The Prophecy

20 Capítulo 20


Notas iniciais
Iria postar amanhã, mas acho que muitos vão estar envolvidos com o natal (o que não é o meu caso) então resolvi postar hoje.



– Os zumbis não estão ajudando muito. – a garota ao meu lado murmurou e vi dois zumbis desaparecendo ao mesmo tempo

– Eles não são para matar, e sim para distrair. – Will murmurou – Veja, o bastão ainda está trazendo zumbis.

– Onde está Hades? – perguntei, daquela distância era impossível encontrar a biga ali

– Não parem de atirar as flechas! – Will gritou ignorando a minha pergunta

– Monstros no perímetro dos filhos de Atena! – uma garota romana gritou e os arqueiros da amurada do lado direito se prepararam

– Fica difícil se concentrar com aquela escada ali atrás, um monstro poderia subir e nem veríamos, pois estamos de costas. – a menina ao meu lado murmurou e Will mandou um arqueiro para ficar ali de guarda

Era difícil mirar em um monstro, corria o risco de acertar um semideus, eu tinha a impressão que as flechas não estavam matando direto, somente se acertasse a cabeça e o coração.

– Estão mais difíceis de morrer. – um arqueiro observou

Então um grito superou o barulho de batalha, um grito estridente vindo do primeiro corredor. Aquilo fez a maioria dos semideuses pararem.

– Devemos ir para o outro prédio dar cobertura para eles? – a menina perguntou para Will que negou, o filho de Apolo se debruçou sobre a amurada e gritou algumas ordens

– Clarisse! – ele gritou e a filha de Ares acabou com o monstro que estava lutando – Monte um grupo com seus irmãos e com semideuses da quarta rua, mande-os para a primeira rua. Agora!

Ela assentiu, mas não sei se ela conseguiu entender aquilo devido ao alto barulho da batalha. Um garoto subiu as escadas e passou pela gente com uma tocha com uma chama verde. Fogo grego.

– Você está doido? – gritei para Will que ascendia algumas flechas com aquela chama – Podemos acertar alguém!

– Flechas de longo alcance explosivas, a única coisa que vai acertar vai ser aqueles mosntros idiotas. – a semiduesa romana ao meu lado murmurou, também ascendendo algumas flechas

– Se livra disso – Will ordenou ao garoto da tocha – Não queremos nenhuma explosão aqui perto.

Ele e a garota subiram na amurada para ter uma visão mais ampla, e atiraram as flechas na direção onde estava uma massa de monstros. As flechas acertaram dois monstros e explodiram os que estavam ao redor. A garota riu do próprio feito.

– Eu disse que daria certo. – Will concordou

Preferi ficar com as minhas flechas normais.

– Ele trouxe o Tártaro inteiro com ele é? – a menina perguntou

– Ele é o Tártaro. – Will respondeu – Por isso os monstros estão mais fortes, o Tártaro é aonde eles se regeneram.

– Então se matarmos o Tártaro os monstros voltam a morrer normalmente? – a garota questionou

– É possível matar o Tártaro? – Will murmurou – Ele não morre, é banido por um tempo.

– E quem vai banir ele? – a menina rebateu, Will olhou pelo canto do olho para mim

Era difícil me concentrar na conversa enquanto tinha que atirar flechas, a mira não fica cem por cento. Fora os gritos agonizantes de semideuses que eram feridos.

– O que acha Rachel? – Will perguntou – Quem deve banir ele?

Pensei naquilo enquanto me concentrava no meu trabalho.

Primeiro tivemos a missão, então associei a primeira profecia a ela. Fomos para o oeste e derrotamos Gaia, missão cumprida.

E a segunda profecia? Dizia que nem as duas raças semideusas iriam deter os inimigos, só o amor venceria, a partir da minha decisão, se eu decidisse errado, iríamos perder.

Segundo Thanatos, a decisão era trazer Thalia de volta, ou deixa-la morrer. Eu decidi trazer Thalia de volta.

A única coisa que passou pela minha mente foi que Thalia era a escolhida para derrotar o Tártaro. Mas por que Aaron resolveu me atormentar na Base? Por que sabia que me ferindo ele estaria ferindo Thalia também?

Era isso. A única que podia derrotá-lo era Thalia.

Mas quando ia responder aquilo, vi alguém acenando para nós lá embaixo, uma loira, Annabeth. Ela apontou para o prédio ao nosso lado, Will assentiu relutante.

– Rachel, Mia, vocês vem comigo. – ele disse para mim e para menina ao meu lado, depois fez sinal para mais dois garotos nos acompanharem – Fiquem todos juntos.

Nós cinco descemos as escadas ali, havia menos semideuses do que na hora que cheguei, eles lutavam, impedindo que os monstros passassem ali. A maioria eram filhos de Ares do Acampamento, e mais alguns outros semideuses romanos que não conhecia, evitei olhar para o rosto dos que estavam no chão, aquelas imagens nunca sairiam da minha cabeça.

Will nos liderou até o outro prédio, o que ficava a direita do nosso posto anterior.

– Por que nos mandaram aqui? – um dos garotos perguntou enquanto subíamos as escadas

– As coisas no primeiro corredor ficaram complicadas. – Will respondeu

Subimos ali e corremos para a amurada da direita. Arquejei quando vi, a luta ali estava avançada, os semideuses suportavam o máximo possível criando uma barreira para os monstros não passarem. Mas na rua haviam alguns corpos, tentei não ver o rosto dos que foram vencidos, havia tanto gregos quanto romanos. Piper usava o Charme para incentivar a tropa a continuar.

Então algo chamou a minha atenção. Na frente do prédio estava a biga de Hades, o deus junto com seus filhos produziam ataques que retiravam a vida dos monstros, assim a quantidade que infiltrava em nosso campo de batalha era reduzida.

– Hades deve estar passando a força deles para os dois, se não Nico e Hazel já teriam desmaiado. – Will murmurou, seu tom mostrou sua insatisfação e preocupação

Mas o plano deles não impedia que monstros entrassem na primeira rua, que era onde a batalha estava pior. Os arqueiros ao meu lado começaram a mirar nos monstros para ajudar os semideuses lá embaixo.

Mas eu olhava algo além disso. Depois da rua, o muro que antes cercava o Acampamento fora destruído, o local que havia depois do muro, o que deduzir ser um celeiro onde abrigavam os pégasus estava em ruínas.

Sobre essas ruínas estavam Percy, Reyna e Thalia. Jason havia largado seu posto e lutava na primeira rua. Na frente dos três semideuses, entre alguns monstros estava ele. Aaron.

A raiva tomou conta de mim, puxei uma flecha e mirei na cabeça dele. Não sabia se aquilo daria certo, se era capaz de expulsar o Tártaro com aquilo, mas era uma opção. Respirei fundo e soltei a flecha, ela atravessou a primeira rua de forma diagonal e foi na direção dele, até hoje só matei monstros, e a morte dele não seria algo da qual me arrependeria.

Mas quando a flecha ia acertá-lo ela parou, como se houvesse acertado uma barreira. A flecha se despedaçou e caiu os pés dele. Encarei aquilo boquiaberta, como era possível?

Aaron olhou na minha direção e sorriu. Tive certeza que teria pesadelos com aquele sorriso pelo resto da minha vida. A dor no abdômen queimou a minha pele, meu corpo dobrou para frente de dor e soltei o arco no chão.

Mas aquilo foi o suficiente para os semideuses agirem. Um trovão cortou o céu e quase fui cega pela claridade ali. Um raio descarregou energia na direção do Tártaro e dos monstros que o protegiam.

Quando a claridade cessou, Reyna foi a primeira a atacar, a romana estava ferida nos braços, mas mesmo assim lutava muito bem. Percy atacou em seguida, ele parecia mais cansado que a filha de Belona. Os dois foram em direção dos monstros.

Thalia estava ainda pior, estava sem as munhequeiras da armadura, ela não encostava um dos pés no chão, como se estivesse machucado. Sangue escorria de um corte em sua testa e ela parecia estar fazendo esforço demais.

Desde que essa luta começou eles estavam lutando conta o Tártaro, três semideuses contra o filho do Caos. Thalia não atacou, como eu esperava, mas sim Aaron foi em direção a ela, empunhando uma espada.

Thalia ergueu o escudo e se defendeu, o barulho daquele baque ecoou no Acampamento. A dor no meu abdômen suavizou e consegui pegar meu arco de novo, a quantidade de monstros na primeira rua estava diminuindo e os semideuses estavam mais animados. Fiquei observando a luta entre Thalia e Aaron enquanto atirava flechas nos monstros.

Reyna derrotou o monstro com quem ela estava lutando, ela foi em direção da luta de Thalia e Aaron, mas ao seu aproximar ela colocou as mãos no ar, como se tivesse tocando uma parede invisível. Thalia gesticulou para ela em direção da primeira rua e Reyna correu até ali para ajudar.

Entendi o que estava acontecendo, somente Thalia conseguia se aproximar de Aaron, mas não entendi o motivo.

Deixei o meu posto na lateral direita do prédio e corri para a ponta da amurada, para observar melhor a luta, mas mesmo assim continuei com as flechas, aquilo fazia a diferença.

Quando me concentrei demais no arco ouvi um grito, reconheceria aquele grito em qualquer lugar do mundo. Olhei em direção da luta e Thalia estava caída de joelhos, apertando a barriga, mais ou menos na mesma região onde a minha cicatriz queimava.

A boca de Aaron se moveu, como se contasse algo para sua adversária, enquanto Thalia estava de cabeça baixa ele ergueu a espada, o desespero tomou conta de mim.

– Thalia cuidado! – gritei esperando que meu grito ultrapassasse o barulho da batalha

Mas a filha de Zeus me ouviu, e ergueu a cabeça quando Aaron foi dar o golpe final. Ela ergueu o escudo aparando o golpe dele e ao mesmo tempo ergueu a espada fincando ela na altura do peito dele.

Ela mexeu a boca dizendo algo enquanto ele a encarava fixamente, mesmo morrendo ele não perdia aquele olhar sádico. Então aquele brilho voltou, e me cegou, minha visão ficou turva, senti o vento contra o meu corpo, mas não conseguia mais ver e ouvir nada. Tombei para trás, batendo a cabeça no chão, a última coisa que vi foi Will Solace correndo na minha direção, gritando algo que não consegui ouvir. Seu cabelo era agitado pelo vento, e as coisas ao meu redor foram ficando cada vez mais claras, como se tivessem aproximado o sol da terra.

Então eu apaguei, enquanto a maioria das pessoas ali eram praticamente cegadas pela claridade.

– x-

Dor. Ela nunca foi tão intensa.

Aquela queimação me torturava, enquanto a minha mente pesava e me mantinha inconsciente. Tentava me mexer, lutar contra aquela força que me deixou dormindo.

Quando finalmente venci aquilo e acordei, me encontrei em um lugar mais escuro ainda. Aquilo me apavorou, tínhamos perdido? Minha respiração estava ofegante e isso atraiu a atenção de alguém, senti uma movimentação ao meu lado e me preparei para atacar.

Quando a pessoa se aproximou o suficiente eu acertei um soco de direita no intruso o segurei pelos cabelos.

– Ai. Rachel, sou eu! – a pessoa reclamou, era uma garota, Thalia

A soltei, mas ela continuou próxima a mim, naquela escuridão nem conseguia vê-la.

– Você tem um bom soco de direita, hein. – ela resmungou, mas notei o tom divertido em sua voz

– Onde estamos? – sussurrei

– No Acampamento. – ela respondeu – Está no quarto em que dormimos noite passada, você desmaiou, mas não estava ferida então não deixaram você ficar na enfermaria, existem outros numa situação pior.

– O que aconteceu? Por que está tudo escuro?

Na noite anterior me lembrava da sacada ali, ela iluminava o quarto, por que agora estávamos assim?

– Fechei a sacada com a cortina, estava entrando vento, você estava ficando muito gelada e me preocupei. Já está de noite, na luta eu exagerei no golpe final e a energia se dissipou, sobrecarreguei a rede de energia e causei um estrago enorme nas fiações. Os filhos de Hefesto estão tentando arrumar, a luz vem e apaga de uma hora para outra.

Ela explicou enquanto eu tentava acompanhar, forcei meu corpo a se erguer e ele protestou de dor, mas consegui me sentar.

– Foi assustador acordar nessa escuridão, por um segundo achei que tínhamos perdido. – murmurei

– Não sei bem se foi uma vitória, tivemos muitas baixas. – ela sussurrou, senti a culpa na voz dela

– Você disse golpe final, foi antes de eu apagar? – perguntei

– Não sei. Ouvi o seu grito me chamando e aquilo me trouxe de volta para a batalha, eu já tinha tentado de tudo e ele não se cansava, eu estava exausta, os outros também, eu tinha desistido. Mas você me chamou e aquilo me deu forças. Aaron não morreu na hora, o Tártaro tentava cura-lo, então tive que forçá-lo a voltar para o mundo inferior, nunca pensei que conseguiria, mas de alguma forma, sabia o que fazer.

Não respondi, ouvi seu suspiro e ela continuou:

– Ele foi mandado de volta para as profundezas, com o líder derrotado, os monstros enfraqueceram, não matamos todos, alguns perceberam a perda e fugiram, não mandamos ninguém atrás deles. Eu fui até o primeiro prédio no que a quantidade de monstros diminuiu. Will me explicou o que aconteceu e pedi para um outro filho de Apolo me ajudar a te trazer para cá, estou com o pé machucado e não aguentava nós duas. Você passou o dia todo apagada, se você não retornasse até amanhã de manhã entraria no quadro de coma.

Eu dormi um dia inteiro. Após a batalha, quando mais precisavam de ajuda, para socorrer as pessoas eu estava dormindo. Senti raiva de mim mesma, não fui de grande utilidade somente com o arco, fora que fiquei mais preocupada com Thalia do que com a batalha em si, naquela hora eu esqueci tudo que ela havia feito.

Antes que pudesse dizer alguma coisa, ouvimos um barulho na porta, uma semideusa empunhando uma tocha a abriu.

– A energia vai ser estabilizada em cinco minutos. – Reyna disse seca e se retirou fechando a porta, sem ao menos perguntar se estava tudo bem conosco

Não a culpava, ela se responsabilizava pela morte de suas tropas.

Senti a mão de Thalia em meu rosto, e em seguida seus lábios roçando os meus. Suspirei com aquele beijo, mas não conseguia retribuir. Ela tentou aprofundar o beijo, deslizando a língua pelo meu lábio inferior, antes que eu pudesse empurrá-la, ela mesma quebrou o beijo.

– Você não está se entregando, e nem retribuindo. – ela murmurou

– Thalia... É só coisa demais na minha mente agora e...

– Eu sei Rachel. Eu sei. – ela me cortou – Você não me ama mais.

Ela disse essa última frase, a dor em sua voz me destruiu.

– Você sabe tudo sobre mim agora, sabe o que eu fiz, e sabe da minha conversa com Thanatos. E agora você me odeia, mas pode apostar que seu ódio não chega aos pés do ódio que tenho por mim.

Não respondi aquilo, não queria discutir, era a última coisa que eu queria.

– Quem mais sabe o que você fez? – perguntei e ela soltou uma risada rouca

– É com isso que se preocupa. Meu irmão, Piper, Nico, Quirón. Annabeth e Reyna desconfiam de algo.

– Você vai contar para os outros. Eles merecem saber.

– O que? – ela rebateu, o tom de indignação era visível

– Amanhã de manhã. Você vai marcar uma audiência com os líderes e vai contar a verdade. – falei

Nisso a luz do quarto piscou, iluminando o local, Thalia estava a minha frente, ela negava com a cabeça, mas ela não tinha outra opção.

– Eles não vão te culpar, vão te perdoar. – garanti e ela abriu um sorriso irônico

– Não ligo a mínima para que os outros vão achar! O que importa é você, Rachel, você vai me perdoar?

Não respondi, levantei da cama, lutando contra os protestos do meu corpo.

– Vou ver se precisam de ajuda com os feridos. – murmurei

Caminhei até a porta, e quando fui fechá-la Thalia estava com as mãos sobre os olhos. Já no corredor, ouvi um soluço vindo de nosso quarto.

Lutei contra a vontade de voltar ali, se continuasse conversando com ela provavelmente iríamos brigar ainda mais.

Fui para a enfermaria com a frase dela ecoando na minha mente:

“O que importa é você, Rachel, você vai me perdoar?’’

Eu a perdoaria pelo que ela fez? Por trair a minha confiança, por sempre me subestimar e por ter exposto todos nós a um perigo extremo?

Agora oura frase veio, juntamente com as minhas lágrimas:

“Você não me ama mais.”

Aquilo era verdade?

Notas finais
Ah como eu amo um drama.