The Precious Blood

17 O ENIGMA DA RAINHA ELFO


Notas iniciais
Uau!!! To muito feliz por, aos pouquinhos, a fic estar ganhando espaço aqui no Nyah! Afinal, o Nyah é o Nyah! kkkkkkk... e é assim: tenho capítulos adiantados, vocês vão comentando e eu vou postando mais! Bjss....

_Pode me soltar agora Jacob…

A voz macia e baixa de Sarah assustou Jacob. Ele já havia se afastado bastante do local onde a festa da fogueira acontecia, se aproximando de sua casa. Sarah estava aninhada em seus braços, ressonando levemente por todo o caminho, que foi percorrido sem nenhuma pressa por parte de Jacob.

_ Como você faz isto? – Ele perguntou, também baixo, se certificando que não havia lobos por perto.

_ Isto o que? – Ela respondeu no mesmo tom de voz, ainda com os olhos fechados.

_ Parece que você está dormindo, mas não, está acordada e sem dar o mínimo sinal disto. – Sarah riu levemente.

_ Um truquezinho de elfos… Muito útil pra surpreender os monstros da noite e não ser surpreendida por eles.

_ Realmente… — Jacob parou e colocou Sarah no chão delicadamente, eles estavam diante da porta da casa. Quando os pés dela tocaram o chão ela abriu os olhos. – …um truque muito útil. Você ensina?

O olhar dela aconchegava Jacob, provocando um formigamento gostoso.

_ Não, eu não ensino!

_ Malvada! – A brincadeira escapou de Jacob fazendo-o enrugar a testa depois de ter feito. O riso de Sarah veio cristalino. Jacob também sorriu, suavemente, mas sorriu.

_ Se eu sou malvada, você é o que então?

_ Nem te conto… — Ele se jogou no sofá, olhando o relógio com design moderno sobre uma mesinha ao lado: 01h30min! O tempo passou rápido.

_ Um lobo mal talvez? – Sarah sugeriu, se sentando no pé da escada e tirando as botas. Bocejou logo depois. Mas um vento perturbou suas franjas soltas, quando ela ergueu os olhos, Jacob estava em sua frente.

_ O lobo mal não é nada perto de mim! – Ele disse, e depois sorriu com todo o sarcasmo que tinha em si. Sarah engoliu em seco: a postura imponente, os olhos que pareciam um buraco negro a sugar tudo pra dentro deles, os dentes brilhantes e perfeitos, os traços másculos e harmoniosos, a expressão forte… sim, aquilo tudo era realmente muito pior que um mero lobo mal. Lobos maus devoram a carne, Jacob Black devora a alma.

Sarah se levantou bruscamente, também elevando-se em postura, em pose segura, mirando em Jacob um olhar tão forte quanto o dele. E ela também sorriu, sorriu com todo o brilho de seu pulsar fugaz de vida humana, e também com a magia eternamente fascinante dos elfos. Ela o desafiava e sabia muito bem como fazer isto. Sem grito, apenas a voz ventosa que soprava perfume em Jacob, espalhando topor em cada poro do homem lobo.

_ Sim, eu acredito que você seja muito mais que um lobo mal, mas eu não tenho medo Black. – Ela virou as costas pra ele. Mas antes que ela pudesse subir as escadas rumo a seu quarto, Jacob lhe segurou o braço firmemente, se aproximando de suas costas enquanto sussurrava:

_ É mesmo? Não tem medo?

Sarah tinha certeza que ele tinha no rosto um sorriso irônico, mesmo ela estando de costas pra ele. Pois ela não pôde controlar o arrepio que lhe eriçou a pele com a aproximação perturbadora de Jacob. Ela respirou fundo e se virou pra ele lentamente e ousou aproximar-se mais… seria perigoso pra ela, mas ela suportaria pra dar uma lição nele!

E Jacob a viu vindo pra ele, lenta. Estremeceu. Com olhos de pantera, ela vinha, encostando o corpo no dele suavemente, prensando seus seios no peitoral rígido dele, mordendo os lábios e respirando profundamente e devagar… a cada expiração o hálito com perfume saboroso inundava a face de Jacob. Ele fechou os olhos, seu coração vacilando, as suas mãos reclamando urgência em agarrá-la, mas ele queria que ela viesse e não que ele a trouxesse… Esperou…

Sarah continuou o jogo, em sua aproximação, quando seu corpo já se encostava no de Jacob, ela cometeu outra ousadia: colocou uma de suas pernas no meio das de Jacob, ele tentou lhe pegar as costas, mas Sarah afastou a mão dele de forma rápida e brusca… e continuou. Olhou pra ele e começou a entreabrir os lábios, mas teve que fechar os olhos para que não perdesse o controle ao ver Jacob passando a língua em seus próprios lábios para umedecê-los. Ela juntou seu rosto na lateral do dele, a pele estava macia… e era quente…

Sarah sugou o ar com a boca, fazendo parecer um suspiro e, finalmente, respondeu a pergunta de Jacob:

_ Você é quem deveria ter medo de mim Black… — Então ela se afastou tão rápido quanto um relâmpago, deixando só vento pra trás, enquanto corria se meter em seu quarto, batendo a porta e se recostando nela pelo lado de dentro.

Jacob abriu os olhos com a ira brilhando neles: ela conseguira enganá-lo, o coração dele ainda estava batendo veloz, a eletricidade ainda percorria seu sangue. Sim, ela era perigosa demais…

Ele subiu as escadas devagar, percorrendo o corredor do segundo andar da mesma maneira, seguindo o caminho que era tão sedicioso. Parou em frente à porta do quarto dela, quase podia sentir o calor dela atravessando a madeira e o tocando. Provocar e fugir… era muito fácil assim.

_ Uma porta não é nada. Posso atravessá-la e mostrar quem deve temer a quem… Sarah… — Jacob cantarolou com sua voz rouca. Sorriu satisfeito assim que percebeu o coração dela alçar vôo, acelerando veementemente dentro do peito. – Mas eu não vou fazer isto! Mas já que não me teme, presumo que terá a coragem de me acompanhar em um lugar… — Silêncio, Jacob deixou que ela controlasse o susto e digerisse a informação…

_ Que lugar? – Ela perguntou baixinho, ambos separados somente pela frágil estrutura de madeira.

_ Um evento da empresa, em Seattle. Dizem que a presença de esposas é importante… você tem a coragem de viajar comigo para esta noite, caríssima esposa? – Ele perguntou irônico. Ela demorou a responder.

_ Quando?

_ Amanhã, às oito da noite.

_ Eu irei Black, agora suma daqui!

Jacob se afastou da porta dela e foi para o seu quarto. Tirou a camisa e jogou sobre a cama indo em direção ao banheiro e… Jacob parou de repente ao se deparar com seu reflexo no espelho. Há quanto tempo ele não via aquilo em si mesmo? Há quanto tempo ele não via a sua própria face iluminada por um sorriso puramente divertido?

Jacob encarou-se no espelho e, aos poucos, seu cenho voltou a obscurecer-se, a perturbar-se.

_ O que está acontecendo com você? Quem é você Jacob Black? – Feito um louco ele questionou sua própria imagem, cujo olhar duro e confuso lhe encarava.

Ele era um homem rígido, com o coração mantido absolutamente estável durante todos aqueles anos. Mas agora… agora estava tudo indefinido, seus atos não estavam mais tão controlados como ele gostaria que estivessem. Seus sentimentos, que ele pensou estarem mortos, provocavam nele um medo estranho. Ele não queria reconhecer o que havia por trás de sua resistência.

Seria a causa de sua confusão aquela mulher que parecia dormir no quarto ao lado? Jacob não suportou encarar seus próprios olhos ao se fazer esta pergunta. Não queria saber a resposta, porque doeria muito mais se houvesse outra rejeição.

“…_Suma daquiiii!!…”

A voz de Sarah lhe veio à mente novamente, juntamente com o olhar de repugnância contida que ela lhe direcionou naquela noite, há três meses. Uma lembrança que, por mais que ele tentasse, não lhe escapou da consciência um dia sequer. Rejeição! Eis algo difícil de lhe dar. Mas por quê? Por que ele se importava tanto?

Nunca mais... Ele havia prometido… nunca mais…

#Flash Back on#

Dez anos atrás. Noite do nascimento de Renesmee.

Por Jacob Black

“Fique onde estão! Deixem-me em paz!”

“Jacob, não fique assim! Aquela maldita não merece!” Leah não se calava, eu queria que ela se calasse, que eles sumissem, mas eles continuavam lá, vendo e sentido tudo o que eu sentia.

“Jake, você está muito nervoso. Deixa agente te ajudar, libera agente desta ordem, deixa agente ir até aí ajudar você! Não faz besteira!” O choramingo de Seth deixava tudo pior. Eu não suportei mais, mesmo ardendo em raiva e descontrole, eu forcei minha forma lupina recuar. Eu não queria ninguém vasculhando minha cabeça, eu queria sumir!

Mas não havia paz, minha mente se sacudia e as imagens dela me vinham como uma avalanche. Por quê? Por que Bella teve que escolher aquele caminho? Por que ela não me deixou amá-la? Eu saí daquela maldita casa sentindo um pedaço meu ser rasgado e deixado lá, sentia que eu me modificava. Eu sentia a dor pela rejeição de Bella, mas eu também sentia raiva.

Eu sabia, no fundo eu sempre soube que ela não me escolheria. Mas eu fui imbecil, um idiota pra continuar tentando. Eu me arrastei aos pés dela como um verme, chantageei e mendiguei um beijo miserável.

Mas ainda sim eu acreditei, acreditei que a força daquilo que eu sentia pudesse fazê-la mudar de idéia, mas eu fui um …

_ IDIOTA! – Eu gritei pro vento, minha voz saiu quase irreconhecível. Uma mistura de dor e ódio.

Eu corria nu para o mais longe possível daquele lugar, lugar onde Bella está queimando e se transformando em monstro, lugar onde o seu príncipe vampiro está cuidando da coisa bizarra que ela pariu. Se aquela coisa pode morrer com o golpe que dei nela, não me importa! Nada mais importa, porque aquilo que eu dei tanta importância era falso! Por que então acreditar na maldita coisa que chamavam de amor? Não faz sentido, não vale à pena… não vale…

Eu parei no meio de qualquer lugar da mata, não fazia diferença o onde, e caí. Caí de joelhos em mais uma fraqueza idiota por algo também idiota. Mas doía… eu me contorcia por dentro porque algo em mim ainda preferia ficar agarrado na ilusão de que eu amaria… mais do que isto… ficar agarrado na ilusão de que Bella me amaria.

Gritei, gritei tanto até que minha garganta doesse. Finquei minhas unhas na terra úmida e fria tentando cavar um buraco para enterrar as malditas lágrimas que saiam de mim. Eu chorava, eu estava chorando sim, mas seria pela ultima vez. Nunca mais eu vou me permitir chegar tão baixo quanto estou agora. Este sentimento que me faz rastejar, nunca mais vai me dominar!

_ NINGUÉM, NUNCA VAI ME FAZER ACREDITAR NESTA MALDIÇÃO! – Ok, eu tinha enlouquecido, virado um maluco. Um louco gritando no meio do nada pra ninguém ouvir. Eu ri depois que disse aquilo, ri enquanto os soluços idiotas me faziam engasgar. Eu estava uma miséria, uma miséria de garoto e isto era por ela?

_ É por você Isabella? É por você que eu me perdi nesta loucura? POIS NUNCA MAIS EU VOU CAIR NISTO DE NOVO! NUN-C-CA!

Maldito soluço! Eu rugi enquanto chorava. Eu não suportava aquilo, não suportava aquela dor, não! Eu continuei falando sozinho, meus miolos só podiam estar torrados. Como se não bastasse meu coração que se perdia, eu ia perder também os neurônios?Que ótimo Jacob, que ótimo!

_ Eu não quero isto de novo, eu não quero! Eu não quero sentirrrrrrr!!! – E eu continuava falando, ou rugindo… eu não sei! Mas, conforme eu falava, eu sentia algo em volta de mim, poderia ser o vento talvez, que parecia estar mais forte, mais frio.

Meus olhos estavam ardendo, era como se um balde de areia tivesse sido jogado neles. E eu continuei lá, me lembrando de quantas vezes haviam me dito que o amor era a coisa mais bela do mundo, enquanto mentiam pra mim que o amor era o que nos dava alegria…

Mas eles, eles que diziam aquilo, já sofreram o que eu estava sofrendo? Em tudo, em quase tudo eles falavam, mas nada mais me faria acreditar. Eu não ia mais acreditar, nem obrigado, nem que… nem que… aquela magia estúpida tentasse fazer efeito sobre mim!

E pensar que naquele desespero eu cheguei a querer ser cegado por um imprinting… um amor irreal, devocional… era maldição também, maldição do meu maldito sangue…

Mas assim que eu tive este pensamento, fui arremessado de cara na terra pela força inacreditável de uma rajada de vento… não era possível, como um vento me derrubaria, como? Eu devia estar mais fraco do que eu pensava. E, de cara para terra, eu gritei ainda mais alto, ainda mais louco.

_ Seu idiota, seu imbecil! Por que você chora por ela, por que você sofre por esta porcaria?

Outra vez eu senti a força do vento me impedir de levantar, ao mesmo tempo este vento parecia produzir um rugido, um som que me remexia por dentro, como se me dominasse. Eu ri, ri de novo da minha loucura. Eu extravasaria tudo ali, tudo naquele momento… porque depois eu não seria mais tão estúpido, tão tolo por derramar lágrimas… por sentir… nada seria mais forte do que esta resolução…

_ NADA! Nem este maldito imprinting!

De repente lembranças que eu não evoquei tomaram conta da minha cabeça. Eram as lembranças do olhar terno e fascinado de Quil para Claire, lembranças do sorriso estonteante e feliz que Jared dava a Kim e do mesmo sorriso que ele recebia de volta, da aura de felicidade que invadia tudo diante das trocas de carinho de Emily e Sam… Eu não queria pensar naquilo, mas minha mente estava me traindo. Aquelas lembranças vinham sem controle e tentavam me oprimir, me contrariar, me dizer que minha revolta com o amor era mentira, que o imprinting poderia ser feliz como aquelas imagens…

_ NÃO!!!!! – Parecia uma espécie de magia macabra, um espírito contrário querendo tomar conta de mim, tentando fazer meu ódio por aquele sentimento recuar. Mas quanto mais ele tentava, mais eu me enfurecia…

E parecia que o vento formava um redemoinho em volta de mim, à força dele quase arrancando meus pelos da pele… parecia que o vento também brigava comigo, como se ele estivesse sendo controlado…

Novas imagens, novas recordações invadiram minha cabeça. Desta vez eu ouvia o velho Quil falando sobre o imprinting nas reuniões da fogueira, enaltecendo o amor surreal que dominava os lobos. Meu pai também parecia adorar aquela magia, como se fosse uma dádiva. Eu ouvia novamente as palavras de Billy sobre o imprinting, ditas em um momento passado…

_ Dádiva de amor aos lobos… — Eu repeti em voz alta o que meu pai dizia em minha cabeça. Mas só de lembrar naquela palavra, só de dizer amor em voz alta, a dor parecia ainda maior, parecia me comer inteiro. Esta dor também é uma dádiva?

_ Maldição! Maldita é esta magia isto sim! – Eu não ligava mais para o vento em volta de mim, parecendo mais forte que uma tempestade… – O que é? – então estava acabado! Eu tinha finalmente enlouquecido completamente, porque senti vontade de gritar com o vento como se ele fosse algo… ou alguém… — O imprinting não é dádiva merda nenhuma, porque o amor não é uma dádiva. Isto tudo é uma desgraça! Uma desgraça!

E o vento me respondeu com um assovio agudo, ao mesmo tempo ele ficava mais gelado, tão gelado que o impossível parecia acontecer: eu, um lobo, estava começando a sentir frio.

_ Pois saiba que se esta desgraça tiver que acontecer comigo eu vou preferir a morte! Prefiro morrer, me matar a ficar mais uma vez cego!

As lembranças de momentos românticos e felizes pareceram me invadir com mais força e em maior quantidade, incontroláveis. Desta vez eu também me lembrava de Rachel declarando seu amor a Paul… mas era ilusão, era ilusão o que aquelas lembranças tentavam me mostrar. E eu tinha raiva de tudo aquilo, muita raiva porque a única garota que eu amei, a única que eu quis, me negou. E ela dizia que me amava e eu, iludido ou não, via isto nos olhos de Bella. Eu enxerguei amor contido nos olhos dela… mas era mentira!

Então eu evoquei um ódio de dentro de mim, porque eu queria que o ódio me livrasse daquela fraqueza que a dor me causava, eu queria que a raiva me fizesse forte pra suportar… porque fora isto eu não tinha mais nada, eu não queria mais nada. E ele veio, o ódio que eu evoquei veio com força e as outras lembranças pararam de repente. E foi movido por este ódio que eu gritei:

_EU RENEGO O AMOR, EU RENEGO ESTE MALDITO IMPRINTING!

Eu caí depois daquilo, fechando os olhos com a última chicotada que o vento me deu nas costas. E então a ventania simplesmente parou, mas antes — talvez aquilo ainda fosse resquício de minha loucura descontrolada – o vento pareceu me dizer em um sopro revoltado:

“Você vai se arrepender disto…”

Aquilo me sacudiu por dentro, parecendo romper algo em mim. Aquele rompimento, que parecia tendões se arrebentando devagar, doeu, doeu demais. Mas depois daquilo eu dormi naquele lugar, nu, coberto pela terra e extremamente cansado.

No outro dia, quando eu acordei, quando eu abri os olhos, eu não era mais um tolo. Eu não era mais o idiota do “Jake”, o sol particular de Isabella Swan…

#Flash Back off#

Jacob abriu os olhos novamente, sua respiração ofegante. Há muito tempo a lembrança daquele dia infeliz não lhe vinha com tanta exatidão. Muitos detalhes ele havia até mesmo esquecido. Ele voltou a levantar o rosto e a encarar seu reflexo, mas quase soltou um grito quando olhou para o espelho: uma magnífica mulher loira estava à suas costas, somente a alguns centímetros de distância, quase o tocando e ele não sentiu sua presença tão próxima.

Os olhos castanhos eram circundados por cílios claros, sua sobrancelha formava um desenho impecável sob seu olhar, os lábios tinham um desenho suntuoso, seu corpo alto, tão alto quanto Jacob, era esguio, lembrando as perfeitas proporções de uma estátua grega. E seus cabelos loiros prateados iam-lhe até abaixo do quadril, chegando ao início das coxas, cheios e lisos.

Ela o olhava de uma maneira única, com o seu jeito perturbador e enrijecido, jeito que ele odiava, porque lhe causava calafrios internos. Era Quendra, era a rainha elfo com o esplendor que Jacob jamais vira: o esplendor de sua aparência humana. Ela estava tensa, a seriedade tomava a bonita face de pele branca e rosada. O olhar dela dizia a Jacob que ela estava consciente de tudo o que se passava dentro dele.

Ele então soube:

_ Foi você que me fez lembrar disso, não foi? – A perfeita exatidão da lembrança, de tantos anos atrás, tamanha perfeição que pareceu mais um momento revivido, não podia ser somente um privilégio de sua memória.

_ Sinto que você se esqueceu do que disse, do que fez naquela noite. O que aconteceu lá foi crucial.

Jacob se virou pra ela e franziu a tez, mas logo a lembrança da voz do vento, coisa que ele pensou ser um delírio, lhe veio novamente. Quendra voltou a lhe incitar aquela lembrança.

_ Não foi delírio. – Quendra falou, enquanto sumia da frente de Jacob e reaparecia sentada imponente em uma poltrona ao lado da cama. A postura dela naquela poltrona fez o assento parecer o seu trono.

_ Como assim não foi delírio?

_ Tentaram te ajudar naquele momento… — Quendra parou e voltou a penetrar rasgando os olhos de Jacob. Um brilho insondável surgiu nas órbitas castanhas. E então ela disse: — Mas você negou! – A voz dela estava muito baixa, mas ainda sim tinha um peso esmagador.

Jacob soltou um riso incrédulo, logo depois se lembrou de Sarah no quarto ao lado.

_ Ela não ouvirá. – Quendra garantiu. Depois ela finalmente fechou os olhos, suspirando. – Você tem a mínima consciência da força de seus sentimentos Jacob? Você tem consciência de que a magia em teu sangue não é maldita, mas gloriosa e que faz tudo em você ser expandido e elevado à altura dos céus? Você é cego o suficiente para não saber que a força imponderável de sua descendência, vinda tanto da família de sua mãe, quanto da de seu pai, faz isto em você ainda maior?

_ Aonde você quer chegar? – Jacob fazia força pra permanecer de pé, mas se Quendra estava ali, ele sabia que ela não ia lhe dar uma informação tão fácil de digerir. Ela sorriu.

_ Você tem idéia da força de seus sentimentos Jacob, do poder deles sobre qualquer coisa?

Então Jacob riu, na sua cabeça vieram as palavras: “Poder dos meus sentimentos sobre qualquer coisa? Então por que Isabella me negou?”

Quendra certamente ouviu aquilo, pois logo depois o som do riso de escárnio dela sacudiu o estomago de Jacob.

_ E você ainda quer isto? Você ainda deseja voltar ao passado e mudar a escolha de Isabella Swan?

Jacob nada respondeu, emudeceu a voz, o pensamento e até o coração. Quendra olhou pra Jacob e falou algo que voltou a lhe sacudir mais.

_ Você se iludiu, mas não foi pelo amor, foi por Isabella. O sentimento que você tinha por ela não carregava a força que os seus sentimentos verdadeiramente possuem!

_ Você está então querendo me dizer que meu sentimento verdadeiro e real seria um imprinting? – Ele disse, com claro ar de deboche e ironia. Quendra estreitou os olhos e sombreou a tessitura se sua voz.

_ Se eu fosse você não debocharia do que estou dizendo…

_ Ah não? Não debocharia? Quer dizer então que os nossos sentimentos verdadeiros têm uma força inestimável, mas é uma força que não é capaz de vencer um maldito feitiço?

_ Em primeiro lugar, o imprinting não é um feitiço, mas puramente o vosso sentimento. O imprinting é simplesmente a conseqüência do verdadeiro sentir de um lobo. E este sentir é tão forte, que se revela imponderável desde o primeiro olhar. – Quendra havia se levantado e caminhava muito devagar para Jacob, falando mansa demais. Aquilo era também perigoso em se tratando da rainha elfo. – Em segundo lugar: os sentimentos de vocês, lobos, podem sim subjugar um imprinting. Só que não é algo muito aconselhável.

Aquelas palavras fizeram algo dentro de Jacob se contorcer, disparando seu coração, causando um barulho ensurdecedor em seus tímpanos…

“Você vai se arrepender disto…”

A voz estranha e desconhecida voltou a sua memória e, naquele instante, não parecia mais ser simplesmente do vento, mas de algo que vivia dentro de Jacob, algo que era mais antigo do que ele próprio.

_ Como assim?

_ O que eu quero dizer Jacob, é que o amor de um lobo tem tanto poder quanto o ódio de um lobo. Um pode anular o outro, são como dois caminhos. Os lobos podem sim escolher, mas para cada escolha há uma consequência. Naquela noite você fez a sua escolha, você escolheu o seu caminho, escolheu o sentimento que preferia se agarrar. Só que esta escolha teve consequências.

O olhar de Quendra dava-lhe medo, mas lhe causava medo porque eles pareciam refletir o ódio que ele evocou naquela noite no meio da mata. Tinha uma força liquidante.

_ Consequências? – Jacob repetiu engasgado. – Que consequências?

_ Em dez anos você perdeu muita coisa Jacob, muita coisa. Seu destino poderia ser outro, suas verdades poderiam ser outras. Isto modificou não só a sua vida Jacob, não foi só a sua vida… – Quendra se afastou e passou a alisar a parede do quarto de Jacob que era a divisa com o quarto de Sarah. Esta estava completamente entorpecida por um sono profundo que Quendra incitara.

Jacob estremeceu ainda mais.

_ O tempo, meu querido, pode ser precioso pra se viver quando há algo pelo o que realmente vale a pena viver. O tempo concedido diante disto pode ser uma oferenda divina… o tempo. A cada segundo perdido cabia um mundo Jacob, um mundo inteiro de experiências perdidas, um mundo inteiro… Quanto mais tempo se perde, quanto mais tempo se continua agarrado em algo errado, mais coisas serão perdidas, mais tesouros incalculáveis deixarão de ser acumulados em seu espírito. Quando eu digo que vocês não têm consciência do que realmente é esta magia de vocês, eu não falo besteira. Imensa e preciosa… Deus queira que você tenha tempo…

O olhar de Quendra passou a ficar melancólico, enquanto ela continuava a alisar a bendita parede como se acariciasse a própria Sarah.

_ Eu não… entendo… — Jacob se deixou cair no chão, confuso. A coisa revolta continuava a perturbar seu interior.

_ Entende Jacob, você entende. Mas o que impede de que tudo fique claro pra você é simplesmente a cegueira a qual você se agarra. Cegueira que você preferiu para não ver a sua tola fraqueza, foi quando você imperdoavelmente profanou algo tão glorioso. Mas você, como muitos outros, não tinham ainda este direito, porque eram ignorantes, completamente ignorantes de seu significado. Você Black, quando você se enfraqueceu e deixou-se dominar pela baixeza de um sentimento ignóbil, simplesmente pra fugir de algo que você precisava passar para crescer. Sim, você era uma criança, uma criança muito frágil pra lidar com algo tão forte. Você cometeu um erro, revoltou aqueles que iluminavam seu caminho, aqueles que mesmo partindo para outra dimensão, uma dimensão muito maior do que esta, ainda continuam guiando os seus, alimentando uma união que nem a morte pode vencer. A união de um povo evoluído Jacob. Mas você recusou aquela ajuda, recusou e agora, faz grande parte do seu caminho só!

_ Por que você está me dizendo isto? Por que então você está se preocupando com alguém tão miserável quanto eu?

Ele sentiu as mãos de Quendra levantar-lhe o rosto, se esquivou.

_ Olhe nos meus olhos Jacob Black! – Uma ordem! Jacob teve que levantar a face e fixar seus olhos nas imponderáveis órbitas._ Qualquer ser que vive sobre esta Terra está sujeito a miséria Jacob. Mas cair na miséria não significa que você seja realmente desprezível. Muito pelo contrário, você ainda possui algo dentro de si que pode evitar que você morra na cegueira deste erro. Mas para isto, você precisará retroceder o caminho, enfrentar coisa por coisa do que você tentou esconder e fugir. Você vai ter que lutar contra coisas mais poderosas do que você e tomar para si mais do que a sua própria dor, mas a dor de outro ser, um ser atrelado a você mais fortemente do que até mesmo eu posso compreender. Não compreendo porque até mesmo diante de sua recusa ela é mais forte, ela me obrigou a interferir, esta força me impediu de fazer algo que realmente era ponderável para o propósito de minha existência. Eu vejo a todo momento a consequência deste meu ato, mas, ainda assim, não tenho como exterminar isto. É mais forte do que eu.

Jacob viu tantas emoções distintas nos olhos de Quendra, no desabafo confuso daquela criatura que sua cabeça girou, dando-lhe ânsias. Ele queria fechar os olhos e fazer aquilo parar, mas a ordem de Quendra era mais forte, ele ainda mantia seus olhos fixos nos dela.

_ Não é explicável a força gloriosa que ainda existe em você Jacob, uma mesma coisa que também vive em outro ser. Algo que não morreu mesmo quando você a renegou. Isto ainda vive em você, com uma força que me subjuga, ela está ai, pulsando dentro de você, em algum lugar dentro de você. – Quendra colocou a mão no centro do peito de Jacob- Você está quase a encontrando Jacob, quase. Mesmo quando os seus te abandonaram em relação a isto, mesmo quando os seus deixaram de influenciar seu caminho e fazê-lo seguir para o seu tesouro, ainda sim você caminhou para isto. Cego, inconsciente. Mas caminhou. Mas lembre-se: sua escolha do passado teve conseqüências e nada tão sublime poderá erguer-se sob estas coisas mal resolvidas. É preciso desconstruir para reconstruir Jacob. Por isto eu vim aqui esta noite, pra lhe dizer apenas uma coisa, pra lhe conceder o benefício de um único conselho: se você realmente quer, se você realmente sente, destrua-se! Destrua tudo o que você escondeu primeiro, todos os fantasmas que você escondeu em seu caminho. Sua fraqueza diante desta destruição será também a sua glória Jacob. E você não terá que destruir só os teus monstros, não só os teus monstros Jacob…

Quendra desapareceu então, deixando mais aquele enigma no ar.

Notas finais
Segui pro próximo, não para não! Haha... Mas comenta os dois tá? kkkkk...