The Precious Blood
43 O PODER
A ilha em que Milla, Jacob, Sarah e Renesmee foram levados por Niadhi era extensa, com um clima tipicamente tropical dos países equatorianos, e era completamente deserta, sendo habitada somente pelos quatro. Ela não estava no mapa e nenhum deles tinha a exata consciência de como chegaram até lá. Foram levados, aparentemente, inconscientes por Niadhi. Quando deram por si, Milla estava no fim de sua transformação presa em uma bolha mágica, dentro um quarto de uma casa singela.
A única coisa que Jacob se lembrava antes de ir parar no completo nada que era aquela ilha, era do momento em que chegou na casa dos Cullens, com Renesmee ao seu lado, completamente esfarrapada depois do breve contratempo que tiveram na floresta. Eles enfrentaram uma avalanche de perguntas por parte dos vampiros e por um fio não houve uma desordem completa, com uma luta acirrada entre os vampiros e o lobo. Os que evitaram isto foram Carlisle e Esme, que sugeriram que eles ouvissem Renesmee e Jacob com mais calma.
Jacob deixou a “bomba” para Renesmee e subiu até o quarto onde Milla agonizava em silêncio. Bella estava com ela, a cabeça da menina apoiada em seu colo, os lábios próximos aos seus ouvidos sussurravam toda a sua história para garota, os motivos dela ter se transformado e como lutava diariamente para resistir a sede de sangue. Jacob ouviu uma ultima frase antes que Bella se calasse para lhe encarar.
“Foi tudo por amor… é sempre a razão mais forte…” Bella disse.
Assim que avistou Jacob, Bella não deu uma palavra, apenas deixou o quarto e foi ao encontro de Edward, que parecia mais nervoso que o comum enquanto sufocava Renesmee de perguntas. Fazia isto porque percebeu que a filha fazia esforço para esconder algo em seus pensamentos.
Jacob ousou se aproximar de Milla, mas ela continuou imóvel. Enquanto isto, escutava a briga da família de sanguessugas no andar de baixo.
_ O que você quer esconder!? – Edward praticamente rugia para a filha, que já tinha a voz embargada em soluços.
_ Mãe, me dê um pouco de paz! – A hibídria pedia a Bella, provavelmente se referindo ao escudo que sua mãe poderia dar a sua mente, evitando que o pai a vasculhasse.
_ O que está acontecendo filha? Diga e tudo ficará mais fácil.
_ Bella, será que você não vê que isto só pode ser coisa daquele cachorro sarnento?! Deixe eu ir até lá e mata-lo logo de uma vez que os nossos problemas acabam! — Rosálie disse, mas foi contida por Carlisle pelo que parecia ser a décima vez.
_ Jacob tem algo a ver com o seu estado Renesmee? – Esme perguntou, suavemente. E foi naquele instante que a hibídria fez o seu mais arriscado jogo. Ela balançou a cabeça e afirmou.
Bella arregalou os olhos, Rosálie rugiu, e Edward estreitou os olhos em direção a filha. Por um segundo a mente dela ficou em branco, ela pensou em algo que ele não pode ouvir, ou identificar.
No andar de cima Jacob praguejou baixinho, tendo agora a certeza de que sua esposa havia confiado errado. Decidiu pegar Milla e tentar sair dali. Mas quando tomou a garota rígida e fria nos braços ouviu Renesmee falar.
_ Acho que ele pode explicar melhor do que eu… eu… eu… eu já volto. – Ela disse e partiu escada acima velozmente. Edward e Rosálie tentaram ir atrás, mas Bella disse:
_ Deixe que ela o traga até nós! Jacob irá nos explicar tudo o que está acontecendo.
Mas o fato foi que, depois que Renesmee irrompeu pela porta do quarto onde Jacob mantinha Milla nos braços, nenhum deles se lembraram de mais nada a não ser um céu esplendorosamente azul, com um sol resplandecente. No breve segundo em que os três ficaram a sós, tal como Sarah havia alertado Renesmee, eles foram transportados por Niadhi. Eles só precisaram de um segundo.
Dois dias depois, Milla despertou como vampira. Quando o coração da garota dava a sua ultima batida, Renesmee e Jacob esperavam angustiados do lado de fora do quarto. Somente Niadhi estava com ela, porém Milla não podia vê-la. Isto até o momento em que Renesmee decidiu ir até a recém-criada e foi aí que Milla teve o seu primeiro surto de sede.
Ela só se conteve no breve momento em que se deparou com Jacob em sua forma lupina, que acabou lhe incitando as memórias que o instinto havia conseguido suprimir. Enquanto Milla permaneceu abismada com o lobo a sua frente e todas as suas memórias sepultadas ressurgindo, Renesmee saiu apressada e voltou rapidamente com uma pantera presa nos braços, jogando-a para Milla.
Milla só se alimentou do animal por causa do cheiro de Renesmee lhe incitando e a fome exagerada que sentia. Jacob ficou todo aquele tempo observando-a com olhos insondáveis, escondendo que, em sua mente, todos os seus irmãos compartilhavam aquela cena, inclusive Seth.
_ Não é o que eu quero… — Milla disse, depois de jogar a carcaça da pantera de lado e observar, abismada, suas mãos sujas de sangue. – O que eu sou? – Ela perguntou, se virando para as duas criaturas que lhe encaravam.
_ Uma vampira… você agora é uma vampira, Milla. – Renesmee disse, quase inaudivelmente.
Jacob observou Milla levar as mãos para o meio de seus seios e pressionar lá, como se sentisse a ausência de seu coração.
_ Minha mãe…
_ Sua mãe… sua mãe se foi, Milla. Ela morreu. Eu sinto muito! – Renesmee sussurrou. Sua voz pesarosa tinha alcançado um tom infantil ao pronunciar aquela frase.
Jacob não suportou por muito tempo todas aquelas explicações e, tampouco, a voz tão melancólica e cantante da Milla vampira. Saiu impaciente, deixando as duas garotas sanguessugas para trás. Se destransformou rapidamente, antes que Seth saísse de seu topor e começasse a fazer perguntas que ele não poderia e nem saberia responder, e foi atrás de sua esposa.
Sarah se manteve a distância, por ordem de Niadhi e reforço de Jacob. Durante todo aquele tempo ela esteve no lado oposto da ilha, onde seu cheiro não estaria ao alcance de Milla. Aquela não era a hora de entrar em jogo, não ainda.
Jacob sentiu com precisão quando atravessou a barreira elfica que ocultava a presença de Sarah para Milla. Não demorou muito, seus sentidos captaram o cheiro de sua esposa no vento, parecendo mais livre que o comum. Sentiu também o indiscutível aroma de peixe assado.
Ela estava a frente de outra choupana tal como aquela em que Milla foi abrigada, só que esta estava no centro da mata. Ali eles tinham somente o básico para sobreviver e a aparência daquelas casinhas de sapê, tanto por fora quanto por dentro, lembrava a Jacob casas de pequenas aldeias de pescadores.
_ Como ela está? – A voz de Sarah questionou, quando Jacob ainda estava longe. Ela mexia na pequena fogueira improvisada onde assava dois peixes grandes que pareciam muito apetitosos.
_ Ela quase matou Renesmee. Isto porque o cheiro da monstrinha não é tão apelativo quanto o de um humano. – Jacob disse, com cara de poucos amigos. Ele ainda permanecia arredio com Sarah, por achar aquela ideia incabível. Ela, no entanto, sorriu docilmente, quase abalando a carranca de Jacob.
_ Ela aprenderá a resistir a Renesmee ainda esta noite. O primeiro surto de sede é sempre mais forte… E depois, lá pela sua terceira caça, eu a imporei ao meu cheiro. – Ela sorriu. – E aí então você vai ver o que é um surto de sede, amor.
Jacob ergueu as sobrancelhas e encarou Sarah com uma mistura de incredulidade e raiva. Onde ela estava com a cabeça?
_ Em que momento aquela mulher que odiava sequer pensar em vampiros foi trocada por você? – Jacob balançou a cabeça quando Sarah gargalhou. – Eu não acredito que isto pode funcionar! – Ele afirmou, se aproximando da esposa somente para mexer nos peixes que ela preparava. Sarah bufou.
_ Você é muito pessimista e descrente! Isto sim! Você já viu que isto funciona com Renesmee. Ela vem me resistindo cada vez mais.
_ E eu pensando que você tinha tido um surto insano de bondade ao confiar na vampira-lata… e, na verdade, você está fazendo ela de rato de laboratório... ou morcego de laboratório, eu não sei! – Jacob balançou a cabeça.
Ele disse isto, pois em todos os momentos em que Sarah se encontrava com Renesmee, desde que estavam ali, ela não se preocupou nem um pouco em conter o seu cheiro. Pelo contrário, às vezes até se “cortava” acidentalmente perto da meia vampira. A coitada ficava loucamente perturbada e Jacob a via se alimentar muito mais que o comum com sangue de animais para tentar manter a cabeça no lugar.
_ Está com pena dela? – Sarah perguntou, estreitando os olhos para Jacob.
_ O quê? Eu, com pena daquela… daquele… projeto de monstro? Nunca!
Sarah sorriu, achando a negação de Jacob completamente insustentável.
_ Acredite, estou fazendo um bem pra ela ao provar seu instinto. Coisa que a família superprotetora dela não faria. Eles a mimam demais. De certa forma estou a “reeducando”. Não que esta seja minha função... mas...
Sarah retirou os peixes assados da fogueira e os levou, nas folhas de bananeiras que estavam, para dentro da pequena cozinha da casa.
_ Vem comer. – Ela chamou Jake, que a encarava ainda carrancudo. Quanto tempo ele sustentaria aquilo?
Ele parecia fazer uma greve de silêncio ou algo do gênero. Comeu completamente circunspecto, pensativo, sem encarar a esposa por muito tempo. Sarah começou a se sentir mal, a se sentir uma estranha perto dele. O peixe, ainda que saboroso, começou a descer como um bolo em sua garganta. Ao fim da refeição, Jacob limpou os restos que havia e saiu sem falar nada, ainda pensativo.
Escutou o suspiro angustiado de Sarah dentro da casa.
_ Eu não estou sendo louca ou masoquista, Jacob! Será que você não entende? Será que você não vê que isto é tudo o que é necessário fazer, o que é preciso fazer? Não me condene! – Ela disse, com a voz apertada. Há quanto tempo ele não lhe dava sequer um abraço? Há dois dias, quando saíram de Forks?
_ Eu sei disto. Sei que é só o que nos resta para tentar dar uma solução para Milla e Seth… É por isto que estou aqui! E... não é isto que me incomoda. – Ele disse, ainda de costas pra ela, os braços cruzados e os músculos tensos.
_ O que te incomoda então? O que te faz ficar longe de mim? – Ela disse, engolindo o orgulho e desabafando aquela frase quase como um lamento, quase implorando por aconchego. Jacob apertou os olhos e trincou o maxilar.
_ O que me incomoda é aquilo que você esconde… — ele sussurrou. Sarah estremeceu, da cabeça aos pés.
_ O quê…? – Ela devolveu, em um murmúrio tão mínimo quanto o dele.
Jacob se virou lentamente para ela, seus olhos não estavam mais duros, estavam angustiados.
_ Sarah… Eu conheço tudo em você! Cada traço do seu rosto, cada expressão, cada reflexo do seu olhar! E eu sei o quão bem você pode esconder coisas que te torturam, traumas apavorantes… tão bem… eu sei quando você se reveste de aço, e se mantém próxima emocionalmente só o suficiente para que sua barreira não caia. Você está fazendo isto agora! Está me escondendo coisas desde quando foi a casa de Milla, pela primeira vez! – ele disse.
_ Jacob… eu não…
_ Não vai me contar? Ou vai negar que está acontecendo algo mais sério do que tudo isto?
Sarah engoliu em seco e abaixou o olhar.
_ Você me diz que sabia muito bem o que fazia… de uma hora pra outra resolve apostar na hibídria sua confiança, testá-la, fazê-la resistir; acredita que Milla vai resistir a você, coisa que nenhum vampiro é capaz de fazer; coloca Carlisle no seu lugar no hospital… Tudo isto sem explicação alguma! – Sarah continuou em silêncio, Jacob suspirou cansado. – Não é só pra ajudar Milla que você trouxe Renesmee aqui, e não adianta me negar isto… Não é só pelo Seth, apesar de este ser um motivo mais forte, que você insiste tanto que Milla resista a você e não somente aos humanos. O que está acontecendo Sarah?
_ Eu… eu não sei ainda Jake… eu…
Jacob a interrompeu, soltando algo como uma risada e um rugido.
_ Não tente mais me esconder coisas, Sarah! – Ele vociferou.
_ Como você me escondeu a visão que tive com um vampiro meses atrás? – Sarah respondeu exaltada diante da acusação de Jacob, logo se arrependendo.
_ Aquilo foi uma ordem de Quendra, eu não tive como… — Mas Jacob parou no meio da frase, com uma luz de compreensão fazendo seus poros tremerem. Ele voltou seus olhos para Sarah e a percebeu vacilar. – Você… você o viu de novo…? – Aquilo seria uma pergunta, mas soou com tom de certeza. Jacob se lembrou das palavras que Quendra ao que parecia ser uma eternidade atrás.
“É uma certeza, vai acontecer…” A Rainha havia dito que a visão de Sarah com aquele vampiro ia acontecer de qualquer forma. Que era um carma na vida de Sarah...
_ Eu… — Sarah tentou dizer algo, algo que desfizesse a agonia que tomou conta do olhar de Jacob, mas aquela agonia a perturbava completamente. Ela abaixou a cabeça e uma lágrima fina escorreu de seus olhos. Sua força diante das repetidas visões que vinha tendo dia e noite naqueles dias, vacilou naquele exato momento, diante daquele olhar de Jacob. Só então teve medo, só então desmoronou e deixou de ocultar aquilo que o destino lhe reservava, as transformações tão extraordinárias que estavam borbulhando nela, dia após dia.
Ela tentou tanto, se esforçou tanto para esconder tudo o que estava passando de Jacob... mas havia fracassado!
O coração de Jacob falhou uma batida. Então ele correu para ela e pegou sua face entre as mãos.
_ O que? O que você viu? O que você sabe? Quem é ele? – Jacob dizia desesperado. Sarah respirou fundo e colocou os dedos nos lábios de Jacob, o silenciando. Seus olhos o encararam vidrados.
_ Ele vai chegar até mim… mais cedo ou mais tarde… — Jacob soltou um esgar. Os olhos dela se tornaram ferozes de repente. – Mas ele não vai chegar até você! – apesar da voz dela não passar de um sussurro, o tom era de dar medo, completamente resoluto.
_ Não… ! Eu prometi… eu não vou deixar, não vou deixar que ninguém chegue perto de você, eu…
_ Shiii... – Ela disse, novamente o silenciando, desta vez com um breve roçar de lábios. — Se você quer que eu explique o que está acontecendo então… você vai precisar ser forte. O desespero só vai fazer tudo pior.
Jacob a olhou mais atento, mais sedento, como se quisesse tatuar a imagem dela em suas retinas. Depois a abraçou, a envolveu no tão aclamado abraço caloroso que só ele podia dar. Naquele aperto, que parecia ter toda a segurança do mundo, Sarah começou a dizer tudo o que estava mantendo só pra si por aqueles dias.
_ O mesmo poder que os elfos… Eu tenho. Eu posso ver além, aqueles pontos distantes para onde o destino nos suga. Por vezes são apenas sensações, como intuições que eu sempre tive, mas que vem ficando mais fortes a cada dia. Outras vezes são cenas conturbadas, sem cenário claro, mas que me revelam coisas das quais não podemos fugir. Nada é completamente definido, como se tivesse hora marcada… ou dia. Não é nada disto. A única coisa que eu sei é que vai acontecer, porque faz parte do caminho que devemos seguir.
Jacob a apertou mais fortemente em seus braços, sem coragem de perguntar o que, exatamente, ela via. Ela continuou, a voz abafada por ter a cabeça enterrada no peito dele.
_ Desde que Milla foi mordida eu passei a ver tudo com mais frequência… meu pai, antes de nos casarmos, apareceu em uma visão e me disse que assim seria… que eu passaria ver e a sentir e que seria fundamental que eu acreditasse e seguisse aquilo que intuísse. O mesmo vampiro que mordeu Milla, é aquele que me procura, que procura o meu sangue, e tudo o que eu vejo até agora diz que ele vai encontrar o que deseja… Mas eu sei também que ele quer o meu sangue pelo poder que isso poderá lhe garantir e isto… isto eu não posso dar! – Ela encolheu a cabeça no ombro de Jacob e inspirou o cheiro dele longamente antes de continuar.
_ Se ele tiver este poder, vai querer dominar tudo… até vocês, os lobos e… não! – Havia uma raiva desesperada em sua voz. – Vai haver lutas… eu não sei direito… o que eu sei é que vamos precisar de aliados… eu não vejo ainda a dimensão de tudo, não posso ter acesso ao todo…
_ Milla e Renesmee… como aliadas… aliadas contra a própria espécie? – Jacob sussurrou, com a cabeça zonza.
_ Agora eu sei que realmente há vampiros que cultivam o que há de mais valioso em sua alma. Mas nenhum deles podem resistir a mim, então é preciso que eu tenha um elo de ligação entre… entre… os inimigos… elas são este elo.
Jacob soltou Sarah repentinamente, se afastando, quase arrancando os cabelos da nuca.
_ Nisto tudo… você é a que corre mais risco… e o que você está lutando pra fazer agora é achar o caminho menos pior pra você? Quer dizer, algo que minimize as consequências? – Jacob disse, incoerentemente, a voz embargada. – Você está… está procurando alternativas de não dar poder a … quem? Quem é ele? – as palavras saiam confusas e trôpegas dele, mas Sarah entendia o que ele queria dizer.
_ Eu não sei! Não sei quem ele é, mas ele sabe quem eu sou! E você sabe que a alternativa não é fugir… eu não vou escapar, mas não vou deixar que ele cause tantos… — a voz dela ficou esganiçada, sua respiração ficou rala. – …danos por causa disto. – Ela deixou de encarar Jacob e empalideceu, seus batimentos aceleraram.
Jacob voltou pra perto dela e, por sua face tão dolorida e dura, escorriam lágrimas traiçoeiras as quais ele ao menos havia se dado conta.
_ O que mais? O que mais você vê? Que danos? – Ele perguntou, sua voz quase não saía. Tinha raiva, ódio do destino que poderia lhe fazer perder novamente… perder tudo o que ele tinha… ela…
_ Você… eu vejo o seu sangue, Jacob! O seu sangue! – Ela disse, e caiu em um pranto desesperado nos braços de Jake.
Aquele era o início de um inferno. Sarah tinha certeza disto! A transformação de Milla, a tragédia em uma magia tão linda como o imprinting, suas visões afloradas constantemente: tudo aquilo era o início de um tempo sombrio. Nada seria fácil, nada que ela pudesse fazer deixaria as coisas mais simples. Nem o seu sacrifício.
Jacob, no entanto, não sabia o que fazer. Pois queria ter força suficiente para acalmar e manter em segurança sua mulher, queria ter força para sustenta-la diante do desespero, mas se sentia esmorecer também. Pois era ela, a mulher da sua vida, o centro de tudo, aquela que mais correria perigo, a que mais sofreria. Não havia como poupá-la, escondendo coisas ruins dela, a fazendo viver em uma ilusão feliz enquanto pudesse, pois ela era quem sabia de tudo, ela que tinha o peso de um poder nas costas, a ela foi dada a missão de suportar tanto.
A visão mais recente de Sarah a perturbava mais e mais, fazendo-a soluçar sem controle enquanto vislumbrava um futuro incerto em que suas mãos se lambuzavam de forma apavorante com o sangue que jorrava de um Jake pálido. Ela sentiu as mãos dele apertarem mais ao redor de si, seu corpo colando ao dela em um desespero profundo, que era transmitido pelo contato de suas peles.
Poder maldito! Ela queria gritar, esbravejar contra quem quer que lhe tivesse dado aquele fardo. Não, ele não! Jake não podia ser ferido! E ela não permitiria! Ela precisava dele vivo, por tudo que era mais sagrado em si! Ela abriu os olhos e tornou a olhar para o rosto desolado e tão bonito do homem que lhe abraçava. Ela precisava sentir ele vivo, muito vivo. Sentir que isto não acabaria.
Jacob percebeu quando o olhar dela mudou, escurecendo com uma sede tão apavorante quanto de um vampiro. Uma fome pulsava dentro dela, coisa que ele jamais vira naquele rosto. Com uma determinação surpreendente ela sorriu, quando as lágrimas que ainda haviam em seus olhos secavam antes mesmo de cair.
_ Eu não vou perder você. – Ela sussurrou com certa arrogância, sentindo que ela podia reivindicar algum poder para aquilo, de alguma forma.
Uma inquietação tomou conta do corpo de Jacob como fogo em pólvora. Em um movimento rápido ele pegou a nuca de Sarah e a puxou para um beijo necessitado, desesperado, esfomeado e vivo, vivo e forte. A língua dele reivindicou a dela com uma quase agressividade e o enrosco das duas se fez turbulento e prazeroso, imensamente prazeroso. Sarah agarrou os ombros de Jake com força e sentiu sua mente se esvaziar com um desejo que queimava do interior de seu útero para o corpo todo.
As mãos de Jacob agarraram os quadris dela, fazendo com que suas pernas se encaixassem ao redor dele. Mais rápido do que seu pensamento, ela sentiu o chão fofo do lugar sob suas costas e a pressão do corpo de Jacob em cima de si, entre suas pernas, dominador de tudo. O desespero da situação se tornou um desejo incontrolável que os fazia parecer dois animais se enroscando.
Jacob rolou seu quadris, roçando sua ereção em Sarah fazendo-a virar os olhos e ronronar um gemido de rendição, elevando sua pélvis de encontro a dele e retribuindo o gesto. Ela sentiu a alça do vestido singelo que trajava se desfazer em pedaços sob as mãos poderosas de seu marido. Meio segundo depois, sentiu a boca dele tomando posse de seus seios, sua língua roçando seus mamilos, suas mãos e dedos habilidosos e ferventes torturando suas coxas em apertões firmes.
_ Ah… — ela suspirou, em meio a uma onda nebulosa de prazer lhe turvando os sentidos e fazendo suas visões lhe deixarem pela primeira vez em dias.
O resto do vestido foi arrancado para fora de seu corpo e então a tortura mudou, a língua dele passou a descer lenta pelo corpo dela, do meio de seus seios até o seu umbigo, mordiscando sua barriga para depois descer mais um pouco e… parar…
Ela abriu os olhos e olhou pra baixo, para os olhos loucamente apaixonados dele, que pareciam um buraco negro e lhe sugar. Sem desprender o olhar do dela, Jacob capturou a borda da calcinha dela com os dentes, roçando sua língua deliberadamente por sua pele ao fazer este movimento. Os músculos de Sarah travaram de tanto tremor, e ela gritou quando ele puxou e rasgou sua calcinha com os dentes, soltando um rugido possessivo e imediatamente afundando sua boca no meio de suas pernas, em sua intimidade pulsante e molhada, lambendo, sugando em uma perigosa mistura de lentidão e rapidez, suavidade e força.
E eles se amavam, em meio toda aquela turbulência infernal, eles se entregavam a um amor magnânimo.
Antes que Sarah alcançasse o ápice, Jake parou e voltou para cima dela, beijando-lhe e deixando que uma mistura insana de gostos incendiasse o beijo que os fazia contrair ainda mais os músculos do abdômen. Com uma mão, Sarah começou a arranhar as costas de Jacob, e com a outra arrancou-lhe a bermuda.
_ Entra em mim… me faz tua… agora… já… — Ela sussurrou rouca, inebriada.
Jacob lambeu lentamente sua orelha, pegou delicadamente suas pernas e as abriu mais, elevou seu quadril e os deixou suspenso em cima dela.
_ Nós vamos passar por qualquer coisa juntos… não se esqueça disto… — Ele sussurrou e deslizou pra dentro do mar quente que era ela, muito devagar, saboreando cada milímetro, fechando os olhos e exalando forte.
E tudo voltou a se completar um instante, a leveza voltou para dentro de seus corpos. Sarah suspirou, seu peito estremeceu quando sentiu Jacob inteiro dentro de si, possuindo tudo que era seu, e só seu. Um sorriso genuíno, a tanto tempo privado de seu rosto, quase rasgou sua face ao meio, fazendo Jacob lhe olhar fascinado. Era uma pequena amostra externa da plenitude que ela sentia dentro.
Ele sentia que possuía a personificação de uma deusa, com um corpo maravilhoso, uma pele saborosa e uma… oh Deus… uma vagina enlouquecedora. Ele riu de seu pensamento e rápido saiu e entrou nela, a impulsionando pra trás, fazendo-a soluçar um gemido. E os movimentos continuaram, bruscos e excitantes. Sarah empurrava sua pélvis de encontro a dele fazendo um choque percorrer os corpos cada vez que seus quadris colidiam.
Jake pegou os pulsos de Sarah com uma mão, os prendendo acima da cabeça, e com a outra apertou firmemente sua coxa direita para cima e empurrou com mais liberdade e lascividade, fazendo os gemidos dela se tornarem gritos curtos e agudos, sua respiração ficar presa. Ele começou a gemer roucamente nos ouvidos de Sarah, o hálito quente roçando na curvatura do seu pescoço. A sensação eletrizante aumentou nos dois, o universo se perdia aos poucos, se desintegrando átomo por átomo. Jacob afundou a cabeça nos ombros dela e continuou com seus movimentos, se possíveis, ainda mais loucos.
Sarah fincou as unhas nos ombros dele e sufocou o maior de seus gritos quando seu corpo explodiu de prazer de dentro pra fora e quando Jacob se derramou tórrido dentro dela, se enterrando ao máximo em uma última estocada.
Ele deixou seu peso cair em cima dela, mas logo depois rolou na terra a trazendo para cima de seu peito e voltando a prender seu braços em volta dela, beijando seus cabelos desgrenhados, cheio de folhas e terra.
Sorriu… se amaram de forma selvagem exatamente como dois selvagem. Ela suspirou satisfeita em seu peito e pareceu relaxar os ombros, coisa que não fazia há tempos.
Involuntariamente a lembrança do que aconteceu antes daquele ato de amor descontrolado, voltou a mente de Jake. A garganta do lobo fechou, sua respiração ficou presa e ele apenas segurou Sarah em seus braços desejando fortemente que aquele fosse o único lugar que ela pudesse permanecer por toda a eternidade.
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Niadhi olhava a vampira Milla caçar no meio da mata, cuidando para manter uma barreira ao redor da hibídria, que a acompanhava na caça. Embora pensasse que aquilo não era mais necessário, pois sabia que a recém-criada não voltaria a atacar a meia-vampira, ainda a protegia, como uma medida de segurança extra. A elfo ainda não entendia porque Quendra havia lhe mandado naquela missão, e também não entedia o mistério que passou a cercar o futuro de Sarah de uma hora pra outra.
Ela se lembrou que, há anos atrás, Quendra havia dito que deixar que um hibídrio entre humana e elfo nascesse e crescesse, seria algo sem precedentes e arriscado. Isto porque eles não poderiam saber que tipo de criatura iria surgir desta tal relação. Quando a menina, tão idêntica a uma humana, nasceu, eles tiveram a certeza de que o que pulsava mais fortemente nela era a sua essência humana, tanto que todos os elfos sentiram a obrigação de protege-la diante de qualquer perigo sobrenatural. Porém, com o passar dos anos, este senso de proteção dos elfos não diminuía, muito embora Sarah não fosse tão desprotegida e frágil quanto qualquer humano era diante do sobrenatural.
A menina ia crescendo, ficando forte e poderosa, seu sangue élfico a fazia evoluir, de corpo, mente e coração, mas ainda assim os elfos tinham uma força que os impulsionava a protege-la, a cuidar dela mais até do que quando ela era apenas um bebê. Este senso protetor foi o que moveu Quendra interferir no destino dela e atrelar a vida de Sarah com a de Jacob mais “apressadamente”; e foi também por isso que Quendra poupou a vida de Sarah quando soube que ela daria o poder de seu sangue ao pior inimigo dos elfos… aquele vampiro…
Por causa de Sarah os elfos sentiram dor e tristeza quando ela foi violentada. Por causa de Sarah, eles, os elfos, sentiram uma angustia ao pensar que ela poderia morrer naquela noite fatídica quando Quendra quase esmagou o crânio da moça em suas mãos. Nunca os elfos lamentariam uma morte, pois eles estavam mais ligados ao mundo espiritual, e sabiam que por vezes, a morte que as criaturas da Terra conheciam, significa uma nova e verdadeira vida. Poucos elfos compreenderam porque foram dominados por aquele sentimento tão grande de poupar a vida de Sarah.
E o ápice de tudo foi quando Koraíny modificou o destino da moça, a impedindo de se tornar uma assassina… Ele desobedeceu as leis de seu povo e escolheu ela… Sarah…
_ Niadhi… — A elfo saiu de seus devaneios com o chamado de sua Rainha.
_ Sim, majestade… — Respondeu, fechando os olhos e mergulhando sua atenção na imensidão de sua mente, lugar onde Quendra lhe chamava. Então Niadhi vislumbrou as costas da Rainha. Ela olhava para uma cachoeira muito bela, a lua cintilava um brilho prateado em suas águas. Niadhi sabia que lugar era aquele… a Rainha estava lá, a aguardando no portal para o mundo élfico.
_ Se apresse… desejo falar contigo…
Quendra não precisou requisitar a presença de Niadhi uma segunda vez, a elfo deu uma olhada para Milla e Renesmee e partiu, logo surgindo na frente de Quendra. Niadhi curvou-se ligeiramente em uma reverência.
_ Como andam com tudo? – Quendra perguntou.
_ Tudo ocorrendo conforme o previsto. A hibídria tem se comportado bem, não tardará muito ela poderá se controlar bem diante do apelo de Sarah. A outra vampira pode ser facilmente controlada por mim sem que me perceba. Aceitou submeter sua sede ao sangue de animais não-humanos Rainha…
_ Você esteve perto da jovem vampira… a alma humana… o quanto a alma humana dela resiste? – a voz de Quendra estava impessoal, ela não dirigia seu olhar a Niadhi, apenas fitava as aguas caindo das pedras ininterruptamente.
_ Devo dizer que, como todo recém-criado que nos deparamos ao longo dos séculos, era quase impossível sentir sua alma quando despertou como vampira. Mas a aparição de Jacob como lobo evocou… evocou o amor sepultado... então...
_ O laço imprinting não morreu? – Quendra se virou para encarar Niadhi ao indagar isto. Seus olhos cintilaram de alguma forma.
_ Não… e isto pareceu resguardar a alma da jovem… ela aceitou o imprinting, se entregou a ele antes de ser transformada. A magia protege a alma dela, o amor que a garota reconheceu pela magia deixa a alma dela mais… forte…
Quendra sorriu.
_ Então Sarah está certa. Certamente esta vampira será a única que poderá resistir ao apelo de seu sangue… A magia do imprinting protege, resguarda, é mais forte...
_ Acredito que sim, majestade… Nós sabemos que o que preserva a humanidade nestas criaturas é a supremacia do amor… criaturas como os vampiros são condenados a possessão, ao egoísmo, a ganância… o que eles procuram é somente se satisfazer… Não são capazes de se doar a outros... vivem por si só...
A Rainha elfo maneou a cabeça, concordando.
_ Majestade… me permite? – Niadhi perguntou de repente. Quendra sabia que a dócil elfo queria lhe fazer uma pergunta.
_ Fale…
_Sinto Sarah mais forte… mais parecida… mais parecida…
_ Conosco? – Quendra completou, já supondo pra onde seguiriam as dúvidas de Niadhi.
_ Sim… porém, sinto uma necessidade maior de… protege-la… – A elfo continuou, fazendo os músculos de sua Rainha se retesarem.
_ Sentes necessidade de proteger ou de servir, Niadhi? – Quendra falou, com a voz mais baixa. Niadhi não disse nada, apenas abaixou a cabeça, confusa. – Quero que observe muito bem as ações e decisões de Sarah… sem que ela perceba. É importante também que não a contrarie, não tente confrontá-la e não use nenhuma influência magica sobre ela.
Niadhi ergueu os olhos para a figura imponente de sua Rainha.
_ É próprio que eu saiba do que se trata tais prevenções, Alteza? – perguntou. – Por que os caminhos de Sarah já não são claros aos nossos olhos?
_ O que saberá aqui, não deverá contar a ninguém… ainda que necessite… — Quendra disse aquilo em tom de ordem e, como sinal de obediência, Niadhi se curvou, colocando seus joelhos no chão lentamente. A Rainha elevou seu peito e começou a falar a sua súdita, que lhe ouvia atenta:
_ A evolução dela não estagnou como pensamos que aconteceria no início… Sarah, filha de Lairon, continua a evoluir enquanto ser único no universo. – aquilo soou como uma sentença grandiosa.
_ Majestade, que dizer que ela caminha pra se tornar uma elfo puro-sangue? – Niadhi ousou interromper.
_ Não… nunca… Sarah nunca poderá se tornar uma elfo puro-sangue. O sangue feminino nunca pode ser subjugado… é mais forte, sempre. Os genes humanos de Laura permanecerão em Sarah. É mais do que isto. Sarah é a união equilibrada entre dois mundos de igual força… o mundo natural e o sobrenatural. Ela preserva em si tudo o que há de mais forte em ambos…
_ O elo entre os dois mundos… isto significa que…
_ Que ela pode reinar entre os dois mundos, porque ela é o centro de ambos, o cerne. Nós, os elfos, somos aqueles que nunca deixaram de existir desde que criaturas sobrenaturais passaram a habitar a Terra, nossa existência foi consagrada por Deus, somos as únicas criaturas sobrenaturais consagradas por Ele. Somos aqueles que reinam em direito no mundo sobre-humano, enquanto os homens foram os escolhidos de Deus a herdar a Terra... este mundo foi criado pra eles e por eles. Sarah preserva em si a essência de cada um destes seres… e juntas tais essências não subtraem. Ao contrário do que pensávamos, o sangue humano da fêmea não neutraliza a grandeza do sangue élfico... e o sangue élfico não diminui a preciosidade do sangue humano… eles se somam e evoluem em algo que poderá ser a chave de tudo.
Os olhos de Quendra se fecharam. Sem necessidade alguma ela sugou o ar pra dentro de seu corpo, como se tivesse passado longo tempo sem respirar.
_ Queres dizer que Sarah poderá ser decisiva na coexistência de ambos os mundos? – Niadhi questionou. Quendra apenas sorriu, um sorriso estranho, não tão fluido como normalmente era.
_ Pode ser mais que isto… nós sabemos Niadhi… sabemos que não é tão próprio que os dois mundos coexistam. Não quando há seres que querem eliminar e imperar sobre outros… outros que nem sequer tem consciência que eles existem. Está chegando o tempo em que o equilíbrio entre o sobrenatural e o natural não poderá mais ser controlado. Estamos perto do tempo em que não teremos mais controle… Talvez, um destes mundos tenha que deixar de existir.
Niadhi percebeu os olhos de sua soberana ficarem mais densos, o sorriso se amargar estranhamente.
_ Sarah é mais forte que nós? Poderá ela por um fim em tudo isto? Será ela a fonte do equilíbrio que buscamos por toda a nossa existência, Alteza? – Niadhi perguntou, e percebeu Quendra ainda mais misteriosa, suas expressões não pareciam tão claras. A Rainha parecia distanciar ainda mais suas emoções por trás de uma áurea de sobriedade.
_ Se ela o for… creio que nossa existência não fará mais sentido. A supremacia dela poderá significar o fim da nossa existência. – Quendra abaixou os olhos, os cabelos prateados caíram por sobre seus olhos. Seus dentes se insinuaram para Niadhi, dentes forte e brilhantes, um tanto ocultos pelos belos lábios. – Abriria mão de sua existência para que Sarah impere, Niadhi?
Niadhi estranhou a pergunta, estranhou ainda mais o tom com que foi feito. Tinha algo espinhoso nas palavras da Rainha, sua voz parecia querer provocar algo.
_ Se minha existência não fizer mais sentido, não há porque permanecer aqui. Voltaria para o lugar de onde vim. Farias o mesmo, Majestade?
Quendra não teve nenhuma reação diante da pergunta da elfo. Seu sorriso continuou imutável na face.
_ Volte para sua missão atual, Niadhi. Vão precisar muito de ti por lá. – Dito isto, Quendra desapareceu, deixando Niadhi sozinha com a brisa fresca daquele lugar.
Notas finais
Tá ficando tenso, tá ficando tensooo!!!
Obrigadaaaa pelos comentários e é muitoooo bom saber q a maioria de vcs continua aí, comigo!!
Tirem suas conclusões sobre este capítulo e nos encontraremos nos comentários!!
Bjsss!!!
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