The Precious Blood

36 NOW AND ALWAYS


Chamam de místico tudo aquilo que não podem compreender,

Tudo aquilo que impressiona, cativa, transcende...

Então talvez chamem de místico este celar de duas almas,

o momento em que elas se consagram.

Mas saibam que isto é só o que há dentro, que só não o alcançam aqueles que tem medo de mergulhar...

Isto é só o amor reivindicando seu espaço e sua supremacia.

Ele, o amor, constituí e é a razão de todas as razões,

Desde antes do pó se fazer corpo e muito depois do corpo se fazer pó.

Sentaram-se um na frente do outro, no meio dos dois estava Billy, que trajava roupas características dos índios americanos. Só a partir daquele momento Sarah pode olhar ao redor e realmente ver o que estava a sua volta. Acima de sua cabeça, cordões de flores e cristais tinham sido pendurados, dando um brilho cálido ao lugar. Era quase a hora do por do sol.

Leah, Embry, Seth, Caleb, Paul, Quil, Jared, Brad, a recém integrante da matilha, Julia Kanã e outros lobos que Sarah não conhecia muito bem, estavam ao redor deles, na primeira fileira dos convidados. Atrás dos lobos, Sarah pode ver os outros quileutes e alguns poucos conhecidos do hospital, chamados em ultima hora pra estar ali. Ela tinha estranhado, mas Jacob fez questão que Marlon fosse ao casamento. Doutor Hanson também estava sentado nas almofadas ao redor do altar junto de uma Milla com um sorriso um tanto tímido, que acenou brevemente para Sarah.

_ Hoje estamos aqui, presentes não somente em corpo, mas em espírito, para o sacramento da união de duas almas transcendidas pelo amor. Antes de qualquer coisa que possamos dizer, é preciso entender que este ato, o casamento, é um dos mais sagrados momentos da vida. É o momento que representa a entrega, o elo mágico, aquilo que aproxima seres terrestres da divindade dos céus. – Billy disse, com a sua voz adquirindo o caráter solene do momento.

Sarah suspirou e fechou os olhos brevemente. Segurou seu buquê com um pouco mais de firmeza, suas mãos suavam, o cheiro dela se espalhava como perfume de flores pelo lugar. Jacob olhava pra ela… e sorria.

_ Eles darão as mãos neste momento, e seguirão pela vida, não só a terrestre, mas a vida eterna. O Grande Rei do Universo nos coloca aqui neste mundo para viver, comer, crescer, se perpetuar… mas mais do que isto, ele nos fez capaz de amar. E quando amamos alcançamos uma certa nobreza, nos tornamos sábios, vislumbramos domínios mágicos e sagrados. Quando uma alma se entrega para outra, quando elas se enlaçam em verdade, não há nada que pode se meter entre elas. Juntas elas criam uma fortaleza única… é a força de Deus. – Billy sorriu para os dois. As pessoas estavam silenciosas. Podia-se ouvir o quebrar das ondas na praia e o som da brisa de verão. O dia tinha começado a adquirir aquela cor laranja de início de crepúsculo.

Seguindo o ritual, Jacob se inclinou para Sarah e pegou as mãos dela, fazendo ela deixar o buquê de lado.

_ De mãos dadas… sempre... de mãos dadas. Juntos um do outro sigam, subam, cresçam na espiritualidade a caminho do que realmente é verdade. Caminhem e descubram a verdadeira razão dos vossos corações baterem. – Billy disse.

Logo depois Leah saiu da fileira dos lobos. Ela caminhou até Jacob e Sarah com uma espécie de infusão de ervas em uma tigela. Tinha um cheiro refrescante. Ela se ajoelhou na frente do casal, sorrindo pra eles. Lentamente jogava gotas daquela infusão nas mãos unidas dos dois.

_ Vocês não poderão subir sozinhos a partir de agora. A força de um será a força do outro. Serão guiados neste caminho pelo sentimento que povoa os seus corações, as suas almas. – Leah disse, como beta da matilha, posição oficializada há pouco tempo por Jacob. – São rei e rainha… que reinam juntos. Entre vocês não há superior e inferior. São dois iguais. – A loba se abaixou e beijou as mãos unidas, sentindo em seus lábios a eletricidade pulsando dos dois, o tremor da carne. Sorriu e saiu, voltando para perto de Embry.

Sarah perecia poder sentir o coração de Jake batendo dentro do peito dela, sua respiração quase não podia se conter. Mas ela olhava pra ele e tudo mais se completava, sentia que tudo o que ela precisava parecia morar dentro dela. Ela sentia Jacob vivendo, respirando dentro dela, sentia os olhos negros despertarem dentro de si a fervura de um sorriso. Seu interior sorria mais do que seus próprios lábios, que estavam trêmulos. Dentro de si passou a caber todo o seu mundo. Sentia-se plena. Jacob sorriu pra ela e então ela pode ver, diante de seus olhos, a direção de seus passos, o porquê de sua vida pulsante no corpo terreno.

_ Hoje é motivo de júbilo entre nós, de felicidade nos céus. Hoje celebramos a benção que é o compromisso deste homem e desta mulher. Hoje o Universo se alinha e o pó das estrelas queima e caí sobre nós. Diante deste sacramento somos abençoados. – Billy ergueu as mãos ao alto e os quileutes gritaram graças. – E assim, entre eles se fará o compromisso precioso da união. Façam agora seus votos.

Eles diriam as mesmas palavras que um dia pronunciaram Taha Aki e a sua terceira esposa. Sarah tinha gravado as palavras, ditas e repetidas nas reuniões que ia antes do casamento. Seria ela a primeira a falar.

Os dois se levantaram, a mão de Jake apertou a dela e ele respirou fundo, fechando os olhos. Suas mãos estavam mais quentes que o comum.

_ Me entrego a ti. Estou com as minhas mãos entre as tuas, eu estou em tuas mãos. Proteja-me, sou tua. – Sarah disse, e sua voz melodiosa e bela entrou nos ouvidos de Jacob como um néctar supremo. Aquelas palavras já haviam sido ditas, eram repetidas, mas Jacob duvidava que um dia elas puderam ser ditas como estavam sendo ditas a ele naquele momento. Era como uma carícia em cada átomo de seu corpo. Ele sorriu, de novo, sem poder se conter, sem sequer perceber que sorria.

_ Tu és a estrela que me guia. És todo o mistério que nasci pra desvendar… tu une o céu e o mar. Tu és meu ar e minha água. Te acolherei em meus braços e no meu peito estarás segura e dele nunca mais saíra. Estás cravada em mim com raízes profundas. Sou teu, agora e sempre. – O hálito saboroso de Jacob soprou no rosto de Sarah conforme sua voz rouca lhe disse aquelas palavras. O chão faltou debaixo dos pés dela, parecia que flutuava. Ao longe se escutou um suspiro choroso de uma mulher.

_ Meu guerreiro, és parte de mim. Abissal é o meu amor por ti, nasce e cresce no meu âmago. Ofereço-te meu amor, ofereço-te meu corpo, minha vida. Aceite-me como sou, em todas as minhas formas, ama-me de todas as formas e em todos os tempos. Entra na minha vida, alma e leito e tenha-me sempre e agora. – Naquele momento não havia espaço ente eles, ainda que estivessem juntos somente segurando as mãos um do outro. Suas almas se ligavam e era tão perceptível aquilo, que era quase possível de se ver a olho nu.

_ Luz da minha vida, teus braços são o refúgio dos meus sonhos, a minha fortaleza. – Jacob abriu os olhos e quebrou o “protocolo”, se aproximando dela mais do que o indicava a tradição e Sarah fez o mesmo movimento, seus peitos quase se colaram, faltavam milímetros pra se encostarem completamente… suas peles, cobertas pelas roupas, se roçavam conforme seus peitos se elevavam em uma respiração conjunta. – Sarah… — ele disse, embora não fosse pra dizer o nome dela naquele momento, nos tempos antigos os índios casados não se tratavam em nomes pessoais na frente de outros. — ... você é o meu sol… — o peito dela sacudiu, roçando o dele levemente quando se ergueu, ardendo com o calor da pele. — … você é o sol da minha alma. Você é aquilo que me aquece… aquece o que está dentro, não o que há fora. – E foi tão forte o que ele disse que revirou tudo o que havia nela, reconstruindo uma nova mulher. Uma lágrima desceu deixando um rastro iluminado em sua face.

_ J-jacob… — Ela gaguejou, sorriu sem jeito. Ele havia desconcertado sua cabeça. Ela se esqueceu completamente do que deveria dizer. Sorriu e improvisou, dizendo não o que devia dizer, mas o que queria dizer. – Serei a guardiã deste amor… Eu vou te amar devotamente a cada segundo, estando eu morta ou viva. Eu irei para você sempre, porque é para você que meus pés caminham. Eu sou tua e agora eu sei…eu sei porque a minha alma te reconhece e te chama. Minha natureza se alarga, se abre e é pra você! Eu sei agora que não há vida se este amor não morar em mim. Não há vida sem você. Agora eu sei que te amo infinitamente e que este amor é sagrado.

Ela abaixou os olhos e riu um riso gaguejante e exultante, enquanto Jacob lhe fazia uma carícia na face.

_ Bem… é… — Billy começou, sua voz engasgada. – Meus filhos, recebam agora o símbolo de vossa união. – Ele disse, e logo Sarah e Jacob puderam ouvir Rachel sussurrar.

_ Vão, vão crianças! – Ela disse, dando uma leve empurradinha nas crianças que carregavam uma cestinha toda cheia de flores. Claire recomeçou a cantar.

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Os pequenos Brian, Matt e Jason vinham orgulhosos carregando a cesta, atrás das meninas que traziam velas em uma pequena redoma de vidro, iluminando a passagem dos garotos. Jake e Sarah olharam para as crianças e sorriram, elas viriam abençoar eles. As crianças eram consideradas seres de alma pura e o símbolo da fertilidade, por isto estavam sempre tão perto dos noivos. Elas chegaram até eles e deram um beijo na bochecha de cada um, depois de sentaram entre o casal, envolta da cesta onde estavam as alianças de Jacob e Sarah. Elas levantaram as mãosinhas na direção das alianças e fecharam os olhinhos.

_ Abençoe, Rei da Vida, a vida dos noivos… — Billy sussurrou e as crianças repetiram em coro…

_ Abençoe, Rei da Vida, a vida dos noivos… dê-lhes alimento, riquezas eternas e o sustendo da alma… Que não se esqueçam que estão vivos e podem amar por causa de Sua bondade… Que debaixo do andar deles nasça um grande jardim… e que dê frutos… Graças daremos sempre ao Amor e a Verdade!

As vozes infantis terminaram todas juntas de repetir a prece com Billy. Logo depois, Claire pegou as alianças e pôs no meio de suas mãos. Ela passou a mão criança por criança e cada uma delas deu um beijinho nelas. Depois disso a menina passou as alianças a Billy, que as pegou nas mãos e as ergueu ao alto, em direção ao céu.

_ Levantem-se todos! – Ele pediu, com sua voz trovejante. Todos se levantaram e fizeram o mesmo que as crianças: elevaram as mãos em direção às alianças. – Rei dos Céus! Tudo que é essência vem de ti. Pulverizaste sobre a terra o pó de seu amor e isto caiu e se abrigou em nossos corações. Faça-nos dignos disto. Multiplique este amor e que eles, Sarah e Jacob Black, possam ser um do outro em união, crescer em espírito e chegar até a Sua Graça.

Billy abaixou a mão e a direcionou para Sarah. Ela sorriu, deixando Jake por um momento e se ajoelhando na frente do sogro. Olhou para as alianças e ficou vislumbrada. Eram de ouro, puro e legitimo, brilhando claro aos seus olhos. Haviam nelas inscrições, em todo o seu redor, varando sua espessura e deixando os espaços das letras vazados.

_ Está escrito em quileute, Sarah: amor sagrado de almas eternas. Foi feita para o casamento de Emphraim Black com sua esposa espiritual. Costumávamos usar somente pulseiras, mas esta foi forjada de uma maneira muito especial. Usei ela com a mãe de Jacob… – Billy sussurrava para ela, explicando tudo aquilo. – Pegue, agora é de vocês!

Sarah sorriu e pegou a maior das alianças como se portasse um tesouro incalculável. Ela se levantou e voltou a caminhar até Jacob. Pegou a mão dele e acariciou. Seus olhos brilhantes encararam os dele.

_ Serás meu primeiro pensamento ao acordar e o ultimo com o que irei me deitar. Serás o meu meio, meu caminho, meu motivo, minha porta, meu guerreiro e meu homem. – Conforme falava, Sarah colocava a aliança delicadamente no dedo de Jacob. Beijou sua mão quente.

Foi a vez de Jacob ir até o pai para pegar o outro par da aliança. Billy lhe sorriu e Jacob lhe beijou a testa.

_ Serás meu primeiro pensamento ao acordar e o ultimo com o que irei me deitar. Serás meu meio, meu caminho, meu motivo, minha porta, minha deusa e minha mulher. – Jacob repetiu os votos, olhando nos olhos de Sarah com aquela intensidade tão dele, tão larga e infinita. Lentamente levou a mão dela até sua boca e depositou seus lábios na pele com tanto carinho que ela sentiu seu corpo todo acariciado.

_ Ajoelhem-se aqui meus queridos! – Billy pediu e os dois obedeceram. Billy colocou as mãos na cabeça deles e os dois fecharam os olhos.

_ Vós viestes juntos a Terra e juntos permanecereis agora e sempre. Estarão juntos até depois que as asas brancas da morte dissiparem vossos dias. Estarão juntos até mesmo no espaço sagrado da memória silenciosa de Deus. Porque viveram dignos disto, porque amaram em vida e porque honrarão aquilo que formam as vossas almas. Que os ventos dos céus dancem entre vós e sejam para sempre abençoados. Este é o sacramento de vossa junção! Não se esqueçam, em nenhum momento, o que aqui viveram, o que aqui sentiram e o que aqui disseram. E sigam vossos caminhos pelos rumos sagrados. Amém!

_ Amém! – Repetiram-se em coro as vozes dos noivos e de todos os que ali estavam. Uivos imediatamente ecoaram e algumas das índias quileutes iniciaram uma prece cantada de poucos versos.

_ Agora meus filhos se levantem e nos contemplem com a beleza de algo sublime. É chegada a hora, quando são um do outro, de marcarem tudo com um beijo… e não precisam ter vergonha, o beijo de amor é também sagrado. – Sarah riu e Jacob também. Os convidados acompanharam o riso dos noivos.

_ Velho… -Jacob disse lentamente, em tom de advertência.

Billy riu.

_ Vamos logo com isto! Está todo mundo esperando! – Ele disse e todos riram novamente. Logo depois ele chamou Jake para perto e lhe sussurrou: – Mostra que é meu filho! – Sarah não aguentou e riu junto com Jacob.

Mas quando Jacob pegou na mão dela para que se levantassem, seu estomago girou como se aquela fosse a vez de seu primeiro beijo. Lentamente ela se levantou e olhou para Jacob… e não havia mais nada, só ele.

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Jacob deu um passo e ela estava mais perto, mais linda, com sua boca a lhe chamar. Ele sorriu e dele uma lágrima escapou, emoldurado sua face máscula e imponente de um rei em glória amorosa. Diante da lágrima, contrastando com seu sorriso, havia uma certa harmonia. Ele elevou a sua mão esquerda e a levou para o rosto daquela que agora havia se consagrado verdadeiramente sua. Ela fechou os olhos, esfregando seu rosto na mão dele e sorrindo com uma beleza olímpica.

A mão esquerda dele pousou atrás da cabeça dela e a direita envolveu sua cintura, trazendo o corpo suntuoso para perto do seu. A proximidade trouxe o som de trovões para seus peitos e uma explosão de ligações nervosas. Os poros se levantaram, saudando-se. Os seus peitos ficaram tão juntos que seus corações pareciam se tocar.

Sarah deixou a cabeça tombar nas mãos dele, remida, e abriu os lábios graciosamente. E então Jacob foi beber da essência de sua mulher como se a experimentasse pela primeira vez, e o prazer que era sempre único e inédito. Sarah sentiu o sabor doce e picante de Jake em sua boca, a língua dele movendo-se de uma maneira tão certa na sua, e sentiu sua alma alcançar a proporção do Universo. Foi um beijo pleno, como poucos seres na Terra são capazes de ofertar ou de receber.

_ E o amor é isto… — Enquanto se beijavam, sem pressa alguma que aquilo terminasse, escutavam a voz terna de Sue terminar a cerimônia. — …este momento tão largo e grande, inconsciente e bendito em êxtase. Os corpos de homem e mulher passam a ser toda a Natureza, e as duas almas, quando juntas, passam a ter o espaço capaz de abrigar toda a imensidão do infinito. É algo tão grande que seu mistério é eterno… mistério de força e surpresa… — Jacob apertou mais Sarah contra si e ela apoiou a mão em seu ombro, sem partir os lábios. – Neste beijo e em todos os outros, Deus transmite seu hálito aos amantes e cada beijo torna-se a sanção dos Sete Dias, o Início chameja em cada abraço. Testemunhem a beleza de que… entre estas duas bocas soluçantes, rola todo o Universo em harmonia e em júbilo. Viva aos noivos! – Sue gritou por ultimo, e todos gritaram com ela. Os tambores começaram a soar e finalmente as bocas de Jacob e Sarah se separaram.

Em meio a aplausos, pétalas voando pra cima deles, cantos, tambores e gritos, Jacob disse a Sarah:

_ Kwop Kilawtley…

_ Kwop Kilawtley! – Sarah respondeu de volta.

E aquele foi o momento em que as duas felicidades se confessaram uma da outra, selando o encontro entre tantas esperas e instantes. Eles se sabiam e se reconheciam: era pra sempre. E não era nada forçosamente.

O sol se pôs finalmente, como um belo milagre da natureza, sustentando a imponência daquela união. Os astros regozijavam-se, pois sabiam, muito antes daquele casal vir a existir, que a união celebrada naquele dia, comunicaria a profundidade de um afeto.

**********

Sarah se sentiu ser comprimida naquele abraço como uma garotinha.

_ Você vai amassá-la toda! Pare com isto garoto! – Rachel ralhou.

_ Ei, Rachel! Não atrapalhe o meu momento e o momento da noiva ok? – Ele disse, rindo com seu jeito maroto de sempre.

_ Ok, ok! Eu vou atrapalhar este momento, porque a noiva é minha Caleb! – Jacob disse a Caleb, colocando a mão no ombro dele e fazendo uma cara de ameaça que poderia ser muito assustadora, se o seu olhar não tivesse um brilho tão alegre.

_ Chefe! Entenda uma coisa: agora você terá que dividir a noiva com todos os convidados! Porque agora é a festa, depois você vai ter ela só pra você, combinado? – O jovem lobo disse a Jacob, risonho. Jacob estreitou os olhos e Sarah riu da expressão dele.

_ Será que eu dou conta de dividir a atenção com todo mundo? – Ela perguntou.

_ Vai ter que dar! – Paul chegou perto dela e empurrou Caleb pro lado com tudo. – Aprenda comigo cunhado. É deste jeito que se espanta intrometidos! – Paul disse, pegando na mão de Jacob e o abraçando, dando tapas vigorosos em suas costas. – É isto aí cunhado, parabéns! Belo casamento, bela noiva e… é só isto! Não vou falar que o noivo é bonito também! – Jacob riu, e Rachel também.

A festa tinha começado, na praia mesmo. Os garotos haviam improvisado um sistema de som com músicas de todos os tipos, grande parte do pessoal dançava na areia. Segundo Caleb e os meninos mais jovens, tinha que ter músicas mais atuais pra animar a festa, porque a noiva era moderna também e nasceu nas terras dos caras pálidas.

Naquele momento, Jacob e Sarah recebiam os cumprimentos. Eram abraços em meio a muitos risos. Os lobos estavam brincando com o casal, se intrometendo entre eles pra cumprimentá-los, deixando os dois longe um do outro.

Julia havia entrado na matilha se sentindo ainda deslocada, ela era uma índia de Makah e não conhecia nenhum dos garotos. Teve de se mudar de sua casa para La Push e ficava sempre no canto, só uma pessoa conseguia conversar mais com ela: Brad. Ela era linda, fazia o mesmo tipo mulherão que Leah fazia, mas tinha os traços do rosto suaves, não falava muito, mas sorria lindamente. Ela cumprimentou Sarah como se ela fosse sua rainha, com olhos baixos. Com Jacob ela ficou absurdamente reservada, pois ainda tinha medo da imponência do alpha, apesar de ele ter sido um tanto mais terno com ela.

_ Ainda tem as danças! Sarah vai dançar com a … com o… grupo de quileutes guerreiros inteiro! Fazendo as honras da mulher do chefe! É tradição! – Embry disse a Jacob, logo depois que Julia deu seus cumprimentos, separando as mãos dos noivos quando eles finalmente conseguiram se tocar depois do fim da cerimônia. Ele se pôs no meio dos dois e colocou um braço no ombro de Jacob e outro braço na cintura de Sarah.

Jacob abriu a boca para reclamar, mas a fechou de novo quando viu o grupo de colegas de trabalho de Sarah caminhando em direção a eles. Marlon cumprimentou os dois com sorriso cordato e abraçou Sarah um tanto desconfortável com o olhar de Jacob. Seguido dele vieram algumas enfermeiras mais próximas de Sarah, duas recepcionistas e sua secretária, a Sharon. Sharon tinha os olhos inchados pelo choro.

_ Nunca me emocionei tanto doutora! Obrigada por me convidar! Está tudo tão lindo!

Depois chegou a vez do diretor do hospital.

_ Sarah! Meus parabéns, seu casamento estava lindo! Foi a coisa mais espetacular que eu vi na vida. – Doutor Hanson disse, se aproximando empolgado do casal, olhando tudo ao redor como um antropólogo diante de uma cultura distinta. Parecia que fazia uma nova descoberta. Sarah sorriu.

_ Obrigada Hanson! É uma honra tê-lo aqui.

_ Posso dar um abraço na noiva, meu caro? – Hanson perguntou para Jacob.

_ Bom, você é o primeiro que pede permissão. Então pode.

Hanson abriu os braços e Sarah foi na direção dele, deixando-se ser abraçada enquanto dava um riso leve.

_ Sua felicidade está tão aparente que chega a contagiar sabia? – Ele lhe disse, em meio ao abraço.

_ Então se deixe contagiar Hanson! — Ela disse, se soltando do abraço e aproveitando para voltar pra perto de Jake enquanto não havia nenhum quileute no meio. Mas ela se enganou, olhou pra baixo assim que viu Jason sorrindo entre ela e Jacob. O garotinho riu maroto e de longe Sarah escutou a risada do pai dele, Paul.

_ Parabéns Jacob. Vocês já eram casados, mas eu acho que nunca é demais recomendar que você faça esta mulher feliz. Ela merece. – Hanson disse, pegando firmemente a mão de Jacob, sem saber que ele não sentiu quase nada com aquele aperto.

_ Não, nunca é demais. Acredite que eu vou me esforçar bastante pra isto e… obrigada pelos dias de folga que você deu pra gente! – Ele disse e o doutor riu.

_ Pra gente? – Sarah perguntou.

_ É, aquele hospital também me cansa! – Jake respondeu enquanto se abaixava, pegava Jason no colo e chegava perto de Sarah para envolver seu braço na cintura dela.

– Você está com febre meu filho? – Hanson perguntou repentinamente a Jacob.

_ Não, ele não está febril doutor. Jacob tem uma temperatura elevada devido a um distúrbio genético que…

_ Ei doutores! Eu não acredito que vocês vão ter este tipo de conversa medicinal nesta festa! Gente, os médicos são seres esquisitos! – Milla, a simpática mocinha da cantina, chegou interrompendo a “explicação” de Sarah.

_ Ok, Milla. Você está certa. Vamos deixar isto pra depois. – Sarah respondeu.

_ Eu não falei que eles são um caso sério? Eles não desistiram da explicação, só adiaram! – A garota balançou a cabeça indignada. – Jacob, boa sorte pra enfrentar as maluquices de uma médica! – Ela falou séria pra ele, com uma expressão pesarosa. – O casamento pode ser difícil, mas não desista ok? Deve ter algo mais forte pra fazer você enfrentar as coisas de médico. – Jacob gargalhou. Ela deixou um riso escapar, mas de repente olhou pra trás e Jacob percebeu a moça estremecer visivelmente. O coração dela acelerou, mas ela tentou disfarçar.

_ Enfrentar coisas de médico? – Sarah perguntou, rindo. Mas Milla não respondeu, não continuou a brincadeira, abaixou a cabeça e começou a esfregar as mãos.

_ Milla? – Hanson perguntou, preocupado com o nervosismo dela.

Sarah olhou pra Milla novamente e para Jacob. Este sorriu e apontou com o queixo um olhar fascinado fixo em Milla não muito longe dali. Seth não tirava os olhos dela. Sarah sorriu, sabia o que tinha acontecido. O engraçado era que Seth vivia aparecendo na porta do hospital e os dois nunca haviam se cruzado. Uma vez Sarah acabou de se despedir de Seth e Milla desceu do ônibus esbaforida para cumprimentá-la. O que era o destino!

Sarah fez um sinal para Hanson e Jacob colocou Jason no chão. De repente Milla percebeu Jacob de um lado seu e Sarah de outro.

_ Quê que foi? – A garota perguntou confusa, ela não tinha sacado o movimento do casal, pois estava preocupada demais em olhar para Seth e esconder o rosto corado.

_ Eu tenho que te apresentar uma pessoa Milla. – Sarah disse, sorrindo compreensiva para a menina.

_ Agora eu entendo o impulso que tive para convidá-la. – Jacob disse, coçando o queixo. Milla enrugou o cenho.

_ Hã? Ei, vocês são doidões é? O amor ao invés de deixar cego deixa doidão? – Ela disse, com voz alterada.

_ Acho que você está bem perto de descobrir isto Milla. Pressinto que você vai ficar mais próxima da gente, então nós ainda vamos conversar sobre isto. – Sarah disse, começando a levar Milla em direção a um Seth sorridente, sendo acompanhada por Jacob.

_ Olha só gente! O Seth foi fisgado! – Eles escutaram Paul sussurrar.

_ Que lindo! – Rachel falou, abraçando Paul. – O casal mais espetacular que eu já vi indo formar outro!

Assim que Milla percebeu para onde estava sendo levada travou.

_ Ei vocês estão ficando malucos? Onde estão me levando? – Ela se inclinou para Sarah. – Por quê você vai me apresentar pra ele? – Ela sussurrou, sua respiração alta.

_ Você não quer isto? – Jacob perguntou, com ar de riso.

_ Quero. – Milla respondeu imediatamente, colocando a mão na boca assustada com o que disse. – Por que ele está me olhando deste jeito? – Ela sussurrou, com os olhos fixos em Seth.

_ Pergunte pra ele. – Sarah e Jacob finalmente chegaram perto do lugar onde Seth esperava. Ele olhou para os dois e fez uma mensura de agradecimento, depois olhou pra Milla e sorriu. O coração da garota falhou uma batida.

_ Bem vinda ao nosso mundo Milla. – Jacob sussurrou no ouvido dela, voltando a abraçar Sarah e se afastando, deixando o mais novo casal imprinting a sós.

_ Posso saber o seu nome? – Eles ouviram Seth dizer com voz mansa.

_ Ludimilla… — Ela respondeu, muito baixo…

Sarah e Jacob sorriram, se aproximaram para se beijar e…

_ Ei! Eu ainda não cumprimentei a noiva! – Quil disse, empurrando os dois. Jacob rugiu.

Os garotos estavam definitivamente zoando com a cara de Jacob. Eles carregavam Sarah para todos os lados e nunca os deixavam a sós. Quando Jacob brigava com eles, conseguindo com que se afastassem, então uma trupe de crianças os rodeavam, jogando pétalas ou simplesmente formando um cortejo em volta deles.

_ Não brigue com as crianças meus filhos! – Billy disse, rindo da aparente exasperação do filho.

Mas Sarah somente ria de tudo aquilo e levava Jacob a rir com ela.

_ Parece que eu tomei um estoque de vinho! – Ela disse, pelo tanto de abraços espontâneos que ela estava distribuindo e pela forma como ria sem parar.

Ela dançou com todo mundo, até com as crianças. Jacob pegou suas irmãs e as fez dançar com ele. Rachel pulou com o irmão, o abraçava e apertava suas bochechas, deixou ele a erguer no alto. Já Becca relutou um bucado em ir para o meio da grande roda onde os quileutes dançavam, mas Jacob e seu marido acabaram convencendo-a. Ela envolveu seus braços no pescoço do irmão e ficou na ponta dos pés pra tentar alcançá-lo.

_ Ainda me lembro da época que você era menor do que eu, Jake. – Ela disse, enquanto era embalada por Jacob em uma dança lenta.

_ Ainda me lembro de você roubando o bolo de chocolate que a mamãe colocava no meu prato, me fazendo chorar. – Ele sussurrou no ouvido dela, fazendo-a rir.

_ Você chorava e como a mamãe não brigava comigo você dizia: “você é glande e fica robando meu doche! Sua goísta!” – Ela lembrou. – Você era tão fofo falando errado.

_ Eu sempre fui fofo, eu sei disto Becca. – Jacob disse, olhando Billy sorrir para os dois a distância, com Sarah do seu lado, encostando a cabeça no ombro do sogro.

_ Você sempre foi convencido, isto sim! – Becca falou, dando um tapa nas costas do irmão. – Mas agora você não está mais fofo… você está assim… hã… gostoso! – Ela riu do que disse e mordeu a bochecha de Jake levemente.

_ Bom… eu também sei que sou gostoso. – Ele riu e girou Rebecca rápido, parando-a com as costas curvadas. Ela fechou os olhos e gritou. Ele voltou a erguê-la e a abraçá-la.

_ Seja feliz meu irmão! – Ela sussurrou, chorando silenciosa, com um sorriso prostrado nos lábios.

_ Já sou. – Ele disse e olhou para Sarah, ainda perto de Billy. Sabia que ela tinha ouvido. Ela sorriu e moveu os lábios e Jacob pode ler um: “eu também!”

_ Ei, ei, ei! Todo mundo aqui galera! – Seth gritou no microfone, fazendo sua voz ecoar por toda a praia. – Vamos ver o momento mais magnífico da nossa tradição: a dança do acasalamento! – Ele disse rindo, alguns olhos se arregalaram, mas em um movimento quase imperceptível Leah estava atrás do irmão metendo-lhe um tapa na cabeça e tomando o microfone de suas mãos. Milla estava próxima do lobo, recebendo constantes olhares e sorrisos de Seth. Seus olhos brilhavam e sua bochecha estava corada.

_ Mãe: este pirralho não pode ser meu irmão! – Leah disse, assim que conseguiu roubar o microfone de Seth, fazendo todos rirem. – Mas o que vai acontecer agora é um momento especial sim! É uma dança, mas não é do acasalamento. – Leah continuou o seu pronunciamento, enquanto Jacob e Sarah eram empurrados para o centro da roda que se formou. Sarah deu um sorriso quando passou por Milla e Seth e percebeu as mãos unidas.

_ O acasalamento fica pra mais tarde! – Brad gritou, no meio do povo.

_ Seu idiota, tem criança aqui! – Leah ralhou no microfone. Todos riram novamente. Jacob abraçou Sarah e os dois olharam para Leah. – Sarah… Jacob… — Ela começou. – Não sou muito boa em discursos, principalmente se o protocolo for dizer um bando de frescuras como: sejam felizes, que o amor prospere e tal e tal…- Os noivos riram, Jake revirando os olhos. – Isto tudo pra mim já vai acontecer e eu desejo isto e… o Jacob sabe muito bem o que eu penso e… — Leah estreitou os olhos, olhando para Sarah. – Suspeito que a noiva também saiba muito mais coisa do que diz que sabe!

Sarah fez uma cara de desentendida e Jake se moveu desconfortável.

_ Mas o fato é que, agora, como o meu irmão disse, é hora de mais uma tradição. Neste momento a noiva mostra porque as mulheres mandam nos homens fazendo o Jake babar em uma dança sua… — Ela riu do que disse e Sue gritou no meio da multidão.

_ Está vendo Leah? Você é mesmo irmã do seu irmão!

_ Ok, ok! Vamos parar com isto tudo e ir pra ação! Por lei e costume a noiva dança para o noivo no dia do casório e depois eles dançam juntos! Então Jacob, fica parado aí e Sarah: faz daquele jeito que eu sei que você sabe, mulher. Só não capricha muito porque o acasalamento fica pra mais tarde. – Sarah arregalou os olhos e todos riram, mais uma vez.

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Os índios que iriam cantar se posicionaram sentados ao redor dos noivos, então o rufar dos tambores começaram. A música começou com a característica tribal primitiva, Sarah soltou da mão de Jacob e colocou as suas mãos entre os cabelos, desmanchando seu penteado e tirando a tiara de cobre do meio deles. Bastou que ela os sacudisse para que ficassem com ondas grandes e belas, caindo por seus ombros até abaixo de sua cintura.

Como dizia a tradição Jacob ficou parado no centro do círculo, de pé, os olhos dele sérios, ficavam mais intensos com a pintura negra que havia ao seu redor. Ela começou a dançar, movendo-se com graça e elegância no ritmo forte e pulsante. Ela girava em volta de Jacob, movendo as mãos graciosamente e deixando seu peito ser impulsionado pelas batidas dos tambores. Os olhos dela ficaram graves, como de uma felina em caça, hipnotizavam sua presa. Ela batia os pés no chão para impulsionar os giros e curvava as costas, chegando muito perto de Jacob por vezes.

Com os cabelos na frente do rosto ela sorriu pra ele, ergueu o vestido com as mãos e girava no tempo exato de uma batida de tambor. De repente Jacob saiu de sua imobilidade, e no meio de um giro dela ele agarrou a cintura e a ergueu acima de sua cabeça. Sarah subiu ao ar graciosamente, sorrindo quando sentiu as mãos de Jacob a elevar. Ele retornou a abaixá-la, descendo o corpo dela extremamente próximo dele. Então a dança dos dois começaram e pareciam ser um só, pois seus corpos faziam os mesmos movimentos, como se um fosse a continuação do outro.

Por vezes os movimentos eram bruscos, mas o mais belo eram os sorrisos que Sarah dava com sua face corada e os cabelos escuros na frente no rosto. A respiração dela fazia as mexas se levantarem. Jacob a impulsionava em certos saltos e ela mal pousava no chão e, sem perder o equilíbrio, saia movendo os ombros no ritmo dos tambores e vinha de encontro a ele novamente.

Quando Jacob a puxou de um jeito brusco para o meio de seus braços, fazendo os cabelos dela voarem para frente, e quando ela envolveu os braços no ombro dele, os tambores fizeram sua cadencia percussiva e pararam deixando um eco no espaço.

_ Minha… — Jacob sussurrou no ouvido dela e ela o beijou, com a energia da música que dançaram.

_ Chuva! – Alguém gritou, um dos lobos talvez. Mas antes que eles pudessem perceber que a pressão do ar realmente ia desaguar na praia naquele instante, a chuva caiu com pingos grossos e gelados em cima de todo mundo. Assim, de repente.

Os corpos unidos de Sarah e Jacob foram encharcados rapidamente e a pintura começou a se desfazer. As crianças começaram a pular na chuva, brincando.

_ De onde veio esta chuva toda? – Sarah perguntou para Jacob, pois não tinha sentido a mudança tão rápida do tempo. Tudo estava encharcado, até os aparelhos e caixas de som. As velas espalhadas sobre a areia se apagaram, mas a lua ainda resistia a cobertura das nuvens e iluminava a noite.

_ De Deus. – Jacob respondeu, erguendo o rosto em direção a chuva e deixando a água lavar a pintura de seu rosto.

_ A festa continua no mar! Vamos! – Seth gritou.

_ Mas o mar está frio! – Milla reclamou.

_ Eu te esquento. – Ele disse, catando-a no colo e correndo em direção as ondas.

Jacob fez o mesmo com Sarah e grande parte dos quileutes foram para o mar. As crianças ficaram na beirada, chutando a água e brincando na chuva. Jason esfregou o rosto e deixou a sua pintura toda borrada. Aqueles que eram lobos foram mais fundo no mar. Leah e Embry desapareceram no meio das ondas.

Os convidados que não tiveram coragem de fazer aquela ousadia ficaram observando tudo da praia, sem se importar com a chuva fria. A noite estava quente, as pessoas estavam quentes.

Sarah mergulhou no mar e, submersa, Jacob a puxou para um beijo sem fôlego que fez a energia dos seus corpos se conectarem ainda mais. Eles emergiram completamente sem ar, com a cabeça girando pela falta de oxigênio.

_ Acho que a festa não vai ser mais que isto. – Sarah disse, olhando a decoração destruída pela chuva e a farra das pessoas na praia.

_ Então vamos… — Jacob disse, a puxando para fora da água.

_ O que? – Ela perguntou. Ele sorriu e a abraçou, beijou a curva do seu pescoço, sugando a água salgada de lá e disse:

_ Vamos para casa…