The Price

2 Prólogo - Parte 2


Notas iniciais
Hey people! Agora vocês vão conhecer Zakk Glover, o outro lado da história... Creio que vão gostar dele bem mais do que gostaram da Anna, kkk
Espero que gostem e nos vemos lá embaixo!

O som da guitarra beijava meus ouvidos. Um solo agudo e intenso, como se as cordas fossem se romper a qualquer instante. Eu estava chapado, de maneira que nenhuma droga no mundo poderia me deixar. Era o tipo de coisa que só quem sente e não apenas quem escuta a música é capaz de explicar. Mas não com palavras, e por isso meus dedos corriam velozes sobre as cordas.

Eu não sabia nem mais o que eu estava tocando. Minhas mãos se moviam mecanicamente ao redor da minha Flying V angelical, batizada Dama. Eu finalmente havia sido saído do meu estado de torpor e agora tentava me situar no tempo e espaço. Havia pessoas olhando para mim. Eram dois homens, um estava sentado atrás de uma bateria, enquanto o outro segurava calmamente um baixo. Eu ainda tocava, tentando voltar a melodia correta, quando um deles falou:

– Acabou, Zakk? – Peter era baixista, e amigo meu há um bom tempo. Sua cara era de tédio.

– Não fiz por mal. – Me desculpei. Aquilo estava acontecendo muito frequentemente. No meio da música eu viajava, alterando completamente a melodia, e excluindo meus companheiros da música, ao inventar novos passos na hora. Eu fazia isso sem pensar.

– Como estaremos prontos para tocar em Wacken ano que vem desse jeito? – Perguntou Phillip, o baterista. — Se você arromba com todos os ensaios?

S.O.S era o nome da nossa pequena banda. Uma sigla que significava socorro, mas que em nosso caso queria dizer Save Our Souls (Salvem Nossas Almas), e que é o nome de uma música do Stratovarius, Salvem nossas almas. Realmente era algo que eu estava precisando.

– Ah, parem de reclamar, vamos continuar. – Disse para eles. – Vamos continuar.

– Se você continuar desse jeito vai acabar tocando por engano a playlist completa da Miley Cyrus, e nem se dará conta disso.

– Deus me livre. – Falei brincando, querendo retomar o ensaio. – Onde estávamos mesmo?

– Em Rock Bitch, até você viajar completamente.

– Ah, desculpe. Continuando…

Fiz grande esforço para não sair do ar mais nenhuma vez até o fim do ensaio. Não estaremos em Wacken ano que vem, nem no próximo, nem no próximo do próximo. Reconheci. A S.O.S era uma banda nova, e fraca. Eu era um guitarrista espetacular, mas tinha o problema do individualismo, embora não fosse intencional. Phillip e Peter eram apenas músicos bem comuns, que estavam na S.O.S, mas que não possuíam habilidades suficientes para formar uma banda de alto nível. E precisamos de um bom vocalista. Eu cantava, mas não era minha especialidade, ao contrário das guitarras.

Eles foram embora, tinham faculdade. Eu não. Decidira viver da música, afinal eu não tinha o dom para o estudo. Mas eu jogava alto. Se não ficasse famoso, ou rico, quebraria minha cara em um futuro não muito distante. Mas eu prometi a mim mesmo que ainda alcançaria o sucesso.

Tudo ficou mais difícil depois que meu pai se foi, e nossa situação financeira levou um tombo. Meu irmão mais velho, Emmet, era o homem perfeito. Inteligente, bonito e galanteador, havia passado na Universidade de Harvard e fora estudar medicina. Eu tinha a sensação que era apenas uma âncora para minha mãe. Mas ela nunca gostou nunca de mim mesmo. Depois do meu irmão mais velho eu sempre só fui uma decepção. Eu era apenas o menino que com cinco anos tocava guitarra. Nunca fui muito mais que isso.

E hoje, aos olhos da sociedade eu era apenas um rapaz de 21 anos revoltado, com visual diferente e que não dava a mínima para limites e regras. Talvez eles estejam certos. Fechei nosso “estúdio”, que mais parecia um galpão velho, por que na verdade era isso mesmo. Eles não estão preparados para ser uma banda de rock de verdade, talvez eu devesse sair da S.O.S.

Andei de volta para casa, com Dama nas costas. Não era muito longe e cheguei sem muita dificuldade a meu destino. A casa era relativamente pequena. Minha mãe havia vendido nossa casa anterior e comprara essa, para juntar um pouco de caixa, que também já havia desaparecido com o passar dos anos.

Entrei e fui direto para meu quarto. Coloquei Dama no lugar dela, onde minhas duas outras guitarras, Randy Rhoads ambas descansavam intocadas. Donzela e Puta eram os nomes. Minhas três garotas, pensei sorrindo. Abri uma garrafa de whisky e dei um gole, olhando depois para uma foto presa na parede do quarto. Uma foto pequena, que mal era visível no meio de pôsteres de bandas como Iron Maiden e Twisted Siser.

Na foto eu estou usando Donzela, minha primeira guitarra, a Randy Rhoads branca, e tinha acabado de vencer uma competição de música a escola. Na final acabei pegando a favorita, Anna Stark, que também aparecia na foto. Uma linda garotinha, apenas um ano mais nova que eu, mas que possuía uma voz… Que quando eu escutei pela primeira vez, em uma música de verdade, me deixou, como posso dizer… Embasbacado.

Mesmo assim, venci. E Anna cantou melhor que eu na final. E disseram que minha vitória foi apenas porque eu era guitarrista. E a competição infantil não terminou da maneira pacifica que deveria. E Anna não ficou bem comigo desde então. Ela sabia cantar, mas não sabia perder ao que parecia, ao menos não para um roqueiro revoltado de 14 anos.

Eu e Anna nunca nos relacionamos muito bem desde então, nem mesmo quando ela começou a namorar Emmet. Eu pensava mais do que devia nela. Cara, ela é apenas uma garota que canta pop, e que te odeia. Na prática não era tão fácil.

Peguei Puta, a Randy Rhoads preta. Possuía uma afeição especial por aquela guitarra. Era minha guitarra rebelde. Havia diversas frases estampadas nelas, como I’m a Animal e Fuck the World, no cabo e na lateral. Parecia que a pintura preta estava descascada, o que era um efeito muito bonito. Conferi a afinação de Puta e comecei a tocar uma música. Meu objetivo era tocar uma música do Metallica, mas quando dei fé, já estava em S.O.S do Stratovarius.

Eu tinha que focar me alguma coisa. Estava perdendo tempo de mais, e a vida passava diante dos meus olhos. E eu era um rapaz bonito. Não tão bonito como Emmet, mas bonito de meu jeito próprio. Você está perdendo a grande fase da sua vida, sua grande chance de despontar. Mas o rock era um estilo decadente, que vivia de ídolos do passado. As novas bandas não eram valorizadas como deveriam.

Senti a dor na mão, e vi o sangue escorrendo dos dedos. Os pontos abriram de novo. Tirei a mão de Puta e a guardei no lugar dela.

– Zakk, você está ai? – Era a voz de minha mãe.

– Estou. – Disse, enquanto pegava um pano meio sujo e limpava os dedos. – Já desço mãe, um minuto.

Joguei o pano longe, e desci, antes que minha mãe invadisse meu quarto, que mais parecia um chiqueiro.

– Zakk, temos que ter uma conversa séria. – Ela fez uma pausa. Não respondi nada. — Você não trabalha, não estuda, não vai para frente. Só fica com essa sua bandinha vagabunda que não vai para lugar nenhum.

Aquela velha conversa, que eu odiava.

– Mãe, eu estou tentando.

– Tentar não é suficiente. Estamos com cada vez menos dinheiro, e você sabe que meu trabalho não vai nos sustentar. Seu irmão está nos ajudando, mas não é obrigação dele. Quero que você arrume um emprego.

– Mãe, eu já lhe disse, vou ganhar dinheiro com música.

– Então se inscreva na droga do reality show.

– Mãe, não é meu estilo. Nesses realitys eles buscam rostinhos bonitos a espera de serem ídolos. Eu sou do rock, eu quero fazer meu próprio sucesso, com minha banda.

Ela olhou para mim irritada.

– Não me interessa. Se quiser continuar com música, esqueça isso de sou do rock e comece a fazer algo para ganhar dinheiro. Se inscreva no reality, você canta muito bem, eu mesma já vi…

– …mas toco muito melhor que canto, e gosto mais também.

– E dai? Você pode tocar e cantar.

– Músicas do One Direction, mãe? Músicas de Justin Bieber? – Olhei para ela, ela não entendia. Rock não é um estilo musical, é um estilo de vida. — Pelo amor de Deus. Quer saber, esqueça isso de reality show. Eu não fui feito para ser esse tipo de ídolo. Se chegar a ser famoso e rico, vai ser por meu próprio esforço e talento, não por um programinha de mídia.

– E se não conseguir, Zakk?

– Eu prefiro não pensar sobre isso. – Digo, virando as costas e voltando para meu quarto.

Estava estressado. Minha mãe ficava me cobrando dinheiro o tempo todo. Será que ela não via que eu estava fazendo tudo que era possível? Só que eu não dependia só de mim. Não era todo dia que aparecia um show para fazer, e quando aparecia, não era sempre que o cachê era bom. Se eu fosse para o ramo do pop… Não, não queria fazer isso. Seria um atentado a meus princípios.

Toquei por muito tempo, então, como fazia sempre que estava estressado e quando percebi, Donzela já era uma guitarra rubra, de meu próprio sangue.

– Merda.

Peguei uma flanela e limpei com cuidado a Randy Rhoad, até deixa-la impecável novamente. Tenho que dar um jeito nesses dedos. A brincadeira de um “amigo” meu já me rendia problemas a quase um mês. Quem já se viu passar cerol nas cordas de uma guitarra e mandar a pessoa tocar? Mas não fazia mal, era vivendo e aprendendo. De agora em diante eu só usaria minhas próprias guitarras.

Era tarde quando eu acabei. Desliguei a luz e me deitei, esperando dormir. O sono não chegou com facilidade, embora eu estivesse cansado. Precisei de um bom tempo para desligar todos os pensamentos e preocupação de minha mente. E então, finalmente os pesadelos vieram.

Notas finais
E aí, o que acharam do nosso roqueirinho? Divo ele, né? kkk
Deixem reviews dizendo o que acharam, ok? Beijos!