The Prophecy
15 Capítlo 15
Notas iniciais
– Temos que ir para o templo. No templo para onde Gaia me atraiu, ele fica aqui perto. – Thalia disse enquanto ela fazia uma curva fechada na estrada – Na verdade eu já imaginava que iríamos lá, desde que fomos mandados para essa região, fora que sinto uma atração enorme vinda de lá.
Como ela era a única que sabia onde o templo ficava, deixamos ela dirigir. Não demoramos para conseguir um carro, tivemos que roubar outro, desde então, Thalia havia assumido a liderança da missão.
– Você está melhor? – Thalia se dirigiu a Annabeth, pelo retrovisor
– Fisicamente. – ela murmurou respondendo
Entendia o que ela queria dizer, mas mesmo assim, Annabeth parecia melhor. Seu rosto estava mais corado, embora ainda parecesse cansada, havia tratado os machucados no corpo e vimos que não era tão grave assim, mas mesmo quando perguntamos, ela negou a dizer o que o irmão dela fez a ela, e o que nós interrompemos quando chegamos lá no morro.
– Annie, se quiser descansar um pouco, falta um tempo para chegarmos lá. – Thalia rebateu
Annabeth assentiu, ela estava no sentada no meio do banco traseiro, Clarisse estava com a cabeça apoiada na janela, com o olhar distante. Então a filha de Atena apoiou a cabeça no ombro da filha de Ares, Clarisse arregalou os olhos e pude ver seu corpo se tencionando. Ela olhou para Annabeth que já estava com olhos fechados e respirava profundamente. Clarisse tentou relaxar e passou a agir normalmente.
Parei de observar as duas e olhei para Thalia, ela encarava o retrovisor com um olhar divertido, há quanto tempo não via ela assim? Então nosso olhar se cruzou, ela deu um sorriso torto.
– Descanse também. – ela sugeriu – Nico, acha que devemos avisar os romanos de que está tudo bem conosco?
Apoiei a cabeça no vidro do carro, segui o conselho dela, essas viagens esgotavam a energia de qualquer um. Adormeci antes que o filho de Hades pudesse responder.
– x-
Eu me encontrava na sala de reuniões do Acampamento Júpiter, reconheci o local por causa da Mensagem de Íris, então imediatamente deduzi que isso era um sonho.
– O que ela está fazendo é arriscado. – Piper, a filha de Afrodite murmurou, ela estava próxima a uma janela, encarando o que se passava lá fora
Jason estava sentado em uma poltrona, estava com uma camiseta do Acampamento Meio Sangue, mas vestia uma toga romana por cima. O cabelo loiro estava totalmente despenteado, ele olhou para cima. Seus olhos eram tão parecidos com os de Thalia, e neles pude ver a mesma expressão que via nos dela. Preocupação e mistério.
– Eu não posso fazer nada. – ele murmurou – Nem sabemos que o que você viu em katoptris é verdade.
– Não é só o que vi na minha adaga. Minha mãe falou comigo por sonho, e só confirmou a suspeita. – a garota rebateu
Jason soltou um longo suspiro, como se já tivessem discutido aquilo várias vezes.
– Nós nunca vamos ter paz. – ele murmurou
– Não vamos ter mesmo, se elas falharem. – Piper finalmente deixou de encarar a janela e pude jurar que ela me viu ali, mas era impossível, era um sonho
– Não coloque toda a responsabilidade da missão nelas. Têm Clarisse, Annabeth e Nico também.
Arquejei ao perceber que eles se referiam a mim e a Thalia antes.
– Se o que vi na adaga for real, eles não poderão fazer nada. A responsabilidade é inteiramente das duas. – Piper resmungou
Passos ecoaram no corredor, os dois se encararam, encerrando a conversa. A porta se abriu e por ali passou Reyna, a pretora do Acampamento.
– Os gregos chegam em quinze minutos. – ela disse e Jason a seguiu, os passos dos dois ecoou pelo corredor
Piper ficou ali sozinha, ela tirou a adaga do seu cinto e a fitou, como se tentasse entender as cenas que via ali.
– O amor é a resposta para tudo. – ela sussurrou – Você podia ter sido mais clara nesse conselho, mãe, acho que não consegui ajudá-los em nada.
Piper suspirou, e parou de olhar para a adaga, encarou um ponto fixo próximo onde eu estava, seus olhos mudavam de cor a cada instante, era impossível identificar uma só. Por um segundo pensei que ela estivesse me vendo, então ela guardou a adaga de volta no cinto e se retirou da sala.
Algo me puxou dali, e o cenário mudou totalmente, caí no piso de cimento, algumas luzes piscavam há alguns metros de onde eu estava, até que elas se apagaram, fiquei ali no escuro. Aquele pavor que sentia em viagem das sombras veio ainda maior, como se me devorasse por dentro.
Fiquei dizendo a mim mesma que aquilo era um sonho, que Thalia estava comigo, que os outros estavam comigo, eu não estava sozinha.
Aquilo me sufocava, então foquei meus pensamentos em Thalia, e em mais nada. Mas nem isso adiantou, tentei me levantar, mas aquela força me prendia no chão.
Abracei meus joelhos, aquele medo me corroía, nunca foi tão intenso assim.
– Estamos cada dia mais fortes. – uma voz ecoou na escuridão, não, duas vozes, ou mais, como se elas se misturassem e formassem algo uníssono – Ainda não entende por que sente tanto medo perto de mim, Oráculo?
Então uma dor me atingiu, como se mil adagas como a que Aaron usou, me cortassem ao mesmo tempo. Urrei de dor, e depois o local do sonho mudou.
Era um quarto totalmente branco, o que me lembrou aqueles quartos de hospício parecido com aqueles que aparecem em filmes de televisão. Minha respiração estava acelerada por causa do outro sonho, tentei me acalmar.
Em uma das paredes havia uma moldura com um espelho, era enorme, me aproximei dele e vi meu próprio reflexo, meu cabelo estava preso por uma bandana verde, que era o que eu estava usando enquanto dormia, minha regata branca estava suja de terra e minha calça jeans estava rasgada na altura dos joelhos.
Meus olhos verdes transmitiam o medo que eu estava sentindo. Estiquei a minha mão direita e o reflexo imitou, quando virei a cabeça o reflexo me imitou novamente.
Mas então o reflexo sorriu, e eu não estava sorrindo no momento. Dei um passo para trás, então o reflexo abriu a boca e a minha voz ecoou pelo quarto branco.
– Você vai tomar a decisão certa?
Então o espelho rachou e alto a baixo, os cacos se estilhaçaram e voaram na minha direção. Caí para trás e protegi minha cabeça com os braços, ouvia o barulho dos cacos em contato com o estranho piso branco, alguns cacos me atingiam, mas aquilo não causava dor, o medo que me machucava.
Sentia o cenário mudando a minha volta, mas então senti uma mão no meu pulso.
– Rachel. – alguém chamou, quase não conseguia ouvir a voz, estava muito distante
– Ela está suando. – outra voz rebateu
– Rachel, chegamos.
– Rachel, acorda. – essa voz foi mais alta que as outras, era Thalia, ela estava pedindo, faria qualquer coisa que ela pedisse
Então consegui vencer o que me prendia no mundo dos sonhos e acordei, respirando fundo. Me debati no banco do carro, estava toda suada, minha respiração estava descompassada. Todos ali me olhavam, senti o olhar preocupado de Thalia sobre mim.
– Pesadelo? – ela perguntou e assenti
– Sinto informar de uma forma tão drástica assim, mas esse pesadelo vai continuar. – Nico disse, no banco atrás de mim – Acabamos de chegar ao nosso destino.
Não dei ouvidos ao que ele disse, ainda estava me recuperando do pesadelo, e tudo o que eu queria era esquecê-lo. Queria que isso acabasse e que eu pudesse voltar ao Acampamento e continuar minha rotina normalmente.
– Não podemos mais perder tempo. – Clarisse murmurou
Saímos do carro, ele estava parado no acostamento de uma estrada de terra. Mais a frente tinha uma espécie de construção grega, mas diferente das construções com que as pessoas estão acostumada, aquilo não era ruínas. Era um verdadeiro templo grego.
– Não me lembra nenhum templo da Grécia Antiga. – Annabeth murmurou
Lembrei do meu sonho, da voz na escuridão. Será que se eu contasse para Annabeth ela entenderia? Bem, ela era uma filha de Atena, era a mais inteligente do grupo, então poderia entender esses fragmentos que sonhei. Mas não tínhamos tempo, Annabeth estava com a mente ocupada na nossa atual missão: Tentar entender por que Thalia nos levou até ali.
– Não sentem isso? – Thalia perguntou – Como se fosse magia ou coisa do tipo, algo que nos atrai para lá?
Ela andou na frente apontando o templo. Nico fez uma careta confusa, Clarisse arqueou a sobrancelha e Annabeth lançou um olhar preocupado para Thalia. Então eles também sentiam o mesmo que eu, absolutamente nada.
– Thalia, descreva essa sensação. – Annabeth pediu
– Algo me puxa para lá. – Thalia sorriu – Voltei a sentir eletricidade no meu corpo, o templo está irradiando algo.
Annabeth suspirou, ela olhou para cada um de nós.
– Thalia libertou Gaia, a deusa usou energia dela para se libertar. Gaia está em um hospedeiro, e ainda se alimenta da energia de Thalia, que foi transferida para esse templo quando a batalha aconteceu. É a única teoria que faz sentido. – Annabeth murmurou
Nós quatro observamos Thalia, ela estava mais a frente, encarava o templo de braços cruzados.
– Quando nós estávamos chegando, eu nem conseguia ver esse lugar. – Clarisse murmurou
– Por isso ela veio. – falei – Por isso ela está nessa missão, ela é a única que sente esse lugar, única que podia chegar até aqui.
– Ou ela é a única que pode concertar o que fez. – Nico murmurou com um tom sombrio
– Seja lá o motivo, nunca vamos saber se não entrarmos lá. – Clarisse murmurou irritada e se juntou a Thalia
Caminhamos até ela e nos aproximamos do templo, na entrada dele havia um homem, vestia uma toga grega. Mas seu corpo era espectral, lembrei do Coronel Andrews, mas esse era outro homem.
– Parece um lar romano. – Nico murmurou
O espírito esperou que nos aproximássemos.
– Sabia que você retornaria, Filha de Zeus. –o espírito disse, sua voz era imponente, paramos de caminhar
Thalia estava um passo a frente, cruzou os braços, e fuzilou o espírito com o olhar. Sentia a tensão aumentando ao meu redor, e radiações de eletricidade emanaram de Thalia.
– Por que você não me avisou? – Thalia rugiu entre dentes, os espírito suspirou
– Isso aqui é um templo para Gaia. Sirvo a ela, você era só uma peça do plano.
– Me dê uma opção para eu não te mandar para o Campo das Punições no Mundo Inferior agora mesmo. – Nico murmurou
– Não faça isso. – Thalia sussurrou para o primo – Ele é o guia.
– Guia? – Annabeth repetiu
– Achei que os filhos de Atena fossem mais inteligentes. – o espírito murmurou e Annabeth abriu a boca para responder, foi impedida por Thalia – Mas a filha de Zeus tem razão, eu sou o guia. Vocês não são capazes de sobreviver por dez segundos nesse templo sem meus conselhos.
– E por que seguiríamos seus conselhos? – Clarisse perguntou, com seu natural tom sarcástico
– Se continuar com essa arrogância, não vai chegar nem metade dos seus desafios, filha de Ares. Então, vão querer meus conselhos ou não?
Olhei para Thalia em busca de resposta, ela hesitou e por fim assentiu, não existia outra escolha.
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