The Prophecy

17 Capítulo 17


Notas iniciais
Hey! Mais um capítulo aí:

– Thalia! – gritei mais uma vez, lutando contra as forças dos ventos que me mantinham na parede

Ela não parou, continuou andando até o redemoinho.

– Para! O que você está fazendo?! – gritei

Ela parou, mas não olhou para trás, respirou fundo e continuou.

– Thalia! Me escuta! Thalia!! – continuei implorando até não conseguir ouvir minha própria voz

As rajadas e vento estouravam nos meus ouvidos, meu olho começou a se fechar por causa do vento, e só conseguia distinguir a silhueta dela.

O redemoinho de terra parou quando ela se aproximou, Thalia esticou a mão e apontou para todos os cacos de barro do jarro que ela tinha destruído. Daquela distância não sabia se o que eu estava vendo era verdade, os cacos estavam se juntando, até formarem novamente o jarro.

Thalia apontou para o redemoinho e todos os grãos de terra que o formavam foram para dentro do jarro, calmamente, Thalia pegou a tampa que havia se reconstituído também e tampou o objeto.

Quando encontrei forças para gritar mais uma vez, tentei chamar atenção dela para mim, mas ela estava concentrada, parecia até... Hipnotizada.

– THALIA! – berrei usando toda a força que consegui – Thalia...

Ela aninhou o jarro em suas mãos e o levou para uma das marcas no símbolo cravado no chão. Ela não olhou para mim nenhuma vez, como se houvesse esquecido da minha presença. Retornou para o centro do símbolo, não conseguia ouvir nada, mas sua boca se mexia, como se ela estivesse entoando algo, vez ou outra fazia gestos que não conseguia entender.

Não sabia o que ela estava fazendo. Por que ela havia me prendido? Para não incomodá-la? Ou para não interrompê-la quando eu percebesse o que ela estava fazendo? Seja lá o que fosse, eu não estava gostando do rumo daquilo, então gritei o máximo que conseguia para distraí-la o suficiente para ela parar, nunca havia me sentido tão impotente.

Thalia caiu de joelhos e seu rosto se contorceu de agonia, ela levou as mãos até a cabeça, como se quisesse arrancar algo que tivesse ali. Através do barulho dos ventos ouvi o seu grito, e gritei junto com ela.

Ela lentamente conseguiu se levantar, seu corpo todo estava trêmulo, frágil, eu nunca tinha visto ela daquele jeito. Então ela olhou para trás, para mim, e se virou, ficando de frente para o altar. Ela levou a mão direita, onde ficava nossa aliança, e beijou o anel. Por último ela me olhou, parecia que ia desabar naquele exato momento, um pouco de sangue saía de seu nariz, manchando o rosto e escorria pelo pescoço.

– Thalia... – minha intenção era gritar, mas isso foi apenas um sussurro, me rendi para a força dos ventos e deixei que ela me prendesse ali, não conseguia mais lutar diante daquela visão

Thalia desembainhou a espada e a girou na mão, olhou para mim mais uma vez, sua boca se moveu e eu ouvi, como se aquilo fosse um sussurro no meu ouvido.

– Eu te amo. – a voz dela entrou em minha mente

Meu coração dilacerou, toda a desconfiança que sentia anos últimos dias desapareceu, nossa briga sem razão me pareceu algo completamente idiota agora... Ela me amava, eu sabia disso, e era isso que importava.

Então sua boca se moveu mais uma vez, e não ouvi o que ela disse, mas não formavam palavras conexas para mim e deduzi que aquilo era Grego. Ela soltou um grito e fincou a espada no chão, exatamente sobre a linha central do símbolo de Gaia, a lâmina enterrou no chão até a metade, e Thalia caiu de joelhos, ainda segurando o cabo da espada.

Sua cabeça estava baixa, não conseguia ver sua expressão, mas a minha era de terror. Os ventos ali no salão aumentaram, a poeira que estava sobre o chão se levantou, criando uma tempestade de areia ali dento.

Uma luz dourada envolveu o salão e Thalia. Lembrei do que Annabeth havia dito quando chegamos:

“Thalia libertou Gaia, a deusa usou energia dela para se libertar. Gaia está em um hospedeiro, e ainda se alimenta da energia de Thalia, que foi transferida para esse templo quando a batalha aconteceu. É a única teoria que faz sentido.”

Então essa frase se encaixou na minha mente, Thalia ainda tinha poder sobre a energia dela, e estava usando isso para mandar Gaia de volta para o Tártaro. Mas a deusa era milhares de vezes mais poderosa que ela, aquilo iria exaurir toda a energia que ela tinha. Ela iria morrer.

– Thalia! – gritei – Para! Não faz isso!

Continuei gritando desesperadamente, era a única coisa que eu podia fazer!

A luz dourada se canalizou em Thalia, e uma espécie de ponte se formou entre ela e o jarro de barro. A filha de Zeus gritou, um grito agonizante, o pior som que já ouvi em minha vida, um grito de desespero, aquilo destruiu o que restava de mim.

Mas da mesma forma que o grito começou, ele acabou. A ponte entre Thalia e o jarro desapareceu, e a tempestade de poeira acabou.

Thalia tombou pra frente e caiu de bruços no chão, eu também perdi o equilíbrio, os ventos que me prendiam também tinham parado.

Mas aquilo não era bom. Thalia havia me prendido ali... Se eles pararam...

Não concluí o pensamento, corri até ela e quase tropecei nos meus próprios pés.

– Thalia. – chamei encostando em seu ombro, mas não tive reação nenhuma

Meu desespero se esvaiu através de lágrimas, soluços escaparam dos meus lábios. Ela não tinha feito aquilo! Devia ter outra forma, sempre existia outra forma!

A virei no chão, acomodando sua cabeça em meu colo.

– Thalia... – choraminguei – Por favor, acorda, não faz isso comigo, amor, não faz isso com a gente...

Passos ecoaram pelo salão, ergui o olhar apenas para encontrar Clarisse, ela nos olhava incrédula, caminhou até nós e caiu de joelhos há alguns metros, o que ela tinha a dizer morreu em sua garganta, e aquilo me fez chorar ainda mais.

Procurei o pulso de Thalia e o segurei, procurando batimentos cardíacos, estava tremendo e não conseguia sentir nada. Me abaixei e coloquei meu ouvido sobre seu peito, antes sentia as ondas elétricas ali, seu coração sempre ritmado e seus braços me envolvendo. Mas agora não sentia nada.

– Não. – Clarisse se manifestou – Não!

Ela se levantou e começou a caminhar de um lado para o outro, tirou a própria mochila e a jogou no chão em um acesso de raiva, por fim massageou as têmporas e ficou resmungando algo que não consegui entender.

Eu não sabia o que pensar, nem como agir, aquilo aconteceu muito repentinamente. Mexi nos cabelos de Thalia e aproximei meu rosto do dela.

– Diga que está fingindo. – pedi – Diga que está tudo bem.

Uma lágrima minha caiu sobre seu rosto e escorreu. Ouvi outra aproximação, tinha perdido a noção do tempo ali.

Annabeth nos fitou incrédula, e esfregou os olhos para ter certeza de que não estava tendo visões. Ela levou a mão até a boca e me encarou com pena, aquilo só me destruiu ainda mais.

– Rachel... – ela deixou a frase morrer, soluçou e se virou para que eu não a visse chorando

Buscou seu apoio em Clarisse, a filha de Ares a envolveu em um abraço e Annabeth escondeu o rosto em seu ombro. As duas se consolavam, mas quem me consolaria?

Eu sentia raiva de mim, dos deuses, do olimpo, dessa missão, dos monstros, de tudo que nos trouxe até aqui. Mas não conseguia sentir raiva de Thalia, tudo o que ela queria era evitar essa missão, e isso acabou custando sua vida.

Quando aceitei isso, minha dor aumentou, não conseguia parar de chorar, havia encharcado a camiseta dela com minhas lágrimas.

– Você prometeu! – acusei entre lágrimas e soluços – Prometeu que sempre estaríamos juntas, disse que nada nos separaria!

Não sabia o que fazer, Annabeth e Clarisse não diziam nada, ainda tínhamos uma missão? Thalia conseguiu mandar Gaia para o Tártaro ou sua vida se esvaiu em vão?

Outra pessoa entrou no salão, o último que faltava, Nico. Ele estava de cabeça baixa, e quando me encarou pude ver a raiva em seu olhar, misturada com algumas marcas de lágrimas. É claro que ele já sabia o que tinha acontecido, ele sentiu a morte dela antes que todos nós, nisso eu perdi totalmente minhas esperanças.

– O que ela fez foi arriscado, mas sabia disso, ela foi a heroína. – ele murmurou, como se também estivesse tentando acreditar naquilo, caminhou até o jarro de barro e se ajoelhou perto dele – Gaia está de volta ao Tártaro, que é o lugar dela.

– Então Aaron está livre? Ele não está mais hospedando Gaia? – Clarisse resmungou

– Não. O que Aaron hospeda é muito pior que Gaia. – Nico murmurou, travei com aquilo, o que isso significava? – Temos que ir, os romanos precisam de nós.

– Eu não vou. – disse imediatamente e apertei ainda mais o corpo de Thalia sobre mim

– Rachel...

– Eu não vou deixá-la. Isso só aconteceu com ela por um erro nosso. – as lágrimas voltaram a cair – Não vou a lugar algum, não ligo mais para nada nesse mundo, tudo o que importava era ela, e nem isso tenho mais.

– Rachel... Sei que é difícil, eu te entendo, mas ainda assim você faz parte dessa missão, temos que ir... – Clarisse começou, mas eu a interrompi

– Não! Você não entende, não perdeu alguém que amasse, eu não vou embora. – ela se calou, devo ter tocado algum ponto fraco dela, se é que ela tem algum

– Eu te amo. – sussurrei e deslizei minha mão pelo rosto de Thalia

Então através das lágrimas que caíam silenciosamente eu comecei a sussurrar aquela canção que havia se tornado nossa. Não sabia o significado daquilo, nem onde tinha aprendido, mas nós já havíamos passado tantas situações com aquela música, que não conseguia deixa-la de lado agora. Procurei a mão direita de Thalia e a apertei, tentando guardar em minha memória como era aquela sensação.

Toquei a sua testa, tirando a franja de cima de seus olhos que estavam fechados, continuei sussurrando a canção e repousei minha mão ali.

Então senti algo ali.

Energia.

Antes que eu pudesse pensar em algo, uma conexão se criou, e minha mente se encheu de uma enxurrada de lembranças e pensamentos dela. Thalia.

Eu via e sentia tudo pelo ponto de vista dela, vi coisas desde que ela era criança. Monstros que ela enfrentou, medos que sentiu, decepções, momentos felizes, tudo.

Vi Annabeth várias vezes, vi Luke, vi pessoas que não conhecia. Era informação demais, tudo ao mesmo tempo, uma atrás da outra.

Vi seus atos heroicos, senti o ódio que ela nutria pelo pai até um tempo, vi vários acontecimentos de sua vida no decorrer dos anos, inclusive o vazio que sentia no tempo em que esteve aprisionada naquele pinheiro no Acampamento. Vi parte de sua vida como Caçadora, senti a felicidade dela quando descobriu que seu irmão estava vivo.

Vi suas idas ao Acampamento com as caçadoras, as vezes que ela me observava, quando ela tentava em vão negar para si mesma o que estava sentindo. Vi nosso primeiro beijo, pedido de namoro e tantas outras coisas juntas. Vi os treinos no Acampamento, vi os pesadelos que ela tinha durante o sono, vi sua insegurança.

E vi também o que realmente aconteceu nesse templo naquela noite... Ah Thalia, o que você fez? Por que mentiu?

De relance vi nossa missão, mas as imagens estavam borradas, devido a forte agonia que Thalia sentiu nesse período.

Então ouvi uma risada masculina e me vi diante de um homem. Era alto e tinha a pele negra, cabelos compridos e então notei as asas negras. Era um deus, o deus da morte. Thanatos.

– Aqui estamos novamente, filha de Zeus. – ele sorriu, olhava um ponto atrás de mim, mas não consegui me virar para ver o que era – E mais uma vez tenho que informar que não é a sua hora, precisa parar de se colocar em situações entre a vida e a morte, uma hora vou deixar você passar para o outro lado. – ele apontou para a porta atrás dele

– Eu já estou morta, não consigo encontrar o caminho de volta igual da última vez. – a pessoa atrás de mim respondeu, era Thalia, meu coração disparou ao ouvi-la

– Peça para ela continuar cantando, a voz da pessoa que ama pode atrair sua alma para seu corpo novamente, são raros os casos, e o seu pode ser um deles. – Thanatos rebateu

– Como? Não tenho contato com meu corpo mais.

– Mas o Oráculo tem uma conexão com você, aquilo não é uma simples canção, é um dos encantamentos mais antigos e poderosos que existem, achei que ele estava perdido há milênios. Com isso ela conseguiu uma ponte com seus pensamentos, agora ela sabe tudo sobre você, mais do que você mesma. – ouvi uma risada

– Isso não é possível. – Thalia rebateu

– Ela está aqui agora, não sente a presença dela? – o deus perguntou, mas Thalia não respondeu – Rachel, lembra-se da última profecia? A decisão estaria sobre você. Essa é a decisão.

Não entendi aquilo. Na verdade não estava entendo nada do que estava acontecendo. O que eles queriam que eu fizesse?

– O que quer dizer com isso? – arrisquei perguntar

O deus parou de olhar por cima do meu ombro e me encarou, senti minhas pernas estremecerem, estava literalmente cara a cara com a morte.

– Quer ela de volta? Então termine a canção, e Thalia voltará. Se não quiser, apenas siga o caminho de seus pensamentos até seu corpo, e Thalia atravessará aquelas portas. É essa a decisão, Rachel, depois de saber todos os pensamentos dela, tudo o que ela é de verdade, você ainda a ama? Decida, quer ela viva? Ou quer que ela permaneça aqui?

Engoli em seco, é claro que queria Thalia viva. Precisava dela, quando ia começar a cantar a última parte da canção ouvi uma risada.

– Sei que você está blefando, Thanatos. – Thalia murmurou – Rachel nem está aqui, não precisa continuar essa encenação. E ela não sabe a verdade, nunca saberá.

– Você esconderia isso dela? – Thanatos perguntou

– Sim.

Achei que não era possível chorar mais ainda, mas uma lágrima escorreu, uma lágrima de decepção. Me virei, Thalia estava ali atrás, ela encarava o deus fixamente, aqueles olhos faiscavam ódio.

Eu precisava tirá-la dali. Mesmo sabendo tudo o que ela fez, e que não tinha intenções de contar para mim.

Me virei para o deus novamente.

– Vou terminar a canção. – disse para o deus, ele abriu um sorriso

– Essa garota te ama de verdade. – ele disse, mas não sabia se ele estava dizendo isso para Thalia ou para mim

Cantei os últimos versos da canção, meus pensamentos me trouxeram de volta a realidade, onde eu ainda cantava. Senti a mão de Thalia apertando a minha.

Olhei para o seu rosto, seus olhos azuis estavam abertos, ela deu um sorriso torto, o meu favorito. Meus amigos a minha volta estavam pasmos. Nem eu acreditava que tinha dado certo.

Eu a salvei.

– Impossível. – Nico murmurava – Eu senti você morrer. Impossível.

Annabeth soltou Clarisse e se aproximou e se ajoelhou ao lado de Thalia, ela estava sem palavras.

– Sou eu Annie, estou viva. Rachel me salvou.

Annabeth a abraçou chorando, não senti ciúmes daquilo, as duas se conheciam há anos, a amizade delas era muito forte. Quando Annabeth finalmente a soltou Thalia se endireitou se segurou meu rosto com suas mãos.

Me beijou, nisso o mundo se quebrou e ali só existia nós duas, esqueci da existência de nossos amigos ali e me entreguei para aquele beijo, retribuindo com a mesma intensidade.

– Eu te amo. – ela disse sorrindo quando nos separamos

Mas não consegui responder o mesmo, não conseguia olhar para ela sem lembrar de sua conversa com o deus da morte.

Se ela me amava mesmo, por que tinha escondido aquilo de mim?

– ... ela viu você morrer. Todos nós vimos, não é todo dia que alguém volta dos mortos, ela só está assustada. – Clarisse falou

Então percebi que estavam falando de mim, forcei um sorriso e me lancei nos braços de Thalia, embora estivesse magoada, era ótimo saber que ela estava bem.

– Nunca mais faça isso comigo. Achei que tinha te perdido. – sussurrei em seu ouvido, ela sorriu como resposta

– Han.... Desculpem estragar o momento, mas temos que ir, os romanos precisam de nós. – Annabeth disse e me levantei, puxando Thalia comigo

Escolhemos uma das portas para sair, torcendo para que não tivesse obstáculos na saída. Annabeth e Clarisse andaram lado a lado guiando o caminho, eu fui logo atrás, mas Thalia andou com Nico.

Eles se encaravam, como se tivessem conversando por pensamento.

– Fico feliz por estar viva. – ele sussurrou, quando achou que eu não estava ouvindo – Foi muito arriscado o que fez, ninguém nunca sobreviveu a isso.

– Não tinha outro jeito. Eu sabia dos riscos. – ela rebateu, no mesmo tom

Nunca me senti tão traída, Nico sabia o que tinha acontecido.

Ela tinha confiado aquele segredo a Nico, e não a mim.

Notas finais
A intenção era separar esse capítulo em dois, mas se eu terminasse ele na morte da Thalia, ela não seria a única a morrer, vocês me matariam heuehueheheh E aí, comentem, por favor.