The Precious Blood

30 VAMPIRO E SANGUE


Notas iniciais
Só aqui no Nyah, que contabiliza quantidade de palavras, é q percebi q minha fic é MONSTRUOSAMENTE GIGANTE!!! Num ta nem na metade! Eitiaaaaa... Haha...
Bom, neste sabadón, vamos ter mais dois cap. (este e o próximo), pq eu estou muitoooo feliz por receber mais uma recomendação, da minha querida flor Bell Lima!!! Adogo!!
Agora... um capítulo bem explicativo. Minha teoria lunática sobre vampiros (criação minha, qualquer semelhança com alguma coisa é mera coincidência) kkkkkkkk

“É aquilo que está dentro de ti,

O que corre pelas tuas veias e o que transborda em tua alma…

Seu precioso sentir humano, a forma como amas e como se sacrifica…

Isto te aproxima dos braços de Deus e lá estás seguro…

Torna-te sagrado e preterido quando preservas tua capacidade de amar

Não poderás ser tocado, ainda que for possuído por um demônio…”

A nobre elfo se colocou em pé e fixou o olhar para além de Sarah e Jacob. Ela teria de se remeter a um tempo antigo. Se lembrou, inevitavelmente do começo de sua existência, e também de um certo humano que marcou a vida de Quendra. Lembrou-se do poder que aquele humano tivera em sua vida, em suas atitudes. Daquele homem galante e gentil, com toque suave e boa aparência, que tocava o rosto de Quendra como ninguém jamais tocou. Ele era a força que mantinha a raça dos vampiros vivos hoje, não era mais homem, humano, mas a lembrança dele estava impregnada em Quendra por toda a existência.

Mas sobre aquilo, o casal a sua frente de nada poderia saber… ainda não… Eles saberiam, mas não hoje. A elfo começou a relatar somente o que achava prudente para o momento.

_ A vida na Terra… Nós nascemos juntos com os humanos e nem sempre nossa existência foi oculta. Nós éramos mais, muito mais. Para cada dois humanos existia um elfo. Desde o princípio tínhamos a missão de proteger, porque éramos irmãos dos humanos, diferentes em muitas coisas em nossas essências, mas unidos por Aquele que nos criou.

Sarah afirmou com a cabeça, compreensiva. Ela já tinha ouvido aquela história da boca de Koraíny.

_ Apesar da diferença em nossas espécies, nós, os animais e os humanos, tínhamos algo que era uma força dada por Deus: o sangue. O sangue sempre teve algo de sagrado e desde o princípio foi reconhecida sua importância. Era o alimento do corpo, a irrigação da alma. O sangue era o que preservava a vida, o correr do sangue pelo corpo fazia com que permanecêssemos vivos. Por isto, o som insistente e constante do coração passou a significar, mais do que qualquer outra coisa, a vida. E a vida na Terra, neste mundo, neste plano, era um presente de Deus.

“Pelo sangue a mulher foi castigada, pelo sangue a menina se consagra mulher. Pelo sangue a mãe alimenta seu filho sendo gerado dentro de si, e sem a perca do sangue pela mãe, o filho não nasce. Derramar sangue por alguém é o mesmo que abrir mão de sua vida por outro. O sacrifício era feito pelo sangue e inúmeros sacrifícios enobreceram o homem e também, lhe salvou. Quando o sangue do Homem-Deus, puro e legítimo, foi derrubado por pecadores humanos, trouxe o perdão sobre as cabeças indignas. O sangue selava pactos, puros ou malignos. O sangue consagra a Terra. O sangue sempre foi a vida, sempre será o alimento da vida. De certa forma, precioso…

“O sangue é, muitas vezes, como lágrimas de Deus. Ele tem o poder de purificar, de engrandecer. Uma alma abrigada em um corpo regado por sangue é consagrada boa, ela tem a escolha, o benefício do perdão, mesmo que seja de alguma forma, maculada. Quando o sangue para de correr, o corpo terreno sempre perdeu a vida, mas a alma… esta era sacramentada e perpetuava-se para a eterna vida além da Terra, além do Universo. O mundo em espírito. Um corpo sem sangue não era visto como vivo, portanto não podia abrigar uma alma sagrada, purificada. Nós, elfos, nascemos conscientes disto.

“Porém, não tardou muito, criaturas que não eram humanas, que não eram abençoadas, surgiram sobre a Terra. Elas vieram do lado oposto a Deus, vieram para tentar dominar a Terra, estendendo seu território maligno, subjugando e escravizando as almas abençoadas. Por um tempo, elas foram conhecidas por demônios, quando os homens não haviam descoberto, sequer, a escrita. Elas proviam do abrigo maligno, mas não eram, exatamente, demônios.”

Ouvir aquilo da própria Rainha elfo, pareceu a Sarah, definitivamente real, não apenas uma história impressionante pra se ouvir antes de dormir, como foi quando ouviu com Koraíny. Jacob, por outro lado, tinha certeza de que o mundo era muito maior que ele, e tinha mais mistérios do que ele pudesse imaginar.

“A nós foi dado, então, a missão de eliminar tais criaturas e não permitir que elas chegassem a vida humana. E havia para nós uma maneira especial de distingui-las: elas não tinham sangue. Tinham corpos, algumas, tinham as formas físicas tal como humanos, tal como animais, mas elas não podiam produzir sangue dentro de si. Porque o sangue era sagrado demais pra elas e o interior delas era essencialmente mau, impuro, cruel. Eles não tinham piedade nem ao menos de um para o outro, de espécie para espécie. Os elfos, através dos séculos, lutaram com muitas raças distintas, raças de seres que vocês não podem, sequer, imaginar. Destruímos muitas delas, mas nestas guerras, perdemos muitos elfos e, conforme estas raças diminuíam e nós vencíamos, novos elfos não nasciam. Eles diminuíam e nós também.

“Porém o nosso poder era mais forte e definitivo para aquelas raças que não tinham sangue, nada, nem uma gota sequer em seu organismo. Mas isso não ficou oculto por muito tempo e, quando uma espécie, os Diampers, descobriram isto, eles usaram o sangue para nos subjugar.

“Eles tinham os corpos muito parecido com os humanos, mas o interior deles era maciço, como uma rocha. Os olhos, a boca, a pele deles, tinham a exata cor de uma rocha e composição de um diamante. Sim, a composição dos corpos deles era um tipo de rocha, de pedra rígida e impenetrável. Era uma espécie de diamante sim, duro e frio. Só que não era cristalina a cor deles, mas sim um cinza chumbo. Porém, por serem feitos como diamantes, suas peles refletiam a luz do sol, desvelando as cores ocultas nos raios solares. O brilho que provocava era tão intenso, que qualquer humano que olhasse, ficava cego. O brilho deles também dificultava a nossa visão nas lutas diurnas. Mas nós os matávamos, ainda assim.

“Eles tinham um veneno letal em seu organismo. Eles mataram muitos humanos, apenas perfurando seus corpos com suas unhas ou dentes de pedra, injetando seu veneno. Os corpos humanos mortos por Diampers viravam pedras brancas, gélidas, e sem uma gota de sangue sequer. Além de matar os corpos humanos, os Diampers tinham o poder de fazer a alma humana se perder, vagando pelo mundo sem poder atravessar o caminho para o lugar final, para o plano a qual as almas pertencem.”

Sarah passou a ficar mais concentrada. Aquela parte da história, com tantos detalhes, ninguém nunca havia lhe contado. Jacob estava imóvel, com o cenho franzido, absorvendo cada sílaba que saia da boca de Quendra.

_ Mas antes que nós pudéssemos acabar com eles, eles se utilizaram da nossa maior força para nos enfraquecer. Um dos últimos Diampers vivos recorreu ao sangue, ao sangue humano. Ele capturou uma criança forte e saudável de uma aldeia ao sul da África. Utilizou-se do poder demoníaco e cruel que tinha em si para fazer um ritual macabro. Tirou da criança, boa quantidade de sangue, mas não o suficiente para que ela morresse. No seu peito de pedra, o Diamper fez um rombo, com suas próprias mãos, e irrigou o centro do seu corpo com o sangue da criança. Ele uniu o centro de sua vida, com a essência da vida da criança, unindo o principal das duas espécies. O sangue da criança passou a alimentar a criatura, modificando a estrutura de seu corpo, a composição e efeito do seu veneno.

“Nós conseguimos chegar no momento que ele modificava-se. Os outros da espécie dele tentaram nos impedir, mas nós os matamos. Quando a criatura que fazia o ritual percebeu que chegaríamos até ele, ele fez algo que mudou tudo. Ele perfurou os dentes de diamantes, cheios de seu novo veneno, na veia que levava o pouco de sangue da criança humana mais rápido ao coração, a jugular. Quando nós o destruímos, o veneno já se alastrava na criança irrevogavelmente. Mas o veneno não fez o que costumava fazer, não transformou a criança em pedra, não a matou, não fez com que a sua alma se perdesse do corpo.

“Nós vimos, inertes e confusos, a criança gritar e se debater enquanto uma espécie de chama infernal consumia seu corpo, dando a ele a rigidez do diamante que os Diampers eram compostos, rigidez que impediu o coração da criança de bater, tornando-o frio e imóvel. As características humanas e diampers se fundiram, dando origens a outras. Nós não podíamos fazer nada contra aquela criança, porque ela carregava aquilo que nos fazia irmãos. Aquela criança tinha ainda, misturado ao veneno dos Diampers, o sangue humano, sagrado. Por isto, quando ela abriu os olhos, transfigurada em nova criatura, não pudemos investir contra ela, pois sua alma estava lá, aprisionada dentro dela, perdida dentro dela. O humano dela estava preso, solidificado pelo corpo pétreo e morto que o Diamper transformou. Nos olhos dela estava a marca daquilo que nos impedia. Em suas íris estava o sangue líquido, dando a cor vermelha a seus olhos. Nós não sabíamos, mas era mais forte naquela criança o demônio que o Diamper era e colocou nela, do que o humano que ela um dia foi. Se nós o matássemos, aquela alma aprisionada ia se perder eternamente, mas, na nossa ignorância, não sabíamos que o sacrifício daquela alma salvaria o mundo de uma raça maldita.

“Aquela criança foi o primeiro vampiro. Ela fugiu, porque não pudemos fazer nada contra ela, saiu pelo mundo, incontrolada com sua sede, espalhando seu veneno, condenando outros humanos a sua mesma sorte, transformando outros em criatura igual a si, com o veneno que degradava a humanidade, que os fazia irracionalmente sedentos de se alimentar de sangue, algo que o corpo deles já não podiam produzir, manter. Eles se alastraram mais rapidamente do que podíamos vencê-los e tudo se tornou um caos.”

Quendra parou de falar, se sentando e respirando profunda e lentamente, como se lamentasse aquela lembrança. Jacob moveu o corpo, sentindo que este estava dolorido de tanta tensão.

_ Nossa… Isto é… isto é…- Ele sussurrava.

_ É algo que nem os vampiros sabem: como eles surgiram… quer dizer, pelo menos a maior parte não sabe. – Quendra completou o que Jacob não pode expressar. Somente um vampiro sabia de tudo. Era o primeiro homem transformado pela criança vampira, o primeiro humano que ela transformou ao invés de matar ao sugar o sangue. Era o vampiro que Sarah tinha visto em sua visão, em sua primeira visão. “Mas isto, eles ainda não precisam… não podem saber…” Quendra pensou pra si mesma.

_ Você disse que as almas ficavam aprisionadas…? – A voz de Sarah saiu rouca ao fazer a pergunta.

_ Quando humanos se tornam vampiros? Sim, as almas ficam aprisionadas, e é a única essência humana que permanece neles. Porém, cada vez que eles condenam outros humanos a mesma sorte que a sua, cada vez que eles matam outro humano, sugando seu sangue pra manter sua força, assegurando sua eternidade por meio de morte inocente, eles perdem o acesso aquilo de humano que há em si. Porém, a alma não se liberta, não se aflora, não sai deles. Algumas destas almas se contaminam, se o desejo de matar, de sugar o sangue se tornar prazeroso demais para eles. Elas se tornam malignas e quando este vampiro é destruído, a alma não é salva, ela vira pó e simplesmente, se perde.

Jacob sacudiu a cabeça, mas algo que Quendra disse lhe chamou a atenção…

_ Cada vez que eles matam outro humano pra se alimentar, à medida que se torna prazeroso… — Ele começou a repetir, em tom indagativo.

_ É bem por aí Jacob. O seu raciocínio está certo.

_ Então eles… ao não beberem sangue humano, ao se alimentarem de animais, como os próprios humanos fazem, eles…

_ Isto! – Quendra afirmou.

_ Posso saber também? – Sarah perguntou, irritada por Quendra estar interrompendo Jacob continuar suas frases e respondendo os pensamentos ocultos. Jacob sorriu, apesar de sua mente estar fervendo com o que estava pensando.

_ Vamos explicar isto exemplificando. Como você bem sabe Sarah, sabe porque você é filha de uma humana assim, existem humanos que fazem toda a nossa luta valer a pena. Eles são bons e preservam o caminho honroso que lhes é concedido. Eles amam de uma forma esplendorosa e fazem suas vidas merecerem ser glorificadas. As almas destes humanos são mais fortes, são mais puras. Elas não se contaminam facilmente.

_ E…? – Sarah já começava a entender o que Quendra falava, mas queria que ela continuasse. Jacob continuava com uma expressão tensa, com os braços cruzados fortemente no peito.

_ Mas isto não é garantia de que estes humanos não possam estar no caminho de um vampiro, isto não é garantia que eles não possam se tornar um deles. Porém, para estes, a resistência de suas almas pode ser maior na prisão que ficam condenadas quando são vampiros. Se eles resistirem, eles preservam o que há de mais precioso nos humanos: os sentimentos. A forma de sentir, de amar, de odiar também, de salvar a sua alma.

Sarah franziu o cenho.

_ Eles não são confiáveis. – Ela afirmou, se referindo aos vampiros.

_ A sede eterna por sangue é o que os aprisiona Sarah, mas se eles resistirem por vontade própria, isto é tido como um sacrifício, um sacrifício pelo sangue… por sangue. E sacrifícios, verdadeiros e legítimos…

_ Enobrecem, engrandecem a alma. – Sarah completou.

_ Há quase quatro séculos atrás eu me deparei com uma situação assim. Ele era humano e admiravelmente bom. Quando ele foi mordido, eu senti um pesar imenso, não podia acreditar que uma alma tão boa havia se perdido. Mas ele me surpreendeu. Ele resistiu e fez o que ninguém mais fez. Não sugou uma gota de sangue humano para se alimentar. Sua alma permaneceu em si, apesar de sua condição eterna. Vampiro. Ele cometeu erros, claro, nem tão nobre ele foi, ele quis família e transformou outros em vampiros. Isto pode ter sido remediado, pois ele transmitiu a sua força em resistir a sede aos outros de sua família, e, contra todas as expectativas, ele uniu aqueles seres perdidos, pelo amor. O mesmo sentimento que constrói e edifica uma família humana.

_ Deixe-me adivinhar quem era… Carlisle? – Jacob disse, sardônico.

_ Sim, Carlisle. O líder do clã dos Cullens. – Quendra suspirou – Tudo o que há de honroso em humanos nos subjuga. O amor humano, a alma humana se esforçando pra se manter firme em corpo de demônio nos barra, Jacob. Por esta razão, nós nunca poderíamos fazer nada contra aqueles que estivessem dispostos a tentar… eles guardam em si algo que pode ser muito… bom… ­- Sarah percebeu Quendra dizer a palavra “bom” com um brilho a mais no olhar. Conhecendo-a, Sarah sabia que a elfo via algo muito maior em relação àqueles vampiros.

_ Você quer dizer, que por eles não matarem humanos, eles se tornam intocáveis? – Sarah questionou, incrédula.

_ Isto é o que nós precisamos saber, não é bom que esta história se espalhe, por nossa segurança. Se o destruíssemos, estaríamos fazendo com que suas almas se perdessem. Carregaríamos o peso disto então. Por isto eu procurei seu avô Jacob, permiti que ele me visse e, mesmo sem saber quem realmente eu era, ele me obedeceu. O tratado só pode ser legitimado por isto. E pelas razões que eu mencionei, ele deve ser mantido.

_ Eu não acredito nisto… — Jacob colocou a mão na cabeça, nervoso.

_ Você sabia que Isabella ia se tornar vampira, não sabia Quendra? – Sarah perguntou. Jacob parou e voltou a olhar para a Rainha.

_ Creio que desde que ela nasceu, tão perto dos lobos, aqui em Forks. – Quendra apontou pra o lado de fora da janela, em direção a cidade. — A diferença dela, é que ela sempre quis isto. O poder de uma crença pode mover montanhas Sarah, e Isabella sempre acreditou que se tornaria vampira apenas pra eternizar o seu amor, nada além disto. Ela certamente não sabe que a vida terrena não é a única coisa que eterniza um amor, mas isto nem todos sabem. Ela era inocente o suficiente pra ser ignorante do fato de que colocaria sua alma em risco por isto, mas, enquanto humana, ela tinha essa liberdade de escolha.

_ Edward alertou ela sobre isto… — Jacob divagou, pensando em voz alta.

_ Sim, talvez ele seja mais consciente disto do que ela, mas não completamente. Mas, por ela querer isto, tudo foi mais fácil pra a resistência da alma de Isabella. Ela usou a transformação pra algo humano… profundo demais. E eu não poderia ver de outra forma, tinha de ser assim, não havia como interferir e impedir. Mas o fato de ele, o vampiro Edward, não querer transformá-la levianamente, por ele resistir… aquilo foi realmente uma prova de amor, Jacob.

_ Mas ele fez! Ele a transformou! – Sarah viu o resquício de ódio em Jacob quando ele disse aquilo.

_ O egoísmo humano Jacob. O egoísmo humano de ter um amor pra si, ao seu lado. Isto você também tem, assim como ele. Ele pensava que a morte era o fim, uma visão rasa. Não queria perdê-la. Agiu por desespero. Isto é uma atitude meramente humana. Poderemos condená-lo?

_ E a criança? – Sarah perguntou, se lembrando da criança vampira que Jacob quase matara, a criança que nasceu de Isabella. Algo naquela criança lhe intrigava.

_ O que quer saber sobre ela? – Quendra perguntou.

_ O que é ela? – Sarah perguntou simplesmente, mas não expressando corretamente a quantidade de duvidas que estava em sua cabeça. A alma daquele ser que Isabella pariu era humana? Ela tinha alma? Estava aprisionada? Ela tinha a mesma condenação que os vampiros?

_ Não posso responder tudo isto Sarah. Mas algo me diz que você vai ter a oportunidade de esclarecer suas duvidas por si mesma.

Sarah ergueu as mãos ao alto.

_ Estou cansada disto tudo! – Ela quase gritou.

_ Não é só você. – Jacob murmurou.

_ Creio que, por agora, vocês sabem tudo o que precisam. O tratado ainda será mantido.

_ Você quer dizer que eu vou conviver com aqueles vampiros? Você quer que eu me encontre pacificamente com esta Isabella sem matá-la? – Sarah falou raivosa, apontando o dedo para a elfo. Jacob arregalou os olhos.

_ Matá-la por quê? – Quendra perguntou, com um toque de zombaria na voz.

_ Como por quê? – Sarah se espantou. – Até o momento matei todos os vampiros que chegaram perto demais do meu pescoço!

_ Sim, isto seria apenas uma atitude de legítima defesa, você estaria protegendo o seu sangue… certamente. Isto não é, de maneira alguma, resquício dos sentimentos que acabou de compartilhar com Jacob, não é mesmo? – Quendra completou risonha, sabia que Sarah ficaria revoltada.

_ E se fosse? Qual o problema? – Sarah bufou irritada. Jacob olhou pra ela com a boca aberta. Quendra riu.

_ Se quer saber, você, e só você Sarah, teria o direito de matá-los, mais do que nós. Isto porque eles podem sim sugar seu sangue, pois você os atraí da mesma forma que os outros de sua espécie. E se eles fizerem isto contra a sua vontade, bom, eles vão perder boa parte da resistência que possuem. Mas, se eles resistirem, então não, você não poderá fazer nada contra. Entendeu?

Sarah riu um riso maligno.

_ Não! Isto não! — Quendra pareceu exasperada com algo que Sarah pensou.

_ O que? – Jacob perguntou.

_ Você vai controlar o seu cheiro perto deles sim Sarah! Você não vai incitá-los só pra poder matá-los! Vou saber disto! – Quendra ralhou com Sarah, quase ignorando a cara de espanto de Jacob. Sarah sacudiu a cabeça e fechou a expressão. – Bom, vocês estão avisados. A forma como vocês irão administrar isto pertence somente a vocês.

Quendra deu um ultimo olhar a Sarah e desapareceu. A médica se sentou no chão do quarto e enfiou a cabeça no meio das pernas, entranhando os dedos em seus cabelos. Sua cabeça girava com tanta informação, ela não sabia muito bem o que administrar, digerir. Da mesma forma estava Jacob, que voltou a se sentar na beirada da cama de Sarah, também abaixando a cabeça. Só uma pergunta lhe rondava os pensamentos: e agora?

Repentinamente Sarah se levantou e foi para seu closet. Pegou uma muda de roupa qualquer e se enfiou dentro do banheiro. Jacob não se moveu.

Sarah deixou que a água caísse em sua cabeça, lavando seu corpo por um tempo indefinido. Era como se a água pudesse aliviar a confusão que estava sua mente. Havia, claro, tudo o que Quendra havia revelado sobre os vampiros, a loucura daquele tratado que devia ser mantido, a possibilidade quase certa de Quendra estar ocultando coisas vitais sobre aqueles vampiros que ela claramente protegia… mas uma coisa atormentava Sarah mais do que tudo. Aquilo que ela viu na mente dele, a lembrança de Jacob dizendo que amava outra mulher, conhecer um Jacob jovem, com um vigor brincalhão nos olhos, derretidos por outra. Sentir com ele, ao se recordar de tudo, a dor de não ser correspondido, de lutar tanto por um amor, por ter tanta esperança e perder… isto era mais perturbador do que qualquer outra coisa.

Aquela, definitivamente, não era a recepção que esperava ter em casa, não depois da ultima noite. Como eles estariam agora?

Sarah finalmente saiu do chuveiro e, enquanto penteava os cabelos em frente ao espelho, procurou pensar em outra coisa, em coisas mais urgentes. Era inquestionável que a vampira Swan estava retornando, e foi ela quem chamou, portanto ela teria de lidar com isto. Só de imaginar vampiros em um hospital lhe causava arrepios, fossem eles quem fossem. Eles só frequentariam aquele lugar se passassem por cima de seu cadáver.

Saiu do banheiro decidida a voltar para o hospital.

_ Aonde vai? – Jacob perguntou. Ele estava na exata posição de quando Sarah entrou no banheiro.

_ Ao hospital. Preciso cuidar do que fiz. – Ela lhe respondeu branda, pegando sua bolsa no chão do quarto. Ela nem se lembrava que havia jogado ela ali. – Uma hora destas a vampira já está lá, me esperando.

_Adianta eu dizer para não ir?

_ Você sabe que não. Além do mais, você precisa pensar no que vai fazer em relação a ela, caso eu não consiga expulsá-la da cidade. – Sarah disse. Jacob levantou a cabeça, lhe encarando.

_ O que?

_ Jacob… Você não pode romper o trato, mas eles não precisam saber disto certo? Resumindo, você tem controle sobre os Cullens. Você pode, se souber e se quiser… manter Isabella longe.

Ele suspirou, balançando a cabeça com a amargura contida que havia na voz de Sarah ao mencionar Isabella.

_ Isso já não importa… não faz diferença… — Ele sussurrou.

Sarah tirou a chave do carro da bolsa e ficou as esfregando nas mãos. Tinha uma pergunta entalada na garganta, torturando seu coração.

_ Não faz diferença mesmo? – Ela murmurou, mas Jacob nada disse. Ela respirou fundo e murmurou novamente. – Jacob… você… você ainda a ama? – Assim que ela perguntou abaixou a cabeça e apertou os olhos, aquela duvida lhe maltratando, mas a possibilidade de ouvir um sim como resposta era ainda mais angustiante.

Ele estava quieto… quieto demais. Sarah não resistiu, abriu os olhos e o encarou timidamente. Ele lhe olhava, seus olhos cor de pixe estavam mais profundos. Ele deu um meio sorriso, quase imperceptível, e respondeu:

_ Não. Não da forma que amei. Acabou. – Ele falou, parecendo tirar o peso do mundo de seu peito, deixando-o mais leve.

_ Mas foi forte demais para esquecer, não é? – Ela sussurrou, ainda tímida.

_ Exato. – Ele respondeu, breve. Seu olhar, sem se desviar do dela, parecia falar muito mais do que suas frases concisas.

_ Eu vou então…

Jacob não fez um movimento sequer, continuou a encará-la, desconcertando-a. O que passava pela cabeça dele naquele momento? Era impossível saber por seu olhar insondável. Sarah se virou lentamente, pensando em como seria aquele enfrentamento com vampiros. De repente ela pensou em algo, mas lhe pareceu estúpido demais, a fez rir.

_ O que foi? – Jacob perguntou.

_ Nada… eu só… — Ela falava agora de costas pra ele. – Só me lembrei que vampiros odeiam cheiro de lobo então… talvez pudesse me ajudar o… seu cheiro. Digo, a mantê-los afastados.

_ Como eu fiz com Isabella? – Ele perguntou, sabendo que ela tinha visto quando ele ocultou o cheiro de Bella, carregando-a no colo para uma montanha.

_ Irônico não é? – Ela disse, sacudindo a cabeça, mas sem se virar.

_ Teu cheiro é muito mais penetrante do que o dela. Mas isto poderia disfarçar…

Ela percebeu o movimento dele se levantando à suas costas. E a proximidade voltou a lhe provocar as reações no corpo e um aperto no coração. Era saudade, saudade daquele toque, do toque dele. Ela não deixou transparecer, nem a si mesma, o quanto teve medo de perder aquilo enquanto via as lembranças de Jacob com Isabella.

_ Sim, pode disfarçar. – Sarah se virou para ele novamente, de olhos baixos. – Então me abrace, coloque seu cheiro em mim. – Ela pediu, pediu já com os poros agitados. E o motivo pelo qual ela pediu o abraço já não era mais o de disfarçar cheiro algum. Ela pedia o abraço, simplesmente, porque queria ser abraçada por ele.

Nenhum movimento veio dele, porém. Ele continuou estático na sua frente. Ela ergueu os olhos, para ver sua expressão… E primeiro ela viu o sorriso cálido dele e depois… depois ela não viu, mas sentiu ele por toda a parte, lhe envolvendo nos braços em um aperto incontido, encostando cada parte do seu corpo no dela, apertando-a, unindo-a, juntando-a a ele. Seus peitos se grudavam ao ponto de parecer que seus corações se conectavam, aquecendo a frieza com que se trataram nos momentos anteriores. Ela suspirou nos braços dele, aconchegada, em segurança, calorosa.

Ele colou sua testa na dela e a olhou em meio ao abraço, parecendo querer dizer algo, mas parando no meio do caminho. Desistiu de falar e simplesmente a beijou. Beijou com gana e vontade, com saudade e com afeto, sublime afeto inexprimível por palavras. Era somente sentido, degustado. Suas línguas se enroscavam em perfeita sincronia e ambos desejavam que aquele beijo fosse eterno. Sarah agarrou os cabelos dele e puxou-o mais para si, correspondendo o beijo com o peito em fúria de tão acelerado.

Aos poucos aquilo foi se atenuando, mas seus corpos não se desgrudavam. Sarah estava prensada na parede do quarto, suas coisas caídas no chão, sua roupa amassada, seu cabelo úmido, embaraçado com os carinhos de Jacob lá. As pernas dele se acomodavam por entre as suas, o calor férvido do quadril dele pressionando seu ventre.

_ Jake… — Ela falou, com voz falha. – …eu vou…

_ Meu cheiro… assim… é o suficiente? – Ele perguntou, sem fôlego, apertando as mãos em sua cintura. Ela inspirou o cheiro almiscarado diretamente do pescoço de Jacob, fechando os olhos.

_ Não… — Ela soprou contra o pescoço dele. Ele sorriu nos cabelos dela, acariciando sua orelha com os lábios quentes. – Mas é o que é possível por enquanto… — Sarah tentou se sair do abraço, mas ele a conteve, pressionando-a mais contra parede com seu corpo.

_ Se ficar mais tempo, pode pegar melhor… — Ele continuava a lhe dar beijos ternos no pescoço, na orelha, a lhe acariciar as costas, as coxas.

_ Quanto mais rápido eu for, mais rápido acaba… — Ela disse, retribuindo cada beijinho que ele lhe dava. Jacob parou e se afastou dela, mas segurando suas mãos.

_ Eu não quero que você vá…

_ Eu fiz um estrago… eles estão lá e alguém tem que concertar isto.

_ Não vá sozinha… — Ele pediu. Depois falou inseguro- …Eu vou junto.

_ Não Jake. Não force nada aí dentro ainda. – Ela disse, colocando a mão no peito dele. – Você não quer rever Isabella ainda, não se force por mim. Eu sei me defender e, mais do que você, eu posso me defender contra eles.

_ Eles não podem saber o que você realmente é! – Jacob falou, parecendo desesperado com aquela possibilidade. – A Leah vai com você então… — Ele sugeriu, mas na verdade se sentindo covarde por ter que admitir que sentia certo pânico ao ter que encarar seu passado em uma Isabella vampira.

_Jacob, não precisa! – Sarah quis argumentar, mas Jacob já telefonava a Leah e, com voz quase rude, lhe ordenava que acompanhasse Sarah, mas sem descumprir o tratado. A loba não poderia atacar os Cullens. Leah começou a reclamar e questionar do outro lado, mas Jacob lhe cortou.

_ Vou de carro com ela então. Passo aí em dois minutos. – A loba respondeu, desligando o telefone.

_ Eu sei lidar com vampiros. – Sarah resmungou, catando suas coisas do chão. Mas Jacob voltou a erguê-la, fazendo-a derrubar tudo novamente. Olhou pra ela angustiado e disse:

_ Posso continuar o abraço? – Sarah sorriu, desarmada, e somente o abraçou de volta. Ficaram ali, grudados, até que a buzina do carro de Leah soou na frente da casa. Sarah se afastou de Jacob, arrumando a roupa.

_ Eu vou… — Disse.

_ E volta. – Ele completou, firme.

_ Sempre. – Ela sussurrou-lhe ao ouvido, dando-lhe um beijo nos lábios, rápida como um beija-flor, e saindo apressada.

Notas finais
Alguém nos comentários me falou que não gosta da Quendra... ho-ho... realmente, esta personagem ainda vai dar muitooooo pano pra manga!! Ela esconde muitooooossss segredos comprometedores!
E este abraço no final?? Ai ai... eu fechei os olhos e me imaginei nos braços de um Jake... seria tãoooo bom!!!! Haha...
Bora pro próximo, em que teremos: SARAH E BELLA, CARA A CARA!!! Viiiixeeeeee