Notas iniciais
Será que aindaaa tem gente por aqui??? Hehehe... então lindas, é o seguinte, eu avisei que ia demorar mais que o comum pq ia ficar sem net... e fiquei, por longos e tortuosos dias!
Mas voltei, com mais um capítulo!!
Bora ler?

Jacob ainda ficou impressionado com a eficiência prática de Sarah. Ela colocou na cabeça que iria livrar Milla e Seth daquele beco sem saída e parecia uma leoa agindo, tirando qualquer pedra que se intrometesse em seu caminho. Jake assistiu, com espanto, Sarah pleitear sua substituição no hospital por Carlisle em cerca de uma hora. Ela praticamente fez Jacob o ameaçar de morte se algo acontecesse com seus pacientes enquanto ele estivesse em seu lugar, visto que ela não poderia dar este recado por si mesma, para não se expor.

_ Eu não confio em você vampiro! Mas não me resta muitas escolhas. – Sarah havia dito, quando eles -Carlisle, Jake e ela- saíram do hospital, após uma conversa com doutor Hanson, logo nas primeiras horas da manhã.

Naquele momento, os Cullens ainda estavam completamente perdidos com o que estava se passando na cabeça do casal Black, mas Carlisle viu no pedido de Sarah uma bandeira branca de paz e agarrou aquela oportunidade quase desesperadamente.

Jacob tinha recebido a garantia de que os elfos iriam vigiar La Push. Quendra queria descobrir algum rastro do vampiro que fez aquilo com Milla. Jake não entendia muito bem a repentina obsessão da Rainha para este caso entre tantos outros, mas não questionou. Ele não quis fazer uma reunião com toda a matilha, não queria ter que explicar muita coisa. Além disto, quando eles, os lobos, estavam todos juntos, a tensão sobre o que Seth estava sentindo se tornava pior. Ele procurou somente Leah.

_ Como assim? Sair? Viajar? – Leah começou a lhe dizer baixinho, mas com olhos já nervosos. – Você vai viajar com sua esposa e deixar meu irmão daquele jeito? Jacob, você sabe o que é ver o Seth… veja bem, você sabe o que é ver o meu irmão Seth, num estado lamentável de desesperança e tristeza? – Ela balançou a cabeça, suas mãos tremiam, tal como sua mandíbula. Conforme falava sacudia as mãos esbaforidamente. – Então você dá uma ordem de que não quer que ele procure saber o que aconteceu com seu imprinting e vem me dizer que vai viajar e ficar fora por tempo indeterminado? Jake, seu idiota! Isto não faz sentido!

_ Leah! Me escute! Eu estou indo a caminho, justamente, de uma solução para aliviar o sofrimento de Seth… e de Milla também! Eu nunca seria tão leviano de deixar um irmão da minha matilha pra trás assim! Eu não posso! Se você sente a dor do seu irmão eu a sinto mais, tenho certeza! Eu sou o Alpha, minha ligação com cada um de vocês é mais forte! – Jacob disse, também nervoso.

_ E o que você vai fazer? E porque não vai levar nenhum de nós? – Ela parou e estreitou os olhos. – E porque Sarah vai junto?

Jacob suspirou.

_ Se fosse para você saber dos detalhes, Lee, acredite, eu já teria dito. Mas eu não posso, saiba apenas que eu estarei fazendo muito mais do que eu acredito ser possível. E os riscos são grandes.

_ Jake… mas o qu…? – Leah começou a falar, mas Jacob a interrompeu.

_ Leah, eu só preciso que você ocupe o meu lugar, chefiando a matilha enquanto eu estiver fora. Já falei com Embry, ele também manterá tudo em ordem. – Jake olhou para loba e ela ainda lhe encarava com ar descrente e desconfiado. – Por favor, Leah. – Ele pediu. – Preciso que você seja esta ancora aqui!

_ Eu não sou tão forte, Jake. – Leah disse, e seu queixo estremeceu mais. Jacob foi em direção a ela, que estava encostada em uma árvore da clareira onde estavam, e a puxou, abraçando-a. Não demorou muito ela soltou um soluço e Jacob sentiu uma lágrima quente cair em seu ombro. – Eu não aguento ver aquele pirralho sofrer tanto… faça qualquer coisa Jake… qualquer coisa que pare com isto! – Ela sussurrou.

Jacob nada respondeu, sua garganta ficou travada, ele somente apertou Leah entre os seus braços e trincou os dentes. Se ele pegasse o maldito vampiro que causou tudo aquilo, faria questão de tortura-lo muito antes de destruí-lo.

Assim que Jacob se despediu de Leah, saiu para aquilo que seria a ultima parte dos seus “afazeres” no meio de toda aquela loucura. Sua cabeça ainda girava conforme corria em direção a casa dos Cullens, pensando em algo para dizer aos vampiros para tirar Milla de lá. Tinha certeza que eles a protegeriam, não confiariam que ele tiraria Milla de sua guarda e não a mataria.

Mas assim que ele passou para o lado dos Cullens da fronteira do antigo acordo, sentiu o rastro da meia vampira. Ela parecia estar sozinha. Foi o tempo dele se destransfomar e vestir rapidamente uma calça e ela apareceu. O cheiro de sangue animal ainda estava nela, parecia estar caçando. Jacob sentiu o estomago embrulhar, mas também sentiu uma angustia ao pensar que aquela teria de ser a vida de Milla de agora em diante.

_ Oi! – Ela disse, aparentemente tímida, com uma voz suave. Jacob não respondeu. A menina abaixou a cabeça e torceu as mãos. – Está indo ver Milla, não é?

_ Como ela está? – foi a única coisa que Jake conseguiu dizer. Sua voz saiu rouca e hostil. Renesmee suspirou e Jacob não sabia se era por Milla ou se era pela hostilidade dele.

_ Não grita, não se mexe, não fala e… quase não respira. Está contendo a dor. Minha mãe está com ela… é a que mais se lembra do processo de transformação, da dor…

_ Hum… — Jacob respondeu. – A diferença entre a sua mãe e a Milla foi que sua mãe se meteu nesta desgraça por escolha própria, então… — Renesmee travou a mandíbula pra Jacob e estreitou os olhos castanhos.

_ Sabia que ela sentiu dor? Minha mãe sentiu a mesma dor que Milla sente, mas ficou do mesmo jeito que Milla está agora, para que ninguém percebesse. Pensávamos até hoje que a morfina tinha tido efeito. – Renesmee falou, com uma atitude ainda prematura na tentativa de defender a mãe. Jacob balançou a cabeça e mordeu os lábios.

_ É… isto realmente se parece com Bella. – Jake sussurrou, e virou as costas.

_ Como você pretende tirá-la de lá? – Renesmee perguntou, dando um passo a frente. Jacob parou imediatamente, estacando no lugar onde estava.

_ O quê?

_ Você quer levar ela não é? Mas acontece que meu pai ainda não confia que os lobos desistiram de mata-la e minha mãe acha mais seguro pra todos que Milla fique na casa… então, não vai ser fácil pra você tirá-la de lá! – Renesmee perguntou com naturalidade, e Jacob franziu o cenho perigosamente, dando passos estreitos em direção a criatura de ar doce.

_ Como você sabe que vou tirá-la de lá? – Ele disse, absolutamente desconfortável, cerrando os punhos.

Renesmee sorriu e ousou se aproximar mais. Seu olhar ficou cuidadoso, sua expressão mais branda, um meio sorriso parecido com o de Edward, mas mais natural, surgiu em sua face. Ela elevou sua mão esquerda e disse:

_ Alguém me contou tudo… posso te mostrar quem… e como… — Seus olhos adquiriram o brilho dos olhos de uma criança que queria mostrar um trunfo.

_ Você é louca garota? Perdeu a noção do perigo? Do que está falando? – Jacob disse, e deu dois passos para trás.

_ Sua mulher me procurou… — Renesmee sussurrou.

_ O que? – Jacob demonstrou claro espanto. – Que jogo é este? – Jacob farejou ao redor, mas não sentiu nada, nenhum outro cheiro.

_ Deixe-me te mostrar. – Renesmee voltou a insistir, elevando a mão na direção de Jacob. – Não tem jogo… por favor! – Algo nos olhos dela fez Jacob ficar parado enquanto ela se aproximava.

E, conforme ela se aproximava, sempre com os olhos a encorajar confiança, a respiração de Jacob ficava mais tensa e seu olhar mais duro. Renesmee estremeceu. Sabia, diante daquele olhar, que um movimento em falso de sua parte faria com que sua cabeça fosse arrancada imediatamente. Mas continuou.

As pontas dos dedos mornos encostaram no rosto de Jacob e aquilo bastou para que uma avalanche de memórias estranhas lhe invadisse a mente. Ele passou a ver outras coisas…

Na visão Renesmee estava um pouco a leste do lugar onde eles estavam agora, balançando os pés sentada em uma pedra, aproveitando uns raios tímidos de sol. Mas eis que algo muito veloz passa perto da garota, as suas costas. Ela se virou e nada estava lá, não ao alcance de seus olhos.

Um cheiro doce e maravilhoso encheu suas narinas, ela inspirou e sua cabeça chegou a girar de prazer. Era um cheiro concentrado e puramente… humano… cheiro de sangue deliciosamente humano. Ela imediatamente refreou seus instintos e retesou os músculos.

_ Quem está aí? – Perguntou ao relento e então, um som abafado de um salto foi ouvido por ela em suas costas.

Ela se virou e, quando viu aquilo na mente da hibídria, Jacob se espantou. Lá estava Sarah, com a mesma roupa e sorriso que ele a deixou quando se despediu para encontrar Leah.

– Você… o que faz aqui? – A hibídria perguntou, tensa. Claro, aquele cheiro só podia ser dela!

_ Caçando, Renesmee? – Sarah perguntou, ignorando a fala de Renesmee e pendendo a cabeça de lado, com olhar estranho… muito estranho…

_ Sim… como você veio parar aqui? … Como você foi tão… rápida?

Sarah gargalhou, divertida.

_ Está parecendo uma versão distorcida da Chapeuzinho Vermelho, Renesmee… com tantas perguntas.

A bela morena pareceu muito mais rápida que Edward, enquanto foi se sentar na pedra que antes Renesmee sentava.

_ Eu sabia… meu pai estava certo achando que tinha algo estranho em você! Você não é humana! … Não pode ser! – A garota disse, arregalando os olhos para Sarah. Mas a morena apenas ergueu suas sobrancelhas.

_ Será que você é digna de se confiar um segredo, Renesmee? – Ela perguntou, pela primeira vez séria.

_ Você já se expôs… e se eu não for confiável?

Um sorriso velado, que Jacob conhecia tão bem, apareceu na face de Sarah. Era aquele sorriso que ocultava muita coisa, coisas que ela conhecia. Tantas vezes Sarah sorriu pra ele daquela maneira… quando ele pensava estar enganando-a, escondendo algo dela. Então ela sorria como se dissesse que sabia exatamente o que havia dentro dele. Jacob concluiu, com espanto, que aquele sorriso que Sarah deu a Renesmee significava apenas que ela já havia feito o seu julgamento sobre a hibídria. Ela confiava nela.

_ Você seria capaz de me morder? De me morder sabendo que não importava o que você fizesse, você não conseguiria parar enquanto não drenasse todo o sangue do meu corpo? – Sarah perguntou, enigmática, se levantando lentamente.

_ Não! Nunca! – A menina respondeu, espantada.

_ E você seria capaz de lutar e vencer todos os instintos que fazem parte de você pra isto? — Sarah se aproximou mais, Renesmee se afastou, engolindo em seco.

_ Eu não vou te morder. Não posso!

_ Não? – Sarah perguntou, e de repente o cheiro dela ficou mais forte, muito mais atraente. Renesmee arregalou os olhos e colocou as duas mãos na frente do nariz e boca.

_ O que está tentando fazer comigo? – A garota perguntou. Jacob percebeu a imagem do rosto de Sarah, mostrado naquela visão maluca, se turvar em uma expressão lamentosa.

_ Um teste… Você não chegou a encontrar nenhuma presa não é… há quanto tempo não caça? – Sarah disse e tirou uma pequenina lâmina reluzente do cós de sua calça. Renesmee sacudiu a cabeça e abanou as mãos desesperadamente em direção a Sarah, pulando veloz nela antes que ela fizesse aquilo.

Mas ela não foi tão rápida a tempo de conter o movimento da morena e a impedir de fazer um corte profundo em sua pele. Renesmee viu o sangue saindo do ferimento antes mesmo de ter todos os seus sentidos dominados pela necessidade extrema de beber…

Sarah ficou parada, sem fazer um único movimento, observando uma sombra se fazer embaixo dos olhos achocolatados, as bochechas ficaram purpuras e a expressão juvenil tão pura se contorceram para algo selvagem e irracional… era como um demônio se expondo nos olhos de um anjo. Os cantos dos lábios da hibídria se repuxaram levemente, se abrindo. A meia vampira deu mais um passo e pegou o braço ferido e inerte em suas mãos, mas então, ouviu um sussurro…

_ Vai me matar se fizer isto… eu ainda sou humana Renesmee… como uma parte de você é!

Renesmee ergueu os seus olhos e encarou as pupilas da mulher a sua frente, com expressão resoluta. E, refletido nos olhos dela, Renesmee viu algo que jamais vislumbrou em sua vida. O seu demônio interno dominando sua expressão… a fome consumindo seus sentidos. Algo, lá no fundo, dizia que a forma como ela salivava e contorcia os lábios era errada, mas a ansiedade pelo prazer de saciar sua fome parecia tão mais forte… mas não tão certa…

Ela ergueu o braço, cujo sangue estava sendo derramado, em direção aos seus lábios, mas não deixou de encarar aquelas pupilas reluzentes… pupilas de sua vítima, que pareciam tão pulsantes… com algo tão precioso e sagrado resguardado dentro delas. Parecia que uma chama habitava o interior dos olhos de sua vitima, algo muito forte e muito além do que aquele corpo regado de sangue suculento em suas mãos parecia capaz de conter… algo mágico e apavorante…

Então a meia vampira recuperou o mínimo controle sobre suas ações e, só aquele tantinho de controle bastou para que ela largasse o braço de Sarah e se afastasse furiosamente dela, com a cabeça zonza. Ela recostou-se em uma árvore e trancou a respiração. Levou as mãos no ar e pegou algo que lhe foi jogado intuitivamente.

Era uma garrafa, com um liquido vermelho dentro. Era sangue! A hibídria arrancou o gargalo e despejou os dois litros de um sangue desagradavelmente inóspito pra dentro de sua garganta com desespero supremo.

Mas a visão foi cortada naquele exato momento. Jacob, furioso, agarrou a mão de Renesmee e a tirou de seu rosto bruscamente. Depois agarrou-lhe o braço com punhos de aço e a empurrou para o tronco de uma arvore com um rugido. A árvore sacudiu perigosamente. Ele ergueu o braço em uma velocidade absurda, o punho fechado e a expressão feroz. Renesmee fechou os olhos e soltou um engasgo. Sentiu o silvo do vento zumbir nos seus ouvidos quando o homem lobo levou o punho em sua direção com toda a sua força e velocidade.

O golpe acertou em cheio o tronco na região bem acima da cabeça de Renesmee, espatifando a arvore e a fazendo desabar em cima deles. Os troncos bateram nas costas e cabeça de Renesmee, rasgando suas roupas. Ela se ajoelhou, colocando as mãos na cabeça até que os pedaços de arvore parassem de cair.

Mal houve tempo de ela abrir os olhos e ver que a arvore já estava desabada ao seu redor, sentiu seus cabelos serem pegos pela raiz e todo o peso do seu corpo ser erguido com um puxão dos seus cabelos. A mão de Jacob ainda sangrava por causa do ferimento que o golpe causou, mas ele não parecia perceber aquilo.

_ Eu não tenho pena da sua carinha doce… escutou bem, coisa? – Ele sibilou em seu ouvido. – Se a ideia de morder a minha esposa passar pela sua cabeça novamente será a sua sentença de morte!

Renesmee bufou furiosamente.

_ Ainda não acabou! – Ela disse, impaciente, o coração veloz ainda mais rápido. Agarrou a pele do braço de Jacob e mais imagens surgiram na mente dele.

Ele a empurrou longe, interrompendo o contato. Mas ela não desistiu, foi pra cima dele e, na fração de segundo que conseguiu tocar Jacob novamente, antes de ser jogada no ar, bastou para mostrar algo que o fez parar.

_ Ajude Jacob a chegar até Milla, apenas isto… Você irá conosco, vamos precisar de você sim!- Foi o que Sarah disse a Renesmee.

Jacob olhou pra menina que se levantava sacudindo a terra e galhos dos cabelos, passando os dedos pela ferida mínima que sangrava em sua testa, que parecia se fechar rapidamente. Balançou a cabeça, confuso.

_ O quê? – Perguntou.

_ Você é teimoso, turrão e mal educado! Já ouviu a coisa toda de conversa civilizada? É assim: você espera a pessoa terminar o que tem a dizer e depois tira as suas conclusões, ok? – Ela disse, sua voz bem mais aguda. Olhou para a manga em frangalhos de sua blusa e a arrancou raivosamente. – Como vou voltar pra casa neste estado? – Ela pôs as mãos na cintura e olhou pra Jacob com as sobrancelhas erguidas, com o rosto juvenil muito… bravo?

Não perecia nem um pouco temorosa pra figura ainda bufante e tensa dele a sua frente, alguém muito disposto a lhe matar. Jacob rolou os olhos, foi pra cima dela rapidamente e a garota pertinente não arredou pé de seu lugar, continuou a encará-lo desafiante.

_ Posso te matar… e gostaria muito de fazer isto! – Ele disse.

_ Isto não é novidade… escuto esta sua conversa antes mesmo de eu nascer, então… estou vacinada. – Ela cruzou os braços e fez um bico. O que Sarah poderia querer com aquela vampira-lata mimada?

Jacob, impaciente, pegou o braço da menina e colocou a mão dela em seu rosto sem nem um pingo de delicadeza.

_ Mostre tudo! – Ele ordenou. Renesmee fez um muxoxo e mostrou…

Sarah havia contado quase tudo a hibídria, mas se esquivou o máximo que pode por revelar a sua essência particular.

_ Digamos que sou apenas… uma humana excepcional. Não há nada, além disto, que alguém precise saber. – Ela disse, respondendo a pergunta de Renesmee.

A morena contou, ainda, cada detalhe do que havia se passado entre Seth e Milla, da maneira como o destino dos dois havia sido corrompido. Aos poucos o desconforto da hibídria perto dela diminuiu, à medida que Sarah conteve o seu odor novamente. Sarah também disse a Renesmee que planejava levar Milla para longe de todos, e fazer a mesma coisa que fez com a meia-vampira: por o instinto a prova, para que ela resistisse como Renesmee provou ser possível resistir.

Renesmee agiu com espanto, achando ser loucura e muito arriscado. Neste ponto Jacob concordou com a vampirinha, erguendo uma sobrancelha para ela.

_ Como vai fazer isto? – Renesmee perguntou a Sarah.

_ Com uma ajuda mágica e... um pouco de tato. – Sarah respondeu. – Mas nem eu e tampouco Jacob poderemos ficar muito próximos de Milla nos primeiros dias sem que isto seja torturante pra ela. Ela vai precisar de companhia... companhia de alguém que saiba mais do que nós o que ela vai passar, que lhe ajude a pensar em coisas que a faça resistir... e tem de ser uma companhia que entenda o lado dela, mas que não se torne um problema em todo o processo... entende?

­_ Eu? – a menina indagou, apontando o próprio peito. – É por isto que me testou?

_ Não poderia ser outro... Não da sua espécie. Nenhum outro resistiria… Você resistiu porque foi condicionada a isto a vida inteira e porque tem seus instintos abrandados pela sua parte humana. Tem de ser você... agora resta saber se você faria isto... – Sarah fez aquela insinuação estreitando os olhos em direção à garota, como se a avaliasse milimetricamente, vendo muito mais coisas do que ela mostrava. – …esconder tudo dos seus pais… sair de perto de sua família... confiar em mim… fazer tudo isto por alguém que você encontrou há menos de doze horas… uma desconhecida…

Renesmee parou um instante, se dando ao luxo de respirar profundamente perto de Sarah, mas sentindo a sede queimando sua garganta feito ácido.

_ É o que precisa ser feito… e se não há ninguém além de mim… eu faço! – Ela disse, com voz baixa, mas determinada. Sarah sorriu.

Desta vez foi Renesmee quem tirou a mão do rosto de Jacob por conta própria e se afastou.

_ Então é isto. Entrei na loucura da sua esposa e você vai me ter na bagagem para esta jornada! – Ela disse. – Se você não quer isto, fale com ela! O que ela me disse é que nós vamos parar no lugar certo assim que eu, você e Milla estivermos reunidos e a sós. Como isto vai acontecer ela não me disse.

Jacob gargalhou.

_ Sarah só pode ser louca!

*******

Por Ludimilla Werner

Sentia cada coisa que estava ao meu redor com extrema precisão. Sentia aquilo que compunha as fibras do tecido que eu estava deitada, sentia os ácaros do lugar tocando minha pele. Meu peito parecia estar preso, petrificado, meus pulmões não estavam cheio de ar e eu, por alguma razão, não respirava… eu sentia que não precisava fazer isto.

Abri os meus olhos e, tal como o meu tato estava tão mais apurado, minha visão também estava. As paredes do lugar onde eu estava eram feitas de madeira, e eu distinguia muito bem cada nódulo daquela madeira, podia até conta-los. Era um lugar simples, extremamente simples. Mas minha atenção não estava presa aquilo. Eu procurava outra coisa, outra coisa era mais vital para mim e era isto que todos os meus sentidos ansiavam por identificar.

Em um movimento mais rápido do que eu pensava que seria, eu estava em pé, com a postura rígida, vasculhando os odores ao meu redor. Foi então que percebi algo errado: eu não podia sentir cheiro algum, porque eu não conseguia sugar o ar pra dentro de mim. Aquilo me agoniava, me revoltava!

Mas eu podia ouvir!

Eu ouvia o crepitar de ondas, indicando que o lugar onde eu me encontrava estava a cerca de seis quilômetros da beira-mar; ouvia os pássaros, muitos pássaros diferentes... eu podia ouvir até o coração das aves mais próximas batendo; ouvia patas de animais pisarem em uma superfície fofa, de um chão que parecia arenoso. Areia, só podia ser areia. No chão que eu pisava, podia sentir so os meus pés calçados, mesmo sem olhar, o ínfimo relevo que alguns grãos de areia causavam na sola do meu calçado. Os grãos de areia se esfregavam contra a madeira ao mínimo movimento que eu fazia, fazendo um ruído áspero. Eu podia controlar estes movimentos até ficar imóvel e deixar de produzir qualquer som. E assim fiz.

Como era fácil adquirir a imobilidade inanimada de uma rocha. Era absolutamente natural e confortável ficar… petrificada.

_ Deixe ela nos ouvir… — uma voz cadenciada, sussurrada ventosamente, chegou aos meus ouvidos, como se perfurasse uma barreira que antes a impedia de ser ouvida. Uma espécie de desespero veio até mim, pois eu ouvi a voz, mas não ouvi e nem senti nada que delatasse a fonte produtora daquela voz. Onde estava o ser que falou?

Meus músculos se retesaram, meus ombros se projetaram minimamente para frente, meus joelhos se flexionaram e minha coluna se inclinou. Defesa! Eu precisava me defender daquilo que eu não conhecia, não identificava.

_ Se acalme, Milla. Sou eu, Renesmee. – Foi o que a voz disse. Mas eu não prestei muita atenção nisto, me interessava muito, mais muito mais naquilo que passei a ouvir e sentir.

Uma pulsação veloz e leve, ininterrupta, trabalhando para fazer correr sangue em um corpo. E o cheiro… doce… suavemente doce… agradável e saboroso.

Senti a secura da minha garganta assim que me deparei com aquelas coisas novas, uma secura que era dolorida, doía como laminas rasgando cada fibra da minha boca e garganta. Estas lâminas pareciam férvidas, produzindo uma ardência aguda nas minhas entranhas. E cada minúscula célula do meu corpo necessitava saciar-se, ser irrigado… eu precisava beber. Estava sedenta, absurdamente sedenta e aquele cheiro incandescia meus sentidos.

A fonte causadora de tudo aquilo estava bem atrás de mim, parada, respirando, com o seu coração pulsando cada vez mais apelativo pra mim. Havia coisas além… outros talvez… mas eu não podia distinguir muito bem… deveria poder distinguir. Poderia ter outro que quisesse tomar de mim aquela presa, alguém que me impedisse de saciar a sede que me consumia e eu não podia deixar!

Um rugido se formou lentamente no fundo da minha garganta e soou baixo, escorregando pelos meus lábios, que se repuxavam. Havia mais um coração por perto, também batendo, só que eu não podia sentir outro cheiro. Esperei milésimos de segundo, tentando captar os movimentos que aquele outro ser faria… mas nada. Eles estavam quietos. Sorri com isto. Seria fácil, bastaria um salto e eu alcançaria a fonte do cheiro atrás de mim.

Me virei lentamente, ainda com as costas inclinadas, e me deparei com os olhos apreensivos da minha presa.

_ Milla? – A presa disse. – Sou eu, Renesmee. Lembra de mim?

Salivei. Uma saliva espessa, vinda da secura de minha boca. A garganta continuava a raspar. Meus olhos focaram em um ponto específico do corpo a minha frente. Abaixo da cabeça, acima dos ombros, o esguio pescoço, branco reluzente, com uma veia do lado esquerdo fazendo a pele pulsar para cima. Ali estava a fonte. Fechei os olhos só para ouvir o som maravilhoso do liquido correndo dentro daquele corpo, as batidas molhadas de sabor daquele coração.

_ Controle a sua sede, Milla! – Aquilo veio dos lábios da presa? O rugido que me escapava vez ou outra se transformou em um som debochado e desleixado… o controle da minha sede iria vir assim que ela me desse o seu sangue.

Saltei, já abrindo a boca para abocanhar o pescoço…

Mas eis que algo me interrompe de chegar até ela. Eu bati contra o nada e a força com que me lancei sobre a presa me fez cair para trás assim que dei de encontro com a barreira invisível. Rugi de frustação e ódio. Saltei antes mesmo que todo o meu corpo tocasse o chão e investi em outro ângulo, mas havia a mesma barreira lá.

_ Milla, pare com isto! Se controle! Não deixe o instinto de dominar! Pense, encontre a sua humanidade aí dentro! – A presa tagarelava, mas eu não me importava com aquilo. O que interessava era que eu precisava me saciar, algo suculento estava a minha frente e eu não conseguia chegar até ela.

Meus rugidos começaram a sair cada vez mais agudos. Teria de haver uma maneira! Saltei e golpeei contra a barreira invisível inutilmente e aquilo só fez minha raiva aumentar. Não conseguia ficar parada, meus rugidos saiam felinos e altos, ficavam roucos conforme a fúria pela minha insuficiência aumentava.

_ Pare com isto! – A voz da presa estava quase esganiçada em desespero.

_ Saia daí agora Renesmee!

_ Não! Ela só precisa se acalmar. Não deve durar muito este surto, minha mãe disse que…

_ Sua mãe não é uma referência de fúria nem como vampira, Renesmee!

Outra voz entrou em ação, mas estava do outro lado do cubículo que eu estava presa. Minha agonia fez com que eu destruísse tudo o que estava a minha frente. Estilhacei parte da cabeceira de uma cama com os dentes.

_ Milla…

_Saí daí!

Eu parei. Fiquei estática de repente, fechei os olhos, tranquei a respiração. Os outros ficaram silenciosos. Evitei sorrir quando percebi que a minha presa deu um passo em minha direção.

_ Eu disse… disse que ela ia se acalmar.

_ Não se aproxime! Não… — a voz grave e rouca dizia.

Mas ela avançou. Continuei imóvel, por um tempo, esperando ela se aproximar mais... só mais um pouco.

_ Milla, só mantenha a respiração presa. Vamos sair pra caçar e isto vai melhorar.

Ela deu mais um passo e eu avancei. Um rosnado alto foi ouvido, ao mesmo tempo que eu fui barrada por algo, que me entorpeceu os movimentos, a presa voou pra longe de mim, desviando de uma pata gigantesca.

Um enorme lobo surgiu do nada na minha frente, suas orelhas baixas, sua pelagem reluzindo na iluminação escassa, seus dentes arreganhados perigosamente, seu odor invasivo poluindo tudo…

Mas quando eu mirei aqueles olhos, ferozes e profundos, eu… eu senti…

Como se algo submergisse de uma profundidade muito grande… vinha-me toda aquela turbulência, todas aquelas sensações e lembranças nebulosas. Era como algo vindo a superfície penosamente, escavando um caminho árduo e doloroso até lá. Eu senti aquilo vindo, nadando contra o que parecia ser concreto espesso dentro de mim… lutando contra a minha monstruosidade e vindo… eu senti!

E me lembrei…

_ Seth… — foi a primeira palavra que saiu de mim com aquela voz tão estranhamente linda.

Notas finais
Espero que vcs ainda estejam aqui, empolgadas para comentar!
Senti muita falta disto! Eu sei que muitas de vocês ficam tristes pelas coisas que tiveram que acontecer, mas é o que pede a história. Coisas grandes vão acontecer, mas nada tãooo agradável feito com cheirinho de flores... é hora dos espinhos! Vão continuar comigo??
Ah, eu tive um trabalho do caraiii pra escrever este POV da Milla despertando como vampira... o que vcs acharam??? Me falemmm!!!
É isto, nos vemso nos comentários (espero que tenha) e amanhã eu posto mais um! Bessos!