The Precious Blood

41 POR SETH... SÓ POR ELE...


Notas iniciais
Aviso: meninas, pode ser que eu fique sem internet por uns tempos, então se eu desaparecer por uns dias NÃO ME ABANDONEM, é só um probleminha técnico aqui.
Bora ler maisss...

Uma sensação nada agradável tomou conta de Jacob quando ele adentrou naquela estradinha no meio da mata. Há anos ele não ia lá, da ultima vez era ainda um menino, que deixou tudo aquilo pra trás completamente fora de si.

Não demorou muito ele vislumbrou o grande mausoléu branco que parecia a casa dos Cullens. Eles não mudaram muita coisa na casa durante todos aqueles anos. Jacob respirou fundo dentro do carro, com todas as janelas muito bem fechadas, antes de sair e entrar naquela casa. Hesitou somente por um momento, mas saltou porta afora quando escutou um grito torturante vindo de lá de dentro. Era o grito de alguém que se transformava.

Mas a primeira pessoa com quem se deparou na porta, antes mesmo de ter chance de subir o lance de escadas que havia na entrada, não foi uma presença nada agradável.

_ Então o cachorro teve a ousadia de voltar aqui? – Rosálie disse, com uma postura tensa e um olhar ameaçador. Jacob deu-lhe um sorriso diabólico.

_ Não é algo muito agradável. Mas pode se tornar, se eu tiver um pescoço de sanguessuga loira pra arrancar. Então loira, está com a cabeça no lugar? Não estava assim da ultima vez que nos vimos. – Ele disse, com sarcasmo, fazendo Rose rugir e avançar. Mas antes que ela pudesse, Edward apareceu e segurou-lhe o braço.

_ Não, Rose! – Ele disse, ríspido. Ela bufou e sumiu como um flash pra dentro da casa. Edward se virou para Jacob, encarando-o com um olhar entre lamentoso e desconfiado.

_ Me leve até ela! – Jacob disse, impositivo.

_ O que pretende fazer? – Edward perguntou, se mantendo imóvel na entrada da casa.

_ Isto só cabe a mim decidir. Sua função é me levar até ela. Só isto. – ele disse, ainda arredio. Percebeu que Bella não estava na casa. Talvez estivesse com Charlie na casa dele.

_ Acabar com tudo pode não ser a melhor solução, Jacob. Nós podemos ajuda-la se adaptar. – Ele disse. Jacob riu. Então o sanguessuga estava de acordo com Sarah? Parecia que os dois tinham combinado.

_ O que você quer é condená-la a mesma sina que você Edward? Um monstro eterno? … Não sei se esta é a melhor solução. – Jacob insistiu, dando um passo a frente, ameaçador. – E eu já disse que isto cabe a mim decidir. E se você não me levar até ela eu passo por cima de quem for! É por bem ou por mal! – Ele ameaçou, mas Edward continuou rígido na frente de Jacob.

Outro grito vindo do andar de cima. A voz de Milla já parecia mais aguda que antes. Ela primeiro gritou pela mãe, depois gritou o nome de Seth. Jacob não pensava que ela estava tão envolvida por Seth quanto ele por ela. Principalmente depois de ela ter fugido dele.

O índio apertou os olhos, pois se lembrou do primeiro dia que encontrou Milla na cantina, com aquela alegria pura e gratuita. Uma alma boa… Sarah havia dito que ela tinha uma alma boa. Ele nunca poderia duvidar daquilo, mas onde aquilo ia parar se ele permitisse que a transformação terminasse? Seth e ela se tornariam inimigos naturais, seus cheiros se tornariam repugnante um para o outro e, o pior de tudo, bastaria uma mordida de Milla e a vida de Seth estava acabada. O imprinting poderia resistir a tudo isto?

_ Eu vou entrar Edward! – Jacob disse, quase rugindo.

_ Não! – Edward disse, também rosnando.

_ Pai! Deixe ele entrar! – Uma voz branda, mas determinada surgiu atrás de Edward. Logo depois ela apareceu, os cabelos ruivos presos em um coque, com mechas caídas no rosto. Sua face estava corada, sua roupa amaçada, seus olhos tensos, uma expressão cansada. E ela tinha, acima de tudo, um olhar perturbadoramente castanho cor de chocolate, que focaram os olhos negros de Jacob com uma segurança maior do que deveria. – Deixe que ele decida depois de vê-la! – Ela disse, colocando a mão no ombro do pai. Edward olhou para Renesmee e não disse nada. Ela olhou, então, para Jacob e disse, simplesmente: — Vem! – E voltou para dentro da casa.

Jacob ficou estupefato por um instante, sem saber ao certo como reagir. Era ela! A criatura que tinha acabado com a vida da mãe, a menina monstro que foi seu tormento por um tempo angustiante… era ela, a sugadora de vida. Ela parecia tão diferente, tão mais… humana? Tão parecida com Bella e tão diferente…

Renesmee voltou para fora.

_ Jacob! Vem! – Ela chamou novamente, e ofereceu a mão para que ele entrasse. Uma ação involuntária. Assim que ela percebeu seu ato, os olhos tensos de Jacob fixos na sua mão estendida, a menina recolheu a mão e ruboresceu.

Jacob saiu de seu topor e passou na frente dela, sem mais olhá-la, e subiu a escadaria do lado de dentro sem olhar para lugar algum, somente sendo guiado pelos suspiros e gemidos altos de Milla. Renesmee o alcançou rapidamente e os dois entraram lado a lado no quarto espaçoso que Jacob se lembrava pertencer a Carlisle.

Milla estava deitada numa cama grande, de estrutura reforçada, se contorcendo dolorosamente. O coração dela batia velozmente, desesperado, sendo consumido aos poucos pelo veneno. Estava sendo segura por Esme e Alice, uma vampira em cada lado.

_ Olhe o que vai fazer cachorro! – Alice disse, com voz repreensiva. Seu olhar era de quem se compadecia, não daquela coisinha pequena e saltitante que Jacob se lembrava.

_ Saiam! – Jacob disse, tanto para Esme quanto para Alice. Um grito agudo de Milla quase abafou a voz de Jacob. Ela arqueou as costas e gritou de novo.

_ Faça parar! Faça parar de… queimar!!!!! – Ela pedia, incessantemente.

_ Vai ficar tudo bem meu amor! Vai ficar tudo bem, vai passar! – Esme dizia, acariciando os cabelos de Milla, que já tinham um brilho diferente. Jacob apertou os punhos.

_ Saiam! – Ele disse, com os dentes apertados.

As vampiras hesitaram, se mantendo na mesma posição.

_Tia, vó, podem ir! Vai ficar tudo bem! – Renesmee disse, indo em direção a cama e pegando Milla nos braços. A garota chorava e se sacudia. – Chore meu anjo, chore enquanto pode. Deixe as lágrimas caírem. – Renesmee disse, ternamente, beijando a testa de Milla. Jacob sentiu um nó na garganta, mas ficou impressionado quando as vampiras acataram o pedido de Renesmee e saíram do quarto. Será que todos acatavam as vontades da meia vampira?

Renesmee ficou sozinha com Milla na cama, e agora Jacob entendeu a aparência cansada dela. Milla já estava dando trabalho para ser segura, e a força da hibidria não era tanta assim.

Milla abriu os olhos, que estavam de uma cor estranha. Não mais azuis como Jacob se recordava, nem vermelhos como eram os dos vampiros, mas uma mistura dos dois. Ela o encarou com aqueles olhos turvos e doloridos.

_ O que vai acontecer comigo? – Perguntou a Jacob, dessa vez sem gritar, com a voz cansada.

Jacob se aproximou com o coração apertado da cama, se sentando do lado oposto que Renesmee segurava Milla. A hibídria o encarava sem nenhum pingo de hesitação.

_ Vai passar. – Ele disse, e moveu seus braços em direção a Milla, envolvendo o pescoço da garota numa espécie de abraço. Renesmee arfou e disse:

_ Não faça nada que vá se arrepender depois. – A hibidria o olhou de um jeito implorativo. Ela viu, com angustia em si, uma lagrima sair apertada dos olhos imponderáveis do homem lobo. Renesmee também deixou uma lágrima cair de si.

“Humana demais!” Jacob pensou, perturbado. Milla gritou em meio ao seu abraço, se contorcendo e sacudindo Jacob. Tudo ia passar… era só quebrar o pescoço e tudo acabaria…

_ Diga a Seth que eu o amo sim… mais do que eu pensei que… que pudesse amar… — Milla disse, com voz entrecortada, em meio a gemidos. Foi um impulso de sobriedade, de consciência, e era em Seth que ela pensava. Sabia… de alguma forma ela sabia que estava no fim. – Eu… aiiiiii… eu nunca quis que ele sofresse… — Ela disse novamente, como se realmente precisasse, acima de tudo, dar paz a Seth antes que algo lhe impedisse.

Jacob se lembrou dos últimos dias que passou em ronda com Seth, dividindo seus pensamentos. Ele sonhava com o dia que poderia beijar Milla, coisa que ainda não tinham feito, e a via como uma princesa, suas lembranças dela eram agradáveis e divertidas. Ele ria do jeito espontâneo dela, do sorriso fácil…

Jake apertou mais os braços ao redor do pescoço de Milla… ela arfou, Renesmee soltou um suspiro e apertou os olhos.

_ Jacob… pense… — a hibidria pediu.

_ Eu não vou aguentar… a dor… — Milla disse, sufocada. Jacob respirou fundo e então, moveu o seus braços velozmente…

_ Vai sim! Você vai aguentar mais do que qualquer outro! Você vai resistir por você e por Seth! – Jacob, inesperadamente, com um sentido completamente insano, moveu os braços rapidamente e largou o pescoço de Milla. Envolveu seu rosto com suas mãos, fazendo-a encarar seus olhos. Renesmee deixou um soluço de alívio escapar.

– Nós vamos descobrir um jeito, vai dar certo! Me prometa Milla, me prometa que você vai lutar cada segundo da sua existência para ser o melhor, que você vai resistir, vai superar tudo o que vai contra! – Jacob disse com agonia para a menina que gemia, mantendo suas mãos segurando firmemente o rosto delicado. Milla voltou a gemer, seus olhos rolaram de dor. – Prometa! Por favor, prometa! … por Seth, Milla… por ele!

Ao ouvir o nome de Seth, os olhos de Milla voltaram ao foco por um instante.

_ Tudo… p-por ele… eu… vou lutar… — Logo depois ela gritou, gritou com todas as suas forças e quase saltou da cama. Jacob a segurou firmemente, prendendo seus braços nas costas.

_ Nós vamos lutar com você! – Jacob sussurrou para ela. Então, aos poucos, os gritos dela cessaram, os espasmos do corpo diminuíram. Milla fechou os olhos, apertando-os por vezes, e se encolheu nos braços de Jacob, com os músculos tensos, resistindo à dor sem gritos, sem se contorcer.

Renesmee olhou para Jacob, que passou a abraçar e não a segurar Milla, com um sorriso cálido.

_ Eu sabia que podia confiar em você! – Ela disse, suavemente, pra completa confusão de Jacob.

****************

Sarah entrou bruscamente em sua casa, transtornada. Como? Como aquilo tinha acontecido? E com Milla e Seth? As pessoas que não mereciam aquilo, umas das poucas pessoas no mundo que não mereciam uma gota de dor sequer! Tão jovens ainda, principalmente Milla.

Sarah se lembrou do medo que a garota demonstrou ao se deparar com este mundo de aberrações, e agora ela seria uma das piores espécies?

_ Sarah, você vai ficar bem? – Caleb perguntou.

_ Vou sim, Caleb. Pode ir! Fique com Seth, ele precisa de todos os irmãos ao lado dele. – Ela disse, beijando a mão do garoto, que estava pousada em um de seus ombros.

_ Você acha que Jake vai deixar ela se transformar? – Caleb perguntou, tenso.

_ Não sei ainda, Caleb. Mas prefiro acreditar que sim. – Ela disse, suspirando e se jogando no sofá.

_ E isto é melhor? Deixar que um objeto de imprinting se torne uma vampira? – Caleb divagou, com uma amargura no tom de voz. – Todos nós Sarah, todos estamos sentido uma coisa completamente terrível dentro do peito. E ficamos pior quando sabemos que isto é só uma parte do que Seth está sentindo! Precisa haver uma saída! É terrível! Sarah você não sabe o quanto é doloroso! – Sarah olhou para o jovem lobo, mas não suportou aquele olhar angustiado por muito tempo. Virou o rosto.

_ Vá pra perto de Seth, Caleb. É tudo que você pode fazer por enquanto. – Ela murmurou. – Vou ficar bem aqui, esperando Jake.

Caleb foi até Sarah e beijou-lhe a testa, ela lhe beijou as mãos, e só então ele saiu. Assim que ele bateu a porta da sala, Sarah se levantou e começou uma caminhada afligida de um lado a outro. Se lembrou da visão que teve com o vampiro que não pode distinguir o rosto. Ela se lembrou também, de algo que Quendra a fez se esquecer: sua primeira visão, aquela que teve em La Push, no segundo dia que estava ali. Ela tinha quase certeza que era o mesmo vampiro! Alguém sabia quem ela era e o que o seu sangue significava para um vampiro. E estava perto!

Só podia ser isto!

Milla estava naquela situação por causa dela, Sarah não parava de pensar nisto, aquilo martelava em sua consciência incessantemente. Mas não bastava a ela ficar se remoendo em culpa. Ela queria reverter aquela situação! Precisava pensar em algo. Milla não podia se tornar um ser escravizado pelo desejo de sangue, aquela alma pura não podia ser maculada com morte inocente, Milla não podia se tornar uma assassina!

Ela arrancou os sapatos e os jogou longe, e continuou a andar pra lá e pra cá, pensando… “Resitir…” Milla precisava resistir ao sangue mais do que qualquer outro, pois ela não seria qualquer vampira, ela seria uma vampira imprinting de um lobo. Ela tinha que imperar sobre os instintos daquela espécie, tinha de ser superior… tinha de resistir ao veneno que o sangue era para a sua alma… o sangue humano, conquistado com morte…

Veneno… há séculos os homens descobriram que a dose certa de veneno, ministrada diariamente, poderia se tornar o melhor antídoto… o corpo criava resistência com o tempo. Depois a medicina comprovou esta teoria vinda dos primórdios. Hoje, as bactérias estavam mais fortes justamente por resistirem aos antibióticos ao longo do tempo. O organismo se adapta e quanto mais forte os antibióticos, mais resistente as bactérias se tornam… algo que preocupa a comunidade médica em geral.

Era isto! Se Milla aprendesse a resistir a pior de todas as tentações, aos poucos, então ela poderia lidar muito bem com seus instintos. Milla seria mais resistente até mesmo que Carlisle! Um plano ardiloso e ousado começou a se armar dentro da cabeça de Sarah…

Tudo teria que ser afastado de La Push, de Forks! Ela teria de pedir dispensa do hospital para seguir para longe com Milla, num lugar onde nenhuma das duas fossem expostas. Talvez, pra completa ironia, Edward pudesse ajudar nisto, falando com Carlisle. Talvez Carlisle pudesse te substituir no hospital? Isto seria insano, mas... se Quendra confiava tanto nele... O fato era que não havia tempo para restrições, ela precisava encontrar saídas urgentes!

E havia mais coisas que começaram a borbulhar no desespero da mente de Sarah…

Milla precisaria ficar presa e nenhum lobo poderia ajudar Sarah nisto. Um vampiro recém-criado era forte demais e um descuido bastaria para que ela mordesse e matasse um dos lobos. Nem Jacob, o mais hábil, poderia correr este risco. Como fazer isto então?

Mas a medida que a ideia se formulava na mente de Sarah, uma elfo tão conhecida se materializou a sua frente, com uma expressão muito séria.

_ Não, Sarah! – Quendra disse, firme.

_ Sim e sim! Vocês tem que me ajudar a fazer isto!

_ Sarah isto não é garantia! Não pode garantir que vai mudar! E nós não podemos interferir nisto, é… — Quando a elfo começou com suas explicações que Sarah conhecia de cor e salteado, uma fúria cresceu dentro da morena, parecendo insana demais para ela administrar.

Sarah rugiu e partiu pra cima de Quendra com toda a sua velocidade, parando a milímetros da elfo, a encarando com um olhar escaldante. Sua voz ficou mais forte, mais poderosa.

_ Vai fazer isto, porque eu sei que é o certo e eu quero assim! – Sarah bradou para a Rainha, fazendo-a estremecer com toda aquela intensidade e, ainda, cambalear para trás. Depois Sarah tomou consciência do que fez e se afastou, perturbada.

_ Mas o que…? – Quendra perguntou, encarando transtornada Sarah. Ela tinha afetado a Rainha como ninguém nunca fizera! Quendra sentiu a vontade de Sarah se revoltar imperativa dentro de si. Sarah sentiu um tumulto no peito, suas mãos começaram a ficar trêmulas: como ela ousara tanto?

Sacudiu a cabeça e tentou ignorar aquilo, apesar de Quendra parecer de certa forma encolhida e tensa a sua frente.

_ Foi por minha culpa! Eu não sei o que está acontecendo e não sei porque você, Quendra, não quer me dizer quem é este vampiro que me atormenta. – Sarah começou a dizer, mais calma. – Porque me escondeu minha primeira visão… — Olhou para elfo que ainda tinha uma expressão confusa. – Mas o que eu sei é que eu posso ajudar Milla, eu sinto isto e eu vou acreditar no que sinto.

A elfo respirou fundo, e voltou a endireitar sua postura.

_ Você estará interferindo muito perigosamente no destino deles, usando um poder sagrado para isto. Isto é mudar as leis da natureza. A partir do momento que fizer isto, terá de arcar com as consequências. – Quendra alertou, já recomposta.

_ O destino deles foi alterado do rumo certo, Quendra. Você sabe disto. Uma criatura sobrenatural mudou tudo! Isto é ir contra as leis da natureza. – Sarah argumentou, com voz cansada. – Tudo o que vamos fazer é tentar reordenar o que foi perdido.

Quendra se afastou, dando alguns passos pra longe de Sarah. De costas para ela, quase imperceptivelmente, a Rainha pôs a mão no centro de seu peito, dolorido. Obviamente, não seria prudente revelar a Sarah que ela havia atingido tão fortemente um elfo. Se não fosse ela, Quendra, a Rainha de seu povo, qualquer elfo teria de obedecer a vontade de Sarah sumariamente, sem escolhas. Algo lhe dizia que Lairon sabia muito bem o que sua filha iria se tornar quando implorou por sua vida. Sarah estava forte, tanto quanto um elfo.

A Rainha pensou rapidamente em todas as suas possibilidades, tentou vasculhar nos vislumbres de futuro que tinha as consequências de seus atos ao atender o pedido de Sarah. Mas, assombrosamente, Quendra não conseguia mais ter tanto acesso ao que se referia a híbrida entre elfo e humana. Tinha que decidir rápido. E o fez.

_ Niadhi levará vocês até uma ilha, algumas milhas abaixo da linha do equador, bem no meio do pacífico. Lá está muito perto do lugar onde há uma… uma conexão para o lar dos elfos. Ninguém, absolutamente ninguém, poderá localizar vocês lá. Somente Niadhi estará com vocês, é a única elfo que dou permissão. O resto será por sua conta. – Quendra não deu uma explicação sequer sobre sua decisão, apenas disse isto.

Sarah afirmou com a cabeça.

_ Você e eu sabemos que alguém te descobriu. Eu desconfio de quem seja, mas não consigo chegar até ele. E você está certa, eu não acho prudente e nem necessário que você saiba de quem eu suspeito por agora… — a elfo suspirou — …algo me diz que isto não irá parar por aqui, descobriram uma brecha. – a voz de Quendra estava tensa, Sarah sabia que ela não estava disposta a dizer mais do que já estava dizendo. Aquilo era somente um alerta, o que havia para além daquilo não seria revelado pela elfo. E Sarah não estava disposta a cobrar, naquele momento, uma explicação. Só a situação de Milla lhe vinha a cabeça, ocupando-lhe todas as emoções.

_ Eu sei disto. – Sarah confirmou, Quendra acenou brevemente.

_ Mas eu não quero que ninguém mais saiba disto por enquanto. Nem mesmo Jacob. Você está bem protegida. Nós vamos fechar o cerco sobre você. – Quendra disse, ainda tensa.

_ Onde isto vai parar? – Sarah perguntou, com um medo genuíno de algo muito maior brotando dentro de si.

_ Eu não sei, querida. Eu não sei! Mas em algum momento, todos nós vamos precisar lutar. – Quendra acariciou a face de Sarah ternamente, e disse de um jeito manso e um tanto macabro. — Nós não poderemos evitar todas as perdas querida… algumas são inevitáveis.

_ Mas vamos fazer sempre o máximo para evitar! – Sarah contestou, até certo ponto. Tentou sondar os olhos de Quendra, saber o que a elfo lhe escondia, o que estava por vir.

_ Não se preocupe com isto agora. Ainda é cedo. Não sabemos com o que lidamos. Não sabemos se o que você vê é passado, presente ou futuro… ou uma mistura de tudo Sarah! O terreno não está firme para pisarmos. – Quendra virou-se e ponderou por um tempo. – Você sabe que, depois de fazer o que pretende fazer, Milla ficará consciente do seu segredo, ela saberá sobre você… — Houve hesitação na voz da elfo. – Você confia nisto? Confia nela?

_ Confio… — Sarah respondeu imediatamente, sem nem pensar.

_ Sabe que precisará de mais pessoas pra te ajudar com ela, não sabe? Será que tem alguém a mais que possa confiar? – Sarah fechou os olhos e a imagem de Jacob surgiu em sua mente, imediatamente, logo depois a imagem de outra pessoa, uma que ela realmente não esperava, também povoou seus pensamentos. Abriu os olhos. Seria possível?

_ Vai testá-la? Seria arriscado… — Quendra perguntou, vendo a pessoa a que se remeteu os pensamentos de Sarah.

_ Não sei o porque… mas algo me diz que posso confiar nela. – Sarah respondeu a pergunta da elfo. Quendra lhe sorriu.

_ Irônico isto… como o destino gosta de brincar… — a elfo balançou a cabeça de um lado para o outro. Suspirou e continuou a falar. — Acho que lhe foi dito pra confiar em suas intuições… não sou eu quem irá contestar… Faça Jacob entender, mas não explique demais. – Quendra se afastou, Sarah sabia que ela partiria. – Estejam prontos pra partirem antes da transformação se completar… amanhã.

_ Sim. – Sarah afirmou, mas de repente se sentiu insegura. Nada seria tão simples.

_ Ficaremos de olhos em La Push enquanto isto. – Foi a última coisa que a Rainha disse antes de desaparecer.

Sarah tentou colocar as coisas no lugar em sua cabeça, reordenar a balburdia em seus pensamentos, controlar suas emoções antes de falar com Jacob. E teve tempo para isto. Às duas da manhã Jacob ainda continuava fora e Sarah sabia que ele estava com Milla… ele não a havia matado.

Até que houve o momento em que não havia mais o que esperar. Sarah discou o numero de Jacob e, para seu alívio, ele atendeu.

_ Precisamos conversar… com privacidade… — Ela disse, assim que ele atendeu. Ele hesitou um pouco, do outro lado da linha ela distinguiu a voz de Renesmee dizer:

_ Eu cuido dela…

_ Estou voltando pra casa. – Ele disse e desligou o telefone. E isto não demorou a acontecer, logo Jacob irrompeu pela porta, encontrando Sarah já de banho tomado, vestida somente com um roupão, seu corpo e cabelos ainda levemente úmidos.

Ele tirou o terno e o jogou no sofá, coçou o cabelo atrás da nuca e voltou a olhar pra ela, que o esperava de braços cruzados na frente do peito.

_ Ela está viva… o coração ainda bate… mas não por muito tempo. – Ele disse. Sarah deu um sorriso triste.

_ Eu sei… sabia que podia confiar em você… fez o que era certo.

Jacob sorriu.

_ É a segunda pessoa que me diz isto.

_ A primeira foi Renesmee? – Sarah perguntou, impulsiva, um brilho estranho nos olhos. Jacob olhou pra ela repentinamente.

_ Como sabe? – Ele questionou. Ela sorriu.

_ Apenas sei…

Jake franziu o cenho.

_ Ela teve o seu tipo de persuasão … mas nem tão influente quanto a sua… — Jacob disse, se aproximando.

_ Como assim? – Sarah perguntou.

_ A monstrinha jogou tudo nas minhas costas, inclusive a confiança… e ela é a única pessoa que não poderia confiar em mim. – Jake chegou perto de Sarah e respirou fundo, ponderando aquilo.

_ Uma alma boa… só isto… — A morena disse, com ternura. De repente Jacob fez uma careta de angustia e levou a mão no peito como se quisesse conter alguma coisa. Ao longe um uivo desolado se ouviu. – O que foi? – Sarah indagou, pegando o rosto de Jake por entre suas mãos.

_ Seth… — ele arfou. Sua ligação estrema com os lobos de sua matilha fazia com que sentisse a dor tão dilacerante de Seth ainda que não estivesse transformado. – Tive de lhe dar a ordem de não procurar Milla. – Jacob pegou as mãos da esposa e as beijou. – Não vejo saída para os dois… eu quero acreditar nisto, mas… não vejo!

Sarah o abraçou e Jacob sentiu o revigorado alívio que era ter o corpo quente e acolhedor dela junto do seu. O cheiro dela pareceu dissipar todos os maus odores que inalou nas ultimas horas. Ele beijou a curva do pescoço dela, como sempre costumava fazer, e apertou os braços envolta de sua cintura.

_ Eu vejo uma saída… mas vou precisar de sua ajuda e… por enquanto, terá de ser sigiloso… ao menos em partes… — Assim que a ouviu dizer aquilo, Jacob se afastou minimamente, somente para encorajá-la a prosseguir falando.

Sarah o pegou pela mão e o levou até o sofá. Se sentou e ele foi se sentar de costas para ela, encaixado por entre as suas pernas. Então, acariciando os cabelos negros dele, Sarah contou tudo o que podia contar e o que pretendia fazer. Jacob escutou tudo em silêncio, mas ficando cada vez mais tenso conforme ela prosseguia.

_ Se Milla aprender a controlar o seu desejo por sangue tudo será mais fácil para os dois. Porque assim ela preservará aquilo de humano que está nela, não se afastará do amor que sente por Seth. – Jacob continuou quieto e tenso. Sarah prosseguiu. – Então se ela resistir ao apelo do meu sangue, ela resistirá aquilo que há de mais forte para sua espécie… Um pouco a cada dia. Pode funcionar!

Jacob apertou as mãos no braço de Sarah que estava apoiado em seu peito e, com o maxilar travado, perguntou:

_ E se não funcionar?

_ Eu sei que vai funcionar… sei também que não vai ser fácil… nem rápido… mas vai funcionar! – Sarah disse, efusiva. Jacob saltou do colo dela furioso.

_ Não! Definitivamente não!

_ Jake… — Ela tentou argumentar, com voz doce, mas Jacob voltou a explodir.

_ O que você está me dizendo? Você ouviu bem o que está me dizendo? Que quer servir de isca para um vampiro recém-criado, com uma sede incontrolável? Que quer se expor e incitar esta sede cada vez mais até que Milla resista? NÃO! Isto é loucura e NUN-CA pode dar certo!

Sarah se pôs de pé com uma expressão tão tensa quanto a de Jake.

_ Deixe o seu lado de marido superprotetor de lado e pense Alpha Black! Pense! Esta é a única alternativa e você, enquanto líder e responsável pelos seus irmãos, não pode deixar esta chance escapar para proteger somente o seu lado da história! Ouviu bem? – Sarah disse, irritada.

_ Não, esta não é a única alternativa! Ela pode resistir de outra forma! Os Cullens podem ajuda-la nisto.

_ Os Cullens? Jacob, nem mesmo o Carlisle, o mais controlado deles, pode resistir ao apelo de meu sangue! Não, esta não é uma alternativa! Eu sei mais do que você pensa! Eu só te peço que confie em mim! Eu sei que vai dar certo!

Jacob riu sarcástico e balançou a cabeça diante do novo apelo sem sentido de Sarah. Ela bufou.

_ Você pode escolher: ou faz isto comigo… ou eu faço sozinha!

Jacob se virou com a boca aberta pra ela, a olhando incrédulo. Respirou fundo… de novo, tentando controlar os tremores na sua espinha.

_ Por que sempre tenho que acabar cedendo? – Ele disse, irritado. Mas Sarah sorriu e correu para ele, pulando em seu colo.

_ Só quero que tudo dê certo! – Ela sussurrou em seu ouvido.

_ Eu também… eu também… — Ele respondeu, acariciando seus cabelos longos.

_ Confia em mim? – Ela pediu. Ele sorriu e beijou a ponta do nariz dela.

_ Confio! Neste caso, não devia, mas confio!

Notas finais
Dificil isto não é? Milla teve a juventude rompida, a vida maculada... triste, eu sei. Mas não a nada que um coração valente não possa superar, e quando supera... haaaaa... não há nada mais sublime e admirável! Eu realmente me envolvo com meus personagens, é um apego que não tem explicação... mas é real, acreditem ou não. E é assim com toda a história... percebem??
TPB é, praticamente, um pedaço de mim...
A fic tem uma pág. no face, não estava mexendo nela muito, mas vou voltar a fazer isto!! Quem quiser dar uma curtida, vez ou outra eu solto um spoiler por lá: http://www.facebook.com/ThePreciousBlood
Ai ai... É isto por hoje, comentem e comentem que eu leio e leio e leio e escrevooo maisss!!!!
Estou tão saudosa de uma recomendação... não tem ninguém aí sentindo de me dar este presente?? Haha...
É isto, com o problema na minha net não sei qndo volto, mas não demoro muito!
Bjokas!