The Prophecy

14 Capítulo 14


Notas iniciais
Hey!

– Estão prontas? – Nico perguntou

Clarisse que já estava montada no cão infernal balançou a cabeça impacientemente. Thalia me ergueu e montei no cão, Nico subiu e Thalia foi a última.

– Rachel, tente não passar mal. – Clarisse resmungou e tentei não ficar ofendida com aquilo

Thalia subiu atrás de mim e me abraçou. Tentava pensar em qualquer coisa, menos na viagem nas sombras.

– Estou aqui com você. Fique prestando atenção somente na minha voz. – Thalia sussurrou no meu ouvido

Então as sombras nos engoliu. O pânico veio, maior do que a última viagem.

– Rachel. – Thalia disse, mal conseguia ouvir sua voz, os ventos ali eram muito forte – Fica comigo, só ouça minha voz.

Então ela começou a cantar, a canção que eu cantei para ela dias atrás. Parecia um acontecimento tão distante. A voz de Thalia soava da minha mente e me mantinha consciente, afastando aquela sensação.

Aos poucos o vento foi parando, meu corpo estava totalmente tencionado e Thalia me abraçava fortemente.

– Você está bem? – ela perguntou e só conseguir assentir

Mas não era verdade, a presença dela só diminuiu o efeito da viagem, mas eu ainda sentia tontura e uma forte dor de cabeça.

Clarisse praticamente saltou do cão infernal, Thalia desceu e me ajudou a desmontar. Nico foi o último a descer. Olhei a minha volta tentando me situar, estávamos no pé de uma montanha, tive a estranha sensação de que já estive ali antes. Há uns quinhentos metros uma floresta conífera nos cercava.

– O altar está lá em cima, é uma questão de tempo até os ciclopes que estão lá nos notarem. – Nico murmurou

– Aaron está aí? – Clarisse perguntou estalando os dedos, como se estivesse pensando em acabar com o garoto com os próprios punhos

– Não, não sinto a presença de vida dele. Somente a de Annabeth. – ele respondeu

– Isso é bom. – opinei

– E como vamos chegar lá em cima, escalando? – Thalia perguntou ironizando

– Eu e Clarisse vamos pelas sombras. Como Rachel passa mal, você a leva. – Nico respondeu

– Como? – perguntei e vi Thalia empalidecer

– Jason te ensinou a voar, não é? – Nico perguntou para Thalia

– Qual é, isso deve ter uns 80 metros. – ela apontou para o morro – Só consigo em altitudes pequenas, e não sei o que está acontecendo com os meus poderes, não sinto a eletricidade tão forte como antes, duvido que conseguiria conjurar ventos agora.

– Thalia... – Nico começou e revirou os olhos – Pelo menos tente.

– Deixe Rachel longe dos monstros, pode ser útil com as flechas, fora que isso diminui os riscos de ela se machucar novamente. – Nico argumentou

O arco, ainda me sentia mal por ter perdido a arma que havia pego no Acampamento, mas agora eu tinha um arco novo, presente de Apolo.

– Não estou sentindo a presença de tantos monstros.. – Thalia começou

– Estamos perdendo tempo. – Clarisse resmungou entre dentes

– Vamos, Thalia. – pedi, querendo acabar logo com tudo isso

Ela trincou os dentes, não concordava com aquilo mas não tinha como discutir.

Nos afastamos um pouco dos dois, Nico mandava um sinal de positivo para nós e Clarisse revirava os olhos e resmungava algo sobre ”perda de tempo”.

– Chegando lá...

– Apenas ataque. – a cortei e ela assentiu

Thalia bagunçou ainda mais os cabelos dela e então deu um sorriso torto para mim, encarou os próprios pés e suspirou e suspirou.

– Só não olhe para baixo. – pedi tentando esconder o riso, a filha do Senhor dos céus com medo de altura era uma coisa cômica – Me abraça, ou até disso está com medo?

Ela riu, uma risada nervosa e então passou os braços a minha volta, de uma forma tímida.

– Agora fique olhando nos meus olhos, para nenhum outro lugar, somente nos meus olhos. Deixe os ventos agirem que vamos chegar lá rápido.

– Sabiam que queremos chegar lá em cima hoje? – Clarisse resmungou, Thalia mandou um olhar de censura para ela

– Me abraça também. – Thalia pediu e passei meus braços ao redor de seu pescoço, mantendo nossos corpos bem próximos

Então foi como se algo nos puxasse para cima, encarei aquele par de olhos azuis como nunca havia encarado antes. Aquele olhar carregava mistério, cansaço e amor. Nossos olhares estavam tão conectados que pude jurar que vi meu reflexo em sua pupila, podia passar a vida inteira olhando para aqueles olhos que não me cansaria.

Vez ou outra sua expressão se modificava, estava fazendo um esforço enorme para nos sustentarmos no ar. Eu lutava contra a vontade de olhar para baixo, pois ela faria o mesmo.

– Amor...

– Shh. – pedi – Se concentra, não fale nada.

Ela manteve nosso olhar, quando estávamos a pouco metros do topo da montanha seu olhar vacilou para o lado, virei seu rosto para mim a tempo, mas sua expressão já havia mudado para uma de pânico.

Tive que transferir por olhar toda a confiança que estava sentindo, com aquilo ela se acalmou e continuamos subindo.

Thalia e eu mal pousamos e Clarisse e Nico se materializaram ao nosso lado. Thalia estava de olhos arregalados, se recuperando da sensação que a altura causava nela. Mal tive tempo para pensar, puxei o arco da mochila e disparei uma flecha explosiva para o ar.

No alto do morro havia quatro ciclopes e mais uma dúzia de monstros, todos ali se assustaram com o barulho da flecha, nem haviam notado nossa presença, estavam distraídos.

– Não vai ser uma luta difícil. – Nico murmurou

Então todos os monstro ali se agruparam, formando uma linha de defesa. O que eles defendiam era Annabeth, e a loira estava numa espécie de altar de madeira. Seus pulsos estavam amarrados por uma corda no alto da cabeça dela, fazendo ela se sustentar ali com os próprios braços. Havia três laças apontadas em direção a ela, caso ela se mexesse, elas seriam acionadas, eu conhecia aquele mecanismo. Ela vestia uma espécie de toga grega branca, mas esta estava um pouco rasgada e havia algumas manchas de sangue ali. Annabeth abriu os olhos, mesmo a aquela distância pude ver sua expressão se mudou para uma de esperança.

A visão frágil e indefesa dela provocou uma onda de fúria em todos nós, mas em Clarisse isso foi muito mais forte. A filha de Ares deu um grito de guerra em Grego Antigo e correu em direção aos monstros.

– Fique longe, e atire flechas. – Thalia sussurrou antes de ela e Nico se juntarem a Clarisse

Peguei uma flecha e mirei no primeiro monstros que vi na minha frente, os semideuses lutavam, Nico havia convocado alguns zumbis para distração, mas eles eram vencidos facilmente. Não me preocupava em saber quais monstros estavam ali, só atirava tomando cuidado para não acertar nenhum dos meus amigos.

Clarisse e Thalia lutavam de costas uma para outra, formavam uma bela dupla, os monstros que as cercavam eram facilmente massacrados.

O número de monstros diminuiu e os ciclopes que haviam ficado perto de Annabeth tiveram que agir. Consegui reconhecer um deles, era o que me segurou na Base há um dia atrás. Hesitei antes de atirar, um ciclope parecia tanto com um humano, e me lembrei de Tyson, irmão de Percy.

Mas então olhei para Annabeth, e a raiva me atingiu mais uma vez, soltei a flecha e ela se instalou bem no coração do ciclope.

Thalia atacava o segundo ciclope, e Clarisse apenas atravessou outro com a lança, ela irradiava medo e ódio, isso enfraquecia os inimigos ao redor, uma luz vermelha a envolvia.

Acertei a flecha em outro ciclope e Thalia acabou com ele, comecei a me aproximar e Nico matou o último ciclope.

Clarisse foi para perto de Annabeth, e destruiu o mecanismo que mantinha as lanças apontadas para a filha de Atena. Me juntei a eles, Annabeth parecia ainda pior de perto, mas nada que um pouco de descanso e ambrósia não podiam resolver.

Clarisse ficou perto de Annabeth e Nico usava espada para cortar a corda que sustentava a loira, que caiu nos braços de Clarisse.

Thalia se aproximou e desfez o nó das cordas que ainda prendiam os pulsos dela.

– Achei que vocês não viessem mais. – ela sussurrou e apoiou a cabeça no ombro de Clarisse, que paralisou com esse gesto

– Está há muito tempo aqui? – Thalia perguntou e Annabeth assentiu

– Desde o meio dia. – murmurou — Durante a noite me manteram de olhos vendados, nem sei para onde me levaram.

Os olhos de Annabeth então pousaram em mim, e sua expressão se suavizou.

– Você está bem. – ela disse num sussurro rouco e fraco – Estava tão preocupada...

– Eu disse que dava para virmos antes. – Clarisse resmungou cortando a fala da loira e então Annabeth percebeu que estava sendo amparada pela filha de Ares, ergueu rapidamente a cabeça, mas deixou que Clarisse a apoiasse para andar

– Seu irmão... – Thalia começou, mas parou ao ver a expressão de fúria de Annabeth

– Ele não é mais meu irmão. – resmungou – Ele nos traiu, traiu o Olimpo e desonrou nossa mãe. Aaron literalmente não é mais meu irmão.

Pensei em perguntar ao que ela se referia, mas achei que seria demais exigir respostas dela naquele momento. Caminhamos, Clarisse apoiava Annabeth que contava o que aconteceu com ela.

– ... depois que me levaram, os ciclopes me vendaram, e me colocaram em um lugar frio, não reagi pois sentia que estava sendo observada. Então Aaron voltou, mas ele mentiu para mim, disse que quase havia matado Rachel...

– Não chegou a esse ponto, mas ela se feriu bastante. – Thalia a cortou

– ... Enfim, durante a madrugada me acordaram e me forçaram a vestir isso. – apontou para a toga – Nisso eu tentei fugir, mas Aaron me pegou, eram quatro ciclopes e um semideus contra mim, acabei levando o pior.

– Onde eles te machucaram? – Clarisse perguntou, a raiva cintilava o olhar da filha de Ares

– Estou bem. – Annabeth sussurrou pela milionésima vez, mas sabia que aquilo não era verdade

Então me desliguei daquela conversa, agora não sabíamos que caminho seguir. Precisávamos entrar em contato com alguém e pedir ajuda. Caminhamos até o lado oposto do morro, lá embaixo havia um vilarejo.

Como um déjà vu, a memória chegou em minha mente. Ali era o lugar do meu sonho, o sonho que tive em que Gaia me puxava para a terra. Caí de joelhos, enquanto minha cabeça girava.

– Rachel! – Thalia veio até mim – O que aconteceu?

Não respondi, mantive meu olhar perdido no horizonte, minha mente se esvaziou, senti meu corpo estremecer, sabia o que ia acontecer, Delfos tinha algo a dizer. Deixei que o Oráculo tomasse conta de minha mente e tombei minha cabeça para trás, vendo aquela luz verde sair de minha boca.

“Apesar de dificuldades, o Traidor completou sua missão.

Nem gregos e romanos unidos

Conseguirão deter a força da Terra e da Escuridão.

Somente o amor é capaz de vencer,

A decisão final estará sobre a Porta Voz de Delfos,

Um piso em falso,

E então toda a raça semideusa irá perecer.”

Um gemido de agonia escapou pelos meus lábios e desabei para frente, meus dedos enterraram na terra, então forcei meu corpo a se levantar, como se a qualquer momento a terra pudesse me puxar para baixo.

Cambaleei, e me apoiei em Thalia, então percebi que todos me encaravam. Nico parecia perdido em pensamentos, Thalia estava abismada, Annabeth parecia ainda mais cansada e Clarisse estava boquiaberta, como se tentasse dizer algo e as palavras lhe faltaram.

– Nós falhamos. – murmurei – Tínhamos que deter o Traidor e falhamos.

Ninguém respondeu, me virei e andei em círculos. Isso não ajudava em nada, mas não aguentava ficar sem fazer nada, isso só me fazia me sentir mais impotente ainda.

O sol estava se pondo, algumas luzes se ascendiam no vilarejo, para fugirem da escuridão.

Escuridão...

– Outra profecia que não ajuda em nada. – Clarisse resmungou apoiando Annabeth – Não sabemos o que fazer.

– Talvez se juntar as duas profecias faça sentido.. – A filha de Atena falou mas foi interrompida por Thalia:

– Clarisse, dê néctar e ambrósia para Annabeth, tem meia hora para descansar. Nico, tente algum contato com Quirón, se não conseguir tudo bem, mas não ligue para os romanos. Rachel, vem comigo, precisamos de um carro. – ela disse tudo de uma vez e então respirou fundo – Eu sei o que temos que fazer.

Cada um assentiu, Clarisse puxou Annabeth até uma elevação rochosa e as duas se sentaram ali.

Eu e Thalia começamos a descer o morro, aquilo iria demorar mais do que voar, mas não sugeri a outra opção.

– Você não vai me contar o plano, não é? – perguntei

– Não tem plano, só sei onde temos que ir, quem sabe o que fazer é você.

– Como é? – parei de caminhar e ela também

– Piper disse que você me guiaria lá. O Coronel naquela cidade disse que o amor seria a grande solução. Sempre, em qualquer lugar que nós fomos alguém relaciona algo com o amor. Não queria aceitar isso, pois assim o perigo sobre você iria aumentar ainda mais, mas agora eu vejo que temos que vencer isso juntas.

Thalia respirou fundo e começou a caminhar. Tudo o que mais queria era que ela admitisse aquilo logo, mas não esperava que seria assim, e não sabia que isso traria uma sensação tão estranha.

Suspirei e a segui, lutando para acompanhar seus passos, quando a alcancei, entrelacei nossas mãos, e juntas seguimos para o vilarejo.

Notas finais
E aí, comentários?