The Prophecy
16 Capítulo 16
Notas iniciais
– Vão querer os conselhos? – o guia perguntou mais uma vez
– Sim. – Thalia respondeu, sendo a porta voz do grupo
– Ótimo. – ele respondeu, mas não parecia realmente satisfeito com aquilo – Queiram me acompanhar.
Nos entreolhamos e subimos os degraus que davam acesso ao templo. Senti Thalia ficar tensa ao meu lado se procurei a mão dela, entrelaçando nossos dedos firmemente. O templo não parecia com nada do que já tinha visto em livros e com as construções do Olimpo.
– Pode ser uma arquitetura mais antiga do que a própria Grécia Antiga. – ouvi Annabeth sussurrar para Nico que concordou
– Não confio nesse guia. – ele rebateu – Quando se conhece muitos mortos passa a desconfiar deles.
Seguimos para o interior do templo, na escuridão da noite não pude perceber o quanto o local era enorme. Tochas iluminavam o nosso caminho, até uma sala redonda. Ali haviam várias portas, o guia fez um gesto e quatro delas se abriram, mostrando um corredor profundo e totalmente escuro.
O guia parou no meio da sala e se virou para nós como se nos avaliasse. Por fim, suspirou e começou falar:
– Este templo foi construído em homenagem a Gaia, ele existe desde os tempos antigos, mas como vocês sabem, ele muda de lugar, assim como a maioria das heranças gregas que temos. – quando ele mencionou Gaia, uma brisa fria atravessou o salão – Quando Gaia estava se levantando da última vez, esse templo se fortaleceu, e desde então ele manda energia para os servos da Mãe Terra.
– Se você serve Gaia, por que vai nos ajudar? – Clarisse perguntou, ela estufava o peito, e lançava um olhar de superioridade ao guia, que recuou um pouco, todos se intimidavam com aquele olhar da filha do deus da guerra
– Eu sirvo quem me oferece mais mordomias. Quando esse templo foi construído, minha missão era guiar as pessoas que traziam oferendas para a deusa. Depois de anos de guerra, séculos se passaram e os deuses me esqueceram, fiquei aqui, solitário. Mas Gaia não se esqueceu de mim, sirvo a ela agora, mas nem por isso posso abandonar minha missão, que é guiar as pessoas aqui dentro. E se vocês ainda estão vivos aqui, Gaia quer que vocês cheguem ao destino de vocês.
Nenhum de nós respondeu, o guia avaliou Thalia e deu um sorrisinho. Senti a onda de energia emanando dela e apertei ainda mais a sua mão. O guia aponto as portas.
– Cada um é um caminho diferente, mas todos têm o mesmo destino. Vocês terão que enfrentar as características mais marcantes em vocês, isso pode destruí-los ou ser a causa da sua vitória. Isso não é uma charada, então a inteligência não será muito útil aqui. Acho que já sabem o que tem que enfrentar não é? Ninguém conhece vocês tão bem quanto vocês mesmos.
– Você não está sendo de grande ajuda. – Nico cruzou os braços e jogou a cabeça para o lado, agitando sues cabelos
– Em nenhum momento vocês mencionaram que queriam ser objetivos. – o guia rebateu e apontou uma das portas – Aquela é a sua, filha de Ares.
Clarisse arqueou a sobrancelha e o guia prosseguiu, apontando as portas de Nico e de Annabeth.
– Aquela última, é a porta da filha de Zeus e do Oráculo. De alguma forma o templo interpretou que vocês duas devem ficar juntas.
Agradeci por aquilo, não seria capaz de ir em uma missão sem Thalia novamente.
– Se eu fosse vocês, agiria logo. – o guia sussurrou e todos nós se encaramos
Da última vez que nos separamos, tinha dado tudo errado. Éramos muito mais fortes juntos, vai ver por isso nos separaram. Clarisse vagava seu olhar entre nós, Annabeth parecia estar tentando se concentrar.
– Boa sorte, meninas. – Nico murmurou e foi em direção de sua porta, sumindo na escuridão
– Vai dar tudo certo. – Thalia assegurou e nós duas partimos para nossa porta, deixando Clarisse e Annabeth que se encaravam
Antes de eu adentrar o corredor vi as duas sumindo em suas portas. Andamos por alguns metros e repentinamente Thalia me puxou contra a parede.
– Se abaixa! – ela pediu, obedeci, mas procurei pelo perigo
Não conseguia ver nada no nosso caminho, mas Thalia parecia aterrorizada. Então entendi o que acontecia ali, era um corredor vazio, mas nossa mente nos fazia acreditar que havia algo ali, algo que somente você temia. Mas eu não via nada, então tentei passar minha tranquilidade para ela.
– Thalia, não tem nada aqui, é um truque da sua mente. – sussurrei
– Shh. Eles vão nos ouvir.
– Thalia, olha para mim. – pedi e ela ergueu a cabeça um pouco – Não tem nada aqui.
Assegurei, e sua expressão ficou confusa, e aos poucos foi se acalmando.
– Tem certeza? – perguntou
– Absoluta. Vamos continuar.
Nos levantamos, ela caminhava hesitante ao meu lado, vez ou outra ela ficava tensa e insistia que algo estava nos seguindo.
– Por que você não está sendo afetada? – ela sussurrou
A encarei, seu corpo estava encharcado de suor e seu cabelo grudava no rosto, o esforço psicológico dela ali era demais.
– Vai ver é igual o Labirinto de Dédalo, só funciona com smideuses. – ela não aceitou muito bem aquela explicação
Thalia continuava tentando me proteger de perigos que não existiam, então lembrei do que aquela filha de Afrodite tinha dito. Eu guiaria Thalia. O espírito havia dito que o templo identificava as características mais marcantes em nós. Thalia não podia ter tanto medo assim, mas ela tinha medo de que algo fizesse mal a mim, uma de suas características naturais era me proteger.
Tirei a bandana que prendia meu cabelo, foi uma sorte eu estar com ela ali.
– O que você está fazendo? – ela perguntou
– Se você não ver os perigos, não vai querer me proteger deles. – murmurei
Dobrei a bandana como uma faixa, tamanho o suficiente para vendá-la.
– Isso é perigoso...
– Eu vou te guiar. – a cortei – Piper disse que eu te guiaria, confie em mim.
Pedi enquanto prendia a bandana na altura dos olhos dela. A segurei pela mão e continuamos o nosso caminho. Eu precisava de atenção redobrada, não é porque não tinha visto nada ainda que esse lugar estava vazio.
Thalia estava tensa, também ficaria se não estivesse enxergando nada, mas agora ela não via perigo algum. O corredor não era escuro como imaginei, em pontos espaçados haviam tochas que iluminavam o local, não eram tochas normais, elas eram acesas com fogo grego, pensei em pegar uma das tochas mas hesitei ao lembrar que aquele fogo era altamente explosivo.
– Rachel...
– Está tudo bem. – a cortei
Mas quando viramos uma das curvas eu parei.
– Rachel?
Não respondi, não conseguia abrir a boca para nada, na nossa frente estava ela. Gaia. Ou algo que meu cérebro me forçou a acreditar que era Gaia.
Seu corpo era composto por terra e poeira, vestia uma roupa feita de raízes e folhas, o que lembrava muito as roupas das Ninfas do Acampamento. A deusa sorriu, mas não havia nada em sua boca.
– Rachel?! – Thalia chamou mais uma vez e apenas apertei sua mão
– Estive esperando vocês. – Gaia disse, sua voz era familiar, ela era uma das vozes que escutei no meu pesadelo
Senti o suor escorrendo pelas minhas costas, não conseguia ter outra reação, a não ser ficar parada.
– Rachel, o que está acontecendo? – a voz de Thalia soava ao meu lado, mas ela aprecia distante
“Isso não é real”
Pensei, mas o medo era maior que a minha razão.
– Sabe Oráculo... – Gaia sibilou e começou a se aproximar – Acha que a filha de Zeus só quer te proteger? Mas sabia que na verdade ela não confia na sua capacidade de fazer isso sozinha?
Aquilo foi um golpe para mim, era exatamente o que eu temia. Minha mente gritava que o que a deusa dizia era verdade, enquanto o meu coração dizia que ela só estava querendo me enganar.
– Isso não é verdade. – sussurrei
Olhei para o lado e Thalia tentava tirar a venda, segurei sua mão antes que ela conseguisse. Aquilo foi o suficiente para me distrair daquela tensão, e encarei a deusa com uma coragem recém adquirida.
– O que você disse não é verdade. Nem você é real.
Como se eu tivesse quebrando um encanto, Gaia se dissolveu na minha frente, espalhando terra por todo o corredor, a terra foi sumindo aos poucos. Era uma ilusão.
– Rachel! – Thalia me chamou, mais uma vez
– Estamos bem. – respondi – Só tive que vencer um dos meus medos.
E era verdade, uma das coisas que eu mais temia era a falta de confiança de Thalia em mim.
A puxei e continuei guiando nosso caminho pelo corredor.
– x-
– Acho que você já pode tirar a venda. – disse depois de alguns minutos do incidente
Mais a frente, o corredor se abria numa sala. Thalia engoliu em seco e tirou a venda. Franziu o rosto até se acostumar com a luz do ambinte.
– O que você viu no corredor? – perguntou
– Não temos tempo pra isso. – respondi, não pretendia ser ríspida, mas ela se encolheu com o meu tom
Caminhamos até o fim do corredor. O salão que tinha ali era assustador. Não que houvesse algo ali, mas a tensão que ele emanava era algo forte demais para suportar. No salão havia a mesma quantidade de portas da sala onde o guia ficava, ele estava certo, todas levavam ao mesmo lugar. O salão era inteiro em tons de marrom, tinha alguns detalhes em bronze, no chão, havia linhas, reconheci o símbolo, era o símbolo de Gaia. Sobre essas linhas havia cacos de um jarro de barro, jarro que Thalia havia destruído e iniciado esse pesadelo há dias atrás, também tinha uma espécie de altar, que não pude observar os detalhes pois ele estava do outro lado do salão. Thalia hesitou, como se lutasse contra algo interno, quando fui perguntar o que ela tinha, ela murmurou:
– Preciso do seu bracelete.
– O quê? – perguntei sem entender
– Seu bracelete. Tem um encaixe naquele altar que combina com a forma do bracelete, eu vi isso porque estava caída lá quando Sra. O’Leary apareceu e me levou de volta ao Acampamento.
– O quê?! – exclamei – Você sabia disso o tempo todo e não me falou nada? Você sabia que tínhamos que vir a esse templo e mesmo assim deixou que vagássemos de cidade em cidade sem saber o que fazer?!
– Podia haver outra forma de resolvermos...
– Thalia você é a líder dessa missão! – gritei – Como pôde fingir que não sabia o que fazer enquanto estávamos perdidos, e você sabia de tudo!
– Rachel, por favor, não podemos brigar agora. Se eu estiver certa, quando colocarmos o bracelete lá, tudo vai acabar, mas para isso precisamos provar que nos amamos. Foi isso que Piper disse, agora entendo.
– Mas a profecia dizia que eu que..
– Nem sempre as profecias estão certas! – ela rebateu, em sua postura pude ver que ela lutava para não gritar comigo – Vamos acabar com isso de uma vez.
Ela disse sem dar oportunidade de eu rebater. Quando demos uma passo a frente, uma rajada de vento cortou o salão.
– É você que está fazendo isso? – perguntei e ela negou
– Temos que nos apressar. – ela rebateu
Contornamos o símbolo no chão e atravessamos o salão. As rajadas de vento foram ficando mais fortes, e alguns grãos de terra começaram a rodopiar no ar, formando um redemoinho. Engoli em seco, Thalia tinha razão, precisávamos ser rápidas. Os outros ainda não haviam chegado, torci para que estivessem bem.
Levei minha mão ao bracelete, as pequenas assas metálicas se abriram, mas não se debateram como sempre, ficaram retas. O retirei do pulso e o bracelete permaneceu parado.
Quando chegamos ao altar, vi o que ela havia dito. Era um buraco cravado no altar de bronze, exatamente do formato em que o bracelete se encontrava no momento.
– O que fazemos agora? – perguntei
– Vamos tentar coloca-lo ali. – apontou o local – Juntas.
Ela segurou a ponta de uma das asas de metal e eu segurei a outra. Lentamente colocamos o bracelete na abertura indicada, ali pude perceber que ele foi feito para isso, pois se encaixava perfeitamente. Mas nada aconteceu, quando encarei Thalia em busca de respostas, ela fechava os punhos de raiva.
– Não deu certo. – disse o óbvio, ela não me encarou, olhou fixamente para o bracelete
– Mas agora eu sei o que tenho que fazer. – ela sussurrou – Me desculpa, Rachel, nunca foi minha intenção fazer isso.
Antes que eu pudesse ter uma reação, ela puxou meu rosto para si e uniu nossos lábios por poucos segundos e em seguida beijou a minha testa. Quando fui respondê-la, algo me impulsionou para a frente. Eu já tinha sentido aquilo antes, era a força dos ventos que ela fazia. Voei sobre o altar e me virei para não bater de frente com a parede, gemi ao sentir a dor nas minhas costas. Tentei sair dali, mas a força do vento me prendia.
Procurei por Thalia, mas ela estava de costas para mim. Ela retirou a jaqueta de couro e a jogou no chão, tirou o bracelete de prata do pulso e o colocou sobre a jaqueta. Então ela segurou a nossa aliança de namoro, mas permaneceu com ela.
Então ela começou a caminhar em direção do símbolo, para o redemoinho de terra. Tentei me libertar das forças dos ventos, mas aquilo era mil vezes mais forte que eu. Senti o desespero me consumir por inteiro, e esse desespero se esvaiu em forma de um grito.
– Thalia!!
Mas a filha de Zeus não esboçou reação nenhuma, e continuou andando lentamente até o símbolo da deusa da Terra.
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