The Precious Blood
54 O CAOS
Notas iniciais
Espero que entendam que isto é necessário para os caminhos da história....
Bora ler?
Estava confusa, perdida em uma imensidão. Seu peito agonizava, sentia que possuía algo nas mãos muito maior do que poderia carregar. Alguém lhe segurou a mão.
_ Não está sozinha querida. – Sarah olhou para a criatura ao seu lado. Ela era tão linda, tão perfeita e majestosa. No decote de suas vestes resplandecia um colar com um belo pingente de coração. Era uma pedra azul. – Nós sempre vamos estar com você. O tempo inteiro.
_ Eu não quero isto. Não quero isto. – Ela sussurrou. Mas o que? O que ela não queria?
_ Não é uma questão de escolha. Você nasceu assim. Nasceu para isto. – A criatura lhe disse.
_ Não posso. Não posso ser como você. Não quero. – Ela continuava insistindo. A criatura majestosa ao lado dela entristeceu-se.
_ Não negue. Enquanto você negar, mais difícil será. Todos precisam de você. Eles precisam de você. Você precisa tomar esta decisão. Se preparar para quando for preciso tomar o trono.
Trono? Não, ela não queria trono algum. No fundo ela sabia que teria que renunciar muitas coisas para tomar o tal trono. Coisas que ela não podia e não queria abandonar.
_ Você não vai abandonar. Vai se afastar, mas nunca abandonar. Na hora certa você vai entender tudo.
_ Não… — Ela disse, em um eco fraco.
_ Sim. – A figura foi incisiva.
_ Quem é você? – Sarah perguntou. A criatura sorriu: perfeita.
_ Sou teu passado. – Ela disse.
Tudo desapareceu. Sarah voltou a ficar perdida em sua inconsciência, entre o despertar e o sono profundo. Ela sentiu uma mão quente apertando a sua. Aos poucos se sentia mais próxima de acordar, podia escutar Jacob conversando ao lado dela.
Mas antes que pudesse abrir os olhos, ouviu um chamado.
_ Sarah!
Ao ouvir aquela voz, Sarah abandonou tudo e se concentrou somente naquele som, no timbre daquela voz. Saudade, quanta saudade ela sentiu dele!
_ Koraíny! – Ela respondeu. – Mas como…? – Como ele podia conversar com ela? Como? Ele não estava impossibilitado de se comunicar com qualquer coisa que estivesse além das terras élficas?
_ Eu não sei! – Ele lhe respondeu, parecendo confuso.
_ Procurávamos falar com Quendra, Sarah. – Outra voz. Niadhi. – Chegamos a você.
_ Pode nos ver, Sarah? – Koraíny perguntou.
A moça ficou confusa.
_ Não. Não vejo nada. Só ouço… Estou dormindo? É sonho? – Sarah estava confusa. Mas não parecia sonho e sim uma realidade paralela. A seus olhos tudo parecia obscuro, sombrio.
_ Não é sonho! Mas Sarah… preste atenção em uma coisa: tome cuidado! – Koraíny parecia um tanto nervoso, sua voz estava acelerada.
_ Por que?
_ Quendra desapareceu… nós estamos presos. Presos nas terras élficas.
Não! Um medo se alastrou por todo o corpo de Sarah. Na realidade além de sua mente, ela percebeu a ansiedade de alguém, uma voz desesperada lhe chamando, braços lhe envolvendo.
_ O que … como? O que isto significa?
Silêncio. Por um instante a morena não teve resposta alguma de nenhum dos elfos. A moça tentou se concentrar mais. Foi estranho, mas ela podia sentir a presença mental de todos os outros elfos, silenciosos, concentrados. Só Niadhi e Koraíny, mais próximos a ela, lhe falavam.
_ Só uma explicação nos ocorre, Sarah. Nossa existência corre perigo. Fomos mantidos aqui para que nada chegue até nós. Nem bem e nem mal. – Niadhi, enquanto dizia aquilo, parecia comprovar as piores suspeitas de Sarah.
Era pior, pior do que ela pensava! Para Sarah os elfos sempre eram os mais poderosos, os seres intocáveis. Como eles poderiam correr tamanho perigo a ponto de uma defesa mágica protege-los tão fortemente?
_ Você não pode ficar aí! Não podemos interferir em nada, Sarah! Não podemos lhe proteger de coisas que você não conhece. – Agora o desespero havia se tornado claro na voz de Koraíny. – Você tem que estar aqui, conosco. Até sabermos o que estamos enfrentando!
_ Não posso! Não posso entrar nas terras élficas! Só elfos puro-sangue podem. – Sarah falou o que lhe parecia óbvio. Todos haviam lhe dito aquilo desde que era menina.
_ Sarah… — Niadhi começou receosa. – Você já entrou aqui. Você está aqui. Você não poderia estar falando conosco se não pudesse, se o portal para as terras élficas fosse oculto a você. Entende? É bloqueado, tudo! De alguma maneira, por algum motivo, sua entrada aqui foi liberada.
Voltou a memória de Sarah a figura com quem sonhava a pouco tempo. No momento do sonho não havia feito a conexão, mas agora sabia. Era uma elfo. A elfo mais imponente que tinha visto. Aliás, ela não se lembrava de já a ter visto antes de sonhar com ela. Diante daquela lembrança, uma dúvida lhe veio.
_ E Quendra? – A moça se concentrou. – Onde ela está?
_ Sarah, o perigo que corremos pode ter haver com ela. Talvez a própria Quendra acionou a proteção sobre nós. Talvez ela te proteja também. – Niadhi disse. Havia notas claras de esperança em sua voz.
_ Como assim? – Ela tentava se concentrar mais. Onde afinal ficavam as terras élficas? Ou como Quendra chamava: O recanto dos elfos?
Não via nada. Estava perdida em uma espécie de vácuo. Somente ouvia e sentia. Sentia as almas, a energia dos elfos.
_ Não. Não posso chegar até vocês. Algum de vocês pode me ver? – Ela perguntou. Sarah clamou que eles a estivessem vendo, que soubessem onde estava. Eles tinham que ter algum controle sobre as coisas ainda. Só assim ela poderia se sentir mais segura, menos sozinha diante do perigo desconhecido.
_ Não vemos nada. Onde você esta? – Mas a resposta não foi o desejado. Quando Niadhi fez aquela pergunta Sarah abriu os olhos automaticamente.
Nessie estava com o rosto muito próximo ao seu. Ela arfou e sorriu. Moveu os lábios, falou algo com ela, mas Sarah não se deu o trabalho de ouvir. Ela olhou ao redor. Não estava na sua casa, mas na casa do sogro. Estava no quarto de Rachel e Paul. Vasculhou o local. Jacob não estava lá.
_ Jake…?
Sua voz saiu rouca, como se estivesse a muito tempo sem usar. O rosto de Nessie obscureceu. Leah entrou no seu campo de visão parecendo transtornada.
_ Sarah. Estamos te perdendo! Volte! – Niadhi parecia gritar ao fundo de sua cabeça. A morena voltou a fechar os olhos, percebendo então a energia de todos os outros elfos tentando manter a delicada ligação entre eles.
_ Estou aqui. Mas acho que não por muito tempo. – Ela disse, insegura. Um murmúrio de compreensão veio de Koraíny. Sim, a ligação se romperia a qualquer momento, era muito frágil. – Não posso ver vocês, nem saber onde estão. Vocês também não. Estamos separados.
_ O que mudou Sarah? Por que conseguimos nos falar? Não pensávamos que poderíamos. – Koraíny perguntou.
_ Meu pai. – Ela percebeu uma exclamação dos outros elfos. Com isto eles se desconcentraram, ela sentia a ligação se perder, a presença dos elfos desaparecer aos poucos de sua mente. Mas eles voltaram antes que tudo se fosse. Sarah respirou aliviada e resolveu falar tudo o mais rápido que pudesse. – Eu o vi. Tive contato com o espírito dele. Foi algo mais forte do que jamais senti. Eu o senti dentro de mim… vivo. Ele… ele me deu algo. E me disse… disse que eu era… eu era…
_ Rainha? – Niadhi sussurrou.
_ Princesa. E… e… uma elfo apareceu em meus sonhos, dizia que eu precisava tomar o trono.
_ Que elfo? – Koraíny lhe perguntou, sua voz baixa, estranhamente calma.
_ Nunca a vi antes. Era linda. Usava um colar com um pingente de coração…
_ Coração azul? – A voz de Koraíny estava mais fraca, mais longe. Estavam se perdendo.
_ Sim. – Ela respondeu, rápido.
Escutou um arfar, sentia a dificuldade dos outros elfos tentando manter a ligação, as ondas de energia vindo escassas até ela. A morena não sabia como exatamente fazer aquilo, mas tentava colaborar com o esforço dos elfos a todo custo, mas nada surtia efeito.
_ Évora… rainha… — As palavras iam e vinham de Koraíny.
_ Não entendo! Meu Deus! Não entendo! – Ela disse, desesperada.
_ Sarah… Quendra! Quendra está caindo! Estamos perdendo a rainha! Encontre Quendra!
Silêncio. Sarah sabia que Niadhi havia gritado, mas tudo o que pode ouvir foi um eco abafado de sua voz. Ela ainda ficou um tempo com os olhos fechados, com a esperança de encontrar os elfos na imensidão de sua mente novamente. Mas não havia nada. Só uma tensão palpável.
Seu coração batia acelerado, havia suor escorrendo pela sua testa e pelo vão de seus seios. Sentia-se trêmula.
_ Sarah. – Mãos mornas lhe acariciavam. – Sarah, por favor: acorde.
Como se tivesse levado um choque, ela se levantou rapidamente, sentando-se na cama de Raquel.
_ Há quanto tempo estou desacordada? – Perguntou nervosa a ninguém em particular. Aguçou os ouvidos, o olfato. Na casa só haviam Billy, Rachel e as crianças. A moça estranhou. Estavam lá os filhos de Rachel e os dois meninos de Emily. Leah e Nessie estavam com ela, no quarto. Olhou para a loba, que tinha os cabelos desgrenhados e os olhos inchados.
_ Quatro dias. – A índia sussurrou.
_ O QUE? – Não podia ser! Não podia ser! – Como quatro dias!?
_ Você desmaiou assim que Jacob nos revelou a verdade sobre você e sobre a nossa origem. Nós não entendemos nada. De um momento tudo o que percebemos foi a sua força, uma áurea de magia ao seu redor. Depois você gritou, caiu e não acordou desde então. – A voz de Leah ainda estava baixa.
Sarah apertou os olhos, agarrou os cabelos. As mãos de Nessie cobriram as suas.
_ Você está bem? Como está se sentindo? – A meia-vampira perguntou, afrouxando o aperto de Sarah sobre seus próprios cabelos.
_ Estou bem… só estou confusa. – Ela disse, enquanto respirava fundo e tentava clarear as ideias. Percebeu algo lhe incomodando no braço direito. Soro. Ela estava recebendo soro. Pegou a mangueirinha que levava o líquido até sua veia e puxou com força. Nessie imediatamente prendeu a respiração devido a gota de sangue que saiu dela. Permaneceu com os olhos fechados um único instante, logo os abrindo, parecendo recuperada.
_ Jacob ficou nervoso no começo, quando você não acordava e ficava dizendo palavras estranhas. – Leah continuou seu relato após aquilo, enquanto observava Nessie cuidadosamente.
_ Palavras estranhas? – Sarah indagou curiosa.
_ Sim. Parecia de outra língua. Algo que eu nunca ouvi antes. Carlisle veio até aqui, te examinou. Conseguiu se conter muito melhor diante do seu cheiro. – Nessie deu um sorriso tímido enquanto falava. – Ele disse que os seus sinais vitais estavam normais. Você parecia tensa, mas era só. Nem febre você teve. Vovô também não reconheceu a língua que você estava falando o tempo todo. Disse que nunca tinha ouvido nada igual.
Estava explicado o soro. Carlisle havia injetado nela. Agora entendia muito bem o que Nessie quis dizer com “se controlou muito melhor diante do seu cheiro”. O vampiro esteve perto do sangue dela e, pelo visto, não havia surtado. A moça sacudiu a cabeça levemente enquanto seus pensamentos caminhavam rapidamente em outra direção.
Nessie disse outra língua? Só uma coisa lhe vinha a mente: ela tinha falado a língua dos elfos durante seu aparente coma. E o seu sonho e conversa com os elfos, que pareceram tão rápidos, deviam ter durado muito mais. Dias.
_ Onde está o Jake? O que aconteceu enquanto eu… dormi?
Sarah encarava seu próprio corpo, tentava ajeitar as roupas, arrumar os cabelos. Mas o silêncio das duas prolongou-se mais que o normal. Sarah voltou a encará-las. Estavam as duas nitidamente nervosas.
_ As coisas não tem sido fáceis. – Nessie sussurrou.
_ Por que? – Novamente um bolo de ansiedade começou a crescer dentro de Sarah. Ela buscou os olhos de Leah.
_ O caos! Estamos vivendo o caos. É isto que está acontecendo. – A loba respirou fundo.
Sarah franziu o cenho, olhou pra Nessie.
_ Vou explicar tudo. Mas antes você precisa se alimentar. – A meia-vampira enfatizou. Antes que Sarah pudesse protestar, a menina já tinha saído do quarto e chegado até Rachel, pedindo-lhe que preparasse uma refeição pra ela. Sarah escutou a breve conversa que Billy e Rachel tiveram com a hibídria, perguntando dela, como ela estava.
A voz dos dois estava tensa, Rachel perecia chorosa.
_ O que está acontecendo, Lee?
Leah abaixou os olhos. Não sabia por onde começar. Se pelo menos Jacob pudesse estar ali. Mas agora ela não fazia ideia do que os lobos estavam fazendo. A índia resolveu contar a Sarah o mais simples de toda aquela confusão.
_ Não posso mais me transformar. Não consigo entrar em fase. Depois daquela noite em que eu descobri tudo sobre você eu… simplesmente não consegui mais.
Sarah se segurou para não demonstrar impaciência. No fundo ela queria saber de Jacob, porque ele não estava ali, com ela. A morena exalou profundamente e refez a postura. Leah percebeu pelo olhar da moça sua mudança, sua repentina seriedade e autocontrole. Sarah se aproximou da índia e começou a tocá-la, examiná-la cuidadosamente, atenta a cada sinal vital dela e do feto. Ela não precisaria de nenhum aparelho para isto, seus ouvidos e sentidos extremamente apurados eram tão ou mais satisfatórios do que aqueles.
_ Não precisa se assustar, Lee. – Ela disse – O seu bebê está crescendo, se acomodando em seu corpo. Ele precisa de estabilidade, pra se desenvolver melhor. Seu corpo está procurando o melhor para os dois. Por isto você não está conseguindo se transformar.
Leah afirmou com a cabeça.
_ O doutor presa me disse a mesma coisa.
_ Ele te examinou também? – Sarah perguntou.
_ Sim. Mas eu não confio na palavra de um sanguessuga.
Sarah sorriu minimamente quando escutou Nessie bufar. A menina já voltava para o quarto carregando uma bandeja. Dentro havia um prato de sopa quente. O cheiro parecia bom, tal como a aparência. Mas tudo o que Sarah menos queria fazer no momento era comer.
_ Não faça esta cara. Enquanto você não comer tudo o que está neste prato, ninguém vai te explicar coisa alguma sobre qualquer coisa. – A hibídria disse resoluta para Sarah, percebendo a careta que ela havia feito para o prato.
_ Ness eu…
_ Vai comer! – Ela quase rosnou para Sarah, sua face ficando rosada. Logo depois ela fechou os olhos e se concentrou um instante. – Sarah… — Disse, parecendo mais calma. – Eu prometi a Jacob que cuidaria de você, que ia fazer tudo o que meu avô recomendou se você acordasse e ele não estivesse aqui. Então, por favor, coma. Você não vai arrancar nada de mim enquanto estiver com esta cara de zumbi!
Relutantemente Sarah pegou o prato e se pôs a comer. A sopa poderia estar boa, mas ela não sentia gosto algum. Comeu o mais rápido que pode, quase se engasgando. Quando terminou aceitou de bom grado o copo de água que Nessie lhe ofereceu.
_ Está vendo! Agora está até mais coradinha. – Nessie disse, com a voz branda, no entanto não podia enganar a percepção tão sensível da moça. Renesmee estava tensa, tal como Leah, que também havia pegado um pouco da sopa e comido junto com Sarah.
Sarah tentou fazer as duas começarem a falar, mas naquele momento Emily chegou na casa com uma muda de roupa suas. A índia pensava que Sarah ainda estava desacordada, mas ao se deparar com ela sentada na cama, resolveu, junto com Rachel, que ela devia tomar um banho quente e trocar as roupas que estavam molhadas de suor.
Ela obedeceu, mas o fato era que odiava ser tratada como paciente. E lhe incomodava ter necessidades tão humanas em um momento daqueles. Ela sentia um peso no ar, a magia a oprimir. E precisava falar com Jacob.
Quando Sarah finalmente se viu liberta de Rachel e Emily, correu a sala, onde Leah e Nessie ainda lhe esperavam.
_ Se vocês não abrirem o bico agora, eu vou sair por aquela porta pra saber, exatamente, o que está acontecendo! – Ela disse, impaciente.
_ Não! – Nessie saltou da cadeira, parecendo assustada. Sarah estreitou ainda mais os olhos.
_ Então fa-lem! – Ordenou, com a voz arrastada.
Leah olhou pra ela e respirou fundo.
_ Aconteceu que o mundo virou de cabeça pra baixo, isto que aconteceu! – A loba disse, se levantando e ligando a televisão no canal de notícias. Sarah estranhou aquilo, mas assim que passou a prestar a atenção nos noticiários, seu sangue gelou.
_…os crimes bárbaros e um tanto estranhos tem colocado a população em pânico. As autoridades acreditam que estes crimes podem ser frutos de algum ritual macabro de uma nova seita adepta ao vampirismo. As semelhanças entre as mortes e os desaparecimentos indicariam que esta seita pode ter adeptos em vários países. – Uma repórter jovem falava, séria.
Sarah se sentou no pequeno sofá da casa do sogro, enquanto Rachel e Emily ralhavam com os filhos para que eles não saíssem de casa.
_ Nos últimos dias, a incidência dos crimes despertou o alerta da população. No entanto, de acordo com alguns arquivos policiais, podemos encontrar mortes com as mesmas características, cujas investigações foram arquivadas com explicações variadas....
Sarah mudou de canal. Era início da noite, horário dos noticiários. Não demorou muito uma entrevista com o mesmo tema surgiu em outro canal.
_ Bom, não podemos dizer, com exatidão, se todos esses crimes foram praticados por uma só pessoa ou por um só grupo, mas há, realmente, indícios que apontam para algumas coincidências entre eles… - Era o que dizia um dos investigadores responsáveis pelos casos em Nova York. Ele ainda mencionou a forma idêntica como ficaram os corpos após os crimes. O local dos ferimentos eram exatamente onde se localizavam as artérias principais. Não havia sangue nos corpos.
_ É muito cedo para definir se esses crimes têm conotação religiosa. Provenientes de uma seita. Mas todos eles estão sendo apurados. Nós estamos buscando informações de outras delegacias para confirmar ou não a procedência dessa versão… - Um tal delegado, Harry Stevenson, explicava, já em outro canal.
_ Seattle passa pelo mesmo terror que passou há mais de uma década atrás, quando assassinatos e desaparecimentos assombraram os moradores da cidade. A diferença é que agora, crimes parecidos tem acontecido em outras cidades dos Estados Unidos, no Canadá, em Londres, Irlanda, Rússia. Os especialistas pedem para que a população se acalme, que as relações entre os crimes nos outros locais e entre muitos que já foram arquivados há anos pode ser feita por pessoas assustadas. Não há nenhuma prova que confirme a ligação entre estas mortes…
Era um outro canal. Este era regional. O estomago de Sarah embrulhava. Se lembrou dos ataques que La Push começou a sofrer quando eles estavam na ilha. Algumas mortes os lobos não puderam evitar. Carlisle fazia atestados de óbitos falsos. Estas mortes, nas mesmas condições que as outras, pareciam ser lembradas pelos humanos. Eles estavam muito perto da verdade.
Leah se levantou e desligou a televisão. Logo depois foi a uma mesa pegando um jornal e entregando para Sarah. Na página policial, o mesmo assunto.
“Os rituais macabros estão de volta em pleno século XXI! Cresce os crimes possivelmente relacionados ao satanismo e os adeptos do mundo Dark. As figuras que parecem inspirar adoração agora são os vampiros, velhos conhecidos das lendas urbanas e sedutores criaturas presentes em romances, filmes…”
Sarah largou o jornal e colocou a cabeça entre as mãos.
_ Eles perderam o controle… não foi?
_ Antes conseguíamos camuflar tudo isto. Mas os Volturi sempre agiam de imediato pra impedir que o descontrole de recém-criados espalhasse terror por aí. Não estão fazendo nada! – Nessie sussurrou baixinho. – Foram dez mortes em Seattle… os corpos foram deixados em locais ermos, mas de fácil acesso. Os humanos encontraram antes de nós. Os Denali, nossos amigos, foram para Seattle tentar encontrar o motim de tudo isto. Mas são tantos vampiros que eles não podem contê-los sozinhos.
A morena ergueu os olhos pra jovem hibídria.
_ E aqui? Em Forks?
_ A mesma coisa… só que aqui parece ser um foco. Nos estamos sendo inescrupulosamente atacados. – Leah falou e agora Sarah percebia o motivo da tensão da loba. Ela abraçava fortemente o seu próprio ventre, o medo brilhava em seus olhos. Seu coração estava acelerado, tanto quando o pequeno coração da criança que estava dentro dela. – Eles descobriram nossa fraqueza… o mar. Ontem vieram um monte deles por lá… Nós não conseguimos proteger a costa toda… Os Cullens tinham ido ajudar os outros sanguessugas em Seattle… ficou só a Milla com a gente. – Leah respirou fundo. Uma lágrima escorreu em sua bochecha. – Três deles entraram em La Push. Pegaram um ancião e uma mulher… não conseguimos evitar… outros viram. A tribo inteira sabe que as lendas são verdade. Jacob não conseguiu contê-los. Esta manhã, depois do velório e cremação dos corpos dos nossos mortos, Jacob fez uma reunião com todos os quileutes e contou toda a verdade…
_ Meu Deus… — Sarah sussurrou. Sentia seu corpo inteiro tremer. Em alguns dias, tudo havia virado de cabeça pra baixo. Nessie havia dito que era porque os Volturi não estavam controlando os outros vampiros. Mas Sarah sabia que era outra a razão.
Os elfos sempre mantiveram o equilíbrio entre o natural e o sobrenatural. Sempre controlaram os vampiros e fizeram os humanos se esquecer do que era necessário que eles se esquecessem. E agora eles estavam presos… Quendra desaparecida.
Os lobos podiam lutar contra os vampiros, mas não poderiam proteger o mundo. E se os transmorfos se tornassem o foco…
A morena se levantou, tremendo. O que ela ia fazer?
Há tempos Jacob e os outros lobos sabiam que estavam sendo vigiados. Agora Leah dizia que os vampiros que os atacaram sabiam como e por onde atacar. Vampiros sabiam o que enfrentariam e eles não só passaram pelos lobos como entraram dentro da aldeia. Mataram quileutes.
Começou a andar pela pequena sala de um lado a outro. Rachel entrou no cômodo, tão cansada quanto Leah. No quarto, Billy e Emily distraiam as crianças.
_ Onde Jake está agora? – A voz de Sarah era apenas um fio.
_ Visitando casas… casas dos possíveis novos lobos. – Nessie respondeu. Sarah virou-se tão rapidamente para menina que assustou Rachel.
_ Estão se transformando?
_ Todos com mais de 15 anos. São muitos. Sam está ajudando Jake. Ontem, durante o ataque, três completaram a transformação em uma velocidade absurda. Lutaram por puro instinto. Sam teve que se dividir entre lutar e proteger os novatos. – Leah disse.
_ Por que você está aqui? – Sarah disse olhando para Nessie. Suspeitava do motivo, mas queria confirmar.
_ Ontem, um dos vampiros que escapou do cerco dos lobos veio direto pra cá. Você e Leah estavam na casa. Minha função era protege-las. Jake pediu isto… papai concordou. Eu consegui ludibriar o vampiro… mas ele era guiado pelo seu cheiro. – Nessie respirou fundo. – Eu escondi a casa da mente dele, mas isto não funcionou muito bem. – Ela fez uma careta. – Eu saí e o matei.
Sarah entendeu perfeitamente bem a agonia da menina. Era a primeira vez que ela tinha matado.
_ Ness! – a morena suspirou e a abraçou. Sarah queria poder dizer que tudo ia ficar bem, queria pegar Nessie no colo e a embalar para dormir tranquila. Os olhos da hibídria estavam tão cansados que Sarah tinha certeza que a garota não tinha dormido um segundo enquanto esteve ali.
_ Vá descansar. Eu posso dar conta das coisas por aqui.
_ Não, não. Está tudo bem… — Nessie começou a dizer, mas Sarah calou-a colocando dois dedos na frente dos lábios vermelhos.
_ Se você não descansar vai perder força. Vá! – A morena falou aquilo em tom de ordem incontestável. Algo que foi involuntário, mas ela observou com assombro Nessie virar as costas e ir para o quarto sem questionar. – Vocês duas, façam o mesmo. Vocês precisam, são o arrimo para seus filhos. – Ela disse para Leah e Rachel, mais branda.
_ Eu vou… — Rachel disse, com a face apática. Leah no entanto ficou, observou a irmã de Jake desaparecer em direção ao quarto em que seus filhos estavam, para depois voltar seus olhos sérios para Sarah.
_ Se as coisas continuarem assim, não vamos resistir por muito tempo… O ataque de ontem, a coisa que matou Caleb… não estamos preparados pra isto. – Leah jogou impiedosamente para Sarah. Esta se sentou novamente, mas com a postura ainda firme.
“Só uma explicação nos ocorre, Sarah. Nossa existência corre perigo”. Ela se lembrou das palavras de Koraíny e estremeceu por dentro. Porém a imagem da moça permaneceu inabalável para Leah. A loba havia observado Sarah dormir profundamente durante todos aqueles dias. Ao redor dela, o tempo inteiro, pairava uma energia pesada, quase palpável. Muito mais forte do que qualquer coisa que Leah já sentiu na vida.
Agora ela estava lá… sentada a sua frente, muito bem composta e parecendo segura de si. Não havia resquícios do pânico e do terror que havia tomado sua face no momento em que ela lia as reportagens e ficava sabendo de tudo. Leah já não podia sentir cheiro de medo vindo dela. De novo uma estranha energia pareceu se desprender de Sarah, conforme os olhos castanhos se tornavam ferozes.
_ Vamos resistir sim! – Ela disse. – E eu darei a vida por isto, se for preciso. Fique tranquila, Leah. Eu sei… — Sarah parou e engoliu em seco. – Sei que posso fazer coisas para proteger-nos. E vou fazer. Tudo o que eu puder.
Leah aceitou de bom grado o aperto de mão que Sarah lhe oferecia. A índia agarrou as mãos macias da moça e as apertou.
_ Os elfos podem nos proteger? – A voz de Lee estava fraca, quase sem esperança. Por um momento Sarah se assustou pela existência dos elfos ser conhecida. Mas logo se recuperou disto, se lembrando que tudo havia sido revelado aos lobos.
Seus olhos vacilaram pouco antes de responder.
_ Podem… — Murmurou para a loba, com o coração espremido. Naquele momento, o que disse era uma mentira. Os elfos não poderiam fazer nada.
Leah abaixou os olhos, suas mãos foram para o seu ventre. Sua voz saiu fraca.
_ Eu não quero isto para o meu filho. – Ela encarou Sarah, seus olhos brilhantes devido a lagrimas contidas. – Não quero que ele viva em um mundo assim. Eu olho para os jovens meninos que estão se transformando no meio deste furacão, lembro-me de Caleb… nós não temos mais paz… não temos.
Sarah, a muito custo, se manteve encarando Leah, mas por dentro se despedaçava cada vez mais.
_ Cada um tem que viver aquilo que é reservado para si. — A morena se levantou e sentou-se no chão, de frente para Leah. – Mas acredite em mim, seu filho vai resistir a todo desafio que tiver que enfrentar… ele será forte, tanto ou até mais que os pais.
_ Você não entende Sarah… eu não quero que meu filho seja um bom guerreiro… eu quero que ele seja feliz! Que ele seja feliz em paz! – Uma lágrima teimosa escapou de Leah, ela secou rapidamente, um pouco raivosa.
Sarah não suportou, apoiou os cotovelos nos joelhos e colocou a cabeça entre as mãos. Sem olhar para a loba, disse:
_ Vá descansar agora, Leah... e tente não pensar nisto. – Ela disse, sua voz fraca.
_ Tente não sair daqui. Espere o Jake, ele logo deve aparecer. – Leah disse.
Sarah não voltou a olhar para cima, nem respondeu. Ouviu os passos de Leah se arrastarem para longe, ouviu a cama que outrora ela mesmo estava deitada ranger sob o peso da loba. Logo, tanto Leah quanto Nessie dormiam um sono leve. Billy foi para a sala, as rodas de sua cadeira rangendo conforme andava, encontrando a nora na mesma posição em que Leah havia a deixado. Não disse nada, apenas se aproximou dela e lhe acariciou os cabelos ainda úmidos pelo banho.
_ Tenho a impressão de que há um grande peso nas suas costas. – A voz rouca de Billy lhe sussurrou. Sarah não respondeu, apenas abanou a cabeça. – Você é uma quileute agora Sarah. Os quileutes nunca estão sozinhos, somos todos um pelo outro. Desde o início da nossa tribo era assim…
Sem olhar diretamente para o sogro, Sarah lhe pegou a mão enrugada e a beijou.
_ Temo pelo que vai acontecer conosco… temo pelo que vai acontecer com Jacob… — Ele disse, encarando a nora. Sarah engoliu em seco, olhando assustada para o sogro. – Eu não estou sentindo coisas boas dentro de mim, minha filha… faz tempo. Só que depois do ataque de ontem, isto está mais forte. – Billy apertou os olhos. – E hoje… hoje Jake saiu de casa pedindo pra todo mundo cuidar bem de você. Me disse para te amar como minha filha.
Sarah enrugou o cenho, seu coração se espremeu, um gosto amargo encheu sua boca.
_ E ele me deu um abraço como nunca antes tinha dado… e me pediu perdão de novo pelo tempo que se afastou de todos. Parecia uma…
_ … despedida… — Sarah completou. Billy apenas acenou com a cabeça.
_ Talvez seja só receio de um velho pai. Porque, por mais que eu conheça as tradições, por mais que eu me orgulhe do meu filho ser o grande alpha… é difícil saber tudo o que ele tem que enfrentar.
Sarah mal ouvia as palavras do velho índio aquela altura. Tudo que pensava era: “preciso ver Jake.” Repentinamente ela se levantou e beijou a testa de Billy.
_ Onde vai filha? Jake disse, que se você acordasse, era pra espera-lo aqui, até ele voltar.
Sarah encarou o sogro. A cada segundo uma premonição macabra lhe assombrava. “É hoje. Está perto”.
_ Eu preciso garantir que ele volte, Billy. – Disse apenas isto, e num piscar de olhos, tudo o que Billy pode ver foi a sala vazia. Gelada e vazia.
_ Vovô… a tia Sarah sumiu! – Eliza sussurrou, saindo de seu esconderijo atrás da porta, e caçando a tia que a dois segundos estava parada bem ali, do lado do avô. – Ela também é uma loba? Ou é uma sanguessuga?
Billy abriu os braços e sua neta pulou em seu colo.
_ Ela é uma mulher muito especial. E poderosa… — Silenciosamente Billy completou a frase em seu coração, tentando acalmar sua própria angustia: “Deus, que o poder dela seja suficiente pra trazer meu filho de volta”.
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Tudo estava estranhamente silencioso. No momento em que Sarah saiu para fora da casa de Billy, percebeu a bruta diferença dos tempos em que pisou pela primeira vez na reserva para aquele dia. Não havia nenhuma criança brincando e rindo para fora das casas. Portas e janelas fechadas, o cheiro do medo e da angustia dominava o lugar. E faltava o calor tão próprio de La Push. Ela sabia que a morte de Caleb ia trazer angustia aos quileutes, mas não esperava que tudo ficasse assolado de forma tão rápida. Suas visões se tornando reais.
Precisava encontrar Jacob naquele exato instante. Urgente! Inspirou o ar, o cheiro de muitos lobos era forte… mas não pode sentir o dele. Porém, de uma forma estranha, ela sabia onde ir. Deu um giro em torno de si mesma e se embrenhou na floresta que rodeava os fundos da casa do sogro, cuidando para ser silenciosa e não acordar Nessie. Correu, e não demorou muito deu de cara com um lobo: Jared.
O lobo arregalou os olhos, lhe encarou por um tempo, e logo abaixou a cabeça, num cordato comprimento.
_ Jared… — Sarah sussurrou. O lobo lhe deu um latido, confirmando sua identidade. – Preciso ver Jacob.
Jared andou um pouco em sua direção e apontou na direção onde Sarah tinha vindo. A moça franziu o cenho, exasperada. Porque ele não podia falar com ela? Irritada ela encarou pesadamente o lobo e assustou-se quando uma voz soou em sua cabeça.
“Oh, merda! Volte para dentro da casa de Billy, Sarah”
Ela arregalou os olhos ao ouvir nitidamente a voz de Jared em sua mente.
_ Como? – Perguntou. Não teve resposta, somente mais um grunhido confuso do lobo. Então ela voltou a olhar atentamente os olhos de Jared e ordenou. – Fale comigo.
“Mas que porra é esta?” Novamente ela ouviu a voz de Jared em sua mente. Sorriu.
_ Posso te ouvir, Jared. – O lobo recuou, encarando Sarah como se ela fosse um E.T. – Onde está Jacob?
“Como assim, me ouvir?”
Jared ainda parecia incrédulo. A moça se irritou. Ela sabia como podia ouví-lo. Era porque ela simplesmente tinha poder pra isto. Como se aquilo fosse absolutamente natural, Sarah se fez ouvir de uma forma diferente.
“Ouvindo”. Respondeu. Desta vez, a voz dela soou clara na mente de Jared. Ele se agitou.
“Meu Deus… como pode isto?”. Ele questionava. Mas Sarah não queria saber disto agora.
_ Onde está o Jake? – Perguntou em voz alta. Jared se concentrou um instante e depois respondeu.
“Não está transformado. Ele estava na casa dos Makai, o mais velho deles estava se transformando muito rápido… e isto é mais… doloroso.” Jared deu um grunhido. Sarah pensou que talvez ele estivesse vendo algo relacionado a dor do jovem lobo em seus pensamentos. Mas ela não podia entrar na preciosa ligação mental dos lobos e ver o que eles viam. E ela só ouvia o que Jared dizia diretamente a ela.
_ Hummm… onde fica a casa dos Makai? – Perguntou.
“Nada disto. Você não vai pra lá. Não vou dizer.” O lobo se empertigou, resoluto. Ergueu o focinho pra cima fazendo Sarah ter gana de esganá-lo. Por que ele simplesmente não entendia que Sarah precisava estar perto de Jacob a todo momento agora?
_ Vou procurar sozinha. Obrigada pela informação. – Disse, virando as costas.
“ESPERE!” Jared gritou em pensamento, mas não foi isto que fez Sarah parar. Porque, pela mente de Jared, ela pode ouvir outra voz.
“O que ela faz aí?” Jacob disse exasperado. Ele havia se transformado e mesmo que não estivesse falando diretamente com Sarah, mesmo que ela, até o momento, não pudesse ouvir mais nenhum lobo além de Jared, ela pode ouvir Jacob. Muitos estavam transformados, todos acompanhavam abismados Sarah conversar com Jared e gritavam coisas a todo momento na cabeça dele. Sarah não ouvia. Mas a voz dele, de Jake, ela ouviu.
Ela se virou.
“Se transforme e carregue ela pra casa do meu pai, Jared!”. Jacob grunhia pra Jared.
“Sarah, espere aqui, vamos voltar para casa do Billy. Eu só vou…” Jared dizia, mas a voz de Sarah dentro da sua cabeça lhe interrompeu.
“Onde você está, Jacob?” Ela perguntou. Toda a balburdia das vozes dos lobos cessou no instante em que ela falou com Jacob pela mente de Jared.
“Cacete, ela pode ouvir a gente? Sarah? Você está me ouvindo?” Embry falou primeiro, enquanto Jacob ainda permanecia mudo. Mas a moça permaneceu encarando Jared sem esboçar reação. Não ouviu Embry.
“Jacob?” A voz macia dela soou novamente. O lobo alpha fechou os olhos, quase sorrindo ao poder ouvir a voz dela depois de tantos dias.
“Pode me ouvir?” Ele lhe perguntou. Pelos olhos de Jared, Jake viu ela afirmar com a cabeça, os olhos brilhantes. Os lobos voltaram a ficar em silêncio e Jared parado encarando Sarah, ciente de sua posição de “elo de ligação” entre marido e mulher.
“Onde você está?” Ela voltou a perguntar.
“Eu estou…” Jacob ainda falava, mas sua voz foi cortada repentinamente.
“Jacob?” Sarah e os outros lobos perguntaram ao mesmo tempo.
_ Onde ele está? Se destransformou? – Sarah perguntou, com seu coração martelando na garganta.
“Não, ele não entrou em fase… ele sumiu…” Jared disse, estranhando. “Jacob?” Voltou a perguntar, quase ao mesmo tempo que uivos soaram estridentes. Sarah sentiu o chão tremer, os lobos que estavam ali perto corriam desesperados em direção a costa. Jared olhou desesperado para Sarah.
“Outro ataque! Volte para a casa do Billy! Agora!”
Outro uivo. Era outro ataque de vampiros. Muitos deles. Jacob havia sumido da mente dos lobos e todos corriam em uma mesma direção. Mas algo estava errado. Algo gritava no coração de Sarah que o perigo maior não estava naquela direção.
Jared se moveu em direção a Sarah e deu um empurrão nela com o focinho.
“Vai!” Disse grunhindo, enquanto partia na direção dos uivos. Por um único momento Sarah permaneceu parada. Mas logo ela corria. Seu corpo cortava o vento, corria com o máximo de sua velocidade, sua vida parecia depender daquilo.
Ela corria na direção oposta a todos os outros. Corria para Jacob.
_ JACOB!!! – Gritou… ele precisava ouvi-la.
************
De repente ele não pode mais vê-la. Tudo ficou silencioso. Jacob chamou em sua mente:
“Sarah? Jared? Quil? Embry?” Ninguém respondia. E era impossível que todos eles tivessem voltado a forma humana de repente. Mas Jacob parecia sozinho.
Ele se concentrou na paisagem ao seu redor. Estava perto da fronteira de La Push com Forks, no meio da floresta. Tudo parecia calmo e silencioso… muito silencioso. Seus sentidos pareciam abafados.
Fora de seu comando, seu coração começou a acelerar, ele aguçou a visão, vasculhando tudo ao redor. Nada. Um frio percorreu sua espinha. Ele sentia alguém lhe chamar, mas não ouvia, exatamente. Se virou em uma direção de repente. Algo parecia vir de lá, ele esperava encontrar algo ao olhar, mas nada poderia lhe preparar para aquilo.
Olhos vermelhos, dentes brancos, lábios repuxados em um sorriso torto… pele pálida. Um sanguessuga. O cheiro pareceu brotar do nada e invadir sua narina, embrulhando o seu estomago. Mas não era qualquer sanguessuga, era o mesmo rosto que Sarah havia apontado no quadro na casa dos Cullen. Marcus Volturi, bem a sua frente… e do seu lado, a coisa que havia matado Caleb. A Ukhaha olhava para ele sedenta, lambendo os lábios.
_ Jacob Black… o rei quileute. – Marcus sussurrou… a voz fria. – Minha melhor isca. – Ele sorriu.
Jacob franziu o cenho antes de compreender. Ao longe viu Sarah correndo exatamente na direção dos dois, parecia não vê-los, mas corria.
“Sarah não!” Ele queria gritar, mas ela não podia ouvir. Tentou uivar, mas parecia que algo prendia sua garganta, não podia emitir som. Ao seu lado, a Ukhaha gargalhou. Ela fazia aquilo com ele.
Apavorado, Jacob viu Sarah parar a sua frente, exatamente nas costas de Marcus. Seus olhos estavam fixos nele, mas parecia não ver nada. O coração dela batia forte, seus cabelos estavam revoltos, seus olhos assustados e brilhantes.
Marcos se virou lentamente para ela, Jacob queria evitar, suas patas, no entanto, estavam congeladas.
_ Sarah… minha preciosa fonte de poder… — Ele sussurrou.
Os olhos antes assustados e perdidos de Sarah se tornaram ferozes. Ela deu um passo a frente e tudo se tornou o caos.
Notas finais
Algo difícil irá acontecer no próximo capítulo... algo que está sendo extremamente difícil de escrever, pq me dói imaginar. Mas agora, mais do que nunca, eu preciso que vocês confiem em mim.
A guerra é esta. Começou. E sim.... não há mais interesses dos vampiros se manterem ocultos. O pacto entre elfos e vampiros será quebrado. Sarah é dona do trono, mas para assumí-lo, terá de renunciar a algo, por um tempo.
E sim: a vida de Jacob está por um fio. Não é brincadeira.
Quando digo que confiem em mim é porque, acreditem: aconteça o que acontecer, o amor de Sarah e Jacob há de prevalecer.
Repito: não importa o que aconteça, o amor dos dois sempre irá prevalecer.
Confiem nisto e continuem a ler....
Obrigada a todos os comentários maravilhosos que recebi, amo-os, eles me alimentam, de certa forma.
Comentem, please... recomendem se gostarem...
Bjs e até a próxima.
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