The Prophecy
13 Capítulo 13
Notas iniciais
– Devíamos ir agora. – Clarisse murmurou pela décima vez, Nico revirou os olhos
– Apolo foi bem claro quando disse que encontraríamos Annabeth no pôr do sol. – respondi
– Se querem ir pelas sombras mesmo, vamos ir um pouco antes disso. A não ser que queriam viajar pelo modo convencional. – Nico opinou
Estávamos no restaurante do hotel, nos fartando com uma comida descente. Clarisse parecia exausta, estava com olheiras e sua expressão era um misto de raiva e abatimento. Nico estava frustrado, Thalia tinha contado aos dois que não havíamos conseguido completar a missão, que era destruir o Receptáculo.
Depois da discussão de ontem, Thalia tomava cuidado com as palavras antes de falar comigo, senti culpa por isso, mas realmente precisava colocar tudo aquilo pra fora.
– Sabe-se lá o que aquele garoto pode fazer com Annabeth, como um irmão pode fazer isso? – a filha de Ares resmungou indignada
Eu podia jurar que quem iria se importar menos com o desaparecimento de Annabeth seria ela. Mas Clarisse parecia disposta a ir sozinha resgatar a loira caso nos enrolássemos demais. Achei isso suspeito, na verdade a forma como Clarisse estava agindo nos últimos tempos mostrava interesse dela por Annabeth. Não sei se fui a única que percebeu isso, mas decidi ficar quieta, e não comentei nada nem com Thalia.
– Aaron deve estar sendo manipulado, assim como vários semideuses foram manipulados na Guerra contra os Titãs. Não deve medir suas ações, ele provavelmente vê Annabeth como uma ameaça, uma inimiga, talvez nem tenha consciência de que ela é sua irmã. – Thalia opinou, o olhar estava distante, segurei a mão dela sobre a mesa
– Por isso mesmo, nós devemos ir agora. – Clarisse rebateu
– Clarisse... – Thalia tentou explicar, mas a filha de Ares se recusava a ouvir
– Ele precisa de Annabeth viva. – Nico resmungou – Se isso te acalma, ela está viva. Mas não sei se está bem. – ele hesitou – Ele não a matou ainda, mas pode ter torturado ou a machucado o bastante para não ser incomodado.
Nós três fuzilamos Nico com o olhar, ele só havia aumentado a tensão com sua sinceridade. Clarisse pareceu mais disposta a ir resgatar Annabeth naquela hora.
– Não podemos esconder o sequestro dela do Acampamento, vamos contatar Quirón. – disse e Thalia assentiu
– Vamos, depois que falarmos com ele usamos a tarde para nos preparamos para o resgate. – Thalia concluiu
Nós quatro nos levantamos e Nico pagou a conta do restaurante. Fomos até a área de piscina do hotel, no momento não havia nenhum mortal ali. Clarisse fechou a porta de vidro que dava acesso até ali para não sermos incomodados.
Thalia retirava um dracma do bolso do jeans e oferecia para Íris, jogando o dracma no fundo da piscina de hidromassagem, enquanto murmurava o nome de Quirón,
Nos juntamos em volta dela enquanto aguardávamos a névoa mostrar a imagem dele, mas nada aconteceu.
– Fez isso certo? – Nico perguntou
– Acha que não sei mandar mensagem de Íris? – Thalia rebateu irritada
– É só tentar de novo. – sussurrei, tentando evitar outra briga
Thalia me ouviu e tentou mais uma vez, agora, a névoa se dissipou rapidamente.
“Seu destinário não pode receber a mensagem no memento. Por favor, tente mais tarde.”
Um voz feminina falou através da neblina, eu e Nico nos encaramos desconfiados. Thalia pareceu disposta a socar alguém depois daquilo.
– Isso é sério? – Clarisse resmungou, não precisava olhar para ela para saber o tamanho de sua raiva
– Podemos tentar os romanos. – opinei
Thalia retirou outro dracma do bolso e o jogou na piscina.
– Pretores do Acampamento Júpiter. – sussurrou
A neblina voltou a se formar, esperamos até que ela nos mostrasse uma imagem.
– ... os graecus estão se aproximando do nosso Acampamento. Com eles seremos mais fortes caso um ataque aconteça...
O som chegou antes que a imagem. A voz era de Reyna, e a imagem mostrou uma espécie de sala de reuniões. Ali estavam ela, Jason e Frank, se havia mais alguém no local, não aparecia na imagem.
Reyna deu um pulo quando percebeu a mensagem, mas se acalmou ao nos ver.
– Nunca vou me acostumar com isso. – ela murmurou
– Reyna. – Nico a chamou, enquanto ela e os outros dois se aproximavam da mensagem – O que está havendo?
Jason acenou para Thalia e ela sorriu para ele, então Frank respondeu a pergunta:
– Muitas coisas aconteceram desde o último contato com vocês. Ella, a harpia, começou a recitar algumas profecias. – ele hesitou antes de prosseguir – Algumas mencionavam a destruição das duas raças semimortais, deduzimos que seria os gregos nós, romanos.
– Contatamos Quirón, ele pediu uma evacuação das pessoas que moram aqui em Nova Roma. Estava tudo certo no Acampamento Meio Sangue então as mandamos para lá. Enquanto os semideuses gregos estão vindo para cá, para ajudar a defender nossas fronteiras. – Jason se pronunciou
– Os monstros que rondavam o nosso Acampamento passaram a se organizar, as equipes que eles atacam estão ficando cada vez mais fracas. Andamos observando e o número de monstros aumenta a cada hora, talvez tenha dobrado nos últimos dias. – Reyna disse e suspirou – Por isso evacuamos a cidade para o Acampamento de vocês.
– Isso tudo tem ligação com nossa missão? – perguntei
– Ninguém sabe. – a romana respondeu – Os nossos deuses se calaram, os gregos também. O retorno de Gaia está gerando muito conflito no Olimpo.
– A profecia diz que Gaia quer destruir os semideuses. Unir os dois acampamentos num local só facilitou para ela, foi a pior coisa que podíamos fazer. – Nico murmurou
– Não tínhamos outra escolha. – Jason rebateu
– Tentamos falar com Quirón e ele não nos atendeu... – Thalia começou e deixou a frase morrer
– Ele disse que viria para cá. Devem estar no caminho. – Frank respondeu
Assentimos, tentava não me preocupar com o que estava ocorrendo no acampamento romano, já me estressava o suficiente só com nossa missão.
– Onde está Annabeth? – Jason perguntou e Clarisse riu sarcasticamente
– Só agora notaram a falta dela? – ironizou
– O que aconteceu? – Frank perguntou com tom preocupado
O olhar de todos caiu sobre mim, percebi que não havia contado todos os detalhes, aquela era a hora.
Então falei tudo, com todos os detalhes, desde que caímos em um dos dormitórios até o momento que Aaron apareceu. Ninguém me interrompeu, minhas mãos tremiam enquanto eu falava.
Quando terminei, olhei para a mensagem de Íris, os romanos ali me olhavam admirados, Thalia tinha um sorriso de orgulho nos lábios, mas sabia que no fundo ela se sentia culpada pelo que tive que passar.
– Você foi corajosa. – Reyna disse simplesmente
– Isso custou Annabeth, vamos resgatá-la. – Clarisse rebateu – Avise Quirón se ele chegar no Acampamento.
Os romanos assentiram. Então um barulho de portas se abrindo ecoou pela mensagem.
– Não consegui segura-la! – alguém gritou do outro lado
Piper apareceu na frente dos outros três. Ela procurou alguém entre nós, então seus olhos pousaram em Thalia.
– É a chave. O amor é a chave de tudo, a pureza também. Deixe ela te guiar, que tudo vai ficar bem.
– O que...
– Você entendeu Thalia. – Piper afirmou, não sei se ela usou o charme, mas a maneira como ela falou aquilo foi muito convincente – Agora resgatem Annabeth, sem ela vocês não vão conseguir. Depois que concluírem a missão, vamos precisar de vocês aqui.
Então o nosso tempo da mensagem acabou, e Thalia não conseguiu colocar outro dracma a tempo. A névoa se dissipou aos poucos até desaparecer.
– Essa garota me assusta. – murmurei
– Piper deve saber de algo. Talvez a mãe dela esteja conversando com ela por meio de sonhos, com uma forma de nos guiar. – Nico opinou
– Isso não importa. O que importa agora é Annabeth. – Clarisse resmungou – Vou abrir a porta.
A filha de Ares caminhou até porta de vidro e a destrancou, percebi que Thalia estava muito quieta.
– Você está bem? – perguntei apoiando minha mão no ombro dela
Ela sorriu, mas não era um sorriso verdadeiro. Thalia prendeu uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha.
– Só vou ficar bem quando isso tudo acabar. – respondeu
Nico se afastava de nós, Clarisse parecia pensativa. Então puxei Thalia para um abraço, apoiei meu queixo em seu ombro e aspirei seu perfume.
– Vai ficar tudo bem. – murmurei
Então restou apenas nós duas na área das piscinas. Nico e Clarisse se retiraram falando que iriam organizar as coisas para nossa missão resgate.
– O que aquela garota quis dizer com tudo aquilo? – perguntei me afastando um pouco, Thalia deu de ombros
– Não sei. Ela disse que eu entenderia, mas não faço a mínima ideia do que ela se referiu.
Procurei em sua expressão um sinal que indicasse que ela estava mentindo, mas não consegui decifrar nada em seu olhar. Thalia estava séria, com uma ruga de preocupação entre suas sobrancelhas, o cabelo estava despenteado e ela possuía leves olheiras embaixo dos olhos, que haviam perdido aquele brilho eletrizante, na verdade, eu não sentia mais aquela energia emanando dela.
– Troco um beijo por um sorriso seu. – pedi, querendo distraí-la, sua mente devia estar muito conturbada
Thalia apoiou uma das mãos na minha cintura e a outra me puxou pelo queixo para um beijo. Apoiei uma das minhas mãos em seu ombro e a outra foi para sua nuca, prendi meus dedos nos fios de cabelo dali.
Ela conduziu o beijo, moldando os lábios nos meus. Um beijo sem malícia, nem muito demorado nem rápido demais. Cheio de carinho e amor, infelizmente tivemos que nos separar daquela conexão quando respirar foi necessário.
Quando abri meus olhos, ela dava um sorriso torto, sabia que era para me agradar, mas não era um sorriso sincero.
– Vem. – pediu – Vamos arrumar nossas coisas.
Então segurei a mão dela e a puxei, tentando ignorar minha consciência, que dizia que Thalia estava escondendo muitas coisas de mim
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