The Precious Blood
20 MULHERES FERIDAS
Notas iniciais
Agora vamos a mais um cap! Falamos mais no final!
“Tu, que em seus atos impensados e impudicos,
Lançaste a dor em corações femininos.
Tu, que se fechou em sua arrogância e ignorância masculina,
Enfrente agora o olhar de suas mulheres.
Enfrente a dor nos olhos delas, a revolta.
Enfrente a decepção feminina lhe torturando o coração.
Não poderás fugir disto: erraste homem, agora pague!
Diante delas se ajoelhe e se arrependa,
Confesse sua miséria e, só assim,
Se faça digno novamente!”
Sarah se virou para trás, para a mulher que sorria amarga pra ela, e franziu o cenho.
_ Ora, ora, ora se não é a ilustre senhora Black, esposa do nosso gostoso predileto! – Sarah nada disse, aquela mulher só podia estar bêbada demais.
Ela virou as costas para a moça e voltou a cuidar de seus cabelos em frente ao espelho.
_ Estou falando com você, senhora Black! – A ruiva deu um passo em direção a Sarah.
_ Estou ouvindo, diga o que quer senhorita…
Mery sorriu.
_ Mery Stron.
_ Sim, senhorita Stron, pode dizer o que deseja.
_ Vejam só, ela é educada! – Mery riu, batendo palmas. _ Devo dizer que é bem diferente do seu marido… Sarah… — Ela disse com voz arranhada, os olhos vermelhos, quase alucinados.
Sarah respirou fundo e engoliu um bolo em sua garganta. Aquela mulher tinha alguma mágoa, alguma necessidade de afirmação. Sarah reconheceu aquilo de longe. Mas ela não ia ficar ali pra ajudá-la, ela nada poderia fazer quanto aquilo.
_ Se não se importa eu tenho que voltar a festa, já esta tarde e devo ir. – Sarah disse, se direcionando a porta. Mas a tal ruiva se pôs bruscamente em sua frente, impedindo.
_ Que bonito, vai voltar pra casa com o maridinho. Está com pressa pra que ainda dê tempo de irem pra cama esta noite?
_ Creio que isto não lhe diz respeito. E acho que você tem que voltar pra sua casa também e tomar um banho e um café forte. Você está completamente descontrolada. Me dê licença! – Sarah já estava no limite de sua paciência, aquela mulher estava a irritando.
Mery soltou uma risada aguda.
_ Mas você é idiota mesmo, não é? Você acredita mesmo que a cama do seu marido não me diz respeito? Imbecil!
Sarah olhou para a mulher e disfarçou a fisgada que sentiu no coração. Suspeitava de que aquela revolta tinha sido causada por Jacob, mas ela não queria saber mais, não queria!
_ Não vejo motivos pra que você me ataque desta maneira, pois em nenhum momento eu agi desta forma com você. Agora eu vou dizer pela última vez: saia da minha frente! – Sarah disse, segurando firme sua carteira de mão pra não arrancar a ruiva de sua frente a força.
Mas Mery se virou para trás de uma vez e trancou a porta de saída, jogando a chave com brusquidão na direção de Sarah, que desviou facilmente.
_ Você só vai sair deste lugar quando eu te disser tudo o que eu quiser! E você vai escutar! Vai escutar que muitas mulheres dividem a cama de seu marido, ouviu isto? Você pode desbancar esta pose, porque você não passa de uma imbecil traída!
Sarah teve ânsia de agarrar o pescoço da mulher e esmagá-lo. Mas ao invés disso, se virou para a pia e agarrou o granizo liberando a sua força ali. Ela queria fugir dali pra não ouvir o que ela já sabia que aquela mulher ia dizer. Mas algo a mantia pregada, algo cruel não permitia que ela se retirasse.
_ Sim, o homem que dorme com você, que desfilou com você por esta festa, esteve na minha cama por mais de uma vez! E todos sabem disto! Você pensa que ele queria só te apresentar para os companheiros de trabalho, orgulhoso da esposa médica? – Ela gargalhou. – Não, o que ele queria era desfilar com a idiota que ele trai com a secretária! E todos sabem, todos que ele te apresentou sabem que Jacob Black se satisfaz na MINHA CAMA!
Mery estava machucada e se achava no direito de também ferir, se achava na razão de humilhar a mulher que ela sabia que Jacob preservava.
_ O que foi, nobre doutora? – Mery disse, enquanto via Sarah no esforço de se conter, apertando os olhos. – Você realmente não sabia que você não era suficiente para Jacob?
_ Eu acho que está bom, já disse tudo o que tinha pra dizer, não é? Agora cale a sua boca antes que seja tarde pra você! – Sarah disse em um sussurro que Mery mal escutou.
_ Eu também sei que ele faz gostoso. O mais gostoso que eu já tive no meio de minhas pernas... Ele também te penetra com força? Hummm… adoro arranhar as costas dele sabia? Você já viu minhas marcas nele? Já sentiu meu perfume nele?
A bile de Sarah subiu de seu estomago e lhe foi a garganta, ela fez uma expressão de puro nojo ao ouvir aquilo. Naquela altura ela já estava quebrando o granizo da pia, seus olhos já estavam perigosos demais.
_ Você vai continuar com seu marido mesmo sabendo disto? Mesmo sabendo que ele transa com outras não fazendo a mínima questão de esconder isto?
Sarah soltou perigosamente a pia.
_ Eu disse chega! — Ela voltou a dizer baixinho.
_ Mas é claro que você vai continuar com ele. Eu aposto! – Ela disse com voz arranhada. – Aquele canalha só poderia ter se casado com uma vagabunda que não se importa com o que ele faça fora de casa, com tanto que ele te faça gritar toda noite, não é? Ahhh e ele sabe fazer isto muito bem…
A ira de Sarah explodiu, ao mesmo tempo que uma dor estranha lhe rasgava por dentro. Sem conter sua velocidade Sarah quebrou o espelho do banheiro e agarrou a nuca de Mery, aproximando o rosto da ruiva, de pele muito bem cuidada, no vidro rachado. A ponta de um caco quase chegava nos olhos de Mery. O espanto fez a mulher ficar estática, sem nem piscar, com o coração batendo furiosamente.
_ Você pensa então que eu sou a idiota? – Sarah disse sem alterar a voz, continuava baixa, os lábios dela encostando na orelha de Mery. Sarah sorria esplendorosamente má. – Pois eu vou lhe contar um segredo: idiota e imbecil é você meu amor. Você que se preza a um papel de objeto sexual descartável. Sim, descartável! Pois eu tenho certeza que Jacob acabou de te jogar fora. E você se iludiu a ponto de pensar que seria mais do que isto? Ora, é tão burra que me faz rir. Você pode dar sempre o seu corpo minha querida, você poderá fazer um homem gemer como um selvagem em cima de você, mas você não tem aquilo que você mais quer: carinho! Você é desejada como uma fêmea no cio que estava no lugar certo e simplesmente disponível. Então eles vão lá, se enfiam dentro de você com o desejo imundo que eles tem e depois que gozam não se lembram nem de olhar nos teus olhos! Não é verdade cara Mery Stron!?
Lágrimas começaram a cair como cascata dos olhos de Mery, Sarah poderia ficar com pena dela, se não tivesse tão exaltada. Ela deu então o golpe de misericórdia.
_ Enquanto você se prezar a ser um depósito de esperma você não vai ter o amor que eu sei que você tanto procura! Não adianta tentar me sobrepujar minha querida, porque a pobre miserável aqui é você!
Sarah soltou o pescoço de Mery bruscamente, fazendo esta cair pra trás, chorando copiosamente. Saiu do banheiro arrebentando a porta e pisando firme, sem ao menos olhar pra trás. Seu estomago embrulhava. Ela lembrava que tinha deixado Jacob tocá-la, que quis que Jacob a tocasse e sentia nojo. Queria embora dali imediatamente, mas antes precisava se conter um pouco.
Sentou-se no bar e abaixou a cabeça, tentando controlar a respiração exaltada e acalmar o ódio que fervia dentro dela.
_ Um whisky duplo sem gelo! – Ela pediu ao ver o vulto do garçom parar na frente dela.
_ Boa pedida! Uma mulher que agüenta um drink deste é realmente admirável. – Rick Manson! Era tudo que Sarah não precisava ver pela frente. Ela levantou a cabeça, mas não olhou pra ele. Ignorou-o. _ Vejo que Jacob já lhe deixou de canto. – Rick bufou como se lamentasse, mas na verdade sorria por dentro.
Sarah direcionou seu olhar revoltado a ele. O idiota sorriu, Sarah trincou os dentes. Ele era nojento, nojento como eram todos os homens que traziam a marca daquele desejo horrendo nos olhos!
_ É realmente lamentável minha querida. Eu sei que não deveria, mas eu não posso suportar que uma mulher como você seja tratada como Jacob lhe trata. – Ele disse, fazendo uma voz e expressão forçosamente decepcionada.
Sarah pegou o drink que pediu e tomou de um único gole, rindo logo depois da hipocrisia de Rick. Ele continuou a falar, mesmo com o silêncio de Sarah.
_ Minha querida, você não pode ficar sujeita aquele canalha do seu marido. Eu sei que é difícil pra você ouvir isto, mas a verdade, por mais dura que seja, é melhor que a ilusão. – Ele colocou ousadamente a mão por cima da dela no balcão. Sarah ficou rígida como uma pedra. – Eu não posso suportar mais isto, eu preciso lhe dizer que Jacob Black não te merece querida. – Rick suspirou falsamente – É difícil dizer isto, mas ele te traí minha querida. Aqui mesmo, na nossa empresa, existem algumas mulheres com quem ele já te traiu. Nenhuma mulher merece isto querida, nenhuma. E eu não estou suportando as amantes de Black debocharam de você pelas costas.
Sarah fechou os olhos uma vez mais e prendeu um rugido furioso dentro da garganta.
_ A senhorita Stron, infelizmente, é uma delas…
Durante o momento que Rick estava com Sarah no bar, Jacob procurava incessantemente pela esposa na festa toda. Ele não a havia encontrado desde que se livrou de Mery. Mas quando, ao longe, sua visão aguçada lhe permitiu enxergar Rick com a mão encima da de Sarah, do outro lado da multidão de pessoas na pista de dança, ele sentiu o sangue ferver. Apressou-se em ir para o lugar onde eles estavam, mas a quantidade de pessoas que havia no caminho impedia que ele fosse tão rápido quanto queria.
Rick cruelmente apontava as amantes de Jacob para Sarah, a maior parte delas falsas. Acariciava a mão da morena que tinha os olhos vermelhos, mas que não soltavam uma lágrima sequer.
_…ele não merece você Sarah… ele não merece sua fidelidade… — Ele disse meloso, apoiando a mão descaradamente na parte descoberta da perna cruzada de Sarah. – Pessoas como ele merecem provar do mesmo veneno, você não acha minha querida?
Sarah abriu um sorriso lindo, mas dominado por nojo e sarcasmo. Ela procurou os olhos de Rick, sentiu a aproximação de Jacob mesmo sem vê-lo. Ele havia ouvido a última frase de Rick e tentava passar furiosamente pelas pessoas.
Jacob viu espantando quando Sarah se inclinou para Rick, com um sorriso nos lábios tingidos de vermelho, quase tão vermelhos quanto seu olhar de ódio, e pegar a mão do miserável que estava em sua coxa. Sarah se aproximou mais… o coração de Jacob começou a se contorcer, mas o ódio e a dor eram muito mais nocivos em Sarah.
Parecia que Jacob estava andando lento demais, ele não conseguia se aproximar dos dois nunca. Ele ouviu o coração de Rick se acelerar quando os lábios de Sarah estavam perigosamente perto dele, de seus ouvidos. Jacob sentiu raiva quando viu o sorriso iluminar a face de seu patrão.
_ Eu sei apenas o que você merece… querido… - Sarah sibilou no ouvido de Rick, fazendo este estremecer ao sentir ela enfiar a mão por dentro da manga de seu smoking. – Sabe qual a vantagem de ser médica e estudar tão minuciosamente o corpo humano Rick? – Ela continuou sussurrando, Jacob continuou a se aproximar, ainda longe e lento demais.
_ Adoraria saber meu bem… — Sarah quase quis vomitar com a voz impregnada de lascividade daquele ser asqueroso. Ela via um espectro de Xavier nele.
_ A vantagem é que eu sei exatamente a reação que posso causar em pontos específicos do corpo humano. – Logo que disse isto, Rick sentiu o aperto dela em seu braço dolorosamente. Ele gemeu. Sarah havia pego certeiramente um nervo que fez doer e travar todo o lado esquerdo de Rick.
_ Eu adoraria te provocar mais gemidos como este canalha… — Sarah disse, apertando com mais força…
Mas ela soltou de um Rick verde de dor quando mãos fortes lhe agarraram a cintura e a puxaram para trás. Era Jacob.
Ela a colocou atrás de si, sem que ela esboçasse reação diferente de uma pedra. Ele se virou para Rick, que tinha um olhar espantado e receoso. Jacob também deu-lhe um sorriso raivoso tão potente quanto o de sua esposa, articulando os dedos da mão e os fechando. Os olhos de Rick se voltaram para o punho de Jacob, mas antes que ele cumprisse seu intuito de fugir ou gritar, Jacob elevou o braço, e contendo consideravelmente sua força, socou o meio da cara de Rick. Ele caiu pra trás, voando longe. Com um único golpe ele teve o nariz arrebentado por Jacob, o sangue, que começou a jorrar imediatamente, quase o impedia de respirar, o sufocando.
Ele se encolheu ao vislumbrar Jacob se abaixando para ele. Este agarrou o colarim manchado de sangue de Rick e disse com voz gutural.
_ Isto é um pedido de demissão chefinho. Você realmente tem sorte de não estar morto agora. Porque acredite: eu poderia fazer isto facilmente. Quero que você saiba que eu sei de todos os superfaturamentos que você tem nas peças que comprou a meu pedido… você não gostaria que a Matriz soubesse disto não é? Então amanha você vai depositar centavo por centavo do acerto dos seis anos que trabalhei nesta porcaria. Adeus, idiota. Considere-se um homem de sorte quando acordar vivo amanhã!
Jacob soltou Rick e se virou para Sarah, um círculo de pessoas se formou em volta deles. Ele se aproximou dela e tentou lhe pegar o braço pra saírem dali, mas ela recuou rispidamente, virando as costas e cortando um caminho por entre as pessoas.
_ Espera! – Jacob disse, indo atrás de Sarah. Mas ela não esperou, pelo contrário, apertou o passo desviando habilmente das pessoas que a encaravam.
Ela se sentia cada vez mais humilhada, o olhar daquelas pessoas dando-lhe ainda mais revolta. Ela ergueu o queixo e continuou a marchar para fora daquele inferno pulsante.
_ Mas que diabos Sarah, espera! – Jacob disse, alcançando o braço de Sarah e o pegando.
Mas quando ele a vira pra si, quase se encolhe diante do olhar que ela lhe deu. Estava embargado de ódio e decepção. Ela o encarou por um instante, ele nada disse. Bruscamente ela puxou o seu braço das mãos de Jacob. Porém, assim que ela se virou para retornar ao seu caminho, Sarah e Jacob se depararam com Mery.
A ruiva tinha a cabeça baixa e o penteado desgrenhado. Ela ergueu os olhos e encarou Jacob. Dor! Havia muita dor nos olhos dela. Seu rosto manchado com as lágrimas, a opacidade da decepção e humilhação tomava conta do olhar de Mery, aquele olhar foi como uma faca aguda penetrando em Jacob. Ela olhava para ele e mais uma lágrima caía lentamente pelo seu rosto, Jacob engoliu em seco.
_ Fique com ela! – Sarah disse raivosa, também com pena daquela mulher, mas ainda assim, sua raiva era maior. Ela enfiou a mão no bolso de Jacob e retirou a chave do carro de lá.
Jacob voltou a encarar a esposa, entendendo que Sarah e Mery haviam se encontrado e que o resultado daquilo não foi bom pra nenhum deles.
_ Espere… — Foi a única coisa idiota que ele conseguiu dizer. Mas ela lhe escapou novamente, saindo pra fora daquele lugar em busca do carro.
Jacob foi dar um passo imediato na direção de Sarah, mas ouviu um soluço esganiçado atrás de si. Era Mery. Ele se virou pra ela, Mery pode ver pela primeira vez uma emoção passar pelo rosto dele, direcionando-se a ela. Era uma espécie de aflição. Ela enxugou as lágrimas e disse:
_ Vai, vai atrás dela. É com ela que você tem que ficar. – Ela disse aquilo e virou as costas, andando perturbada por entre a multidão.
Jacob ficou parado um instante, vendo as costas de Mery se afastar, sentido o peso da angustia dela sobre si. Mas depois se afastou, correndo pra fora quando escutou o motor de seu carro. Ele chegou a tempo de ver Sarah saindo com o carro, se pôs na frente. Ela não parou de imediato, chegou a bater nas pernas dele fazendo-o ir pra trás com o impacto.
_ Abre a porta! – Ele disse. Ela saiu do carro arrancando a chave da ignição e jogando pra ele, enquanto se afastava rápida demais para uma mulher com um salto tão alto.
Jacob correu atrás dela, alcançando-a depois de uns passos.
_ Você veio comigo e vai voltar comigo! Entre naquele carro! – Ele disse. Ela riu e se afastou novamente.
_ Sim marido. Eu obedeço já que seu prazer é me humilhar. – Ela disse amarga, havia uma amargura ainda mais intensa em seus olhos castanhos.
Sarah entrou no carro, no banco do passageiro, e virou o rosto pra janela. Jacob entrou logo depois, evitando considerar os bochichos das pessoas que olhavam a cena, e deu partida no carro novamente, saindo com os pneus cantando.
A respiração de Sarah estava alta, os seios dela subiam e desciam rapidamente, o ritmo forte e doloroso do coração dela parecia socar Jacob a cada batida. Ele apertou as mãos no volante, pisando fundo no acelerador, fazendo as luzes da cidade sumirem atrás deles rapidamente. Sarah colocou as mãos na cabeça e tirou a tiara, jogando longe, acertando a perna de Jacob. Logo depois ela desprendeu seus cabelos do penteado, fazendo-os cair em ondas volumosas em volta de seu rosto, descendo pelo seu busto.
Jacob bufou e desviou os olhos da estrada para encarar Sarah. Ela novamente olhou para ele como quem olha pra algo podre, franziu os lábios como quem continha um enjôo. Jacob franziu o cenho e desviou os olhos, mas ela não o fez. Passou o restante da viagem silenciosa massacrando Jacob com seu olhar, não movia um músculo além do que a sua respiração exigia.
Rápido ou devagar demais eles finalmente entraram no portão da casa dos penhascos. Assim que Jacob freou com brusquidão, Sarah saltou do carro, e entrou veloz como um relâmpago dentro da casa, batendo a porta atrás de si. Jacob fechou os olhos e tentou conter seu tremor, saiu do carro e foi rapidamente pra dentro da casa, esmurrando a porta da sala pra entrar.
_ O que é? – Ele gritou pra Sarah. – O que te deu? – Ele perguntou quase não querendo ouvir a resposta. Sarah voltou de seu quarto descendo as escadas lentamente, já sem os sapatos.
_ Ora Jacob, você não sabe? Mas o seu plano deu certo! – Ela disse mórbida, batendo palmas e rindo com um sarcasmo exagerado.
_ Do que você está falando? Que plano? Ficou louca?
_ Não se faça de idiota! Você me levou pra visitar o antro que você trabalha por quê? Por que lá é um lugar de respeito? Ora, me poupe! Você me fez conhecer suas amantes, me exibiu como a idiota da esposa traída por que senão pra me humilhar?! Pra que Black?
_ EU NÃO FIZ ISTO!
_ AH NÃO, CLARO, ELE É INOCENTE.
_ VOCÊ ESTÁ MALUCA!
Ambos gritavam exaltados. Sarah parecia uma fera raivosa.
_ Você quer dizer que não planejava me humilhar quando me levou pra conhecer suas… suas vagabundas!
_ Do que você está falando? – Ele perguntou, mas ele sabia exatamente do que ela estava falando. E a raiva com que ela falava causava uma dor poderosa dentro dele, dor que há tempos ele não sentia.
_ Vai se fazer de inocente Black? Vai negar que não levava não sei quantas mulheres daquelas pra cama?! Vai negar que aquela Mery não era sua amante? VAI NEGAR ISTO?
Jacob agarrou os cabelos, pegou um objeto qualquer que viu pela frente e tacou na parede.
_ NÃO, EU NÃO VOU NEGAR! Eu transei com elas sim! Fiz sexo com Mery enquanto você estava em Washington! Mas eu não lhe devo explicações, nosso teatro não inclui fidelidade!
Por que aquilo doeu tanto? Por que doeu tanto nela quanto nele? Jacob caiu no sofá com um bolo de espinhos na garganta, colocando a cabeça por entre as mãos. Sarah ficou quieta repentinamente, olhando fixamente um ponto qualquer na parede enquanto sentia algo sangrar dentro dela diante da confissão de Jacob. Por que doía?
_ Não, não incluía fidelidade. — Ela disse, com voz tremula. – Olhe pra mim Black!
A muito custo, Jacob se levantou e voltou a encará-la. Os olhos dela estavam secos, mas ainda vermelhos.
_ Não me interessa o que você faz de sua vida sexual Black, não me interessa quantas vagabundas você leva pra cama… duas ou trinta... – Ela bateu uma mão na outra, em um sinal de desinteresse. – Não me interessa o quão canalha você pode ser com cada uma daquelas miseráveis! ISTO NÃO ME INTERESSA!
Ela gritou, fazendo Jacob fechar os olhos e sentir outra pontada no peito.
_ Porque eu sei o quão deplorável vocês homens podem ser, usando como desculpa seus hormônios libidinosos! Vocês se tornam nojentos… — A voz de Sarah falhou, um lágrima ameaçou lhe escapar, ela parou e respirou fundo, tentando se conter e continuar. _ Mas eu lhe digo uma coisa Black: nunca… nunca mais pense que pode me expor ao ridículo como fez esta noite, nunca mais pense que pode me humilhar daquela maneira! Porque eu sou capaz de passar pela maldita ordem de quem for e acabar com a sua vida com minhas próprias mãos! Eu não quero saber quem elas são Black, não quero saber quantas são! O que eu não quero é o meu nome envolvido nesta imundice! Não quero a minha imagem rebaixada a este nível. VOCÊ NÃO TEM ESTE DIREITO!
Jacob apertou os punhos com força, reconhecendo e sentindo em si mesmo a força da voz dolorida de Sarah. Jacob olhou pra ela e reconheceu algo profundo demais, havia mais do que a revolta por uma humilhação nela, havia uma dor e uma ferida de dimensão muito maior que a que Jacob sabia ter causado. Aquilo o sugou pra perto dela, ele deu um passo a frente, ela deu dois pra trás.
_ FIQUE LONGE DE MIM! – Ela gritou, gritou com o que parecia ser medo e nojo. – NÃO ENCOSTE EM MIM! EU TENHO NOJO DISTO, EU TENHO NOJO DE VOCÊ XAVIER!
Ela estava visivelmente alterada, uma espécie de descontrole havia tomado conta dela, a dor era nítida em cada traço de seu rosto. Jacob sentiu seus olhos umedecerem, parou assim que ouviu ela lhe chamar de outro nome.
_ Sarah eu não sou Xavier… quem é Xavier? – Jacob disse, não reconhecendo a suavidade que impregnou sua voz ao se direcionar a mulher que se encolhia fragilmente na parede da sala, alucinada.
Sarah arregalou os olhos, logo depois apertou suas pálpebras fortemente, buscando luz no meio do caos que estava sua cabeça. Ela se lembrava das mãos de Jacob passeando pela pele dela, mas também se lembrava das mãos de Xavier, do olhar lascivo de Rick Manson em direção a ela, da mão nojenta dele em sua coxa…
“Ele também te penetra com força?…” A voz de Mery também lhe vinha à mente.
_ Sarah… eu realmente não quis que você passasse por isto! Me escute, eu não sou tão canalha a este ponto! – Jacob disse ainda mais brando, confuso com a reação de Sarah. Ele tinha um ímpeto forte e irracional de pegá-la nos braços, de acariciá-la.
_FIQUE LONGE DE MIM BLACK! – Ela voltou a gritar, sentindo novamente sua ferida antiga se abrir dentro dela, uma lágrima escorreu transparente de seus olhos. Cristalina e pura, lágrima de uma dor pura de quem um dia teve a inocência corrompida.
_ Sarah, o que está acontecendo com você? Me diga? Você está enlouquecendo? – Jacob atravessou o espaço que faltava até Sarah em dois passos, segurando-a pelos braços suavemente. Mas ela se debateu e gritou furiosa.
_NÃO… NÃO ENCOSTE EM MIM… ME LARGUE!
O que houve em seguida foi rápido demais, tudo aconteceu em segundos: Sarah se saiu dos braços de Jacob puxando-se para trás com ímpeto demais. Ela se desequilibrou e caiu batendo as costas em uma mesinha de canto, derrubando uma bailarina de cristal que enfeitava-a, espalhando caquinhos ao redor de si. Ela ficou caída de bruços no chão, com os cabelos na frente do rosto.
Antes que Jacob esboçasse qualquer reação para acudir Sarah, a porta da frente, vitima de tantas pancadas, foi arrombada bruscamente e o vulto de Leah entrou como um furacão na casa. Ela se aproximou de Jacob e empurrou seu peito com um soco, fazendo-o se afastar de perto de Sarah.
_ Merda Jacob! Seu miserável, o que você fez!? O que você pensa que fez com Sarah? – Leah rugiu pra Jacob, ainda socando o peito dele com força, fazendo-o se afastar ainda espantado demais para ter uma reação.
Leah estava em ronda aquela noite, viu quando o carro de Jacob entrou rápido demais em La Push. Não teve um pressentimento bom, depois de algum tempo foi em direção a casa de Jacob. Foi aí que começou a ouvir os gritos da briga entre Jacob e Sarah. Se destransformou e procurou se vestir, mas antes que pudesse arrumar a roupa no corpo corretamente, ouviu o ultimo grito desesperado de Sarah, o barulho de vidro quebrando conforme adentrava nos limites da residência. Em sua cabeça veio novamente a imagem de um Jacob transtornado lhe esbofeteando.
Ela chegou à sala e viu Sarah caída, encolhida no chão por entre cacos, e Jacob em pé rigidamente em frente a ela.
_ Como você tem coragem? COMO?
Jacob tentou segurar os pulsos de Leah, que insistiam em lhe socar dolorosamente.
_ Leah eu não fiz nada, Sarah caiu. Me escute: eu não machuquei Sarah!
Ele tentava argumentar desesperadamente, sua rigidez havia virado pó diante da fúria e magoa subseqüente de tantas mulheres.
Sarah recobrava o controle sobre si lentamente, mas ainda permanecia no chão ouvindo os gritos/rugidos de Leah para Jacob, tentando compreender o sentido daquelas palavras.
_ Ela não é tão forte quanto eu, seu miserável! Ela não se cura como eu me curo, covarde! Ela é humana e frágil! VOCÊ PODE MATÁ-LA! – Leah continuava se desvencilhando de Jacob e a empurrá-lo para trás com os socos trêmulos que lhe dava no peito.
_ Leah, eu não fiz nada… Eu não machuquei Sarah… — Jacob falava atordoado.
_ Comigo você pode fazer o que for, pode deixar a marca que for: eu resisto, eu me curo. Mas nela não, entendeu? Nela eu não perdôo NUNCA!
_Leah! – Sarah chamou espantada. A loba parou repentinamente, respirando fundo. Dois segundos depois ela estava em cima de Sarah, que ainda estava sentada no chão.
_ Você está bem meu amor? O que ele te fez? Ele te machucou? – Leah se atropelava na articulação das palavras, com a voz embargada. Tirava os cabelos de Sarah do rosto com as mãos tremendo.
_ Leah…
_ Está doendo em alguém lugar?…
_ Leah…
_ Levante-se, eu vou te levar pra minha casa…
_ LEAH! – Sarah disse impaciente, segurando as mãos da índia. –Está tudo bem comigo. – Ela disse mais branda, articulando cada sílaba devagar. – Eu só caí, Jacob não me fez nada!
_ Não? – Leah perguntou com voz tremula.
Sarah olhou para um Jacob agoniado no canto da sala e respondeu engasgada.
_ Não! – Sarah olhou bem a reação de Leah diante daquela resposta. A loba respirou aliviada, parecendo tirar um peso enorme das cotas, sorriu levemente. Ela havia mesmo pensado que Jacob pudesse ter batido em Sarah… as palavras que ela repetia para ele…
“Comigo você pode fazer o que for…”
Sarah olhou de Jacob para Leah novamente e engoliu em seco. Não gostava nada das suspeitas que tinha ao conjecturar no que impeliu Leah pensar que Jacob havia batido nela.
_ Vamos dar uma volta comigo Lee? – Ela disse, mais controlada, encarando os olhos de Jacob. Ele não suportou o questionamento que havia nas órbitas castanhas de Sarah, fechou os seus olhos e trincou os dentes.
Leah só ajudou Sarah se levantar e as duas saíram sem dar uma palavra sequer. Jacob ficou na casa silenciosa, sentido uma dor e agonia dentro do peito. As emoções que lhe transmitiram o olhar de Mery, de Sarah e Leah naquela noite apontavam cada um de seus erros.
“…você precisará retroceder o caminho, enfrentar coisa por coisa do que você tentou esconder e fugir…”
Ele se lembrou das palavras de Quendra. Fechou os olhos, encostou-se na parede e se deixou cair lentamente no chão.
Notas finais
No próximo iremos saber como será a reação de Sarah e do Jake dpois de tudooo isto!
Agora, estou postando um por dia pra vcs, fielmente, que tal se me dessem um presente lindo em forma de recomendação?? Hum??
Façam uma autora feliz! E vc que lê e não comenta, óh, por favor, de o seu lindo ar da graça. Acredite, sinto sua falta!
Bjs pra todas!!!
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