The Precious Blood
55 PELO PODER DO MEU SANGUE
Notas iniciais
Leitora...
Escrevo-te.
Sinto-me cansada, indisposta. Lacrimosa. Palavras surgiram em meus dedos, escorridas de algum lugar dentro de mim e agora me avassalam em um nada e em um tudo inexplicável. É inexplicável a dor que sinto, é inexplicável o amor que sinto. Amo esta melancolia que me abate quando mais do que escrever, eu vivo. Vivo a vida, o sexo... e também a morte. Por vezes tento me afastar deste mundo de frases, letras, poesias... mas não consigo. Enraizada em mim, permanecem e crescem. De repente torna-se aquilo que me traduz, aquilo que me dignifica. Escrever tem sido meu amor escrever tem sido minha lágrima. Escrever me fez abraçar a vida, senti-la junta de mim, em toda a sua magnitude etérea... Mãos dadas, companheiras, caminhamos. E isto tudo, nada significa, nada muda, o mundo não para... para me ver, para me ouvir, para me ler Mas tudo se tornou mais do que somente a mim. E é tão inexplicável, que há um momento em que dói. Dói porque transcende toca, invade. Dói porque eu me entreguei demais a este nada imenso e me fiz de instrumento. Para que? Não sei. Cabe em cada linha uma fibra do meu coração, cabe em cada linha o calor do meu peito, cabe em cada linha a força do meu afeto. Escrevo-me e dou-me. Doo-me. Refaço-me. Tenho medo de perder isto... porque estaria também me perdendo.
Por isto te escrevo. Leia. Leia-me. Sou eu, é minha alma. Um pouco, mas é! Eu te escrevo, leitor... e escrevo sobre um amor que não me pertence, não te pertence, mas nos é dado. E a cada sentimento verdadeiramente sentido é o meu agradecimento. Porque, por meros minutos seu mundo parou, para ler a mim. Ler-me. Ver-me. Engrandecer-me. Que nossas almas se cruzem no etéreo.
E que minha loucura seja perdoada... porque metade de mim é amor e a outra metade.... também!
Leiam este capítulo com o coração aberto, ouçam a música que indico , repetidas vezes, pq ela denota o sentimento, e mais uma vez eu digo: confiem em mim. Há males que vem para BEM!!
Boa leitura!
“Morre agora, morre
E descobrirás que não morrerás
Morre no amor e quando estiveres morto, nova vida receberás,
Novo sangue lhe correrá pelas veias.
Morre, deixa a fragilidade de tua alma carnal esvaecer-se:
Ela é a grade, tu o prisioneiro.
Morre diante da bela e imponderável rainha,
E quando morto estiveres ante tal majestade
Hás de tornar-te insigne senhor.
E aquilo que pensam ser a tua morte,
Será o início de tudo.
Da majestade verdadeira é que se regeneram os mortos.
Aguarde o silêncio da morte,
Em nome da vida...”
(OUÇAM!) >>http://www.youtube.com/watch?v=zWbsnAHXyBU
Ela tinha certeza. Eles estavam ali, no meio da floresta aparentemente vazia, uma emboscada perfeita para ela e Jacob. O medo deu lugar ao ódio puro, Sarah sentiu o seu sangue ferver, seus olhos ardiam e antes que pudesse pensar, ela liberou toda a força que tinha dentro de si.
Gritou. O brado de ódio dela era como uma promessa de morte. O grito de Sarah fez tudo estremecer ao seu redor, pairou em ondas e ecoou por todos os cantos. Por sobre o grito dela, Jacob ouviu o som de uma explosão, como se todas as vidraças de um prédio enorme de estilhaçassem ao mesmo tempo. E então, a barreira que a impedia de vê-los, o poder que impedia Jacob de se mover: tudo desapareceu.
A primeira coisa que Jacob fez foi uivar alto, chamando os lobos para ali. Mas o terror da batalha que sua matilha enfrentava invadiu sua mente. A maior parte dos lobos lutavam contra vampiros que haviam entrado em La Push pelo mar. Não eram vampiros jovens, no peito de alguns deles pendia um pingente com o brasão dos Volturi. A luta estava acirrada.
Viu tudo isto em um segundo. O mesmo segundo em que Sarah encarou Marcus com nojo, enquanto ele retrocedia um passo para trás, cambaleando com a força do poder que veio da mulher a sua frente.
Sarah avançou pra cima de Marcus, mas parou imediatamente. A Ukhaha havia pego Jacob de surpresa. Rapidamente pegou a garganta dele e o rendeu pelo pescoço. O grunhido de Jacob fez o peito de Sarah sangrar. Uma lágrima caiu lenta.
_ Um passo e eu esmago o pescoço do seu amado lobo. – A voz grotesca da coisa lhe disse.
_ Muito bem… muito bem Kadinah. – A voz fria de Marcus voltou a soar. O vampiro já havia se recuperado do susto que Sarah lhe causou. _ Não esperava que você chegasse até nós tão rápido… Sarah.
A voz de Marcus era seca e sem vida. Seu rosto frio e apático, os olhos injetados de vermelho gritavam morte. E o cheiro que vinha dele era forte… nojento.
O peito da moça subia e descia rápido no ritmo de sua respiração. Marcus fechou os olhos, maravilhado pelo som do coração dela pulsando, pelo sangue tão precioso que corria nas veias dela. Era dele… só dele.
_ O que você quer? – Ela perguntou, já sabendo a resposta.
_ Você… vim te buscar. Quero você ao meu lado, me dando o seu sangue quando eu precisar.
Jacob voltou a grunhir preso nas garras de Kadinah. Ela aumentou a pressão no aperto. Sarah e Marcus olharam na direção dos dois.
_ Você só precisa se entregar… e vai ser mais fácil pra todo mundo. – Marcus disse, apontando para o lobo rendido. – Eu só preciso de você. – Ele disse. Marcus não sorria, seu rosto permanecia com quase a mesma expressão. Mas nos olhos dele, Sarah podia ver uma sede infinita.
_ É mentira… — Ela disse. Voltou a olhar para Jacob. – Você vai entrega-lo a ela.
Sarah disse, se referindo a Kadinah. Ela tinha certeza disto: se se entregasse brandamente a Marcus, ele a levaria, mas não deixaria Jacob livre. A demônio já o havia convencido que o coração do lobo alpha era tudo o que daria mais poder a ela, sua principal aliada. Kadinah queria o coração de Jacob pra si, enquanto Marcus queria o sangue de Sarah.
_ Você não tem escolha. – Ele disse.
Sarah sentiu quando Kadinah tentava colocar a bolha em volta deles novamente, para escondê-los e paralisá-los. Eles já podiam ouvir que outros se aproximavam, Sarah sentia o cheiro de Milla. Mas ela não podia deixar a Ukhaha agir novamente.
Quando teve certeza que a coisa não se concentrava tanto em Jacob, mas na sua própria magia, ela saltou em direção aos dois. Marcus lhe agarrou a nuca, ela rugiu exasperada e continuou olhando Kadinah com ódio. Sentiu a energia se liberar de si e a Ukhaha cambalear, como se tivesse sido golpeada no peito.
Jacob se desvencilhou, dando uma forte patada em Kadinah. Mas ela revidou rapidamente, e fincou as unhas no dorso do lobo. Ele uivou alto e o cheiro de seu sangue se dispersou no ar.
_ Não! – Sarah sussurrou, enquanto lutava por se libertar de Marcus. Mas sua velocidade não parecia ser o suficiente para livrar-se dele. Ele era ardiloso e concentrado na luta… agia como se esperasse cada golpe que Sarah dava.
A moça gritou mais uma vez e finalmente, ela viu Milla surgir atrás de Jacob. A vampira saltou pra cima da Ukhaha, que parecia disposta a investir mais uma vez em Jacob. Milla armou um chute para dar exatamente no peito de Kadinah, mas esta agarrou seus pés e a fez voar em direção oposta.
Lobos chegaram. Mas a notícia ruim era que com eles vinham outros vampiros. Sarah sabia que todos eram experientes, não meros recém-criados. Rapidamente contou: dez vampiros, sete lobos. Todos se misturaram na clareira. Estavam em desvantagem. Então Sarah arriscou… se concentrou e liberou todo o seu cheiro. De repente o alvo era só ela.
Milla se pôs então a sua frente, lutando com dois ou três vampiros ao mesmo tempo com uma ferocidade impressionante. Nada tinha a ver com a menina humana de meses atrás. No meio do caos Sarah se perdeu de Marcus. Mas viu Kadinah tentando passar vampiros e lobos e alcançar Jacob que estava protegido por Seth em Embry. O ferimento em seu dorso parecia maior do que ela imaginava.
Ela correu para a coisa, ciente de que se ela não a matasse, Kadinah mataria Jacob. Tudo o que ela tinha que fazer era destruir o interior da cabeça do demônio. Ela sabia disto, sabia como fazer.
Kadinah a viu se aproximar e sorriu, como se a incentivasse. Antes que pudesse golpeá-la, Sarah teve que desviar das garras de Kadinah. Voltou a investir, com gana. Desviou mais uma vez das mãos asquerosas e deu um golpe certeiro em suas costelas. Kadinah saltou pra frente, mas passou uma rasteira em Sarah. A moça quase caiu, mas se recuperou rápido. Se virou novamente e se deparou com uma espécie de barreira mágica. Sorriu maligna para a coisa antes de romper com aquilo com um poder que antes ela nunca tinha usado, nem sabia que tinha.
Ia voltar pra cima de Kadinah, mas novamente teve a nuca agarrada. A morena foi jogada contra um enorme carvalho, que rangeu sob o impacto. Abriu seus olhos para ver Marcus lhe encarar sedento. Agarrou as mão dele, mas o vampiro investiu o próprio corpo contra ela. A arvore não suportou e caiu.
O estrondo da arvore caindo acompanhou o uivo dolorido de um lobo. O coração de Sarah disparou ainda mais, provocando a sede do vampiro que agora estava em cima dela, por entre destroços de madeira, imobilizando-a com o corpo. Ela se debateu desesperada, enquanto ele tentava a todo custo lhe morder.
Então ele estava longe novamente. Milla o havia arrancado de cima dela e agora os dois lutavam.
_ Maldito! – Milla grunhia.
Sarah passou pelos dois, procurando Jacob, mas uma vampira ruiva interrompeu seu caminho. Parecia que havia mais deles por ali. Sarah desviou e investiu repetidas vezes antes de conseguir arrancar a cabeça da fria.
Outro uivo. Sarah olhou pro lado e viu Brad caindo… uma fratura exposta em uma de suas patas. Um vampiro saltava pra cima dele. Ela ia ajudar, mas Nessie apareceu nesta hora. O vampiro ficou confuso um instante, parecendo se embaralhar na visão. Foi o instante necessário para Nessie saltar e lhe arrancar a cabeça sem hesitar.
Sarah olhou pra Nessie e a viu com os olhos escuros, a face de anjo distorcida em fúria, tal como Milla. Mas logo elas tiveram que desviar de algo peludo que passou voando em suas cabeças. Seth! Ele fora jogado longe por Kadinah. Milla gritou.
Sarah e Milla correram em direção a Ukhaha. Marcus parecia ainda firme, mas Renesmee ousou ficar em seu caminho. Concentrou-se e focou na mente do vampiro milenar, criando uma visão completamente diferente da que havia ali. Então ela foi pra cima dele, chutou-lhe o abdômen, tentou agarrar sua cabeça, mas ele reagiu.
Agarrou os cabelos da hibídria e jogou seu rosto contra outra arvore. Nessie cambaleou, mas se levantou. Seu sangue começou a turvar a visão. Limpou os olhos a tempo de ver uma mulher linda e frágil encarando Marcus profundamente triste. Ela era loira, sua face delicada, tinha o corpo alto e esguio.
_ Quendra não! – Nessie ouviu Marcus sussurrar.
_ Suma daqui… – Ela disse de volta. Uma luz cegou os olhos de Nessie e depois ela não pode mais ver Marcus por ali… nem ele e nem a bela mulher loira.
A hibídria olhou ao redor, ainda havia muitos vampiros resistindo e muitos lobos feridos. E Sarah que brigava furiosa no meio dos vampiros. Do outro lado Milla tentava agarrar a Ukhaha, mas não parecia ter muito sucesso. Em outro canto Jacob lutava, mas Nessie podia ver que ele estava ferido gravemente. Embry o ajudava, mas o vampiro que lutava contra eles parecia ser o mais forte.
Ela podia ir pra qualquer pessoa, havia muitos para ajudar, mas tudo o que sentia era que precisava proteger Jacob. Correu em direção a ele, mas aconteceu tudo muito rápido. Ela teve que defender Seth de outro vampiro. A mulher loira voltou a aparecer e alguns vampiros começaram a recuar, ao mesmo tempo que a Ukhaha urrou de ódio e agarrou Milla pelo pescoço o apertando. Nessie sobressaltou-se temendo que a amiga morresse.
Sarah parecia ter o mesmo sentimento, pois logo estava em cima da Ukhaha, agarrando os tentáculos que havia em sua cabeça. Os tentáculos se agarraram nas mãos de Sarah, ardia, mas ela não hesitou. Afundou mais as mãos até quase alcançar o centro da cabeça, em que algo pulsava. Conseguiu afastar os tentáculos do seu caminho, para pegar a coisa que reluzia e dava vida a Ukhaha, mas ela se jogou pra trás, fazendo as duas caírem.
Kadinah se levantou antes de Sarah e estava prestes a dilacerar o pescoço da moça com suas garras quando um uivo furioso cortou o ar. Jacob via o que a demônio pretendia. Kadinah sorriu. Sarah tentou se erguer, mas Kadinah lhe chutou e se virou, recebendo Jacob que saltava pra cima das duas tentando defender a esposa. A Ukhaha ergueu a mão posicionando as garras e foi de encontro a Jacob.
_ NÃOOOOOOOO!!!! – Sarah gritou, lutando para se erguer do chão. Mas não foi tão rápida. Viu apavorada as garras longas de Kadinah rasgar o peito do lobo castanho-avermelhado antes que Nessie e Milla, que corriam naquela direção, chegassem até ela.
Nessie imediatamente tirou a criatura de cima de Jacob, as garras saíram dele e o sangue jorrou. Jacob caiu. Milla segurou a Ukhaha e, furiosa, Sarah se ergueu sem sequer saber como e partiu para cima da criatura. Nessie agarrou os tentáculos da cabeça da coisa e Sarah chegou a tempo de enfiar a mão na cabeça dela, romper com a pele e arrancar com ódio o miolo reluzente que lá havia.
Ela caiu aos pés de Sarah, sem vida. A ultima demônio Ukhaha estava morta.
Um pouco mais a frente, estava o corpo de Jacob, aos poucos voltando a forma humana… o sangue se espalhando ao seu redor e o peito de Sarah morrendo. Era exatamente a mesma visão que a tinha atormentado nos últimos meses. Tudo deixou de ter importância ao redor dela, naquele momento era só Jacob, só pensava nele e faria tudo por ele.
_ Não! – Aquela palavra escapou por seus lábios de forma pesada. E era muito mais do que uma negação fraca da realidade. Era uma determinação forte: “não, aquilo não ia acontecer”. – Não!
Ela repetiu, finalmente se movendo, criando a consciência de que a luta realmente havia acabado, que eles haviam vencido e os vampiros que não foram mortos fugiram. Mas tudo o que a guiava naquele momento era o “não”. Ela não permitiria que aquilo acontecesse com seu marido.
Sarah correu e se ajoelhou ao lado de Jacob. Passou a analisar o seu real estado. Ele respirava com muita dificuldade, seu olhar estava perdido, o seu coração batia cada vez mais fraco e ele perdia muito sangue a todo momento. Ela tirou a sua própria blusa, não se importando que ficasse seminua, e a rasgou em pequenas tiras, precisava fazer tudo muito rápido.
_ Leve os outros lobos feridos a Carlisle. Seth, entre em contato com os Cullen e diga que precisamos deles aqui: AGORA. – Sarah ordenou, enquanto suas mãos trabalhavam em velocidade incrível para estancar o sangramento dos ferimentos de Jake.
Todos que permaneceram estáticos e em choque ao lado dela ao ver a mesma cena – Jacob Black, o lobo alpha, a beira da morte – despertaram. A voz de Sarah era mecânica, suas atitudes pareciam frias, mas havia nela uma determinação tão forte que todos sabiam o que ela queria dizer com aquela postura. Naquele momento, não havia tempo pra chorar, não havia tempo pra ficar assustado ou em choque. Eles tinham que continuar agindo, continuar lutando… lutando pra tentar alcançar um milagre.
Seth ignorou o seu braço quebrado e se pôs a ajudar os outros lobos feridos. Milla e ele, como vinha acontecendo a dias, apenas se olharam, e isto bastava para que dessem força um ao outro, mesmo ainda não sendo capazes de se tocar.
Sarah debruçou-se sobre Jacob e analisou a profundidade dos ferimentos. Os cortes no peito eram os mais profundos e aqueles que mais chegaram perto de mata-lo. O ferimento mais antigo em seu dorso não havia cicatrizado nem um pouco, a cura rápida dos lobos parecia não ter tido efeito nenhum. Ele perdeu sangue por aquele ferimento durante toda a batalha, e já estaria fraco o suficiente só com aquilo. E não havia indícios de que ele poderia se curar sozinho. Isto só significava uma coisa: nas garras de Kadinah havia algum veneno que impedia o processo de cura natural dos lobos.
_ Eu preciso levar Jake pro hospital agora. Nessie… você aprendeu algo com seu avô? – A moça perguntou, enquanto cuidava de imobilizar Jacob para ser transportado até o hospital de Forks.
_ Sim… eu já vi ele agir em cirurgia e ajudei a…
_ Vá ao hospital… na nossa frente. Prepare uma sala de cirurgia ampla com todos os recursos possíveis. Use o seu poder para enganar a mente de qualquer humano que possa se meter no caminho. Vai agora, estou logo depois de você. – A voz autoritária de Sarah não fez Nessie nem pensar… ela simplesmente foi.
Como todos ali, ela não tinha condições de decidir nada… por isto todos agiam tão passivamente as ordens de Sarah. Eram as únicas alternativas possíveis.
_ Milla, me ajude a leva-lo. – Sarah ordenou, dessa vez se dirigindo a Milla. Se afastou minimamente do corpo de Jacob. – Pode carrega-lo? Rápido?
_ Posso. – A menina disse. Naquele momento, no entanto, ela não era mais a vampira feroz… ela era uma menina com muito medo e muita insegurança. Mas ela teria de ser forte um pouco mais, porque Sarah precisava dela.
Num instante Ludimilla se abaixou e pegou Jacob nos braços da forma como Sarah instruiu. Ele quase não pesava, ela suportava carrega-lo facilmente. O sangue dele, no entanto, começou a manchar suas vestes rapidamente. Aquilo lhe estremeceu as pernas.
_ Milla, por favor. Não enfraqueça. Eu preciso de você! Agora só você e a Nessie vão poder me ajudar. – E naquele momento, havia fragilidade e medo no olhar de Sarah, mas foi um lapso.
Logo que Milla se empertigou e se pôs a correr em direção ao hospital, a morena se arrumou e foi atrás. Em sua cabeça, nada do que deixava pra trás era importante, tudo poderia ser deixado pra depois, tudo poderia ser visto depois. Jacob não… ele precisava dela agora.
Só uma coisa reteve sua atenção: Quendra. Sarah passou por ela no caminho. Em sua forma humana, parecendo frágil e desgastada. A elfo olhou para Jacob nos braços de Milla e não esboçou reação alguma. O olhar perdido dela encarou Sarah e nada disse: nenhuma explicação, nenhuma ordem. Havia um abismo negro no olhar da elfo, ela parecia perdida nele. Então ela desapareceu, deixando tudo nas mãos de Sarah e somente dela.
Nada mais deteve a moça, que saiu atrás de Milla correndo em direção ao hospital. A cada momento, o som do pulsar do coração de Jacob mais fraco… o tempo perdido era a vida dele escoando por entre os segundos.
Não demorou muito, Milla alcançou uma distância considerável de Sarah. Ainda que ela estivesse sendo cuidadosa com o transporte do lobo, ela conseguia ser mais rápida do que qualquer um. Sarah a deixou ir na frente, apenas gritando instruções sobre o que ela deveria fazer ao chegar ao hospital.
Muito perto do hospital, dois lobos lhe alcançaram. Eram Paul e Quil.
“Sarah, está me ouvindo?”
Paul perguntou, testando o mesmo tipo de comunicação que Jared tinha tido com a moça mais cedo.
“Sim”. Ela disse, concisa, concentrada em seu caminho.
“Os Cullen estão vindo. Os lobos feridos foram levados para a mansão, o doutor presa chega em vinte minutos.”
A moça apenas acenou com a cabeça.
“E Jake?” Paul perguntou, receoso.
Sarah permaneceu em silêncio até o momento em que quase saíam da proteção das arvores para entrar no pátio de estacionamento do hospital.
“Protejam os arredores do hospital. Não permitam que nenhum vampiro se aproxime, nem mesmo um dos Cullen.”
Isto foi tudo o que Sarah disse a eles. Depois virou e entrou no hospital. Ninguém parecia vê-la passar, suas faces concentradas no que faziam, a moça sabia que aquilo era efeito do poder de Nessie, que já devia saber que ela estava ali. Sarah se guiou pelo cheiro de Jacob, pelo cheiro do sangue dele, e logo estava em uma sala ampla, coberta de azulejos brancos e com uma grande mesa cirúrgica em seu centro. O ambiente era conhecido, ela já havia estado muitas vezes em lugares como aquele. Poderia dizer que era até familiar. Mas naquele momento aquilo parecia opressor, frio demais.
Milla estava parada ao lado da mesa cirúrgica em que Jacob estava deitado. Nessie agia da forma como sabia para tentar evitar que Jacob sangrasse mais. Sarah se movimentou pela sala rapidamente pegando objetos, instrumentos cirúrgicos, agulhas, medicamentos.
_ Ele perdeu quase todo o seu sangue. Eu mal posso ouvir a pulsação. – Nessie sussurrou. – Não há nada que faça parar… e os ferimentos não fecham!
_ Nós vamos forçar o sangramento parar. Tem que interferir cirurgicamente. – Sarah disse trêmula. — E depois vamos fazer uma transfusão de sangue. – Disse. Milla olhou assustada pra morena, que já tinha todos os equipamentos preparados. – Eu vou dizer o que terão de fazer. – Ela lhes disse.
_ Como assim? – Milla perguntou quase em pânico.
Sarah não respondeu, agiu. Uma mascara de oxigênio foi colocada no rosto de Jacob. As meninas obedeciam precisamente cada instrução que Sarah lhes dava, mas além disso, Sarah parecia dominá-las de alguma forma, de um jeito que elas pareciam saber o que Sarah queria que elas soubessem. Sarah injetou soluções salinas diretamente nas veias de Jacob para tentar repor o volume de sangue perdido, diluindo o que ainda restava. Mas isto não surtiu os efeitos precisos e seus sinais vitais diminuíam cada vez mais.
O coração de Jacob parava. Em sua primeira parada cardíaca Sarah não pareceu perder o controle, o trouxe de volta. Mas ela sabia que ele não suportaria uma segunda.
_ Hemorragia classe IV… transfusão sanguínea urgente… — Sarah sussurrava pra si mesma, enquanto se movia desesperada pela sala. — Ele precisa de sangue. – Ela disse. Era preciso repor toda a significativa quantidade de sangue que ele havia perdido e, mais do que isto, devolver a ele a capacidade de cura de seu próprio corpo. Do contrário Jacob não aceitaria nenhum medicamento, o corpo dele simplesmente não reagia a nada.
Mas Nessie não compreendia. A hibídria tinha certeza que havia algum veneno no organismo de Jacob que o impedia de reagir. Seu corpo, mesmo que recebesse sangue, não parecia ser capaz de se curar. Mas a menina não quis dizer isto a Sarah, pois ela parecia convencida que tinha como salvar o lobo.
_ Ele precisa de muito sangue, Sarah. E precisa agora. E o sangue dele é diferente… Qual sangue ele vai receber… onde nós vamos arrumar? – Milla disse.
O rosto de Jacob estava quase sem vida, seus lábios arroxeados e, assustadoramente, sua pele estava fria.
_ O meu sangue… — Sarah sussurrou. – O meu sangue vai te salvar, meu amor. – Ela disse.
Por um segundo, por somente um segundo, Sarah parou. Olhou pra seu amor, acariciou-lhe a face e uma lágrima caiu. Por Deus! A pele do homem lobo estava fria!
Depois ela voltou a sua frenética corrida.
As outras criaturas que acompanhavam a agonia, tão capazes e tão poderosas, estavam tontas. Só depois de tudo pronto, perceberam que já estava tudo preparado para a retirada rápida do sangue de Sarah.
A moça parecia um vulto ao redor das vampiras. Mas quando Nessie e Milla entenderam o que ela ia fazer entraram em pânico. Sarah estava preparada para retirar seu próprio sangue e dar a Jacob, porque ela sabia que seu sangue era mágico e que poderia suprir mais do que qualquer outro tudo o que Jacob precisava. Mas o problema era…
_ Sarah… nós não vamos resistir… — Milla disse, já com a voz arrastada.
Lágrimas caíam a esmo pelo rosto de Sarah, ela nem ao menos se dava conta que chorava.
_ VOCÊS PRECISAM! – Ela gritou. – Precisam… — Murmurou. – Só posso contar com vocês. Vocês tem que resistir ao cheiro e, mais do que isto, vão precisar fazer tudo o que eu não vou poder fazer.
Nessie se sentiu estremecer quando a própria Sarah injetou uma agulha em seu braço direito e o seu sangue começou a correr pelo tubo fino levando a uma bolsa. A moça se sentou em uma cadeira próxima a mesa de cirurgia.
_ Nós vamos ter que manipular o seu sangue? – Os olhos de Milla, que jamais perderam a coloração vermelha depois que chegou da ilha, escureceram.
_ Vão… eu vou fazer parte disto com vocês… — a moça respondeu.
_ Como? – Nessie murmurou, retendo os músculos.
Os olhos castanhos de Sarah encararam as duas. Como? Esta era a pergunta. Durante a conversa, dez preciosos segundos se perderam. Não havia tempo. Como? A pergunta soou na mente da moça novamente… e a resposta veio de dentro de si. Sarah sabia como.
Os olhos castanhos mudaram. As pupilas cor de café se dilataram, aos poucos tomando conta de quase toda a íris e o olhar de Sarah pareceu engolir as almas preciosas de Milla e Nessie.
_ Anoyahew nok blohodir… — A magia élfica escapou pelos lábios morenos. – Pelo poder do meu sangue.
Após dizer aquilo algo mudou. As meninas sentiam Sarah dentro delas, vendo o que elas viam, sentindo o que elas sentiam. E Sarah passou a sentir uma sede dupla pelo seu próprio sangue. Mas ela era muito mais forte para resistir.
O comando mágico fizeram as mãos de Nessie agir. A pele de Sarah foi perfurada em outro lugar, mais sangue indo para bolsas, enchendo-as rapidamente. Enquanto isto Milla estava na mesa de cirurgia frente a Jacob. Suas mãos eram precisas, sabiam o que fazer. No peito de Jacob os ferimentos profundos deixavam a mostra seu interior. Milla podia ver precisamente o corte na artéria muito próxima ao coração, os ossos do tórax pareciam ter sido cortados por lâmina afiada. E lá, no centro das células sanguíneas, resquícios de uma substância negra poluía o sangue tão distinto do homem lobo.
As mãos comandadas por magia iniciaram uma cirurgia delicada e rápida. No dorso de Jacob pontos foram dados, tudo que estava aberto delicadamente fechado. A pressão de Jacob oscilava entre baixa e quase nada.
Sentada na cadeira, com seu sangue sendo retirado ao máximo, Sarah se sentia sonolenta, enfraquecia aos poucos, mas algo maior, dentro dela, agia com uma força impressionante. Seus olhos piscaram lentamente, sua respiração baixa e lenta parecia ser um dos raros sons daquele lugar, salvo os aparelhos que estavam ligados a Jacob.
As primeiras duas bolsas de sangue foram completadas e retiradas, logo sendo substituídas por outras. Então Sarah sentiu a força de duas feras. Sua garganta seca, um rugido fraco arranhando sua garganta pra sair. A sede de Nessie e Milla, o desejo delas, a atormentava. Sarah apertou os punhos, os olhos e cerrou a mandíbula. E rugiu. Milla, com o pouco de consciência que tinha sobre si, prendeu a respiração, aliviando seu próprio tormento e o de Sarah.
Nessie injetou as agulhas que levariam o sangue tão precioso nas veias de Jacob e a transfusão começou…
O esforço mágico, a perda de sangue… Sarah sentia a inconsciência lhe chamar.
_ Não… – Sussurrava para si mesma, mais uma vez.
Abriu os olhos, para ver o rosto de Jacob pelos olhos de Nessie… onde estava o brilho de sua pele castanha-avermelhada? A cor de seus lábios? Nessie ergueu a mão e afagou o rosto sem expressão… frio. Ele estava tão frio.
Era como se uma serpente se enrolasse no coração de Sarah, começava a doer, doer muito, lá dentro.
Então a pressão de Jacob voltou a cair… mais… e mais…
_ Aceita… aceita o meu sangue… — A voz chorosa de Sarah implorava.
Milla fazia o que era pra fazer… o sangue de Sarah entrava lento dentro de Jacob e brigava com o veneno do demônio que estava nele…
Uma batida do coração… lenta… fraca… quase perdida… mais uma… ainda mais baixa.
“Não vai… não vai…” Era a prece muda de Sarah.
Do lado de fora do hospital, um uivo lacrimoso, que ajuntou-se com outro e mais outro. Os lobos sofriam… algo era arrancado deles. O choro da matilha doía.
Um solavanco sacudiu o corpo de Sarah na cadeira. Doía!
Nessie foi socorrê-la. As unhas de Sarah cortavam sua própria mão devido a força com que ela as fechou. Os lábios da moça já estavam brancos e as lágrimas caiam escassas e gélidas cortando caminho por entre as pálpebras cerradas.
_ Jacob… meu amor… único amor… — Era seu murmúrio incessante.
Uma batida do coração dele… depois de longo tempo… mais outra. Sarah podia ouvir a agitação de Milla ao redor da mesa cirúrgica, mas nem tinha consciência do que, exatamente, Milla era conduzida a fazer, mesmo que fosse a magia vinda dela que comandasse a vampira. Abriu os olhos, lentamente virou a cabeça em direção a Jacob… Uma luz bonita o rondava, um calor brando encheu a sala, envolveu o corpo de Sarah.
_ Não… – Ela murmurou. – Não, não, não!
Sarah fechou os olhos novamente… o calor começou a aquecer o seu coração, um cheiro conhecido e confortável lhe perfumou os sentidos, um amor tão belo começou a fazer força para arrancar a serpente de dor que sufocava o coração de Sarah.
Ainda sim havia dor nela, e ela repetia:
_ Não… não vai…
Abriu os olhos, a luz se afastava do corpo dele… se dispersava e parecia tomar conta de tudo.
_ Não… eu preciso de você… aqui! Não, não, não! – Já não havia força em sua voz, seu corpo cedia, sua visão embaçava.
Era como um abraço lhe envolvendo… uma presença forte pairando ao seu redor e lhe dizendo:
“Estou aqui… estarei do começo ao fim… nada pode vencer isto… nosso amor”
_ Não! – Ela repetiu, débil, sem mais coragem para abrir os olhos.
Mas o rosto dele com aquele sorriso, surgiu em meio aquela escuridão. Tão doce, tão quente e tão suave que o pesadelo parecia se converter em sonho.
“Estou em você… em você para sempre…” A rouquidão daquela voz, lhe acariciando a ferida que se abria aos poucos… não!
_ NÃO! – O grito escapou. Sarah abriu os olhos, voltou a ouvir.
Ouviu uma ultima batida daquele coração… e mais nada.
_ Massagem cardíaca… traga-o de volta! – Foi o que Sarah conseguiu sussurrar a Nessie e Milla antes de se render ao peso da inconsciência.
“Durma meu amor…” Jacob lhe disse, de algum lugar muito perto e muito longe
Notas finais
HÁ MALES QUE VEM PARA BEM!
P.S.: Respondo perguntas nos comentários (tentarei responder todos) e na página da fic no facebook: https://www.facebook.com/ThePreciousBlood.
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