The Precious Blood
31 ENCONTRO
Notas iniciais
Boa leitura!
Isabella se recostou no banco de trás do carro e fechou os olhos. Eles passavam pela placa “Bem vindo a Forks” naquele momento. A lembrança de quando ela veio morar com Charlie veio a sua mente novamente. Ela aprendeu a amar seu pai, a ficar mais próxima dele. Foi imensamente difícil ter que virar as costas para aquela cidade, deixando seu pai espantado com sua aparência de vampira, com sua condição sobrenatural. Ele não quis nenhuma explicação sobre aquilo, só lhe disse que precisaria de tempo. Se ela pudesse chorar, com certeza, o dia que deixou Forks seria propício a isto.
Mas, mesmo durante os anos que viveu longe, ela sabia que ele estava vivo, podia falar com ele sempre que desejasse ao telefone, assim como com sua mãe. Isto era o que lhe aliviava.
O carro parou, Bella abriu os olhos para vislumbrar o hospital de Forks, com uma fachada diferente da que se recordava, toda branca e com um belo letreiro cromado. Edward se virou para a esposa e passou seus dedos pelas marcas arroxeadas por baixo dos olhos dela.
_ Era melhor você ter caçado antes, Bella. Você ficou enrolando e não foi já faz mais de uma semana. – Ele lhe disse, enquanto Carlisle abria a janela do carro e procurava sentir o cheiro na brisa ao redor do hospital. Nada de lobos.
_ Eu posso suportar isto Edward. Uma semana não é muito pra mim. Eu quero ver meu pai. Há meses não falo com ele e agora… agora isto acontece. – Edward afirmou com a cabeça.
_ Quem você acha que é a doutora Black? Acha que ela tem algum tipo de relação com Jacob? – Edward perguntou. Bella suspirou desnecessariamente.
_ Não sei. Eu queria saber, mas ela pode ser qualquer coisa dele. Uma parente distante… eu não sei Edward, não quero pensar nisto.
_ Parente distante? – Edward perguntou. – Ou talvez esposa? – Bella travou o maxilar.
_ Não sei. Mas ela me pareceu neutra demais, me tratou como se nunca tivesse ouvido falar de mim. Não acho que a esposa de Jacob me trataria assim.
_ Talvez ela seja só profissional. – Carlisle sugeriu.
_ Não, não acho que alguém com nome Black seja tão cordial com vampiros. Eu não sei, mas tenho receio dela. – Edward falou, crispando os lábios.
_ Vamos descobrir agora. Eu não posso esperar mais Edward, preciso ver meu pai. – Bella se inclinou para frente e apoiou a cabeça no ombro do marido. Ele lhe afagou os cabelos e saiu do carro. Isabella foi junto, agarrada na mão dele, Carlisle foi na frente.
Eles entraram no hospital olhando por todos os lados. Até o momento não tinham visto nenhum lobo ao redor, nada de anormal aconteceu. Carlisle se direcionou ao balcão de recepção, onde uma moça estava distraída mexendo em papéis.
_ Boa tarde. – Ele cumprimentou, chamando a atenção da moça. Ela levantou a cabeça e logo depois teve a natural reação de espanto.
_ S-sim. – Ela respondeu, gaguejando. Passou a olhar deslumbrada os dois belos homens a sua frente e a mulher de beleza distinta e elegante. Eles eram perfeitos, pareciam deuses. O homem loiro parecia ter não mais que 40 ou 42 anos, havia alguns fios brancos em suas têmporas, disfarçados pelo loiro de seu cabelo. Mas ele fazia o tipo de coroa garanhão, com um corpo maravilhoso, de fazer inveja a qualquer garotão.
A mulher e o outro homem pareciam ter 25 anos, mais ou menos. Ele usava óculos, seus cabelos cor de cobre penteados despojadamente. Ela estava com uma expressão suavemente ansiosa, vestia um vestido que deveria valer todo o salário da recepcionista.
_ Sou o doutor Carlisle Cullen. Cliniquei aqui há alguns anos atrás. Gostaria de me informar sobre um paciente, Charlie Swan. Ele está internado aqui? – Carlisle perguntou polidamente. A moça demorou a processar o que ele havia dito, olhando perdida pra ele. Isabella se moveu inquieta ao lado de Edward.
_ Ah, sim, claro. Charlie Swan, o chefe de polícia. Bom, ele está internado na ala de tratamento intensivo. As visitas são restritas no momento. M-mas o senhor, digo, o doutor pode falar com a médica que o atendeu, ou com algum membro de sua equipe.
_ Doutora Black! – Isabella se precipitou para frente. – A medica é a doutora Black, eu sou filha do paciente, ela me disse pra procurá-la.
_ Sim, sim. Doutora Sarah Black é a neurologista chefe do nosso hospital. Só um minuto, eu vou tentar falar com ela.
Bella inspirou e olhou angustiada para Edward. Ele enlaçou o braço em sua cintura, beijando sua testa enquanto esperavam a recepcionista telefonar a outro ramal.
_ Sim? – Uma mulher de voz anasalada respondeu ao segundo toque.
_ Oi Sharon. É a Tracy. Estão aqui na recepção algumas pessoas querendo informação sobre o ultimo paciente da doutora Black.
_ A filha dele está aí?… Han… Isabella Swan? – A mulher perguntou.
_ Está sim.
_ Então mande ela pra cá, pra sala da doutora, vou chamar o doutor Marlon pra atendê-la. A doutora Sarah já deve estar pra chegar.
_ Certo então. – Tracy respondeu, desligando o telefone e se dirigiu a Carlisle. – Vocês irão falar com o assistente da doutora, o doutor Marlon. Ele aguarda vocês no consultório no final do terceiro corredor, à direita. A doutora Black não deve demorar.
Carlisle assentiu com a cabeça e seguiu com Isabella e Edward àquele que tinha sido seu consultório um dia. Bella apertou o passo, se impelindo para frente e procurando distinguir o cheiro de Charlie pelo ar. O consultório também havia sido reformado, estava maior do que Edward e Carlisle se lembravam, havia uma elegante antessala onde uma senhora e um médico, com aproximadamente 30 anos, os aguardava.
Além dos cheiros daqueles humanos, Bella distinguiu um outro perfume no ar. Era um cheiro suave, quase escasso, mas que parecia fazer parte dali. Era doce e fresco, um tanto quanto saboroso. Sua garganta coçou, mas ela ignorou.
_ Boa tarde. Sou o doutor Jack Marlon, estou aqui representando a doutora Black. Ela já deve estar chegando.
_ Onde está meu pai? – Bella não demorou a perguntar.
_ Seu pai está na UTI, mas logo passará para o quarto. O quadro dele já foi estabilizado.
_ Sim, eu já sei disto, a doutora me disse por telefone. Eu só quero vê-lo, falar com ele. – Ela voltou a falar, encarando o médico com olhos implorativos. Marlon respirou fundo e piscou duas vezes antes de responder.
_ Seu pai está sedado no momento, presumo que você poderá vê-lo quando Sarah chegar, ela precisa liberar as visitas.
_ Doutor, por favor, eu não sou visita! Eu sou filha dele, preciso vê-lo! – Bella estava começando a se desesperar, Carlisle tomou a frente.
_ Doutor Marlon, não seria possível permitir que Isabella veja o pai, só por uns minutos? Ela está muito ansiosa, isto poderá acalmá-la para podermos conversar e esclarecer o caso. Não acho que isto seja contra alguma regra de conduta.
_ Não, não é senhor…
_ Carlisle, Carlisle Cullen. Já fui parte da equipe médica deste hospital.
_ Ah, sim. Já ouvi falar do seu nome, doutor Cullen. Você trabalhava junto ao doutor Hanson não é?
_ Exatamente. Ele é da mesma época que eu.
_ Bom, agora ele é o nosso diretor. Acho que poderemos conversar neste caso, enquanto a senhora pode ir ver seu pai.
_ Isabella, por favor, meu nome é Isabella. Será que o meu marido pode me acompanhar? – Ela perguntou, sem coragem de se separar de Edward, que parecia lhe sustentar com os braços a seu redor.
_ Bom, o máximo de visitas na UTI é duas pessoas. Presumo que não haverá problemas. Sharon irá acompanhar vocês.
Isabella maneou a cabeça e sussurrou um obrigada. Carlisle ficou para trás para conversar com o doutor enquanto Edward lhe acompanhava. Eles fizeram a higiene, vestiram o avental e a máscara verde e entraram no quarto. A cama de Charlie estava próxima a uma janela muito bem fechada e coberta por persianas azuis. Seu corpo estava coberto somente com um lençol azul, no seu tórax e testa haviam fios de monitoramento. Ele usava uma mascara de oxigênio.
Bella se aproximou da cama, olhando abalada seu pai ali. Ele estava pálido, seu coração batia devagar, tal como sua respiração. Ele havia envelhecido mais, as marcas do tempo cada vez mais evidente em sua pele, em seu corpo. Sua calvície estava acentuada, sua barba estava grisalha.
_ Pai… — Ela sussurrou, levando temerosa suas mãos geladas no rosto dele. – Ah pai… — Isabella se inclinou e beijou a testa de Charlie. A boca tampada com a máscara não impediu que pudesse sentir o sutil calor do corpo humano de seu pai. – Eu vou cuidar de você. Eu não vou deixar você agora, não importa o que aconteça, eu vou ficar do seu lado enquanto precisar de mim, ouviu?
Edward observava Bella inclinada na cama, acariciando o rosto adormecido de Charlie. Se aproximou dela, afagando suas costas e beijando seus cabelos.
_ Vai ficar tudo bem meu amor! Charlie vai ficar bem.
_ O que ele está pensando? – Ela perguntou.
_ Nada demais, são coisas desconexas amor, pensamentos inconscientes. Você está neles, ele se lembra de você pequena. – Edward sorriu.
Bella voltou a beijar Charlie.
_Minha infância… eu passei tão longe de você pai… — Ela dizia. Bella se levantou e olhou ao seu redor. A enfermeira que monitorava a UTI estava de costas, ela estreitou os olhos para os aparelhos que apitavam ao redor de Charlie.
_ Está tudo normal para o quadro dele, Bella. – Edward respondeu. Mas ela foi para os pés da cama e pegou o prontuário que estava pendurado lá. Ali estavam todas as informações técnicas sobre o estado de seu pai e todos os medicamentos que estava tomando, com as doses e horários precisos. Tudo estava escrito com uma caligrafia cuidadosa demais para médicos em geral. Do papel vinha o mesmo cheiro que estava no consultório. Ao final da folha havia a assinatura da médica:
Dra. Sarah Black.
_ Tudo muito cuidadoso. – Edward sussurrou, por sobre o seu ombro. – Não há uma informação incompleta sequer. Seu pai parece estar em boas mãos Bella.
_ Sim… — Ela respondeu. Mas dado o silêncio do lugar, um som chamou a atenção de Bella. Eram passos, mas eram passos suaves, uniformes. Era feminino, pois, quem quer que fosse, usava salto, mas parecia administrá-los com proeza no seu andar. A pessoa parou na porta da UTI e pareceu fazer o mesmo processo que Edward e ela fizeram.
Sarah estava do outro lado, já entortando o nariz para o cheiro irritante dos vampiros. Estava com raiva por eles já estarem aboletados ali, na ala intensiva. Eram dois, ela sabia, estavam quietos do outro lado. Sarah colocou a mão na maçaneta da porta pesada e empurrou, sem mais demoras para terminar com aquilo.
E lá estava ela, a Isabella vampira. Os olhos dela estavam absolutamente negros e foi a primeira coisa que Sarah mirou ao entrar. Elas ficaram se encarando por um tempo, uma observando a outra. Sarah percebeu a bela vampira mover o nariz e trancar a respiração. O cheiro de Sarah estava fazendo efeito. Os vampiros ficaram estáticos observando-a. Sarah se moveu, olhando para Charlie na cama, conferindo se ele estava bem. Lentamente se aproximou, com os pelos da nuca se eriçando.
Edward imediatamente reconheceu o cheiro de Jacob na médica. Porém não estava como costumava ser, fedido. O cheiro dela parecia ser mais forte, ao ponto de querer ocultar o cheiro de Jacob ao invés do contrário. O odor lupino foi, assim, suavizado. Ela se aproximou sem falar uma única palavra e pegou a prancheta do prontuário das mãos de Isabella. Esta soltou inerte, observando intrigada aquela mulher. Dava pra ver por sobre a máscara que a pela dela tinha um brilho acetinado, parecia ter a suavidade do veludo. Ela era mais alta que Isabella, cerca de 1,75.
Ainda sem dizer nada ela se virou de costas para Edward e Isabella e se inclinou sobre Charlie, o examinando cuidadosamente. Mas o movimento dela fez com que seu cheiro, ainda que misturado de um lobo, viesse com força ao nariz de Bella. Imediatamente o instinto de sua raça filtrou o cheiro particular que vinha dela, saboroso, indescritivelmente saboroso. Ela estava com sede, Bella não tinha caçado e o cheiro da humana a sua frente era particular demais, insano demais para não despertar a mais louca de suas vontades.
Edward percebeu a reação de Isabella assim que ela inclinou o rosto para o lado da doutora e inspirou o ar, fechando os olhos com prazer. Logo depois os olhos de Bella se estreitaram e seus lábios se moveram por trás da máscara. Ela queria agarrar os cabelos da mulher a sua frente e expor a pele de seu pescoço. Ela queria lamber sua pele para experimentar o gosto antes de perfurar o pescoço dela com seus dentes. Parecia que a carne da moça também teria um gosto bom, por isto ela não queria somente o sangue dela, queria comer a carne da humana, pois esta estava irrigada com um sangue que só podia ser saboroso, caudaloso. Se o cheiro tinha sabor, imagine o líquido dentro das veias dela.
Isabella deu um passo em direção a médica inclinada com ombros tensos sobre a cama de hospital. Sarah previa um ataque, se preparava para arrancar repentinamente a cabeça da vampira, e depois acabar com o vampiro. Olhou pra cima, a enfermeira estava olhando para eles, estranhando.
Mas antes que Isabella ou Sarah pudesse fazer qualquer movimento, Edward agarrou com punhos de aço a cintura de sua esposa e a puxou junto a si, sussurrando urgente em seu ouvido:
_ Prenda sua respiração! Se controle! – A voz de Edward despertou, lá do fundo, a consciência de Isabella. Mas era imensamente difícil pensar em algo além do sabor da médica. Sarah esperou, inclinada na cama ainda, sem se mexer, que a vampira se controlasse. A enfermeira continuava olhando.
A muito custo Isabella travou sua respiração, parecia que havia sido derrubado ácido puro em sua garganta, tamanha ardência a sede provocava. Ela fechou os olhos e fez um sinal a Edward que estava bem. Mas ele não lhe soltou.
Sarah finalmente se movimentou, mas, no exato momento que ia se virar para os vampiros, Charlie deu sinal que ia acordar. Lentamente ele abriu os olhos, encarando confuso o espaço ao redor dele. Sarah olhou para os vampiros, rígidos e sem respirar a suas costas, se virou e voltou a olhar para Charlie. “Merda!”, pensou.
Ele mexeu levemente a mão direita e sua pulsação acelerou. Bella arregalou os olhos e se lembrou que o seu pai estava ali. Tentou se aproximar, mas Edward não permitiu.
_ Olá Charlie! – Sarah falou, ela tinha que acalmar seu paciente, conscientizá-lo. Mas a vontade que tinha era aplicar mais sedativo nele, para que pudesse sair dali com os vampiros. Pra piorar a situação, a enfermeira saiu de seu lugar e veio ao encontro dela para lhe auxiliar.
Charlie piscou e olhou confuso pra Sarah, não parecendo reconhecê-la de momento. Tossiu, incomodado com a máscara de oxigênio. A enfermeira retirou-a.
_ Chame o doutor Marlon aqui. – Sarah sussurrou apressada para a enfermeira. Ela afirmou e saiu do lugar. – Charlie, se recorda de mim? Sou eu, a Sarah. Sarah Black, a médica. Ontem a noite você veio me fazer uma visita nada agradável sabe?
Sarah falou lentamente, para que ele entendesse. Estava profundamente incomodada com os vampiros ali. Aguçou os ouvidos e pode ouvir os ritmados passos de Leah do lado oposto a janela da UTI, do lado de fora do hospital.
Um leve brilho de consciência desperta passou pelos olhos de Charlie, ele fez um esforço considerável nos músculos do rosto, mas a paralisia ainda era grande no lado esquerdo para que ele conseguisse falar. Só conseguiu tossir, incomodado com o tubinho que lhe entrava pelo nariz e pela garganta.
_ Não tente falar agora Charlie. A dificuldade para isto é natural. Eu só preciso saber se você está me compreendendo. – Ela dizia com voz calma, mas sua pulsação estava acelerada pelo nervosismo. O olhar do vampiro parecia trespassar sua pele.
“Por que o Marlon tem que ser tão lento?” Ela pensava exasperada, ansiosa para sair daquela situação. Continuou seu trabalho, pegou a mão direita de Charlie, a que ela sabia que não tinha sido afetada e fez o primeiro teste, o mais básico.
_ Aperte minha mão Charlie. – Pediu. Ele demorou a processar a pergunta, mas lentamente conseguiu dar um aperto fraco na mão da doutora. Sarah sorriu, ele estava compreendendo. – Ótimo, parabéns Charlie.
Isabella se mexeu inquieta atrás dela, ainda sem respirar. Mas, ao contrário do que pensava, a vampira não avançava. Olhou pelo reflexo do monitor dos batimentos cardíacos e percebeu o outro vampiro a segurando. Os olhos dele, que estavam de um dourado líquido, estreitavam-se em direção a ela. Ele também não respirava.
Marlon finalmente chegou, entrando no quarto com a enfermeira em sua cola.
_ Acordou Charlie? – Ele disse, depois de dar um aceno de cabeça para o casal estático.
_ Os senhores vão ter de me acompanhar para fora do quarto. – A enfermeira se dirigiu a eles, depois que Sarah deu-lhe sinal. – Os médicos irão realizar alguns procedimentos padrão, é preciso que se retirem agora.
Edward fez sinal afirmativo sem dizer nada e, com um pouco de dificuldade, tirou Bella do quarto. Sarah continuou lá com o outro médico. Edward levou Bella para o corredor mais longe, onde haviam janelas abertas, só então soltou de sua cintura. Tirou a máscara e inspirou o ar que vinha de fora, Bella fez o mesmo, se encostando na parede como se estivesse tonta.
_ O cheiro… — Ela sussurrou e Edward pode ver o brilho da sede nos olhos dela provocado só pela lembrança. Se Bella não fosse tão resistente, a mais resistente dos Cullens, ela certamente teria lutado com ele e atacado a médica.
_ Bella, olhe pra mim. – Ele pegou o rosto dela com as mãos. – Saia agora deste hospital e vá caçar. Beba o máximo de sangue que conseguir e tente ficar longe de qualquer humano.
O rosto dela se contorceu em agonia, em expressão de lamento. Nunca os instintos dela estiveram tão fortes, tão próximos da falta de controle, da irracionalidade. Ela tentava tirar da cabeça o pensamento de ir até a doutora e mordê-la, drenando todo o seu sangue, mas era difícil, muito difícil.
_ Edward! – Ela falou em um momento de desespero, colocando as mãos no rosto dele e abrindo o escudo que protegia sua mente, dando livre acesso aos seus pensamentos.
Os olhos dele se arregalaram. Era inegável o poder que o cheiro daquela médica tinha, mas para Isabella, aquilo era muitas vezes pior. Era muito, muito pior do que foi pra Edward o cheiro da Bella humana.
_ La cantante… Bella, ela é sua cantante. – Bella ficou imóvel feito uma estátua olhando para Edward. Não era possível! Não! … Sim, ela queria provar, ela tinha controle, poderia só provar o sangue dela… — Bella! Não! Preste atenção: isto está pior porque você está com sede, você precisa caçar, precisa sair daqui e caçar. Vá, vai agora. – Ele tentou empurrá-la no caminho da saída, mas ela estava imóvel.
_ Meu pai… — Ela se lembrou, a muito custo. – Meu pai, Edward!
_ Ele vai ficar bem. Está ouvindo? Ela está cuidando dele agora. Amor, eu confio em você, sei que você vai resistir, acredite, também não é fácil pra mim. O cheiro dela é muito… atrativo. É pior pra você, mas você precisa estar preparada pra resistir, Bella! Você não vai querer matar a médica de seu pai, não é?
_ Não…
_ Então vai.
_ Você… você não vem? – Ela perguntou, quase virando as costas, mas parando ao ver que Edward, seu marido superprotetor, estava deixando-a sozinha em um momento daquele. Olhou pra ele e percebeu o seu olhar um tanto estranho.
_ Não. Eu vou ficar. Falar com ela. – Bella franziu o cenho.
_ Por quê? Não é difícil pra você também? – Ela perguntou, confusa. Ele demorou a responder.
_ Posso suportar, amor. Acredite, é mais difícil pra você. – Ele lhe deu um beijo rápido. – Vai, ela está vindo.
Bella entrou em pânico assim que ouviu o barulho dos saltos da médica. Trancou a respiração e saiu rapidamente do hospital. Assim que saiu para a tarde cinzenta de Forks, inspirou o ar puro, limpando os seus pulmões e tentando retirar de suas narinas aquele cheiro. Olhou ao redor e foi em direção a orla da estrada, para um caminho embrenhado na floresta. Assim que estava oculta de olhos humanos correu, correu o mais rápido que podia. Seus instintos muito mais alertas do que de costume, sua garganta ardendo em brasa.
Um cervo entrou em seu caminho e ela pulou destramente na frente dele, pegando seu pescoço com apenas uma das mãos e levando-o a boca rapidamente, sugando seu sangue apressada, derrubando-o no chão seco e morto em menos de dez segundos.
Não era o suficiente, não era aquele sabor que sua garganta queria! Ela rugiu e voltou a correr, desesperada por mais um animal qualquer, ou três.
Um alce, uma puma e outro cervo. Foi o que ela bebeu. Sentia seu corpo revigorado, mas a lembrança do que tinha sentido ainda estava fresca. Ela se encostou em uma árvore e apertou os olhos assustada. O que foi aquilo? E se ela não conseguisse se controlar mesmo tendo caçado?
Seu desespero era tanto que só percebeu o cheiro forte e agressivo quando era tarde demais. Ele estava perto, chegando sorrateiro e silencioso atrás de si. Bella se virou lentamente para ver um enorme lobo cor de chumbo olhando feroz pra ela, nem um pouco amistoso.
“Não! Era só o que faltava!”, pensou.
Edward não estava ali e ela não se lembrava de ter conhecido aquele lobo da matilha. Haveriam outros?
_ Não ataque. – Ela falou a coisa mais estúpida que podia ter falado. O lobo mostrou os dentes, rosnando baixo para ela. Não demorou ela sentiu outro lobo vindo a suas costas. Pronto! Agora ela estava perdida.
O lobo chumbo elevou o olhar para cima de Bella, encarando o companheiro recém-chegado. O lobo que ela não conseguia ver atrás de si deu uma espécie de latido, enquanto o que estava a sua frente maneou a grande cabeça, voltando a olhar para ela rosnando. Outro latido do lobo atrás de Bella, este se aproximou dela, fazendo o lobo cor de chumbo recuar e, estranhamente, virar as costas e sair correndo, sem mais e nem menos.
Mas Bella não se moveu, ficou estática como pedra, sem olhar para o lobo que estava a suas costas. O focinho dele se aproximou do cabelo dela, jogando uma baforada quente e fedida em seu pescoço. Ela apertou os olhos e continuou parada. O lobo se afastou novamente. Um farfalhar no vento indicou a transformação, Bella torceu para que fosse um dos garotos que a conhecia, assim ela teria alguma chance de conversar.
_ Ora, ora, ora. Não é que a valorosa Bella teve a ousadia de pisar aqui de novo. – A voz arrastada não serviu para tranquilizar Bella, mas para irritá-la.
_ Leah! – Bella se virou rapidamente para ela, que vestia um vestido solto, preto.
_ É um desprazer revê-la Cullen… — Ela disse, fazendo uma careta de nojo.
_ O desprazer é todo meu. – Isabella retribuiu a careta, torcendo o nariz.
_ Neste caso, por que se incomodou em voltar hein? Por que não passou a sua eternidade infeliz em uma cripta qualquer?
_ Isto não lhe diz respeito. – Ela respondeu, raivosa.
_ Olha só! – Leah gargalhou. – Não é que a songa virou uma vampira abusada!? Acho que você não está em condição de bancar a poderosa, sanguessuga.
_ Por quê? Vai me matar?
_ Adoraria… Mas infelizmente, não vou poder no momento. Gostaria que você tivesse voltado mais cedo, enquanto meu Alpha tinha planos de matar você e toda a sua corja… mas agora ele não está disposto. Mas acho que isto seja momentâneo, talvez ele queira fazer o serviço pessoalmente. Por agora você está liberada, sanguessuga. Mas eu vou ser a sua escolta.
_ O que? – Isabella perguntou, incrédula.
_ Um sacrifício muito nobre de minha parte. Estou perdendo um dia de serviço pra cheirar bunda de sanguessuga. – Leah colocou a língua pra fora. – Mas são ócios do ofício, não é? Vou ficar perto de você, já que pareceu se incomodar com o cheiro de Sarah. Assim, distraio o seu olfato. Nunca pensei que fosse fazer um favor a um sanguessuga. Certamente ganhei um lugar no céu.
_ O que você tem a ver com a médica? – Bella perguntou, impulsiva.
_ Na-na-não! Meus serviços não incluem responder suas perguntas. Eu só estou na sua cola e considere-se com sorte, senão o Caleb tinha arrancado seu pescoço há alguns minutos atrás. Pode ir onde quer ir agora… — Leah fez um sinal com a mão e Bella, a contragosto, retornou na direção do hospital. – Ah… eu adoraria ver seu pescoço sendo dilacerado. Mas talvez eu ainda possa…
Bella acelerou o passo rangendo os dentes de aço.
oOo0oOo0oOo
Sarah andou para fora do quarto, deixando Charlie aos cuidados de Marlon. A reação de Bella ao seu encontro era tudo aquilo que ela não esperava que acontecesse. Ela devia ter controlado mais o seu cheiro, se esforçado mais. Havia muitas pessoas ali para ela se expor caso a vampira atacasse. Mas a ansiedade de Sarah também era grande e tudo que ela descobriu antes de chegar ao hospital não a fez controlar tão bem o fechamento de seus poros para não exalar o cheiro.
Sarah inspirou o ar, percebendo que a vampira não estava mais ali, mas o vampiro estava. Virou a esquina do corredor branco e se deparou com Edward encostado na parede como uma bela estátua grega, com olhos fechados e sem que nenhum sinal de vida viesse dele. Ela estacou e apertou os punhos.
_ Quem é você? – Ele perguntou, se virando pra ela e a encarando perigosamente. Assim que os olhos dele se abriram para encará-la, Sarah viu nele o que poderia causar o terror. Suas estranhas íris douradas refletiam a ameaça assassina de sua espécie.
Ele estava com raiva dela, claramente. Sarah franziu o cenho e se perguntou o porquê daquela raiva involuntária. A única reação que ela costumava provocar em vampiros era um desejo insano pelo seu sangue. Cambaleou diante daquela raiva, era como se ele a culpasse por provocar o descontrole em sua parceira.
_ Me responda quem é você primeiro. Ou melhor, diga pra mim o que você é. – Ela respondeu, desafiadora.
_ Suspeito que você já saiba o que eu sou. Estou certo? – Ele disse, dando um meio sorriso irônico. Belo e terrível.
_ Sim, eu sei o que você é. A propósito, sua maquiagem está perfeita, devia parabenizar o artista.
Edward sorriu com o que ela disse. A maquiagem estava perfeita, o suficiente pra passar despercebido para a visão de um humano.
_ Penso que precisamos conversar, doutora Black. – Ele disse, com ar de quem cobrava uma divida, ainda muito tenso por falar e tentar respirar o menos possível. Vez ou outra fazia uma careta com a ardência em sua garganta.
_ Por que pensa isto? – Ela perguntou, não acreditando que estava conversando polidamente com um vampiro.
Ele sorriu, um sorriso torto, exibindo dentes perfeitos, olhando para baixo, antes de voltar encará-la.
_ Primeiro: você é médica do meu sogro. Segundo: você parece ter uma relação estreita com Jacob Black, o suficiente pra ter o cheiro dele impregnado em você. Ele nos odeia, e me pergunto como ele permitiria que você viesse ao nosso encontro sozinha. Terceiro: me pergunto porquê você tem uma força estranha parecendo rondar em cima da sua cabeça, porquê tem um olhar seguro e desafiador demais para uma espécie que é a sua predadora natural. É quase um olhar de loba, mas lobos são nossos inimigos, não nossa presa. É natural que eles nos desafiem. E me pergunto o mais estranho, aquilo que me faz desconfiar daquilo que você aparentemente seja: você me anula, parece anular todo o poder que um vampiro tenha. Bloqueia. Não tenho acesso a sua mente. Por estas razões eu acho, sim, que temos que conversar… doutora.
Sarah ergueu as sobrancelhas, engolindo em seco com tantas observações do vampiro a seu respeito e por sua objetividade. Ele lhe media delicadamente, avaliando cada parte, cada movimento dela. Edward percebeu imediatamente a essência estranha de Sarah. Sensível demais, ele era sensível demais, mais do que qualquer lobo de La Push, mais do que o próprio Jacob. “Tome cuidado com ele… não o subestime…” Sarah quase saltou de susto ao ouvir a voz de Niadhi em sua cabeça. “Nem tente enganá-lo, apenas o enrole…” Ela continuou a falar. Sarah se esforçou para parecer inerte.
_ Caso se sinta controlado o suficiente para ficar a sós comigo, meu caro, podemos conversar… talvez…- Sarah disse, cuidadosa.
_ Não é nada que uma janela com ar fresco não possa resolver. – Edward respondeu.
_ Há uma bem grande na minha sala. – Ela respondeu, virando as costas e simplesmente caminhando em direção a sua sala. Edward sorriu novamente. Desde quando alguém viraria as costas para um vampiro com tanta segurança, sabendo que ele desejava seu sangue? Nem Bella foi assim.
A seguiu.
Conforme se aproximavam do consultório, Sarah podia ouvir a voz de doutor Hanson conversando tranquilamente com outro homem, de voz muito macia e envolvente. Logo depois ela sentiu o cheiro. Outro vampiro! Ela quase bufou, aquilo era insuportável, estava cercada daquelas criaturas!
_ Você continua muito bem Carlisle, os anos parecem ter feito bem a você. Olha só como eu estou: um velho de cabeça branca e gordo! Lamentável. – doutor Hanson dizia rindo, pareciam velhos amigos. Sarah franziu o cenho e continuou marchando em direção a sua sala.
_ Imagine Hanson! Você está com todo vigor e saúde. – O vampiro respondeu, cordato e educado.
Edward seguia Sarah muito consciente do andar suave e preciso dela. Além disto, percebia a pele dela eriçada e o coração exaltado. Mas ela definitivamente parecia humana, uma humana muito atrativa, mas humana. Não havia nada de estranho em seus sinais vitais como havia com Renesmee, e o calor que o corpo dela exalava era também muito natural. Mas o fato era que ela tinha algo, Edward sentia isto, não só pelo cheiro absurdamente delicioso que ela tinha, mas era como um campo magnético, uma força desconhecida. Se lembrava claramente de Alice dizendo que algo estava bloqueando suas visões em Forks, que ela não conseguia ver nada do hospital. E fora ela, a médica chegar ali, que sua habilidade em ler os pensamentos começou a falhar. Ele percebeu que quanto mais próximo estava dela, menos ouvia. Naquele momento a cabeça dele estava vazia, não ouvia nada, nem dela e nem de ninguém a seu redor.
Não era como Isabella, com seu escudo, que protegia sua mente, era mesmo um bloqueio, ela agia nele. Restava saber se isto era consciente ou ela era apenas mais uma humana com habilidades extras inconscientes, como Bella fora. Se fosse isto ele relaxaria, mas se não fosse…
_ Ah, aqui está ela Carlisle. A valorosa doutora Sarah Black! Nosso mais novo tesouro do hospital. – Hanson apontou orgulhoso para Sarah assim que ela entrou na antessala de seu consultório, encontrando os dois sentados no sofá.
O loiro, inumanamente perfeito, a olhou e pareceu engolir em seco. Logo depois olhou para Edward. Sutilmente ele levou a mão a garganta, que queimou com o cheiro da médica. Há tempos Carlisle não sentia desconforto com um cheiro de sangue de em humano, mesmo que este estivesse sendo jorrado a sua frente. Sentia que não ficaria tão bem se aquela bela mulher se cortasse perto dele. Ele deu um breve aceno pra Sarah, que não lhe retribuiu, apenas olhou de volta para Hanson com um sorriso educado e composto nos lábios.
_ Sarah, este é o doutor Carlisle Cullen. Trabalhou aqui há dez anos, um excelente médico. – Hanson dizia empolgado.
_ Doutor? – Sarah indagou com uma suave nota de ironia da voz. Passou a observar o vampiro loiro. Então aquele era o tal Carlisle, o vampiro que surpreendeu Quendra?
Sarah sorriu ironicamente. Internamente, estava incomodada com a expressão suave e quase bondosa que ele tinha. Será possível que ele não fosse unicamente um ser desprezível? O olhar suave dele lhe incomodava, ela se lembrou do vampiro Henrique, o que ela viu morrer. Havia algo humano demais nos olhos de Carlisle, ele estava incomodado com seu cheiro sim, mas não havia ferocidade em seu olhar, apenas uma determinação profunda em resistir.
“Que diabos!”, Sarah pensou raivosa. Tudo era tão mais fácil quando ela podia simplesmente considerar todos os vampiros como bichos demoníacos. Aquilo a sua frente não fazia parte da ordem natural das coisas, ela quase rugiu exasperada.
_ Sim, doutor. Hanson me falou muito bem de você doutora. Fico feliz que Charlie esteja em boas mãos, isto deixará Isabella mais tranquila. – Carlisle olhou para Edward, franzindo brevemente o cenho. – Bella? – Carlisle perguntou, quase sem mover os lábios.
_ Caça… — Sarah escutou o sussurro veloz e quase imperceptível do vampiro atrás dela. Carlisle voltou a atenção para a médica. Ela não lhe respondeu, somente acenou com a cabeça.
_ Eu agradeço os elogios doutor Hanson. Mas agora pode voltar aos seus afazeres que eu conversarei com eles sobre o estado do Sr. Swan. – Ela o dispensou educadamente.
_ Ah sim, claro. Vou deixar vocês se entenderem. É bom ver vocês de novo, Carlisle, Edward. Até mais.
Não ouve aperto de mãos, apenas sorrisos cordiais. Hanson parecia acostumado com a atitude dos dois.
_ Sharon, pode sair para o almoço mais cedo. Não vou precisar de nada por agora. – Ela disse, se virando para a sua secretária atrás da mesa. Ela observava discretamente os vampiros, olhando-os por cima dos óculos na ponta do nariz.
_ Oh! Tudo bem doutora. Ah, não há nenhuma consulta pra hoje, só mesmo os pacientes internados.
_ Está tudo bem Sharon. Pode ir. – Sarah sorria, tentando disfarçar sua impaciência. Quase pegou a bolsa de Sharon e lhe empurrou porta fora, impedindo-a de dar um tchausinho empolgado demais para Carlisle e Edward.
“Isto, dá mole pra vampiros que eles te comem. Literalmente.” Sarah pensou, enquanto ia para a porta da sala, fechá-la nas costas de Sharon, que estava lerda demais para seu gosto.
No mesmo instante que ela fechou a porta ela ouviu Edward ir para a janela, escancarando-a e inspirando o ar de fora. Carlisle estranhou, pois Edward fez aquilo com sua velocidade vampiresca. Sarah fez uma cara teatral de susto com a velocidade dele.
_ Será que pode ficar parado? – Ela reclamou, quase rindo do seu joguinho, mas mantendo uma expressão fechada.
_ O que está acontecendo aqui? – Carlisle perguntou confuso.
_ É isto que quero saber. E a resposta está com ela. – Edward apontou Sarah com o queixo. Carlisle pareceu confuso, olhou para Edward esperando que ele respondesse as duvidas de seu pensamento, mas ele não esboçava reação.
_ Acho que vocês já sabem o que precisam saber. Não tenho nada pra dizer.
_ Não? Não tem nada pra dizer? – Edward saiu da janela e veio em direção a ela. Rápido demais ele pegou a sua mão. Ela não pode desviar, seu movimento para isto teria de ser tão rápido quanto o dele e ele com certeza estranharia.
O contato da pele gelada fez ela se encolher involuntariamente. Ele alisou a aliança no anelar dela.
_ Você é esposa dele, não é? – Ele perguntou.
_ Edward, o que está acontecendo aqui? – Carlisle perguntou em voz alta aquilo que ele gritava na mente para Edward. Ele não respondeu.
_ Certamente esta aliança significa que sou esposa de alguém. E o meu nome é bastante sugestivo não?
_ Ele sabe que estamos aqui? Ele sabe que você está aqui, conosco? – Edward perguntou, ignorando o que ela disse.
_ Por que isto lhe incomoda? Está com medo de Jacob?
_ Ele prometeu vingança.
_ E acha o que? Que ele me ofereceu como isca para atraí-los? Se você quer que eu esclareça as coisas pra você vampiro, eu esclareço. Eu chamei a sua esposa descontrolada aqui sem sonhar a espécie maldita que ela era. Cometi o pior erro da minha vida, certamente. Mas quando eu soube já era tarde. Jacob Black não teve nada a ver com isto.
_ Não faz parte da personalidade de Jacob confiar alguém que faça parte da vida dele a vampiros. Por que então, você está aqui? Sozinha? – Edward perguntou, exigente, franzindo o cenho.
_ Ela não está sozinha. – Carlisle falou, olhando para o lado de fora da janela. Bella surgia com Leah em seu enlaço. As duas pararam na frente do hospital, Bella se encostou no carro e Leah parou com os braços cruzados na frente dela.
Sarah relaxou, ao perceber que aquilo pareceu esclarecer a dúvida de Edward.
_ Não, eu não estou sozinha. E você não está em condição de me exigir nada, vampiro. Eu acho que não ficou claro pra vocês uma coisa. Este lugar não é mais como era antes de vocês saírem daqui. Eu sei o que vocês são sim, sei o que vocês podem fazer e sei a ameaça que vocês representam. Não interessa quem seja meu marido, que maldito acordo vocês tenham, que dieta vocês fazem. Não me interessa! Eu não confio e não vou confiar em vocês, não importa o que me digam.
_ Eu posso imaginar que você tenha receio de nós, mas nós não representamos riscos. Ao contrário do que Edward pensa, eu sei que Jacob só permitiu que você viesse aqui porque no fundo ele sabe que seriamos incapazes de fazer algo a você. Pode ser difícil, mas pode confiar em nós. – Carlisle disse, se aproximando dela lentamente. Sarah deu dois passos pra trás, ele parou.
_ É mesmo? Pois isto não me convence. A começar por sua companheira … — Ela se virou para Edward — … ela não me pareceu tão controlada diante de humanos, isto porque ela estava perto do próprio pai. Eu realmente não sei o que os lobos irão fazer com relação a territórios e tudo mais. Mas, a partir de agora, quero que fiquem conscientes de uma coisa: este hospital, doutor, é meu território agora. Entenderam? Nem lobos e nem vampiros, eu estou aqui. E enquanto eu estiver aqui não posso admitir que vampiros pisem neste lugar, oferecendo risco as vidas que eu prometi preservar. Esta é a ultima vez que entram neste hospital! – Sarah disse firme, um tanto ameaçadora. Carlisle deixou o queixo cair.
_ E posso saber como você pode exigir isto? Você não é somente uma humana? Como pode dizer o que nós devemos ou não fazer, o que você pode fazer pra nos impedir? – Edward perguntou, ávido demais com o que ela poderia responder. “Maldito vampiro!”, Sarah pensou.
_ Você não gostaria de saber. E acredite, é melhor que não saiba. – Ela resolveu desafiá-lo. Uma mentira qualquer não o enganaria, ela o encarou segura, sustentando o olhar do vampiro com como se pudesse perfurá-lo. Edward inspirou o ar e o cheiro dela penetrou como labaredas em sua garganta. Ele fez nova careta.
_ O teu cheiro… não é natural. Você bloqueia o meu poder… Isto não pode ser natural, você não pode ser simplesmente uma humana. – Edward voltou a insistir, falando-lhe mais manso, com os olhos fechados. Sarah soltou um suspiro.
_ Você pode duvidar, isto não está sob meu poder. Mas sim meu caro, eu sou humana sim! Você já deveria saber que é impossível que todos os humanos sejam iguais e que há certas coisas que não se podem explicar. Pense o que quiser, eu não posso mais fazer nada.
Edward abriu os olhos e voltou pra perto dela, parando na sua frente e lhe olhando calmo, estranhamente. O olhar dele incomodou Sarah, era como se ele tentasse desvendá-la e pedisse permissão pra isto.
_ Eu não vou te expor. Eu apenas sinto algo… diferente… Eu sei que você nunca vai acreditar nisto, mas eu não sou uma ameaça. Eu nunca terei algo contra você desde que você não faça nada contra nós. Eu não posso aceitar que você impeça nossa entrada aqui, porque eu sei o quanto minha esposa, Bella, vai sofrer com isto. Ela ama o pai, ela já teve que ficar tempo demais afastada dele. Agora ele precisa dela, Charlie também precisa da filha perto dele. Se você tentar afastá-los isto fará os dois sofrerem. Eu estou lhe pedindo, confie em nós.
_ Confiar? Você sabe muito bem o quanto sua mulher esteve perto de me atacar. Eu não sou idiota, pude perceber isto.
_ Eu não permiti, permiti? Quer que eu seja sincero? O seu sangue parece indescritivelmente saboroso, algo único, eu tenho certeza. Neste momento todo o meu instinto clama pra te morder, pra experimentar, pra provar disto que está correndo nas tuas veias. Você sabe o quanto é difícil resistir? Sabe o que é lutar por décadas e décadas pra ter esta força e resistir? Eu faço isto não só pra não ser um assassino, mas também pra preservar a vida dos outros. Eu não vou deixar que meu instinto acabe com a sua vida, Sarah Black, isto é mais do que uma promessa, isto é tudo que eu luto pra ser. E eu não vou permitir que Isabella enfraqueça. Eu estou ao lado dela, ela é minha mulher, eu a amo e vou mantê-la segura junto a mim. Eu fico do lado dela o tempo todo se for preciso, passo por cima de todo desejo que eu possa ter, mas não vou permitir que ela te morda. Eu sei que ela não quer isto.
Ele falou tudo aquilo com tanta determinação, seus olhos dourados praticamente se derretendo em fervor, que Sarah não pode entender errado. Aquilo era um amor, um amor absurdamente forte, vindo de um vampiro.
“Tudo o que há de honroso em humanos nos subjuga… O amor humano, a alma humana se esforçando pra se manter firme em corpo de demônio nos barra…”. Aquilo foi o que Quendra havia dito a Jacob e, olhando para o vampiro Edward, Sarah pode compreender aquelas palavras.
_ Sua determinação é realmente admirável. Mas se vocês respeitam tanto a vida humana irão me compreender. Assim que eu aceitei Charlie como meu paciente, como com todos os outros, eu me sinto responsável pela vida dele. É assim com todos os outros que estão neste hospital. Isto faz parte de mim, eu não posso, eu não consigo permitir que eles se exponham a um risco ínfimo que seja. Vocês são este risco, portanto não. Eu não posso deixar que isto aconteça, é melhor que vocês se mantenham longe daqui. Se o que lhe incomoda é o sofrimento de sua esposa, diga a ela que ele estará bem, muito bem cuidado. Mas enquanto ele estiver neste hospital, sob minha responsabilidade, não vou permitir que vampiro algum se aproxime. Nem mesmo ela.
_ Doutora, por favor… — Carlisle começou a insistir, mas ela elevou a mão pedindo silêncio.
_ Não adianta. – Edward desistiu. Sabia, pelo olhar que aquela mulher tinha, de que ela era irredutível.
_ Não há mais nada que vocês tenham a fazer aqui. Eu os acompanho até a saída.
Ela abriu a porta e apontou a saída. Carlisle olhou para Edward e saiu, mas Edward ainda ficou parado, olhando pra ela. Que diabo de olhar era aquele? Ele veio andando até ela, Sarah permaneceu parada. Suavemente ele ficou próximo, a temperatura fria dele esfriando a pele de Sarah, o cheiro agressivo irritando suas narinas. A encarou, observando atentamente o castanho expressivo dos olhos dela, os cabelos que pareciam fios de seda, a pele acetinada e morena.
_ Eu sei que você é mais especial do qualquer humano que eu já encontrei. Eu sei que você não é perigosa pra mim, não há maldade em você. Saiba que eu posso amar da mesma forma que você, mesmo sendo um vampiro. Eu não vou expor sua essência, mesmo que não queira, você pode confiar em mim. Eu te peço uma vez mais, não tente afastar Bella de seu pai.
_ Me prove então que posso confiar em você e aceite minha decisão. Quando Charlie tiver alta eu não poderei fazer mais nada, mas agora será assim. Se você aceitar isto, só assim eu poderei começar a pensar em confiar em você.
_ Ao menos nos dê notícias da evolução dele. Nós não precisamos entrar no hospital, é só você dizer o quando e como para termos informações de como ele progride no tratamento. Faça ao menos isto, eu lhe imploro.
Ela continuou com o maxilar rígido.
_ Todos os dias, no início da noite. Me passe o telefone pra que eu possa entrar em contato e eu te ligo.
Edward virou as costas e pegou um papel na mesa de Sharon rabiscando um número.
_ Não vamos sair de Forks. Vamos esperar ele ficar bem. Este é o meu numero, eu vou ficar esperando. Obrigado. – Ele disse, lhe entregando o papel. Sarah pegou e afirmou com a cabeça. Ela tinha acabado de fazer um acordo com um vampiro civilizado.
Edward virou as costas e saiu. Sarah respirou fundo e foi atrás deles.
Assim que eles chegaram à porta do hospital, Isabella desviou de Leah e veio ao encontro de Edward, que abriu os braços para recebê-la. Imediatamente ela prendeu a respiração ao avistar Sarah.
_ Está tudo bem? – Ele perguntou, acariciando os cabelos dela, olhando para Leah hostil. A loba sorriu e rolou os olhos. Ela o incomodava? Perfeito!
_ Eu cuidei bem dela, sanguessuga. Não que tenha sido suportável pra mim. – Leah lhe falou baixo, Edward rosnou.
Bella se virou lentamente para Sarah, e ousou soltar a respiração. Mas sua cabeça deu um giro completo assim que ela sentiu o cheiro da morena novamente. Edward segurou seus braços e sussurrou:
_ Você resiste, você consegue… - Bella afirmou com a cabeça, deixando o cheiro torrar a sua garganta, mas voltou a prender a respiração. Leah imediatamente veio para o lado de Sarah, estreitando os olhos e apertando os punhos trêmulos.
_ Vamos manter a calma Leah. Está tudo sob controle. – Carlisle afirmou. Leah bufou.
_ Me perdoe por isto… — A voz de Bella interrompeu a breve hostilidade deles, saiu fraca, se dirigindo a Sarah. Esta ergueu o cenho, encarando a vampira pedir desculpa por desejar seu sangue. Aquilo era inédito! – Eu devo a você a vida do meu pai. Não esqueço uma divida como esta.
_ Fiz o que devia fazer. Apenas isto.
_ Eu não achei tão importante Sarah cumprir este dever “médico salva a todos” com o seu velhote, sanguessuga. Mas ela cuidou dele, veja só. – Leah resmungou, azeda. Bella engoliu em seco e ignorou a loba.
_ Eu vou cuidar do meu pai agora. Eu lhe agradeço por ter me chamado, porque eu…
_ Bella… — Edward começou a falar, queria dizer a condição que Sarah havia imposto, mas a médica riu antes que ele pudesse falar algo mais.
_ De tudo que você poderia me agradecer, isto certamente você não devia. Porque se eu soubesse o que você era, acredite, eu nunca a teria chamado. Mas agora que eu sei do que se trata sua condição… existencial, por assim dizer, tudo muda. Seu… companheiro poderá lhe explicar que não estou nem um pouco disposta a aceitar sua presença, ou de qualquer outro vampiro, neste hospital. Portanto, enquanto Charlie estiver aqui, você não poderá vê-lo. Bem simples. Quando eu tiver que dar alta pra ele, infelizmente, não poderei fazer mais nada, mas enquanto isto não acontece, você não vai entrar aqui. O seu descontrole hoje, perto dele e de minha enfermeira não pode se repetir.
Bella ficou estática, os olhos dela não piscavam, parecia uma boneca de cera.
_ Você não pode fazer isto… ele é meu pai… — Ela sussurrou.
_ Eu não só posso, como estou fazendo. E isto é definitivo.
_ Você não pode me impedir! – Ela voltou a reclamar, soando raivosa, ameaçando com o olhar de sede. Bella de repente se assustou com o pensamento que lhe veio. Pensamento que consistia no prazer que ela sentiria ao ter que matar a médica para poder ver o seu pai, sugar o sangue dela e acabar com o problema. Apertou os olhos para recobrar a consciência.
_ Eu ainda estou aqui vampira sonsa, e morrendo de vontade de arrancar seu pescoço, portanto não banque a poderosa não! – Leah rugiu para Bella, precipitando o corpo para frente. Sarah colocou a mão nos ombros da índia.
_ Estamos na frente do hospital, Lee. Se contenha. – Sarah lembrou, Leah recuou sua posição de ataque, mas ainda manteve seu olhar agressivo. Carlisle olhou para Sarah parecendo agradecer por ela ter acalmado Leah.
_ Bella, esta é uma exigência dela. Nós vamos aceitar isto pra evitar desacordos, é só até ele ter alta. Além do mais Sarah aceitou nos dar notícias todos os dias de como Charlie anda. – Edward disse.
Bella balançou a cabeça e voltou a encarar Sarah.
_ Ele é o meu pai! Eu não o terei pra sempre, ele precisa de mim agora, eu preciso dele perto de mim. Ficar afastada dele me dói, eu preciso vê-lo, eu preciso estar com ele neste momento, ele precisa saber que estou aqui!
_ Até onde eu sei Isabella, você quis se tornar o que se tornou. Já ouviu falar que ao fazer uma escolha, você abre mão de outras? Sua eternidade tem um preço, você não é mais como qualquer filha, Isabella, você é agora a predadora natural do seu pai. Já pensou isto? Sua condição de vampira lhe afastou da convivência que você tinha direito de ter com o seu pai. Você mesma o abandonou quando se mudou não é? Agora exige desesperada que fique perto? Depois de anos que esteve longe, só falando por telefone? Isto não me parece coerente Isabella. De repente você acorda para o fato de que não terá seu pai pra sempre, que o fato de você ser imortal significa que irá, inevitavelmente, vê-lo morrer, e decide que não pode ficar longe dele? Vamos com calma e deixe eu te falar uma coisa só: você não pode ter tudo. Aprenda a conviver com as limitações que sua existência sobrenatural impõe e saiba que já estou fazendo muito em lhe dar todas as satisfações do tratamento dele. Seu pai estará muito bem aqui, pode estar certa disto, e você poderá vê-lo quando ele sair das minhas mãos.
Sarah disse tudo aquilo com voz inalterável, enquanto Bella fazia uma careta após outra. Leah pareceu se divertir com aquilo, rindo brevemente quando o discurso de Sarah terminou.
_ Esta mulher sabe botar banca. É isto aí, sou tua fã! – Ela voltou a gargalhar.
_ Acho que chega por hoje, tenho mais o que fazer. Ligo quando tiver o resultado dos novos exames.
Bella abriu a boca e voltou a fechá-la. Ficou olhando Sarah entrar no hospital novamente.
_ Tracy? Faça uma observação na ficha de Charlie Swan de que as visitas dos familiares estão proibidas. Acabei de saber que eles estiveram expostos a uma doença infecciosa há poucos dias e não quero riscos para o paciente. Todos eles já concordaram que não podem descumprir esta regra então, anote só pra constar, caso alguém se esqueça disto. Somente eu posso liberar as visitas do paciente entendeu? Nem Marlon, nem doutor Hanson, nem o Papa. Só eu.
_ Sim doutora. Já está tudo certo! – A recepcionista respondeu solicita, enquanto os que estavam do lado de fora escutavam as exigências dela.
Sarah ia para dentro, quando distinguiu o ronco do motor da moto de Jake. Ele estava vindo! O coração dela disparou, ela voltou a olhar para o olhar angustiado de Isabella do lado de fora. Engoliu em seco, logo depois ele despontou na esquina atrás deles, entrando no estacionamento do hospital. A vampira inspirou o ar e imediatamente se virou na direção da moto.
_ Jacob! – Bella exclamou, entre espantada e algo mais que Sarah não pode distinguir. Edward lhe soltou o braço, deixando-a dar um passo a frente. Logo depois ele voltou seu olhar para Sarah, estática do lado de dentro da porta do hospital.
Notas finais
E neste, Jake finalmente tomou coragem e foi enfrentar a Bella vampira... Q será q vai dar??
Shiiiii... só no próximo!!
Bjsss....
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