The Prophecy
12 Capítulo 12
Notas iniciais
– Apolo. – Clarisse resmungou se levantando
O deus também estava em pé e caminhava até nós.
– Onde estamos? – Thalia perguntou se ajeitando no chão e me avaliava para ver se tinha me machucado com a queda, mandei meu melhor olhar de “Estou bem.”, mas não a convenci
– Num parque. – Apolo apontou ao redor como se fosse óbvio e o seu sorriso aumentou ainda mais – Fica a três horas de viagem da base... Agradeçam a Rachel, ela salvou vocês.
As duas me olharam, não respondi e apertei o corte na minha barriga que tinha começado a sangrar novamente. Nico começou a sem mexer na cadeira e isso atraiu a atenção de Clarisse.
– Onde está Annabeth? – ela perguntou
– Para apartar vocês tive que usar marcações, elas já estavam feitas pelo filho de Hades então usei as mesmas. Apartei apenas os semideuses que estavam na base. – ele explicou
Clarisse pareceu indignada, ela precisou se controlar para não discutir com ele, afinal, era um deus.
– Irmãzinha. – ele sorriu para Thalia e apontou para a cadeira de praia que ele estava sentado a pouco tempo – Leve ela lá, já cuidamos desses machucados. – ele piscou para mim
Thalia se levantou com dificuldade e me carregou até a cadeira, era horrível parecer tão indefesa assim.
– Custava ter trazido Annabeth também? – Clarisse desabafou
– Custava. Não posso interferir diretamente nos planos deles, já não estou com uma reputação boa diante de meu pai, se fizesse algo sem autorização dele, ele seria capaz de tirar minha imortalidade. – respirou fundo – Sei da situação, lamento por isso.
Clarisse balançou a cabeça ainda indignada.
– Atena está fazendo de tudo para mudar a cabeça do filho dela, mas ele sequer a escuta mais. Nunca a vi tão estressada...Ainda mais agora. – Apolo continuou – Quando dois irmãos brigam, um deus não pode favorecer um filho. Se ela favorecer Annnabeth e ajuda-la, causará mais revolta em Aaron. Se ela ajudar Aaron, vai estar automaticamente contra o Olimpo. Estamos de mãos atadas, são vocês que podem salvar tudo, não nós. Não somos nada sem os nossos filhos.
Thalia me colocou na cadeira e Apolo ajoelhou ao meu lado, não tinha encontrado muitos deuses desde que havia me tornado o Oráculo, mas sabia que eles não eram tão sinceros assim.
– O que aconteceu com ele? – perguntei apontando Nico na cadeira ao meu lado
– Não sei. – o deus deu de ombros – Já estava inconsciente quando apartei vocês. E você devia se preocupar mais com você, Rachel, não quero perder meu Oráculo agora. – ele acrescentou abrindo um sorriso largo, sorrir devia ser um de seus vários dons
Ele me fez tirar minhas mão de cima da barriga.
– Preciso ver o corte. – ele disse e senti meu rosto esquentar ao ter que erguer um pouco a minha camiseta
Thalia desviou o olhar enquanto Apolo me examinava, inicialmente achei que fosse por irritação, mas então percebi que ela não suportava me ver machucada. Clarisse não estava conosco, ela foi para perto do lago e se sentou lá, abraçando os próprios joelhos e escondendo o rosto entre os braços, Nico resmungou algo do meu lado e acordou confuso, Thalia se sentou no chão, no espaço entre eu e ele e contou o que havia acontecido. Nico não falou nada, permaneceu de olhos fechados por causa da claridade do parque e assentia conforme Thalia falava.
– Era uma adaga de prata. – Apolo resmungou –Ele deve ter planejado isso, se fosse ao acaso, teria tentado te ferir com uma arma de semideus, o que não causaria efeito nenhum.
Lembrei do meu sonho e contei ao deus as diferenças dele com a realidade. Thalia pareceu interessada naquilo e passou a ouvir também. Enquanto curava o tecido de músculos meus que foram machucados e lidava com o corte Apolo explicou o porquê da diferença. Thalia estava errada, meu sonho não foi uma visão, e sim uma previsão. Visões permanecem iguais na realidade, e previsões podem se modificar, pois dependem das decisões que tomamos, em um ponto fizemos algo que acabou mudando isso.
– Você ainda vai sentir um pouco de dor hoje, mas isso vai passar com descanso. – assenti, no lugar do corte horrendo agora estava uma linha fina e mais clara que a minha pele, passei a mão por ela e senti o relevo
– Obrigada, senhor. – disse com respeito e o deus revirou os olhos
Nico levantou da cadeira mancando, Apolo olhou para ele riu.
– Nem está doendo tanto, filho de Hades. Se quer ser curado pode perder as esperanças, tratamento vip só para Oráculos. – o deus riu, recebendo um olhar atravessado de Nico – É brincadeira garoto, sorria mais, vai fazer bem a você. No seu caso só um pouco de néctar e você vai estar bem, Rachel teria que ficar em repousou por uma semana no modo convencional, já que não pode ingerir os métodos de tratamento para semideuses.
Mesmo assim, o garoto se afastou de nós, passou por Clarisse e se sentou sob a sombra de uma árvore.
– Ele fica mal perto de caçadoras, e de você. – Thalia disse para Apolo – E de tudo que lembre Bianca, é algo que ele nunca vai superar.
O deus assentiu e passou a analisar a minha perna.
– Sinto muito pela missão, já que não foi concluída. – ele disparou e fiz uma careta, Thalia ficou boquiaberta e sem reação
– Como assim?
– O Receptáculo. Aquele semideus chegou antes que vocês e o pegou, colocou outro no lugar, era uma forma de enrolar os monstros de lá e vocês também. – Apolo explicou e olhou para mim – Isso vai doer, o osso da tíbia está trincado e tenho que juntar.
Dito isso virei o rosto e me preparei pra dor. Uma queimação tomou conta da minha perna, gemi de dor. Não era uma dor insuportável, acho que quando Aaron machucou minha perna doeu mais. Thalia não me aparou, estava desligada do mundo, em choque com que Apolo tinha dito.
– Pronto, passou. – Apolo se levantou se espreguiçou – Te ajudei porque não seria justo deixar meu Oráculo sofrendo, e porque vocês precisam continuar essa missão, sua equipe precisa de você, Rachel.
– Obrigada Apolo. – ele piscou para mim
– Mais alguns monstros mortos em meu sacrifício me farão bem. – ele retrucou e ri
Então olhei para Thalia, ela estava séria, e até parecia irritada. Apolo deve ter percebido a mesma coisa, ele suspirou.
– Papai vai me matar por isso... – respirou fundo e começou — Amanhã, no pôr do sol, vocês vão encontrar Annabeth. Ela seria sacrificada, para dar mais poder aos nossos inimigos. Um altar improvisado, a duzentos quilômetros daqui.
Thalia olhou para o deus, pude ver um vestígio de esperança em seu olhar.
– Vamos salvá-la? – perguntou e o deus deu de ombros
– Isso não posso responder. – sussurrou e ele olhou para mim – Está melhor?
– Sim. – ele sorriu, mas o sorriso desapareceu quando seu olhar caiu para meu pulso, onde estava o meu bracelete
Ele então encarou Thalia, que sustentou firme o olhar do deus. Eles ficaram um tempo se encarando, como se estivessem tendo uma conversa mental. Por fim, Apolo sorriu novamente.
– Preciso voltar para o Olimpo. Querem uma carona até um hotel? – perguntou – Só não vou deixar você dirigir, Thalia.
Apolo riu, e Thalia o acompanhou, mas com uma risada fraca, como se estivesse se obrigando a rir. Ela se levantou e estendeu a mão para mim, Apolo acenava para os outros se aproximarem, Clarisse e Nico vieram a contragosto.
Eu encarava Thalia em busca de uma respostas para o que havia ocorrido ali, mas ela estava disfarçando, e se esquivou dos meus olhares.
Desisti e fui para perto de Nico, perguntando o que havia acontecido com ele na base. O garoto suspirou e contou que foi encurralado por monstros, ele convocou espíritos em excesso para se defender, e isso o exauriu.
O assunto terminara ali, Clarisse se isolou de todos nós. Não tinha outra opção a não ser Thalia, me sentei ao lado dela no carro, fingindo que nada tinha acontecido, afinal, era isso que ela queria.
– x—
Estava cansada, mas a irritação não permitia que eu dormisse. Apolo nos deixou em um hotel da cidade em que o parque onde apartamos ficava, nem me importei em saber que cidade era aquela. Cada um pegou um quarto, eu e Thalia pegamos um de casal. Decidimos não contar aos outros sobre o Receptáculo, Clarisse já estava bem irritada, não era necessário estressa-la com outra coisa.
Eu achei que iríamos ficar juntas, aproveitar que estávamos vivas e bem. Mas Thalia tinha passado as últimas duas horas andando de um lado para o outro no quarto. No início achei que a hiperatividade dela devia ser a causa então relevei, mas agora aquilo estava começando a me irritar.
O olhar dela estava distante, como se ela nem prestasse atenção ao redor.
– Thalia. – chamei, mas ela nem deu ouvidos
Eu estava sentada na cama, puxei o edredom sobre meu corpo e suspirei. Ela continuava andando de lá pra cá, revirei os olhos.
– Thalia! – gritei e ela deu um pulo, me encarando – Para com isso.
Ela respirou fundo e pareceu voltar a realidade.
– Eu só estava pensando em... – ela balançou a cabeça e deixou a frase morrer
– Pensando no que? – perguntei com um tom mais calmo, querendo ajudá-la
– Nada. – ela deu de ombros e pegou a mochila dela, tirando roupas limpas dali
Ela estava escondendo coisas demais, agora tinha duvida se era para me poupar ou por que não confiava em mim. Cruzei os braços tentando espantar aquela irritação.
– Até quando você vai esconder algumas coisas de mim? – perguntei, não queria jogar aquilo na cara dela, mas o dia hoje me deixou muito irritada, e a frase saiu sem que eu percebesse
– Rachel eu não escondo...
– Esconde sim. – a cortei, meu tom saiu magoado, embora eu não quisesse transmitir isso – Acha que vai me colocar em perigo se eu souber algumas coisas? Thalia, entenda que eu já estava nessa vida antes de haver algo entre nós. Não é seu dever me proteger de tudo.
Ela não olhava pra mim, olhava para baixo, procurando palavras para responder, seu maxilar estava rígido, mostrando irritação.
– Você não está preparada pra enfrentar tudo...
– O que?! – não deixei ela terminar a frase, não queria discutir, mas aquilo tinha acabado com o resto da minha paciência, me levantei ficando mais próxima dela – Acha que outra pessoa é mais capacitada para isso do que eu só por que sou mortal?
– Não foi isso o que eu disse... – ela ergueu o olhar, me fuzilando com aqueles olhos azuis, mas permaneci firme, sustentado o olhar
– Foi isso que deu a entender. Acha que você é mais corajosa, ou outros, só porque são metade deuses? Sabe o quanto é raro existir um mortal que veja através da névoa? Sabe quantas vezes tentaram quebrar a maldição que tinha sobre o Oráculo antes de mim? Thalia, você tem ideia do que passei naquela base hoje, vendo Annabeth ser levada sem poder fazer nada, ficando sozinha nas mãos daquele cara, tem ideia da coragem que tive que arrumar? E você ainda me diz que não estou preparada para tudo isso, você, a pessoa que devia confiar em mim. Se nem você confia na minha capacidade, o que os outros acham?
Ela não respondeu, virou as costas pra mim e entrou no banheiro, fechando a porta com força atrás de si. Minhas mãos tremiam, fui até o interruptor e apaguei a luz do quarto. O brilho da lua o iluminava, voltei para cama e deitei.
A dor no meu corpo voltou, Apolo havia pedido para eu não me estressar, “Recomendações médicas”, o deus havia dito. Eu sentia raiva dessa missão, de Gaia, de Aaron, de mim e... E de Thalia. Mas sentir raiva da pessoa que você ama é algo que te corrói por dentro, que te sufoca. Liberei aquela irritação por meio de lágrimas, o barulho do chuveiro preenchia o quarto. Será que ela estava mal por causa dessa discussão? Enxuguei as lágrimas com a manga do meu moletom e me virei na cama, encarando a parede. Fechei os olhos e depois de alguns minutos o chuveiro desligou, e logo a porta de abriu, a luz do banheiro iluminou o quarto. Fingi que estava dormindo e ouvi um suspiro vindo dela.
– Sei que está acordada. – murmurou
Não respondi, mas continuei na mesma posição.
– Acha que foi fácil ficar naquela base sem você? Acha que foi fácil saber que você corria perigo, pois eu tinha certeza que aquela visão... Previsão e seja lá que droga foi aquela... Iria acontecer? Acha que foi fácil te encontrar e te ver naquele estado? Aquilo doía em mim, Rachel, não tem ideia do quanto. – ela foi dizendo, naquele momento me sentia uma idiota, mas eu não deixava de ter razão naquela discussão – Tive medo de perder, sempre tive esse medo, mas ele nunca foi tão forte. Ver você sozinha também me deixou mal, Annabeth estava correndo perigo e não podíamos fazer nada, não recebia nenhum sinal de Nico. Sabe o quanto foi ruim pra mim, ver minha equipe se despedaçando? E principalmente você, Rachel, que nem devia estar nessa missão, e eu podia ter evitado isso, mandando Gaia para o Tártaro que é o lugar dela. Mas eu não fui capaz disso... Se você está aqui agora, se todos nós estamos nessa missão é porque eu fui burra e acreditei nas mensagens que mandavam por sonhos. Se algo acontecer a algum de nós vai ser minha culpa. Se não conseguirmos salvar Annabeth, vai ser minha culpa. E principalmente Rachel, se você se ferir ainda mais nessa missão ou se algo pior acontecer, vai ser minha culpa. E eu nunca vou me perdoar caso isso aconteça.
Eu não sabia o que responder, era a minha vez de ficar sem palavras. Mas eu não podia simplesmente correr para o banheiro como ela havia feito, então permaneci na posição que eu estava. Thalia deve ter percebido que a tensão entre nós diminuiu e veio se deitar ao meu lado.
– Me desculpa, por eu ser uma idiota. – ela sussurrou no meu ouvido, e aquilo foi o que bastava para arrancar qualquer sinal de raiva que eu tinha dela
Virei e num gesto rápido a puxei pela nuca, prendendo meus dedos nos fios de cabelo molhado. Sua língua macia invadiu a minha boca, deixei um suspiro escapar.
– Desculpa, eu não queria brigar com... – tentei dizer, mas ela me calou com um outro beijo
Quando o beijo foi intensificando, tomando outras proporções, ela me afastou. Não gostei daquilo, mas se ela não queria, não podia forçá-la.
Ela segurou meu rosto com as duas mãos e beijou minha testa.
– Nunca mais diga que eu duvido de você, ou então que escondo algo. Um relacionamento precisa de confiança, e você é a pessoa que mais confio. – ela disse e então me puxou para um abraço
Não dissemos mais nada, não era preciso. Então pude desfrutar de um pouco de paz, nos braços dela me sentia segura. Escondi meu rosto contra seu pescoço e inalei sue perfume, finalmente consegui dormir, descansando nos braços da garota que eu amava.
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