The Precious Blood
53 VERDADES
Notas iniciais
É MUITO IMPORTANTE QUE LEIAM A N/A NO FINAL!
Explicações importantes lá em baixo.
Boa leitura!
“Ouçam: os espíritos falam.
Eles clamam! Clamam pela verdade. E ela vem.
É ela, ela quem deve imperar.
O tesouro está nela.
Reverenciem esta majestade. A verdadeira.
Nela está o poder, a cura e o tesouro maior.”
As criaturas trespassaram o portal para o seu recanto secreto com os corações oprimidos. Koraíny observava os irmãos se dirigirem ao centro do jardim que ficava ao norte das terras élficas, onde normalmente se reuniam para tomar decisões importantes. Caminhou para lá já sentindo que algo estava errado, algo faltava. Seus irmãos cederam lugar pra que ele pudesse se juntar ao grande círculo que formaram… havia um lugar vago, o lugar mais importante.
Quendra não estava lá.
_ Onde ela está? – Ele perguntou, um incomodo desconhecido cercando seu coração.
Niadhi ergueu os olhos pra ele, confusos.
_ Não sabemos… nós nem sequer a sentimos. – Ela disse, esperando que o outro, mais velho que ela, pudesse a tranquilizar.
_ É como se não a tivéssemos. Não sentimos a presença da rainha em nós. – Danae, outra elfo, explicou.
Koraíny se sentou, abismado. Os elfos eram intima e profundamente ligados uns aos outros, sentiam em si a presença de cada um e, nem mesmo a morte poderia tirar a presença de um no espírito de todos. Era como se o espírito de cada irmão que existe ou já existiu formassem as fibras de seus corações. Naquele instante, sentiam-se mutilados, pois a presença mais forte, que sempre foi a da rainha, não pulsava neles.
Eles juntaram as mãos e passaram para Koraíny todas as ultimas imagens que tinham de Quendra até o momento de seu desaparecimento, no instante em que sentiram a ligação se romper. Nenhum deles sabiam dizer se a ligação foi rompida propositalmente ou não, a única coisa que puderam perceber é que Quendra havia descoberto algo com a demônio Ukhaha. Mas nenhum deles tiveram a chance de saber exatamente o que, pois no momento que tentavam, Quendra desapareceu em corpo e em espírito diante deles.
_ Nós achamos melhor voltar pra cá, onde temos mais força, pra tentar localizá-la. É impossível que não possamos fazer isto!
Koraíny olhou para Morian, concordando.
_ Mas nós não sabemos se a Ukhaha pode ter evoluído ao longo destes séculos. Não sabemos se ela teve o poder de tirar de nós nossa rainha. Além disso, ela comeu o coração de um lobo, repleto de nossa magia. – Outro elfo, Jeyn, argumentou.
_ De qualquer forma nós temos que tentar. E, talvez, descobrindo onde Quendra está, chegaremos até onde se esconde a Ukhaha. – Koraíny disse. – Não podemos perder mais tempo, temos que fazer isto, agora. Se o coração do lobo deu mais força ao demônio, ele não hesitará em tentar tomar outro.
Um murmúrio de aceitação percorreu o círculo de elfos. Novamente juntaram as mãos e canalizaram o poder, uma chama azul surgiu no meio do círculo. Logo perceberam que também sentiam falta do poder real para completar a magia. Murmuravam incessantemente palavras antigas, tentando cobrir aquela ausência. Cada um dava tudo de si. Mas não podiam conseguir nada com precisão e nem com tanta facilidade como faziam.
De repente, a voz de Niadhi se sobrepôs as outras, tornando-se um grito agudo, sua expressão contorcida, a chama azul ganhou uma coloração mais forte. A elfo havia captado a essência de sua rainha. Os irmãos tentaram imediatamente conduzir todas as energias em Niadhi, para ajuda-la. Aos poucos, o que havia na mente da elfo, era o que havia na mente de seus irmãos.
Mas não havia imagens, apenas uma sensação difusa sobre algo. Quendra estava viva, eles sabiam… Mas onde? Os cânticos se misturaram a preces que clamavam por mais poder para descobrir o que acontecia com a rainha elfo.
_ Quendra… Quendra… teus servos te chamam… abra teu coração a nós! – Niadhi praticamente implorava aquilo em sua mente, esperando uma resposta da rainha que não vinha.
Até que, no meio das chamas de um azul quase negro, forma-se uma imagem distorcida. Um local amplo, escuro, sem luz e sem calor… abaixo da terra, com longos túneis. Quendra estava lá!
Todos eles abriram os olhos juntos, já decididos sobre o que fazer.
Sabiam onde a rainha estava, e iriam atrás dela naquele exato momento.
_ Não posso sair. Tomem cuidado. – Koraíny recomendou a todos. – Não podem entrar nos domínios deles, mas estando próximos o suficiente, poderão reestabelecer a ligação com Quendra.
Um murmúrio de compreensão soou dos elfos enfileirados como o mais poderoso exército existente. Em seus olhos castanhos chamejava a gana da luta.
_ Não iremos falhar Koraíny. E se o vampiro Marcus ou qualquer um de sua raça ameaçar a vida da rainha, nós declararemos guerra contra todos eles. – Disse Norian, um dos elfos mais fortes. Ele tinha os traços belos, porém eram duros. Sua face era sempre a mais séria dentre eles.
_ Sim, o façam. Estarei aqui, mas a minha energia estará toda com vocês. Mas Deus permita que Quendra esteja viva, ainda que com isto não possamos dizimar os vampiros. – Koraíny respondeu, recebendo novas exclamações de concordância.
Os elfos se dirigiram então para a cachoeira de águas puras, portal para o mundo que os humanos habitavam. Norian tomou a frente, mas foi surpreendido.
Assim que os pés do elfo tocaram a superfície da água, esta se cristalizou, como se congelasse e se tornasse uma pedra brilhante, linda e intransponível. Imediatamente Norian se afastou.
_ O que é isto? – Danae falava assustada.
Norian se aproximou novamente, concentrando-se, fechou o seu punho e com toda a força esmurrou a superfície sólida. O impacto causou um som indescritível, que de tão forte, permaneceu ressoando no espaço por um longo tempo. No entanto, nada aconteceu. A superfície continuou ilesa!
_ Não pode ser! – Niadhi sussurrou.
_ Vamos sair de outra forma. – Danae propôs.
Para que todos os elfos saíssem dali, haviam duas formas: ou passavam no portal, e neste todos poderiam passar todos ao mesmo tempo, ou se desmaterializavam para o mundo externo. Mas a desmaterialização só poderia ser feita por um elfo de cada vez.
Danae concentrou-se então, fechou seus olhos, sentindo a sensação de formigamento que precedia ao momento em que seu corpo se dissolveria na dimensão espaço-tempo. No entanto isto não aconteceu, o formigamento cessava tão repentinamente, que até doía, mas o corpo permanecia no mesmo lugar. Outros elfos tentaram e o mesmo acontecia.
_ Não! – Jeyn exclamou inconformado.
_ Estamos presos. – Koraíny sentenciou o que todos já sabiam.
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_ Você tem certeza disto? – Alguém lhe perguntava, alguém que ela não fazia ideia de quem era, e também não dava a mínima importância pra isto.
_ Sim! É ele! – Uma voz jovem e raivosa soou atrás de Sarah, mas ela novamente não se importava. Seus olhos estavam fixos no quadro a sua frente, no rosto daquele maldito soberbo, que lhe encarava como se fosse, realmente, a única criatura na Terra capaz de destruir a sua vida... a vida de qualquer um que se pusesse em seu caminho...
No quadro, ela procurava gravar cada traço daquele rosto, da pele branca, os cabelos negros, os olhos de sangue… Olhava tanto, que em determinado momento a imagem se tornou real, de um momento a outro era como se o vampiro tivesse se materializado em sua frente, lhe olhando com o rosto aparentemente impassível, mas ela podia enxergar a carga infernal que havia dentro daquela criatura. Ele não tinha alma, ele não queria uma…
A passividade dele era o que mais lhe assustava, pois ela sabia que ele, por séculos e séculos, adestrou seus sentimentos e ações pra ter tudo sobre controle, pra fazer o que quer que fosse com louvor… um inimigo cujas armas haviam sido aperfeiçoadas pela dimensão do tempo... O que ela poderia fazer contra ele?
Ela, uma moça, com nem três décadas de vida completas, com poderes fervilhantes e confusos dentro de si, imatura, assustada consigo mesmo… e com medo… muito medo de perder não a si mesma, mas o homem que amava. O homem que ela sabia rosnar ao seu lado e exigir dos Cullen toda e qualquer informação sobre aquele vampiro.
Com toda a sua certeza, ela sabia que o vampiro milenar TINHA que ser destruído…
_ A guarda Volturi foi montada por Aro… ele tem uma obsessão em adquirir talentos…
Quando Sarah voltou ao tempo presente, o quadro estava jogado em um canto da sala. Percebeu que Bella permanecia com os olhos brilhantes bem longe dela, tal como o vampiro Jasper e o grandalhão Emmett. Seu coração batia em uma velocidade absurda, provocando ainda mais os vampiros. Esme parecia controlada, abraçada fortemente a Alice, que tinha as mãos nas têmporas e os olhos sérios. Edward e Nessie tentavam acalmar Milla, uma vez que Jasper não parecia em condições de controlar as emoções de ninguém.
Jacob tinha as costas tensas, a veia em seu pescoço pulsava, Sarah podia ver o tremor de seus músculos a distancia. Ele andava de uma lado a outro na frente de Carlisle, enquanto o interrogava.
_ O quão preparados eles são? – A voz de Jake estava ainda mais rouca, seca.
_ Os melhores, Jacob. Aro sempre almejou os melhores… ele já demonstrou muito interesse em Alice, Edward e Bella... Em Alice principalmente. – Carlisle parou um instante, franzindo o cenho e puxando um pouco de ar devagar, logo experimentando uma tontura ao se deparar com o cheiro de Sarah, que agora tinha os olhos voltado pra eles. – Eu não entendo como pode ser Marcus… ele… ele ficou sempre tão apático depois da morte de Didyme… Aro sempre pareceu o mais obcecado por poder, controle.
_ Quem é Didyme? – Sarah perguntou, sua voz saiu falhada, e o foco de tudo recaiu sobre si.
_ Irmã de Aro… Única parceira que Marcus teve. Ele a amava, por ela ele planejava abandonar o trono dos Volturi… Didyme tinha o poder de tornar as pessoas ao seu redor alegres, satisfeitas… depois da morte dela Marcus passou a ser um espectro, caiu em uma eterna depressão. – Carlisle respondeu solícito.
_ Amava? Amava mesmo? O amor era real ou consequência do poder dela? – Sarah questionou, se aproximando inconscientemente do vampiro. Havia algo errado naquela história… algo que não batia…
Carlisle se mexeu desconfortável quando Sarah avançou, mas Jacob agarrou o braço dela e a fez retroceder.
_ A… a… bem… — Carlisle apertou os olhos tentando recuperar o raciocínio. – A vida de Marcus nunca foi muito exposta. Ele sempre foi o mais retraído de todos os Volturi. O que sabemos sobre ele é fruto de inúmeros boatos. A relação com Didyme foi estranha… todos diziam que eles eram felizes, mas que Aro a teria matado pra que Marcus não abandonasse o clã e a seguisse para outro lugar…
_ Por que este Aro daria tanta importância para a presença de Marcus no clã? – Jacob perguntou. – No que eles se dependem? Por que a fidelidade um com o outro? Sanguessugas são egoístas… se você diz que este Aro é obcecado por poder, porque ele não gostaria de se manter sozinho no trono?
_ Aro não teria necessidade de Marcus… Mas se Marcus planejava algo grande, ele provavelmente não gostaria de nenhuma atenção sobre si… Aro é uma excelente distração pra todos os inimigos dos Volturi. Ele sempre tomou a frente de tudo. – Edward disse, novamente focado na conversa principal, tal como Milla e Nessie, agora mais tranquilas e atentas. – A verdade é que não sabemos muito sobre Marcus… na verdade, nunca houve interesse de ninguém em saber muito sobre ele.
_ Mas se você tiver errada, nada disso fará sentido… — Rosálie disse a Sarah, azeda. A morena se deu conta da presença da loira atrás de si. Ela estava ali há muito tempo?
_ Sim, não faria. Mas ainda assim há algo que não se encaixa Tia Rose… — Nessie respondeu. – Jacob disse certo ao perguntar aquilo… Qual o motivo da fidelidade entre os irmãos Volturi? Aro não precisa dividir o poder com ninguém… precisa?
Nessie não teve resposta, apenas silêncio.
_ Jacob, nós nos colocamos contra os Volturi uma vez, por Nessie, quase tivemos um enfrentamento. O que os parou foram alguns amigos de Carlisle que se uniram a nós. Alguns tinham poderes formidáveis, mas se houvesse luta, eu não sei se nós iriamos vencer… Talvez sim, mas com muitas, muitas percas. – Bella sussurrou de seu canto. Ela parecia falar pouco pra não precisar tomar ar.
_ Amigos? Mais sanguessugas vegetarianos? – Jacob se virou para Carlisle.
_ Bom… somente alguns tinham o nosso estilo de vida Jacob.
Jacob estreitou os olhos passando uma mensagem clara de que qualquer outro vampiro que se alimentasse de humanos, amigo dos Cullen ou não, morreria se se deparasse com ele.
_ Não importa Isabella… se estes Volturi decidirem vir contra nós, iremos enfrenta-los de qualquer forma. Eu vou preparar a matilha para isto. O ataque de Caleb foi o primeiro, mas não será o ultimo. – Havia na voz do alpha uma certeza e uma imperatividade impossível de se questionar. O lobo olhou para Sarah, esta respirou fundo, endireitou a postura e com um aceno de cabeça, confirmou as palavras do marido.
_ Iremos… revelar tudo a eles. Aos lobos. – Ela disse, sentia um certo tremor nas mãos, mas não ousaria tentar fingir que tudo o que sentia, tudo o que acontecia ali, era apenas uma ilusão.
Com passadas largas Jacob voltou para o seu lado, as mãos quentes envolveram as dela e logo não havia mais tremores nem nele e nem nela.
_ Juntos… vamos fazer tudo juntos… sempre. – Jake lhe sussurrou ao pé do ouvido, fazendo-a exalar fortemente.
_ Jacob, nós podemos ajudar, estar com vocês. Não precisaremos ficar de lados opostos. – Carlisle propôs antes que o casal saísse da casa.
_ Jake, por favor… Aceite, confie. – Os olhos achocolatados de Nessie estavam novamente clamando um pedido. – Minha família conhece mais o inimigo do que vocês… pode haver mais chances!
Jacob apertou a mão de Sarah mais forte.
_ Eu não … sei… — disse.
_ Jake, eu acho que pode dar certo. Vocês só precisam esquecer de todas as coisas do passado… começar de novo… perdoados… Não seria irmandade como é com os lobos… mas uma aliança. – Milla caçou os olhos de Edward enquanto falava aquilo, querendo que não só o lobo compreendesse, mas os vampiros também.
Sarah correu os olhos pela sala, até se deparar com Rosálie. Nessie percebeu o movimento da morena e também a mensagem oculta nele.
_ Tia Rose não será nenhum problema… — Nessie disse. Voltou-se para a loira com expressão soberba. – Ela é boa, eu sei que você sabe disso Sarah, você sente as coisas de dentro mais que a aparência. Ela vai se manter do lado certo, independente de qualquer coisa. Eu sempre confiei no amor dela… não é tia?
A expressão de Rose vacilou, ela virou o rosto na direção oposta, longe do apelo nos olhos da híbrida, mas depois de alguns segundos, ela confirmou com a cabeça. Nessie sorriu e naquele momento Jacob teve certeza que a monstrinha tinha um poder muito forte sobre aqueles vampiros.
Sarah procurou os olhos de Jake.
_ Eu nunca pensei que fosse estar nesta situação. – Ela disse, ainda olhando só para Jake. Ele maneou a cabeça, atento. Sarah voltou seus olhos para Carlisle. – Eu fui treinada pra manter os vampiros o mais longe possível de mim. Eu aprendi a abominar todos eles, sem exceção alguma. Mas já não é assim. Isto aqui não é uma simples luta entre raças. É mais do que isto. Se os nossos valores são os mesmos, se nos mantemos por amor e queremos preservar a vida… — Ela suspirou. – Devemos lutar juntos. Não há porque nos separar.
_ Sim. Não há, Sarah. – Carlisle murmurou, complacente. – Nós admiramos os lobos, a forma como eles defendem os humanos. Nunca nos poríamos contra vocês.
Sarah abaixou os olhos, novamente envergonhada por ter descontado sua ira naquele vampiro. Por Deus! Havia algo tão humano nele. Ele se esforçava tanto pra preservar sua alma.
_ É um novo começo. – Jacob finalizou. – Mas eu prefiro que vocês não pisem em nossas terras, apenas com autorização minha. Eu não vou poupar nenhum de vocês se descumprirem o tratado e ousarem se alimentar de um humano. Caso queiram chamar algum amigo pra ajudar, é bom que eles se tornem tão vegetariano quanto vocês. Eu não posso ser complacente com nenhuma morte, Carlisle.
_ Eu entendo Jacob. Entendo perfeitamente. – O vampiro respondeu.
_ As meninas tem livre acesso a La Push. Tanto Milla quanto Nessie. Se precisarem falar conosco, elas podem ir nos procurar a qualquer hora. Os lobos se porão em defesa de vocês, se precisarem. O mesmo esperaremos de vocês.
_ Arriscar a cabeça pra defender cachorros? – Rosálie perguntou incrédula. Nessie fez uma careta, esperando uma explosão de fúria ou de Jacob ou de Sarah.
Mas não aconteceu nada disto. O alpha apenas direcionou um olhar sério para a vampira esbelta e com voz firme disse:
_ Se assumirmos este compromisso, eu e minha matilha arriscaríamos a nossa cabeça em sua defesa. Nunca será prioridade, mas não a deixaremos morrer se pudermos evitar. Não há mais nada que me prenda ao passado. Os tempos são outros. Você assume isto?
Rose elevou as sobrancelhas, espantada. Ainda manteve a pose, mas engoliu seu próprio veneno a seco diante da dignidade do lobo ao lhe encarar e dizer tudo aquilo sem titubear. De repente a loira simplesmente ergueu o queixo e disse:
_ Assumo.
Os oito Cullen soltaram a respiração em uma única vez.
_ É um novo tratado? – Edward perguntou. Jacob se virou pra ele então.
_ Sim. Penso que será necessário. – Respondeu.
_ Eu espero que você não coloque a vida da minha filha em risco. E que esteja sempre lembrado que eu sou o pai dela e Bella, a mãe. Tudo o que diz respeito a ela, diz respeito a nós. – Jacob somente afirmou com a cabeça. Edward olhou para Sarah e ela repetiu o movimento do marido.
O vampiro então estendeu a mão em direção ao casal. Jacob olhou aquilo um instante, era tão comum selar um acordo com apertos de mãos. Mas um acordo entre vampiros e lobos? Ele respirou fundo e se lembrou, involuntariamente, de tudo o que passou desde que aqueles vampiros apareceram em sua vida. O saldo não era positivo. Os olhos negros se puseram então a encarar os dourados. Se havia uma coisa que Jacob não podia negar, era a honra que aquele vampiro tentava manter em si. Podia confiar? No instinto vampiresco, nunca, jamais. O lobo Jacob sempre estaria em alerta, esperando para estraçalhar um vampiro sanguinário. Mas o homem Jacob se propôs a confiar em Edward Cullen e em sua família.
A mão morena e forte se ergueu e apertou a mão gelada do vampiro. Naquele instante algo se partiu, muitas coisas se apagaram e algo se construiu. Jake apertou seus olhos e clamou uma prece muda aos espíritos guerreiros: “é por um bem maior”. Em seu coração havia paz e o alpha sabia que de seus antepassados, veio aceitação. Sarah sorriu ao seu lado, também sentindo um peso a menos sobre si.
_ Nós vamos ir. – O índio disse. – Passarei à matilha tudo o que foi dito aqui. Será uma noite longa.
_ Sim, claro. Saiba que faremos de tudo pra honrar este compromisso. – Carlisle disse.
_ Eu acho que se vocês saírem daqui eu volto ao normal. Se eu conseguir ver algo em Voltera eu te aviso, cachorro. – Alice se levantou, sua expressão ainda estava tensa.
_ Seria muito importante. – Sarah foi quem respondeu, recebendo um sorrisinho da vampira.
_ Eu levo vocês até a fronteira! – Milla se levantou e quase no mesmo instante estava do lado do casal.
_ Eu também posso… — Nessie começou a dizer, mas antes que terminasse recebeu um sonoro:
_Não! Filha, ainda temos que conversar direito. Fique aqui. – Bella foi firme com a filha. Nessie nem tentou contestar. Entendia a preocupação dos pais. — E Milla, não se afaste tanto e volte logo. Evite ficar sozinha. – Bella sorriu pra jovem, que lhe deu um aceno de cabeça.
_ Sim senhora. – Disse, leve.
_ E por favor, Jacob, leve sua esposa daqui. Eu já pensei em mil formas de beber o sangue dela. – Bella confessou, contorcendo a expressão em uma agonia aparente.
Jacob não conseguiu evitar um rosnar baixo, mas se controlou. Se despediram e logo partiram.
Os três saíram a passos lentos, mas qualquer humano que os tentasse acompanhar, teria que correr um pouco pra isto. Milla ia no meio do casal, com as mãos nos bolsos de seu jeans e a cabeça baixa. Depois de um tempo, quando estavam já no meio da mata, ainda em silêncio, a vampira finalmente falou.
_ Eu me sinto completamente perdida. Parece que estou vivendo um pesadelo… que uma hora vou acordar e voltar pra vida que eu levava… Mas eu também teria medo se isto acontecesse. – Ela olhou pra Sarah. – Porque me sinto cada vez mais longe da minha vida humana.
_ Isto é um pesadelo, Milla. Até pra mim… isto tudo parece um pesadelo. – Sarah pegou a mão dela, dando um aperto leve. – E eu não sei até quando ele vai durar.
_ Não se preocupem garotas. Vocês tem um lobo alpha pra lhes proteger. – Jacob disse. Subitamente com a voz mais leve, de um jeito quase brincalhão. A súbita mudança de humor de Jake contrastou tanto com o momento, causou tamanha surpresa nas duas, que elas simplesmente riram.
_ Pois saiba o senhor, óh grande alpha, que eu tenho mais poderes que você! – Milla respondeu, no mesmo tom de gracejo. Ele sorriu e apesar de toda a escuridão que pesava ao redor deles, havia luz. Havia luz no sorriso de Jacob e havia luz dentro de cada um deles.
_ É mesmo tão poderosa? Tão corajosa? – O índio desafiou a vampira. Ela, por sua vez, ergueu a sobrancelha desconfiada e interrompeu a caminhada.
_ Sim… — ela hesitou. – Na verdade, depende.
_ Não existem “meio” corajosos, Milla. Ou eles são corajosos para enfrentar qualquer coisa, ou são covardes bem disfarçados. – Sarah disse.
_ Bom… eu tenho uma missão muito importante pra você. – Não havia mais sorriso no rosto do lobo. Jake estava novamente sério. Milla engoliu em seco.
_ O que? – Ela murmurou.
_ Seth está em ronda ao norte. Exatamente naquela região em que estávamos quando aquela criatura apareceu. – Rapidamente Jacob notou a mudança na postura de Milla. Ela ficou tensa assim que ouviu o nome de Seth. Jake continuou a falar, olhando para os olhos dela sem hesitar. – Farei uma reunião com a matilha agora. Todos eles, pra contar tudo que está acontecendo, tudo o que eles ainda não sabem. Menos com Seth.
Naquele momento Sarah, que somente ouvia, percebeu qual era a intensão de Jacob. Ele prosseguia.
_ Seth não estará porque será você, Milla, quem vai conversar com ele. É você quem vai contar tudo a ele. O procure, o ache, e converse com ele. Fale tudo.
A boca da vampira se escancarou, ela parecia não acreditar no que ouvia. Depois de sacudir a cabeça, apertar os olhos, é que respondeu.
_ Eu não posso. Os Cullen estão esperando eu voltar logo. Eu disse que voltaria logo.
_ Covarde… _ a voz de Sarah soou arrastada atrás dela, lhe insultando com uma verdade profunda e complexa demais.
Involuntariamente Milla rugiu e se virou com raiva para a morena, que não se abalou em nada.
_ Vou falar para que não te esperem. Você vai até Seth.
_ Por que? – Milla se virou com a mesma raiva acuada para Jacob.
_ Porque eu preciso, porque ele precisa e porque você precisa. E vai ser agora. Este vai ser o momento da verdade. A verdade entre vocês e a verdade sobre tudo que está ao redor de vocês. – Jacob disse categórico.
_ Ou você pode fugir. Se esconder de si mesma, como os covardes fazem. E viver a eternidade morta e incompleta. – A morena disse. Milla suspirou com os tormentos que Sarah sempre colocava em sua cabeça. Quando aquela mulher resolvia ser incisiva, ela não era nem um pouco agradável.
_ Foi uma armadilha sua? – Milla perguntou a Jake, que esperava uma atitude sua de braços cruzados.
_ Não. Foi um impulso. Se esqueceu que foi você quem escolheu vir conosco? – Ele disse, aparentemente calmo.
Milla respirou fundo, sua cabeça girando.
_ Não se preocupe. Ele não vai te devorar… se você não quiser. – Jacob completou com um sorriso mateiro.
_ Eu vou. Por livre e espontânea pressão, eu vou. – Ela disse, fazendo uma careta.
O sorriso de Jacob e Sarah aumentou.
_ Então vai logo! – Sarah disse aquilo dando um empurrão nada sutil em Milla. A menina respirou fundo e correu, nem tão rápido quanto podia, mas indo exatamente na direção em que Jacob havia indicado.
Assim que ela partiu, Jacob tirou suas roupas e se transformou em lobo. Junto com a esposa, o lobo correu até uma parte deserta da praia de La Push. Só lá ele uivou. Seu chamado ecoou longe e Sarah sentiu um estremecimento. Era hora da verdade.
O lobo alpha sentou imponente sobre as patas traseiras, o focinho erguido em direção a lua, até que a esposa se pôs a sua frente. Dentro da cabeça de Jake, os lobos perguntavam a que se referia o chamado, mas Jacob nada esclarecia, apenas mantinha seu olhar fixo em Sarah. Ela estava de costas para o vento, seus cabelos eram jogados para frente, estava ereta, séria e bela. Tinha adotado a postura majestosa de seus antecedentes élficos.
Não tardou os lobos chegaram. Exceto Seth. Jacob havia visto Milla chegar até ele e então, ele voltou a sua forma humana e interrompeu a conexão.
Leah estava ao lado de Embry, no entanto permanecia em sua forma humana. Como Sarah havia recomendado, ela evitava ao máximo a transformação, em vista de sua gestação. A india olhou primeiro em direção a Jacob e depois para Sarah. O olhar de entendimento que ela passou aos dois dizia que ela não se surpreenderia nem um pouco com o que seria revelado.
Sarah foi até a índia e examinou cuidadosamente sua barriga.
_ Pode se transformar, mas evite se movimentar muito. – A morena disse.
Leah apenas confirmou com a cabeça e logo era a grande loba cinza. A matilha formou um círculo ao redor de Sarah. Ela se sentou de frente para Jacob, olhando diretamente nos olhos negros.
_ Apenas se lembre de tudo. – Ela lhe disse. E então, a ordem maior do segredo élfico foi quebrada e substituída pela de Sarah. Jacob fechou os olhos com o peso de suas lembranças e passou aos lobos tudo, exatamente tudo que se referia aos quileutes, aos elfos e a Sarah.
A matilha viu, inclusive, o início da magia quileute. O poder sendo passado a seu antepassado quileute por Lairon. O pai de Sarah. Viram, por meio de Jacob, Quendra interferindo no tratado entre lobos e Cullen. Viram quando Jacob encontrou Sarah, a sua luta com os vampiros, a ordem de Quendra. Viram cada detalhe, como se o revivessem naquele exato momento.
Sarah apenas ouvia as respirações entrecortadas dos lobos, os corações que aceleravam e se acalmavam em uma estranha sincronia. Quando Jacob abriu os olhos, ela sabia que tinha acabado, que todos os lobos sabiam, não só sobre todos os últimos acontecimentos, mas também sobre origem da magia que impregnava o seu quileute, tal como sabiam a posição em que Sarah ocupava entre os elfos.
Não ouve grunhidos, uivos, latidos. Nada. Todos os outros lobos abriram os olhos quase imediatamente depois de Jacob, com todo o foco voltado a ela. E então curvaram as cabeças em direção a moça, fazendo-a perder o fôlego.
Jacob se surpreendeu com o tamanho da reverência que passou a tomar conta do coração dos lobos. Reverência por ela, por sua esposa. Era quase o mesmo respeito que eles tinham pelo alpha, como se ela fosse tão importante na vida da matilha quanto o próprio alpha.
Era um sentimento involuntário e muito mais profundo do que Jacob ou Sarah poderia entender. Mas Sarah sabia de onde via aquilo. Ainda trêmula pela reação dos lobos ela olhou pra cima, em direção aos céus e se deparou não com estrelas ou lua, mas com os olhos de seu pai, Lairon, olhando diretamente para eles, pairando em cima dela, sobre ela. Dando-se a ela e habitando dentro dela. Naquele momento Sarah soube que os lobos não se curvavam somente perante ela, mas também diante do elfo Lairon.
Ela continuou vendo as órbitas castanhas de Lairon cada vez mais perto, cada vez mais nítidas, até que o espírito do elfo e ela estavam frente a frente. Lairon foi perdendo a consistência de matéria, se tornando fluido como o vento. Ele sorriu para filha antes de se desfazer em uma grande chama azul e se chocar contra o peito de Sarah. Ela gritou de dor e caiu para trás, desmaiando.
Mas no segundo antes de perder a consciência, ela soube de uma verdade até então desconhecida: ela era filha do rei legítimo. Sua linhagem élfica era a suprema. O seu sangue era real.
Notas finais
Mas primeiro eu gostaria de agradecer todos os comentários que tenho recebido! Passamos dos 500 já gente! Uma vitória para a fic! E o mérito é de vcs, leitoras que comentam! Muitooooooo obrigadaaaaa!!!
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SOBRE A FIC:
Não sei se puderam perceber pelo pouco que foi dito, mas tem muitossss segredos e lacunas na vida de Marcus. Eu to montando ele ainda, mas até onde eu sei, ele será um personagem muito complexo. Mais até do que a Quendra.
Porém, ele se mantará nas sombras, até o climax. Aí esta fase da história acaba. kkkkkkkkkkkkk.... Não, sério. Vcs ficarão meio a cegas sobre ele por enquanto, tal como os personagens, mas isto é coisa propositalmente calculada pela autora aqui (#maldade#on#)
Ah, TEMOS FIC NOVA A CAMINHOOOOOOO!! Uma fic minha que é filhotinha de TPB! Eu cortei ali a conversa do Seth e da Milla propositalmente, pois o casal ganhou uma fic só deles! Em breve irei postá-la! Chama-se "Precious Heart".
E o final, o aparecimento de Lairon, a reverência dos lobos é algo muito importante. E se preparem. Se preparem MESMO.
Porque no próximo capítulo não vai haver somente preparação para guerra. As batalhas começam.
Qualquer dúvida perguntem!
Espero comentários, recomendações, leitoras novas, favoritadas, MP... enfim, o que tiverem em seus corações!
Bjs e até!
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