Notas iniciais
Capítulo eletrizante... e tenso... algo acontece aqui que revela parte do que será o climax da história!! Fiquem atentas!

“Pérfidas criaturas… sanguinárias e mórbidas!

Elas têm a morte no peito, mas insistem em perambular pelo mundo

Escondidas por entre a multidão inocente.

Serão elas totalmente más? Serão todas elas desprezíveis?

Não importa! Seus dentes de aço e veneno não podem tocar minha pele!”

Diomede, Alasca.

_ Eu peguei o maior monstrinha!

_ Porque você é um comelão, gosta de se empanturrar!

Edward olhava a cena que quase sempre se repetia quando iam caçar: Emmett tentava disputar com alguém o tamanho de sua caça. Era incrível! Quando Renesmee era menor, e caia nas provocações do tio, era sempre engraçado ver os dois disputarem entre si. Mas ainda que a hibídria fosse muito mais nova que ele e necessita-se de uma quantidade muito menor de sangue, Emmett sempre bradava a vitória diante da caça maior, deixando a pequenina Cullen emburrada.

_ Qual é Renesmee? Admite que você não tem é habilidade pra matar um leão da montanha hibernando vai! – Emmett dizia, de peito inflado, com uma gigantesca carcaça de urso aos pés.

Renesmee só riu, balançado a cabeça. Quase cem anos nas costas e o tio era muito mais criança que ela, que tinha dez...bom, na verdade, dez era só um número, porque ela não se sentia com só dez aninhos.

_ Não importa o quão grande você está mocinha, você tem só dez aninhos e é minha menininha – A jovem olhou para Edward sorrindo. Menininha! O pai, mas do que ninguém, sabia que ela não tinha comportamento, aparência e pensamentos de menininha. Ao ler o pensamento da filha, o vampiro só deu um sorriso torto, sua marca registrada e a perdição de Dona Bella. Renesmee imaginava que cada vez que o belo vampiro sorria para a humana que um dia sua mãe fora, o coração dela devia voar de deslumbramento.

_ Bom, na verdade, a pulsação dela acelerava sim e, ás vezes, ela ficava corada. – Edward respondeu, de novo, os pensamentos da filha.

_ Outra conversa parcialmente oculta! Acaso falam de mim? – Bella se aproximava depois de ter enterrado sua caça para ocultar os vestígios. Ela chegou perto de Renesmee e acariciou os longos cachos acobreados da moça-meio-vampira.

_ Na verdade, parecia que sua filha estava afagando o ego de Edward mais uma vez, Bella. Vocês duas deixam este cara muito metido! – Rosálie disse, com seu natural ar petulante.

_ Oh tia Rô, não fique com ciúmes do papai, vai! Você é tão linda que não preciso nem dizer, não é mesmo? – A loira sorriu com o galanteio da sobrinha.

_ Edward! – Jasper chamou a atenção de todos que estavam na clareira com sua súbita aparição e com o chamado em uma voz grave. Ele ainda estava a uma boa distância, mas tinha os olhos focados em Edward. Não era pra Jasper estar ali, ele já havia caçado com Alice, Carlisle e Esme no dia anterior, eles deveriam estar em casa naquele momento.

Edward estava concentrado demais nos pensamentos do irmão, seu cenho se franzindo, obscurecendo, por um milésimo de segundo ele olhou para a esposa, com uma expressão receosa.

_ O que aconteceu? – Bella perguntou, já pressentindo algo nada bom. Edward fechou os olhos e sua postura pétrea ficou mais rígida.

_ Alice! – Ele disse. Todos estremeceram. Quando o nome da vampirinha era dito daquela forma por Edward, todos sabiam que ela tinha tido alguma visão nada boa. Bella voou pra cima do marido.

_ Alguma coisa com meu pai? – Edward maneou a cabeça de forma negativa.

_ Vamos voltar pra casa agora! – Ele falou aquilo como uma ordem, Bella se desesperou ainda mais.

_ O que você não quer me contar Edward? Diga! Diga agora! – Porque sua esposa tinha que ser sempre tão teimosa?

_ Mãe, eu acho que é melhor conversarmos em casa. Lá o papai vai poder ler o que exatamente a tia Alice viu e vai poder explicar melhor! Vamos que agente fica sabendo de tudo de uma vez... – Renesmee disse aquilo já puxando a mãe para longe do pai, em direção ao norte, onde ficava a residência dos Cullens.

Edward desviou o olhar para a filha como um sinal de agradecimento, ele não sabia de onde ela tirava tanta sensatez, sempre tomando decisões coerentes. Às vezes, ela parecia realmente ser neta de Carlisle. Mas a hibídria notou que o pai estava perturbado, hesitava em falar com Bella e, conhecendo-o como conhecia, tinha certeza que o que quer que Alice tenha visto, era relacionado à Bella.

Enquanto todos corriam pelas montanhas congeladas do Alasca, em direção a mansão, Edward relembrava o passado, quando sentiu medo de perder tudo: os irmãos, a esposa, a filha e sua própria existência. Tudo foi causado pelo maldito clã italiano, que depois de uma denuncia infundada e precipitada de Irina Denali, vieram até eles com sede de conquistar, de acabar com a ameaça que os Cullens representavam para os Volturi. Fariam isto ainda que à custas da morte dos que resistissem, sob o pretexto de fazer se cumprir a punição pela lei de não tornar uma criança imortal.

Foram dias de terror enquanto eles tentavam arrumar uma saída, para proteger principalmente a vida de Renesmee, naquela época com poucos meses de vida. Mas eles conseguiram se igualar em número com os Volturi, graças a boa influência de Carlisle, reuniram cerca de trinta testemunhas para atestar a criatura particular que era Renesmee. Na clareira ao norte de uma floresta do Alasca, no dia do enfrentamento com a “realeza vampírica”, descobriram a existência de outro hibídrio trazido por Alice, que acabou por garantir a sobrevivência de Renesmee. Descobriram ainda o poder excepcional de Isabela, que protegia a mente de todos. Mas naquele dia, uma coisa saiu errado...

_ O que aconteceu Alice? – Bella entrou ventando dentro da esplendorosa mansão de arquitetura moderna, com traços retos e a tradicional variação da cor branca, preferida pelos Cullens.

Alice estava em um canto da sala, esfregando as têmporas, tentando ver mais daquilo que não podia. Ela ignorou Bella, olhando diretamente para o irmão, estreitando os olhos. Edward socou a parede, quebrando-a e assustando a todos. Isabela parou com o ataque de teimosia, olhando o marido assustada.

_ Eu sabia, eles não iam desistir! – Edward sussurrou raivoso.

Renesmee sentiu uma onda de pânico imediatamente: foi a primeira a conjecturar quem eram os “eles”, da frase do pai. Assim que a onda de controle foi passada por Jasper a ela, a garota se aproximou do vampiro que ainda tinha a mão enterrada na parede.

“O que eles querem pai? O que eles vão fazer agora?”. Ela perguntou diretamente na mente do pai, com o poder de seu toque. Involuntariamente passou a ele também seus medos. Ela temia pela família, principalmente por Alice, a mãe e o próprio pai. Eles conviviam com aquela sombra sobre as cabeças, os talentosos Cullens eram cobiçados profundamente.

_ Não somos nós. – Edward respondeu, abraçando a filha e tentando acalmá-la. Sim, não eram somente os Cullens que Aro desejava. Havia uma outra conquista almejada por ele, outros seres que fascinaram o vampiro insanamente ambicioso. Seres que Aro conheceu na mente dele, de Edward. Se algo acontecesse com aqueles que protegiam todo um povo a culpa ia ser dele!

Isabela saiu de seu topor – Mas o que… — Edward a impediu de continuar.

_ Eu vou explicar – Ele disse.

_ É bom mesmo! – Rosálie já estava exasperada com aquele circo todo.

_ É briga? – Emmett, como sempre, perguntou. Rosálie lhe deu um estrondoso tapa. Depois todos se voltaram para Edward. Ele estava novamente concentrado em Alice, se ajoelhou perto dela e encostou sua testa na dela, como se tentasse ajudá-la a ver mais ou a aclamá-la. Depois de um tempo ele suspirou.

_ Não adianta Alice! É só isso que teremos! – Ela também bufou frustrada. Era tão pouco o que ela tinha visto!

_ Mas que diabo Edward, explique o que está acontecendo logo de uma vez! – Rosálie bradou.

_ Se acalme Rosálie, sem histerismos agora. – Era Carlisle, tentando amainar o ambiente. – Diga Edward, todos precisam saber, todos estamos envolvidos. – O vampiro disse as palavras tentando acalmar o filho, frisando o “todos”, certamente se referindo a Isabela. Ela percebeu e tentou se acalmar, se colocou ao lado de Edward lhe dando a mão.

_ Diga amor, pode dizer. – Eles escutavam o coração de Renesmee ainda mais veloz, Esme se pôs ao lado dela, afagando os belos braços mornos.

_ Alice viu Heide e Félix se aproximando de Forks. Depois tudo sumiu. Agora ela tenta ver os dois e não consegue, algo impede que ela veja… Eles iam em direção a... iam em direção a … La Push...

A expressão de Bella se contorceu, os olhos de Renesmee se arregalaram, Esme pôs a mão na boca...

_ Jacob! – Bella soltou estarrecida.

Ela se mudou de Forks por causa de Jacob, porque sabia o quanto ele ficou perturbado depois de seu casamento, do nascimento de sua filha, de sua transformação, mas jamais poderia esquecer o que ele foi pra ela e o que ele fez por ela. Jacob marcou a sua eternidade, ela devia muito a ele, por diversas vezes ele a salvou, impedindo que fosse morta por vampiros descontrolados, e a tirou da pior de todas as suas depressões. Ela o perdoou por ter tentado matar a sua filha, não podia nunca culpá-lo disto, até porque, Renesmee só nasceu porque ele enfrentou seus irmãos e se colocou ao lado dela. Durante todos aqueles anos ela ligava para Charlie para saber como Jacob estava, mas as pouquíssimas informações que recebera a encheu de uma dolorosa culpa. E Edward sabia disto.

_ Rá, tomara que peguem aquele cachorro idiota! – Rose disse mordaz, logo se sentando no sofá tranqüilamente. Ela realmente tinha motivos para odiar Jacob, mas ninguém ali gostou do que ela disse.

_ Rosálie, você sabe muito bem que o que está em jogo não é só a vida de Jacob, mas de toda a matilha! Os quileutes, e também a população de Forks precisam deles. Eles os protegem de serem mortos por outros vampiros. Os humanos também correm riscos por causa da ambição de Aro e a obsessão de Caius. – Carlisle disse aquilo com um semblante sério, quase exasperado.

_ Pois não brigue comigo, porque eu não tenho culpa dos Volturi terem descoberto sobre os cachorros. Foi na mente de seu filho que Aro viu os fedorentos, os viu de todas as formas e arrancou tudo o que queria saber! – Edward fez uma careta de culpa, fazendo Renesmee se exaltar com a tia.

_ Tia, meu pai só deixou Aro tocá-lo pra me salvar, pra que ele visse quem eu era! Ele não podia controlar o que aquele monstro ia tirar dele! Qualquer um que fizesse isso ia dar informações sobre os lobos. Então quando você culpa alguém, deve culpar a mim, entendeu? Eu fui o motivo! – Ela disse aquilo raivosa, olhando a tia tensamente, como jamais fez. As palavras de Renesmee foram, no entanto, como um soco em Rose. Ela amava a sobrinha, não podia suportar o desprezo da garota, ela era a filha que sempre desejou e nunca teve.

_ Não minha querida, não! Não se culpe, eu não quis dizer isto. Mas que coisa! Será que você não vê querida, não se lembra que aquele maldito quase te matou?! Como pode defendê-lo? Como você pode se colocar ao lado da maluca da sua mãe e defendê-lo com unhas e dentes dos Volturi, desde quando Edward nos disse os pensamentos de conquista de Aro? Por que você não tem raiva daquele cachorro maldito meu amor, por quê?

_ Tia, eu me lembro sim que ele tentou me matar! – A voz dela estava exaltada, mais aguda e intensa – Mas aquela lembrança foi só de alguns minutos! Eu me lembro de coisas quando estava na barriga da minha mãe, você sabe disso. E as lembranças que tenho dos dias e dias que Jacob passou ao lado dela, defendendo ela da forma como defendeu, são muito maiores e mais fortes. Eu não poderia condená-lo, havia amor, ele protegeu a vida da minha mãe por amor e eu não posso odiá-lo por causa disso. Eu cresci tia, tenho a cabeça mais em ordem do que uma humana de dez anos, eu sei, eu sei que ele não é o monstro que você quer que ele seja. Mesmo que ele não desejasse isto, eu estou aqui também por causa do que ele fez! Se você me ama como diz que ama, você deveria deixar seu egoísmo de lado e enxergar isto! Não é heroísmo ou qualquer atitude bonitinha e bondosa de minha parte, é só o obvio, O ÓBVIO!

Ela não agüentava mais a atitude da tia, que sempre tentava fazê-la odiar o lobo, principalmente depois que Carlisle e os outros Cullens decidiram que se colocariam a frente de Aro se ele tentasse fazer algo contra a matilha. Renesmee sabia que ela não fazia por mal, que toda a raiva era despertada principalmente porque o lobo quase tirou a vida de sua preciosa sobrinha, mas era sempre a mesma coisa! A meia-vampira explodiu, desentalou tudo o que tinha atravessado na garganta, raivosamente, deixando todos os vampiros feito estátuas na sala. Principalmente Bella, que realmente pensava que a filha não gostava do lobo, pois ela nunca dizia nada quando o assunto era Jacob, sempre ficava quieta, só observando.

Aquela atitude só não surpreendeu Edward, sempre atento e impressionado com os pensamentos da filha. Por vezes, quando pequena, ela tinha medo do lobo, da lembrança das garras dele perfurando seu pequeno corpo enquanto a tacava em uma parede de vidro. A Renesmee criança não compreendia porque ele tinha cuidado de sua mãe quando estava grávida, mantendo sua presença sempre aconchegante e revigorante por perto. Era bom quando ele estava perto da mãe durante a gestação, tão bom quanto era com o pai. A menina sentia, ainda no ventre de Isabela o “efeito Jacob”, e gostava. Por isso ficava sempre confusa. Aos poucos isso foi se ajeitando na cabeça dela e já fazia algum tempo que os pensamentos da hibídria foram tomando aquela direção.

_ Chega de discussões, se acalme Renesmee. Nós não podemos permitir que Aro faça algo contra os transmorfos e não vamos. – Carlisle disse, conforme se aproximava da neta exaltada e recuperava a atenção de todos. – Alice, pare de tentar ver La Push, filha, tente ver Volterra, Aro! Mantenha o foco em Aro agora.

Carlisle mal terminou de falar e os olhos de Alice já saíram de foco. Depois de um tempo Edward bufou, Alice voltou a encarar os presentes, dizendo com sua voz de sinos, menos brilhante que o normal:

_ Ele toma o cuidado de não decidir nada. Ele só deixou escapar que gostaria de saber mais sobre os lobos em uma reunião da guarda, acho que queria influenciá-los. Só Heide volta pra Volterra, ela deixa Aro ler sua mente ele fica satisfeito e... e... droga! Some...

_ Eles vão até os lobos? – Bella pergunta tensa, enquanto a cunhada perde novamente o foco.

_ Ainda não. Aro sabe que nós estamos de olho, eles se intimidaram com a influência do nosso clã com os outros vampiros no julgamento de Renesmee. Ele só pede paciência para Caius, mas não decide nada.

_ Eu não vou deixar! Ele não vai fazer nada, eu mato ele, eu o mato! – Bella tinha o olhar letal. Edward não precisava ler os pensamentos da esposa pra ver que grande parte daquela atitude se devia não somente ao fato de ela ter amado Jacob, aquilo já tinha se transfigurado, ela já tinha se decidido por Edward. O que brilhava nos olhos de Bella era culpa! Ela sabia dos próprios erros em relação à Jacob e a culpa a corria por dentro. Ela tentava desesperadamente se redimir…

_ Mas e aí? O que agente faz agora? – Emmett perguntou a Carlisle, já flexionando os músculos marmóreos.

_ Esperaremos, é só isto que podemos fazer no momento. Creio que vai demorar, talvez alguns anos ou talvez décadas, mas temos que ficar atentos, qualquer atitude de Aro e nós iremos interferir.

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La Push, Washington.

Jacob percebeu imediatamente a intenção que Sarah tinha quando soltou a mão de Leah, logo depois do uivo de alerta. Ela tinha o olhar obstinado, o mesmo olhar que ela tinha quando lutava, ele se lembrava bem disto. Antes que ela desse três passos ele a alcançou, com raiva por ela se esquecer que simplesmente não podia sair pela porta e matar vampiros. Ele se pôs na frente dela, colocou uma mão de cada lado do belo rosto e fê-la olhá-lo.

_ Nós vamos até lá e vai ficar tudo bem. Você fica aqui na casa junto com os outros! – Ele sussurrou impaciente para ela, a voz muito mais imponente, o papel de Alpha já lhe vinha à pele.

Ela olhou para Jacob e se lembrou. Não podia, ela simplesmente não podia ir matar os malditos seres. Ficou mais tensa, eles estavam perto e ela teria que ficar parada, parada! Fechou os olhos e respirou fundo, tentando relaxar os músculos tensionados. Mas um frio lhe passou pela nuca, foi como se tivesse sido tocada, ela abriu os olhos de novo. Jacob a encarava com o cenho franzido, esperando alguma resposta, um sinal de que ela entendera o recado. Ela afirmou minimamente com cabeça, mas com um pressentimento nada bom. Ela tinha medo de algo desconhecido, um medo que se enraizava nela aos poucos, suas mãos começaram a suar. Se concentrou pra não deixar seu cheiro se espalhar demais.

Jacob largou o rosto dela se direcionou aos lobos, todos já se preparavam, os homens com as camisas nas mãos, Leah com o tronco levemente inclinado para frente. O Alpha só precisou fazer um sinal e eles se punham para fora da casa, com olhares sagazes, movimentos rápidos, calculados.

Leah se pôs a frente de todos, na sua tradicional posição. Por ser a mais rápida ela sempre fazia o caminho mais longo, com o objetivo de fechar o cerco sob a caça. Fazia isto junto com Jacob, único capaz de alcançá-la. Mas antes que ela pudesse se despir, ouviu a voz grave do Alpha chamá-la.

_ Leah você fica!

_ O que? – Ela se virou em um giro, vendo Jacob se aproximar rapidamente.

_ Se transforme e fique ao redor da casa. Mantenha o olho no mar, e não se precipite. Qualquer coisa chame ajuda, entendeu? – O queixo de Leah caiu como de todos os outros. Jacob queria que ela ficasse mantendo a guarda para a família? Ele nunca foi disso, a família nunca teve tal privilégio. Ele sempre dizia que deveriam proteger a todos igualmente e isto não explicava a atitude que tomava agora.

_ Na casa? – Ela conseguiu dizer, mas Jacob já tinha lhe virado as costas, ordenando com sinais as novas posições. Leah não tentou entender, foi se despir em um lugar mais próprio. Ela tinha que obedecer.

Sarah se prostou em frente à janela da sala, observando os homens se distanciando da casa correndo, se afastando uns dos outros de forma precisa, como que coreografados. Ela viu quando eles tiraram o resto da roupa que tinham, quando saltaram no ar e aterrissaram como cinco enormes lobos e se embrenharam na mata em direção ao uivo, que soava novamente. Logo uma loba cinzenta surgiu no campo de visão de Sarah, se colocando na frente dos portões, olhando o mar.

_ Não fique tão tensa querida, eles vão ficar bem! — Raquel lhe disse. Ela tinha o pequeno Jason agarrado ao pescoço e Elisa encostada na lateral de seu corpo, os dois tinham olhares curiosos. Os filhos de Sam, Adam e Brian, também estavam quietinhos ao lado de Emily.

_ Sim – foi só o que a morena respondeu, o coração acelerado. Por quê? Por que ela estava tão nervosa?

_ Rachel tem razão Sarah, Jacob é muito bom como líder. Muito melhor do que eu fui, ele treinou a matilha excepcionalmente. Eles são muito bons Sarah, nada vai passar por eles, acredite em mim, eu os conheço. – Sam lhe dizia cordato. Ainda que seus instintos e habilidades lupinas estivessem amainadas, pelos anos que se passaram desde a sua última transformação, Sam ainda podia ouvir levemente o som dos batimentos acelerados de Sarah. Esta lhe sorriu, mas não saiu de onde estava, volte e meia olhava para fora, vendo Leah correr ao redor da casa.

Não importava o que dissessem, Sarah não conseguia se acalmar, tinha um bolo na garganta, o estomago lhe pesava toneladas, seus pelos se arrepiavam constantemente, sentia frio. Ela começou a andar de um lado a outro, deixando o ambiente tenso, muito mais tenso do que ficava quando todos os lobos saiam em missão.

Leah, vez ou outra, quando estava mais próxima da frente da casa, vislumbrava a silhueta de Sarah, o olhar angustiado dela, que sempre encontrava o de Leah. Sempre que a loba olhava em direção a janela, os olhos de Sarah esperavam pelos dela, como se quisessem invadir a sua mente e descobrir o que acontecia.

“Se acalme Sarah, se acalme.”

“Foco Leah, concentre-se!” Jacob lhe disse rispidamente, enquanto corria atrás de um sanguessuga alto e forte. Havia dois deles, uma fêmea e um macho, ambos muito, mas muito habilidosos. Usavam longos mantos negros idênticos, que chicoteavam enquanto corriam. Estavam dando trabalho, mas pareciam não querer lutar e sim testá-los, pois corriam em círculos, sempre desviando. “Eles são treinados, lutam, pensam para fazer cada movimento” Jacob relatava em sua mente enquanto pensava em formas de encurralá-los.

Leah tentava não pensar muito em Sarah, não olhou mais pra janela, concentrando-se na perseguição dos lobos e na sua própria guarda, mas ela tinha certeza que o coração mais acelerado da casa era o da esposa do Alpha.

“Se controle, se controle, são só vampiros e eles serão mortos. Por que você tá nervosa idiota?”. Sarah pensava, mordendo os lábios e tentando ficar parada na poltrona que acabara de se sentar. Ela olhou para os olhos preocupados de Billy e tentou sorrir, mas o que lhe veio deve ter sido mais uma careta, porque o sogro não pareceu nada aliviado. Ela desviou os olhos, sacudindo as pernas ritmadamente. “Se controle, não é medo o que você esta sentindo, não é! VO-CÊ NÃO SEN-TE ME-DO!”. Mas parecia que havia uma serpente dentro dela, se enrolando ao redor de seu coração e espremendo, o bolo na garganta só aumentava. Ela fechou os olhos e ... um vulto, ela viu um vulto.

Se virou quase rápido demais para uma humana, olhando a sala de jantar escura, aguçou as vistas e não havia nada.

_ O que foi Sarah, viu alguma coisa? – Sam se levantou do lado de Emily e caminhou para onde Sarah olhava. Voltou logo depois.

_ Acho que não foi nada Sam. Só uma impressão boba, deve ser o nervoso.

_ Sarah, eu já disse que está tudo be…

_ EU SEI! – ela praticamente gritou, se levantando, não tão rápido quanto queria, enterrando as mãos no cabelo. E ela ainda tinha que ser lenta, lenta como uma humana qualquer! Todos arregalaram os olhos. – Me desculpe Sam, me desculpe, eu não queria te tratar assim, mas eu...

Sue, a mais próxima, se levantou e pegou as mãos da morena, afagando-as, mas ao sentir a temperatura arregalou os olhos.

_ Querida você está bem? Quer dizer, como você está se sentindo? Você está gelada!

_ Eu estou bem Sue, eu vou me acalmar, não é nada demais… — ela tinha que pensar em algo pra dizer, se aproximou do ouvido de Sue e sussurrou: — Acho que é TPM, fico mais sensível, nervosa e com a pressão um pouco baixa. Mas não é nada demais, não se preocupe. — Sue só franziu a sobrancelha, observando a moça mais atentamente.

_ Vou preparar um chá calmante para todos, você tem ervas?

_ Sim Sue, tenho tudo o que precisar, fique a vontade.

Ela definitivamente não conseguia ficar parada. Voltou a sua caminhada inútil de lá pra cá e de cá pra lá, voltou a olhar a janela, mas... de novo, de novo ela teve a sensação de que alguém a espreitava. Não podia ser, não havia cheiro e não eram os elfos, ela tinha certeza, certeza! Apertou os olhos, mas isso não foi a melhor coisa a fazer, pois por trás de suas pálpebras ela se deparou com orbitas vermelhas e assassinas. Antes que ela abrisse os olhos outro vento gélido parecia uma mão agarrando sua nuca. Sua boca secou, ele estava perto, o vampiro estava perto dela! Ela abriu os olhos rapidamente, mas não havia nada!

Ela tentou disfarçar enquanto passava os olhos por todo o canto que conseguia, aguçava ainda mais os ouvidos e nada! Tirando os sons dos humanos junto dela, só se ouvia o som do mar, da mata ao longe e, mais perto, as passadas de Leah.

Uma hora se arrastou… ela enfiou o chá de ervas goela abaixo sem ter consciência de seu gosto ou temperatura. Por que os malditos lobos demoravam tanto se eles eram tão habilidosos? Será que eram muitos os vampiros? Será que eles, os lobos, foram pegos? Não, isso também não podia ser, pois Leah continuava da mesma forma do lado de fora, nem sequer uivava. Ela estava delirando, só podia ser, delirava com os olhos vermelhos que insistia em ver, com o frio que sentia na nuca, com o mau presságio que lhe assolava opressoramente.

Um uivo! Um uivo longo e feroz, mas que os outros não puderam ouvir. Ela foi correndo pra janela, Leah olhava para o mar rosnando. Mas que coisa mais angustiante era não saber de nada!

“A maldita fugiu pelo mar Leah, fique de olho, nós vamos voltar agora!” O uivo raivoso fora de Jacob, que tentara agarrar a fria que conseguira sobreviver, mas só ficou com seu manto negro grudado nos dentes. A vampira se saiu das dentadas do lobo imponente e saltou do penhasco afundando no mar negro, nadando veloz como nunca. O companheiro dela não teve a mesma sorte, embora fosse bom e quebrasse alguns ossos em sua defesa, foi estraçalhado pelos lobos.

“Não tem nada no mar Jacob. Ela não vai voltar sozinha, não parece burra, viu o que aconteceu com o parceiro!” Jacob rugiu.

“Fique de olho no mar merda! Não interessa o que você acha, a maldita fugiu e foi pelo mar então, vigie Leah!” Embry se segurou pra não pensar coisas indevidas, tratou de estilhaçar a coisa fedida que tinha na boca, coisa que queria fazer com o pescoço do Alpha.

Sarah estava ainda mais tensa, Rachel só rezava pra que o irmão chegasse logo. Pra ela, só Jacob poderia acalmar a esposa, aquilo só podia ser uma preocupação desmedida, mas que não deixava a irmã nada confortável. Sarah finalmente viu, eles estavam longe ainda, mas estavam vindo, como lobos, mas vinham. Ela não podia mais agüentar, irrompeu pela porta da sala, saindo pra fora da casa, se aproximando dos portões.

A loba cinzenta se pôs na sua frente, impedindo sua visão e sua passagem, Sarah quase rugiu. Neste movimento Leah se virou de costas para o mar, chamando a atenção do Alpha novamente…

“Leah eu não disse que... o que ela tem?” Jacob começou a ladrar, mas parou assim que viu o rosto de Sarah pelos olhos de Leah. A loba estava quase se destransformando para acudir a mulher. Sarah estava mortalmente pálida, seus lábios estavam quase rachados, visivelmente secos, seu olhar estava alucinado, ela olhava pra trás constantemente e passava as mãos na nuca e nos braços.

Sem dizer mais nada, o grande lobo castanho-avermelhado se impulsionou mais veloz para frente, liderando a corrida. “Só Embry, Paul e Jared votam comigo. Os outros fiquem em postos ao redor da costa até segunda ordem.” Ele disse aquilo já perto da casa, via a silhueta das pessoas no quintal, a loba não era mais vista e nem estava mais conectada ao pensamento dos lobos: voltara a ser humana.

Sarah se saiu dos braços de Rachel e Leah e deu um passo a frente. Foi a primeira a ver os homens se aproximarem, todos vestiam só as partes de baixo de suas roupas. Eles se aproximavam rapidamente, os olhos de Jacob focados nela. Já podia ouvir a pulsação descontrolada dela: ora ficava rápida demais, ora lenta demais. Era como se a pressão oscilasse constantemente, de alta para baixa, a palidez mórbida era evidente mesmo à distância.

Logo que eles chegaram aos portões Sarah viu Leah ir para Embry, Kim pular no colo de Jared e Elisa correr para os braços do pai. Ela esperava, só esperava Jacob, que vinha lento, devagar demais, ela olhou nos olhos dele. Mas de repente tudo lhe saiu de foco, ela sentiu tudo rodar, seus pés quase perderam o chão. Jacob estava longe… não, não ele estava perto… ele sumia, um rosto branco giz surgia em seu lugar…

Ela sentiu braços gelados a agarrar, fortes demais… “saborosa, preciosa, sangue precioso…”O sussurro lhe gelou a alma, o vampiro que a mantinha presa nos braços lhe dizia aquilo sorrindo, abrindo a boca e passando a língua nos lábios, se aproximando de seu pescoço… Não, não havia vampiro… os lobos, Jacob corria em direção a ela… muito devagar, ele chegaria tarde, seu corpo caia… caia nos braços do vampiro de cabelos negros, ele sorriu, sorriu antes de enterrar os dentes em seu pescoço. Sarah sentiu o veneno se espalhando dolorosamente, entorpecendo seus músculos… Soltou um grito agudo e caiu, caiu em braços quentes…

_ Sarah… — A voz rouca chamava ao longe…

Notas finais
E aí? O q me dizem? Ah, certo, tem os Cullens... claro, eu não poderia exterminar com eles assim: puf! Eles serão personagens importantes sim, mas esta foi só uma demonstração do q pq eles estarão na fic. O q será? Bom, e sobre Aro... ah eu gosto dele (calma, eu não sou louca) eu digo q gosto dele como vilão... e, aliás, a Tia Steph deixou em BD, meio q no ar, um interesse do Volturi pelos lobos, acho q eles não são de esquecer algo...pode demorar, mas acho q eles não esqueceriam... E se Aro pode ver os lobos... (O Edward q falo isto, tá?) ESCLARECENDO: O Aro viu na mente de Edward a luta q teve na clareira com os recém-criados em Eclipse... aquela coisa toda de Vitória, lembram?
#mudandodeassunto# E com a PP? O q irá acontecer agora? O q ela teve? Q loucura foi esta? ... Descubram no próximo cap. Muitas emoções e revelações estão por vir...