The Precious Blood
46 DOAÇÃO
Notas iniciais
Mas, eu havia me esquecido, porém alguém me pediu nos comentários para eu postar uma foto, mas ou menos de como seria a Milla. Bom, vão neste link ( http://prowinwall.net/wallpapers/2012/10/Ashley-Benson-01-2048x2048.jpg ) que vcs verão aquilo que mais se aproxima da Milla em minha imgainação... Então? Gostam?
Bom, vamos ler!!!
O sangue, senhor da Vida,
Acorda a alma, a liberta...
Irriga-me peito a dentro e queima.
Soa de nós o murmúrio de dor…
Triste, simples…
Junto de lágrimas intermináveis,
com sua chama ardente e eterna...
Fecho os olhos,
com a promessa gloriosa
De vida em morte:
É o fim e é o começo.
_ Elas estão indo bem… — Niadhi disse, enquanto avaliava as três demonstrando as suas maiores habilidades no meio da praia.
_ É, estão. – Jacob respondeu, mas estava sério. Ainda lhe passava um arrepio pelas costas toda vez que Milla estava perto demais de atacar Sarah. Mas ela nunca era pega. Jacob tinha que admitir que de todos eles, inclusive ele mesmo, Sarah era a melhor.
Sarah estava, naquele momento, em mais um de seus treinos com Milla e Renesmee. Depois da conversa clara que teve com Nessie a cinco dias, e depois que Milla tinha superado consideravelmente seu descontrole diante do cheiro de Sarah, as três decidiram investir naquilo: treinamento.
O mais difícil estava sendo o de Renesmee, pois ela precisava lidar não só com o corpo, mas com o seu poder, tentando expandi-lo. Sarah tentou várias formas de faze-la apenas se concentrar e tentar fazer com que sua influência mental atingisse aos outros a distância. Mas somente concentração não adiantava, Nessie só conseguia algo quando estava no limite de suas emoções. As coisas eram densas, e certas vezes Niadhi assumia o treinamento com Renesmee, revelando o quanto poderia ser rígida, apesar de sua carinha fofa de elfo meiguinha. Depois que viu Niadhi em ação com Renesmee, Jacob passou a respeitá-la bem mais.
_ Acha o que? Que nós vamos proteger seus vampiros queridos Renesmee? Não! Nunca! Nós sempre escolheremos os outros, o destino deles acabará assim… — Niadhi dizia a Nessie nos treinamentos e com o seu poder transformava o cenário ao redor deles em algo terrível para Nessie. As imagens variavam entre Cullens sendo esquartejados e Cullens sendo queimados, e Bella’s gritando enquanto via Edward’s com os olhos vermelhos sangue serem mortos por elfos. Eram coisas assim.
No início Renesmee se controlava o suficiente, permanecia firme, consciente de que tudo aquilo era uma ilusão. Mas a medida que aquilo lhe era imposto incessantemente, perdia o controle, e fazia com que tudo o que havia em sua mente fosse visto por todos que estivessem a um raio de 300 metros ao seu redor. O pavor parecia corroer a menina de tal forma, que ela tinha que dividir aquilo com os outros. Jacob, tantas vezes atingindo por aquilo durante os últimos dias, achava angustiante, insuportável. Sabia que, no fundo, aquela era apenas a reação de uma menina que sempre viveu debaixo da asa de seus pais. Queria, por vezes, enxerga-la como uma aberração sugadora de sangue, mas com a convivência, com a forma como Sarah tratava a garota, ele não conseguia vê-la assim. Tinha que admitir até, que a garota era determinada, dada as suas condições.
Naquele dia, já durante a noite, Renesmee estava com os olhos exaustos fixos nos movimentos rápidos de Milla e Sarah enquanto lutavam. Milla tinha melhorado muito, estava realmente boa em seus golpes, mas sempre acabava com o pescoço preso por Sarah, perto demais de ter sua cabeça arrancada.
_ Ok! Você venceu! – Milla rugiu, visivelmente alterada. Os olhos dourados dela encaravam Sarah exasperada.
A morena soltou os cabelos de Milla e se afastou, se concentrando em diminuir a latência de seu cheiro exalado ao redor. Conforme conseguia, percebia os olhos de Milla se abrandando, e ela voltando a respirar sem tantas expressões de dor.
_ Uau… você foi incrivelmente bem hoje… — Sarah disse, sorrindo amigavelmente pra Milla. A vampira fez uma careta.
_ Sei… eu tô é precisando de um urso com sangue bem gordo. – Murmurou.
_ Oh, não tem ursos por aqui... eu também preciso de um… quem sabe isto poderia fazer minha cabeça parar de doer um instante? – Nessie resmungou do outro lado de Sarah.
_ Deus meu! Agora eu sei o quanto sou forte pra suportar esta conversa nojenta de sanguessugas! – Jacob bradou, elevando as mãos e o olhar pra cima. As garotas riram.
_ Sua cabeça dói muito Nessie? – Sarah perguntou, com cara de culpada. Sentia que Niadhi deveria ter sido mais sutil hoje. Há cinco dias ela vinha bombardeando Nessie incessantemente dizendo que Sarah estava “amolecendo” com a hibídria.
Nessie fez um bico, maneou a cabeça.
_ Um pouco… mas eu estou feliz… consegui fazer tudo sozinha hoje! – Ela disse, sorrindo, mas logo em seguida fez uma careta, tendo uma pontada dolorida em sua nuca. – Maldito lado humano, fraco!
_ Ou bendito… — Jacob completou.
Sarah sorriu minimamente e se sentou ao lado de Jake, perto da fogueira enorme que ele tinha aceso ali, segundo ele pra se lembrar de La Push.
_ É, veja bem, eu nem precisei exercitar meu poderes com você hoje hibídria! Você fez tudo como deve ser: conseguiu transmitir visões a nós sem que fosse imagens de seu próprio desespero. Muito bom! – Niadhi sorriu, absurdamente dócil. Nem parecia o demônio azul que aterrorizava Nessie nos últimos tempos.
_ É… mas eu preciso de mais treino. Minha cabeça pareceu explodir hoje, quando eu consegui que vocês vissem algo que tive que “criar”.
Nessie se deitou perto do fogo e fechou os olhos, massageando as têmporas. Logo sentiu as mãos frias de Milla massageando a sua cabeça delicadamente. Olhou pra ela e ela sorriu.
_ Até onde eu me lembro, gelo aplaca a dor. – Disse, delicada. Nessie sorriu e acenou de forma afirmativa, fechando os olhos e recebendo de bom grado os carinhos gelados de sua nova amiga-irmã.
_ Logo vocês verão que tudo isto que estão se esforçando pra desenvolver vai ser tão fácil quanto respirar… — Sarah disse, aconchegada nos braços de Jake.
_ Xiii... falou a senhora enigmática… — Renesmee chiou. – Não entendi na-da!
Sarah riu, mas não explicou nada, apenas encarou o olhar espantado de Niadhi a encarando. Sabia que a elfo deveria ter vislumbrado aquilo que pretendia fazer, ainda aquela noite, enquanto Jacob dormisse. Sorriu mais e ergueu a sobrancelha como que exigisse que Niadhi controlasse sua expressão. A elfo entendeu o recado e logo estava com cara de paisagem.
“Eu não entendo… você lutou tanto pra que elas ficassem longe e agora vai dar isto a elas… assim?” Niadhi perguntou em sua cabeça, mas Sarah apenas deu de ombros disfarçadamente, fazendo parecer que apenas se ajeitava no colo de Jacob, que discutia alguma coisa com Milla naquele momento.
_ …e o seu soco me parece completamente fraco, não faria o mínimo estrago em mim, nem se eu te deixasse me bater… — ele dizia.
_ Haha! Sei… mas na ultima vez que você lutou comigo eu quase lhe quebrei a pata… lobo prepotente! – Milla respondeu, também petulante.
_ Quase, quase, quase… quase mas não quebrou! Ou seja, você ainda não pode chegar nem perto de me vencer! – Ele disse todo convencido. Sarah olhou pra cima e ele realmente parecia um menino prepotente vangloriando seus músculos antes de uma queda de braço. Girou os olhos, mas sorriu. Ele estava mais aliviado sabendo que La Push estava dentro de seus padrões normais desde o ataque com Leah. Nada de vampiros!
Sarah suspirou audivelmente, chamando a atenção pra si.
_ O que foi? – Ele perguntou imediatamente, colocando uma mecha de cabelo desprendido de sua trança para trás.
_ Pra um lobo poderoso você me parece muito capacho às vezes… Jake… — Milla murmurou com ironia, se referindo ao fato de que sempre que Sarah chamava a atenção ele largava tudo e se virava pra ela imediatamente, alerta e todo preocupado.
Jacob mostrou a língua pra ela e voltou seus olhos pra esposa, que tinha um sorriso brincalhão no rosto. Ela se levantou dos braços dele e jogou um punhado de área em Renesmee, fazendo-a acordar no colo de Milla.
_ Aiiii… — ela reclamou, cuspindo alguns grãos.
_ Eu acho que já chega isto tudo aqui. É hora de voltar. Niadhi, podemos partir amanhã?
Niadhi apenas afirmou com a cabeça, sorrindo minimamente.
_ Voltar? – Milla questionou, de repente ficando tensa.
_ Voltar? – Nessie disse, o brilho da saudade pelos seus familiares nítido em seus olhos cor de chocolate. Ela sorriu, sua face corou.
_ Sim, voltar… encarar tudo de perto… — Sarah respondeu, olhando para Jacob e encontrando a concordância em seus olhos, agora mais sérios do que antes.
_ Mas… mas… Sarah… você acha, realmente você pensa que é a hora? Digo, você acha que estamos realmente preparados e que… que … sei lá, que podemos lidar com… com todas as coisas que tem lá fora? – A voz aguda e impecável de Milla tinha um tom de histeria, ela parecia nervosa, seus olhos estavam vidrados novamente.
_ Sim, Milla. Eu acho que não há mais tempo para adiar tudo isto. Temos que voltar.
_ Mas… mas… — Ela se levantou repentinamente, fazendo Nessie pular pra trás. Começou a andar de um lado a outro, como um vulto. – E como é que vai ser? Meus avós acham que eu estou morta e... ninguém que eu conhecia pode me ver de novo, e… e eu não tenho pra onde ir eu…
_ Você poderá ser recebida na reserva, Milla. Se acalme. – Jacob disse, tentando acalmá-la, mas ela sacudiu a cabeça em uma negativa desesperada.
_ Não! Jake, só porque eu aprendi a te tolerar muito bem, não significa que eu possa viver com muitos iguais a você me cercando… não ainda… eu não tenho certeza! – Ela disse aquilo, mas Jacob sabia que havia outra justificativa que ela ocultou: ela ainda não se sentia preparada para estar tão perto de Seth.
_ Eu entendo a Milla, mas não tem porque tanto desespero… — Nessie se levantou, colocando uma das mãos na cabeça e parecendo segurar uma careta de dor. – Você vai morar comigo, lá em casa. Tenho certeza que ninguém vai se opor, minha avó vai até gostar. – Nessie sorriu, segurando uma mão de Milla e fazendo-a parar com toda a sua agitação.
_ Eu acho que esta pode ser uma boa alternativa pra você por enquanto, Milla. – Sarah afirmou, sorrindo. – E nós não vamos adiar o retorno por causa de sua insegurança. Eu já disse e repito: pare com isto!
Milla engoliu em seco e abaixou os olhos, vencida.
_ Tá legal… — murmurou.
_ Mas Sarah… será que vai dar pra eu continuar meus treinos quando voltarmos? … — Nessie perguntou, mordendo os lábios. – Quer dizer… eu acho que meus pais não serão muito a favor dos meios que isto acontece. Você sabe, eles são altamente superprotetores e eu acho que pra gente continuar vai ter que ser meio que escondido… e eu também acho que eles vão querer me proibir de ver você depois de nossa fuga e…
_ Chega Ness! – Sarah disse, interrompendo a tagarelice da menina. – Você não vai mais precisar de treinos depois daqui. – Ela disse, como se aquilo encerrasse a discussão. Jacob franziu a testa, e Nessie a olhou incrédula.
_ Mas como não? – Perguntou, mas só teve como resposta um elevar de sobrancelhas de Sarah e uma cruzada de braços. Obviamente aquilo queria dizer: “eu apenas sei disto”. Bufou, não teria uma resposta melhor, mas ficou intrigada quando percebeu os olhos de Niadhi estreitados em direção a Sarah e sua cabeça balançando quase imperceptivelmente.
_ Então está resolvido. Vamos descansar agora e recuperar nossas energias para a “viagem” de volta. – E com isto saiu com Jacob em direção a casinha que ocupavam no meio da mata, deixando as garotas ainda espantadas para trás.
_ E então minha vidente predileta… o que vê para a nossa volta? – Jake perguntou, fungando o pescoço de Sarah enquanto andavam abraçados. Ela sorriu.
_ Hummmm... – Ela fechou os olhos e fingiu se concentrar. A imagem de um Jacob pálido e inconsciente povoou a sua mente, mas ela espantou aquilo, sorrindo com tanto empenho, que não havia quem se convencesse do contrário. – Vejo Leah esperando explicações nossas de braços cruzados bem na nossa porta. – Disse, com ar risonho. Não era difícil ficar assim perto dele e não era totalmente falso.
Jacob olhou pra ela um instante, estreitou os olhos e riu, passando uma mensagem bem clara de que ela não tinha conseguido enganá-lo tanto assim.
_ Oh, isto eu também vejo… e é algo tenebroso… urgh! – Ele disse, entrando na brincadeira dela. – Mas deixando isto de lado… acho que esta ilha é muito linda e paradisíaca pra não ter uma despedida a altura... que tal nos despedirmos corretamente das paisagens deste lugar esta noite? Aquela cachoeira parece um bom lugar pra isto. – Ele sussurrou, mordendo sua orelha e dando um riso rouco, malicioso.
_ Oh, eu acho que estou vendo que esta será a melhor opção para minha noite… — Sarah disse, imitando uma cigana charlatã. Jacob riu. – Mas só se você me alcançar lobo! – E saiu correndo, fazendo Jacob rugir de raiva.
_ Não vale! Você sabe que nunca vou te alcançar sem me transformar! – gritou, mas só escutou a gargalhada dela ao longe. Decidiu correr com seus pés humanos mesmo, já que não tinha alternativa. Se ele se transformasse os outros lobos veriam Sarah correndo e ainda não era a hora. – Mas eu ainda te pego, Sarah!
************
_ Um excelente sonífero este! – Niadhi murmurou, observando Sarah finalmente conseguir se afastar do corpo adormecido de Jacob já na alta madrugada. Depois de tanto se amarem, Jacob finalmente cedera ao cansaço e dormia profundamente.
_ Nem tanto, Niadhi. Garanta pra mim que ele não vá acordar tão cedo? – Pediu, acariciando os cabelos negros dele, ainda molhados pelo banho de cachoeira.
Niadhi rolou os olhos e colocou uma de suas mãos sobre a cabeça de Jake. Um instante e elas já puderam perceber sua respiração ainda mais pesada, o ritmo do seu corpo ainda mais lento.
_ Feito. – A elfo disse, com voz monótona. Sarah sorriu e beijou a testa dele.
_ É melhor assim… ele não ia deixar que eu fizesse isto. – Ela murmurou.
_O que é bem compreensível, não? Isto é insano! Você está brincando com isto, Sarah. Você sabe que sangue humano corrompe a alma delas! – Niadhi bronqueou, mas Sarah só rolou os olhos.
_ Sim, eu sei. Mas há um jeito disto ser feito da forma correta e é isto que eu vou fazer. Não vou corrompe-las... não depois de tudo o que elas passaram pra resistir. Eu sei o que faço!
Niadhi olhou pra cima e respirou fundo.
_ Que seja! Vamos logo com isto!
_ Trouxe o que eu pedi? Tudo? – Sarah perguntou, ávida. Resignada as vontades dela, Niadhi tirou de suas vestes duas seringas grandes e metálicas, e agulhas, as mais rígidas que pode encontrar, e mais alguns outros materiais.
– Dei um jeito nas agulhas... estão perfurando diamante como se fossem algodão doce. – A elfo explicou, vendo um sorriso satisfeito brotar dos lábios de Sarah.
_ Bom…
A morena pegou outra agulha, nem tão cortante, presa a um longo fio atado em uma bolsa plástica vazia. Esticou seu braço esquerdo e apertou fortemente o pulso, até que visse uma veia saltar na articulação de seu braço. Habilmente perfurou sua pele com a agulha sem precisar de muitas frescuras para fazer seu sangue tão precioso escorrer pelo fiosinho começando a encher a bolsa.
_ Esta quantidade é o suficiente pras duas? – Niadhi disse, balançando a bolsa que se enchia rapidamente com o sangue de Sarah enquanto ela abria e fechava a mão esquerda.
_ Sim, é. Nessie terá mais do que Milla. Ela precisa. – respondeu ainda concentrada no que fazia.
_ Hummm... – Niadhi respondeu, apertando os lábios.
Logo a bolsa de sangue estava cheia, o cheiro forte e poderoso daquele sangue inundava o ar. Sarah pegou a seringa maior e encheu com parte considerável de seu sangue, colocou a agulha e deu para que Niadhi guardasse. Fez o mesmo com a seringa menor.
_ Pronto… Agora vamos ao mais difícil.
Niadhi suspirou.
_ Você vai conceder a elas, pelo menos, a possibilidade de escolha? – A elfo perguntou. Sarah hesitou um instante.
_ Não! São muito altruístas para isto. – Ela respondeu, e Niadhi já esperava por uma resposta como aquela. Elas partiram.
Na outra casa daquela ilha, Milla se levantou alerta da poltrona que sentava tediosamente em mais uma noite enquanto Nessie dormia. Um som veio de fora, deu dois passo e soube o que era. Relaxou, mas prendeu a respiração imediatamente. Sarah estava vindo.
_ A que devo a visita? – Ela perguntou, antes que Sarah pudesse alcançar a casa. – Tá tarde pra visitar os outros, sabia? – sorriu.
_ Por que? Eu te acordei? – Sarah ironizou, recebendo um muxoxo de resposta. – Acorde Nessie, Milla. – De repente não havia mais brincadeira em seu tom, estava sério, firme.
Milla foi pra dentro da casa, mas não precisou fazer muito, quando entrou Renesmee já estava de pé, com a testa franzida observando Sarah entrar no aperto daquela casa às quatro horas da manhã.
_ O que aconteceu? – Ela perguntou tensa. O semblante de Sarah estava uma vez mais pesado. – Algo em Forks?
Sarah se sentou, respirando profundamente. Sentia-se nervosa.
_ Não... não aconteceu nada em Forks. Está tudo certo. – Ela disse e se calou. Não sabia como prosseguir. Ela sabia que ela tinha que prosseguir, todos os seus sentidos apontavam que o que pretendia fazer era o certo.
_ Então…? – Milla pressionou, cruzando os braços. Sarah continuou em silêncio. Ela havia se sentado no banco que havia no que poderia se chamar de sala. Tinha os ombros curvados e os olhos fixos no chão. – Sarah? – Milla sussurrou. Sua voz perfeita e sedutora de vampira penetrou o ouvido de Sarah de forma dolorosa.
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_ Eu não queria… não queria ter que fazer isto, não queria que um dia você tivesse de precisar disto, Milla. – Sarah ergueu seus olhos. Estavam tristes, abatidos, com lágrimas contidas os fazendo brilhar. – Eu entrei em seu caminho e condenei a sua alma. Sentimento de culpa não irá me expiar de qualquer pecado, muito menos trazer sua humanidade de volta. Mas eu vou lhe dar tudo o que eu tenho... de mais precioso. Eu te darei o meu respeito, o meu afeto e um lugar especial e eterno dentro do meu coração.
Milla recuou, dando alguns passos pra trás e fechando os olhos. Sarah continha o máximo o seu próprio cheiro, mais do que ela era acostumada fazer. Milla sabia que a tensão evidente de seus ombros era também por causa disto. Sabia o motivo disto. Sarah queria a consciência humana da vampira desperta e o mostro de seu instinto longe. Ela queria ter a alma de Milla perto, latente. E, de uma maneira absurda, ela estava conseguindo, somente com o teor profundo de seus olhos castanhos.
A morena se virou para Nessie, que tinha pendido a cabeça de lado e a olhava serena e curiosa. Dez anos... aquela menina só tinha um pouco mais de dez anos.
_ Eu prometi, Nessie. Prometi que ia cuidar de você, mesmo sem saber o motivo para isto e vou… Sua morte está marcada meu anjo. Só você poderá evita-la, se tiver força suficiente para isto. O que eu vi... o que eu vi quando disse que seu poder iria se manifestar mais amplamente fora daqui... Seria na guerra, onde sua família lutava... e perdia. Seu desespero a faria transcender o seu poder, mas você se esforçaria mais do que o possível. Você o usaria pela primeira vez e forçaria o seu corpo ir mais além do que o certo naquele momento. Seu cérebro não suportaria... ele é limitado para algo tão grande. As dores que você sente são provas disto…
Nessie tinha os lábios semi-abertos e a respiração suspensa. Ouvia com terror aquelas palavras.
_ Naquela luta, na primeira que você enfrentasse, você sucumbiria a própria dimensão do teu poder, usado em excesso para proteger quem ama. É um dom máximo, união do que há em Edward e em Isabella, mas em um corpo não totalmente vampírico. Há um limite...
_ Eu vou... morrer? – Nessie perguntou baixinho, mas sua voz não estava tremula ou temerosa. Perecia que a menina se concentrava em outra coisa...
Sarah suspirou.
_ Não tão cedo... se eu der a você a proteção que precisa.
_ Por que nos diz isto... agora? – Milla voltou a falar, pressentindo que Sarah planejava algo.
Sarah tombou a cabeça olhando para o chão novamente. Lentamente ela caminhou e se recostou na janela, fitando o céu. A brisa lenta da noite fez os seus cabelos dançarem para trás de si. Ela fechou os olhos e quando voltou a abri-los... eram os olhos de outra... Ao longe, Niadhi vislumbrou aquele olhar e sentiu seus músculos retesarem desejosos de se curvar.
_ O sangue tomado a força condena a alma, envenena o espírito. Então, cedo ou tarde, isto será cobrado... e se a criatura não se arrepender em verdade... então, ela pagará... sentirá a dor eterna do dilacerar de sua alma, como se chamas corroessem a pele todos os dias.
Milla e Nessie receberam as palavras como uma sentença, algo as lembrou do teor de suas naturezas.
_ Mas é também o sangue a purificação suprema... ele também é força… — Sarah se virou para as meninas. – Eu darei tudo o que tenho…
_ Não! – Milla rugiu, compreendendo o que Sarah queria dar a elas. – Não! – Gritou agudamente.
_ Depois que vocês domaram os seus demônios, eu lhes darei o meu sangue, pois sei que eu o darei a vocês, não ao demônio que as habita. Eu sei que eu não irei alimentar o monstro, mas que darei força a quem merece ter!
Nessie se afastou, indo para trás, recuando tal como Milla. Ela não podia, não podia resistir mais se tivesse contato com o sangue de Sarah!
_ Você enlouqueceu, Sarah! Você sabe que isto é alimentar e fortalecer o nosso pior lado, sim! – Ela implorou, com medo, com medo do que os olhos estranhamente determinados de Sarah indicavam.
_ Não, eu não vou. – Ela afirmou. Sua voz soando sábia, profunda, preenchendo todo aquele casebre.
_ Não! – Milla rugiu novamente. Virou as costas, se preparando para fugir, mas imediatamente sentiu seu corpo paralisado. Olhou para o lado e percebeu Nessie do mesmo jeito. Logo depois Niadhi entrou na casa. Ela olhou em direção a Sarah, curvou a cabeça e lhe entregou dois cilindros brilhantes.
O cheiro raro de um sangue muito especial se alastrou aos poucos por ali. Milla rugiu. Sentia-se presa, presa como esteve quando o maldito vampiro lhe mordeu a garganta. Novamente sem escolhas!_ É isto? Você vai fazer isto a força? Você vai dar aquilo que nós tanto lutamos pra resistir assim? Que espécie de pessoa é você, Sarah? – Os olhos de Milla ficaram revoltados, soltando fagulhas.
_ Sarah, vai ser o início de um tormento de novo e ainda pior! Se nós experimentarmos sangue não vamos mais parar! Por favor! – Nessie implorou, sua pele trepidando em antecipação. Algo dentro dela ainda gritava desesperadamente: simmm!!
_ Não meu anjo… fique tranquila… vai dar tudo certo. – A voz de Sarah mudou completamente de novo. Não parecia dela... parecia que outra voz falou com Nessie... uma voz que fez sua face corar. E depois veio um sorriso quente e reconfortante, brilhando e agarrando o coração de Nessie. – É para o bem... apenas aceite… princesa…
Envolta pela centelha de amor que brilhava lá no fundo dos olhos de Sarah, Nessie não percebeu como ocorreu a aproximação dela para si. Logo pode sentir a respiração dela bater suavemente contra seu corpo paralisado. A bolha de magia se quebrou, era Sarah, e só ela, novamente.
_ Aquilo que irriga o meu coração, passará a irrigar o teu também. É meu e eu o dou a ti... para que seja a força e a vida preciosa da mesma forma como é em mim.
_ Oh! – Nessie suspirou, quando sentiu algo muito afiado penetrar o centro de seu peito lentamente, dolorosamente.
Milla assistiu embasbacada Sarah injetar o seu próprio sangue direto no coração da hibídria. Logo, já no primeiro instante, o coração da meia-vampira pareceu ganhar ritmo novo, o corpo de Nessie foi sacudido com um solavanco. Ela apertou a mandíbula, sua respiração ficando mais e mais profunda.
_ Desacorde-a durante o processo… — a voz de Sarah sussurrou. Niadhi surgiu atrás de Renesmee e com um toque a hibídria despencou em seus braços.
Sarah olhou, então, em direção a vampira que tinha o belo rosto em expressão alucinada. Ela sacudia a cabeça de um lado a outro, confusa. Sentia que se tivesse um coração vivo, ele estaria batendo furiosamente.
As mãos de Sarah seguraram o seu rosto, a fazendo encarar seus olhos.
_ Eu sempre me perguntei o que aconteceria se o coração de um vampiro voltasse a ser irrigado com sangue. Você certamente não sabe, mas depois de morto, por mais sangue que os vampiros bebam, nunca mais uma gota sequer chega ao seu coração. Ele permanece para sempre seco, endurecido. Como uma pedra impermeável a água… — Uma das mãos de Sarah abandonaram o rosto frio. – Nos vamos descobrir isto… — com um suspiro Milla encheu seus pulmões de ar. — …agora…
A agulha longa e fina penetrou sem dificuldade alguma o peito da vampira, parecendo lamina perfurando pedra. Corroeu a pele, rompeu os ossos de aço, deslizou pelos músculos rígidos até que tocou a superfície morta de um coração. Milla suspirou, sentindo a agulha contra seu coração... tocava-o, perturbava a caverna do seu monstro. Ela rugiu, mostrando os dentes ferozmente para Sarah. A morena não se intimidou, forçando a agulha mais para dentro. Os olhos dourados se arregalaram quando a lâmina passou da superfície do coração empedrado, parecendo cortar seu corpo ao meio. Doía…
_ Sua alma… está aqui dentro… — Sarah sussurrou, Milla gemeu… doía…
Mais fundo… Milla gritou, algo ardeu dentro dela, queimou.
_ Aqui! – Sarah sorriu. E então pressionou o embolo da seringa, irrigando o centro do coração da vampira, que soltava gemidos baixos. Sarah sabia que se pudesse se mexer ela estaria se debatendo.
O sangue se Sarah pareceu agua em terra seca quando começou a se espalhar pelo coração de Milla. Ela silenciou-se, fechando os olhos, seu corpo estático, imóvel. Sarah não poderia ter a mínima ideia do que acontecia com ela. Continuou a injetar o sangue, até que não havia mais nada.
Niadhi se aproximou da vampira silenciosa, elevou as mãos para sua cabeça. Mas antes que a elfo pudesse desacordá-la, Milla abriu os olhos e encarou Sarah, fazendo-a se contorcer de medo. Vermelhos! Um vermelho pulsante e vivo… irradiava luz… E então, daqueles olhos vermelhos brotaram gotas cristalinas e puras, que desceram uma de cada olho, escorrendo pela face bela.
Niadhi agiu, os olhos perturbadores se fecharam, Milla caiu. Sarah estendeu os braços, soltando a seringa vazia no chão e amparando Milla.
Deixou um soluço lhe escapar e chorou, chorou e apertou o corpo frio em seus braços, soluçando.
_ Foi para o bem… foi para o bem… — ela soluçava. Ao seu lado os cabelos acobreados de Nessie se espalhavam no chão, sua expressão desacordada era serena e ainda mais bela. Sua pele parecia iluminada mesmo no escuro da noite, as maçãs coradas.
Sarah viu aquilo e permitiu-se chorar ainda mais desesperada. Deus a ajudasse! Deus a ajudasse que aquilo realmente fosse o certo! Ela se curvou sobre Milla, deitando a cabeça no peito da jovem vampira e... sentiu…
Não havia um único som, mas havia calor. Do centro do peito de Milla, um calor reconfortante contrastava com toda a frieza do restante de seu corpo.
Sutilmente Sarah sorriu e saudou a força da alma de Milla irradiando no corpo morto.
Notas finais
Esperem pra ver!
Mas agoraaa... o que será que vai rolar depois disto?? Hummmmm
Aguardo suas opiniões nos comentários, louca pra ler!
Bjs e até a próxima!!
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