The Precious Blood
52 REVELAÇÃO
Notas iniciais
Mas não tá tão pesado, é só uma revelação bombastica! hehehehe....
“O rancor pelo bem não conquistado secou seu o coração.
A sede torpe — torpe sede pelo poder sem medida — putrificou sua alma,
Endureceu seu cenho, deixou sua face severa e inóspita.
Escondeu-se por anos em sua própria sombra.
Seu interior é negro, um buraco que tem fome de poder.
Clama por soberania a cada segundo
dos miseráveis séculos vividos.
E ele, ser infernal, buscará tal poder...
.. e não há nada que lhe impeça.”
_ O que você acha que era aquilo? – Nessie perguntou baixinho.
_ Só pode ser algum demônio. – Milla respondeu, logo depois ela enxugou uma lágrima que caia do rosto de Nessie.
_ Os lobos não mereciam aquilo. Aquele garoto… morrer daquele jeito. – Nessie estremeceu, e se encolheu em sua cama, se lembrando do corpo de Caleb na floresta. Ela não se esqueceria daquilo tão cedo.
_ Por que você não tenta dormir, Ness? Se Jake der notícia eu te chamo. – Milla sugeriu. As duas estavam no quarto que um dia pertenceu a Edward.
_ Não. Eu vou esperar eles voltarem da caça. – A meia-vampira hesitou um instante. – A gente devia ter ido junto com eles. E se…
_ Eles não vão encontrar com a coisa. Carlisle disse que ela não ia voltar tão cedo, eu acho que ele está certo… De qualquer forma, seus pais já estão voltando. – Milla se levantou e foi para a janela. – Olha eles lá.
Nessie pulou da cama e em um segundo estava no andar de baixo, abraçando Edward e Bella.
_ Tá tudo bem. – Milla ouviu Bella sussurrar. – Os outros já estão vindo.
_ Milla, você poderia vir aqui um instante? Nós vamos ter uma reunião de família. – Edward pediu, com aquela voz branda.
Milla evitou bufar, mas fez uma careta enquanto descia lentamente as escadas. Por aqueles dias, Renesmee e ela haviam conseguido contornar a enxurrada de perguntas dos Cullen, mas depois do que aconteceu na ultima noite, Milla apostava que não poderiam mais segurar a situação.
_ Oi Edward… Bella. – Milla os cumprimentou gentilmente. Edward sorriu e Bella lhe deu um beijo carinhoso na face.
_ Está melhor? – Bella perguntou.
_ Melhor do que? – Milla respondeu imediatamente, confusa.
Bella sorriu, olhando para o marido e depois voltando a olhar pra Milla.
_ Eu vi o quanto você estava abalada enquanto falava com Jake, Milla. Não é fácil passar por tudo o que você está passando.
_ Obrigada Bella. Mas eu supero. Eu tenho que superar, não é?
_ Mas não precisa superar sozinha. – Edward acrescentou, dando uma piscadela para moça.
_ Ela sabe disto, pai. A gente é uma família, no final das contas.
Edward sorriu para filha, orgulhoso, quase babando. Todos haviam rido quando, certa vez, Milla deixou escapar que achava que o Edward era um pai babão. Ela, no entanto, ficou morrendo de vergonha.
Não demorou muito os outros Cullen chegaram da caça, seus olhos completamente dourados.
_ E aí meninas super-poderosas? – Emmett cumprimentou as garotas com o novo apelido que tinha arrumado pra elas. Ele flexionou os músculos e deu um soco no braço de Milla, bufando quando viu que ela nem demostrou ter sentido algo.
A vampira riu.
_ Emmett, onde já se viu fazer isto? — Esme ralhou.
_ Conseguiram dar o recado? – Bella perguntou aos recém-chegados, mas quem respondeu foi o seu marido.
_ Sim, conseguiram. Eles estão vindo.
_ Mesmo? – Bella perguntou, parecendo surpresa. Edward confirmou com a cabeça.
_ De quem vocês estão falando? – Nessie se fez ouvir, mas ninguém respondeu. A garota fez um bico, Rose lhe apertou as bochechas.
_ Teremos visitas completamente desagradáveis, querida.
_ Rose… — Carlisle alertou, a loira esbelta torceu o nariz.
Mas não demorou muito pra que as garotas soubessem de quem se tratava. O cheiro não demorou a chegar as suas narinas. Milla arregalou os olhos.
_ Estão malucos? Como é que… como eles toparam vir? Jacob está maluco? – Milla começou a tagarelar, abrindo a porta da sala e disparando para fora. – Sarah! Jacob! O que pretendem vindo a uma casa de vampiros?
_ Eu não acredito! – Nessie murmurou.
_ Por que acha que todos fomos caçar além da conta? – Emmett disse a sobrinha. – Recomendações do papai Carlisle!
Nessie disparou os olhos para o seu pai, apostava um braço que tinha sido ideia dele, o que era verdade. A hibídria não tinha certeza se todos eles poderiam se controlar perto de Sarah, principalmente seu tio Emm e o Jasper. Tão pouco entendia o que fez Jacob concordar com aquilo. Será que Sarah tinha decidido se revelar?
Um clima de ansiedade que Jasper não teve força pra desfazer completamente se instaurou na casa enquanto o casal se aproximava. Os poucos minutos pareceram uma eternidade. Quando estavam mais perto, Sarah saltou das costas do grande lobo castanho, com uma expressão minimamente divertida por isto e esperou a magica da transformação acontecer e Jacob recuperar a sua forma humana.
_ Como foi o passeio? – Ele perguntou.
_ É sempre bom te ter entre as pernas. – Sarah piscou, fazendo Jacob rir um pouco, pela primeira vez desde que se deparou com o corpo de Caleb. Depois ele olhou em direção a casa dos vampiros.
_ Tem certeza que quer ir falar com eles? – O lobo murmurou, enquanto vestia sua bermuda e a camiseta que Sarah tinha tido o cuidado de trazer. Ela balançou a cabeça. – É bom que controlem suas presas sanguessugas! – Ele avisou, enquanto saiam da proteção das arvores.
Foi Seth que encontrou com Alice na fronteira e passou o recado para Jacob de que os Cullen queriam falar com o alpha e com a sua mulher. A resposta imediata de Jake foi não, mas Sarah disse que era necessário, que eles precisariam unir forças sim. Depois da morte de Caleb, Jake sabia que quanto mais forças tivessem, melhor. Não pode contestar o argumento de Sarah, os talentos dos Cullen seriam necessários.
Eles foram e Jake só estava mais tranquilo porque sabia que Nessie e Milla seriam capazes de conter seus “familiares” se eles tentassem alguma gracinha com Sarah.
As duas meninas esperavam no pé da escada, Milla com uma cara carrancuda, como se não aprovasse a decisão dos dois e Nessie confusa.
_ Hey Sarah! – Renesmee logo saltou para perto da morena, a abraçando. Sarah sorriu e lhe deu um beijo na testa. De dentro da casa, Bella estreitou os olhos para a aparente intimidade das duas. – Jake eu… sinto muito. – Ao dizer aquilo, novamente a imagem do corpo do jovem lobo veio a Nessie. Ela apertou os olhos, todos puderam ouvir a inconstância de seu coração.
Jacob ergueu os olhos e deu um sorriso atravessado.
_ Todos nós sentimos, Nessie. Todos sentimos.
_ O que deu em vocês? – Milla disparou, o rosto tenso, se aproximando deles.
_ Fomos chamados. – Sarah respondeu, simplesmente. Milla a encarou erguendo as sobrancelhas.
Neste momento um vampiro dentro da casa se mexeu. Carlisle.
_ Jacob… Sarah. – Carlisle olhou para Sarah fixamente, recebendo de volta um olhar de desculpas. Incomodou o sorriso brando que Carlisle lhe deu, vindo de um vampiro, um sinal de perdão. É certo que ele parecia um tanto arredio quanto a ela, mas ainda assim… não havia ódio, não havia rancor aparente… Sarah estranhava aquela posição. – Vamos entrando. – Ele disse.
Jacob ergueu uma sobrancelha e espiou para o lado de dentro. Bella já parecia prender a respiração, Edward estava com a sua habitual cara azeda, Esme estava com um olhar de pesar, Rosálie parecia prestes a arrancar sua cabeça e vez ou outra lançava um olhar curioso para Sarah. Emmett e Jasper tinham os olhos brilhantes, desejosos, mas pereciam se conter. Já Alice estava quase em cima de Carlisle, erguendo os pés e com os olhos redondos grudados em Sarah.
Em um movimento simples Jacob colocou Sarah um pouco atrás de si. Nessie e Milla, entendendo o receio do índio, se colocaram ao lado dos dois. Só assim finalmente entraram. Sarah manteve a postura ereta e expressão segura, enquanto se sentia ser praticamente devorada pelo olhar dos vampiros.
_ Sentem-se queridos. – Esme disse, apontando o sofá. Era outro, segundo Jacob se lembrava, não o mesmo em que Bella ficou deitada durante a gravidez de Renesmee.
_ Estamos bem assim. – Jake respondeu.
_ Não estão. Vocês estão com uma cara péssima, cachorro. Todo mundo vai sentar também, não precisam temer um ataque. – Alice disse, logo depois se virando e dando um olhar sugestivo para os outros.
Não demorou muito todos arrumaram um canto pra se sentar na sala, o mais distante possível do casal, mais especificamente de Sarah. Jacob do lado dela ajudava a amenizar o cheiro, mas ainda era difícil para os vampiros. Milla pegou Sarah pela mão e a puxou pra sentar. A morena sentou ereta, nada confortável, o olhar avaliativo. Coitado daquele que tentasse dar um passo em falso, Nessie pensou. A menina deu uma empurradinha sutil em Jake que o fez dar um tropeção pra frente. A gargalhada de Emmett soou pela casa.
Rose deu um olhar divertido e esnobe para cena, enquanto Jacob sacudia a cabeça.
_ Desculpa, Jake... ainda tô me acostumando. – As bochechas dela ficaram rosas.
_ Desta vez passa. – Ele disse, com um riso contido, como se desse uma bronca em Nessie.
_ Ouse chegar perto de um fio de cabelo dela, fido! – Rose rosnou para Jacob.
_ O que você faria? – Uma voz melodiosa soou ameaçadora. Sarah. A morena havia se inclinado para frente, um sorriso malicioso brincava em seus lábios, seus olhos soltavam faíscas. As duas se encararam, mediram forças por um tempo. Rosálie perdeu, com um rugido ela desviou o rosto.
_ Eita! Calma aí gente, senão isto não vai dar certo. – Renesmee avisou. Naquele instante Sarah sentiu uma onda de palpável tranquilidade se dispersar, os olhos da morena foram direto para Jasper.
_ Muito útil… — ela murmurou, observando o vampiro com atenção.
_ Isto não vai dar certo. – Milla disse no mesmo tom.
_ Tem que dar. – Edward se pronunciou.
_ Também acho sanguessuga. – Jake respondeu.
_ Pelo amor de Deus… a gente poderia usar os nomes? É pra isto que eles servem, não? Que tal um comportamento civilizado? – Ness tentava a todo custo melhorar a situação nada boa.
_ Um cachorro sabe se comportar civilizadamente? – Rose alfinetou.
_ Tia! – Não daria muito certo, claro.
_ Não mije no sofá! – Ela ignorou Nessie e provocou mais, Jacob deu um riso amargo.
_ Não brinque com fogo. Vampiros queimam. – Sarah voltou a enfrentar a vampira, quando Jacob abria a boca pra responder.
_ Sarah, por favor. – Ness implorava.
_ Chega! – a voz de Edward soou mais alta e ríspida. – Eu não chamei vocês aqui pra isto!
_ Então por que foi? Diga. – A voz de Jacob soava cansada. Ele não perecia irritado com as provocações de Rosálie como ficava antigamente, nem disposto a revidar. Bella somente observava aquilo, quase não podia reconhecer aquele homem que estava a sua frente. Era o mesmo Jake, aquela alma boa, aqueles olhos quentes, o sorriso belo ainda que sofrido. Mas havia mais, uma aura de responsabilidade, poder.
Edward, ao seu lado, respirou fundo sem precisar, sentindo a ardência dilacerar sua garganta e deixar todo seu corpo em alerta. Engoliu em seco. Bella sabia o que ele ia dizer, mas não se intrometeu, suspeitava que ele era um dos poucos que conseguiriam tirar algo, não de Jacob, mas de Sarah. A vampira de cabelos cor de mogno apertou a mão de Edward de forma delicada.
_ Jacob, nós já tivemos muitas desavenças no passado, mas nós não gostaríamos que as coisas entre nós se concretizassem em uma completa inimizade. – Foi Carlisle quem começou a falar. – Eu acho que nós temos interesses em comum e você já nos conhece tempo suficiente para saber que tudo o que não queremos é colocar a vida humana em risco.
Os olhos de Renesmee se voltaram para Jacob um tanto esperançosos… afinal ela amava a família e aprendeu a amar os novos amigos. A situação entre eles a incomodava.
Jacob coçou a nuca e suspirou.
_ É muito pouco provável que nós, um dia, possamos ser melhores amigos. Até os nossos genes se repelem. – Ele por fim, falou. Neste momento Edward se levantou.
_ Eu sei disso, Jacob. – Ele disse, havia um esforço notável para que o vampiro pudesse controlar seu tom. — Sei também que você tem muita coisa contra nós. Mas será que você pode pensar em tudo o que aconteceu além desta barreira de raças? Quando chegamos aqui não fomos nem um pouco bem recebidos por sua esposa.
_ Eu fiz o possível, Edward. – Sarah sussurrou, olhando o vampiro com seriedade. Ele maneou a cabeça.
_ Nós trouxemos Milla para dentro da nossa casa, dispostos a fazer o melhor por ela.
_ O que Milla tem a ver com isto? – Jacob bradou, enquanto Milla disparava sua atenção para Edward.
_ Nós sabemos do laço imprinting. – Milla se encolheu suavemente quando ouviu isto. – Ela é como parte de vocês, não é? – Edward continuou, Jacob concordou. – Eu lhe recebi quando veio aqui, Jacob, pra cuidar dela. Mas você entrou na minha casa e tirou a minha filha daqui. Não nos deu satisfação alguma, apenas a tirou de nós. Sabe o que é isto? De repente os pais tem sua filha nos braços e de um segundo a outro ela desaparece com alguém que já teve ânsias de mata-la? Com que direito você pensou que poderia fazer isto? – Edward já não escondia a raiva.
_ Pai, calma. Eu…
_ Quieta Renesmee! – Edward foi duro na ordem, como nunca foi antes. Nessie emudeceu imediatamente. – Eu tinha todo o direito do mundo, como pai, de ir atrás de todos da sua raça e dizimar um a um até ter minha filha de volta. Mas não fiz! Você reconheceu isto? Não! No fundo vocês lobos são prepotentes e hipócritas! – Abaixo dos olhos de Edward, apesar de continuarem dourados, já havia uma mancha escura. O vampiro parecia a beira do descontrole.
Jacob começou a tremer, foi para se levantar, no entanto sentiu uma mão lhe contendo. Sarah lhe conteve, com um olhar ela passava o recado de que deveriam apenas ouvir. A contragosto Jacob não se moveu.
_ Hipócritas porque colocaram a vida da minha filha em risco. Ela é uma menina, dez anos! Ela só tem dez anos! E tem algo humano dentro de si!
_ Onze anos… eu fiz onze… — Nessie murmurou, logo aquietando com o olhar duro do pai.
_ Edward… — Bella sussurrou, mansa. Edward fechou os olhos e parou de falar um instante.
_ Depois disso, ela volta… — a voz do vampiro parecia mais calma. – Completamente diferente do que partiu. Eu vi que minha menina voltou como se tivesse sido treinada para matar. Sabe o que eu vi naquela mata, na noite passada? Eu vi em Renesmee os olhos de uma predadora! Nem em suas caçadas mais ousadas eu me deparei com aquilo! E o que você fez com minha filha? Não, você não diz! Você se acha no direito de não dizer o que fez com a minha filha! – Edward gritou outra vez, Sarah apertou o braço de Jacob mais forte. Isabella se levantou e se pôs ao lado do marido. – Um demônio apareceu entre nossas terras, um de nós também poderia ter morrido, também corremos riscos, e vocês não explicam nada! A SUA MULHER QUASE ARRANCA A CABEÇA DE CARLISLE E VOCÊS NÃO EXPLICAM NADA! – Edward teve vontade de arrancar o pescoço do lobo que continuava a lhe encarar com paciência, somente ouvindo. Parecia irônico aquilo, pois no passado o impulsivo e raivoso sempre fora o Jacob.
O vampiro deu um passo, mas antes que pudesse pensar sua filha estava entre os dois, uma postura de ataque.
_ Não! – Ela disse.
Edward perdeu o rumo, olhou assustado para Renesmee, rugiu, se virou e estraçalhou uma poltrona na parede. Depois riu e olhou para Jacob, atrás de Nessie, com ódio.
_ Acha-se no direito de esconder o que fez com ela? – Ele murmurou, sua voz saia grossa.
_ Pai…
_ Eu mandei ficar quieta Renesmee! Você teve oportunidade de dizer algo durante todo este tempo, e não disse! Não é de você que quero explicação agora.
_ Mas pai, eu…
_ Vá para o lado da sua mãe.
_ Pai! Não! Você está entendendo tudo errado… — Renesmee choramingava.
_ Agora! – O vampiro bradou, fazendo a filha engolir um rugido.
_ Renesmee, venha. – Isabella chamou, mas doeu nela quando a filha hesitou. – Ninguém vai fazer nada contra eles, eu não vou permitir. Venha!
Todos esperaram até que Renesmee arrastou os pés para o lado da mãe. Os olhos da garota suplicavam para que a mãe intercedesse na atitude do pai, mas aí ela viu que Bella estava do lado dele.
_ E então?
Jacob continuou a encarar Edward, por um tempo, e sem desviar os olhos começou a falar.
_ Você está certo. Ela é sua filha, agimos errado. Estamos em dívida. – Quando Jacob disse aquilo, Edward se desarmou. No fundo ele esperava aquela mesma revolta e teimosia do Jacob jovem. Quando ele não media as consequências, quando a raiva e a inimizade dos dois sempre falava mais alto.
_ Estão… em dívida? É isso? Consideram tomar a nossa filha e devolvê-la assim, uma dívida?
_ Até parece que eu voltei defeituosa! – Renesmee bufou, Bella lhe olhou severa.
_ Bom, você não tá normal monstrinha… — Emmett disse, recebendo um tapa nada sutil de Rose depois.
_ Eu nunca fui normal tio. Nenhum de nós é. – Nessie tinha a impressão de já ter repetido aquilo inúmeras vezes desde que voltou pra casa.
Jacob ignorou aquele burburinho, focou sua atenção em Edward.
_ Sim, estamos em dívida. De postura. Você poderia compreender que quebramos o tratado no exato momento em que sumi com Nessie e partisse contra a matilha. Mas não fez. Isto é uma divida. Eu não vou esquecer isto. Mas eu quero que saiba, que apesar de tudo o que possa parecer, a intenção jamais foi prejudicar Renesmee.
_ Não? – A voz de Edward soou incrédula.
_ Não! – Desta vez quem respondeu foi Sarah. Jacob a olhou tenso, mas ela não pereceu se importar com aquilo. – A ultima coisa que eu desejo é que algo de ruim aconteça com Nessie. E eu não me importaria Edward, eu realmente não me importaria se algo acontecesse a vocês, exceto com Nessie e Milla. Então você pode ficar seguro quanto a isto. Eu as protegeria tanto ou até mais que um de vocês.
_ Por que? — Bella indagou, seus olhos dourados estavam cerrados. Num ato impensado, a vampira colocou o braço na frente da filha.
_ Pergunta errada. – Sarah respondeu.
_ O que é você? – Alice perguntou desta vez, fazendo cabeças se voltarem em sua direção. Os olhos da vampirinha estavam aguçados, a curiosidade dela era palpável.
Jacob olhou para a esposa. Não havia mais como esconder, mas ele não podia revelar aquilo jamais, era um voto que seu povo fez aos elfos. Não era capaz de rompê-lo nem com seus próprios irmãos. Sarah seria? E justo para vampiros?
_ É… esta é uma boa pergunta.
_ Você não é humana! – Edward sussurrou, focando os olhos na mulher. Ela sorriu.
_ Eu também sou uma hibídria. – Contou! Milla, Nessie e Jacob soltaram uma exclamação audível, enquanto os demais vampiros paravam de respirar.
_ Como? – Carlisle disse.
_ Do que? Hibídria do que? – Quase não saiu voz de Edward.
_ Humana… e outra criatura. – Sarah disse, evasiva.
_ Qual criatura? – Carlisle parecia ávido, aparentemente porque não sabia de que espécie aquela mulher descendia.
_ Com certeza, criaturas muito acima de todos vocês! Mais antigas também.
Todos ficaram em silêncio, Jacob colocou a cabeça entre as mãos, Milla se levantou, impaciente, escovou os cabelos com os dedos. Carlisle, o mais antigo deles, pensava freneticamente se em algum momento de sua existência já se deparou com alguma criatura superior. Mas nada lhe vinha a mente. Absolutamente nada. Todos pensavam, até que Emmett resolveu dar sua opinião e soltar uma pérola.
_ Anjos? – Ele disse, meio incerto.
Sarah olhou pra ele, fez cara de espanto, como se tivesse sido pega em flagrante. A boca de Edward se abriu. Não era possível! Anjos? Quando os Cullen começavam a acreditar, Sarah riu.
_ Não! Não anjos. Nem tão alto, meu caro.
_ Putz! Você me assustou! – Ele disse, enquanto os outros exclamavam exasperados.
_ Tem medo de anjos grandalhão? – Sarah provocou.
_ Quem eu? Claro que não!
_ Pois devia! – Ela disse, soando ameaçadora. Emmett fingiu não se importar, mas Nessie sabia que era fachada. Quase rolou os olhos.
_ O que então? – Edward perguntou, trazendo a conversa ao foco novamente.
_ Sem chances! Vocês não vão saber disto tão cedo. E não depende da minha vontade ou de qualquer um aqui. – Sarah respondeu.
Edward percebia a momentânea mudez de Jacob, como se tivesse a língua travada. Talvez aquilo justificasse o porque de Jake não ter deixado escapar nada durante todo aquele tempo, o porque de Edward não poder ler pensamentos quando Sarah estava por perto, o porque de lembranças com ela aparentemente se apagarem na mente dos outros, o porque da mente do lobo alpha ter se tornado um túmulo. O poder do sigilo também poderia justificar a ausência de visões de Alice na região de Forks e com pessoas que tivessem alguma relação estreita com a morena. Se fosse aquilo, o poder que a rondava era realmente grande.
_ Aquela coisa de ontem… foi atraída por sua causa? – Bella perguntou, um tanto trêmula. Sarah apertou os olhos.
_ Pode ser que sim. – Ela murmurou.
_ Mas o que é isto? A gente tem que mata-la! Ela está colocando a nossa vida em risco!
_ Tente! – Jacob finalmente se levantou quando Rosálie disse aquilo.
_ Cachorro idiota! Foi por culpa dela que um dos seus filhotes está morto! – A loira grunhiu.
Sarah fez uma careta.
_ Não diga o que não sabe! A coisa estava vigiando Jacob! – Milla respondeu mal humorada para Rose.
_ O que? – Havia um certo temor em Sarah, então ela ficou pálida. A visão que antes era só sangue se fez um pouco mais nítida: ela viu Jacob, garras e sangue. Estremeceu.
_ Sarah! – Jacob lhe sacudiu.
_ Tudo bem… — ela sussurrou, seu lábios secos, voltando seus olhos para o marido. Seus dedos trêmulos acariciaram a face de Jacob. Ela franziu o cenho e disse: – Eu preciso acabar com aquela coisa.
_ Mas o que diabos é aquilo afinal? – Emmett urrou. A pergunta de Emmett pareceu incitar algo no interior de Sarah e imediatamente veio a sua mente uma lembrança que não era sua, mas que sentia que lhe pertencia de alguma forma...
“Haviam duas centenas deles, por toda a parte. Os elfos sentiam cheiro de sangue no raio de trinta quilômetros. Os demônios devoradores de corações haviam acabado com todos os habitantes dos vilarejos da região. A rainha Évora os via e deu a ordem:
_ Mate cada um deles!”
_ Ukhaha! – A palavra escapou dos lábios de Sarah. Era como se ela ainda estivesse há séculos atrás, vendo elfos partindo as cabeças daqueles demônios e arrancando o miolo reluzente que havia lá.
_ Os olhos dela estão mais vidrados que os da Alice… — Emmett sussurrou o mais baixo que pode, mas todos ouviram.
_ O que é isto Sarah? – Jacob lhe perguntou e Sarah pareceu acordar. Olhou assustada para os pares de olhos dourados lhe encarando.
_ É uma lenda africana perdida… — Carlisle foi quem disse, quase sem folego, como se realmente a falta de ar lhe fosse prejudicial. O vampiro mais antigo dali teve sua memória incitada pelo nome pronunciado pela voz clara de Sarah. Ele havia ouvido aquela lenda por duas vezes: uma quando esteve de passagem pela Somália, na África, e em uma segunda, em algum rumor entre vampiros anciões pelos domínios de Voltera.
_ Não é só uma lenda. – Sarah afirmou, olhando nos olhos de Carlisle. Este vampiro lhe olhava parecendo bestificado e completamente fascinado. Aquela mulher lhe parecia um tesouro, um tesouro muito precioso.
Nessie se assustou quando reconheceu nas orbes do seu afável avô um brilho de cobiça, desejo pela mulher meio humana que tinha porte de realeza. Todos poderiam ficar impressionados por algo tão digno de “Aro Volturi” lampejar pelos olhos de Carlisle se também não estivessem tão espantados para tirar qualquer conclusão.
Mas Sarah não se surpreendeu, pois aquela era a reação que ela sabia ser capaz de causar nos vampiros: desejo, sede, cobiça. Estava no seu sangue, no seu cheiro, no seu porte a capacidade de despertar naquelas criaturas aquele fascínio. E era uma condenação, tanto pra ela, quanto para aqueles que ousassem sucumbir ao desejo e usurpar o tesouro sagrado guardado em suas veias.
_ Que lenda? – Milla perguntou, rompendo o momento em que tudo pareceu suspenso e inerte.
_ É de séculos atrás, hoje não há mais nada sobre ela. Alguns anciões de tribos localizadas na região mais oriental da África diziam existir demônios que ganhavam força e poder ao devorar corações humanos… Mas nunca nenhum deles foi visto. Não havia nem vestígio. A lenda desapareceu. – Carlisle começou a falar tudo o que se lembrava a cerca do nome pronunciado por Sarah, desviando os olhos dela para que pudesse recuperar o seu controle. Seus olhos foram parar em Edward, que parecia agoniado por estar incapacitado de ler qualquer pensamento e saber de tudo o que seu pai vampiro sabia.
_ Caleb teve o coração arrancado. – Milla murmurou. – Uma coisa destas matou ele! Esta coisa existe! Esteve tão… perto…
_ Meu Deus! – Esme disse, levando as mãos a boca.
_ Como você sabe deles? – Edward voltou a questionar Sarah.
_ Lembranças que não são exatamente minhas… — a moça respondeu, apertando as mãos de Jacob, que tinha toda a sua atenção nela.
_ De quem…
_ Não adianta! Eu não vou dizer de quem descendo! Não posso! Simplesmente não posso!
_ Ótimo! – Edward ralhou impaciente. Sentou-se em um banco que antes Bella ocupava. – Então diga tudo o que puder! Começando, talvez, pelo motivo que fez vocês desaparecerem com minha filha, trazê-la de volta tão diferente. Garanto pra vocês que por mais longa que seja esta história, nós não vamos dormir!
Sarah bufou, cansada, impaciente e irritada. Não sabia o que fazer… não sabia! Aquela altura ela nem ao menos sabia porque obedeceu aquela intuição de ir de encontro aos Cullen, de revelar seu segredo perante eles antes mesmo que o fizesse para os lobos. Por que? Por que fizera aquilo? Fechou os olhos e sentiu uma carícia tenra em seus braços, logo foi puxada em meio a um calor tão fortalecedor e conhecido. Jacob. Ela estava nos braços dele.
_ Sarah tem um sangue muito… poderoso… - Ela ouviu a voz de Milla tomar a frente e começar a contar tudo o que sabia, incerta do que poderia fazer. Sarah olhou pra ela e pediu com os olhos que ela continuasse. Certamente a garota sabia o que revelar e o que esconder. Milla prosseguiu. – É algo raro e sagrado. Por isto ela nos atrai mais que qualquer outra criatura nesta Terra. Ela ofertou um pouco de seu sangue a mim e a Nessie… e é por isto que estamos assim… — Milla abriu os braços, mostrando a si mesma.
Se seguiu então que as meninas, tanto Nessie quanto Milla, contaram aos Cullen tudo o que podiam sobre Sarah. Contaram que o preço que um vampiro pagaria caso tomasse o sangue de Sarah a força seria a condenação completa da alma que restava neles. Ele alcançaria um poder infindável, mas a custa de profanar um bem sagrado. A criatura se tornaria extremamente poderosa e eternamente perdida.
Contaram que havia um vampiro que sempre soube disto, mas que não se importava com as consequências que poderia haver a si mesmo caso bebesse do líquido vital de Sarah. Contaram que Sarah via um vampiro que a desejava e que não media esforços pra obter o poder que ela tinha em si. Contaram que quando este vampiro conquistasse isto, ele provavelmente iria querer impor seu poder sobre todos os outros e isto, todos eles podiam sentir...
Sarah disse então as mesmas coisas que dizia a Jacob, que sentia um peso enorme sobre suas costas, que haveria guerra, que haveria luta. Rosálie interferiu, dizendo que Sarah era o mau de tudo e que só haveria guerra por ela, então ela deveria se entregar e pronto. Jacob nem se deu o trabalho de perder a paciência, apenas deixou Sarah explicar o que ele já sabia: se ela fugisse haveria guerra, se ela se entregasse daria imensurável poder a um ser que queria dominar acima de qualquer outro. Ela só ocultou o fato de que se ela se matasse, ele não iria desistir e, tampouco, poderia ser vencido.
Nenhum deles: nem Jacob, nem Sarah, Nessie ou Milla, puderam dar clareza a tudo o que acontecia aos vampiros, ou ao que aconteceria e isto pareceu os deixar ainda mais inquietos do que antes.
_ Vocês não tem que se envolver nisto. Mas o nosso povo quileute tem o dever de proteger Sarah, de não permitir de maneira nenhuma que um mal qualquer lhe aconteça. Faz parte da nossa razão de ser preservá-la… e isto não está relacionado exclusivamente ao fato de ela ser minha esposa. – Jacob disse.
_ Não, nós não temos nenhum dever sobre ela! Então não vamos nos envolver nisto mesmo. Nós vamos pegar tudo o que nos temos e desaparecer de perto de vocês! – Rosálie disse entre dentes.
Mas então uma voz sofrida penetrou por entre todos os outros.
_ Por que você ligou minha filha a você? Por que você atrelou ela a tudo isto? – Bella estava encolhida em um canto da sala, sua face estava distorcida em uma grande agonia, ela olhava para Sarah e só.
Ela havia entendido e sentido perfeitamente o significado de Sarah ter simplesmente “dado” sangue e poder para sua filha. Ela tinha certeza que aquilo era um sinal que ela queria Renesmee junto de si para o que quer que fosse.
_ Ela não tem que estar nisto! Não tem! Se isto diz respeito somente a você, porque você colocou Nessie nisto? – A voz de Bella se sacudia em agonia.
Sarah abaixou a cabeça, resignada. Entendia a agonia de Bella, pois suspeitava que se fosse mãe, sentiria o mesmo por sua filha. Mas a morena não sabia como explicar que precisava de Renesmee junto de si, que precisava protege-la, dar força a ela, que algo dentro de Sarah implorava por isto. A hibídria tinha um grau de importância inexplicável para ela.
Mas Renesmee tentou se justificar para a mãe, tomando a frente quando Sarah se calou mais uma vez, naquela noite.
_ Sarah acha que o vampiro que sabe e quer o sangue dela tem alguma relação com os Volturi. – Nessie disse o que ainda não havia dito, trazendo a tona aquilo que Sarah havia lhe revelado na ilha. – O motivo que ele deseja o sangue dela é alcançar mais poder… Ele guardou este segredo de todos por que? Ele só quer Sarah para ele, ele quer que todo o poder dela seja só dele. Mãe… os Volturi sempre quiseram isto, estar no controle, dominar. Nós nunca nos mostramos favorável aos métodos deles, somos ameaça. Então vocês acham que estamos afastados de toda esta loucura que Sarah está nos contando? Que não sofreríamos as consequências? Os lobos lutaram pra proteger a sua vida quando era humana, o Jake se quebrou todo nesta ocasião. Acham justo deixarmos eles de lado caso algo resolva se por contra eles, e como covardes, fugirmos pra algum lugar neutro? Não!
Edward parecia transtornado, Bella tinha um claro ponto de interrogação na expressão. Tudo parecia muito confuso! Eles pareciam caminhar em areia movediça, seus pés afundavam sem ter em que se firmar. Esta era a sensação quando tentavam compreender e se precaver de algo que ainda estava por vir.
Alice pressionou as têmporas, sua cabeça doía... mas ela não via nada! Ela tentava, sentia que precisava ver algo, mas ela não conseguia. De súbito, uma luz se acendeu em sua mente, fazendo-a se mover, alarmando todo mundo com a sua repentina corrida escada acima. Logo ela voltou, com um quadro nas mãos.
_ Você disse que o vampiro que sabe de você tem alguma relação com os Volturi? – Alice bradou para Sarah, sua voz cristalina tremia.
_ Sim… — a morena respondeu.
_ Você já viu a face dele? Sabe como ele é? Você tem visões com ele... é isto? – Alice continuou a pressionar.
Sarah sentiu uma palpitação nos músculos.
_ Sim… já o vi.
_ Pode reconhece-lo?
_ Posso. – Sarah respondeu, convicta.
Alice virou o quadro que tinha nas mãos para Sarah, revelando a imagem.
_ É algum destes?
O coração de Sarah parou por meros segundos, todo o seu corpo estremeceu ao velo pintado distintamente próximo a Carlisle naquele quadro. Atrás de si ela ouviu um grito.
_ É ele! Ele é o meu assassino! Foi ele que me mordeu! – Milla gritava, com ódio.
Sarah estava muda.
_ É ALGUM DESTES? – Alice, a baixinha sempre tão alegre e saltitante estava histérica.
Sarah moveu a cabeça lentamente. Para cima e para baixo. Sua face pálida. Jacob quase não podia conter seu lobo dentro de si. Era um Volturi! Um maldito sanguessuga italiano metido a rei!
_ Qual? QUAL DELES!?
Tremulamente Sarah e Milla apontaram para um mesmo rosto. Um rosto duro, inóspito, circunspecto.
Carlisle arfou.
_ Marcus! – Edward sussurrou…
Notas finais
Bom, obrigadíssimaaaaaaaaa a todas as meninas estupendas que comentaram o ultimo capítulo! Preciso saber se alguém teve problema pra comentar, pq me disseram que o Nyah tava aprontando com algumas meninas!
Ah, e, pra quem não viu, deem uma passadinha na pag de TPB: http://www.facebook.com/ThePreciousBlood/app_106171216118819
Bjss amoras!! Até mais!
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