The Prophecy

7 Capítulo 7


Notas iniciais
Hey! Desculpem pela demora... estava sem internet e esse capítulo também deu um pouco de trabalho. E ficou bem grandinho também.



– Clarisse!!! – Thalia gritou

Já tinha perdido as contas de quantas vezes eu tinha ouvido aquele nome sendo gritado só hoje.

A filha de Ares perdeu o controle do carro e entrou na contra mão.

O segundo dia da missão foi mais agitado que o primeiro, tudo começou naquele na cidade quem que passamos a noite, com o espírito de um combatente da Segunda Guerra Mundial, um museu de armas, e uma estátua em homenagem a Zeus que acabou sendo decapitada.

– x—

– O Coronel Andrew White foi um combatente da Segunda Guerra Mundial e fundador dessa cidade. Morreu dois anos após voltar da guerra. – terminei de ler a primeira parte da escritura que estava aos pés da estátua, Thalia havia pedido para mim ler em voz alta pois a dislexia a atrapalhava muito

– Desde garoto ele foi aficionado por mitologia grega, certa vez até afirmou ter visto Zeus e que o deus teria o aconselhado a seguir a carreira militar. Quando já tinha uma vida estável no Exército ele fundou esta cidade, que se tornou seu refúgio após retornar com vida da Segunda Guerra, por isso mandou erguer esta estátua em homenagem ao Líder dos deuses olimpianos, o homem afirmava só ter sobrevivido com as bênçãos do deus . Foi condecorado por seus feitos, mas os dias de glória não duraram muito. Andrew morreu de causas desconhecidas, mas em seu testamento exigia que quando morresse ele queria ser enterrado aos pés da estátua. Este local é um memorial a Zeus e túmulo de Andrew White.

Terminei de ler e fiz uma careta, o cara devia ser mesmo apaixonado por mitologia. Thalia mantinha os olhos fixos na estátua, como se esperasse que a qualquer momento ela criasse vida e nos atacasse. Coisa que eu não me surpreenderia se acontecesse.

– Cadê a Clarisse? – Thalia perguntou finalmente saindo do transe que tinha entrado

– Não faço ideia. – murmurei

A estátua/túmulo ficava numa praça, algo me dizia que era a única da cidade, ela era o final de quatro ruas, Nico e Annabeth foram atrás de uma loja para comprarem um mapa e outras coisas que precisávamos.

– Ali está ela. – Thalia apontou e Clarisse vinha de uma dessas ruas

– Vocês devia olhar o Museu de Armas! – a filha de Ares disse quando chegou perto de nós

– Não estamos aqui a passeio. – Thalia murmurou

– Ah qual é, Grace. Nuca estive numa missão tão tediosa.

– Tediosa. – disse, mas nenhuma das duas percebeu meu tom de ironia

Sentamos em um banco da praça, Thalia passou o braço pelo meu ombro e Clarisse bufou ao perceber que tinha ficado de vela.

– Até que enfim! – ela reclamou quando Annabeth e Nico chegaram, minutos depois

Os dois ignoraram o comentário, Annabeth abriu o mapa que tinha comprado e se abaixou na nossa frente. Ela e Thalia começaram a discutir as melhores rotas e cidades, Clarisse entrou na conversa e expôs suas ideias, Annabeth concordou, para a minha surpresa. Era difícil fazer um plano sem sabermos onde deveríamos ir, e o que deveríamos fazer.

– Nico, tem algo errado? – Thalia perguntou ao perceber que o primo olhava ao redor, o garoto estava tenso

– Tem alguma coisa aqui. – ele disse e continuou olhando ao redor

Todas nós começamos a procurar o perigo.

– Não estou sentindo nada. – Clarisse resmungou

– Nem eu. – Thalia concordou

– E nem deviam. É um espírito. – ele disse e finalmente seus olhos se fixaram num lugar, mais especificamente em alguém

Era um homem de meia idade, cabelos pretos, mas com alguns fios brancos. Diria que era um homem normal, se não fosse o fato de seu corpo ter ficado translúcido enquanto caminhava até nós. Vestia uma calça social bege e um paletó da mesma cor, então percebi que era uma farda antiga.

– Semideuses. Tanto tempo que eu não via alguns. – sua voz soou rouca, e então passou a avaliar um por um de nós, parando em mim por último – Bem, nem todos são semideuses.

O clima ao meu redor ficou tenso, Clarisse e Thalia já estavam em pé, formando uma frente junto com Nico, eu e Annabeth ficamos na retaguarda.

– Quem é você? – Clarisse perguntou

– Coronel Andrew White. – falei antes que o homem respondesse, ele dirigiu um sorriso a mim, mas não pude discernir se era bondoso ou maldoso

Annabeth me encarou mexendo a boca formando a palavra “Quem?” e apontei em direção da estátua de Zeus. O homem fez uma expressão irritada quando se dirigiu a Nico.

– Ora filho de Hades, já deveria ter percebido que seus poderes do Mundo Inferior são inúteis em mim. Não estou totalmente morto, sou um amaldiçoado. – o homem resmungou e Nico respirou fundo e vacilou, devia ter usado toda a concentração para controlar o fantasma

– Mas a placa na estátua diz que...

– Que eu fui enterrado ali, eu sei filha de Zeus. – ele lançou um olhar de interesse para Thalia, e depois dirigiu um olhar de desprezo para Clarisse, que fechou a cara ao perceber isso

O homem começou a andar ao nosso redor.

– Me de uma boa opção para não acabarmos com você agora mesmo. – Clarisse resmungou e o homem riu

– Talvez eu esteja na frente de vocês, pois sei algo que vocês não sabem... – ele sussurrou com um sorriso aparecendo nos lábios

– É sobre a missão? Se não for, não estamos interessados. – Annabeth rebateu

– É sim.

– Então diga logo. – falei

– Acha que daria uma resposta assim? Precisam me fazer um favor antes. – ele rebateu nos analisando, ainda caminhando a nossa volta como um leão que rodeia a presa

– Não somos o tipo que fazem favor a espíritos solitários e infelizes. – Nico resmungou

– Principalmente a imbecis que já chegam mandando em nós. – Clarisse finalizou

– Tão parecida com seu pai. E sim, eu o conheci, na verdade Ares é a causa pela qual estou aqui, parado entre o mundo dos vivos e dos mortos.

Tentei procurar sentido naquilo, mas não encontrei nenhum, os deuses podiam amaldiçoar qualquer mortal, não sabíamos o que havia acontecido para Ares ter amaldiçoado Andrew White.

– Seja lá o que aconteceu, meu pai deve ter um motivo para te deixar nessa situação. – Clarisse resmungou com nariz empinado, acentuando ainda mais sua arrogância

– Sim, um grande motivo. – Andrew ironizou – Apenas ego ferido, porque eu preferia Zeus a ele. Porque eu deixei Zeus como bem feitor de todas as minhas glórias, enquanto na verdade era Ares que me abençoava. – ele apontou para a estátua – Quando mandei erguer essa estátua foi o cúmulo para ele, veio até mim e tirou as minhas benção de batalhas, todas as minhas medalhas.

Olhou melancolicamente para o espaço em sua farda onde devia ficar as medalhas e prosseguiu.

– Sei onde elas estão, mas não posso ir pega-las, pois não posso sair dessa praça, Ares falsificou meu testamento e meu corpo foi enterrado aqui, quando ainda estou parcialmente ligado a ele, não posso me afastar.

– E quer suas medalhas, então precisa de nós. – Annabeth deduziu

– Com elas em mãos tenho passe direto para o mundo inferior e para o meu descanso eterno. – suspirou como se estivesse imaginando como seria sua vida/morte nos domínios de Hades

– E se recusarmos? – Thalia perguntou

– Ficam andando em círculos como estão agora, sem saber o que fazer. E creio que não tem muita escolha, semideuses, essa é a minha cidade, apesar de estar amaldiçoado ela ainda é meu domínio, e posso evitar que vocês saiam dela. – disse com a expressão sombria, mas que se suavizou logo que terminou

– Nos de um segundo para pensar. – pedi e o homem assentiu, indo em direção a estátua

– Não temos escolha. – Annabeth murmurou

– Será que ele sabe algo ou só está blefando? – perguntei

– Ele desonrou a benção do meu pai. – Clarisse disse com amargura

– Ele não está nos domínios do meu pai, se não liquidaria ele facilmente. – Nico lamentou

– Vamos ajudá-lo. – Thalia disse por fim – Não deve ser tão difícil pegar algumas medalhas.

Todos julgaram a decisão dela como unânime, como se ela fosse a líder da missão, não pude deixar de sorrir.

– Coronel Andrew? Onde as medalhas estão? – ela perguntou para o homem que sorriu largamente

– Aqui pertinho, seguindo por aquela rua, no Museu de Armas em que a senhorita La Rue se divertiu agora há pouco.

Nos entreolhamos e partimos na direção do Museu. Clarisse olhou para o espírito com desprezo e ele a encarou da mesma forma, mas não foi aquilo que me incomodou, e sim o olhar curioso que dirigiu para Thalia que fez a filha de Zeus se esquivar e me procurar para pegar a minha mão distraidamente.

– x—

– Tem alguma coisa errada. – Annabeth sussurrou enquanto caminhávamos pela sala em que tinha exposições dos objetos heróis de guerra

– Está fácil demais. – Thalia concordou

– Se está tão fácil assim porque nenhum semideus conseguiu antes? – perguntei observando as peças ao meu redor

– Vai ver ele mandou nenhum. – Nico deu de ombros

– Acho que somos os primeiros semideuses nessa cidade há anos. – Clarisse concordou – Lá está, Coronel Andrew White.

Apontou uma prateleira de madeira com uma tampa de vidro e caminhamos até ela, ali haviam vários objetos, canetas, cantis, diários, agendas, mapas, bússolas e mapas desgastados com o tempo, tudo que pertenceu ao Coronel quando ele estava vivo.

– Ele deve ter sido importante para a cidade mesmo, se não, não iriam conservar isso tudo.

– Estranho, eu nunca ouvir falar dele. – Annabeth sussurrou

– Deve fazer parte da maldição. – Clarisse opinou

– Olhem as medalhas. – Nico apontou o canto da prateleira, numa caixa de madeira estavam organizadas quatro medalhas, uma de bronze e três de outro, e mais algumas condecorações

– Simplesmente vamos pegar e ir embora? – perguntei

Annabeth estendeu a mão, tocando o vidro, mas logo a afastou sacudindo os dedos e xingou em grego antigo.

– O que foi Annie? – Thalia se aproximou dela

– Um choque. Muito forte mesmo. – Annabeth disse olhou indignada para nós – Acho que isso dificulta um pouco as coisas.

– Deixem comigo. – Thalia disse e se aproximou do vidro, conseguiu encostar na fechadura sem problemas mas quando começou a trabalhar no cadeado recuou e mordeu a língua pra não praguejar

– Tenta de novo. – a encorajei e ela tentou, desistindo quando uma onda de choque a atingiu

– Como isso é possível?! – olhou para Annabeth que não sabia a resposta

– Acho que Ares não facilitaria tanto as coisas assim. – Nico resmungou

– Não mesmo. – Clarisse disse atrás de nós e soltou uma risada rouca – Acho que sei o que fazer, por favor, se afastem.

– Clarisse nem Thalia conseguiu...

– Mas foi o meu pai que jogou a maldição, não o dela. Annie eu sei o que fazer. – resmungou e seguimos o conselho dela

Thalia esfregava a palma da mão e pedi para examinar, estava vermelha, mas não era nada grave.

– Nunca levei um choque na vida. – murmurou

– Sempre tem a primeira vez. – respondi e dei um sorriso, me aproximando para dar um selinho para desfazer o bico que ela tinha feito, sorrindo satisfeita logo em seguida

Voltamos nossa atenção para Clarisse, que tinha deixado a mochila dela no chão e se ajoelhando em frente a estante, começou a entoar algumas frases em grego antigo, Nico foi vigiar a porta da sala caso um mortal aparecesse, o que era difícil pois a repcionista do museus disse que era raro aparecer tantos turistas num dia.

Olhei para Thalia e Annabeth em busca de tradução, pois entendia poucas palavras do que Clarisse dizia.

– Pare ser um tipo de cântico de guerra. – Thalia franziu o cenho

– Seja lá o que for está dando certo. – Annabeth rebateu, Clarisse já tinha conseguido colocar a palma da mão no viro e não levou nenhum choque

– Uma maldição que só pode ser quebrada por Ares e por alguns de seus descendentes. – deduzi

– Uma jogada esperta. – Thalia admitiu

– Aposto que Ares nunca esperava que um de seus filhos deixaria o orgulho de lado para quebrar uma maldição que ele mesmo jogou. – Annabeth finalizou

Alguns minutos se passaram e Clarisse não teve nenhum progresso fora aquele.

– Vai Clarisse... – Thalia resmungou

– Você consegue. – incentivei

– Se concentra pra ver se consegue ir mais rápido. – Annabeth disse

– Fica meio difícil com vocês falando. – a filha de Ares resmungou e voltou a entoar as frases

Nico se aproximou e Annabeth foi substituí-lo na porta.

– Por que você ficou tão tensa na presença do Coronel? – ele perguntou pra Thalia

– Você não ficou? – devolveu a pergunta

– Sim, mas...

– Então, acho que todos nós ficamos. – ela rebateu

– Eu não. – disse e era verdade – Ele pareceu ser simpático ou sei lá.

– É que você não tem tanta experiência como nós. – Nico rebateu e tentei não levar aquilo como uma ofensa

– Os simpáticos são sempre os piores, sempre devemos ter um pé atrás com eles.

Mais alguns minutos se passaram, então finalmente Clarisse conseguiu abrir a tranca d aporta de vidro, se colocou de pé e murmurou mais algumas palavras, pegando a caixa de madeira nas mãos e abrindo um sorriso vitorioso e então nos encarou.

– Acho que consegui. – disse e caminhou na nossa direção

– Ahnn, Nico? – Annabeth chamou, nos viramos e a loira olhava fixamente num ponto no corredor

– Sim?

– Onde ficava o McDonald's que você foi? – nós quatro nos encaramos confusos com a pergunta dela

– Acho que fica há umas seis quadras daqui, por quê?

– Vamos embora. Agora! – a loira ordenou

Todos entendemos o que ela queria dizer, há muitos anos acreditava-se que grandes redes de empresas alimentícias se ligavam a força vital de um monstro, isso significava que tinha monstros na nossa cola, e era a única explicação para esse fim de mundo ter um McDonald’s.

– Como não percebi isso?! Eu fui tão burra... – Annabeth se lamentava enquanto praticamente corríamos pelos corredores do museu

– Acho que já passamos por esse corredor antes. – disse

– A saída é pra lá. – Nico e Thalia disseram ao mesmo tempo, mas um apontou para a direita e outro para a esquerda

Foi só o tempo de nos encararmos e ouvimos passos apressados atrás de nós. Olhamos para trás e meia dúzia de guerreiros vinham até nós, vestiam armaduras de bronze e portavam lanças. Não consegui identificar se a cabeça deles eram mesmo de javali ou se aquilo era uma máscara.

– São guerreiros do meu pai, nunca param até alcançar o objetivo. – Clarisse murmurou

– Que é nos matar. – Thalia concluiu

– Mas eles não vão fazer nada, tem uma filha de Ares conos... – mas fui cortada pela ordem que veio a seguir

– Ataquem! – um dos guerreiros gritou

– Dividir! – Thalia gritou

Thalia, eu e Clarisse seguimos para a direita enquanto Nico e Annabeth foram para a esquerda. Mas os guerreiros também se dividiram. Tínhamos uma vantagem, o museus era enorme, então podíamos usar isso ao nossos favor para distrair os guerreiros.

Clarisse já havia pego a lança dela e Thalia e já estava com a espada em mãos.

– Rachel! – Clarisse me chamou e jogou a caixinha de madeira em minha direção, peguei, mas isso atraiu a atenção dos guerreiros pra mim

– Você consegue controlar essas coisas?! – Thalia gritou para Clarisse enquanto se colocava na retaguarda

– Por que deveria? Eles só servem o meu pai! – Clarisse rebateu como se fosse óbvio

– Pelo menos nós conseguimos mata-los? – perguntei

– Claro. Se não forem mortas antes disso! – Clarisse rebateu – Só correr não vai adiantar em nada.

– Não deixe eles pegarem a caixa. – Thalia pediu – E nem deixe eles pegarem você.

Acrescentou mas não tive tempo de responder, algo voou em nossa direção, provavelmente um objeto do museu que estava sendo usado como arma.

– Separar foi uma péssima ideia! – Thalia murmurou enquanto corríamos e nos esquivávamos dos objetos voadores – Vamos achar os outros, os dois estão em desvantagem numérica.

Assentimos e corremos pelo labirinto de corredores a procura de Nico e Annabeth. Entramos na sala central do museus, ao final dela tinha uma escada que levava a uma área restrita apenas para funcionários, os dois estavam lá. Annabeth lutava contra um dos guerreiros, mas estava com a testa sangrando e fazia uma careta de dor cada vez que defendia um golpe. Nico rolava pelo chão, fugindo de cada golpe de lança, a espada dele estava jogada do outro lado da sala. Um zumbi com roupas de um guerreiro da idade média lutava contra o outro guerreiro javali, mas estava perdendo.

Atravessei a sala, Clarisse e Thalia formaram uma frente de batalha aguardando os guerreiros que nos seguiam, fui até a espada de Nico e a peguei sentindo uma sensação estranha ao tocar a espada negra.

– Nico! – gritei e joguei a espada pelo chão, que foi rodando pelo chão até o garoto, que a pegou e se colocou em posição de batalha

O zumbi do filho de Hades foi vencido e agora eu tinha atenção de dois guerreiros em mim. Subi os degraus da escada aos tropeços e xinguei quando vi que a porta estava trancada, quando me virei vi que era tarde demais.

Os dois guerreiros estavam no pé da escada me encurralando, eles não me olhavam diretamente, mas sim para a caixa em minha mão. Quando fui tentar pegar meu arco eles apontaram as lanças para mim. Olhei de relance para luta, Thalia era a que estava mais “livre” então não hesitei em gritar o nome dela .

– Thalia! – ela olhou para mim, vi a preocupação por de trás daqueles olhos azuis, ela achou que algo havia acontecido, mas então eu usei toda a força que tinha e joguei a caixa das medalhas para ela

Foi o suficiente, a distração que precisava, não distraiu só os guerreiros que estavam com as lanças apontadas para mim, mas todos os da sala, foi o suficiente para virarmos o jogo.

Thalia agarrou a caixa enquanto eu pegava o meu arco e preparava uma flecha. Quando os guerreiros olharam de volta para mim, tinha uma flecha apontada em direção a eles. Atirei uma das flechas e rolei por cima do corrimão, caí de costas, tinha uma altura de no máximo dois metros e a mochila amorteceu a queda.

Preparei outra flecha e acertei o outro guerreiro. Eles não eram tão fáceis de matar quanto os monstros que enfrentamos no ônibus.

– Clarisse! – ouvi Thalia gritar, e então a caixa cruzou a sala mais uma vez e a filha de Ares a pegou

Essa distração ajudou Annabeth a se recompor e a filha de Atena fez uma série de ataques que deixaram o monstro atordoado, aproveitei a deixa e acertei uma flecha na cabeça dele, antes de Annabeth o atravessar com a espada de bronze celestial. O guerreiro se dissolveu numa espécie de fumaça vermelha

– Annabeth! – Clarisse gritou e a caixa foi parar nas mãos da filha de Atena

Isso atraiu os dois guerreiros que eu tinha acertado, Annabeth correu margeando a sala e eu fui para o centro dela subindo em um dos balcões de exposição.

Atirava flecha em todas as direções, tentando atordoar os guerreiros, pois percebi que apenas com flechadas eles não morreriam.

– Clarisse! – Annabeth gritou e a caixa voltou para a filha de Ares

Atingi cinco flechas seguidas nas costas do guerreiro que lutava contra Nico, e o filho de Hades o liquidou, nem meio segundo depois Clarisse gritou o nome dele.

– Nico! – o garoto deu um salto e pegou a caixa no ar

Clarisse girou a lança dela nas mãos e acertou o guerreiro bem no coração, ele se dissipou também. Então ela correu até onde Annabeth estava, encurralada por dois guerreiros, Thalia e Nico lutavam contra o terceiro. E eu tentava ajudar com as minhas flechas, mas não sabia se estava sendo útil.

Um dos guerreiros acertou a base da lança na cabeça de Annabeth e a filha de Atena cambaleou, caindo no chão segurando a cabeça entre as mãos. Clarisse se prostrou na frente dela, formando uma espécie de escudo com o próprio corpo, eu acertei uma saraivada de flechas em um dos guerreiros atraindo a atenção dele para mim. Clarisse deu um grito de guerra e atravessou o outro guerreiro, então se virou para atender Annabeth que ainda estava no chão.

Thalia e Nico davam os últimos golpes no guerreiro e eu mirei bem no meio da testa do guerreiro que vinha na minha direção.

– Por Apolo. – sussurrei e soltei a flecha, que se instalou bem onde eu tinha mirado

O guerreiro se dissipou na fumaça vermelha, eu o tinha matado como uma oferenda ao deus que me abençoou.

– x—

– Olha! Vocês sobreviveram! – Andrew cumprimentou sorridente e estendeu a mão para a caixa que Thalia segurava

Annabeth esfregava a mão na cabeça e se segurava em mim para poder andar. A cada passo, Clarisse perguntava como ela estava se sentindo, o que fez Annabeth olhar desconfiada para ela, como se a filha de Ares estivesse zombando da cara dela, o rosto de Annabeth estava marcado com o sangue dela, devido ao corte na testa, ela estava zonza por causa da pancada na cabeça.

Nico cruzou os braços e lançou um olhar de desprezo para o Coronel, Thalia afastou a caixa do homem.

– Diga o que você sabe antes.

– Não é muita coisa. – ele deu de ombros

– Diga ou eu mesma lanço outra maldição em você. – Clarisse resmungou entre dentes e o homem se intimidou

– Está bem. Vocês apenas têm que continuar viajando na direção em que a profecia manda.

– É só isso que você sabe? – Nico bufou irritado

– Não! Calma! Deixem-me terminar...

– Estamos ouvindo. – murmurei

– Vocês receberão um chamado desesperado da Filha de Plutão. Devem seguir o que ela dizer, só assim vão concluir a missão. Vocês a partir de agora tem que deixar de lado qualquer insegurança ou medo, terão que ser os semideuses corajosos que foram treinados para ser. Catástrofes naturais começarão a afetar o mundo dos mortais, e continuarão assim até a missão de vocês estiver concluída.

– Você tem que falar de um jeito tão formal assim mesmo? – Clarisse resmungou, mas Andrew a ignorou

– Não posso dizer tudo o que sei, cada coisa tem seu tempo, mas alerto que a parte mais difícil estar por vir.

Thalia estendeu as medalhas para ele, achando que o homem não tinha mais nada a responder.

– Antes de partir para meu descanso, tenho uns conselhos a dizer. — ele olhou pana Annabeth que estremeceu em meus braços – Não deixe as decepções te abalarem, filha da Sabedoria.

– O que você quer...- Annabeth começou mas foi cortada pelo homem

– Filha de Ares, não deixe a arrogância te cegar. Herdeiro do submundo, não deixe o medo de perder alguém especial te enfraquecer. E Rachel e Thalia... – ambas percebemos que fomos as únicas que ele chamou pelo nome — Não se esqueçam que o amor pode ser a grande solução.

– Coronel Andrews, espere! – Thalia gritou, mas o homem já havia colocados as medalhas na farda e desaparecido

Todos nós nos encaramos atordoados, eu olhava fixamente para Thalia, e ela fazia o mesmo.

– Esse cara não podia ter sido mais claro? – Clarisse resmungou

– Vamos embora. – Thalia disse – Já perdemos tempo demais nessa cidade.

Mas antes que pudéssemos dobrar qualquer esquina, uma luz vermelha cruzou o céu. Olhamos para a praça e a luz decapitou a cabeça da estátua de Zeus. A estátua mudou de forma, e quem estava no seu lugar era uma estátua de Ares. O símbolo no pedestal mudou de um raio para duas lanças.

– Seu pai guarda muito rancor. – Annabeth murmurou para Clarisse, que estava olhando a cena de olhos arregalados

Os mortais ao redor da praça passeavam, como se nada tivesse acontecido, como se a estátua do deus da guerra sempre estivesse ali.

– Acho melhor irmos antes que outra coisa aconteça nessa cidade maluca. – disse e todos concordaram

– Como vamos sair daqui? Querem que eu chame Sra.O’Leary? – Nico perguntou

– Não é necessário. – Clarisse disse

A filha de Ares correu em direção a um carro, um rapaz mortal tinha acabado de estacioná-lo. Era um carro esporte preto, mas não sabia dizer o modelo.

– Precisamos do seu carro emprestado para salvar o mundo, quando tudo isso acabar, peça reembolso para o Olimpo. – Clarisse disse e o jovem a olhou como se ela fosse doida

Então ela acertou um tapa num ponto do pescoço do rapaz que desabou nos braços dela. Clarisse arrastou o rapaz para um banco e o colocou deitado como se estivesse dormindo, nós quatro observávamos a cena horrorizados.

– Estão esperando o que? Andem! – ela se dirigiu a nós e nos apressamos

Annabeth se soltou de mim, mas fiquei ao lado dela caso ela se sentisse mal novamente. Clarisse assumiu o lugar do motorista, e Thalia se sentou no lugar do passageiro. Abri uma das portas traseiras e Annabeth entrou, ficando no meio pois Nico se sentou do outro lado.

O filho de Hades abriu a mochila enquanto Clarisse arrancava com o carro.

– Você sabe dirigir isso? – perguntei e Clarisse deu de ombros

– Não deve ser tão difícil.

Nico passou um cantil com néctar para Annabeth e alguns pedaços de ambrósia, a filha de Atena aceitou sem protestar e pareceu melhorar enquanto ingeria. Thalia lançava o último olhar para a cidade maluca que estava ficando para trás.

– Estou preocupado com Hazel, o Coronel disse que ela entraria em contato conosco... – Nico deixou a frase morrer

Todos nós estávamos preocupados, mas todos guardavam isso para si. Thalia analisava o mapa e ela e Annbeth marcaram as nossas próximas paradas.

Depois de meia hora viajando, vez ou outra eu e os outros passageiros éramos jogados para o lado por causa das curvas perigosas que Clarisse realizava e pelas aceleradas inesperadas que o carro dava. Todos estavam detraídos, perdidos em pensamentos e preocupações, até que o silêncio foi quebrado por um grito.

– Clarisse! – Thalia gritou

Já tinha perdido as contas de quantas vezes eu tinha ouvido aquele nome sendo gritado só hoje.

A filha de Ares perdeu o controle do carro e entrou na contra mão, para desviar de um cervo que havia invadido a rodovia. O carro seguiu por alguns metros na contramão.

– Para esse carro! – Annabeth gritou, enquanto eu sentia meu coração se acelerar pela situação inesperada

Clarisse jogou o carro no acostamento, mas continuou acelerando e andamos na grama, parando somente quando pisou no freio, antes de batermos em algumas árvores.

– Você quer nos matar?! – Nico gritou

– Não fala nesse tom comigo Di Ange...

– Parem de gritar um com o outro! – Thalia se exaltou

– Não se mete Thalia! — Nico rosnou

– Parem! – pedi me irritando com aquilo também

– Pelos deuses dá para vocês calarem a boca! – Annabeth se debateu entre mim e Nico e colocou a mão na boca do garoto antes eu ele protestassem – Obrigada. – murmurou quando conseguiu atrair a atenção de todos nós – Clarisse, desse do carro, eu vou dirigir.

Abri a porta de trás para Annabeth poder sair.

– Não, eu peguei o carro, eu dirijo...

– Não discuta comigo! Saia desse carro agora e me deixe dirigir antes que você consiga nos matar num acidente de carro!

Annabeth gritou, a filha de Atena parecia realmente irritada, Clarisse nem discutiu e desceu do carro, entrei de volta ficando no meio e Clarisse na ponta.

Annabeth assumiu o controle enquanto murmurava coisas para si mesma, para se acalmar. Eu e Thalia nos entre olhamos e ninguém disse mais nada para não irritar mais ainda a filha de Atena.

Notas finais
Ps: a cidade e o Coronel citados não existem de verdade, até onde eu sei. Se realmente existiu um Coronel Andrews White é apenas coincidência. E em relação a força vital dos monstros estarem ligados a franquias... a Annabeth fala isso em Mar de Monstros para o Percy. Comentários?