The Precious Blood
58 Rainha e rei
Notas iniciais
"Na verdade, somos uma só alma, tu e eu.
Nos mostramos e nos escondemos tu em mim, eu em ti
Eis aqui o sentido profundo da minha relação contigo,
Porque não existe, entre tu e eu, nem eu, nem tu."
by Rumi
Sarah acariciou o rosto de Jacob mais uma vez, desta vez se demorando a deslizar os dedos por cada ínfimo contorno daqueles traços tão belos. E agora, quanta imponência cabia a ele. Jacob fechou os olhos e permitiu que em silêncio ela lhe acariciasse. De olhos fechados era como se sentisse aquela carícia dentro de si. E também de olhos fechados ele se recordou de quando estivera longe do corpo e se entrelaçou ao espírito daquela mulher.
_ Te perder é a sensação mais horrenda que eu já pude sentir. – Ela murmurou. – Eu posso passar e suportar qualquer coisa, menos isto… menos isto! Eu perdi meu rumo… eu me perdi.
Enquanto ela dizia aquilo, seus dedos passavam trêmulos pelos lábios de Jacob. Ele lhe agarrou a mão, cessando os movimentos e lhe beijou a ponta dos dedos. Os olhos negros se abriram, atingindo Sarah como dois dardos afiados e certeiros.
_ É impossível que você me perca, Sarah… é impossível! – Ele murmurou e depois sorriu, com uma calma inconcebível.
A moça encarou o marido de volta, ainda confusa. Tinha acabado de acordar depois de dias fora daquele mundo, sendo que a ultima sensação que teve antes de sucumbir foi a completa desolação diante da aparente morte de Jacob. E ao despertar era esta a sensação que se lembrava, era este sentimento desesperador que lhe toldava os sentidos. Se sentia ainda meio letárgica, com medo de que estivesse em algum nebuloso sonho.
Novamente sentiu os lábios quentes de Jacob se apertarem em seus dedos, logo depois ele levou a mão da moça em contato com a pele de seu peito. O som que ela ouvia do coração de Jacob passou então a pulsar sob sua palma, vigoroso e tão real. Sarah passou a encarar aquele contato, sua mão quase coberta pela de Jacob.
_ Uma vida… sob suas mãos. – A voz de Jacob voltou a lhe sussurrar, desta recordando-a de palavras antigas, ditas antes que todo aquele tormento começasse. Ela sorriu. – Você cuidou muito bem de mim, doutora. Sente este coração pulsando? – Jacob apertou ainda mais as mãos dela em seu peito. – Sente? O sangue que ele bombeia também é seu. Você se alastrou em mim, tomou posse de meu corpo… você está presente até no meu cheiro, agora! É impossível nos separarmos.
Quando Jacob lhe disse aquilo é que ela se deu conta de que aquela era a sutil mudança que sentiu no cheiro de Jacob. O cheiro dele estava misturado ao dela e a fazia recordar do cheiro que impregnava seu quarto quando os dois passavam horas de corpos colando, juntos em um ato de amor. Um tremor lhe assolou da cabeça aos pés e ela sentiu o meio de suas pernas pulsarem.
O olhar de Jacob imediatamente se estreitou, dedicou um sorriso de canto a Sarah, a perturbando ainda mais.
_ Jacob… — Ela disse, como quem estava sendo torturada e pedia piedade.
Ele sorriu e a puxou para o meio de seus braços, dando-lhe um aconchego indescritível. Sarah passou a respirar o cheiro dele diretamente de sua pele, como se cheirasse um entorpecente. Ficaram assim por um momento. Não cabia ali uma palavra sequer… Jacob a abraçou até sentir a respiração da moça mais controlada, seu coração menos inconstante e suas mãos mais firmes a lhe apertar.
_ Eu precisava me afastar. Eu precisava partir. – Ele disse, simplesmente.
Sarah franziu o cenho, mas não disse nenhuma palavra. Por um instante não compreendeu o que Jacob lhe dizia. Mas de repente tudo se fez claro. Ele se referia a sua “morte”. Ela tentou se conter, mas foi inevitável não engolir em seco e deixar que sua pulsação acelerasse imediatamente.
Ela voltou a sentir as mãos de Jacob acariciando seus cabelos.
– Não era uma escolha, assim como as coisas aqui não acontecem por acaso. – Ele prosseguiu.
Depois ele a afastou brevemente, Jacob ofereceu-lhe a mão, prontamente aceita por ela, e a conduziu para além da proteção das arvores.
Sarah olhou ao seu redor. O vento que batia em sua face trazia um cheiro forte de maresia. Estavam em um local alto e muito próximo do mar. Um penhasco se revelou então, logo após alguns passos. E sim, Sarah se lembrava daquele lugar. Ela e Jacob estavam no mesmo penhasco, exatamente no mesmo ponto em que, séculos atrás, seu pai havia aparecido com Quendra para socorrer um desesperado quileute.
_ É o lugar onde meu pai passou a magia elfo ao índio quileute. – Ela disse em voz alta. E era como se vislumbrasse novamente aquela cena: o quileute ajoelhado frente a Lairon e o elfo com as mãos em seu peito, concedendo a magia que faria um povo especial.
Ela também se recordava do nome do índio quileute: Khairã. Sarah soltou as mão de Jacob e caminhou um pouco a frente, quase na beira do penhasco e se ajoelhou. Se ajoelhou no mesmo chão que um dia os joelhos de seu pai pousaram. Sentiu tanta emoção ao fazer aquele simples movimento que não conteve novas lágrimas, que escorreram lentas por seu rosto. Fechou os olhos e ouviu nitidamente a voz de seu pai sussurrando as mesmas palavras de séculos atrás. Repetiu-as tal como as ouvia em suas lembranças:
“– Dou-te agora o que de mais precioso temos: o poder que está em nosso sangue. A partir de agora terás uma magia em vossas veias. Passará ela aos teus, usará conforme achar necessário para seu propósito, mas não levianamente. Ela irá crescer e se adaptar as suas necessidades, da forma que só ela pode fazer.”
Ela abriu os olhos e Jacob estava ajoelhado a sua frente. Tal como ela estava no mesmo lugar em que Lairon estivera tempos atrás, Jacob estava no mesmo lugar onde Khairã estivera. Os olhos do índio estavam luminosos, ele tinha a expressão séria e ao mesmo tempo parecia extasiado com alguma coisa.
Abriu os lábios, tentando falar algo, mas não conseguiu. As palavras de Sarah ainda fazendo efeito sobre ele. Era como se, naquele momento, estando ela desperta, estando ele de corpo e espírito renovado, estivessem selando um novo início para elfos e quileutes.
De início, nem ele entendia a necessidade de ir até aquele lugar e lá esperar por Sarah. A única coisa que sabia, ao perceber que ela estava de volta, era que tinham que estar ali naquele exato momento. Por isto a havia atraído até lá e não ido de encontro a ela em sua casa.
Sarah abaixou os seus olhos e se virou, se sentando de frente para o mar, seus cabelos sendo lançados para trás com a força do vento. Respirou fundo.
_ O que precisa me dizer… aqui? – Ela perguntou.
Jacob voltou a olhar para Sarah e sorriu. Talvez a moça não tivesse consciência disto, mas era notável sua soberania para quem olhava. Ainda que ela estivesse descalça, vestida somente com uma camiseta, os cabelos em completa desordem, ainda assim havia uma aura ao redor dela que deixava claro que a moça não era uma mera mortal.
E naquele momento, ela não era apenas a sua esposa. Ali estavam novamente um elfo e um quileute, ao redor deles dois mundos – humano e sobrenatural – se colidiam de forma catastrófica.
_ Você sabe. – Ele disse, sua voz rouca, os olhos profundos, as feições graves. Sarah engoliu em seco.
_ Não! Não sei. – Ela disse, a voz baixa um tanto impaciente. – O que aconteceu? – Ela voltou a perguntar, um pouco mais calma. – O que aconteceu com você? … Disse que precisou partir… onde esteve enquanto eu quase me desintegrei pensando que tinha te perdido?
_ Você sabe… — Ele repetiu, desta vez seus olhos estavam fechados, sua cabeça curvada pra baixo e a postura tensa. O vento pareceu mais gélido para Sarah naquele momento.
Uma vez mais, Jacob lhe estendeu a mão, mas daquela vez, a moça hesitou antes de agarrá-la. Seu coração batendo loucamente dentro de seu peito, a respiração escassa. Tremula ela ergueu a mão direita para pousar delicadamente na palma quente de Jake. Este estava imóvel, como uma bela estátua de bronze.
Mas quando a mão dela encostou na dele, os dedos de Jacob fechou-se sobre ela, com a força inquebrável de um diamante. Sarah sugou o ar com força, mas não teve tempo de raciocinar antes de ouvir milhões de vozes em sua mente.
Espíritos.
Espíritos guerreiros. Espíritos quileutes.
_ Rainha elfo. – Disseram-lhe juntos, a força deles fazendo o corpo de Sarah convulcionar-se e pender em direção ao fim do penhasco.
E era como se a reconhecessem como tal, como rainha. Seus olhos se turvavam, mas ela não pode fechá-los. Na imensidão do horizonte, um clarão e espectros luminosos apareceram para ela, orbitando sem peso. Fluíam pelo espaço. Ela ainda sentia a mão de Jacob agarrada fortemente a sua e foi com assombro que entendeu que todos aqueles espíritos estavam, na verdade, abrigados no interior de Jacob.
Os tremores causados pelo forte impacto daquelas emoções lhe doíam o corpo, ela não tinha certeza se poderia suportar aquilo sem sucumbir novamente. As luzes vieram até ela, giraram ao redor dela. Disseram:
_ De teu sangue veio a nossa magia, por tempos findos permanecemos fiel e submisso as vontades do deu povo. Cumprimos nossas promessas.– No meio de todos eles, Sarah distinguiu um rosto. Khairã. O quileute que fez as promessas que uniram a vida dos quileutes ao poder dos elfos. – Crescemos, evoluímos. Cumprimos a promessa. Nos libertamos. Somos povo independente…
Sarah se assustou com o som de algo se quebrando. Como se uma muralha de vidro explodisse. Ela sabia o que era. Era a submissão dos quileutes para com os elfos. O dever inegável de submissão que sempre tiveram. Nenhum laço os unia mais em magia. Era isto?
Então ela sentiu a sua mão que estava presa a de Jacob arder. Unidas. E então, inexplicavelmente, os espíritos se fundirão em uma explosão de luzes e cores, tomando uma nova forma. Expectante, Sarah esperou, até que seus olhos pudessem vislumbrar aquilo.
Os grandes olhos negros pareciam estar tão perto dela, que ela os sentia sondá-la de dentro para fora. A soberania da criatura causava terror que enregelava sua espinha, tal como também lhe despertava um caloroso deslumbramento. Eram leves e luminosos os pelos escuros que cobriam a sua pele. Era enorme, ao seu redor parecia haver um campo magnético que atraia. Tinha uma beleza aterradora.
Sarah se levantou de um salto, buscando Jacob a seu lado, querendo vê-lo. Mas ele não estava lá. Ela novamente voltou seus olhos a fera a sua frente, que havia se movido sem provocar o mínimo ruído. Perscrutou sua forma. Era algo inimaginável, impossível de descrever. Quatro patas, estas eram grandes, pareciam ter garras. Havia alguns traços na face que lhe remetia aos lobos, mas ela não pensava que o poderia definir idêntico a um lobo. Havia algo mais… e era maior, definitivamente maior.
_ Jacob? – Ela murmurou, trêmula, a boca seca. A criatura abaixou a grande cabeça, em uma afirmação muda. Sarah tapou a boca com as mãos, sufocando um grito.
Sim, era ele. Jacob ali, na sua mais nova forma.
Sarah fechou os olhos, os apertou, tentou respirar devagar, por os pensamentos em ordem. As vozes dos espíritos ainda ecoava em seus ouvidos, ela ainda podia sentir a energia deles em sua pele. Não sendo suficiente somente os olhos fechados, a moça apertou as mãos em punho, ficando suas próprias unhas nas carnes de sua palma.
O que os espíritos quiseram dizer com tudo aquilo?
_ O poder do povo quileute ultrapassou aquilo que os elfos nos concedeu. E eu fui chamado diante dos meus espíritos ancestrais e nos fizemos um. Todos eles habitam em mim e me fortalecem. Eu também sou a essência de todos eles. – A voz rouca se sobrepôs a todas as outras vozes que Sarah ouvia. Ela sentia que a inominada criatura andava em círculos ao redor dela, mas ainda assim manteve seus olhos fechados. – E já não somos inferior ao teu povo, Sarah.
Um sorriso brotou dos lábios de Sarah, de entendimento. Jacob lhe disse naquele momento que era tão poderoso quanto ela mesma. Talvez mais. Mas ela ainda não entendia o fato dos quileutes serem independentes dos elfos, não entendia o rompimento da ligação entre eles. Aquilo os afastaria?
_ Mas você me deu o seu sangue. – Jacob voltou a lhe dizer, explicar. –Seu sangue corre em minhas veias e dá força ao meu corpo. Eu represento todo o meu povo e você representa todo o seu… a nossa ligação mágica não pode ser rompida inteiramente.
_ Eu só queria mantê-lo junto a mim! – Sarah disse, ainda muito trêmula.
Ela abriu os olhos, percebeu Jacob a suas costas, baforadas quentes em sua nuca contrastavam com o frio do vento vindo do mar.
_ Eu sei. Eu sei. – A voz de Jacob voltou a soar em sua mente. – Mas nossa união é mais do que somente nós.
_ É a união de dois povos… — Sarah completou, tomando aos poucos a consciência daquilo que Jacob lhe dizia.
Almas que nasceram para ser par… Sarah não tinha dúvida que assim era. Jacob e ela realmente não nasceram para existir sem o outro. Dê-se o mundo as voltas que quisesse. Eles sempre se buscariam e se reencontrariam.
Mas acontece que o espírito de Jacob carregava a essência dos quileutes, ao ponto que o de Sarah, agora ela sabia, era a essência mais suprema não só dos elfos, mas também dos humanos.
_ A ligação mágica entre nossos povos não pode ser… rompida. – Jake disse manso em seus pensamentos. Ela não ouviu, mas sentiu quando a criatura se movimentou silenciosamente, voltando a parar em sua frente. Ver Jacob naquela forma, mais uma vez, ainda lhe roubou o fôlego. – Mas agora ela está sendo…
_ …renovada. – Mais uma vez ela completou. Sarah esticou as mãos as levando em direção aos pelos tão mais finos e macios de Jacob em sua forma animal. – Renovada porque… os líderes mudaram.
Os olhos da fera lupina cintilaram. Sarah teve medo, não dele, mas do futuro. Aquilo significava que ela realmente seria rainha elfo e não se sentia preparada para tal. Mas agora ela entendia porque estavam ali, justamente ali, naquele lugar tão sagrado. Era para reafirmar as bases daquela união.
Sarah sentiu Jacob estremecer abaixo de suas mãos. Se afastou, assustada, só para ver a grande criatura regredir em seu tamanho, os traços humanos voltar. Mágico! Sublime.
As poucos ele se fez homem novamente. Estava nu, o corpo suado, tanto que seus cabelos estavam molhados. Ele cambaleou e caiu ajoelhado no chão. Aquela fora a sua primeira transformação depois que “voltou a vida”. Sentia a dor da mudança de todos os teus ossos, a ardência quase insuportável da magia que o fazia se transfigurar.
Sarah correu para ele, se jogando a sua frente, pondo suas mãos em seu rosto.
_ Você está bem? Está bem? – Apesar da voz baixa, Sarah parecia histérica. Ele respirava cansado, mas sorriu. Os dentes absolutamente brancos contrastando a cor avermelhada dos seus lábios febris.
_ Estou. – Ele disse, ainda mantendo o sorriso. Porém o seu corpo pendeu mais uma vez, e ele praticamente caiu no colo de Sarah. Riu, um riso quase descompromissado, aliviando um pouco o peso de toda a situação.
Sarah queria poder rir com ele, mas se sentia em frangalhos. Apenas sorriu, enleada pelo som daquele riso.
_ Acho que só preciso me recuperar um pouquinho. – Ele disse, se aconchegando no colo da esposa e se agarrando a sua cintura. Deu um cheiro em sua barriga. Na barriga! Contra todos os propósitos, Sarah riu com aquilo.
Então passou a acariciar os cabelos negros, por um tempo não calculado.
_ Tenho medo… não vou conseguir. Isto tudo é demais… demais pra nós! Demais pra mim. – Sarah confessou. Ela sabia que todo o poder tinha um peso, um preço. E ela temia aquilo. Muito.
Jacob se ergueu em um átimo, parecendo recuperando.
_ Nós vamos conseguir! Porque estamos juntos e nada pode mudar isto! Nada! – Ele disse firme, seguro, a encarando abrasador. Pegou o rosto da morena entre suas mãos, aproximou seu rosto dela. – Nada! – Enfatizou.
_ Prove! – Ela rebateu, também firme. Jacob franziu o cenho.
_ Como? – Perguntou, confuso.
Sarah se afastou das mãos de Jacob.
_ Me ame! Ame como há tanto tempo não faz! – Ela desceu as mãos para a barra da camiseta que vestia, a tirando diante de olhos que demonstravam uma sede cada vez maior. – Apenas me ame… meu rei…
Não coube a ela mais palavra alguma, os lábios de Jacob estavam colados aos dela. Um singelo toque, apenas um encostar de lábios, a fez entrar em combustão. Se deixou amolecer. Imediatamente braços fortes envolveram seu corpo, colando-a junto dele. Ele esfregou os lábios nos dela, depois passou a língua por eles, ganhando um languido suspiro como resposta.
_ Minha rainha… — murmurou ele, para em seguida tomar a completa posse da outra boca que lhe pertencia.
Ambos deixaram escapar um sôfrego gemido, energia pulsando e correndo pelas veias. Dois coração que pulsavam um sangue de mesma essência. Ele se inclinou mais sobre ela, a deitando no solo sagrado daquele penhasco.
Com louvor Sarah sentiu o peso do corpo de Jacob sobre ela, a pele dele em contato com a sua. Inteiro… E aquele beijo, que nunca cessava, a língua que se enroscava a sua, o fogo que passava dele para ela. Era tudo novo, tinha um sabor a mais. Ela abriu-se para recebê-lo mais enroscado a si, as mãos dele foram para as bases de suas coxas e a ajudaram no movimento. Os quadril dele se encostou ao seu, as intimidades próximas e o sangue fervendo.
Jacob desceu seus lábios pelo pescoço, salpicava beijos quentes e leves ao longo do caminho, até chegar a curva do pescoço. Não resistiu e sugou com força. As pernas de Sarah se contraíram sobre seus quadris, ela se remexeu em baixo dele, curvou a cabeça para trás e sorriu em deleite. O atrito das peles fez Jacob rugir sobre a pele da morena.
Os dedos de Sarah se entranharam no cabelos negros, enquanto os lábios férvidos continuavam a doce tortura de sugar, lamber e beijar-lhe. Como em um redemoinho o vento se agitava a volta deles, que se amavam no topo daquele penhasco… tão perto do céu.
Os gemidos roucos se misturavam ao som das ondas se chocando contra as rochas. Os beijos, sempre loucos, uniam boca a seio, língua a pele, fogo e ardor. Jacob invadiu Sarah com dedos e vontade, enquanto se dedicava a beijar-lhe e dizer-lhe por aqueles carinhos que a amava… Com gana e graça, o corpo de Sarah reagia e correspondia cada toque, estremecia a cada rosnado ao pé de seu ouvido.
Parecia exalar de seus poros o amor por Jacob, o júbilo por tê-lo novamente vivo tomando-a como sua. Tomando posse de seu corpo e de sua alma. Tanta era a exultação do espírito da moça, que o ar parecia ser feito mais leve, seu perfume se alastrou, levado pelo vento, espalhando com ele o mais puro contentamento.
Até que Jacob a puxou para si, a fez subir em seu colo e a ajudou a se sentar nele, penetrando-a aos poucos. Colaram as testas, juntaram as mãos, arfaram, gemeram. Estavam juntos. Um no outro, um para o outro. Sarah descia e subia sob Jacob e a cada choque de quadris, sentiam-se embriagar na essência um do outro, selando amores, pactos, poderes, carmas, magias e mundos. Era uma dança suprema, de êxtase e delícias múltiplas.
Convulsionavam-se os corpos, Sarah desfaleceu em seu ápice de prazer uma, duas vezes, até que não tinha mais forças para comandar os movimentos. Jacob então deitou-se sobre ela, e tomou posse do corpo amada como um lobo faminto. Até que perdido naquela mulher, já não tinha consciência do caos externo, nada mais importava.
O que tiver de ser, será.
Sussurravam os ventos sagrados, acariciando e abençoando aquela união. Sarah sentiu Jacob estremecer ainda mais, seus gemidos se tornarem mais insólitos. Abriu seus olhos turvos, encarou-o movendo-se sobre si. Fixou o olhar nas órbitas negras, sorriu.
_ Vem… — Pediu, quase sem fôlego, quase desfalecida em meio aqueles braços. Queria dizer mais, no entanto.
Ela queria pedir que ele fosse para ela com todo seu ardor, fúria, paixão. Queria dizer que era dele seu coração e que atrelada a ele, como estavam, atravessaria o pior inferno, faria do algoz flor perfumada e de seu carma, uma leve caminhada.
Mas não tinha forças para emitir voz, então apenas o olhou. Olhou profundamente, indo muito além das órbitas negras. Então Jacob chegou ao seu ápice, estremecendo sobre ela. E naquele momento, Sarah pode jurar que viu milhões de luzes resplandecer no fundo das orbes negras e invadi-la de forma quase dolorosa.
Jacob então sorriu, tão perfeito como era o ato. E o sorriso de Jacob não se fazia indescritivelmente belo simplesmente pela simetria de seus traços, pelos seus dentes alinhados e brancos. O sorriso dele era belo, pois refletia um espírito nobre, que acima de tudo, cultivava amor e devoção.
Sarah sorriu de volta, satisfeita. Sim, eles jamais poderiam se separar. Viesse o que viesse, aquela união tinha os alicerces firmados na rocha do supremo sagrado.
E ali, no topo de um penhasco, em solo cheio de segredos e significados, é que se concebia aquele amor... e seus frutos.
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Volterra, Itália.
Quendra abriu os olhos repentinamente. Sentiu de forma imediata: estava feito! Havia acontecido!
Procurou disfarçar sua inquietação imediatamente. Olhou ao seu redor, Marcus não lhe encarava, mas sim a Chelsea, seu grande trunfo. A miserável vampira sequer imaginava o que lhe reservava o futuro, tão pouco qual seria sua condenação por ter um poder em específico.
Olhou então para o outro líder Volturi. Aro era um dos poucos, além de Marcus, que podia ver a elfo. Ele lhe encarava com receio, mas também com notável fascínio. Quendra o encarou, escureceu os olhos e ele desviou o olhar para a sua mais nova presa.
_ Não reaja assim, meu caro Eleazar. Será melhor para todos nós se você colaborar. – Aro disse, com sua característica polidez, ao seu prisioneiro. Este se debatia inutilmente nas garras invisíveis de Sólon, o mais novo vampiro da guarda.
Solón não tinha nenhum outra habilidade além de paralisar os movimentos de um vampiro pelo poder da mente. A criatura podia se debater o quanto quisesse: não podia despregar os pés do chão enquanto Sólon assim quisesse. Aro exultava pela sua nova descoberta, adorando ter carta branca de Marcus para continuar a frente de tudo, como se todas as decisões viessem dele. Parecia exultante também por poder aumentar a guarda Volturi a cada dia.
E era por esta razão Eleazar Denali estava ali: para ajudar Aro a encontrar novos talentos.
_ Já disse que não é de meu interesse participar dos seus planos torpes, Aro! Ainda mais agora, que perderam a cabeça e estão permitindo que os vampiros sejam descobertos pelos humanos! O que planeja com isto? Instalar o caos? – O vampiro de olhos dourados questionou duramente, parecendo irredutível em sua decisão.
_ Bom… é uma pena que não queira colaborar. Pena para mim, para você… e também para pobre Kate e Tânia Denali. – Aro lamentou, continuando com seu jogo de hipocrisia.
Quendra observou Marcus, que ainda fingia sua completa apatia, como se não fizesse parte de nada daquilo, como se ainda lamentasse a morte de Didyme quando tudo sempre foi uma grande farsa. Didyme sempre foi uma pobre vitima de Marcus e de seu próprio irmão, Aro. Quendra poderia ter pena dela… se tivesse sentimentos para isto.
Mas os pensamentos da elfo novamente se voltaram para Sarah e para o que tinha acabado de acontecer. Ela precisava chegar até ela! Ela precisava ver Sarah antes que o plano de Marcus se consolidasse! Precisava chegar em Sarah antes de Marcus.
E ela sabia como fazer isto. Sabia como ludibriar Marcos para ganhar tempo e sabia como atrair Sarah até ela, sem defesa e sem armas.
A elfo sorriu. Sim, era ali que tudo realmente começava.
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