The Price
3 Misery
Notas iniciais
Desculpem a demora imensa em postar, mas é que eu estou sem internet e o Endy não tem esse capítulo. Enfim, espero que gostem, foi feito com muito carinho.
Seria legal se vocês lessem o capítulo ouvindo a música Misery - Maroon 5. Meio que combina com o que a Anna está sentindo, e talz.
Espero que gostem e nos vemos lá embaixo!
Estava saindo da faculdade. Eu fazia Música, e geralmente adorava, só que naquele dia eu mal havia conseguido prestar atenção. Duas coisas ficavam martelando na minha cabeça: o fato de que eu estava sem banda e o fato de que eu estava sem dupla para o The Song. Eu havia mandado alguns e-mails, mas pelo que parecia ninguém se achava bom o suficiente para tocar comigo. Em outras palavras: eu era tão insuportável que ninguém me aguentava nem no tempo do ensaio.
Fui andando distraída na direção do meu carro. No caminho, vi uma pessoa conhecida, mas ele provavelmente não estava ali para falar comigo. Nós não tínhamos nada para conversar, ele era Zakk Glover, o metaleiro idiota que conseguiu me vencer num concurso de música na escola quando eu estava no oitavo ano e ele no nono. Foi o único concurso que eu perdi.
— Hey. Anna. — o ouvi me chamar. Provavelmente só para me cumprimentar, mesmo.
— Hm, Zakk. Oi.
— Quero falar com você… — ele diz, inseguro — Se importa?
Ok, aquela me pegou de surpresa.
— Comigo? — apontei para mim mesma, olhando para os lados e percebendo que não tinha ninguém por perto para ele estar falando com outra pessoa — Ahn… ok.
Fui na direção do meu carro, entrei e abri a porta do carona.
— Entra — mandei, e ele me obedeceu — E então, o que quer?
- Nossa, direta. — Ele diz. — Como vai sua banda?
Era óbvio que eu não ia contar que fui expulsa. Não a ele.
- Bem… nós tivemos um desentendimento — dei de ombros — Decidi seguir carreira solo.
- Falei com Emmet. — Emmet era meu ex-namorado e irmão de Zakk. Apesar de termos terminado, continuamos muito amigos — Ele me disse que você precisava de uma dupla para o The Song?
- Oh, ele te contou? — perguntei, meio frustrada — Pois é, preciso mesmo de uma dupla. Conhece alguém?
Zakk me olha como se eu fosse idiota antes de responder.
- Não se faça de ingênua, garota. Você sabe por que eu estou aqui agora.
Demorou um pouquinho pra cair a ficha.
- Ahn, sei? Espere aí... você quer tocar comigo? Você? Comigo?
- Por que o espanto? — ele perguntou — Pelo que me lembro vcê não era tão abaixo assim de mim, para que não pudéssemos formar uma dupla.
Ele adorava esfregar isso na minha cara, um dos motivos para eu odiá-lo.
Faço uma careta.
- Não… não é isso. Mas eu acho que você sabe que eu não sou nenhuma roqueira.
- Não importa. — ele retrucou — Minha mãe disse que se eu não entrar nesse maldito reality, não poderei mais viver da música.
Parei pra pensar por um momento. Mesmo que fosse difícil admitir, ele tocava guitarra como ninguém e cantava legalzinho, até. E ninguém mais queria fazer dupla comigo…
- Eu me recuso a tocar rock, quero deixar isso bem claro. — antes de aceitar, avisei.
- Já a vi cantando Don't Stop Believe uma vez. — ele retrucou. Me lembrei do dia. De fato, foi a única música de rock que eu já cantei. Mesmo assim, não significava que eu fosse fazer de novo. Revirei os olhos.
- Numa época de revoltada. Hoje em dia eu só toco pop, que é a minha paixão.
- Você sabe que eu não gosto de pop.
Suspirei. Aquela história de dupla não ia dar nada certo.
- Você é um cara talentoso. Não sei por que quer tocar justamente comigo.
Ele sorri com meu comentário, que inclusive foi muito difícil de fazer.
— Você tem um ótimo timbre. Um timbre perfeito para o rock.
Eu sabia que ele não ia desistir tão fácil, por isso sorrio.
- Não adianta, Zakk. Eu não vou cantar rock.
- Mas vai cantar comigo assim mesmo.
Mas que menino insistente!
- Você pode arranjar uma boa cantora de rock, mas saiba que eu não posso fazer isso por você. — insisti mais um pouco — Eu não gosto de rock.
- SOS precisa de uma cantora... Mas eu não estou te chamando para SOS. Não precisamos cantar... só rock.
Eu vi como foi difícil pra ele dizer isso, por isso sorri, mordendo o lábio inferior.
— Se rendendo ao pop, metaleiro? — pergunto.
— Diria que estou me rendendo a sua voz, não ao pop. — quando ele disse isso, confesso que meu coração tremeu um pouco. Eu adorava quando elogiavam a minha voz.
— Tudo bem. Eu aceito formar dupla com você.
— Então superamos aquela fase?
Eu sabia a que fase ele se referia. Se referia à época em que ele ganhou de mim no concurso.
- Zakk querido — eu disse, olhando nos olhos dele — Eu nunca, nunca vou superar aquela fase.
- Eu até batizei a guitarra de Donzela em homenagem a você. — Disse pidão e provocador.
Com essa eu tive que rir.
- Nossa, Zakk. Isso foi realmente encantador. — disse irônica.
- Você cantou melhor que eu. Esqueça isso. — Ele disse relaxado.
- Pra você é fácil falar — disse teimosa — Eu demorei séculos para achar uma banda depois daquilo, sabia? Todo mundo só queria você.
O pior é que foi verdade. Até eu achar a Asleep Society, todo mundo estava numa onda de “queremos-o-Zakk-não-a-perdedora”, e eu não encontrei ninguém que estivesse interessado na minha voz.
- Me queriam na guitarra... — Falou, como que tentando se explicar.
Eu odiava tanto tocar naquele assunto… por isso suspirei pesado, os olhos fixos no retrovisor, sem coragem de olhar pra ele enquanto contava o que eu senti.
- Você não sabe como foi difícil pra mim. Eu só tinha 13, e odiava perder. Ainda odeio, na verdade — dei de ombros — E a maioria das bandas em que eu entrei… todos lembravam daquele concurso idiota. Do seu incrível desempenho na guitarra e do fato de que eu não fui boa o bastante. Não ser boa o bastante… nunca foi algo comum pra mim.
- Então não posso te decepcionar uma segunda vez. — ele diz sorrindo. Ele e o irmão viviam disputando pra ver quem era o melhor, e na maioria das vezes era Emmet quem ganhava. Mas se eles competissem para ver qual sorriso era mais bonito… Zakk ganharia disparado. Era um sorriso caloroso, deliciado, que me derreteu um pouquinho.
- Ok. Tudo bem. — sorri, me rendendo — Somos uma dupla agora, então?
- Ficaria desapontado se não.
- Feito — sorri, colocando o carro pra andar — Eu te deixo em casa. Mas saiba que eu não vou tocar rock, ok?
- Não hoje, nem amanhã presumo... Mas um dia.
- Vai morrer tentando, metaleiro — eu disse, os olhos fixos na rua — Vai morrer tentando.
Foi aí que ele começou a cantar I Believe in Rock’n Roll. Eu só havia escutado aquela música uma vez, mas sabia muito bem qual era: a música com que ele me venceu no concurso.
Ok, ele tinha ido longe demais. Parei o carro.
- Você pode ir andando pra casa.
Ele sorriu e desceu do carro.
- Faça nossa inscrição, pop girl.
- Vou fazer, metaleiro. Vou adorar te ver tocando Britney Spears em uma das suas guitarras.
Ele sorriu, feliz, antes de acenar pra mim e pegar o caminho pra sua casa. Nem me dignei a dar tchau, só acelerei. Como aquele metaleiro infeliz conseguia acabar com meu humor tão rápido?
Notas finais
Beijos!
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