Notas iniciais
Olá minhas leitoras aqui do Nyah!!! Faz um tempinho que eu não posto TPB aqui, eu sei, mas agora eu irei dar uma acelerada nos capítulos e postar muitos de uma única vez! Isto é bom?? Or Not? haha...
Eu gostaria de agradecer a todas as fofas que me dão um apoio imenso qndo comentam ou recomendam a fic... é por vcs que continuo a postar no Nyah... Os comentários é o que alimenta a imaginação das autoras fanfiqueiras, acreditem! Bjss...

“Cegai os olhos da mulher morena

Que os olhos da mulher morena estão me envolvendo,

Estão me despertando da noite…

Cortai os lábios da mulher morena

Que eles são maduros e úmidos e inquietos

E sabem tirar a volúpia de todos os frios…

Cortai os seios da mulher morena

Que os seios da mulher morena sufocam meu sono…

Livra-me dos braços, do fascínio da mulher morena…”

Jacob tinha observado Sarah por cerca de duas horas sem que ela se desse conta. A olhava sem que ele mesmo tivesse consciência do tempo que havia se passado, como que enfeitiçado ele fixou os olhos nela e não perdeu nenhum movimento, nenhuma expressão. Observou suas mil faces, as muitas mulheres que Sarah encarnou em suas interpretações: a angelical, a frágil, a lasciva, a fada, a bruxa, o anjo, o demônio… Ele procurou não pensar no que sentia enquanto observava, mas algo pulsava dentro dele, algo que ele não queria dar vida. Como na briga com Leah, era algo fraco, mas que incomodava, confundia.

Endureceu ainda mais o olhar, contraiu ainda mais os músculos. Fez brotar dentro dele, quase forçosamente, um ódio absurdo por aquela mulher. A chingava de maldita em pensamento, mas não desviava os olhos dela. E o cheiro. O maldito cheiro se dispersou dela assim que o suor começou a brotar da luminosa pele. Instintivamente ele passou a respirar de forma mais profunda.

Raiva! Raiva ele sentia dela, absurda raiva por ela ousar fasciná-lo, por ela estar presente em sua vida de agora em diante, por atormentar seus dias mecânicos, por ser tão… tão… bela. Esta beleza ele comparava a uma maldição, a uma provação que o destino resolveu fazer ele passar. Mas ele não cederia, nunca. O alarme de perigo que protegia a muralha de seu coração apitava forte em seu interior enquanto ele a observava.

Mas nada o faria amolecer. Não! Ele não queria, não iria se deixar levar, não podia. Enquanto a visão arrebatadora da mulher lhe prendia, ele cavou sua memória buscando a lembrança da promessa que um dia fizera. Naquele dia, no dia em que perdera as ilusões sobre o amor, enquanto se afastava furiosamente da casa dos Cullens, aquele foi o último dia que chorou. Foi um choro de dor, de desespero por perder sua amada, que depois passou a ser ódio, revolta por uma garota que caiu do pedestal, que ele mesmo colocou, para abaixo de seus pés. De uma garota que de louvada passou a ser amaldiçoada por ele. Foi naquele dia que ele prometeu, em meio as suas últimas lágrimas, que jamais entregaria seu coração a sentimento algum novamente, que jamais iria se iludir e se rastejar por mulher alguma como fez por ela. Nem mesmo se ela fosse um imprinting.

Escondido como humano na mata, longe de tudo e de todos, ele jurou que não cederia nem a um imprinting, que se mataria se isto acontecesse. Praguejou a magia de seu povo, duvidou de seu poder, dirigiu sua voz aos seus com tanto furor que sentiu algo estremecer, como se seus antepassados o tivessem livrado daquilo, tirado dele a magia que o faria encontrar seu verdadeiro amor. Se foi isto ele não se importava, porque queria assim.

Mas ainda assim os seus olhos não se desprenderam de Sarah. Ah… outra maldita na vida dele não! Para que fosse mais fácil se desprender da feiticeira ele buscou semelhanças com a outra que odiava. Mas não havia como comparar. Os olhos talvez? Os olhos também eram castanhos… mas não! Nos olhos da cruel ex-amada nunca coube tanta intensidade, tanta expressividade. Os olhos de Bella não tragavam quem os observava como uma área movediça. O corpo de Bella nunca fora uma armadilha tão perigosa de curvas. O corpo de Bella exalava fraqueza, fragilidade, pedia proteção e não um abraço forte sem contenções.

Nesta batalha interna Jacob quase cedeu em um único instante. Quando Sarah alcançava o arrebatamento do corpo na última música, quando ela caiu ao chão, quando seu corpo ficou naquela posição final …… ela estava tão entregue! O sorriso dela estava tão delirante, o suor que banhava sua pele tinha um cheiro tão inebriante, os seios formosos que subiam e desciam em uma respiração forte estavam tão convidativos! Ela arqueou a coluna, estendeu os braços como se pedisse, implorasse por outro corpo. Por um segundo ele imaginou ser este outro corpo, por um único segundo ele quis sair de onde estava e provar o gosto daquela mulher.

Ele imaginou isto no exato segundo em que os olhos dela se prenderam nos dele. Ela viu tal vontade transparecer nos olhos dele, um lapso, veloz, quase imperceptível, mas ela viu. E aquilo a fez sentir algo desconhecido. A morena sentiu um tremor em seu baixo ventre que a fez encolher as pernas sutilmente, um tremor que ela tratou de reprimir. Mas Jacob não se moveu. Ao invés disso se agarrou a agressividade e fechou os olhos, quando os abriu estavam sarcásticos outra vez.

_Pra quem foge tanto de sanguessugas você se cansou com muito pouco não acha? – Ele disse a Sarah, já recobrando o controle de frieza sobre si mesmo. Mas a moça manteve seu sorriso, assim como ele, fechou os olhos e respirou fundo. Levantou-se devagar e de mesma maneira caminhou em direção a porta onde Jacob se recostava, seus cabelos úmidos de suor passavam a cintura, o movimento de seu andar, o balançar de seus quadris, era suave e envolvente.

Jacob usava um jeans escuro e básico e uma camiseta branca, com a gola em um V profundo, que fazia o peitoral moreno se mostrar minimamente, uma leve insinuação. Dava pra perceber seus músculos rígidos, as veias destacadas em seu pescoço e braços. Sarah parou perigosamente perto do lobo.

_ Não se trata de um mero cansaço e sim, satisfação – Ela disse baixo, a voz mais ventosa que o normal, fraca e ainda mais perturbadora. Ele preferia que ela gritasse irritantemente. O cheiro doce e picante inundava tudo e com ela perto era tão mais irresistível. O lobo, no entanto, não deixou cair a máscara, continuou a encará-la com olhar duro.

_ É bom que controle mais este cheiro. Não facilita em nada as coisas você ficar exalando este chamariz por aí. É bom que não faça isto em La Push. – A voz dele era autoritária.

_ Eu não sou tão boa nisto quanto os elfos se quer saber. Mas vou tomar cuidado, não para facilitar as coisas pra você marido, mas pra não por outras pessoas em risco. Até porque seria complicado explicar aos lobos a oscilação de cheiro de uma mera humana, não é mesmo?

_ É bom que você esteja ciente disto. Mas creio que já podemos ir, não agüento mais ficar fazendo viagens pra dar conta do meu trabalho em Seattle e da matilha em La Push. Já acabou as enrolações no hospital, espero.

Sarah nada respondeu, apenas virou as costas e, rolando os olhos, caminhou rumo ao seu quarto, no segundo piso do apartamento. Jacob se irritou.

_ Eu lhe fiz uma pergunta! – Ele odiava o sorriso sarcástico e o olhar ousado que ela lhe dava.

_ É mesmo? Vou me arrumar e vamos partir no meu carro, porque tenho coisa pra…

O som do telefone interrompeu o discursar da moça, ela atendeu no segundo toque, ainda encarando o marido.

_ Doutora Sarah…Black – Ela disse a contragosto, fazendo uma careta para Jacob, que lhe respondeu com outra de exasperação. Ele virou as costas e foi se sentar no sofá da sala onde se encontravam.

_ Ah! que maravilha te pegar em casa ainda! Aqui é o doutor Salles, Sarah.

_ Ah, sim, claro. Algum problema doutor? – Sarah estranhou o diretor do Hospital lhe ligando. Quando ela disse que eles poderiam ligar pra pedir socorro não julgou que o fizessem tão rápido.

_ Bem, sim e não… é que eu preciso que você venha ao hospital antes de ir embora da cidade. Tem algumas papeladas que nós precisamos reordenar, a da sua transferência para o hospital de Forks. Enfim precisamos que você passe aqui novamente. – A voz do doutor estava um tanto hesitante. Jacob imediatamente virou a cabeça para encarar Sarah com uma expressão clara de “sem enrolações eu disse”.

_ Papéis da transferência? O que foi? Eles não me aceitaram?

_ Mas que absurdo de se pensar isto Sarah! Onde já se viu? Aquele hospital não tem metade do porte do nosso, você acha que eles não iriam aceitar uma profissional de seu gabarito? São só coisas burocráticas que precisam ser resolvidas, mas eu gostaria que fosse pessoalmente e ainda hoje. É coisa rápida. Então, você virá?

Sarah fez questão de dar um sorriso debochado para Jacob ao responder: — É claro! Em pouco mais de uma hora vou passar aí, até mais!

_ Mas o que você pensa que está fazendo? Eu não disse que… — Jacob começou a reclamar logo que ela desligou o telefone, mas Sarah o interrompeu.

_ Sem drama ok? Nós, eu e você, vamos passar no hospital e de lá mesmo vamos pegar estrada. Caso você não tenha ouvido, o doutor Salles disse que é coisa rápida, então sem piti, pelo amor de Deus! Agora espera que eu vou me arrumar. – Ela terminou de falar já no topo da escada que levava ao seu quarto.

Jacob bufou e se jogou no sofá. Ele escutou quando ela abriu o chuveiro, quando o desligou minutos depois, quando ligou o secador de cabelos, quando abriu a porta do closet, quando… Mas que inferno! Será que ele não tinha nada melhor pra prestar a atenção não? Ele se levantou e foi até a cozinha. Nada na geladeira, a casa já estava praticamente vazia para a mudança. Pegou um dos poucos copos que havia e encheu de água, a única coisa que tinha. Demorou mais alguns minutos e ela finalmente descia.

Estava vestida em um elegante sobretudo nude, com um lenço de seda rosa enrolado no pescoço. Os cabelos soltos estavam bem arrumados, os olhos ocultos por clássicos óculos escuros e um belo salto nos pés. Ela descia deslizando as escadas com cinco pesadas malas e sua bolsa a tiracolo nas mãos, sem ao menos se dignar olhar para os degraus.

_ Até que enfim! – Jacob disse, mas um vento na nuca e uma aparição repentina o fez parar. Sarah soltou as malas com a surpresa, reclamou exasperada:

_ Niadhi! Mas o que te deu criatura, pra aparecer assim?

A elfo tinha um brilho de excitação nos olhos, ousadamente deu um beijo estalado em cada uma das bochechas de Jacob o fazendo saltar pra trás arregalando os olhos para a criatura.

_ Ué ele estranhou? Mas eu vi na televisão este cumprimento de humanos. Estava passando num programa que eles chamavam de … de… ah! novela!

Sarah se encostou no corrimão e gargalhou livremente. Aquela elfo era mesmo um barato. Ela tinha acabado de receber autorização de Quendra para interagir com os humanos e estava toda empolgada. Resolvera treinar os comportamentos humanos com Sarah e por isso aparecia pra ela vez ou outra, mas nunca pegava Jacob junto dela. Sarah gostava dela, principalmente porque ela não exigia nada muito profundo e não poderia a tirar do prumo, fazendo cobranças sentimentais. Sarah gostou ainda mais da elfo por ter deixado Jacob com aquela cara de tacho, era impagável!

_ Mas diga Niadhi: a que veio agora?

_ Vim pra acompanhar vocês para a nova casa! Vou mostrar a nossa obra de arte de dois meses! – Novamente o brilho de expectativa no olhar castanho de Niadhi. Com certeza ela era a única empolgada e ansiosa para a mudança ali naquela sala.

_ Ah! Bom, agente não vai para a casa agora. Primeiro eu tenho que passar no hospital e o cara aí do seu lado vai comigo.

_ E vocês vão demorar?

_ Não – Jacob respondeu imediatamente – Mas você vai ir junto com agente?

Niadhi juntou as sobrancelhas azuis e deu um sorrisinho mateiro. _ É claro que não! Eu vou esperar vocês lá, eu sei que vocês querem ficar sozinhos. Eu não vou atrapalhar!

Sarah fez cara feia e Jacob revirou os olhos, sussurrando um “É doida!”.

_Bom, então eu encontro vocês lá! Beijos… — Jacob deu três passos velozes para longe da elfo fazendo Sarah rir mais. A morena tirou os óculos e deu a face para Niadhi beijar, fazendo o mesmo no rosto com pele distinta.

Assim que a elfo desapareceu ela voltou a por os óculos, olhou as malas no chão, mas pegou somente a bolsa. Apontando as malas, disse a Jacob: _ Carrega! Faz parte da encenação: os maridos carregam as malas, mulheres não têm forças pra isto! – Jacob quase, mas quase, jogou as malas pela janela.

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_ Como eu disse: NÃO ENROLA!

_ Calado! Eu vou ficar o tempo que precisar!

_ O que você pensa que eu sou pra me dar ordens?

_ Um cachorro?

Os dois discutiam ferrenhamente dentro da bela BMW de Sarah, já na frente do hospital. Sarah não suportava a impaciência de Jacob e ele não suportava o jeito que ela o enfrentava. “Ai minha vida vai ser um castigo!”. Os dois pensavam, mesmo sem saber, em conjunto.

_Fica ai que eu volto uma hora ou outra – Sarah disse isto saindo do carro, mas Jacob lhe agarrou o braço.

_ Não, eu vou com você por dois motivos: garantir que você não demore e porque você NÃO decide onde eu fico ou deixo de ficar!

_ Tá, tá legal. Que seja, mas então ANDA!

Assim que Sarah entrou no hospital com Jacob ao seu lado, praticamente todos os pescoços se viraram pra eles. Com os comentários e olhares masculinos ela já estava acostumada, já com os femininos… A médica ouvia irritada as exclamações das desavergonhadas enfermeiras pra cima de seu marido.

“Nossa que pedaço!”

“Agora sei por que a doutora se casou tão depressa!”

“Olha a bunda dele!”

“Ai se um homem deste aparecesse na minha cama! Ui!”

“Nossa! Ele é real ou uma miragem?”

Sarah ficou abismada com aquilo, é claro que elas não podiam sonhar que a doutora podia escutar seus comentários sussurrados, mas isso não diminuía o fato de elas serem descaradas! Ela encarou Jacob e o sem vergonha distribuía risinhos e olhadelas pra aquelas safadas! O que ele pretendia fazer com a reputação de Sarah? Que todos pensassem que ela se casara com um garanhão, galinha e conquistador barato?

Ah… mas ela ficou uma fera. Sorrindo e disfarçando ela envolveu o braço pela cintura de Jacob, colocando a mão por dentro da jaqueta que ele usava procurando por sua pele. Ele imediatamente mudou a expressão, estranhando o movimento dela. Assim que ela encontrou a pele quente ela alisou, com eles ainda em movimento. Jacob a encarou erguendo as sobrancelhas, com ar de quem queria saber o que estava acontecendo. Mas um sorriso diabólico apareceu nos lábios voluptuosos da morena e ela o arranhou com toda a força que tinha enquanto sussurrava no ouvido dele: “Se comporte!”.

Ela sentiu um contentamento sem preço ao perceber a pele dele se acumular de baixo de suas unhas e também pelo grunhido baixo que ele deu, afundando o rosto nos cabelos dela.Ele tentou se desvencilhar, mas neste momento encontraram com uma senhora no fim do longo corredor, acenando na direção deles. Sarah parou e Jacob se afastou dela, com um olhar de fúria.

_ Doutora Black! Ainda bem que te encontrei no caminho senão iria perder a viagem!

_ Como assim? O doutor Salles não está Dona Magda? – Por que motivo a secretária do médico estaria esperando por ela no corredor que levava a sala do diretor com uma cara um tanto suspeita? Sarah começava estranhar tudo aquilo.

_ Não, não ele está sim. Só que ele me pediu pra avisar que estaria te esperando no salão que estão terminando pra fisioterapia, no Setor A da ala principal.

_ Mas eu não tinha que assinar uns papéis? Porque ele quer que eu vá até a sala de fisioterapia? – Sarah perguntou ainda mais desconfiada ao perceber o coração da senhora acelerar. Ela estava nervosa!

_ Não sei doutora, mas venha, eu faço questão de lhe acompanhar, que dizer acompanhá-los — MAS NÃO ERA POSSÍVEL! Até a velhinha da Dona Magda estava tentando jogar charme para o Black, piscando os olhinhos enrugados? Sarah percebeu que Jacob fez uma leve careta diante da insinuação da senhora e riu internamente. “Sorria pra ela agora idiota!”

_ Bem, acho que a senhora já percebeu que este se trata de meu marido não é D. Magda? … — A senhora continuou encarando melosamente Jacob. Argh! Ele não podia ser tão fascinante assim, podia? — Dona Magda? – Sarah falou mais alto, despertando a mulher.

_ Ah claro! Muito prazer senhor Black! – Ela estendeu a mão, mas Jacob se limitou a dar um aceno de cabeça, desconfortável.

_ Então vamos!

_ Sim, vamos!

A pobre Magda quase tropeçava ao tentar andar e encarar Jacob durante o percurso que atravessaria o hospital. Sarah achou a movimentação do hospital estranha. Não havia esbarrado com nenhum de seus companheiros de trabalho. Mas ao se aproximar da sala que deveria estar vazia, por ainda não se encontrar em condições de uso, é que suas suspeitas de que algo estava acontecendo se confirmaram. Com seus sentidos aguçados a moça percebeu que havia muita gente naquele lugar, que pareciam esperar silenciosos. Ela encarou Jacob com um olhar confuso e ele se aproximou dela:

_ O que está acontecendo? Você não tinha que falar só com um doutor? — Ele lhe sussurrou no ouvido dela rapidamente.

_ Sim e eu não sei o que está acontecendo! – Ela respondeu no mesmo tom.

Mas a surpresa não poderia ter sido maior. Ao finalmente entrar na sala, Sarah se deparou com todos aqueles que havia trabalhado no hospital e alguns de seus pacientes junto de seus familiares. Sorridentes eles gritaram:

_ SURPRESAA!!!

Havia cartazes com mensagens de despedida para ela em todo o canto, bexigas enfeitando a sala, amarradas nos aparelhos de fisioterapia e uma mesa no centro com um bolo e alguns comes e bebes. A morena estacou na porta de boca aberta enquanto era aplaudida, sem entender coisa alguma, da mesma forma estava Jacob. O doutor Salles se aproximou dela e ergueu a mão, pedindo silencio, depois se direcionou a Sarah:

_ Bom Sarah, nós sabemos que você não gosta deste tipo de coisas, mas nós não queríamos que você fosse embora daqui sem saber que todos nós aprendemos a admirá-la não só como profissional, mas como humana. Sua conduta para com os pacientes e companheiros de trabalho sempre foi admirável e sua dedicação com a medicina um exemplo. Esta foi uma forma que encontramos para agradecer os anos que você trabalhou com tanto afinco neste hospital, nós aprendemos muito com você e também ganhamos muito mais. Eu me lembro quando você chegou ao seu primeiro dia de residência aqui, que eu lhe perguntei se você estaria pronta pra esta carreira e você me disse que o hospital seria a sua segunda casa. Realmente eu te encontrava mais aqui do que em qualquer outro lugar. Eu tenho muito orgulho de um dia ter sido seu professor, mas sinto que agora você superou a mim mesmo! Bom, é isso, eu espero que você não tenha ficado chateada com esta armaçãozinha, mas, como eu disse, é só agradecimento.

Sarah piscou e fechou a boca. Não era possível! Ela nunca, nunca iria sonhar que eles fossem capazes de fazer aquilo por ela, afinal ela nunca fora tão próxima de ninguém e julgava que não sentiriam tanto a partida dela. Ela demorou a raciocinar, a pensar no que dizer. Todos prenderam a respiração esperando pela reação da médica sempre tão séria. Mas ela sorriu, sorriu com ternura e disse:

_ Estavam tentando me fazer chorar é? Quanto é que apostaram pra isso? Se vocês me derem metade da grana eu topo! – Todos riram, de certa forma aliviados. Jacob se encostou em um canto observando a mulher sob todos os holofotes, realmente impressionado com toda aquela mobilização. Parecia haver cerca de quarenta pessoas na sala. Sarah continuou – O que eu posso dizer além de obrigada? Bom, eu realmente não esperava e, poxa, nem acho que mereça tanta coisa assim, mas eu fico feliz por isto. Eu realmente me dedico à medicina como não me dedico a coisa alguma em minha vida, desde que comecei a estudar eu sentia que ela me daria recompensas inestimáveis. Afinal eu seria útil pra alguma coisa, não é? É por isto que eu procurava fazer sempre o melhor e, bom, esta foi uma excelente forma de ver que realmente deu em alguma coisa… é… Bom, eu sou melhor com um bisturi não mão, então não me obriguem a falar mais! Obrigada!

Novamente Sarah arrancou risos da platéia. Aos poucos, ainda receosos, um a um eles vieram cumprimentá-la. Ela não os recebeu com euforia, choros, abraços sufocantes ou coisas parecidas. Mas o sorriso da morena, dado de forma espontânea como naquele instante, podia ter um poder maior que um abraço e três beijos na bochecha. Jacob ficou distante, achando tudo aquilo, no mínimo, curioso. Ela parecia ser boa no que fazia e os pacientes que estavam ali pareciam gostar mesmo dela. Ela se demonstrou afável enquanto conversava, principalmente com os ex-pacientes. Se ela fosse daquele jeito com Jacob as coisas poderiam ser mais fáceis… ou mais difíceis pra ele. Ele não sabia o que seria pior, pois sentia que de um jeito ou de outro ela sempre acabava mexendo com ele.

A sala de repente voltou a ficar silenciosa e Jacob ficou um instante sem entender o motivo. Mas ao procurar Sarah com os olhos se deparou com a cena que chamava a atenção. A jovem médica estava agachada em frente a um homem de cadeira de rodas. Ele tinha os músculos um tanto atrofiados, era muito magro, as mãos estavam encolhidas e o rosto um tanto retorcido. Ele parecia fazer um esforço absurdo pra falar, suas palavras saiam lentas e emboladas, ele olhava diretamente nos olhos de Sarah:

_ Dou…doutola Baack, eu gostalia de…de te agladecerr pô tud... que voche fez pô mim – Ele parava pra respirar constantemente, um pouco de saliva se acumulava no canto dos lábios tortos, mas Sarah ouvia atentamente e com paciência. Jacob reparou que ela era a única da sala que não tinha um olhar de pena na face e sim um sorriso incentivador. – Se num fo…sse pelaa a a doutola eu num tália vi…vivo. Voche acleditou em mim e me deu colagem pa...la lutarr. Muto obligado, eu nunca vou esquecerrr dicho, num vô esquecerr de vochê nun…nunca!

Com dificuldade ele elevou uma das mãos e acariciou o rosto sorridente da morena: _ E você acha que eu vou esquecer você Michael? Eu disse a todos que agente ia vencer esta não disse? Você me livrou de uma ao provar que eu estava certa! Agora você vai me prometer que mesmo eu não pegando no seu pé todo o dia, você não vai parar de fazer a fisioterapia, a musicoterapia, não vai deixar de nadar, de desenhar, de ir á fonoaudióloga. Nossa que agenda hein? Enfim, continue fazendo tudo certo senhor Michael!

_ Ssssimm do...tola!

_É bom mesmo!

Aquela altura muitas pessoas choravam, inclusive a D. Magda, que se aproximou de Jacob sorrateiramente e fungando o nariz, chamou a atenção do moço.

_ O senhor se casou com uma mulher e tanto sabe? Conhece o caso de Michael? Ela te falou sobre ele?

_ Não, não falou – Jacob respondeu sério. Magda suspirou e balançou a cabeça, olhou para Sarah e Michael, que ainda conversavam, como se lamentasse o que via.

_ Sabe, quando ele chagou aqui ele era tão bonito e forte quanto o senhor. Pode não parecer, mas ele tem só vinte e cinco anos! Ele era um esportista, destes que gostam de se aventurar. Mas acabou sofrendo um acidente em um mergulho. Ele estava em uma profundidade muito considerável, acabou ficando tempo demais sem oxigenação no cérebro. Ele já chegou em coma, com uma grave lesão no cérebro, ninguém acreditava que ele fosse viver. Os médicos já estavam quase convencendo a família a doar os órgãos. Mas a Drª Black começou a contrariar todo mundo. Ela teimava que ele podia se recuperar, não queria deixar de jeito nenhum que desligassem os aparelhos. O doutor Salles quase a despediu naquela época, por achar que ela estava dando falsas esperanças a família, tendo um comportamento antiético só pra ousar em um tratamento. Ela praticamente não saia do hospital enquanto Michael estava em coma, estudando o caso, fazendo mil exames. Todo mundo achava que ela tava pirando, obsessiva. Mas ela tanto fez que conseguiu, ele melhorou aos poucos e saiu do coma. Mas os outros da equipe dela diziam que ele ficaria em um estado vegetativo pro resto da vida. De novo ela foi contra e incentivou a família a fazer variados tratamentos e o Michael só vem surpreendendo, cada vez o estado dele melhora mais, e ele é bem dedicado! É, ela vai fazer falta. Você vai levar um premio de diamante pro hospital de Forks senhor Black.

Jacob ficou encabulado com aquilo, com as coisas que descobria sobre a mulher que se casara forçosamente. Tinha que admitir que ela era realmente uma profissional admirável, mas era só isso! Boa médica e péssima companhia pra vida tão regulada dele. Ele olhou pra senhorinha chorosa e ainda oferecida, balbuciando um “É mesmo!” em resposta e foi em direção a mesa de quitutes. Deu as costas pra Sarah que já saia pra outro canto da sala.

_Sarah? Será que mereço um pouco da atenção de tão valorosa neurologista? – Victor se aproximou da moça com um sorriso comprometedor.

_ Ah Victor, foi sua esta idéia não foi? – Mas é claro que seria dele aquela ideia. Ele foi a única pessoa que conseguiu passar um pouquinho da linha de restrições que ela fazia.

_ Eu só incentivei as pessoas a demonstrar o que achavam de você. Eu disse a eles que você não era TÃO fechada assim, pra brigar caso agente aprontasse. – Ele ria enquanto Sarah balançava a cabeça com as mãos na cintura.

_ Olha só! Então quer dizer que o senhor me conhece bem?

_ Não tanto quanto eu gostaria de ter conhecido! – Ele disse aquilo em um tom mais baixo, quase perfurando com o olhar as costas de Jacob, que se servia de comidas. O lobo de repente ficou interessado na conversa da doutora com o “colega”, mas continuou de costas pra eles.

_ Victor, por favor!

_ Sarah, eu realmente sinto muito pelas coisas não terem dado certo pra gente. Até hoje eu lamento por ter passado dos limites, talvez se eu tivesse me comportado de outra forma agente…

_ Não se culpe por algo que você não tem controle. Não deu certo porque não era pra ser. E isto se deve mais a mim do que a você. Você merece alguém menos complicada que eu e sei que você vai encontrar. Além do que eu me casei. – Sarah tinha absoluta certeza de que Jacob escutava tudo o que era dito e até mesmo Victor percebeu o desconforto sutil que ela tentava não demonstrar. Mas vez ou outra ela olhava para o marido de costas.

_ Ele teve muita sorte sabe? Espero que ele saiba o que tem nas mãos e te faça feliz. Sarah eu realmente gostei muito de você, mas no fundo eu sabia que não tinha chances. Eu gostaria de saber o que o seu marido fez pra te conquistar! – Victor continuava encarando as costas de Jacob e este e tentava a todo custo não quebrar o copo que tinha nas mãos. “Não gostei deste cara!”, o lobo pensava.

_ Pois não queira saber e tampouco tentar imitar! – Sarah sussurrou baixo e veloz demais pra Victor entender. Ela falava mais para Jacob do que para o médico.

_ O que disse?

_ Nada! De qualquer forma muito obrigada por tudo, foi realmente muito bom trabalhar com você durante estes anos – Ela percebeu que Jacob se aproximava, mas não olhou pra ele.

_ Eu nem preciso falar o que significou trabalhar com você não é mesmo?

Sarah sorriu, mas foi por pouco tempo, pois logo que sentiu braços quentes demais envolverem sua cintura, seu sorriso se desvaneceu aos poucos:

_ Vamos embora meu amor? – Somente Sarah percebeu a ironia velada na frase de Jacob. Ele tinha encostado-se a ela mais que o necessário, segundo a visão da moça, e olhava Victor com um sorriso, que pra ela, era machista e convencido.

_ Só mais um pouco querido. Eu sou a homenageada e é falta de educação ficar tão pouco. Não é mesmo Victor? – Ao dizer isto Jacob apertou a cintura de Sarah com um pouco mais de força, como que pra lembrá-la que ele não queria demoras.

_ Bom, é… senhor Black certo? – Mas que tipo de retardado aquele médico era? Se eles chamavam a esposa de Jacob por Drª Black, era óbvio que o sobrenome dele era Black. Jacob se limitou a afirmar com a cabeça – Bom, então senhor Black, se dependesse de nós Sarah ficaria muito mais conosco! – O médico loiro dizia isto olhando descaradamente para Sarah, jogando pra ela um sorriso idiota.

Mas que cara mais abusado! Jacob perguntava-se se ele não tinha amor à vida, porque se Sarah fosse realmente mulher dele, aquele cara ia estar pedindo pra morrer!

– Infelizmente nós temos hora pra chegar a Forks, acho que a surpresa fez Sarah se esquecer disto. Não se lembra do nosso horário querida? – Jacob disse a última frase encostando os lábios quentes na orelha da moça. Sorrindo, olhava para o médico enquanto se agarrava mais a Sarah.

A moça ficou exasperada, ela sentia o calor dele por praticamente todo o seu corpo. O soprar do hálito dele em seu ouvido fez uma cócega insuportável. Ela virou o rosto colocando a boca também próxima ao ouvido de Jacob, a barba por fazer arranhando levemente a lateral do rosto dela, e devolveu o sussurro de forma que Victor não escutasse. _ Não me use pra afirmar sua masculinidade idiota, porque eu não sou um objeto! ­– Ela disse aquilo com um sorriso nos lábios cheios, o seu hálito, carregado de sua essência natural, enchia o rosto de Jacob. Escondido, ele deu um beliscão na cintura de Sarah, segurando-a firme pra que ela não escapasse. Logo depois, também sorriu debochado.

De longe, aquilo parecia uma troca de carícias apaixonadas do casal. As mulheres quase se derretiam imaginando-se no lugar de Sarah, completamente envolvida por braços fortes e com uma boca carnuda e apetitosa colada ao ouvido. Já os homens acharam Jacob um convencido metido a gostosão que não merecia Sarah. Victor pensava irritado: “Era uma parede de músculos que ela queria? Aposto que ele não tem o mínimo de conteúdo pra conversar com uma mulher como ela!”

Sarah queria acabar com aquilo antes que tivesse um AVC e ficasse de vez no hospital. Contendo a raiva, disse aos mais próximos que tinha mesmo que partir, pois não poderia chegar muito tarde na nova casa. Saiu agradecendo a todos novamente, pegou alguns salgadinhos da mesa e puxou Jacob pra fora do hospital.

_ Que cena ridícula você me fez passar cachorro idiota! Tudo isto por vaidade masculina? – Sarah quase quebrou a porta do carro com a força que fechou, enfiou um salgado na boca mordendo com força. Mas Jacob sorriu novamente debochado e abriu a porta que ela tinha acabado de fechar, no lado do motorista.

_ Vai para o outro lado amor da minha vida, porque são os maridos que dirigem, não é mesmo?

_ O carro é meu! – Ele riu alto, chamando a atenção das poucas pessoas que estavam no estacionamento. Rápido demais ele passou os braços por baixo das pernas e costas de Sarah a tirando carregada do carro – Vocês também não acham que a doutora tem que descansar na viagem? Pode deixar que eu gosto de dirigir querida! – Ele disse às pessoas que olhavam a cena com expressões divertidas.

_ Ainn!! Que fofo ele! Gostoso e fofo! – Uma garota de uns quinze anos comentou, mordendo os lábios e juntando as mãos.

Sarah ficou tão espantada, que não acreditou que ele tivesse ousado tanto. Deixou todos os salgadinhos que tinha nas mãos caírem e bateu no ombro do marido com força, mas ele não demonstrou a dor que sentiu. Abriu a porta do passageiro e jogou Sarah no banco nem um pouco delicado, fechando a porta antes que ela reagisse. Ele riu mais uma vez do rugido furioso que ela deu dentro do carro. Logo que ele ligou o carro, saiu cantando os pneus, com o olhar mortífero da morena sobre ele.


Notas finais
HÃRRAM!!! Peguei vcs!! kkkk acharam mesmo que a despedida do hospital ia ser só aquilo? NÃO. E o efeito Jacob no hospital? Ahshahsa, nem falo nada... Nuss, surtei, hahsah... Próximo capítulo, a recepção da PP pelos quileutes, Jacob e Leah, a Leah com a PP, uma sugestão de ... Ah, dexa quieto q eu to muito faladeira hj, vo acaba falando demais.... mas vcs vão conhecer vossa casa de La Push!! Inté o próximo então, bjoo!!!!
Ei, daqui a pouco posto o próximo, mas vamos combinar o seguinte? Se gostar, não deixe de comentar cada cap? eles foram feitos com muito amor e carinho!