The Precious Blood

3 CORAÇÃO QUEBRADO


“As feridas não formarão cicatrizes
Apenas memórias
Rasgando as feridas, ela está aberta
Gritando até seus pulmões sangrarem
Por trás de seus olhos frios e vazios
A inocência que morre por dentro...
Ela morre por dentro”

Sarah acordou mais uma vez de madrugada, com os mesmos pesadelos, a terrível lembrança. Rolou na cama do “internato” desconfortável, pensando na vida. “Mãe, porque lhe fiz aquela promessa? Ta tão difícil suportar, tão difícil...”. A bela e amargurada jovem fazia sempre a mesma pergunta, mas continuava. Fechou os olhos e relembrou o curto e pavoroso trecho de vida que teve antes de parar naquele lugar.

#Flash Back on#

Fazia cinco anos, cinco anos que a mãe morrera e ela vivia praticamente sozinha naquela casa imensa. O padrasto se ocupava nos negócios e encarregou a educação da garota aos empregados bem pagos e as inúmeras aulas de qualquer coisa que a mantivesse ocupada. Era aula de francês, espanhol, dança, piano, canto.... além do colégio. Como estava adiantada, se encontrava no penúltimo ano do colegial e como sempre dissera, estudava para entrar no curso de medicina, provavelmente seria a mais nova a entrar no curso, mas ninguém duvidava que conseguisse.

Ela acabou ainda, tendo que tomar as rédeas da administração da mansão, coisa que sua mãe fazia outrora, com extrema habilidade. Cuidava das refeições quando Xavier resolvia aparecer, elaborando o cardápio, organizava as contas, pagava os empregados, elaborava as listas de compras, dava orientações aos empregados. Tudo, até mesmo as recepções que havia na casa para os clientes de Xavier ela dava conta de organizar!

Xavier ficara surpreso que o “peso” que a esposa lhe deixara de herança fosse ser tão eficiente, útil. Mas não era só isso que ele observava. A garota estava crescendo e se tornando até mais bonita que a mãe. Coisa que ele não achava possível até então. O corpo era curvilíneo, apesar de ser jovem ainda, com apenas quinze anos, a menina já tinha belas pernas, seios bem feitos, suas formas eram harmoniosas. Sua pele tinha um tom moreno um tanto diferente do da mãe; os expressivos e altivos olhos castanhos cobriam-se por longos e espessos cílios negros, as sobrancelhas perfeitamente desenhadas. A emoldurar-lhe o rosto anguloso, uma cortina brilhosa e sedosa de cabelos castanhos escuros descia pelas costas em suaves ondas.

Uma futura deusa crescia sob os olhos atentos de Xavier, que pouco a pouco passava a ver seu encosto com outros olhos. Em suas intenções já havia volúpia. Sarah não deixou de perceber. O olhar do padrasto sob ela sempre incomodava, procurava se manter o mais distante possível quando ele estava em casa. Mas o homem não era um humano “bom”, nunca perdeu o que queria e ele passou a querer a moça de uma maneira nada boa pra ela.

Certa noite, quando pensava estar sozinha em casa desceu como estava preparada para dormir a cozinha, preparar um leite antes de se deitar. Os empregados estavam de folga e a velha governanta, a única que estava trabalhando, dormia na casa de hóspedes, que ficava a uns bons metros da casa principal. No entanto, já na cozinha escura, Sarah ouviu um barulho atrás de si que fez um frio descer pela sua espinha. Se virou rapidamente:

_ Tem alguém ai? – disse fitando a porta da cozinha.

_ Sou eu garota!

A visão do homem alto, forte, com um olhar de fera, fez Sarah estremecer. A forma como ele a olhava, como se a despisse, a fez sentir medo. Só então ela se deu conta que estava com um pequenino pijama para a rara noite de verão de Washington. Cruzou os braços tentando se cobrir, proteger o corpo dos olhos do padrasto.

Ele se aproximou, ela deu dois passos para trás. Ele estava bêbado, dava pra sentir o cheiro de álcool de longe.

_ Acordada há esta hora Sarah, com calor?

Ele perguntou se aproximando mais, fazendo Sarah bater na bancada da cozinha tentando se afastar. Ela virou para o microondas que apitava, para pegar o leite.

_ Só vim preparar um leite, já vou deitar..eu… – ela quase derrubou o copo ao sentir a respiração de Xavier em suas costas.

_ Faz um pra mim também. _ ele sussurrou, perto demais.

_ Você precisa mais de um café forte, vai tomar banho que eu preparo. – ela disse tentando contornar o corpo do homem. Mas ele agarrou-lhe o braço.

_ Calma garota, eu na verdade tava pensando em fazer outra coisa, a noite está propicia pra isto e... – ele a olhou de cima a baixo – quem sabe você gosta.

Pânico, ela começou a sentir pânico naquele momento. Ele tinha um olhar maníaco, aquilo não era bom, não era mesmo.

­­_ Me solta. – ela disse baixo, sua voz não delatava o medo que estava sentindo. Mas ao invés de atender-lhe, ele a puxou bruscamente para mais perto. O copo que ela carregava se espatifou no chão. Ele a arrastou da cozinha enquanto ela tentava se soltar.

Ah! mas ela dava trabalho, era mais forte do que ele presumia, mesmo ele tendo bons músculos estava difícil segura-la.

_ Me largaaaa!!! – ela gritava raivosa.

Ele deu um puxão em seus cabelos, arrancando um esgar da garota, trouxe a boca pra perto da orelha dela. – Você vai gostar, já está na hora – A mão dele subiu pela coxa da garota, ela se debateu mais, gritou, o hálito dele estava insuportável. Ela arranhou o rosto dele, lágrimas furiosas saiam de seus olhos.

_ Desgraçado!! – Raiva e medo se misturava dentro do peito da menina. “Não, não, não, isto não está acontecendo”, pensava.

Mas sim, estava! Se deu conta disto quando sentiu a bochecha esquentar logo que recebeu um tapa do maldito quando este percebeu que ela lhe arrancara sangue. Logo depois ele a jogou no chão. Ela bateu a cabeça na quina do corrimão da escadaria, ficando meio tonta antes de cair no pé dos degraus. Sentiu o corpo doer. Ele, no entanto, estava fora de si, a levantou puxando seus cabelos! Ela gemeu, gemeu e gritou por socorro.

_ Quieta, quietinha peste. Eu cuidei muito bem de você, agora que você esta no ponto, tem de me recompensar não acha?

Ele desviou quando ela tentou lhe acertar de novo. Aquilo doía, onde ela havia arrumado aquela força? Outro golpe dela quase o pegou desprevenido, mas ele pegou a perna dela antes que ela pudesse lhe dar uma ajoelhada. Ele a jogou no sofá, ela tentou agarrar o abajur que estava ao seu lado, mas antes que pudesse sentiu outro tapa forte. Sentiu os próprios dentes cortarem-lhe a bochecha, percebeu o sangue que lhe escorria do feio corte na cabeça.

_ Ahh!! Não seja má minha ninfeta. – o fedor álcool veio-lhe novamente na face, fazendo seu estomago embrulhar – Eu vou te ensinar a amar de verdade garota, hum... você é mais gostosa que sua mãe. Gosto de adrenalina, sua mãe era muito passiva!

O sangue dela ferveu. Com uma força que desorientou Xavier ela o empurrou de cima dela, fazendo-o cair. Saiu bamba pela sala, gritando por socorro a plenos pulmões. Mas um golpe nas costelas a fez cair novamente.

_ Chega de brincadeira, vamos logo com isso!

Ele não falou mais nada, tratou de concentrar suas forças em manter a garota presa. Com pressa rasgou-lhe o pijama. Ela gritava, gritava enquanto sentia a língua do maldito em seus seios, as mãos asquerosas lhe apalpando por todo lugar. Ela apertou os olhos, tentava, a todo custo, evitar que ele se posicionasse entre suas pernas. Mas foi inútil, ela sentiu mais do que dor no momento que ele a penetrou bruscamente. Sentiu nojo, dele e de si mesma, espanto, e uma ferida irrevogável no peito. Parou de gritar. Pensou, rezou pra que morresse ali, pra que ele a matasse.

O monstro estava ensandecido em cima da menina que tinha o coração a se despedaçar naquele momento, algo dentro dela se perdia, se quebrava. Ela abriu os olhos e teve um vislumbre. Achou que fosse sua sanidade que falhava. Viu algo belo demais pra ser humano, um olhar doce com grandes cílios azuis, havia cor em sua pele, algo escorria dos olhos puxados, uma lágrima? Ela não definia, seu corpo se balançava em um ritmo de morte, com o mostro a sacudir-lhe.

_Poupe-me.... – Ela sussurrou a criatura. Imediatamente recebeu uma espécie de anestésico no corpo inteiro. Caiu na inconsciência pensando ter visto mais vultos daqueles. Pensando ter ouvido vozes tristes a sussurrar incessantemente algo que parecia um canto.

Não, ela não estava delirando. Ela não sabia, mas naquele momento os elfos lamentavam e sofriam como nunca antes haviam sofrido, e era por ela. Os olhos que Sarah viu tão de perto fora de Koraíny, ele não acreditava que não podia impedir aquilo, tantas, tantas vezes a protegeu de vampiros, tão mais fortes, tão mais velozes. Mas as mãos passavam direto, ele não podia tocá-los.

_ Por quê? Por que não podemos rainha? – ele dizia com voz sofrida.

A majestosa criatura se aproximou, a dor que ela sentia parecia ter a dimensão de um sentimento humano, ela suspirava com os gritos da garota, pedia que as orações dos demais que estavam rodeando a cena lamentável, se erguesse.

_ Não podemos interferir no destino humano desta forma. Embora ela tenha algo de nós dentro dela, Sarah é essencialmente humana e entre os próprios humanos nada podemos interferir, nos tornamos incapazes, insuficientes. Foi lhes dado o livre arbítrio, bom ou mal eles escolhem, eles fazem. Lutamos somente com coisas que fazem parte do nosso mundo, os protegemos só daquilo que não foram responsáveis por existir, daquilo que não possuem forças pra se defender.

Funcionou, o canto dos elfos fizera Sarah cair inconsciente. A cena ficava ainda mais pavorosa. O homem se balançando na menina desacordada e pálida, como morta. Desejo torpe!

Koraíny olhou para o humano, não com raiva, nem ódio, os elfos não sentiam desta forma. Ele estava pesaroso, triste pelo ser lamentável que fazia aquela atrocidade. Mal sabia ele que sua alma estava agora condenada, ele se perdera eternamente.

_ Não entendo, majestade! Porque proteger homens como ele?

_ Sempre a uma escolha para os humanos, mas ainda há os que escolhem errado. Mas estes ainda estão em minoria. Enquanto isso acontecer valerá a pena a nossa missão. Vale à pena lutar pra proteger pessoas como Laura e como Sarah. Vale à pena!

#Flash Back off#

Sarah abriu os olhos se levantando da cama com brusquidão. Ela tinha certeza que a mãe não tinha noção do quanto seria difícil cumprir seu ultimo pedido. “Você pode e você vai”... “continue por mim”. Sim, aquilo a mantivera viva no momento mais sombrio de sua existência. Porém a menina perdeu sua inocência, ela não via a vida da mesma maneira que a mãe. Achava que o amor ainda existia em algum lugar, para alguém, mas não pra ela. Ela se fechara em si mesma neste sentido, o único sentimento mais forte que possuía dentro de si era o amor de sua mãe. Por alguma razão, tal amor era uma força imponente dentro dela, ela vivia por isto.

Ela se olhou no espelho do pequeno quarto, que ficava na porta do singelo, mas clássico roupeiro. Nada, nenhuma cicatriz, nenhuma marca exterior da violência que sofrera. As piores seqüelas estavam dentro de si. Mas ela não se lamentava há muito tempo, não chorava há muito tempo. Só se permitiu esta fraqueza, se entregar ao desespero de ter sua inocência perdida no mesmo fatídico dia, quando acordara em uma cama de hospital.

Inconsciente, ela não vira o que aconteceu depois. Pessoas estranhas lhe contaram, ela ouviu tudo de maneira apática, fria. Ouviu que a pobre governanta ouviu seus gritos, mas nada pode fazer a não ser chamar pela polícia. Ouviu que quando a polícia chegou, pegou o monstro em flagrante, mas já era tarde pra ela. Porém, o fato de a menina estar desacordada e muito ferida fez com que os policiais não fossem nada cordiais ou dessem um tratamento politicamente correto para seu padrasto.

Este foi a jure popular e, mesmo ela sobrevivendo, foi condenado a pena máxima. Mas não chegou a cumprir toda a pena. Os demais presos costumavam dar um certo tipo de tratamento a criminosos de tal estirpe. Xavier não resistiu aos subsequentes espancamentos e demais torturas. Morreu em dois meses de cárcere.

O irônico de tudo isso é que boa parte da fortuna dele ficou de herança para Sarah. Ela ficou sabendo depois que ele havia passado muita coisa para o nome de sua mãe, antes desta morrer e, também, por ele não ter nenhuma outra ligação parentesca que justificasse um testamento. Por lei seria a mãe de Sarah que ficaria com os bens, como estava morta, eles passaram para filha. A garota, no entanto, autorizou a doação de grande parte da riqueza, mas ainda assim ficou com muito.

Depois do ocorrido, enviaram Sarah para um “abrigo/internato” até que pudesse ser emancipada e se cuidar sozinha. Isto porque ela alegou não querer ir à casa de ninguém, que não tinha nenhum conhecido e muito menos queria ser adotada. Os advogados de Xavier, que passaram a defender os interesses dela, providenciaram-lhe um lugar razoavelmente confortável, a custa de uma gorda mensalidade.

Tinham se passado três anos e ela estava agora com dezoito. A principal escapatória de seus problemas que encontrou fora os estudos, a medicina. Mesmo aos cuidados das freiras do internato, a menina conseguira entrar no curso de medicina na Universidade de Washington, cidade onde ainda residia. Sua inteligência era considera bem acima da média, tanto que estava com dezoito anos, no segundo ano do curso, sendo a melhor aluna da turma, tirando as médias mais altas do histórico do curso.

Ela decidira se dedicar de corpo, alma e todo sentimento à profissão, esquecendo-se de si mesma e cuidando dos outros. Não era somente uma postura altruísta, mas assim as coisas ficavam mais fáceis de suportar, o seu viver se tornava mais mecânico e útil pra algo. Não fazia parte da personalidade de Sarah se encolher em um canto e lamentar seus cacos, pedir por cuidados, ser uma depressiva inútil. Ela erguia a cabeça e vivia, sem, no entanto, se envolver com ninguém muito proximamente. Não fazia amigos, mas sim colegas de estudo, num esboço do que seriam suas futuras relações profissionais.

Mas naquela noite, em que tudo lhe passava novamente pela sua cabeça, outra coisa lhe incomodava. Há tempos achava-se estranha em relação aquilo que era considerado “normal” em um humano. Começou com a força e agilidade que lhe crescia cada vez mais, depois com o fato de não se cansar nem um pouco em suas aulas de dança ou de Educação Física, ainda que ficasse se movimentando por horas. Era mais rápida que os demais, sempre se destacava, preferindo muitas vezes refrear seus impulsos pra não ter um holofote sobre si.

Há alguns meses passou a não sentir tanto desconforto no inverno rigoroso de Washington, não precisava se agasalhar tanto como os outros. Seus reflexos eram, no mínimo, formidáveis. Nada lhe escapava das mãos. Seu equilíbrio maravilhoso. Equilibrava-se em saltos como se estivesse descalça. Há dois dias resolvera se testar. Ousadamente subiu, com certa facilidade, no telhado do internato em plena madrugada, sem muitas luzes, com uma lua encoberta por nuvens, e andara de salto quinze, pelo telhado inclinado. Não achou assim tão difícil. Aliás, tinha boa visão, enxergava as letras pequeninas dos livros que os colegas liam a duas fileiras a frente da sua.

O olfato também não era nada mal. O que a fazia até se intrigar com algo curioso. Todas as suas coisas tinham sempre um mesmo cheiro. Parecia um perfume, mas ela não usava perfume. Era uma fragrância leve, floral e afrutada ao mesmo tempo. O cheiro estava em seu travesseiro, em seus cadernos, em seus livros, tudo. Isso vinha dela?

Curiosa, resolveu analisar melhor sua genética. Sorrateiramente, durante aquela tarde, se enfiara em um dos laboratórios da Universidade e retirara de si uma pequena amostra de sangue. Logo, um impulso a fez inspirar o pequenino frasco com seu sangue e pra sua surpresa, pode identificar o mesmo “perfume” que a deixava intrigada. Sim o cheiro vinha dela. Com o coração aos saltos colocou uma pequena quantidade do sangue no microscópio. Não precisou de muito tempo pra constatar. Não, definitivamente aquela composição sanguínea não era normal, não batia com as descrições cientificas que conhecia tão bem, que eram muito claras e fundamentadas.

­_ Ta confirmado! Sarah você é uma aberração! Só pode ser – disse a garota olhando-se no espelho do quarto.

Ela estava agoniada, não conseguia pensar direito, tinha que haver uma explicação, tinha, tinha! Que tipo de ser era ela afinal? Já não bastava a vida fácil que tinha? Ela cansou de deslizar de um lado a outro do quarto. Sentia-se enclausurada, precisava de liberdade, do vendo frio a chicotearem seus cabelos. Olhou o relógio. Três da manhã. Que ótimo, mais uma noite perdida! Vestiu uma calça qualquer por cima do pequeno shorts de seu pijama, calçou o tênis e rumara para a sacada.

O toque de recolher já fora dado, mas ela não se importava. Subiu no parapeito da sacada e olhou pra baixo. Sorriu. Uma idéia absurda lhe passava pela cabeça:

_ Será menina, que você consegue saltar estes dez metros? – riu de novo, além de tudo era doida suicida. – Tá, vou deixar pra próxima.

Mas ainda assim fez algo ousado. Desceu escalando pelas paredes externas do edifício do internato. Quando faltavam dois metros saltou, caíra dobrando os joelhos, absorvendo o impacto perfeitamente.

_ Ótimo gatinha, caiu de pé!

Começou a correr então, se embrenhando no bosque que rodeava o colégio. Normalmente as freiras não tinham a preocupação de que as frágeis menininhas do colégio se metessem naquele pequeno mundo selvagem, então não havia cercas. Corria sentindo prazer naquilo, porque fazia esvaziar a mente. Desviava sem problemas das arvores e saltava as raízes sem se abalar ou tropeçar. Só que depois de um tempo mata adentro, pensou ter vislumbres de silhuetas a seguindo. Se sentiu observada. Ficou tensa. “Droga! Por que fui tão longe?”

Forçou as pernas, corria mais, tinha quase certeza que tinha algo atrás dela, embora não escutasse perturbação alguma na mata. Planejava racionalmente suas possibilidades enquanto corria. Poderia, tinha que tentar dar a volta e regressar ao colégio. Mais outro susto! Havia coisas ou pessoas em volta dela. Eles eram silenciosos e corriam tão rápido quanto ela. Só então tomou consciência de sua velocidade, outra anomalia. A adrenalina a fizera parecer um jato na mata irregular. As arvores pareciam borrões a sua volta. Mas suas pernas estavam firmes, definitivamente firmes, sua respiração só alterada pela tensão.

_ Pare Sarah, chegou à hora de saber as verdades sobre si. Não é isso que quer? – disse-lhe uma voz suave, mas penetrante, altiva, cadenciada…