The Prophecy
21 Capítulo 21
Notas iniciais
Fiquei na enfermaria praticamente a noite toda. Não queria voltar para o quarto e ver Thalia outra vez. Estava cansada mentalmente, mas fisicamente estava bem, então ajudei a tratarem dos feridos.
Muitos adolescentes confusos, estressados e com medo. Alguns nem se lembravam do que tinha acontecido, era difícil convence-los de que estava tudo bem agora.
Quando o turno dos socorristas mudou, tive que sair de lá também. Vaguei pelo Acampamento, alguns semideuses e Lares limpavam a bagunça que tínhamos feito de decidi ajudá-los.
Não estava com sono, o desmaio ainda estava fazendo efeito.
Uma hora após o sol nascer um semideus romano veio até mim e pediu para acompanhá-lo, estranhei aquilo, mas quando ele disse que era ordem dos Pretores eu obedeci.
Ele me levou de volta ao edifício principal, até a sala de reuniões, lá estavam apenas Frank e Reyna, engoli em seco e entrei na sala. Eu havia feito algo errado?
– Pode se sentar. – Reyna murmurou – Os outros já estão vindo.
Assenti e puxei uma cadeira para mim, o mais distante possível deles.
– Onde está Quirón? – perguntei querendo quebrar o silêncio
– Ele já voltou para o Acampamento Meio Sangue. Precisamos trazer os habitantes de Nova Roma de volta e levarmos vocês, os gregos e romanos que querem ir partem amanhã. – Frank explicou
Logo após a explicação, a porta se abriu novamente, por ela passaram Annabeth, Piper, Clarisse e Percy. Eles se distribuíram nas cadeiras, ao ver que Percy e Annabeth sentaram juntos, Clarisse se sentou o mais distante deles, ou seja, ao meu lado esquerdo.
Percy conversava algo com Frank, não prestei atenção, apenas cumprimentei Clarisse com um sorriso, ela assentiu, mas não retribuiu, acenei para Annabeth, que estava com um olhar distante e ela retribuiu desanimada.
Entendi o que era aquilo, os principais líderes. Era a reunião que eu tinha pedido para Thalia fazer.
A porta se abriu de novo, por ela passaram os irmãos Stoll, Will Solace, Nico Di Angelo e Hazel Levesque. Da outra vez entraram três semideuses romanos que eu não conhecia, eles ficaram em pé, deixando a cadeira da ponta vazia, a cadeira ao meu lado.
Finalmente, a porta se abriu novamente e por ela vieram Jason e Thalia, ele deu um sorriso de encorajamento para a irmã e foi para perto de Piper, olhei para baixo antes que meu olhar cruzasse com o da filha de Zeus.
– Antes de tudo, quero informar que tudo que vai ser dito na minha sala passou por mim, e respeito a decisão das pessoas envolvidas, portanto ninguém aqui deve julga-las. – Reyna disse, o tom de autoridade em sua voz era notável
Os presentes na sala fizeram um olhar confuso, menos os que sabiam da história toda. Pelo visto Reyna já estava sabendo, esperava que ela tivesse descoberto agora e que não fosse outra mentira de Thalia.
– Grace, pode começar. – Reyna disse, alguns olharam para Jason, mas então a pretora apontou Thalia
Me obriguei a olhar para ela, sua postura estava tensa, ela apoiava a mão no queixo como se pensasse por onde iria começar. Ela sabia que não ia adiantar mentir, eu sabia da verdade.
– Vocês merecem saber, convoquei os principais líderes para isso. Se vão passar minhas palavras adiante é a decisão de cada um, mas é bom dizerem a verdade, pois vou saber se alguém inventar boatos sobre mim. – Thalia começou, a ameaça em sua voz era notável
Ela respirou fundo e pelo canto de seu olho ela me encarou, engoli em seco e mantive a postura firme. O que ela teve que fazer para manter aquilo em segredo e agora eu estava forçando ela a falar.
– Para um bom sucesso em missões, todas as pessoas devem ser justas e sinceras com seus membros, por isso, depois que tudo o que enfrentamos, merecem saber a verdade. – ela começou – Como sabem, eu e mais quatro pessoas aqui presentes partimos numa missão há mais ou menos uma semana atrás, nosso objetivo: Derrotar Gaia. A deusa estava se erguendo, sabíamos que ela estava em um hospedeiro, não sabíamos quem, então apenas partimos para o oeste, como a profecia mandou.
– Correto. – Clarisse confirmou quando Thalia fez uma pausa
– Na Base, passamos a acreditar que o hospedeiro era o semideus Aaron. Mas não era ele, eu sabia disso.
– Como? – Percy perguntou
– Porque eu sabia quem era o hospedeiro. – Thalia prosseguiu e respirei fundo – Na verdade era uma hospedeira. – ela ergueu o roso e encarou todos ali presentes – Eu era a hospedeira de Gaia.
Desviei o olhar para que ela não visse a decepção estampada no meu rosto. A reação das pessoas ali foram distintas.
Os que já sabiam da verdade, permaneceram neutros, mas tensos. Annabeth balançava a cabeça afirmadamente como se confirmasse suas suspeitas. Pela primeira vez na minha vida vi os irmãos Stoll ficarem sérios, Frank e Hazel encararam Thalia como se não acreditassem no que ela tinha dito, Clarisse abriu um sorriso irônico e esperou que Thalia prosseguisse, os outros semideuses ali presentes também aguardaram mais explicações, mas Percy foi o que surpreendeu todos. Ele se levantou e bateu na mesa.
– O que?! Aaron não era o traidor! Era você! – Percy gritou, Thalia ergueu o olhar para ele, vi a energia passando por aquele olhar eletrizante, mas pela postura tensa da filha de Zeus que só eu conseguia notar vi que era exatamente aquilo que ela temia
– Por acaso eu liderei um ataque contra um Acampamento? – Thalia rebateu – Claro que não, Percy, ele sempre foi o traidor, agora volte para o seu lugar e me deixe terminar. – ela rugiu entre dentes
– Mais uma reação dessas, a pessoa será convidada a se retirar da sala. — Reyna disse girando um anel dourado no dedo de forma distraída e Percy se sentou impaciente
– Prossiga. – Frank pediu
– Está bem, mas pra isso eu preciso explicar tudo desde o início. – Thalia passou a mão pelos olhos e em seguida tombou a cabeça para o lado para tirar a franja de cima do olho – Há alguns meses eu estava sonhando com algo, eu sabia o que era, todos aqui já passamos por isso, os deuses nos influenciam a fazer algumas coisas, e consegui reconhecer isso. Gaia estava querendo se erguer novamente, mas como da última vez ela foi impedida, ela precisava de outra tática, precisava de um hospedeiro. – fez uma pausa
– Então a deusa se aliou ao seu irmão, Tártaro. E da mesma forma que ela tentava influenciar ele passou a influenciar Aaron.
– Tentava? Você foi hospedeira dela, então é óbvio que ela conseguiu te influenciar! – Percy a cortou e Thalia ignorou, Clarisse bufou ao meu lado e olhou o garoto de forma ameaçadora
– Antes de eu continuar, alguém aqui precisa falar, ela entende isso melhor do que eu, sabia de tudo que ia acontecer antes mesmo de eu ir para aquele templo. Piper, diga o que sua mãe te informou. – Thalia pediu, Piper engoliu em seco, como se não esperasse aquilo, mas assentiu
– Faz alguns meses também, que Afrodite passou a se comunicar comigo. Não por sonhos, algumas vezes ela até falou comigo pessoalmente... – Piper começou – Ela dizia que no Acampamento Meio Sangue havia um artefato poderoso, que foi feito por ela e pelo meu meio irmão, Eros. Sei que muitos aqui não acreditam nisso, mas o amor é capaz de acabar com guerras, com qualquer tipo de briga. Então nos tempos antigos, quando Gaia se tornou um problema para os deuses, Zeus pediu para minha mãe fazer um selo de segurança, para garantir que Gaia não retornaria. – Piper aguardou alguns segundos
– Eles fizeram uma espécie de “chave” e colocaram a “fechadura” no templo. A chave era encantada, ela ficara apenas com a pessoa que ela sentisse uma grande quantidade de amor emanando dela, um amor puro, verdadeiro, o mais fiel dos amores. – enfatizou – Então, essa pessoa e o seu amor deveriam juntas colocar a “chave” na “fechadura”. Mas só iria funcionar se elas se amassem. Cada geração, a “chave” escolhia alguém, para garantir que se a deusa estivesse retornando a pessoa cumpriria a missão. Esse artefato estava no Acampamento, era o bracelete que Rachel pegou. Mas antes mesmo de ele escolhe-la Gaia e Tártaro já sabia disso, forçaram minha mãe a contar quem era a escolhida.
– Por isso Gaia veio até mim. – Thalia prosseguiu, agradecendo Piper com o olhar – Como Rachel foi a escolhida, a deusa achava que ela não seria contra mim. Gaia achou que Rachel jamais fizesse algo para me machucar, pois sabia que se a chave fosse colocada eu morreria, fora que ela achou que conseguiria me controlar, o que não foi possível.
– Você estava consciente enquanto hospedava Gaia? Não deixou de ser você mesma? – Will perguntou, era a pergunta que estava entalada na minha garganta desde que saí daquele templo
– Eu estava consciente. Não hospedei a deusa cem por cento, na verdade o real motivo de eu ter ido naquele templo foi para evitar que Gaia desistisse de mim e tentasse outra pessoa. – Thalia respondeu – Durante o ritual eu interrompi o processo, desde então eu hospedava apenas trinta por cento da essência da deusa, ela tentava me controlar, mas travei uma luta interna com ela.
– Por isso que seus poderes foram diminuindo? – Clarisse perguntou e Thalia assentiu
– Céu e Terra são opostos, eu passei a sentir o poder de Gaia, mas me recusei a usar, achei que isso fortaleceria ela.
– Mas mesmo assim aceitou ir numa missão para derrotar Gaia, ou seja, você mesma. – Percy disse, não era uma pergunta
– Depois que a missão foi convocada, eu passei a acreditar que o traidor da profecia era eu, mas então recebi uma mensagem de Íris de Jason, e Piper falou comigo, explicou o que a mãe dela tinha falado e o que ela estava vendo na adaga, então descobri o real plano de Gaia, que era exterminar todos nós. Aaron lideraria o ataque, mas eles planejaram tentar fazer com que Gaia tomasse o controle do meu corpo e que o resto da sua essência viesse até mim. – Thalia explicou – Por isso eles precisavam do Receptáculo daquela base, ele era capaz de ressurgir qualquer coisa, e Aaron o pegou, sequestrou Annabeth e feriu Rachel para nos atrasar, com o Receptáculo nas mãos do aliado ficou mais difícil de controlar a deusa, ela gritava na minha mente, mostrava coisas... Coisas que aconteceria caso falhássemos. Fiquei mais quieta, mas na verdade estava lutando mentalmente, aquilo me exauria, e quando eu dormia ela ficava mais forte, me atormentava nos pesadelos e eu não conseguia acordar. Então o Tártaro passou a perseguir Rachel, nas viagens das sombras e nos pesadelos, achava que dessa forma isso me atingiria e Gaia conseguiria ficar mais forte, estava dando certo, eu perderia o controle se não tivéssemos sido rápidos o suficiente.
Ela fez uma pausa, então era isso, toda aquela perseguição era para ferir Thalia.
– Eu já tinha o plano em mente, chegar lá e colocar o bracelete no altar. – Thalia voltou a falar – Mas deu errado, a fechadura reconheceu que eu estava hospedando a deusa e... – Thalia olhou para mim e de alguma forma consegui sustentar aquele olhar – E Rachel nos últimos dias estava magoada por minha causa, o plano deu errado, e a fechadura não achou que nosso amor fosse o suficiente. Mas então eu pensei, da última vez havíamos levado Gaia para o céu para destruí-la. E eu tenho o poder sobre o céu, então usei todos os meus poderes e fiz uma prece em nome do meu pai e consegui derrotar a deusa, isso custou a minha vida. Eu sabia desse risco, desde o início eu sabia.
Ela aguardou enquanto digeríamos aquelas informações, quebrei nosso olhar e encarei as minhas mãos.
– Como você saiu do mundo dos mortos? – Frank perguntou
– Rachel cantou uma canção e meu espírito seguia a voz dela, mas a canção era um encantamento, bem, foi isso que Thanatos me disse e ele não me deixava passar pelas portas da morte, com a canção Rachel conectou os nossos pensamentos e descobriu toda a verdade. Quando ela terminou a canção eu fui trazida de volta, e bem, o resto vocês já sabem.
– Não, por que você era a única que conseguia se aproximar do Tártaro? – perguntei em tom firme, ela não me olhou para responder
– Ele tinha uma segurança, somente outra pessoa que já tenha servido como hospedeiro de um deus podia tocá-lo, acho que sou a única assim. Por isso Gaia tinha tanta necessidade de tomar o controle, eu era a única que podia derrotá-los. – explicou e suspirou – É essa toda a verdade, agora cabe a vocês decidirem se vão acreditar.
Ela suspirou, como se estivesse cansada ao contar tudo aquilo. Percy se levantou e saiu da sala com pisadas firmes, Thalia revirou os olhos.
– Eu esperava reações assim. – murmurou
– Por que não me contou antes? – perguntei quando os outros ali na sala começaram a se mexer, alguns já saíam da sala, o tom magoado da minha voz era notável – Sabe que eu não te julgaria.
– Era arriscado, eu não tinha certeza se acreditaria. – ela rebateu pensativa – Ainda está brava?
– Como você mesma disse, para o sucesso de uma missão as pessoas precisam ser sinceras. Num relacionamento é a mesma coisa, e é necessário ter confiança. E isso Thalia, é uma coisa que você quebrou. – minha voz saiu firme, mas na realidade eu estava me despedaçando
– Amor...
– Mais tarde nos falamos, tenho que voltar a ajudar as pessoas na limpeza do Acampamento.
Murmurei e me retirei da sala, passando entre Piper e Annabeth que estavam na porta, não precisei olhar para trás para saber que elas me observavam.
Lutando contra as lágrimas e os sentimentos confusos eu saí do prédio principal, indo para o mais distante dali, o mais distante possível da filha de Zeus.
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