Notas iniciais
me desculpem a demora amores! Mas o meu PC, em que a fic está, foi infectado por um bando de vírus chatos, e tive que fazer uma limpeza demorada nele!
Mas agoraaaaa... vamos ler....

Tem alguém aí pra ler ainda?

Eis que tão sabiamente a Rosa disse ao Príncipe:

“Torna-te eternamente responsável por aquilo que cativas”.

Aquele que ama é cativo... sempre... ainda que seja rei.

Os tesouros guardados no coração, serão eternamente preservados.

_Que lugar é este? – Milla perguntou, vasculhando cada partícula do lugar com sua visão.

_ É o lugar onde Sarah se revelou a mim. Fica perto da minha casa, um pouco depois da fronteira com La Push! – Renesmee explicou, pensando que da ultima vez que estivera ali, não imaginava o rumo que sua vida iria tomar. – Vamos! Vamos pra casa... – Ela pegou na mão de Milla e a puxou para correrem juntas. Seu coração batia descontrolado em seu peito, ansioso pelo reencontro com a sua família.

A saudade, tão perto de ser saciada, parecia lhe esmagar neste momento. Tanto tempo sem ver o sorriso de seu pai, tanto tempo sem sentir o afago gelado extremamente carinhoso e protetor de sua mãe.

_ Faça barulho! Eles devem estar em alerta e assustados com os ataques de ultimamente. Não é bom surpreendê-los. – Renesmee recomendou a Milla, lembrando-a que seus movimentos eram muito mais sutis enquanto deslizavam pela floresta, não incomodando nem mesmo aos animais que passavam perto.

Milla podia sentir, mesmo a distância, a alegre expectativa do reencontro pulsar em Renesmee, ao ponto que Milla, tinha o peito comprimido. Só havia uma única pessoa ali que ela poderia rever... mas em que condições? Chacoalhou a cabeça e seguiu em frente.

Elas escutaram uma movimentação veloz a frente e o cheiro doce no vento que vinha do leste. Nessie sorriu e, olhando para Milla, pediu que ela apressasse o passo.

_ São eles! – disse.

Quando as criaturas estavam muito perto de se encontrar, no entanto, a situação foi um tanto caótica. O cheiro modificado pelo sangue de Sarah, impediu que os parentes de Nessie a reconhecesse. Por isto, as viram como possíveis inimigas e avançaram.

Renesmee viu quando Emmett foi pra cima de Milla furioso, sem nem mesmo raciocinar, pra tentar pegá-la. Mas antes que pudesse tomar uma atitude, teve que se livrar dos golpes do querido tio Jasper, que tinha a clara intenção de lhe arrancar a cabeça. Desviou com muito mais facilidade do que imaginava, mas ele ainda não tinha percebido que era ela, o seu movimento estava muito mais rápido que o dele. Ele avançou novamente e Nessie desviou uma vez mais, pegando os braços do tio e os prendendo nas suas costas, fazendo-o rugir.

Do outro lado Milla chiou exasperada.

_ O que você disse sobre o fato de fazer barulho? Estes caras são loucos? Atacam sem nem ver o que?

Milla também tinha prendido Emmett, torcendo o braço direito dele para trás e o forçando a ficar de joelhos a sua frente. Quando ele parou de se debater inutilmente para escapar do aperto de Milla, olhou na direção de Jasper e soltou um ofego.

_ Por Deus! – Exclamou assustado.

_ Lute Emmett! – Jasper bradou, ainda inconsciente que quem lhe prendia era sua sobrinha.

_ Tio… tio… sou eu… — Nessie girou Jasper para sua frente, se assustando com sua expressão feroz. – Sou eu… a Renesmee!

Então a face de Jasper desmoronou, sua mandíbula caiu e ele murmurou:

_ Rê? – Ele a chamou da mesma forma que Alice lhe chamava. Ela sorriu, acenando freneticamente que sim, era ela. – Mas… mas…

_ Monstrinha? – A voz de Emmett também parecia incrédula. Aos poucos Nessie soltou os braços de Jasper.

_ Solte tio Emmett, Milla! – Ela disse, enquanto sorria para os dois que pareciam completamente confusos.

_ Você tem certeza? – Milla apertou um pouco mais o braço de Emmett de forma involuntária, fazendo-o gemer.

_ Ei, brutamontes, vai com calma aí! – Ele reclamou.

Milla riu pelo “brutamontes” e o soltou. Quando ele pode finalmente ver a figura tão pequena e delicada de Milla fez uma carranca, nada contende por ter sido subjugado por alguém tão menor que ele.

_ Não mereço um abraço? – Nessie abriu os braços e Emmett foi rapidamente na direção dela, mas Jasper se pôs no caminho.

_ Eu não reconheço o seu cheiro… Você nunca poderia ter esta força… Sua… sua aparência está diferente… — A voz de Jasper destilava desconfiança, era claro que ainda não tinha baixado sua guarda.

Milla estreitou os olhos, o sorriso de Nessie vacilou. E agora? Como explicar as mudanças?

_ Tio… as coisas sobre mim nunca foram certas. Eu sou a diferente… esqueceu? Confie em mim, sou eu, a Renesmee, filha da Bella e do Edward! Olha… por várias vezes você acalmou os nervos do meu pai quando eu aprontava travessuras com tio Emmett! Lembra? Quando nós desaparecíamos caçando e meu pai ficava furioso com a gente? – Ela tentou dizer qualquer coisa pra convence-lo, mas os olhos dele ainda vacilavam. Ela poderia passar imagens de lembranças na mente do seu tio, mesmo a distância que estavam, mas sabia que isto ia assustá-lo ainda mais.

_ Deixe de ser imbecil Jasper! É ela sim! É minha monstrinha! – Emmett empurrou os braços de Jasper do seu caminho e correu para a hibídria, a levantando do chão com um pouco mais de esforço do que se lembrava ser necessário. Desnecessariamente ela colocou a mão no rosto de Emmett, imitando um gesto comum entre eles, e lhe disse quietamente: “que saudades!”

_ Está vendo? É ela!! – Ele gritou, querendo que outros escutassem. A gargalhada do vampiro grandão retumbou pela floresta completamente verde dos arredores de Forks.

Era tão espontâneo, que Milla acompanhou o riso, mas se calou assim que percebeu os olhos de Jasper estreitados em sua direção.

“Mas que merda de vampiro desconfiado!” Ela pensou.

_ Não reconhece a Milla também, tio Jasper? – Nessie sussurrou, se aproximando e pegando na mão do vampiro loiro lhe transmitindo algumas imagens dela e de Milla juntas. Ele balançou a cabeça e questionou.

_ O que diabos aconteceu com vocês?

_ Uma longa história… longíssima… — Nessie saltou para os braços do tio o surpreendendo, fazendo cambalear para trás. Mas logo ele a estava apertando também.

_ Você não tinha que estar com os olhos dourados já? – Emmett se aproximou desconfiado de Milla…

_ Eu… — Milla olhou para Nessie aflita.

_ Não, ela não devia estar com os olhos dourados! E não! Ela nunca colocou sangue humano na boca, ao contrário de todos nós aqui! – Milla exalou e “descongelou” a postura, agradecendo a abençoada interferência de Nessie. – Os outros? Onde está todo mundo?

Perguntou logo depois, empolgada, encerrando de vez os questionamentos e fazendo os vampiros a levar em direção a mansão dos Cullens. Milla, no entanto, ficou para trás, se sentindo perdida, deslocada, vendo-os desaparecer a distância. Mas logo Nessie aparece sorrindo.

_ Não desgrude de mim! Você vai conhecer a sua nova família agora! – Ela sussurrou firme e enlaçou o seu braço no de Milla.

Seguiram o caminho tranquilamente, com Renesmee fazendo inúmeras perguntas aos tios, sobre tudo o que tinha acontecendo.

_ Sua mãe enlouqueceu no dia que você desapareceu… e seu pai… meu Deus, fazia tanto tempo que eu não via Edward tão desesperado! Seus pais morrem de medo de te perder, sempre foi o que eles mais temeram. E, de certa forma, foi assim que eles se sentiram durante estes meses… como se tivessem te perdido… — Emmett contou, fazendo a carinha da menina se entristecer e os olhos marejarem.

Antes que eles pudessem entrar na mansão, Esme e Rosálie esperavam na escadaria, e Alice parecia muito ansiosa na frente das duas. Tal como em seus tios, a reação das vampiras quando viram Nessie foi de espanto. Por frações de segundo elas apenas olharam fixamente para menina. Alice foi a primeira a se mover, seguida de Rose e depois, Esme.

Milla se afastou para permitir que Nessie fosse abraçada por todas elas, entre vozes emocionadas que tilintavam em uma melodia saudosa. Elas pararam momentos depois, e Nessie finalmente disse que havia trazido Milla para morar com eles. Carinhosamente Esme se aproximou da jovem vampira, lhe dando um sorriso afável e acolhedor. Esme não questionou nada, apenas disse:

_ Oh minha querida! Bem vinda a nossa família! – estendeu os braços, envolvendo delicadamente o corpo de Milla e então arregalou os grandes olhos dourados quando sentiu o calor que irradiava do centro do peito dela. – Oh, Deus! Seu coração… é… quente?

_ Como é que é? – Rosálie perguntou, se aproximando.

Milla apertou a mandíbula desconfortável e acuada novamente.

_ Eu não vejo o seu futuro… como com Nessie… está tudo em branco! – Alice exclamou assim que seus olhos voltaram ao foco.

_ Gente, por favor! Não estão a recebendo bem, certo? Milla é mais que uma amiga pra mim, passamos por muita coisa juntas, crescemos, evoluímos e compartilhamos mais coisas do que vocês possam imaginar! Nós não fugimos para um lugar bucólico pra passar férias… muitas coisas aconteceram com a gente, mas tudo vai ser esclarecido no seu… — Nessie parou de falar quando o cheiro de sua mãe veio com o vento. – …tempo…

Ela podia ouvi-los correr na direção da casa. Seu coração acelerou ainda mais, ela sentiu o aperto delicado da mão de Milla na sua, ao qual retribuiu. O restante dos Cullens demoraram um pouco mais para perceber o que vinha da direção em que as meninas tinham fixado o olhar.

Bella foi a primeira a aparecer, os lábios entreabertos, os olhos atentos imediatamente se fixaram nas orbes que eram a cópia daquilo que um dia tinha sido as suas. Ela não duvidou que fosse a sua filha a sua frente, não questionou os traços mais aperfeiçoados de Renesmee, mais do que eram antes, não questionou ao menos o cheiro da menina, que agora lhe coçava a garganta.

Para Nessie, sua mãe parecia ainda mais linda e perfeita… os lábios cheios, os cabelos grandes cor de mogno, o rosto delicado. Bella fez o primeiro gesto em meio ao silêncio absoluto que havia se instaurado. Abriu os braços, receptiva, fornecendo o colo que só ela teria para Renesmee… o colo de mãe, protetor, abrigo de um amor infinito. Nessie foi em sua direção imediatamente, se aconchegando nos braços de Bella e soltando um soluço, iniciando um choro quase incontrolável.

_ Filha… filha… — A voz da vampira cantarolou. – Você voltou pra mim… você voltou pra mim! – Bella afagou os anéis ruivos dos cabelos de sua filha e a apertou mais em seus braços.

_ Mãe!

Bella fechou os olhos como se degustasse um néctar precioso ao ouvir a voz da filha soando novamente, a chamando de mãe. Quanta, quanta saudade ela sentiu daquele anjo de olhos de chocolate… o anjo da sua vida! Como o medo lhe corroeu por todos aqueles dias ao pensar que ela poderia nunca vê-la e senti-la novamente!

Edward andou lentamente em direção as duas. Ele teve todos os sentimentos possíveis na ausência de Renesmee, de saudade a ódio. No dia anterior mesmo, ele tinha armado um sermão gigantesco para dar a ela assim que chegasse, pois, no final das contas, ela tinha decidido fugir daquela maneira tão imprudente e intempestiva. Mas quando a viu novamente, tudo caiu por terra. Ele só pensava em pega-la no colo e prendê-la lá, pra que ela nunca mais pudesse fugir. Queria apertá-la em seus braços até que ela encolhesse e voltasse a ser a garotinha que vivia em suas pernas. Fazia tão pouco tempo…

Com Nessie ainda abraçada a mãe, ele se aproximou e beijou-lhe o topo da cabeça. Ela largou Bella e se jogou nos braços dele.

_ Ah pai!

_ Não faz isso de novo… não suma assim de novo… você vai e leva o único coração vivo que há em sua mãe e em mim, filha! – No fim, o sermão havia sido leve e com voz delicada, sussurrada por entre os cabelos da menina, mas a fez chorar mais.

_ Me desculpe…

Milla assistia tudo de longe e aquela cena lhe atormentava muito. Como se antes, durante todo aquele tempo, a ilha tivesse sido uma bolha que aplacou as suas dores. Fora de lá ela sentia os sentimentos virem com força, se rebelando em seu peito. Ela invejou Nessie, pois ela queria ter os braços de sua mãe pra lhe receber.

As duas foram sempre tão unidas… Celeste sempre lhe fez tudo o que podia, lhe deu amor da forma mais preciosa, lhe sustentou em todos os momentos difíceis da vida… naquele exato momento, enquanto via o olhar que Bella direcionava a Renesmee, Milla pode ouvir claramente o ultimo grito que sua mãe deu antes de morrer… na noite da sua infeliz transformação.

E aquela lembrança, mais nítida do que antes, foi como uma adaga no centro do peito… doía, doía muito! Ela também sentia saudades de casa, do cheiro da sua casa, do calor dos braços dos seus… mas ela não podia voltar… não havia como voltar.

Ela não suportou mais, virou as costas e disparou pra longe daquilo tudo, correndo ao máximo de sua velocidade sabendo que nem a própria Renesmee, agora tão forte quanto ela, poderia lhe alcançar. Correu em um caminho incerto, sentindo as consequências dolorosas de ter sua alma tão latente dentro de si. Dor, falta, medo… saudade… muita saudade.

E mesmo sendo ela, possivelmente, uma das vampiras mais resistentes da Terra, sentia-se derrotada pela dimensão daquela dor. Queria se ajoelhar diante do sentimento, se curvar miseravelmente e deixar que ele lhe consumisse, fizesse dela o que quisesse, o que pudesse… que a destroçasse.

Ela sugou o ar fortemente, procurando se embriagar no cheiro forte e poderoso que o vento passou a transmitir. Deixou se conduzir por um odor que lhe penetrou o peito com força, sacudindo suas entranhas, a fazendo estremecer. Até que ela parou e finalmente fez o que tinha vontade: deixou-se cair de joelhos, fragilmente. Levou as mãos ao vão de seus seios e apertou, querendo arrancar a dor que parecia vir de lá…

_ Mãe… — Ela resmungou a mesma palavra que antes saiu de Nessie. Mas não havia ninguém pra ouvir… ninguém! – Mãããeeee!!! – Gritou, sua voz aguda fazendo pássaros voarem ao seu redor.

Ela se arrastou pra frente, fincando as unhas na terra úmida e movida que havia abaixo de si, que parecia exalar aquele cheiro de força acolhedora. Ela reconhecia aquele cheiro de algum lugar, mas a nebulosidade de seus sentimentos a impedia de pensar muito naquilo.

Mas a resposta não tardou a vir. Os músculos dela pararam assim que ela ouviu o som de passadas incertas em sua direção e o cheiro mais forte, mais perto. Permaneceu de joelhos, olhando o chão angustiada, até que sentisse a criatura a sua frente… parada. Outro solavanco no peito, outra intempestividade dentro de si, outro sentimento que parecia maior do que poderia caber nela a assolou…

Não! Não! Não agora… não tão cedo! Ela não estava preparada ainda!

Ela levantou os olhos muito lentamente, observando a cor tão linda e clara dos pelos, as patas grandes e fortes. A pelagem do peito era mais clara, fazendo uma linha que seguia até o focinho. Os olhos! Escuros, densos, profundos…

Seth! Seth! Seth! Seth! Uma voz irrompeu gritando em seu interior. Ela não poderia chegar perto, seu corpo não poderia tocar o dele, mas ela sabia que ele lhe daria algo que poderia a reconfortar… ela sabia, que de alguma forma, qualquer que fosse, ele poderia ser a fonte do seu conforto…

_ Onde… onde ela está? – A voz dela saiu grotesca e, assim como aconteceu na noite que Sarah injetou sangue em seu coração, ela sentiu lágrimas quentes escorrerem de seus olhos. – Onde ela está agora?

Ela não conseguia dizer mais, não podia explicar, não podia explicar quem ela queria ver… Abaixou a cabeça e se curvou mais, soltando um gemido sofrido. O lobo a sua frente se moveu inquieto, um uivo apertado saiu dele.

Ela voltou a olhar pra cima, pra ver que ele apontava em uma direção com o focinho. Quando ela olhou ele saiu em disparada para lá… ela sentia o que teria de fazer. O seguiu.

A cada metro vencido ela sentia seu peito se espremer. Ela tinha certeza que Seth lhe guiava justamente para o lugar que ela queria ir. Milla avistou de longe os grandes muros brancos que rodeavam o terreno… Sentiu mais dor, um soluço escapou, acompanhado de mais um uivo seco dele. Eles rodearam o lugar pela fronteira que fazia com a mata e não com a cidade. Seth parou ao lado do muro, abaixou a grande cabeça.

Milla abriu a boca, tentou dizer algo, mas não conseguiu. Passou por ele sentindo os músculos se agitarem e saltou, pulando o muro com facilidade. Pousou no chão com os olhos fechados, consciente das passadas do lobo se afastando novamente. Ele havia a deixado a sós em seu triste reencontro.

Ela abriu os olhos e se deparou com as lápides do cemitério de Forks… Não demorou a encontrar a certa. Lá estava, feita com mármore branco, caro demais pra ter sido pago por seus familiares. Uma foto dela com o rosto tranquilo tinha uma moldura dourada, ainda nova. Abaixo, o seu nome: Celeste Werner.

As mãos da vampira acariciaram a foto como se acariciasse o rosto de Celeste. Milla se deitou sobre o túmulo e baixinho, sussurrou:

_ Mãe…

Até mesmo os anjos mais distantes conseguiram ouvir aquela voz e, de algum lugar, Milla sentiu o afago de sua mãe aquietando seu coração.

********

O vampiro tinha os olhos fechados, sua mente e coração morto presos em um passado distante e remoto. Por vezes ele pensava que não poderia ter vivido aquilo, que nunca fora real. Mas ele sabia que era, e que fora reciproco. E ao pensar no que sentiu por ela um dia, por tudo que lhe ofereceu e ela recusou, o ódio lhe percorria as entranhas e fazia com que a sua sede daquele sangue élfico se multiplicasse.

Houve um tempo em que eles estiveram tão próximos de ficar juntos, tão perto de descobrir um caminho para vencer um destino de morte dos elfos.

Ele ainda se lembrava de sua vida humana, em 1368 a.C., quando seu nome ainda era Hector, quando era um líder político da cidade-estado de Atenas, um homem no auge de sua juventude. Naquela época o seu vigor diante dos outros era imponderável, sabia sempre como usar as palavras para governar um povo, sua postura segura e firme trazia segurança. Sempre teve visão ampla, via que podia dominar outros povos, outras terras. A ambição dele era mansa, mas sempre presente, sempre o direcionava para o melhor, nada além do melhor. Afinal, só era digno de conquista o que havia de mais precioso.

E ela, a bela criatura loira, era uma das coisas mais preciosas que ele poderia ter encontrado.

#Flash Back#

_ O oráculo me disse que tu serás minha destruição… — Ele lhe sussurrou, enquanto a via pentear as madeixas prateadas com os dedos alvos, mirando um céu grego.

Ela sorriu, aquele sorriso inumano e glorioso, digno de uma rainha.

_ Eu só serei a destruição do que há de mal em ti… E porque resolves crer no que o oraculo diz a respeito de mim, se não segues os conselhos do mesmo sobre os teus caminhos? – Ela perguntou, estando ciente das artimanhas que o belo homem fazia para conquistar o poder, para burlar o povo em favor de suas ambições.

Quendra sabia que o seu protegido seguia por um caminho escuro tanto quanto sabia do poder que ele tinha em mãos. Ele era especial, um humano especial.

_ Porque, por vezes, o oráculo fala demais. – Hector, o belo grego de cabelos negros, sorriu. – Mas você nunca acreditou no oráculo. Por que me dizes isto?

_ Porque sei que segues no caminho errado. Não podes continuar nele! – Ela voltou a enfatizar, se levantando da pedra em que estava sentada e se aproximando. Ela tinha cachos belos e grandes em seus cabelos, que tinham poucas mechas presas. Sua túnica clara, amarrada com um cordão na cintura, marcava perfeitamente o corpo esguio.

_ Se eu sair deste caminho… tu seguirá ao meu lado?

Ela afirmou, pegando em suas mãos e encostando os lábios nelas delicadamente. Um arrepio quente percorreu o corpo inteiro de Hector.

_ Estarei ao seu lado até a sua morte, Hector. Porque este é o meu caminho.

Um brilho estranho cintilou nos olhos castanhos quando ela disse aquilo. O que ela era afinal? Uma deusa descida do Olimpo? Mas se era, porque ela não sedia nunca aos prazeres que ele, enquanto homem mortal, poderia fornecer ao seu corpo de deusa, já tantas vezes oferecidos. Enquanto pensava em como seria desfrutar de prazeres secretos com a misteriosa mulher a sua frente, Hector viu o rosto dela enrubescer.

_ Não pense no que não pode ter… — Ela virou o rosto em outra direção longe dos olhos negros de Hector. Ele pensou em questionar, como fizera tantas vezes antes, como ela parecia saber em que ele pensava. Mas ao invés disso, perguntou outra coisa.

_ Não posso o que? Não posso amar-te? Por que…? — Ele se aproximou dela, e ela desapareceu de sua frente mais rápido do que ele poderia piscar.

_ Não… — ela disse, acomodada em outro canto, com a postura rígida. – Vim para ajudar-te, guiar-te. Você é um homem que a muitos influencia… tens o poder para fazer muitas coisas… vim para ajudar-te.

_ Não és humana como eu. Sei disto. Com tanta certeza quanto sei que te quero, não apenas para me guiar. Quero-te para amar-te… para que tu me ames. Se queres me fazer seguir no caminho bom… me dê… seu amor. – Hector ergueu a mão em direção a ela. – É de todo o meu coração que lhe digo isto… de toda a minha alma. Eu não irei morrer enquanto não puder ter o vosso amor… conceda-me isto, deixe-me ama-la…

Ele viu a postura sempre segura de sua bela desmontar diante de suas palavras. Ela olhou-o com os olhos enternecidos e também quentes.

_ Se sabes que não sou humana, também deves saber agora que não sou criatura que ama como um humano. Não fui concebida para isto… — Ela disse, com a voz sussurrante e culpada, como se segredasse algo que não poderia ser dito jamais.

_ Então me ensine a amar da forma como tu foi concebida para amar. Como chama o sentimento que lhe rege? É também amor? – Ele insistiu e Quendra, ainda que não pudesse ser atingida por aquilo como os reles humanos eram, sentiu a essência sobrenatural se esvair de Hector em sua direção… querendo tornar forte um laço. Mas ele não tinha ideia do que era plantar um amor humano em um coração élfico… não tinha…

A elfo apenas sorriu, se aproximando dele devagar.

_ Ah… meu singelo humano… Isto não é possível. Teu corpo tem necessidades que o meu não tem, tu tens uma ânsia que não pode me dominar como é contigo. Conte-te em saber que te amo o suficiente para estar aqui, ao teu lado.

_ Não podes consumar o amor carnalmente? És uma criatura casta de natureza? É isto não é? – Ele perguntou, dando um passo em direção a loira. Ela balançou a cabeça e se afastou brevemente.

_ Hora de ir, Hector.

_ Eu abdico disto.

Quendra estacou, pega de surpresa pela verdadeira revolução dos pensamentos de Hector.

_ Como? – Ela não poderia compreender aquilo.

_ Torno-me casto para estar ao seu lado. – Ele andou até sua frente e se ajoelhou. – Só coisas belas me fascinam, só o que é magno me domina. E tu és assim. Te amarei como uma deusa, como a única na Terra, como uma rainha. Se não podes haver carne… — ele engoliu em seco. — … então não haverá. Eu abdico disto… por ti.

Ele nunca soube o quanto aquilo significou para a elfo. Alguém renunciando ao que era, por ela. Não era algo que ela foi criada para ter, e diante de tudo, Quendra admirava atos como aquele como os mais sublimes. Ela abaixou os olhos, sentindo o seu coração se preencher com um sentimento que manteve controlado durante os anos que esteve ao lado daquele humano. Para um elfo, aquilo era uma sentença… eterna.

_Poderias me amar, sem isto? – Perguntou, baixo, não tendo certeza se ele poderia lhe ouvir.

_ Sim…

Em um movimento tão leve, ele se levantou aos poucos, se pôs de pé frente a ela e estendeu as mãos até que seus dedos tocasse a pele brumosa do belo rosto. Ela fechou os olhos e pôs as mãos sobre a sua.

_ Como tu quiseres… só te quero ao meu lado… minha… para reinar junto de mim. – Ele sussurrou, e Quendra suspirou ao perceber que havia verdade nos pensamentos dele.

Ela pensava que dedicar amor a ele, deixar que ele lhe amasse daquela forma poderia tira-lo do caminho escuro que rondeava seus passos. Pensando nisto, ela disse, naquele instante, as palavras que impediriam os elfos de exterminar os vampiros.

_ Aceito teu amor e lhe dedico o meu também. Por isto protegerei a você e aos teus…

Dois segundos depois que disse aquilo, logo após ver o brilho nos olhos de Hector, Quendra recebeu a ordem furiosa de sua rainha para retornar ao mundo dos elfos. Pois a partir daquele dia, todos os elfos estariam presos aquele voto de Quendra, como irmãos inseparáveis em espírito que eram.

Três anos depois, já rainha elfo, Quendra chegou tarde para impedir que a criança transformada pelo Diamper mordesse Hector. Ela a tirou de cima dele, mas o veneno maldito já lhe corria pelas veias. O seu voto impediu que ela matasse o objeto de seu amor casto, o impedindo de se transformar… Ela só pode destruir a criança. Hector se transformou e tudo aquilo de escuro que Quendra sempre enxergou ao seu redor, passou a fazer parte da existência dele. Hector queria o poder e o que havia lhe ofertado isto fora algo maligno. Hector, então, abraçou o maligno.

Os elfos não poderiam, porém, destruir a raça que se gerou a partir dele, pois isto seria quebrar um voto sagrado de uma irmã, agora soberana entre eles. Quendra se manteve afastada de Hector nos anos que se seguiram a sua transformação, preferindo estar longe daquilo que ainda lhe atormentava o coração. Ela só retornou a vê-lo cinquenta anos depois, com Lairon adulto ao seu lado, exigindo dela a mais difícil das ações.

_ Não deixe que o seu coração te ponha ao lado dele, Quendra. Nenhum de nós conseguiu salvá-lo de um destino sombrio, porque isto faz parte do que ele é. Não nos enganemos mais. Ir para ele é escolher o lado oposto a luz, irmã. – Lairon disse, antes que ela fosse novamente vê-lo.

E no dia que isto aconteceu, ficou acertado o acordo secreto entre elfos e vampiros: os elfos só matariam vampiros que ameaçassem a vida élfica. Hector, como primeiro vampiro, cuidaria para que sua espécie não perdesse o controle e rompesse o equilíbrio entre o sobrenatural e o humano. Naquele mesmo dia, também, Quendra escolheu ser rainha élfica de todo e se afastar de Hector…

_ Eu ainda a amo… até mais… — Ele dissera. Seus olhos vermelhos eram como uma sentença maligna das mortes que ele carregava nas costas. – Olha, veja… — ele apontou para si mesmo sorridente — Tenho poder agora para te dar tudo, tudo o que mereces… minha rainha… será tudo como quiseres. Só eu posso te dar isto… este amor só comigo você pode ter.

Ele disse, sabendo torturar o coração forte da elfo.

_ Será tudo como eu quiser? – Ela sussurrou, procurando esconder suas emoções do… vampiro…

_ Sim… — Ele disse, ávido.

_ Então… não será…

Flash back off#

Dizendo aquelas palavras, ela desapareceu da existência de Hector. Ele mudou o nome, a personalidade, as expressões e a sagacidade. E seu amor insano, tornou-se um ódio insano. Amor e ódio fundidos em um só… imortais, como eram aqueles que os sentiam.

O vampiro se perdeu de seus pensamentos pela voz estridente do maldito demônio mágico que salvou dos elfos.

_ Ela voltou! Posso vê-la! – Kadinah gritou, entrando tempestivamente no aposento luxuoso do vampiro.

_ E então? – Ele perguntou, se inclinando em direção a Kadinah.

_ Está acontecendo… a evolução…

O vampiro se ergueu, lhe encarando.

_ Evolução? – Ele perguntou, sua voz calma escondendo a fúria por não saber do que Kadinah estava falando.

Ela olhou pra ele e sorriu.

_ Ela é rainha elfo. Legitima. Sua adorada amada é fajuta… e por alguma razão, sempre fez questão de poupar a filha de Lairon da dimensão pesada de seu próprio poder. Bondosa, não acha? – Kadinah riu, parando logo que percebeu que o vampiro estava prestes a pular em seu pescoço. Prosseguiu explicando. – Entenda… você precisa fazer com ela o que tem de fazer… logo! Rápido, antes que ela consiga roubar o posto da maldita Quendra.

_ Há algo mais além do que o poder do sangue de Sarah Black que possa me estimular a fazer isto, Kadinah? – Ele continuou com a voz furiosamente mansa. O que ela lhe escondia?

_ Entenda… eu precisei te manter odiando-a, para me dar aquilo o que quero. A minha libertação… os elfos tem de ser destruídos para que minha espécie volte a reinar. Então…

_ O. Que. Você. Esconde? – ele perguntou, com ênfase em cada palavra.

_ Bom… há alguns aninhos atrás, seu ato romântico e humano conquistou o coração de uma elfo de forma irrevogável. Você conseguiu ter de uma elfo um amor verdadeiro e devocional. Isto não acaba assim, com uma despedida dramática como foi a sua e a de Quendra. – Kadinah dizia aquilo de forma enfadonha. – Então, o que quero dizer, vampirão, é que em Quendra isto está lá, impossível de ser morto. Então, o reinado dela é… digamos que uma das principais razões de você estar vivo… ou morto-vivo, sei lá. Porque não haveria um único elfo que pudesse ir contra algo tão sagrado como um voto de amor de um irmão… nem mesmo o filho da rainha conseguiu isto… Lairon só conseguiu sossegar o coração da elfo pra ela não correr atrás de você durante este tempinho de afastamento.

_ Seja direta…- ele ordenou.

_ Acontece que a neta de Évora foi gerada exatamente de uma situação como esta que te liga a Quendra, em um voto de amor entre humano e elfo. Então… de uma forma estranha, eu tenho certeza de que ela é a chave para destruir o voto sagrado que te liga aos elfos e protege a existência dos vampiros. Se ela reinar, no lugar de Quendra, então você e todos os vampirinhos terão grandes chances de desaparecerem da face da Terra. Porque ela, Sarah Black, tem o poder de decidir o que deve prevalecer no mundo. A menos que você consiga ter algo dela que te ligue a você, tanto quanto Quendra está ligada… Do contrário, não será páreo para ela.

_ Sim… — a voz do vampiro sibilou em compreensão.

_ E, mesmo que eu odeie a criatura… Quendra atrasou bastante o reinado de Sarah… ela anda ajudando… estive pensando: será que ela te ajudaria mais?

O brilho insinuante nos olhos de Kadinah fez o coração morto do vampiro estremecer. Compreendendo, ele sorriu.

Notas finais
Bommmmmmmmmmm.... Estamos em uma fase bemmmmm conturbada na fic, e isto será uma tendencia para todo um ciclo que irá se desenvolver na história.

O que vcs acharam da volta das meninas? E o primeiro encontro da Milla vampira com o Seth?

Comentemmmmmmm!!! Please!