mesa de Zeus. Thalia me encarou por alguns segundos e deu um sorriso. Não consegui retribuir o sorriso, engoli em seco e desviei o olhar para o meu prato.
Não voltei a olhar naquela direção, estava confusa demais com o que estava sentindo, ansiedade, nervosismo, empolgação... Sentimentos que Thalia Grace despertava em mim.
– Alguém não para de olhar para cá. – Quirón murmurou e ergui o olhar novamente
Thalia, Jason, Annabeth e Nico olhavam na direção da mesa principal, a filha de Zeus fez um gesto com a cabeça, indicando que queria falar comigo a sós, pensei por alguns segundos e Annabeth lançou um olhar encorajador para mim. Suspirei assentindo, não tinha nada de mal em ouvir o que ela tinha a dizer, não é?
Terminei o meu café da manhã e pedi licença para Quirón e o Sr. D, me retirando da mesa, continuei caminhando e Thalia entendeu o recado se levantando e me seguiu, ficando a alguns passos atrás de mim, a cada batida do meu coração parecia que ele iria saltar do meu peito.
Sentia o olhar de alguns campistas queimando em nós, e fui na direção do meu quarto para ficar longe de olhares e ouvidos curiosos.
Destranquei a porta e entrei, meu quarto não estava nada organizado, não me importei com aquilo e me apoiei na escrivaninha, cruzando os braços na altura do peito, Thalia ficou apoiada no batente da porta, também de braços cruzados, mas tinha um sorriso no rosto depois de ver a aliança dela na minha mão.
– O que queria falar? – perguntei, minha voz falhou devido ao nervosismo, mas ela ignorou isso
– Eu não iria vir até você me chamar, mas percebi que essa situação não iria levar em nada e vim para acertamos as coisas de vez.
– Foi você quem sugeriu esse tempo. – acusei e desviei o olhar para o teto do meu quarto, não conseguia encara-la sem ter vontade de ir lá e abraça-la
– Eu sei. – Thalia rebateu, em um tom incrivelmente calmo – Nem todas as ideias que tenho são perfeitas.
Não respondi, estava lutando contra mim mesma, tentando quebrar o orgulho que me cercava.
– Não precisamos conversar agora, se você não quiser. Posso esperar... Eu só queria que você soubesse que senti sua falta.
Consegui encara-la, dava sorriso triste, seu olhar carregava a mesma expressão, ela passou a mão no cabelo parecendo estar envergonhada com a minha falta de resposta. Deuses, como ela consegue me encantar assim?
Thalia suspirou e virou as costas pra mim, não queria que ela fosse, mas não conseguia encontrar uma resposta para o que ela disse.
– Thalia. – chamei antes que ela saísse, ela se virou e seu olhar carregava uma centelha de esperança – Eu também senti sua falta.
– Ah Rachel... – ela murmurou e entrou no quarto, se aproximando lentamente de mim, parando a uma distância dolorosamente longa
– Esse tempo foi sem dúvidas, a pior ideia que você já teve. — rebati e ela deu uma risada rouca e meu rosto se contorceu num sorriso
Estiquei minha mão para tocar seu rosto e Thalia fechou os olhos, acariciei sua bochecha com meu polegar e ela suspirou.
Deuses, como sentia falta de tocá-la.
– Eu só queria que você me perdoasse... – ela sussurrou ainda de olhos fechados enquanto eu levava a outra mão até seu rosto
Eu podia ter me magoado, e tinha medo que isso acontecesse novamente. Mas nessa situação eu estava ferindo Thalia também, não tinha o direito de trazer sofrimento para ela...
Nico estava certo, eu não podia cobrar coisas dela, sendo que eu não cumpria com a minha palavra também, estava devolvendo o troco com a mesma moeda. Fui burra o suficiente para perceber isso em três longas semanas.
Podíamos brigar de novo futuramente, e trazer mais mágoa, mas não liguei mais para aquilo, pois Thalia era a cura para aquilo que ela mesma fazia, eu tenho certeza que sou a cura para ela também. A mágoa não venceria, desde que ficássemos juntas.
– Eu já te perdoei. – respondi sussurrando
Thalia abriu os olhos e me fitou, eu amava aquelas obres azuis, ainda segurava seu rosto entre minhas mãos e logo senti as suas em minha cintura, ela me puxou para si e seus lábios se uniram aos meus.
Como aquela garota beijava bem, é impossível descrever todas as sensações que ela em passa apenas com m beijo, e esse estava diferente, repleto de carinho e saudade. Soltei um suspiro quando sua língua macia deslizou sobre a minha, dando mais velocidade ao beijo.
Minhas mãos passaram de seu rosto para sua nuca, e enrolei meus dedos nos fios de cabelo curto. Aos poucos o ritmo do beijo foi diminuindo ela finalizou um selinho.
Ela se afastou um pouco apenas para ver minha expressão, Thalia estava sorrindo, o sorriso mais lindo que eu já tinha visto, os olhos carregavam aquele brilho apaixonado, me encantando ainda mais.
– Eu te amo. – ela disse e sorri mais ainda
– Eu... – sussurrei – Também te amo.
Suas mãos passeavam pelas minhas costas enquanto eu continuava abraçada ao seu pescoço, não quebramos aquela conexão de olhar, naquele instante só existia nós. Compreendia que ela tinha feito aquilo para me proteger, e a mágoa que sentia se esvaiu, trazendo o meu amor de volta.
– Acho que você está com algo que me pertence. – ela disse ainda sorrindo e tirei a aliança dela enquanto fazia o mesmo, trocamos a as alianças mais uma vez, como tínhamos feito no início do nosso namoro
Dei um sorriso tímido enquanto ela me erguia, me deixando sentada na escrivaninha e se encaixava no espaço entre minhas pernas.
– Eu sentia sua falta o tempo todo. – ela disse enquanto suas mãos passeavam pelos meu braços e costas – Estava preocupada com você, e com medo de que você não me escutasse, não aguentaria viver sem você.
– Não pense nisso. – pedi desmanchando o sorriso – É algo com que você não precisa se preocupar, a partir de agora vamos aguentar tudo isso juntas, sem segredos, o amor nos une, Thalia, somos uma coisa só, não teria como eu ficar sem você, também.
– Você é tudo pra mim. – ela disse com sinceridade e meu sorriso voltou – A partir de agora farei o possível e o impossível para trazer sorrisos para você, nunca mais quero que derrame uma lágrima por mim.
Colei meus lábios nos dela mais uma vez, antes que Thalia pudesse fazer alguma promessa difícil de cumprir. Esse beijo foi mais carregado de luxúria, intensificamos o abraço, como se tentássemos unir ainda mais nossos corpos.
Ela parou o beijo para respirarmos, mas foi descendo seus lábios para o meu pescoço, enquanto ela puxava meus cabelos para um lado só, deixando espaço livre, sua respiração acelerada batia ali causando arrepios, quando retornou para minha boca eu segurei a barra de sua regata e a puxei para cima, Thalia ergueu os braços permitindo que eu a tirasse.
– Eu preciso de você. – falei com a respiração descompassada e ela voltou a me beijar
Quando senti seus lábios em meu pescoço fechei os olhos me entregando completamente a ela, deixando que ela cuidasse de mim, e demonstrasse todo o seu amor, naquele momento ela chupou o meu pescoço delicadamente fazendo que eu soltasse um suspirou rouco de prazer.
– x-
Estava deitada na minha cama com Thalia ao meu lado, nossas pernas estavam entrelaçadas e ela repousava a cabeça no meu ombro, ainda sentia o meu coração disparado, e sua respiração abafada contra a minha pele.
Eu deslizava minha mão sobre o seu corpo, passando pelo vale entre seus seios e pela cintura, quando chegava em suas cochas eu fazia o caminho de volta. Continuei as carícias, mas eu encarava o corte em sua barriga, agora estaca cicatrizando, iria ficar uma marca ali, mas a ferida foi profunda.
Lembrei de quando ela ganhou aquilo, durante a batalha no Acampamento romano, mas a marca era exatamente onde Aaron tinha me ferido dias antes. O imbecil conseguiu deixar marcas em nós, para lembrarmos eternamente do sufoco que passamos nesses dias.
Percebendo o meu silêncio, Thalia me puxou para um beijo calmo e delicado, quando nos separamos ela acariciou minha bochecha com o polegar.
– Não me olhe assim. – ela pediu e arquei a sobrancelha – Em nenhum momento que estive com aquilo no meu corpo deixei de ser sua Thalia. Permaneci forte o tempo todo, em nenhum momento deixei ela tomar o controle.
Arregalei aos olhos ao perceber que ela fez uma interpretação totalmente errada do que eu estava pensando.
– Não é isso! – exclamei – Só... As cicatrizes, elas nunca vão nos deixar esquecer do que aconteceu. – expliquei e ela respirou mais aliviada
– Ah. Então é isso... – ela sussurrou e levou a mão até a minha barriga, deslizando os dedos delicadamente sobre a minha cicatriz
Me lembrei do modo como ela beijou aquela região enquanto descia os beijos pelo meu corpo, e isso causou um arrepio de prazer pela minha coluna.
– Foi uma batalha, todas as lutas deixam marcas, não podemos esquecê-la, pois vencemos. Mesmo que isso traga lembranças ruins, estamos bem agora, e isso que importa. – ela disse de uma maneira distante e melancólica, e me perguntei quantas cicatrizes psicológicas Thalia carregava
– Eu te amo. – disse antes de puxá-la para mim, dando um beijo em sua testa
Eu faria o impossível para curar todas as cicatrizes de Thalia Grace, e ela faria o mesmo por mim.
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