The Prophecy
22 Capítulo 22
Notas iniciais
– Annabeth disse que você queria falar comigo. – murmurei ao terminar de subir as escadas que levavam até o alto do Acampamento, ali havia uma fonte e Thalia encarava o próprio reflexo nela, mais a frente havia uma espécie de mirante, dando uma visão perfeita de todo o Acampamento
Suspirei quando ela não respondeu nada e fui até o mirante, me apoiando no muro de mármore.
– Mesmo após tudo o que falei você não consegue me perdoar. – ela alegou, mas não respondi – Se continuarmos convivendo desse jeito, vamos nos machucar ainda mais, um dia vou perder a paciência com você por causa desse seu olhar acusador e vou te magoar ainda mais.
Ela dizia, sua voz saiu monótona, como se já tivesse ensaiado aquela fala.
– E o que você sugere, Thalia? – perguntei, temia o rumo daquela conversa, mas no fundo eu sabia que ela estava certa
– Um tempo, para nós duas pensarmos. Você avalia o que fiz e decide se vai me perdoar, pensa se ainda... – ela hesitou – Se ainda me ama. Eu vou passar um tempo com as Caçadoras, mas não vou me juntar a elas novamente, seria um crime para mim mesma fazer isso. Posso acompanhá-las e treiná-las, Lady Ártemis já disse que me acolhe por alguns dias. Aí quando você tiver sua decisão me chama e eu volto para você.
– Por que me chamou para dizer isso se já decidiu? – perguntei, ainda sem me virar para ela, sentia sua presença há alguns passos atrás de mim
– Porque eu não posso partir, fiz uma promessa uma vez, prometi que nunca te deixaria. – ela respondeu num sussurro, sua voz falhou no final e precisei juntar todas as minhas forças para não desabar – Posso ter quebrado muitas promessas, mas essa é uma que eu não vou quebrar.
– O que você quer que eu faça? – perguntei sentindo a minha garganta arder por causa do choro que segurava
– Peça para eu ir embora, não vou quebrar uma promessa, pois assim será você que estará pedindo. Não vou conseguir partir de outro jeito. – ela implorou e senti seu corpo mais próximo do meu
Segurei a minha aliança e a girei no dedo enquanto pensava, ela tinha razão, um tempo seria bom.
– É só um tempo. – murmurei mais para mim mesma e tirei a aliança, colocando-a sobre o muro – Vai Thalia, dê esse tempo para nós duas, fique com as caçadoras por alguns dias e pense no que você fez.
Ficamos alguns segundos em silêncio até que senti sua respiração bem na minha nuca, mantive meu olhar fixo no Acampamento lá embaixo.
– Só não me esqueça. – ela sussurrou, sua voz causou um certo arrepio em mim
– Sabe que não vou conseguir pensar em outra coisa além de você. – disse antes de me afastar pelo lado
Caminhei até a escadaria e ali olhei para trás, a tempo de ver a filha de Zeus segurando a minha aliança que tinha deixado ali. Meu coração se partiu ao meio e virei as costas deixando as lágrimas que segurei rolarem.
– É só um tempo. – murmurei para mim mesma, mas o peso do meu coração no meu peito era insuportável
Esbarrei em alguns semideuses no caminho até trombar de frente com alguém. Era um garoto, percebi pela altura, ele me segurou pelos ombros, ergui o olhar e vi Nico Di Angelo, não pude deixar de encará-lo de uma forma acusadora, ele sempre soube de tudo e mesmo assim não me contou.
– Não adianta me olhar assim, apenas fiz o que ela pediu. – ele murmurou, senti a irritação em sua voz – Acho bom não me ignorar, agora que ela vai partir preciso cumprir uma promessa.
Não respondi, tudo o que queria era sair dali.
– Sabe que vou ter que cuidar de você, prometi isso a Thalia um dia. – ele disse num tom mais suave, mas sua expressão se fechou novamente – Lembro que um dia, logo em que vocês começaram a namorar, você me disse que nunca a magoaria. Não exija coisas dela, pois você também não cumpre muito com a sua palavra.
Segurei o choro, vi sua expressão se modificar mais uma vez. Nico se importava muito com Thalia, a garota havia salvado ele e a irmã, e uma vez ajudou a salvar Reyna, que era a atual melhor amiga dele, o fato de eu ser a causa do sofrimento dela atualmente devia irritá-lo.
– Só... – ele respirou fundo – Saiba que pode contar comigo também.
– Me deixe ir. – pedi e ele soltou meus ombros
– Pode fazer o que quiser agora, mas a noite já tem um compromisso. Sei que não deve estar no clima para isso, mas os romanos amam uma festa, e convocaram todo mundo para participar.
Mantive a expressão fechada, sentindo as lágrimas do meu rosto começarem a secar.
Saí do caminho dele e segui para o prédio principal, onde era o quarto onde estava dormindo. Chegando lá tranquei a porta e escorreguei pela parede até me sentar no chão. Respirei fundo e encarei a minha mão direita, que agora não carregava a aliança de compromisso.
Ainda conseguia ver a marca do anel ali, era uma peça tão pequena, mas agora sua ausência trazia um vazio enorme.
“- Não exija coisas dela, pois você também não cumpre muito com a sua palavra. “
Concordei com as palavras, mas agora não tinha volta, apesar de não parecer, sempre fui uma pessoa muito orgulhosa.
Deuses, o que eu tinha feito?
–x-
Todos os semideuses tinham se reunido ali no refeitório. Os Lares romanos passavam de um lado para o outro nos servindo. Eu estava na mesa principal. Reyna estava sentada na ponta, depois eu, de frente para Clarisse, depois Jason e Piper, depois alguns semideuses romanos que eu não conhecia, Frank e Hazel, Nico e Will, Percy e Annabeth e Thalia se sentava entre a loira e o filho de Hades.
O próprio Hades estava presente, sentava na outra ponta da mesa, alguns semideuses estavam receosos com a sua presença, e os Lares ficavam agitados perto dele. Vez ou outra a forma dele tremeluzia, deixando de ser um homem com barba rala e manto preto e se transformando em um homem de terno, no estilo executivo. Ele queria agradar tanto gregos quanto romanos, mas não conversava com ninguém, encarava o próprio prato e vez ou outra erguia o olhar para um dos filhos como se perguntasse se seria muito rude ir embora naquele horário.
Reyna tinha feito um discurso de agradecimento a todos e um especial para o deus, ele pareceu orgulhoso disso, já que foi o único deus que nos ajudou de forma direta na batalha.
Os semideuses estavam animados, os que se sentavam em outras mesas davam gargalhadas e erguiam taças fazendo um brinde. Vez ou outra via Thalia pelo canto do olho, ela estava séria, mas em alguns momentos ela abria um sorriso. Annabeth ao seu lado parecia completamente desligada do mundo a sua volta.
Reyna estava quieta, mexia na comida como se não estivesse com a mínima fome. O humor de Clarisse estava pior do que nunca, sua expressão fechada indicava que ela não estava com vontade de conversar, então não me restava outra alternativa a não ser ficar quieta e encara-las enquanto o tempo passava.
Antes da sobremesa ser servida Hades se levantou, apertando a mão de Nico e dando um breve sorriso para Hazel, ele se retirou sem se despedir de outras pessoas, saiu pela porta desapercebido pelos outros semideuses, desaparecendo na escuridão da noite.
Reyna pediu licença e disse que precisava tomar um pouco de ar, a romana levou o cálice de ouro que usava e saiu pela porta principal.
Clarisse girava duas facas na mão, como se decidisse se valia a pena arremessá-las em alguém, mas ela se levantou resmungando algo que não entendi e foi até uma das mesas onde estavam alguns de seus irmãos.
Vendo que fiquei sozinha e que os outros ali na mesa estavam entretidos em suas próprias conversas eu me levantei e fui até a porta principal. A brisa da noite bateu contra o meu corpo, mas foi aquela escuridão que me causou calafrios.
– Não gosta de festas romanas, Rachel Elizabeth Dare? – alguém me chamou e me virei para encontrar a dona daquela voz
Encostada na parede do refeitório estava Reyna, o manto roxo cobria grande parte da armadura da pretora então nem notei sua presença, ela levava o cálice de ouro até a boca ingerindo o conteúdo dele.
– Não é isso... – respondi passando a mão no meu cabelo que se agitou com o vento – Só não estou animada.
Reyna me avaliou por alguns segundos e assentiu.
– Você e a filha de Júpi... Han... Zeus não se acertaram? – ela perguntou e fiz uma careta, não queria falar sobre Thalia agora, não com alguém que eu mal conhecia
– Um tempo. – respondi – Isso fará bem a nós duas.
– Alguns dizem que o tempo é o melhor remédio. – Reyna começou – Mas ele nunca me curou, da mesma forma que não vai te curar. Vocês têm uma a outra, e isso é a cura das duas, o tempo não pode fazer nada, e sim vocês.
A expressão determinada foi substituída por uma melancólica ao dizer aquela frase e Reyna encarou a porta do refeitório, observando alguém lá dentro.
– Certa vez Vênus me disse que eu não encontraria o amor onde eu desejasse e que nenhum semideus seria capaz de curar o meu coração. Eu não entendia essa frase até um tempo atrás.
Ela continuou observando alguém no refeitório.
– Por que está me contando isso? – perguntei, imaginando que a intenção de Reyna não era me consolar e sim desabafar
– Para você perceber que estão desperdiçando uma chance enorme. Vocês se amam e podem demonstrar isso, já eu, tenho que amar a pessoa que é dona do meu coração em segredo.
– Sinto muito por isso. – respondi – Posso saber quem é essa pessoa?
– Acho que você é esperta o suficiente para descobrir isso sozinha. – ela disse se virando para mim para sorrir – Tenho que voltar para a festa, até logo, Rachel.
Reyna se virou e entrou novamente no refeitório e a observei. Ela ergueu o rosto ao passar perto de alguém e em seus olhos vi aquele brilho apaixonado que meus olhos tinham quando eu olhava para Thalia. Reyna estava encarando Piper McLean, a filha de Afrodite, a garota retribuía o olhar, de uma forma tímida, mas então Jason passou o braço entorno de Piper e a puxou para si, Reyna abaixou a cabeça e foi se sentar na ponta da mesa, logo em seguida Nico a seguiu e sentou ao lado dela para fazer companhia.
Então eu entendi o que Reyna estava dizendo, ela não podia amar um semideus, pois estava destinada a amar uma semideusa.
– x-
Estava deitada, mas não conseguia dormir, sabia que meu corpo sentia a falta de Thalia, estava acostumada a dormir junto com ela. Encarei o teto do quarto lembrando que partiríamos no dia seguinte para o Acampamento Meio Sangue, de que adiantava Thalia ir embora se qualquer lugar que eu olhasse iria me lembrar dela?
Me virei na cama e peguei o travesseiro que ela usou nas noites passadas o abraçando, o perfume dela estava ali, de forma suave, mas bastou para que eu conseguisse fechar os olhos e me entregar ao mundo da inconsciência.
Acordei com uma movimentação no quarto e barulhos de mochila. Abri os olhos e pela luz que entrava pela janela distingui a silhueta de Thalia na escuridão.
Ela já tinha arrumado tudo e colocava a mochila nas costas.
– Não esqueça que isso é só um tempo. – ela disse quando percebeu que eu estava acordada
Não respondi e ela veio até mim, ergueu a mão até tocar o meu rosto e se inclinou na minha direção, achei que ela fosse me beijar, mas apenas encostou os lábios na minha testa.
– Eu te amo, Rachel. – ela disse e se afastou repentinamente, criando uma brisa entre nós
Thalia atravessou o quarto e fechou a porta atrás de si, sem olhar para trás.
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