The Precious Blood

18 PECADO OU TRAVESSURA?


Notas iniciais
Mais, um, mais um, mais um!

Sarah se espreguiçou lentamente, sentia que finalmente tinha conseguido por o sono em dia. Bocejando ela se levantou devagar, só então percebendo que havia se deitado de roupa e tudo, por cima dos lençóis. Só teve o trabalho de retirar os sapatos. Ela nem sequer lembrava como havia adormecido. A folga naquele dia era realmente necessária. Mas, ainda assim, após seu banho ela ligou para o hospital, só pra conferir se estava tudo bem.

Só então ela saiu do quarto, mas assim que fechou a sua porta, uma espécie de imã pareceu lhe puxar para o lado oposto das escadas. Ela caminhou tentando se refrear, mas sua impulsividade foi mais forte. Tirou a sandália dos pés e, muito silenciosamente, foi até o quarto ao lado do seu. Ainda na porta ela sentiu o cheiro de Jacob. Colou os ouvidos na mesma e fechou os olhos, escutando atentamente o ressonar profundo de Jacob. Mas alguma coisa ainda fez com que ela cometesse outro atrevimento: abriu a porta devagar, estava destrancada, e entrou no quarto de decoração sóbria.

“Que merda você está fazendo?”. Ela se questionou enquanto caminhava dentro do aposento. Ao adentrar na porta, não podia-se ver a cama, mas sim, a mesa de trabalho de Jacob, com revistas automobilísticas de todos os cantos do mundo espalhadas junto de um computador. Ela esticou o pescoço e viu de longe uma partezinha do que seriam os pés da cama e parou. E se ele a pegasse ali?

Aliás, o que ela estava fazendo lá? Conhecendo o quarto?

Realmente ela nunca tinha entrado ali, mas ele, por sua vez, já tinha invadido o quarto dela muitas vezes… ela tinha este direito de invadir o dele também, não? Ela caminhou mais um pouco, apertando os olhos e se concentrando para que sua pulsação alterada não funcionasse como um alarme. Será que ela conseguia pegar ele de surpresa? Ela teve vontade de rir de si mesma. Estava parecendo uma criança arteira que cutucava a onça, ou melhor, o lobo, com vara curta.

Mas a visão que ela teve a mais alguns poucos passos a fez se desconcentrar de todo. O queixo dela caiu inevitavelmente, o controle da pulsação foi pro espaço. Ela ficou estática e com reações muito estranhas em seu próprio corpo.

Não havia nenhum lençol cobrindo o corpo dele, nada para obstruir a visão. Ele estava de bruços, o rosto másculo tinha uma suavidade maior enquanto ainda permanecia em um sono profundo, os lábios semi-abertos, as pernas nuas jogadas displicentemente sobre o colchão. Os olhos de Sarah percorreram cada detalhe daquelas pernas, se demorando nas coxas morenas que pareciam tão firmes.

O coração dela deu outro solavanco conforme seu olhar subia para o monte também firme e redondo das nádegas de Jacob, cobertos pelo tecido vermelho de uma tentadora cueca boxer. Aquela peça escondia exatamente a parte mais perturbadora daquele corpo. Mas escondia de uma forma insinuante demais, porque era justa, e seu tecido fino e elástico se moldava perfeitamente naquelas curvas masculinas, dando a exata noção daqueles contornos e acendendo a vontade de ver mais.

E as costas de Jacob, com músculos que nele pereciam absolutamente naturais, como que moldados por Deus para que fossem exatamente assim, como se não houvesse corpo de Jacob sem aqueles músculos, pareciam dunas de um deserto a luz do crepúsculo. Este deserto era quente e neste deserto poderia se perder e nunca mais encontrar-se. Como em um fluxo perfeito do desenho corporal seguiam-se os braços de Jacob, um estendido ao lado do corpo, virado para cima e outro acima de sua cabeça, quase escondendo seu rosto.

Sarah tinha algo a conturbá-la por dentro, julgava que algum diabinho a carregou até ali para tentá-la… mas por quê? Ela sorriu, ele dormia tão profundamente e tão mais sereno. Daquela forma ela se sentia um tanto mais a vontade para abusar… abusar de sua insanidade e abusar da inconsciência de Jacob. O porquê disto? Bom, ela não estava interessada neste tipo de pensamento, não naquele momento.

O perigo de ser pega deixou tudo mais… eletrizante? Sarah ergueu o vestido que trajava e testou suas maiores habilidades em ser silenciosa. Tinha os músculos completamente rígidos ao tentar obstruir o máximo possível de seu cheiro, pra que ele não ficasse ali quando ela saísse. Ela colocou uma de suas pernas na cama, tão perto dele… muito perto… ela esperou, segurando a respiração…

Nada! Ele continuou a dormir profundamente.

Ela sorriu divertida com sua travessura e, ainda mais delicada e lenta, subiu de vez na cama, ao lado dele, nos espaços onde o corpo grande não ocupava. Os dedos dela começaram a ser puxados para ele, sugados pelo calor da pele dele. Sutilmente ela ousou passar as pontas de seus dedos por ele, refazendo o caminho que antes ela havia percorrido com os olhos. Ela fechou os olhos concentrando seus sentidos na sensação tão deliciosa de seu tato. Os dedos dela formigavam enquanto desenhava os contornos de Jacob com as mãos. Ele começou a se mover levemente, mas ainda assim, não acordava. Sua respiração era a mesma e as alterações de seus batimentos eram quase inconsideráveis.

Ela teve vontade de apertar o firme monte da bunda dele, uma vontade tão grande que chegou a assustá-la. De onde vinha aquilo? Mas ela se conteve e, se sentando ao lado dele, continuou desenhando com os dedos os músculos de Jacob, acariciando suavemente. Como se fosse possível, a expressão de Jacob começou a ficar ainda mais suave, ele parecia dormir mais tranquilamente com os “carinhos” de Sarah. Ela tinha no rosto um sorriso bobo, achando aquela aventura louca muito divertida e gostosa. Então ele não acordava tão fácil?

Mais segura de que o sono de Jacob era pesado, ela se inclinou sobre ele e, ainda acariciando suas costas, moveu os lábios em um sussurro imperceptível…

“Eu sou perigosa lobo mal… mas você também é…”

Finalmente ela conseguiu desgrudar os dedos dele e, ainda silenciosa, deixou o quarto, só que de forma mais veloz do que entrou.

Ela desceu as escadas com o corpo elétrico, uma euforia tomava conta dela e ela tentava tirar da cabeça as imagens de cada detalhe do corpo moreno de Jacob. Mas enquanto ela comia seu desejum, um riso ou outro lhe escapava. O que deu nela pra fazer aquilo? E pior: o que deu nela pra gostar tanto de fazer aquilo? Ela só podia rir deste seu rompante.

Eram nove horas da manhã, mas ela tinha no corpo uma inquietude tão grande que coisa alguma lhe prendia a concentração.

“Pegue um caso complicado!” Ela pensava, remexendo nas fichas de seus pacientes em seu computador que ela trazia pra estudar os casos. Mas nem uma paralisia cerebral conseguiu lhe prender.

“Irresponsável!” Ela pensou, largando tudo e indo fazer a única coisa que seria capaz de acalmá-la: dançar!

Jacob acordou momentos depois, ouvindo um suave e envolvente som de música no andar inferior. Ele havia ficado acordado metade da noite depois que Quendra foi embora, tentando absorver tudo o que ela havia lhe dito e depois, finalmente, apagara, vencido pelo cansaço. Ele esticou os músculos, que pareciam mais leves que o comum, e respirou profundamente antes de se levantar, sorrindo assim que o ar do quarto entrou com força em suas narinas.

Assim que terminou o banho, Jacob desceu, não se importando com a refeição matinal ou qualquer outra coisa. Caminhou decididamente para o lugar onde ele sabia que Sarah estava. Chegou sorrateiro, vislumbrando a suave sensualidade com que ela se balançava ao som de um blues.

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Mas dessa vez ela o percebeu assim que ele entrou na grande sala e, ainda dançando, o encarou pelo espelho que ocupava toda uma parede. Um sorriso sapeca tomou a face dela, sorriso que se refletia em seu olhar. Ela não se intimidou diante de sua platéia, continuou a dançar quase sem se deslocar de seu eixo. Movia-se com a suavidade hipnotizante de uma serpente, apoiando as mãos nas coxas e erguendo minimante o vestido de tecido leve com este movimento.

Ela deixou escapar um risinho comprometedor enquanto encarava Jacob, fazendo ele enrugar a sobrancelha, mas sorrindo logo depois. Naquele sorriso havia um brilho de entendimento, ele demonstrava saber de algo. E ela continuava em seu balançar, se envolveu com a música e deixou suas pálpebras fecharem. Ela não viu, mas sentiu quando Jacob se aproximou ás suas costas.

_ O que quer? Dança também? – Ela disse, se virando pra ele.

_ Você duvida que eu dance?

Sarah fingiu avaliá-lo, mas novamente teve de segurar um riso ao se lembrar de sua travessura.

_ Talvez…

Jacob balançou a cabeça e se aproximou da sofisticada aparelhagem de som e colocou a música para repetir.

_ Já fui muito ruim nisto. Mas acho que me superei.

_ É mesmo? – Sarah perguntou com as mãos na cintura. – E quer que eu ateste isto pra você?

_ Não é capaz de dançar com um par?

_ Não sou acostumada que me tolham os movimentos em uma condução. Só isto.

_ Talvez um bom parceiro não seja aquele que inibe os movimentos da dançarina com sua condução, mas aquele que integra os movimentos dela aos seus…

Sarah riu, encarando a expressão gravemente ameaçadora de Jacob. O que ele queria?

_ Uma filosofia e tanto, caríssimo teórico de dança.

Jacob fez uma careta.

_ Se teóricos disserem coisas idiotas como esta… bom, eu virei um teórico.

Sarah voltou a rir.

_ Vem então, vamos ver se sua reflexão é de toda desprezível. – Sarah convidou, enquanto a música voltava ao seu início.

Jacob sorriu e se encostou nela, encaixou suas pernas por entre as dela e envolveu sua cintura delicadamente. Sarah reiniciou seus movimentos leves e sutis, só que dessa vez o corpo de Jacob se integrava ao dela, ele seguia os movimentos dela, porém no mover dele havia mais firmeza. Não era necessário exagero nos movimentos, não era um espetáculo acrobático, era uma oscilação envolvente.

Ele passou então a conduzir alguns poucos passos, a afastando dele em momentos contados, a trazendo pra perto novamente. E Sarah correspondia aos movimentos sem sobressalto algum, com extrema naturalidade e leveza.

_ Aprovado? – Ele perguntou quando a trouxe pra perto novamente, encostando as costas dela em seu peito, mirando-se pelo espelho.

_ Aparentemente. O tempo foi curto para uma avaliação apropriada. – Sarah disse leve, completamente perdida na suavidade do momento. Jacob sorriu, novamente o seu sorriso velado.

_ E você anda arrumando outro tempo para avaliar-me mais apropriadamente?

Sarah sentiu um frio na barriga assim que distinguiu um olhar sarcástico de Jacob refletido no espelho.

_ Como assim?

_ Vamos direto ao ponto… — Jacob encostou os lábios no ouvido dela, enquanto a apertava mais junto de si. – O que a levou ao meu quarto hoje?

A mente de Sarah, espantada e acuada, trabalhou como um meteoro, um turbilhão de reações passou-lhe pelo cérebro, mas ela foi rápida por disfarçar seu espanto diante do flagra. Antes que as reações de seu corpo a deletassem notoriamente, em menos de meio segundo, ela rebateu.

_ Fui avaliar a melhor forma de me livrar de um problema. Considerei seriamente a viuvez. Mas pensei que minha vítima estava inconsciente pra me perceber.

_ Vítima… — Jacob sentia o vacilo do coração dela, a oscilação dos batimentos. Ele sabia que Sarah podia controlá-los quando se esforçasse, e ele tinha certeza que ela estava empenhada nisto naquele instante. – Você foi ao meu quarto para me matar então? E desistiu?

_ Achei covardia matar alguém em desvantagem. Prefiro e adrenalina de uma luta. – Ela estava sendo evasiva… Jacob sorriu novamente. – Mas pensei que você estivesse em desvantagem mesmo, em um sono pesado… pelo visto não estava.

Sarah se afastou de Jacob rapidamente, no segundo seguinte o som já estava desligado.

_ Realmente você descobriu meu ponto fraco. Eu tenho um sono pesado. E sim, eu dormia profundamente. – Sarah ergueu as sobrancelhas expressando a dúvida: como ele havia a percebido então? – Mas o seu cheiro eu posso distinguir por mínimo… — Jacob impulsionou seu corpo e, num salto silencioso, estava diante de Sarah -… que seja! E hoje ele está um tanto…

_ O que tem meu cheiro hoje? – Sarah novamente desviou, se praguejando mentalmente. Por que ela fez aquela idiotice?

_ Hoje ele está diferente… pra mim… eu não sei! – Jacob obscureceu o cenho e cerrou os pulsos, sacudindo a cabeça logo depois. – Apesar de você estar controlando ele muito bem, ele está quase imperceptível, mas eu ainda percebo… esquece!

Sarah fechou os olhos e bufou ao fazer suas contas mentalmente. O coração dela disparou, o sangue subiu pras bochechas, ela cruzou os braços e sentiu seus pelos se arrepiarem: era seu período fértil! Mais raro e demorado nela do que nas outras humanas, no entremeio do ritmo humano e élfico, mas ainda assim, um período particular da sua natureza feminina. Acontecia a cada seis meses, contados sistematicamente. Jacob era lobo, Alpha, sentidos aguçados… sim, ele notaria aquilo. Mas seria simplesmente uma observação conseqüente de seus sentidos? Ou era outra coisa? Sarah se encolheu na parede oposta a Jacob, encostando-se no espelho.

_ Certo. – Ela disse, estremecendo com o olhar de Jacob. Ele respirou fundo, mas logo voltou a rir sarcástico.

_ Parece então que terei que trancar a porta do meu quarto pra não ser assassinado. Certo?

“Ótimo Sarah, sua idiota, o que você pensa? Que ele vai pular em cima de você só por causa do cheiro? Ele não é tão animal assim e nem tão … sua maluca! Não fique com medo dele!” . Sarah tinha na cabeça uma confusão e no corpo reações completamente… desconhecidas.

_ Uma porta não é nada pra mim… — Ela disse as mesmas palavras que Jacob lhe dissera na noite anterior, sorriu mórbida.

_ Eu conheço esta frase – Ele disse, ainda sorrindo, se aproximando dela inconscientemente.

_ É? De onde será? – Sarah esqueceu o que lhe fez se encostar ao espelho e também deu um passo a frente.

_ Ouvi de um cara que transpõe barreiras…

Sarah não pode evitar prender seus olhos nos dele.

_ Que tipo de barreiras?

_ Muitas…

_Muitas não são todas.

Sarah disse a ultima frase já encostada em Jacob.

_ Muitas não são todas… — Ele repetiu, com o semblante grave, engolindo em seco. Ele inclinou a cabeça em direção a ela. Sarah pareceu sair de um estado de topor, sacudiu a cabeça e pôs a mão no peito dele, o impedindo.

_ Jacob, não, por favor!

Jacob voltou a sentir um conhecido gosto amargo. Era o gosto da rejeição. Ele não suportava aquilo. Ele a puxou pra si antes que ela se afastasse, ela viu a agonia no olhar dele, agonia que passou pra ela.

_ Não negue… — Ele disse, com uma nota mínima de fragilidade na voz.

Sarah não negou, seu coração pulsou mais forte quando ela pegou a nuca de Jacob e o puxou pra si. As bocas se encontraram em júbilo, as línguas dançavam se reconhecendo, eles se beijavam em um desespero de querer mais.

_ O que é… isto? – Sarah murmurou por entre os lábios de Jacob.

_ Isto o que? – ele sussurrou roucamente.

Sarah se enroscou mais em Jacob, seu corpo parecendo uma labareda, ela enfiou as mãos por baixo da camisa dele, ele agarrou a cintura dela e a levantou, levando-a velozmente de encontro a parede dos espelhos, fazendo estes tremerem, quase racharam.

_ Isto… — Ela disse no breve intervalo que conseguiu separar a boca de Jacob. Sarah pegou o rosto de Jacob nas mãos e fê-lo olhar pra ela. E sob a mira daquele olhar, ela circundou os lábios dele com sua própria língua, muito devagar. Ele suspirou, se agarrando mais a ela.

_ Eu não sei… eu não sei… — Ele disse, afundando o nariz no pescoço dela e cheirando profundamente. – Ah… — Ele exclamou, fechando os olhos. Era tão bom, tão inacreditavelmente bom!

Jacob procurou os lábios dela de novo e os encontrou sedentos. Invadiu novamente a boca dela, saboreando sua língua. A pele! A mãe dele formigava por sentir novamente a textura da pele dela. Ele tirou uma das mãos da cintura dela e levou para a coxa. Apertou em cima da saia antes de fazer o mesmo movimento que ela fez com sua camisa: levantar o tecido.

_ Ah… Jacob… eu não posso… — Sarah não conseguiu concluir a frase, pois ele passou a lhe mordiscar a sua orelha enquanto subia a mão por dentro da saia do vestido dela, passeando por sua coxa. O corpo dela sacudia de tanto tremor. Por que aquilo tinha que ser tão forte?

Jacob não sonhava com a luta que Sarah travava dentro de si pra continuar a ser levada por suas vontades, ela tentava vencer o seu medo, mas parte do tremor do corpo dela ainda eram causados por lembranças ruins. Mas ela também podia sentir sede e vontade com Jacob e se agarrou aquilo, trancando dentro de si o pedido para que ele parasse.

_ Você é mau! – ela sussurrou, enquanto os lábios dele desciam pelo pescoço dela.

_ Você é mais! – Ele disse, convencido de que só podia ser maldade a forma como o corpo dela o estava atraindo, como o cheiro dela estava tão bom.

_ É melhor… — Sarah tentou falar, mas ele voltou os lábios para os dela, interrompendo a frase em um momento — … parar…

_Huhum… — Mas ele não parou, o vestido dela já estava curto demais, sua calcinha já estava quase sendo desvendada.

_ Oh meu Deus! – Os dois se afastaram quase rápido demais, Jacob virou de costas e Sarah encarou a estarrecida dona Beth na porta. Ela tentou se ajeitar, arrumando o vestido e ajeitando o cabelo, enquanto Jacob tentava recuperar sua respiração que tinha se perdido em algum lugar. Mas primeiro ele precisava saber onde o ar da sala tinha ido parar.

_ Dona Beth! – A voz de Sarah ainda tinha um certo tremor. A pobre empregada tentava catar a vassoura, o balde, o rodo e as demais coisas de limpeza que ela deixou cair ao se assustar com a cena que flagrou.

_ Me desculpe, me perdoem, eu… eu… já estou de saída… a Dona Sarah disse que eu poderia vir limpar hoje e eu não sabia… me perdoe… — Ela falava atrapalhada enquanto tentava catar as coisas. E era pegar um objeto, o outro caía no chão.

_ Imagine Beth, agente devia ter te ouvido… nós nos… distraímos… enfim, não foi culpa sua. Nos desculpe.

_ O que? Eu desculpar? Não, não, não. Ai meu Deus, me perdoe Dona Sarah, não me demita, eu não irei fazer mais isto! – Elizabeth ainda não direcionava seu olhar a patroa, mesmo com ela ajudando a catar as coisas espalhadas pelo chão.

_ Está tudo bem! – Jacob disse com voz firme. – Deixe tudo aí e pode ir. Volte depois.

Ele tinha falado com ela? E não foi para demiti-la? Ele disse que estava tudo bem? O queixo de Elizabeth caiu antes que ela respondesse um rápido:

_ Sim, senhor. – e saísse dali o mais rápido que podia. Ela achava o casamento dos patrões estranho, mas em nada se intrometia. Mas que era estranho que em dias eles nem se falassem, que dormissem em quartos separados e depois se pegassem daquele jeito, era!

Sarah pôs a mão na testa.

_ Eu me esqueci completamente dela.

_ Eu não ouvi ela chegar. Ela devia estar aqui faz tempo. – Jacob pensou alto.

_ É!

Eles se encararam, ambos lembrando-se da causa de tamanha distração. Engoliram em seco e desviaram os olhos. Mas logo Sarah soltou um riso leve, sendo acompanhada por Jacob.

_ Isto é loucura. – Ela disse.

_ Sim, é!

Silêncio. Eles não podiam ficar muito perto mais, senão…

_ Vou passar o dia na ronda com a matilha. Esteja pronta as oito em ponto.

_ Hã? Pronta pra que?

_ A vernissage, em Seattle.

_ Ah! O.k!

Jacob passou por ela e Sarah percebeu as narinas dele inflarem, mas ele não se aproximou muito. Sarah esperou até que não pudesse mais ouvi-lo e desabou no chão.

%%%%%%%%%%%%%%

_ Isto é antinatural! – Niadhi dizia enquanto olhava Sarah preparar mais uma de suas especiais injeções anticoncepcionais.

_ Isto é necessário!

_ Mas interrompe o ciclo do nosso corpo! Não é bom ir contra estas coisas.

_ Niadhi, você queria o que? Que eu continuasse a menstruar como menstruava na adolescência? Por que você não me coloca na toca de vampiros de vez! Eu não posso controlar meu cheiro se não for assim!

_ Humpf! Não sei como Quendra permite que você injete veneno nas veias por causa disto!

Sarah só rolou os olhos com as naturais insistências de Niadhi. Há muito tempo Sarah não permitia que seu ciclo menstrual se completasse. Ela sofreu se esforçando para controlar seu cheiro durante estas situações, mas era muito esforço que ela precisava fazer pra isto, começava a lhe dar dores e era ela dormir e pronto: perdia o controle e o cheiro dela ficava tão forte que chegava a irritá-la. Então ela se meteu meses em uma pesquisa fora de sua área medicinal para elaborar algo que cortasse aquele problema ao mínimo sinal de evidencia. Ela aplicava então, uma injeção com uma dose que seria suficiente para oito mulheres normais, mas que acabava com tudo rapidinho. A preocupação voltava só depois de seis meses, pelo menos demorava!

Niadhi fez careta enquanto observava Sarah enfiar a agulha na própria pele e pressionar o líquido transparente pra dentro de suas veias.

_ Não sei por que você fica implicando com isto Niadhi!

_ Pra mim este ciclo é precioso, significa vida! Não acho que deva ser interrompido.

_ Pra mim isto não faz diferença Niadhi. – Sarah disse suspirando.

_ Só por enquanto meu amor…

Niadhi tinha novamente o olhar brilhante e um sorriso faceiro no rosto. Sarah engoliu em seco diante da insinuação de Niadhi e resolveu fingir que não escutou, porque senão a elfo ia desencadear em um assunto que ela não estava nem um pouco afim de ouvir.

_ Então… Manhã agitada a sua não? – Mas quem disse que se podia controlar aquela elfo intrometida? — Ei, tá pegando a mania do seu marido de me ofender em pensamento é?

_ Você anda me espionando?

_ É melhor do que televisão. – Niadhi disse rindo, riu ainda mais ao ver a cara de espanto de Sarah. – É mais eletrizante…

_ Calada! Nem uma palavra sobre isto.

_ Acho que o seu marido também não gostaria que você fizesse o que fez com essa injeção aí!

_ Você está passando dos limites Niadhi! Chega! – Sarah disse aquilo realmente nervosa, em sua cabeça veio novamente toda a confusão entre o que o seu corpo sentia perto de Jacob e as sensações traumáticas que guardava. Ela não sabia o que era certo, não sabia se podia se deixar levar por aquele início de desejo que a descontrolava perto de Jacob, mesmo sabendo que não tinha forças pra seguir adiante, que aquilo acabaria muito mal… só podia acabar mal!

_ É natural meu anjo, é natural o que você sente!

_ Niadhi…

_ Sarah Black me escute! – A voz sapeca de Niadhi se tornou impositiva, autoritária. – Eu só quero te ajudar… — Sarah sentou em sua cama e fitou o mar atrás da elfo, visto das amplas vidraças de seu quarto.

_ Você não quer ouvir, mas o que eu vou dizer não é o que você vai e tem que descobrir sozinha. A única coisa que eu queria dizer é pra você não lutar contra o que sente, não se proclamar fraca, se decepcionando consigo mesma e decidir se entregar aos seus fantasmas. Eu sempre me orgulhei de você de uma forma que eu sei que seu pai se orgulha também. Porque você é sim guerreira Sarah, você pode vencer. Não se rebaixe tanto, não pense que você é fraca, porque esta luta realmente é muito árdua. Eu queria poder te ajudar mais, mas a única coisa que posso fazer é sentir o que você sente junto com você. Sarah, eu sei, eu sei que isto não vai acabar mal. Tudo já é tão lindo… e está só no começo!

_ Eu não sei do que você está falando Niadhi! – Sarah respondeu rígida e indiferente.

Niadhi conhecia aquela expressão. Aquela mulher era cativante, solidária, querida, afável, mas insondável. No início, Niadhi tinha esperança que os quileutes pudessem fazer ela se abrir mais, que ela se confessasse, se mostrasse. Mas não, ela não falava sobre as coisas mais turbulentas dentro de si, ela não confessava as coisas mais fortes dentro dela, ela não demonstrava suas piores fraquezas, ela não pedia conforto, não pedia conselho. Seus piores mistérios ainda eram só seus. No fundo, apesar de toda a boa relação que Niadhi se alegrou por ver Sarah construir com sua nova família, ainda assim, ela mantia grande parte de seu coração afastado dos outros. Era a parte que precisava, não a parte que concedia.

_ Bom, está dito! Agora se faça linda e confiante porque Jacob deve chegar logo pra buscá-la. Foi bom, como sempre, passar o dia com você meu anjo.

_ Está mesmo quase na hora! Eu nem percebi!

_ É, seus pensamentos te distraíram bastante hoje. – Niadhi respondeu novamente sapeca. Sarah bufou.

_ Tchau Niadhi!

_ Também te amo viu?

Sarah balançou a cabeça e tirou o semblante sério, sorrindo para elfo.

_ Até mais minha elfo predileta!

_ Ah... ficou melhor assim! – Niadhi sorriu. – Sarah!

Niadhi chamou fazendo Sarah voltar de seu caminho para o closet.

_ Segure firme este coração esta noite! Aconteça o que acontecer não perca o controle! – Niadhi disse séria a ela, Sarah sentiu um arrepio com o olhar da elfo.

_ Por que você está falando isto?

_ Fique bem Sarah! – Niadhi não respondeu, apenas desapareceu, deixando aquela sensação ruim em Sarah por alguns instantes. Ela odiava quando eles faziam aquilo. Davam uma de oráculo enigmático e desapareciam do nada. Às vezes os elfos a irritavam muito!


Notas finais
N/A: Arram!!! Dois capítulos de uma vez para brindar minhas leitoras lindas e carinhosas que me deixaram imensamente inflada de felicidade com os últimos comentários!!!! Brinde pra vcs! Gostaram? Mereço mais coments estendidos? Recomendações?? hehehe... Brinks *-* Bom, mas tem coisas muito importantes para falar... por onde começarr Ah!
Neste cap: Ahhh, eu adorei escrever este cap com o momento dos dois e sabe a parte da interrupção da Dona Beth? Quando eu li dpois eu cai na risada, parei numa parte meio hãn, de ápice? Kkk..... Mas a culpa foi da Dona Beth! Kkkk ... Masss o recadinho da Quendra e da Niadhi NÃO FORAM A TOA! A partir de agora a fic vai entrar em momentos de tensão a flor da pele, tanto para o Jake, qnto pra PP, qnto pra Leah, para o Koraíny, pra Quendra e.. Vai ser tenso! Então, segurem os corações pq tá ficando cada vez mais complicado de escrever... Até o proximoooo ... (quem sabe tem mais att dupla por aí?)
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