The Precious Blood

23 DESCONTROLE


Notas iniciais
Sei exatamente como é querer morrer, como dói sorrir,como você tenta se ajustar e não consegue,como você se fere por fora tentando matar o que tem dentro. (Susana Kaysen, 1999. Frase do filme: Garota interrompida)
N/A: ouvir a música do capítulo é praticamente obrigatório!!!

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“Oh, o silencio quieto define nossa miséria

A bagunça dentro continua tentando me visitar

Não importa como nós tentamos, é muita história

Muitas notas ruins tocando na nossa sinfonia

Então deixei isso respirar, deixe isso voar, deixe isso ir

Deixe isso cair, deixe isso quebrar, queime lentamente (...)

Fugindo da noite, fugindo da luz,

fugindo para salvar sua vida…”

Hurricane — 30 Seconds To Mars.

_ Doutora? Você está bem? – Era a décima vez que alguém lhe fazia aquela pergunta, mas Sarah continuava negando. Porém durante todo o tempo que dedicou a paciente, ficou extremamente silenciosa.

_ Estou sim. É só cansaço.

_ Acha que pode fazer isto Doutora Black?

_ Posso, ela não aceitaria outra pessoa, a família também está traumatizada.

Sarah havia chegado a conversar com a menina, quando esta estava novamente resistindo aos sedativos e acordando. Os enfermeiros retiravam dela as roupas ensangüentadas e rasgadas, mas, ainda mole pela medicação, seu olhar começou a transmitir um desespero absurdo e Sarah imediatamente ordenou que os enfermeiros saíssem, decidindo fazer o que não era de sua ossada sozinha.

_ Está tudo bem Amanda, estamos só nós duas aqui. – Sarah acariciou o rosto da jovem tão machucada, tão ferida interna e externamente, enquanto aplicava mais uma dose de sedativos para que ela realmente dormisse.

Sarah havia chego ao hospital em tempo de pegar o início do tratamento de Amanda. Após os procedimentos de emergência, a garota passou pelas mãos de vários especialistas, não somente Sarah. Amanda não fora somente violentada sexualmente, ela fora torturada em fantasias sádicas. Depois do que pareciam ter sido horas, os médicos que haviam cuidado de Amanda tiveram de se reunir.

_ Vamos ao laudo! – Marlon disse tenso. Sarah e ele se encaminhavam junto com o restante dos médicos que atenderam Amanda para preparar o laudo médico como parecer a polícia.

Sarah quase não sentia as pernas conforme andava, os olhos da garota a perseguiam, o corpo ferido dela lhe atormentava. A médica sentia novamente a dor latente, sentia a dor de Amanda multiplicando a dela. Eles entraram na sala do diretor, eram ao todo cinco médicos, contando com o doutor Hanson.

_ Aparentemente está tudo bem com a área neurológica. Mas como ela sofreu repetidas pancadas… — Sarah respirou fundo, sentindo um tremor ao ter que continuar em seu prognóstico. – …os problemas podem tardar a aparecer. Eu aconselho que ela fique internada por uns dias sob monitoramento.

Os outros médicos, conforme Marlon havia dito, eram homens, e pensavam que o visível mal estar de Sarah se referia unicamente a uma espécie de solidariedade feminina.

_ Não digo o mesmo de minha parte. – Dr. Krall, ortopedista, falou. – O braço esquerdo dela sofreu uma fratura que requer cirurgia. Nós imobilizamos e colocamos os ossos no lugar, mas será preciso mais que isto para que os ossos se reordenem corretamente. O pulso direito também sofreu uma lesão, mas foi menor. Uma de suas costelas trincou, nós já imobilizamos. Esta lesão, pelos hematomas, foi causada com algum tipo de objeto rígido que foi jogado contra ela.

_ Ela não poderia ter sido jogada em cima do objeto Dr. Krall? – O diretor do hospital questionou, Sarah cruzou os braços fortemente no peito, tentando conter suas angústias.

Será que os médicos que a trataram naquele dia infeliz de sua vida fizeram uma reunião parecida? Eles foram enumerando os danos em que ela havia sofrido para escrever em um laudo policial que seria engavetado no meio de tantos outros parecidos?

_ Não acredito nisto Hanson. Acho que algo foi jogado contra ela…

_ Algo jogado contra ela… você quer dizer que o criminoso jogou algo nela não é? – Sarah disse tensa, os colegas pararam.

_ Doutora Sarah, acredita que está realmente em condições de permanecer nesta reunião? – Dr. Hanson lhe perguntou cauteloso.

_ Me desculpe o rompante doutor. Isto não vai se repetir, ficarei sim.

Eles respiraram fundo e continuaram, não era tão fácil manter uma fleuma emocional naquela caso. E o pior estava sendo relatado com o diagnóstico do ginecologista, o jovem Dr. Patrick Norton, ele era dois anos mais novo que Sarah.

_ Ela sofreu escoriações graves na genital. Segundo o relato da mãe ela era virgem, mas não acredito nisto. Mas o… — Ele vacilou nesta parte, preferindo ocultar o homem que fez aquilo – …ele não pareceu penetrá-la somente com seu membro. Há fortes indícios que ele tenha inserido outros tipos de materiais nela, alguns eram perfurantes e acabaram ferindo o canal vaginal e a cérvix, principalmente. Assim que ela chegou, realizamos os devidos procedimentos para estancar o sangramento, mas há um considerável risco de infecção, não sabemos a procedência do material que a feriu.

Sarah olhava as imagens da ultrossonografia no monitor ao canto da sala. Que diabos aquele monstro havia feito? Ele a feriu demais.

_ Patrick o útero! Ele conseguiu ferir o útero! – Ela disse, quase não contendo o asco na voz.

_ Isto é realmente para se espantar doutora. É difícil conceber este tipo de coisa, mas ele parecia querer realizar algum fetiche ou algo parecido. A polícia encontrou alguns objetos propícios a um perfil sádico. O fato é que dificilmente poderemos evitar que estes ferimentos prejudiquem a saúde uterina dela.

_ Não, não pode. Se o útero permanecer assim, os riscos de infecção serão maiores. – Dr. Hanson disse. – É mais prudente uma histerectomia*, estes danos são irreparáveis, ela não poderá ter filhos.

_ Não, não poderá. Eu já considerava esta possibilidade, só não o fiz porque a mãe não autorizou.

_ Se o caso apresentar riscos a paciente, como de fato apresenta, e se, em nova conversa, a mãe não autorizar a retirada do útero, você está autorizado a fazer esta cirurgia Patrick!

_ Certo doutor.

Eles conversaram as minúcias de cada ferimento, procurando desvendar a forma como foram causados, chegando a conclusões cada vez mais absurdas. Era insuportável!

_ Bom senhorita Jeniffer, creio que não há mais nada para este laudo por agora. Pode imprimir para que assinemos. – O diretor se direcionou a secretária que redigia o parecer dos médicos, após duas horas exaustivamente tensas de reunião. Ela pediu licença e se retirou para corrigir sua redação e imprimir.

_ O que eles sabem sobre o criminoso? – Finalmente um deles fez a pergunta que Sarah estava se contorcendo pra saber. Aquele miserável estava preso? Morto?

_ Ah, Krall. O que você acha? A polícia de Forks encontrar um bandido que parece ter vindo de fora? Ele está fugitivo! – Dr. Hanson disse.

Sarah se levantou com ímpeto, fazendo os outros colegas se retraírem.

_ Fugitivo? Eles deixaram ele fugir? – Ela perguntou abismada.

_ A vítima não está em condições de dar seu depoimento à polícia, por isto eles não fazem a mínima ideia de uma característica física que seja. Quando ela foi encontrada ele já havia fugido. O sêmen foi coletado para DNA, mas isto não é algo de imediato. E as digitais dele também não ajudaram muito, eles estão fazendo uma busca nos bancos de dados, as polícias de Port Angeles e Seattle estão auxiliando, mas enquanto eles tentam descobrir quem é, o cara ganha tempo para desaparecer.

_ Miserável! – Sarah deixou escapar em um rugido.

A secretária logo retornou com as cópias do laudo de várias páginas. Cada um se sentou e pôs-se a ler. Mas Jeniffer era eficiente, não havia erros, eles puderam assinar.

_ Sarah?

Ela estranhou o Dr. Hanson lhe chamando pelo primeiro nome, mas se virou pra ele, os outros se retiraram discretamente.

_ Você está de folga. Sua exaustão física está afetando seu psicológico. Não posso permitir que continue a trabalhar desta forma. Terá uma semana, se precisar de mais me avise.

_ Não doutor, eu estou bem.

_ Querida, você é uma excelente profissional, mas os anos que eu tenho de carreira é mais do que a sua própria idade. Portanto sei reconhecer a exaustão de um médico. Isto não é insuficiência Sarah, nós somos humanos também, temos nossas fraquezas.

_ Mas a paciente de hoje… eu tenho que monitorá-la.

_ É justamente desta paciente que eu quero que você se afaste. Suas reações emocionais para este caso não estão boas. Eu não sou cego, posso ver isto.

_ Mas doutor eu posso…

_ Não insista Doutora Black, eu ainda sou a pessoa que toma decisões neste hospital! – Sarah se calou, abaixando os olhos. Ele não podia ter percebido! Ela já tinha lidado com casos assim em Washington e sempre conseguira se conter. Ela poderia passar por isto novamente!

_ Não se preocupe quanto aos seus afazeres aqui, porque nós sobrevivemos muito tempo sem a sua presença, apesar de que ela tenha se tornado vital. Mas nós podemos nos virar por uma semana. – Ele disse, sorrindo compreensivo.

Sarah suspirou.

_ Você precisa. Os pacientes precisam de você sim, mas precisam de você controlada Sarah. Descanse e você verá que é o melhor a fazer.

_ Tudo bem Doutor. Mais alguma coisa?

_ Não Sarah, vá pra casa.

Ela afirmou e saiu da sala ainda conturbada. O trabalho era sua única válvula de escape, sem ele o que ela iria fazer? Nem nos sonhos ela tinha paz!

Ela caminhou a esmo pelo hospital, evitando ter que voltar pra casa e enfrentar os problemas de lá. Mas quando percebeu, estava parada em frente ao quarto de Amanda. Entrou silenciosa e eis que a garota estava novamente acordada. O que seria necessário para que ela dormisse? Uma dose de elefante?

Mesmo com o rosto ferido, cheio de curativos, Sarah viu uma lágrima brilhante escorrendo dos olhos dela. Parecia que uma navalha cortava lentamente a garganta de Sarah ao ver aquela cena. Ela se aproximou da cama já com outra dose de tranquilizante, só que dessa vez era uma mais forte.

_ Não… — Sarah ouviu o sussurro fraco vindo dela e parou com as mãos elevadas. A jovem continuou a falar com extrema dificuldade.

A médica encarou os olhos dela e a força da angustia de Amanda se voltou a ela com ainda mais força, como se fosse possível.

_ É só um tranquilizante meu bem… Um remédio pra você dormir e descansar. Assim você não precisará sentir mais dor. – Sarah disse suave, tentando conter suas próprias lágrimas.

_ Não… — Ela protestou novamente, mas antes que Sarah voltasse a argumentar ela sentiu a mão de Amanda, com o pulso engessado, se mexer em sua direção. A médica pegou a mão dela e segurou delicadamente. Ela voltou a falar. – Não me faça dormir… pra… depois acordar. Eu não quero mais acordar.

Sarah sentiu seu tremor aumentar, a dor se convulsionar dentro de si como uma fera revolta. Soltou a mão de Amanda para que ela não percebesse seu nervosismo.

_ Não diga isto meu bem! Você tem muitas pessoas que te amam lá fora, te esperando. Eles não querem que você desista. Seus pais, seus irmãos… seu namorado meu anjo. Henrique, seu namorado, conversou comigo, ele também espera que você se recupere. Eles vão te ajudar a passar por isto e você vai conseguir querida. – Como era difícil! Como era difícil se controlar e não desabar na beirada daquela maca. Como era difícil não dizer àquela jovem o que ela verdadeiramente passava com uma situação daquela.

O olhar de Amanda se tornou amargo, o rancor encheu aqueles olhos que um dia poderiam ter sido de um azul suave e brando. Suavidade era o oposto do que Amanda passava em seus olhos naquele momento.

_ Você diz isto… diz isto porque não sabe o que eu sinto… você fala que eu posso conseguir porque não passou por isto. – A voz dela parecia um sopro de tão fraca, mas ainda assim estava raivosa.

Não, Sarah não queria que ela se tornasse mais uma pessoa rancorosa. Aquilo não podia acontecer, aquela garota não podia perder o brilho da vida… Mas seria difícil, assim como era imensamente difícil para Sarah.

_ Eu sei Amanda, eu sei sim o que você sente!

Amanda deu um suspiro engasgado. Era na verdade um riso mole de ironia, mas como sua boca estava inchada, não pareceu isto.

_ Não, não sabe. Ninguém nunca… vai saber! – Ela disse um pouco mais forte, fazendo excessivo esforço para isto. Mas a morena de olhar cansado e melancólico que estava a sua frente balançou a cabeça e deu um sorriso triste.

_ Eu sei Amanda. Sei porque passei pela mesma coisa.

Amanda então ficou estática, seus olhos se prenderam em Sarah e então entenderam o que era aquela melancolia dos olhos castanhos da médica. Se sentiu ligada a médica, se sentiu compreendida. Amanda deixou-se chorar novamente… não era só ela, não foi só com ela que aconteceu…

_ Como… — Amanda sussurrou, quase inaudivelmente.

_ Eu tinha a sua idade… — Sarah começou a falar e aquela era a primeira vez, primeira vez que mencionava aquilo. E ao dizer ela se sentia destroçar novamente, não tendo forças ao menos para chorar junto com Amanda. – …e ele era meu padrasto. Minha mãe tinha morrido há um pouco mais de cinco anos, me deixando sozinha com ele… — Ela sussurrava quase tão fracamente quanto a garota ferida na cama. Sussurrava enquanto acariciava a única parte de Amanda que parecia não estar ferida: os cabelos. – Foi em um dia em que… não havia ninguém na casa. Eu … eu era virgem, nem ao menos tinha beijado na vida. Desde a morte de minha mãe passei a me preocupar mais com outras coisas. Ele sabia disto… sabia!

Amanda queria confortar Sarah de alguma maneira, mas só podia olhar para ela e com o olhar dizer que entendia, que sentia.

_ Doeu… doeu tanto! Mas não foi só no meu corpo. Foi aquele tipo de dor que agente pensa não ser possível existir quando falam dela. Era aquela dor imensa e cruel que dilacerava o coração, a alma. Eu pensei que não fosse suportar, pensei que quando eu desmaiava eu iria morrer e nem sequer queria ir pra outro lugar depois daquilo. Eu não almejava o paraíso ou o inferno… eu queria simplesmente deixar de existir.

Amanda mexeu a cabeça em sinal de concordância, como para demonstrar que aquilo era exatamente o que sentia.

_ Mas eu acordei Amanda. E quando eu acordei não havia mais nada, nem ele e nem eu de antes. Então eu continuei, continuei a viver sem nenhum parente, apenas com um bando de advogados que decidiam por mim enquanto eu não tinha idade pra isto. Mas eu continuei e procurei algo que me alimentasse a vida… Ao contrário de você, ninguém me esperava do lado de fora disposto a tudo para me ajudar a passar por este trauma. Eu não tinha ninguém do outro lado da porta daquele quarto empenhado em me conceder todo amor que possuísse em si para me dar forças… pra me confortar e me abraçar e dizer que me amava. Eu não tinha o calor de um abraço para me refazer.

Amanda soltou um suspiro ainda maior, que chegou a sacudir seu peito dolorosamente, mexendo com as costelas fraturadas. Fechou os olhos: não havia apenas alguém que havia sofrido o mesmo que ela. Havia alguém que tinha sofrido mais que ela… e continuado.

_ Mas eu procurei Amanda, eu procurei algo pra ainda continuar e eu encontrei, encontrei na lembrança do sorriso da minha mãe morta, na lembrança do abraço dela, na lembrança da pureza do amor dela. E depois eu me achei útil cada vez que um paciente se curava com a minha ajuda, cada vez que as famílias deles sorriam e me agradeciam… — Sarah parou, voltando a respirar fundo, e prosseguiu. – Por isto eu digo que é possível sim continuar, é possível acordar amanhã e lutar para vencer este horror. E eu tenho certeza meu anjo, certeza que você vai conseguir e que muita gente vai te ajudar pra isto…

Sarah disse aquela frase já injetando a dose de sedativo na veia de Amanda. Mas antes que ela dormisse novamente, a garota lhe disse…

_ Obrigada… eu vou tentar… — E voltou ao estado de inconsciência, ao menos por mais algumas horas.

Sarah ainda ficou acariciando os cabelos encaracolados de Amanda por um tempo, com os olhos fixos em nada particular. Depois que conseguiu despregar os pés do chão, se encaminhou para o lado de fora, mais dolorida do que jamais esteve depois daquele dia, mais fraca do que jamais se sentiu. Mas antes de sair, ela pegou a mão de Amanda e inspirou o odor que havia debaixo das unhas dela.

Sarah não teve dúvidas de que aquele era o cheiro do miserável que violentou a garota. Era o cheiro de um humano podre. Cheiro da pele arranhada de um homem monstro. Aquele cheiro ficou gravado em suas narinas. Ainda que estivesse no inferno, o reconheceria.

Quando ela abriu a porta do quarto um outro cheiro, um cheiro também singular e impossível de ser esquecido, foi a primeira coisa que chegou até a ela. Sarah ergueu os olhos assustada e ele estava lá. Jacob estava do outro lado daquela porta com os olhos úmidos e o semblante torturado olhando pra ela com uma candura incomparável.

Ele escutou! No exato momento que Sarah viu os olhos de Jacob, soube que ele havia escutado toda a sua história. Seu peito sentiu as pancadas de seu coração acelerado, o tremor dela passou a tomar conta de todo o seu corpo. Raiva, dor e vergonha eram os sentimentos que lhe vinham. Não, ela não queria que ninguém soubesse! Nunca!

_ Ah… Sarah… então foi isto… é isto que você esconde… — Ele lhe disse, elevando as mãos lentamente para lhe tocar.

Mas não! Era por isto que ela não queria que ninguém soubesse, para que ela não precisasse conviver com o seu tormento multiplicado com um olhar de pena. E ela via pena na atitude de Jacob.

Ela se afastou, em direção a saída, balançando a cabeça negativamente.

_ Sarah… venha comigo… deixe que eu cuide de você… venha comigo – Jacob disse, não querendo se aproximar dela a força. Ela estava assustada, desorientada. Ele queria cuidar dela e queria arrancar daqueles olhos a dor que via.

“Doeu… doeu tanto!”. Aquilo martelava na mente de Jacob.

_ Não, não! Me deixe Jacob… me deixe em paz!

_ Sarah, confie em mim. Deixe eu te ajudar.

_ Você não pode me ajudar Jacob! E eu não preciso da sua ajuda! Me deixe sozinha! Se você quer ajudar em alguma coisa, desapareça e me deixe sozinha! – Ela não gritou pra dizer aquilo, mas seus olhos chegaram a escurecer tamanha raiva com que proferiu aquelas palavras.

Jacob percebeu naquele instante que não poderia ir atrás dela, que se ele tentasse forçar algo seria pior. Mas quando ela virou as costas, claramente desequilibrada, e partiu como se quisesse fugir, Jacob sentiu que ela havia agarrado algo dele e levado junto. Ele queria ir com ela, estar com ela de alguma forma…

“Eu era virgem, nem sequer havia beijado na vida…

…Ele sabia disso… sabia…”

“Não havia ninguém do outro lado da porta…

…eu não tinha o calor de um abraço pra me refazer…”

Ele sentia o peso das palavras de Sarah, de sua história tão densa, agir como um martelo em suas têmporas e como uma navalha em seu peito. E agora parecia tão claro, tão clara a resistência que ela parecia ter em seus beijos, a maneira como ela contraia o ventre quando estava perto dele, o grito que ela deu na noite em que ele pensou que ela o havia simplesmente rejeitado…

Tantos detalhes, tão claros, tão óbvios. Mas ao mesmo tempo a forma dela sorrir era pura e ainda oferecia conforto, o cuidado que ela tinha com os outros era, por não ter mais como definir, admirável… Não havia rancor… só havia dor… Uma dor secreta, uma dor solitária.

Jacob esperaria o tempo que julgava ser necessário para que ela se acalmasse, ainda que agoniado com isto, longe. Mas ele tinha que arrumar um jeito de ajudá-la!

*******************

Seu pé estava fundo no acelerador, mas ela não sentia a velocidade que havia alcançado com seu carro. Ela partiu o mais rápido que pode do hospital, com a agonia parecendo um demônio dentro dela. Não! Ela não podia mais suportar aquilo, ela tinha que fazer algo…

“A garota foi encontrada na saída para Seattle, em um chalé abandonado em uma trilha a duas milhas da rodovia principal. Um local ermo… ela foi levada pra lá depois que saiu da escola, foi dopada para isto…”

http://www.youtube.com/watch?v=hWR-HNPhPRI

Aquela informação valiosa foi ouvida por Sarah um pouco antes que ela ligasse seu carro no estacionamento. Um policial falava pelo rádio com alguma central policial de outra cidade. Mas ela poderia achar aquele lugar e ela acharia!

Ela não queria pena… ela não suportava mais o horror dentro de si, não suportava mais mastigar a mesma cena por anos… ela não queria a pena de Jacob… porque doía ainda mais!

Pena não era pra ela e ela não teria pena.

Dirigindo no rumo certo daquela rodovia, uma vez mais, chuvosa, ela sorriu. Mas sua razão já não estava mantendo o controle sobre si. Algo gritava dentro dela, macabramente pedindo que prosseguisse em seu intuito estranho… mas algo também lhe implorava que parasse, que freasse o carro, que voltasse.

Mas Sarah havia se cansado de se conter, de esconder suas emoções! Do que adiantava? Ela tinha uma máscara bela e honrosa no rosto, mas a fragilidade e agonia por dentro. E ela segurava, ela resistia, pra cumprir a promessa, para prosseguir, tentando achar seu conforto em sorrisos distantes. Seu sorriso? Ela sorria porque reconhecia a beleza, a felicidade. Reconhecia o amor também. Mas estas coisas eram como uma miragem: quando ela se aproximava mais, tudo se desvanecia.

Agora, ali, ela não ia se controlar. Ela não queria se controlar porque queria fugir livremente de si mesma, porque queria sentir o que fosse sem se conter, porque queria fazer algo… tinha sede daquilo ao se lembrar dos doloridos olhos azuis de Amanda refletindo seus próprios olhos castanhos, também doloridos. Então eram duas almas machucadas… e pelas duas ela estava caçando, caçando sua fuga, sua vingança, seu grito, sua vida ou sua morte…

Ela iria procurar aquele miserável, iria caçá-lo e iria…

_ Encontrar … eu vou encontrar você! – Ela disse sorrindo, com uma voz grotesca e um olhar sanguinário. Parecia possuída.

Sarah estava caçando, em absoluto descontrole, o criminoso que violentou Amanda.

Ela parou no ponto certo daquela estrada escura, mas que pra ela estava clara, tão clara que ofuscava seus olhos. E ela sabia que foi ali, que era ali que ele tinha descido com Amanda desacordada. Sarah inspirou e sentiu o cheiro podre, sentiu o cheiro daquele verme… sorriu e cantarolou com voz infantil…

_ Eu vou pegar você… — Ainda sorrindo, mas com os olhos vermelhos e com os músculos rígidos. – Você sabe o quanto dói verme? – Ela continuava cantarolando sua melodia infantil e macabra enquanto se embrenhava em uma trilha tortuosa que descia para algum lugar. – Não? Não sabe miserável? Eu vou mostrar pra você então! – Sarah gargalhou, seu riso ecoando na noite…

“Vem comigo… deixa eu te ajudar…” Era a voz e olhar de Jacob atrapalhando suas vontades, fazendo com que ela de repente enfraquecesse seu intuito. Ela parou, olhou ao redor, procurando por ele, como se esperasse que ele tivesse vindo lhe buscar com os braços estendidos. Mas ele não estava lá, e se estivesse, ela não iria.

_ Eu não sou boa… eu não sou admirável… Eu sou imunda, eu sou uma mulher de corpo imundo. Eu sou a mulher de um monstro… eu fui possuída e suja por ele… – Ela continuou a seguir para a cabana, que agora já podia avistar.

Inspirou o a ar e ela sentia o cheiro pútrido, doce cheiro pútrido daquele humano. Ao longe, ela aguçou os olhos ao ver o verme abrir a porta com Amanda nos braços. Sim, ela via, ela podia ver conforme se aproximava.

Havia fitas de isolamento policial ao redor, mas nenhum deles estavam mais lá. Se estivessem, não poderiam impedi-la, os policiais nem sequer a perceberiam.

Ela entrou na cabana e Amanda estava acordada e ela gritava amarrada naquela coluna… mas na realidade, o que realmente havia sob as vistas de Sarah, eram cordas cortadas e os resquícios do sangue de Amanda em uma coluna no centro da cabana quase vazia. Muita coisa havia sido tirada dali… Mas o que havia deixou o rastro claro dele, era o suficiente. Ela inspirou novamente e se virou para o lugar onde o cheiro estava mais forte…

_ Eu vou pegar você… — Ela tornou a cantarolar enquanto inclinava seu corpo para frente, se preparando para correr.

E ela saiu dali, como que já sabendo o lugar que iria parar, tendo a absoluta certeza de que nada a seguiria: nem lobos, nem vampiros, nem elfos…

Aquela noite era dela, de Amanda, de suas dores e do fim… do fim daquele verme.

Então ela correu, mais veloz do que poderia, correu com o sangue pulsando nos tímpanos, com a presilha que prendia seus cabelos se desprendendo, com os galhos maltratando seu jaleco que um dia tinha sido branco. Seus pés mal chegavam ao chão e…

E o miserável não estava longe! Estava ainda em Seattle e parecia gostar de lugares inundados de feiúra. Era uma pousada suja de beira de estrada. Sarah parou e tirou o seu jaleco, segurando-o em suas mãos… “Não deixar pistas”… O jaleco não poderia ficar pra trás.

Ela deu uma volta e já sabia que ele dormia no terceiro quarto à direita do segundo andar. Era ele! Ela podia sentir isto porque ele não havia se lavado. Ou, se tivesse feito, não o fez bem. Porque seu cheiro ainda estava mais forte pelos hormônios sexuais e ainda havia nele a gota suave do cheiro do sangue de sua última vítima.

Sim, Amanda seria definitivamente a sua última vítima. Sarah escalou as paredes para chegar à janela como uma felina silenciosa, seus movimentos eram precisos. Abriu a janela emperrada sem dificuldade alguma e ele não acordara.

Então era aquela a cara do homem? Ele tinha os cabelos negros e lisos caídos por sobre um rosto branco anguloso. No supercílio esquerdo havia um piercing, seu nariz era desproporcionalmente grande, sua boca escancarada exibia dentes tortos.

Sarah sentiu seu estomago embrulhar, mas se aproximou do leito medíocre, se curvando sobre aquele homem que não tinha nome. Para ela era simplesmente “o verme”.

Ele acordou com uma mulher magnífica olhando pra ele com um sorriso insano nos lábios cheios. E, crente de que aquele era mais um de seus sonhos eróticos, sorriu também, passando a língua pelos lábios.

_ Boa noite verme… — Ela disse, e a voz era de um tom suave e arrastado ao mesmo tempo. Raivoso e cantado. Ele definiu aquela voz como uma voz sexy, morbidamente sexy.

Ele fechou os olhos quando ela rasgou-lhe a camisa com brusquidão. Sarah se enfureceu e fincou as unhas naquele peito magro e branco. Desceu então arranhando e dilacerando a pele dele. Ele fez menção de gritar, ela enfiou o retalho da camisa rasgada na boca dele até que chegasse quase a garganta. Ele então arregalou os olhos, sua pulsação acelerou e o cheiro de medo passou a exalar dele.

Ela lhe segurava os braços com apenas uma das mãos sem demonstrar esforço algum e doía, ela quase lhe quebrava os pulsos. O joelho dela prendia as pernas dele com uma força esmagadora que o peso dela em si, não parecia ter.

E a mulher linda e louca sorriu ainda mais ao ver o pânico tomar conta dele.

_ Você não gosta de dor? Não gostou de causar dor em uma garota? Não achou excitante? Então eu vou lhe dar tempo para senti-la! – Ela disse. Esmurrando o peito ferido dele e o fazendo urrar abafado devido o pano que lhe sufocava a garganta.

Ele sentiu sua costela se quebrar e a dor insuportável invadir tudo.

_ Você também quase quebrou a costela dela então… o que nós oferecemos aos outros, recebemos em dobro… — Ela sussurrou, ele voltou a gemer sufocado. – Já ouviu isto? – Ela gargalhou.

Sarah destruía e feria não somente aquele pobre miserável, mas também o homem que a violentara um dia. Sua visão se turvava entre aqueles dois monstros e os dois estavam com medo: Xavier e o verme. Ela não se sentia bem fazendo aquilo, não sentia o alívio que queria sentir enquanto matava aquele homem, querendo ver ele sofrer de dor lentamente. Ao contrário disso, sua agonia estava maior e sua sanidade inteiramente corrompida pelas vozes que se turbavam em sua cabeça.

Sarah ouvia a voz de sua mãe, doce e cativa; a voz de Xavier, nojenta; a voz de Jacob, rendida e branda; a voz de Quendra, de Niadhi, de Koraíny… ela ouvia a voz dolorida de Amanda. Algumas destas vozes lhe diziam pra parar, a maioria delas, mas o seu coração estava em chamas, ela queria deixar explodir, queria deixar que aquela ardência insuportável a consumisse.

Ela sacudiu a cabeça e voltou a falar com sua vítima.

_ Amanda foi a última… — Ela sussurrou e levou lentamente sua mão para o baixo ventre dele. E então ela sentiu os olhos dele ficarem suplicantes quando compreenderam a intenção dela.

Ela voltou a sorrir, não haveria o que pedir. Ela fechou a mão em punho e socou o meio das pernas dele com toda a força que tinha, que era demasiada para aquele humano. Ele tentou se contorcer em consequência da dor, mas ela continuava lhe mantendo preso.

_ Dói? – Ela perguntou gargalhando. Elevou a mão ao alto para que ele pudesse ver o soco se formar novamente. Ele tentava gritar, mas não conseguia. Respirava com velocidade e suas costelas quebradas faziam o processo ser terrível e doloroso.

Então ela novamente socou o membro dele com toda a sua força, e tal foi o ímpeto que seus cabelos castanhos se espalharam revoltos para a frente de seu rosto. Sarah sentia ele tentando se contorcer embaixo de seu aperto, mas ele era agora um verme fraco, fraco e liquidado! Ela sorriu quando pode ver o sangue dele manchando a calça de moletom clara.

Ele não havia ferido o útero de Amanda irrevogavelmente? Xavier não havia lhe garantido o tormento eterno? Então aquele verme pagaria, ela socou novamente o pênis já gravemente ferido, ele desmaiou, não suportando a dor.

Era hora de acabar com tudo!

Com asco visível ela virou a cabeça dele e mirou o lugar frágil e fatal das têmporas. Esmagaria o crânio dele ali…

Mas de repente mãos fortes demais a agarraram, puxando seus cabelos rudemente para trás e tirando-a de cima do futuro cadáver com uma rapidez incomparável.

_ Chega! – Era a voz seca e ríspida de Koraíny, ele a mantinha presa.

Sarah ficou apática, deixando-se ficar presa nos braços do elfo. Ela esperaria para acabar com tudo… esperaria pra matar…

_ Não! Não Sarah, você não vai matar ninguém! – Ele não gritava, mas sua voz estava impregnada de uma agressividade incomum aos elfos. – Você tem sangue elfo, não pode matar nenhum humano, é sua condenação!

Ela pensou: “E o que importa se eu for condenada ao inferno? Já estou vivendo nele”. Koraíny não respondeu, mas segurou Sarah mais firme, como se quisesse impedi-la até mesmo de pensar daquela forma.

Ele a virou, fazendo-a encarar seu olhar denso. – Estanque o sangue da hemorragia dele agora Sarah! – Ele ordenou. Mas ela riu e disse:

_ Não!

_ Estou aqui pelo seu pai, estou aqui, desobedecendo minha soberana pelo seu pai Sarah! Então não me faça me arrepender do que estou fazendo, não me faça arrepender-me de ter orgulho de você e obedeça! Agora! – Koraíny a soltou, praticamente a jogando em cima da cama com o homem ensangüentado.

Ela olhou pra ele e sentiu o seu estômago protestar com mais violência.

_ Faça! – A voz de Koraíny veio ainda mais forte, ainda mais imperiosa. Ela se sentiu ser curvada para o homem pálido, suas mãos sendo direcionadas a ele.

_ Eu não quero… — Ela dizia rancorosa, chorosa.

_ Faça Sarah! Você não é uma assassina! A mancha da vingança não vai poluir a honra da filha de Lairon! Pense nele, no seu pai, ele que decidiu que você deveria viver, ele que pediu por você! Ele não queria que você vivesse para se tornar uma assassina, que enlouquecesse por um humano indigno! Não é você quem deve julgar este homem Sarah! Você não tem poder e direito de decidir sobre a vida e a morte de nenhum humano! Nem você, nem nós elfos e nem ninguém!

Sob o peso da ordem, da força imperiosa de Koraíny sob seu corpo e sob sua consciência, ela se curvou sob o homem, mas ainda assim, não conseguia fazer nada. Em sua turbulência interna, Sarah percebeu Koraíny pegar o telefone do quarto e ligar para a polícia e para a ambulância. Ela não entendeu nada do que ele dizia, mas sabia que ele ia agir para ocultar a sua participação naquilo, arrumando uma cena perfeita para que tudo ocorresse da melhor maneira possível.

O elfo ainda se movimentou pelo quarto, sussurrando coisas enquanto fazia magias para criar uma cena que nunca chegou a acontecer, mas que justificaria o estado daquele criminoso. Logo depois ele voltou a agarrar Sarah, levantando-a.

_ Vamos embora daqui! – Ele disse, e logo o quarto desapareceu das vistas dela. Sarah sentiu tontura com a escuridão silenciosa que tomou conta de tudo por apenas dois segundos. Fechou os olhos.

_ Venha Sarah! – Koraíny voltou a lhe chamar. Ela abriu os olhos e estava em La Push, na sua casa. Na sala de sua casa.

Sarah não se moveu, ao invés disso olhou para as suas mãos lambuzadas com o sangue do homem que ela quase matara. Ela tinha ainda o sermão de Koraíny ecoando em sua cabeça, mas tinha também a turbulência de sua dor em toda a sua força, impregnando seu coração de rancor.

Ela queria que ele morresse!

_ Sarah… — E a voz do elfo veio não ríspida para ela, mas suave. Ele falava com ela com candura, pegando em seu rosto e elevando-o para ele. – Depois de tanto tempo… não se perca neste trauma, não se deixe vencer…

_ Eu não quero lutar. Eu cansei disso… — Ela sussurrou amarga.

O elfo olhou pra ela e a pegou no colo, subindo os degraus da suntuosa escadaria rapidamente. Ela estava apática enquanto via Koraíny lavar suas mãos sujas de sangue na pia de seu banheiro, enquanto via ele se cortar para que o cheiro de seu próprio sangue subjugasse o cheiro do humano.

_ Quendra disse a todos nós que você cometeu um erro que é uma armadilha pra si mesma. – Koraíny ia lhe dizendo enquanto lavava suas mãos. – Sarah você fez amigos, sabe que pode confiar neles e ainda assim não é capaz de aceitar ajuda. Orgulho Sarah, você cometeu o pecado do orgulho em excesso. Orgulho em não admitir que você não pode vencer sozinha tudo que está sob suas costas, orgulho em não confessar que você não é auto-suficiente, em não confessar que você tem suas fraquezas, em não aceitar ajuda, em ter medo de um olhar de compaixão pensando que é só pena. E por causa disso você não soube reconhecer quando estava sucumbindo, você não reconheceu quando estava perdendo a razão, e recusou ajuda no momento que você mais precisava, no momento que você mais precisa!

Sarah nada dizia, apenas olhava a água escorrer pela pia lenta demais, ao mesmo tempo que sentia seu peito sacudir em uma agonia infinda.

_Quendra não costuma interferir em atos, em decisões que constroem destinos e por isso ela não nos permite fazer isto! Mas eu estou aqui, por razões que já lhe disse. Eu desobedeci a minha soberana por você e pelos seus pais, algo que a nós, elfos, parece uma atitude egoísta.

_ E é Koraíny! – Sarah finalmente saiu de sua apatia ao ver Quendra surgir em suas costas olhando para ela e para o elfo que a abraçava. Ela continuou a falar, se direcionando a Koraíny. – O fato de nós sabermos mais do que os outros não nos dá o poder de mudar tudo. Isso é perigoso, é não usar devidamente a sabedoria que nos foi concedida. É bom que você esteja consciente de sua desobediência Koraíny. Alguém que se desvia uma vez, pode se desviar outras! Você será julgado pelos outros. – A Rainha elfo estava solene. Apesar de Koraíny ser o elfo mais próximo dela, aquele que melhor conhecia o coração de sua soberana, ela não poderia ser leviana com uma atitude dele.

_ Estou ciente disso majestade. – Koraíny respondeu, soltando as mãos de Sarah e curvando-se levemente em direção a Quendra.

_ Volte para os outros e me aguarde. Vá e me deixe sozinha com Sarah!

_ Majestade… compreenda que Sarah não tentou matar aquele homem…

_ Ela matou aquele homem! Você sabe que se não tivesse impedido era isto que teria acontecido, Sarah seria agora uma assassina. E assassina de um miserável humano indefeso diante dela. Vá Koraíny, me deixe a sós com Sarah, obedeça!

Koraíny nada disse para interceder por Sarah, apenas desapareceu. Sarah ergueu os olhos turvos para Quendra e se enfureceu com o que viu. Nos olhos de Quendra havia pena!

“[…] Coisas deste tipo estão cravadas nas vítimas como um cordão de ferro

cheio de espinhos!

E tem de se ter calma ao tirar o cordão de volta do coração, porque doerá

mais e mais cada vez que forem tentar […]”

(BabySuh, comentário2/12/2011)

Notas finais
O que está escrito aqui em cima, logo no fim do capítulo, é o trecho de um comentário feito por uma leitora que traduziu com maestria o que sente a personagem principal.... O próximo capítulo é uma sequência disto tudo, portanto irei postar já.