The Precious Blood
33 CONVERSA
Notas iniciais
Bom, tive mais uma recomendação EEBAAAAAAAAA O/
E como eu disse que faria qndo tivesse recomendações com capítulos prontos, vou postar dois de uma vez, em agradecimento a fofa da Isabella Black.
Cada vez que ele segurava com um pouco mais de empolgação sua cintura, Sarah lhe dava um beliscão. Jacob reclamou, dizendo que ela tinha força pra deixar ele todo roxo, mas ela lhe dizia que meninos mal comportados apanhavam. Assim ele teve de controlar os seus instintos naquela noite, suas vontades, focando tudo somente para beijos e nada mais. E, por ser assim, aqueles foram os melhores beijos da vida de qualquer um dos dois. Tão ligadas ficaram as bocas, que elas podiam se sentir, mesmo quando não estavam coladas. Sarah sentia o gosto da boca de Jacob só com o som de sua voz e ele sentia a maciez dos lábios dela só com um vislumbre de um sorriso. E era linda a forma como ela sorria depois que ele deixava seus lábios, dizendo que era pra descansar um pouco, estendida no chão com os braços soltos e sem se importar com mais nada.
Jacob ficou com ela um bom tempo assim, até que ele percebeu que os olhos dela estavam cansados demais. Ela tinha passado outra noite em claro e estava lá, acordada e linda, apesar da cara de cansaço. Jacob se lembrou de Milla dizendo que ela ficava linda mesmo depois de horas exaustivas de plantão e era verdade. Aquilo era perfeição, não a forma escultural e pétrea dos vampiros. Perfeito era aquele calor, a cor acentuada da face depois de beijos tórridos, o peito arfante quando perdia o fôlego, o suor com o calor da proximidade, o cabelo solto e sem penteado, os olhos brilhantes de sono e a pele que não resistia a um aperto, que acomodava o toque. E os olhos, de uma cor que era só dela. Era a humanidade que ela não perdia, estava nela, apesar de tudo.
“Perfeita ao dormir, perfeita ao acordar, perfeita em tudo!” Ele pensou novamente.
_ Não acha que esta na hora de dormir doutora? – Ele sussurrou em seu ouvido, acariciando seu cabelo.
_ Humm… — Ela murmurou, se virando no chão. – Posso ficar mais tempo acordada.
_ Sim, você pode. Mas por que resistir se você pode descansar?
_ Tá bom do jeito que está… — Ela disse, escondendo o rosto embaixo do braço dele.
_ Eu sei que sou muito aconchegante, mas você precisa sair daqui pra dormir. Ou quer ficar? – Ele perguntou, rindo.
_ Sou descente, não durmo com qualquer um. – Ela sussurrou, parecendo bêbada. Jacob gargalhou.
_ Eu não sou qualquer um. Pensei que isto já estivesse claro, doutora.
_ Tem razão, você não é qualquer um. Você é um ser altamente convencido, problemático, com uma vampira em seu passado, que no momento virou presente e muito, muito perigoso… mais perigoso por ser tão abusado! – Ela murmurava abafado por estar com a cabeça enfurnada no braço de Jacob.
_ Perigoso em que sentido?
_ Não vou falar, se quiser descubra. Confio em sua inteligência.
_ Tudo as claras lembra?
_ Cansei desta brincadeira. Coisas ocultas podem atrair mais, às vezes.
_ Ok. Então, já que você está aí com sono, e não quer dormir aqui então… me dá licença. – Jacob disse, empurrando levemente o corpo dela pra se separar do seu. Mas ela lhe agarrou novamente.
_ Faça assim então: fica comigo até eu dormir, depois… você vai para o seu quarto.
_ Tem certeza? – Ele perguntou, de repente se achando realmente muito abusado por insistir naquilo.
Sarah se levantou, apoiando a cabeça no cotovelo. Olhou pra ele cuidadosa.
_ Vamos com calma, ok?
Jacob não disse mais nada, apenas se levantou e a puxou para seu colo, a levantando do chão.
_ Então eu vou te colocar pra dormir! No seu quarto.
Quando chegaram ao quarto, Sarah pediu pra que ele a deixasse ir se trocar. Jacob se sentou na cama enquanto ela foi para o banheiro. Sarah voltou com um pijama discreto, muito discreto: calça cumprida e manga longa, de tecido de algodão nada transparente, na cor rosa bebê, o cabelo solto, mas penteado, um chinelinho de tecido branco. Andou em direção a Jacob arrastando o pé e coçando os olhos. Ele riu, ela não queria parecer atraente, escondeu tudo, até o cabelo escondia seu rosto.
_ Nossa, que espetáculo de sensualidade! – Ele não resistiu, teve que caçoar.
_ Gostou? Foi você que me inspirou. – Ela subiu engatinhando na cama.
_ Tá parecendo uma armadura.
_ E é! Estou do lado do inimigo. – Ela disse, se encaixando no abraço dele. Os dois riram.
_ Dorme então, não vou atacar esta noite.
_ Isto me tranquiliza.
_ Medrosa… — Ele provocou.
_ Abusado! – Ela respondeu, já de olhos fechados. Mas de repente ela os abriu, voltando a encarar Jacob.
_ Jake?
_ Diga.
_ Isabella está certa. Vocês têm uma situação sim e ela não está resolvida. O que ela disse é verdade.
Jacob voltou a ficar tenso, como não estava antes. Endureceu o olhar.
_ Escutando atrás da porta?
_ Não preciso disto, meu ouvido é bom. – Ela passou a mão no rosto dele, por cima dos olhos. – Ainda há mágoa. Resolva isto, se livre disto.
Jacob não respondeu, foi para beijá-la com a expressão ainda muito perturbada. Mas ela não permitiu, virou o rosto e voltou a fechar os olhos. Era um claro sinal de que ele não poderia se afogar nela de maneira nenhuma pra tentar esquecer o problema Isabella. Ele teria de resolver aquilo, quer quisesse ou não. Enfrentar… No fundo ele era o medroso ali.
Suspirou e não cobrou outro beijo, apenas começou a acariciar a cabeça de Sarah, com um olhar fixo em lugar nenhum. Olhando para o lado ele viu um número rabiscado em um papel deixado cuidadosamente sobre o criado mudo. Não estava ali quando ele chegou. De alguma maneira Sarah o distraiu e colocou ali. Embaixo do número, com a caligrafia de Sarah, estava escrito “Edward”.
Uma hora depois a respiração dela já estava uniformizada, tranquila, o corpo estava mais solto. Jacob suspirou e voltou a olhar para o pedaço de papel com o numero. Lentamente desfez o abraço de Sarah ao redor de si, pra que ela não acordasse. Rodou no quarto, foi para a sacada, mas acabou voltando, pegando o papel com o número. Tinha sido coisa de Sarah, com certeza!
O telefone ficava na outra mesinha do quarto. Jacob o pegou, junto ao número. Respirou fundo e discou.
_ Alô? – Era a voz dela. Jacob estava se preparando pra ser hostil com Edward quando ele atendesse. Mas quem atendeu foi Isabella. – Alô? – Ela perguntou novamente.
_ Vamos resolver a situação então. Esta é a noite onde tudo se esclarece. Me encontre na montanha da luta com os recém-criados, onde descobri tudo sobre o seu casamento, daqui a vinte minutos.
_ Jacob? Eu…
_ Vou estar esperando. – Ele disse, e desligou o telefone. Olhou pra trás, pra Sarah que dormia encolhida feito uma garota na cama. E depois foi para a sacada e simplesmente saltou, correndo em direção ao encontro, para ter a conversa que foi adiada por mais de dez anos.
Quando Jacob saiu do portão pra fora, os olhos de Sarah se abriram, ela estava acordada o tempo inteiro. Se levantou cuidadosa, foi para a janela e sussurrou para o homem que havia desparecido ao longe:
_ Boa sorte… — Voltou para a cama, sem ter a certeza de quando dormiria.
Oo0O0oO0OoOoO
Bella sentou-se naquela pedra, no cume da montanha mais alta daquela região. A última vez que esteve ali, seu coração ainda batia, podia sentir o frio enregelando sua pele, podia chorar… O vento chicoteava contra a figura pétrea e distinta daquela mulher vampira, estática em um transe. Não era a mesma Bella, seu corpo exibia curvas esguias e delicadas, esculpidas com veneno polegada por polegada. Seu cabelo descia-lhe pelas costas, seu rosto tinha traços harmoniosos, melodiosos, misteriosos. Ela nunca vira sua face, de anjo cálido e juvenil, refletida no espelho quando seu instinto aflorava, não via em seus olhos a criatura monstruosa que pedia para se libertar, para devorar.
Havia nela um monstro, um demônio inumano resistindo cada vez que ela resolvia se apegar a algum sentimento celestial demais. Mas ela combatia e domava o demônio sanguinário com tudo aquilo que um dia habitou seu coração de humana. Amor… e por haver amor nela, crescendo, consumindo, resistindo, havia também a falta, a ausência, o arrependimento e a culpa.
“Beije-me Jacob… Beije-me e depois volte…” Fora ali, exatamente no lugar onde estava parada, onde Jacob a beijou, daquele jeito insano e quente. Por que ele escolheu justamente aquele lugar?
Aquela lembrança era humana, um véu cinza a cobria, mas ainda assim, era impossível que se esquecesse. O conforto, ela jamais poderia esquecer que sentiu conforto nele, com ele e por causa dele. Mas era menina, jovem ainda, não sabia administrar seus sentimentos, tão pouco o sentimento que ele devotou a si. Não sabia, porque não entendia.
Seus caminhos se atravessaram, cruzaram, mas nunca fundiram-se. Não eram um do outro, o caminho dele cruzou com o dela, mas eles nunca poderiam seguir juntos.
Ela não precisou inspirar muito para sentir o odor se alastrando ao redor de si, provocando uma involuntária tensão em seus músculos. Era inevitável perder coisas com a transformação, e à sua lista Isabella pode adicionar o cheiro de Jacob. Não se lembrava como ele era quando lhe parecia bom, pois agora não era mais assim. Ele veio sem se transformar, não como fera, estava parado a suas costas, com olhar tão fixo quanto o dela.
Ele nada disse, esperou que ela se virasse, devagar, dada sua capacidade, para lhe encarar. Assim que ela o fez, recuou novamente diante da intensidade dele. Aquele olhar parecia ter sobre ela o mesmo efeito que o fogo. Porque o fogo era uma das poucas coisas que tinha o poder de lhe desfazer, de lhe consumir.
_ Um dia eu me senti bem e confortável quando você me olhava. Não é o que estou sentindo agora. – Bella disse de olhos baixos. A voz dela veio em um sussurro misturado com o vento, suave.
_ Era porque neste dia eu me sentia bem em olhar pra você. Não é o que eu sinto agora. – Jacob seguiu a mesma intensidade da voz dela. Bella pensou em questionar o que ele estava sentindo, mas a voz ainda estava presa em algum lugar dentro de si. – Não pensei que você ainda sentisse algo, Isabella. Pra mim, os sentimentos são do coração. Aquela coisa que bate viva dentro da gente. O teu virou pedra, está morto.
_ Não Jacob. Eu descobri que não é no coração que os sentimentos mais profundos ficam. Eles ficam na alma, se enraízam em nós. Com o coração parado ou não, a minha alma continua aqui. E mesmo tendo aversão pela criatura que você é, eu não me esqueço do meu Jacob. Não posso. Você é sentimento, forma o que é minha alma. E é isto que não me permite esquecer de você. – A voz dela continuava inalterável, suas pálpebras e cílios cobrindo suas íris.
_ Não se esquece de mim… Isto não é confortador Bella. É migalha… — Ele disse, uma nota de raiva impregnando sua voz.
_ Não é migalha Jacob. Porque eu sei que você não precisa de nada de mim, não tenho mais a pretensão de ocupar algum lugar importante demais pra que você queira algo de mim. Algo pleno ou migalhas… — Bella elevou os olhos e, com firmeza encarou Jacob. Ele não viu os olhos dourados, mas viu a faísca de uma cor chocolate. – Eu nunca quis ferir você. Eu não menti quando disse que te amava. Eu amei você sim, muito. Amei porque era simplesmente impossível não te amar Jake, porque o que você sente é tão forte que nos contamina. O mínimo que agente pode fazer é sentir junto. Mas eu nunca fui a mulher certa pra você Jacob, nunca fui.
_ Nunca quis me ferir? Seria inevitável, não é Bella? Vivemos o famoso triangulo amoroso. Triângulos têm pontas e as pontas ferem.
_ Não foi só você que se feriu nesta história Jacob! Não foi! Eu me machuquei, esta criatura imbecil aqui, que merece seu ódio, também se machucou. Edward se machucou. Nós só nascemos pra ser par Jacob. Triângulos não podem existir. Eu não sou teu par.
_ Demorou pra enxergar isto não é Bella? Porque não me disse isto antes? – Ele questionou.
Isabella deu um riso amargo, com um som dolorido.
_ Então a miserável se confessa… eu vou dizer o que você pensa que sou e tem absoluta razão: eu fui egoísta Jacob. Eu já disse e não me canso de repetir. Quando você, Jacob, sente algo por alguém, você tem um poder incrível de elevar este alguém às alturas ou de resgatar do buraco. Eu não era capaz de fazer isto comigo mesma então eu precisava, o tempo todo, de alguém que fizesse isto por mim: me resgatar do buraco, me puxar pra vida. E você fazia, sempre fez. Eu realmente não queria te fazer sofrer, mas o meu querer mais forte era que eu não perdesse tudo aquilo que você me dava. Hoje Jake, hoje eu sei que eu não merecia aquilo. Mas muito mais do que não merecer o seu amor, eu não merecia que você sacrificasse sua alegria por mim, por alguém que te fez o que fez, sugou tudo que você me oferecia sem prestar a atenção que eu te esvaziava, eu tirava e nunca acrescentava.
Jacob sorriu, olhou pra cima e agarrou os cabelos.
_ Ah! – Ele soltou um grito rouco e logo depois começou a rir incontrolavelmente. – Ah Isabella! – Ele bradou ao vento, fazendo com que a pedra que compunha a pele da vampira tremesse. Se aproximou veloz e agarrou os braços de gelo, ferindo a alma da vampira com seu olhos em brasa. – Eu fui um idiota! – Ele disse, olhando dentro dos olhos dourados. Bella, impressionantemente, segurou firme e suportou a chicotada que Jacob lhe deu com aquelas palavras. Ele dizia ser tolo por ter lhe dispensado algum sentimento.
_ Tudo, tudo o que eu queria, como eu queria, era te culpar e te condenar por tudo que eu passei nestes anos. Eu queria te culpar por ter me tornado rancoroso, desprezível. Eu queria te condenar por eu ter jogado o amor no lixo. Foi você que fez tudo isto comigo? Foi? – Ele riu novamente, o hálito, não mais envolvente para Isabella, foi jogado em sua face. Ela ficou quieta. – Não Bella, não foi! Eu mesmo fiz isto comigo e usei, durante todos estes anos, você como desculpa! Postura de uma criança covarde!
_ Eu nunca mereci o que você sentiu por mim. – Ela sussurrou.
_ Não Bella, não diga uma frase tão altruísta, que estas palavras não tem significado algum, porque elas não fazem parte das suas ações! Você não mereceu, mas quis ter. Não te culpo, eu fui pra você o que não fui pra ninguém durante longo período na minha vida. E daí eu usei você como desculpa pra justificar meu rompimento com a paz, com o riso fácil, com o encantamento, com a admiração. Eu só tive que topar com a realidade de que uma pessoa não era o que eu idealizava que ela fosse pra mim e então eu rompi não só com uma história de amor frustrada, mas eu rompi também o brilho nos olhos, rompi com as promessas de amor que eu te fazia… “Até que o seu coração pare de bater…” Eu terminei com isto! Abandonei, deixei de lado, rompi com tudo o que de todo o meu coração eu acreditei. E foi por sua causa Bella? Não, não foi só por sua causa! Foi mais por medo… medo de sofrer! E então eu enfraqueci e me amargurei… amargura é o sentimento dos fracos, foi isto que eu descobri!
Ele terminou a frase rugindo. Bella reconheceu o olhar perturbado que ela só tinha vislumbrado uma vez nele, em toda a sua vida. Foi a vez em que ela foi procurar Jacob após sua transformação, quando ele se achava um monstro, perigoso para ela. Era o olhar que ela disse, um dia, fazer parte do “Jacob de Sam”.
Bella fora, assim, a primeira pessoa a vislumbrar o que Jacob poderia ser diante de uma frustração, de um medo. Ele se tornou amargo para ela um dia, antes que se entregasse a isto de vez. Ela já tinha visto dureza na voz e no olhar dele. Foi só um vislumbre ou então, um prenuncio do que realmente aconteceu com ele. Bella se lembrou daquilo e estremeceu por dentro.
Jacob soltou os braços dela, não suportando mais respirar de tão perto o seu cheiro. Fechou os olhos e se sentou em uma pedra em frente a ela. Isabella continuou em pose rígida, como estátua: não se mexia, não respirava.
_ Não… — Ela sussurrou. Era um lamento, ela lamentava que o Jake que ela conheceu se perdeu em algum lugar… ah, aquilo doeu. Verdadeiramente, aquilo doeu! Sua face se retorceu, mas ela não podia chorar, nem um soluço lhe escapava. O demônio dentro dela impedia que ela limpasse sua alma jorrando lágrimas.
_ Agora eu vejo. Vejo o que eu não vi Bella… Vejo que a culpa também foi minha. Eu fiz certa escolha. Eu fui o culpado por te por em um pedestal onde você não cabia Bella, eu te idealizei de uma forma que você não era e não tinha como ser. Você não era a mulher da minha vida Isabella. E quando isto tentava me ser jogado na cara eu me fiz de cego e eu também induzi você a acreditar nisto. Nós dois erramos e mesmo que eu queira condenar alguém, eu não posso. A verdade é que você nunca foi obrigada a ser o que eu queria que você fosse…
Bella viu, conturbada, uma lágrima fina escorrer pelo rosto de Jacob.
_ Jacob, eu sei… sei que nunca mais seremos o que um dia fomos um para o outro. Mas eu conheci você. Você me permitiu isto um dia. Mas só agora eu entendo certas coisas de você. – Bella queria se aproximar de Jacob, mesmo com o desconforto absurdo que a proximidade com um lobo trazia, e lhe acariciar. Mas não podia. – Jake, pra mim você era uma estrela própria, com uma fonte de energia e luz inesgotável. Eu te concebia como um sol e eu não entendia que um sol pudesse perder sua luz algum dia. Mas Jacob, você procurou em mim, você me conduziu a ser algo que eu… eu … era idealização! Você foi um menino Jake, um menino que perdeu a mãe muito cedo e assumiu a responsabilidade de sustentar o pai e manter a mesma energia que ele tinha. Você sempre deu muito e recebeu pouco. Porque você sempre foi capaz de dar amor, de ser para os outros o que você procurava pra si. Eu não enxerguei Jacob, eu não vi que na verdade você queria não só cuidar, você queria ser cuidado… Ah! Eu nunca fiz isto, você queria ser iluminado… como você me iluminava…
A voz da Isabella vampira, perfeita e cadenciada demais, voltou a mexer com algo que Jacob tinha perdido dentro da sua cabeça. Uma lembrança morta lhe veio… Ele fechou os olhos e se agarrou aquilo com uma necessidade extrema. Sua mãe...
“_ Jay? Jay, meu pequeno guerreiro! Venha, me deixe te beijar… hoje eu não te beijei! – A voz dela era quente. Seu pai estava sentado do outro lado da praia, com Rachel e a Rebecca do lado. As meninas riam do garotinho correr pra longe da mãe, brincando enquanto ela fingia ter dificuldade em alcançá-lo.
Os cabelos negros e longos de sua mãe se espalhavam com o vento que batia contra ela e ela sorria pra todos da sua família com um sorriso esplendoroso, extraordinário e cáustico. O sorriso branco de Sarah era como uma aurora. O sorriso dela era como um sol, trazia vida a sua família.
_ Vou pegar você! – Ela corria atrás do pequeno Jake, com só quatro anos de idade. Começou a cantarolar em quileute “vou pegar, vou pegar”… a voz dela era suave, mas tinha uma rouquidão mansa e sutil. O Jakesinho escutou Billy trovejando uma risada ao ver a correria entre mãe e filho.
_ Num vai naum… — Jake gritava e ria ao mesmo tempo.
_ Pote quo… pega ele! – Billy disse, chamando a esposa de “meu amor” com a língua quileute.
Sarah Black correu mais, e agarrou o pequeno Jacob pelas costas, levantando o pequeno do chão e começando a beijar incontrolavelmente sua barriga, suas bochechas.
_ Nos segure! – Ela gritou, e foi correndo para o lugar onde Billy e as meninas estavam sentados na areia. Ela pulou no meio deles com Jacob no colo, com as bochechas mais vermelhas pelas gargalhadas infantis.
As irmãs pularam em cima de Jacob e da mãe exigindo atenção. Sarah começou a beijar todos os filhos e a sorrir em meio aos apertões no pescoço, cada vez que ela era puxada por uma das crianças.
_ Tem mãe para todo mundo! Eu vou cuidar sempre de cada um de vocês! – Ela dizia, sempre sorrindo.
_ Tem mãe pra mim também? – A voz de Billy soou mansa e baixa. Rebecca e Rachel pararam de pular e deram risinhos uma pra outra. Jake continuou gargalhando no meio do pai e da mãe.
_ Pra você não sou mãe, sou mulher. – Ela disse, passando a mão na cabeça do Jake gargalhão em seu colo e olhando profundamente Billy, com olhos negros e intensos. Por cima da cabeça dos filhos ela se inclinou e beijou um Billy em boa forma e com os cabelos sem um fio branco sequer. As meninas riram mais, e Jake olhou pra cima, para o beijo dos pais e enrugou as sobrancelhas pequenas.
_ Ei! – Ele chiou e colocou a mãosinha no meio das cabeças de Sarah e Billy.
_ Jake, bobão. Atrapalho o papai e a mamãe! – Rebecca gritou.
_ Becca! Não chame seu irmão de bobão. Jay é o nosso guerreiro. Nós vamos cuidar dele não é? – As meninas riram. Mas Sarah sorriu ainda mais bela para os filhos e marido.
_ Te amo mamãe! – Jake disse, e agarrou o pescoço da mulher sorridente.
_ A mamãe é o nosso sol Jake! – Billy disse…”
A lembrança se desfez, Jacob não conseguiu se recordar de mais nada depois daquilo, era algo aleatório. Bella olhava atenta pra ele, observando mais uma lágrima descer por seu rosto, mas um sorriso pacífico tomar conta de sua expressão. Jacob respirou fundo e fez careta logo depois, com o cheiro de Bella.
Então, depois daquela lembrança inesperada e repentina, ele tirou de lá de dentro de sua cabeça uma verdade. Foi como se a sua mãe, em alma presente, tivesse vindo até ele, por uma porta ínfima de acesso, e lhe tirado a compreensão do que ele havia passado lá de sua essência… de seu coração. Então ele começou a explicar o que compreendeu à Isabella.
_ Você estava sozinha e perdida, depois que Edward te deixou… eu fui alguém que você se agarrou em meio à correnteza, assustada, apavorada. E eu nunca tive alguém assim, uma menina, uma garota pra mim, não tinha nenhuma outra… e por não ter mais nenhuma eu me agarrei em você também Bella. Eu não vou dizer que me arrependo de tudo que passamos juntos, o frio a dor, as dificuldades, as alegrias, os medos. Nós dividimos muitos medos um com o outro Bella, e o medo dividido subtrai-se.
“Mas lá na frente, havia o lugar onde você se separaria de mim. Foi quando Edward voltou e eu não soube admitir que você não precisava mais de mim. Eu me desesperei pra não deixar que nossos braços de soltassem, mas não! Você não me pertencia e eu nunca te pertenci. Nós apenas fomos companheiros de uma travessia Bella. Eu não fui tão nobre pra reconhecer a hora de renunciar, eu nunca estive disposto a isto, meu ego grande não permitia… Meu desejo de ter um sol pra mim, alguém que me cuidasse, não me permitiu. Eu nunca pude acreditar que o sanguessuga fosse melhor pra você do que eu. Olha só que ironia. Ele foi nobre assim, ele esteve disposto a recuar, ele estava disposto a jogar seu orgulho e sua honra no chão e abrir mão da mulher que ele amava se eu fosse o melhor pra você.
“Agora eu vejo e a vida me dá outro soco na cara. ‘O vampirão é mais honrável que você, Jacob’. – Jacob começou a falar com voz arrastada – ‘Então você pode xingar o sanguessuga Jacob, mas a atitude dele era muito mais forte e resistente que a tua’. Idiota! Se eu tivesse abrido mão, não teria sofrido.”
Jacob desabafou tudo sem parar pra respirar. Não falava para Isabella, mas como que para seu reflexo no espelho. A Bella parada na sua frente parecia refletir o outro cara que ele era.
_ Eu acho Jacob, que se em algum momento eu te aceitasse, da forma que você queria, nós perderíamos aquilo que era pra nós, de verdade. Cada mísero segundo dos dias da minha vida, quando eu me deparo com o sorriso do Edward, com o olhar e com a voz dele, eu sei que eu nasci só pra ser dele. Nasci com defeito, mas de uma maneira torta ele sorri pra mim e por mim. Eu só me sinto mais honrável Jacob, porque eu sei amá-lo e me dedico a isto a minha vida inteira. Edward sempre foi o mais experiente de nós e talvez aquele que tenha tido as atitudes mais coerentes neste triangulo. Não acho que foi imbecil o que ele fez, acho que foi algo que nós não podemos alcançar. Ele abria mão de mim e se tornava mais nobre e eu, se o traísse, se dividisse meu coração com outro, então só eu seria desprezível, não ele. Como eu poderia não amá-lo Jake?
“Eu não sou capaz de deixá-lo, porque eu preciso fazer algo por ele, eu preciso ser dele, eu sou pra ele. Eu sei que posso conseguir isto, mas com você não. Com você eu nunca seria capaz, eu nunca seria digna, porque eu nunca seria a certa. Então eu nunca faria isto certo com você Jake.”
_ Não, não faria. – Jacob sorriu novamente. Por que agora tudo parecia tão claro? Seria porque ele e Isabella não eram mais adolescentes frente a seu primeiro amor? Seria porque ambos tinham alcançando certo entendimento sobre o que havia em seus corações? Ela era de Edward e ele… ele era…
_ Sarah… — Isabella sussurrou, se sentando velozmente ao seu lado. Por um segundo ele pensou que ela estaria falando de sua mãe. – Você está casado com ela. Você é capaz de compreender o que me liga a Edward quando está com ela, Jacob? – É claro... era de sua esposa que ela falava.
_ Porque pergunta isto?
_ Eu te conheço Jacob, eu já vi teus olhos abertos pra mim. Eu vi, lá, na frente daquele hospital, você olhando pra ela. Suas sobrancelhas se levantaram e sua retina cintilou, eu sei o que foi aquilo Jacob. Você compreende com ela o que me liga a Edward?
_ Sim, eu compreendo.
Bella sorriu, como se aquela afirmação de Jacob lhe tirasse um peso da alma, o medo de Jacob não ser feliz.
_ Nunca, nunca Jake houve tanta sinceridade em mim em qualquer coisa que eu possa dizer a você, como haverá no que eu vou te dizer agora. Eu quero, desejo, preciso que ela, aquela médica, seja pra você tudo aquilo que você queria que eu fosse. E que ela possa ser mais, muito mais do que isto. Que ela seja a certa, que ela obtenha sucesso naquilo que eu deitei por terra. Que ela seja sua felicidade. – Ao dizer aquilo a voz de Isabella se tornou mais forte, mais profunda. Ela se levantou, andando a passos leves para longe de Jacob. Ela não viu que Jacob lhe sorriu pelas costas, tomando consciência de uma certeza já enraizada nele.
_ Ela é. Ela será! – Ele sussurrou pra si mesmo. Bella ouviu e deixou um suspiro humano demais lhe escapar.
_ Eu não sou mais parte da sua vida Jacob, nada do que há em mim pode te prender ou te agoniar mais. Eu não quero isto e agora você sabe que também não quer. – Bella disse. – Mas aquilo que nos uniu no passado é eterno e imutável. Os sentimentos que você me deu ficaram em mim. Não se esqueça disto, é só o que eu lhe peço.
Jacob se levantou e suspirou também.
_ Isabella… o que eu vivi com a humana que você foi, foi verdadeiro, mas transitório, passou… Uma passagem. A lembrança disto não me incomoda mais. Vai embora Bella, vai que hoje eu aprendi a te deixar ir. – Ele virou as costas.
_ Jacob! – Mas antes que pudesse partir Bella lhe chamou. Ele não se virou, apenas parou. – Por mais uma ironia do destino, sua esposa é meu tormento na Terra. Meu tormento como fonte do meu desejo. Ela é minha cantante… Desejo o sangue dela de uma maneira absurda. Agora eu sou monstro também, Jacob. Proteja ela de mim.
Jacob se virou e encarou Isabella, com um riso estranho na face.
_ Você é tão boa lutadora quanto Edward, Isabella? – Ele perguntou, ameaçador.
_ Não…
_ Então é você que vai precisar de proteção contra a minha esposa… se tentar algo. – Ele riu e não disse mais nada. Foi embora dali sabendo que tudo o que devia ser dito entre eles foi dito. Estava livre, claro e resolvido.
Agora, ele voltaria pra casa. Ele voltaria pra Sarah, novamente inteiro, novamente Jake!
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