The Precious Blood
9 LA PUSH
Notas iniciais
De um jeito todooo especial han?
Então, nos vemos no fim de mais este cap.! Bjsss...
Ah, se estiverem gostando comentem... e se gostarem bastante, que tal recomendar?? haha... me deixaria mega ultra power feliz!!
“Teu coração irá se aquecer com os sorrisos daquele lugar,
A lua de lá parecerá mais bela, as arvores mais verdes…
O conforto que terá naquele lugar não terá em ambiente algum
A brisa daquele lugar irá parecer um abraço: te aconchegará…
Quando sentires isso vai saber: Aqui é o meu Lar!”
Dormindo ela não parecia ser tão perturbadora. Jacob estava dirigindo há algumas poucas horas, durante a maior parte do tempo sob o olhar perfurante de Sarah sobre ele. Nenhum dos dois disseram uma única palavra, o carro permaneceu em silêncio, mas não tranquilo, havia uma eletricidade quase palpável naquele ambiente pequeno. Mas Sarah finalmente se deixou dormir, já fazia alguns minutos, Jacob a observava de canto de olho, ouvindo o ressonar baixo e tranquilo da moça. Ela estava encostada no banco do carro, dormia com as pernas cruzadas, as mãos postas no colo e a cabeça virada para o lado de Jacob. Ela não perdia a pose nem dormindo?
Jacob se sentiu aliviado quando avistou, finalmente, os limites de Forks no horizonte, o sol estava quase desaparecendo aquela altura. “Merda pra onde eu vou? Não faço a mínima idéia de onde fica esta bendita casa dos elfos!” Jacob pensava perdido. Ele já tinha vindo a La Push por diversas vezes depois do casamento, vistoriado as rondas dos lobos, mas não passaram nem perto da casa misteriosa, se passaram, não viram. Mas de repente…
“Não! Havia sim uma construção perto dos penhascos, já fazia uns seis meses, parecia grande. Seria a casa?”. A memória veio repentina na mente de Jacob, ele se via dando voltas ao redor da casa como lobo, antes mesmo de sair fugido de La Push. “Como eu pude esquecer disso?… Espera, não, não e não! Não faz sentido isso, não havia casa, não havia…
Jacob quase bateu o carro com o susto que levou. Uma bela mulher loira corria ao lado de sua janela, acompanhando a alta velocidade que Jacob mantia sem dificuldade alguma. Sim, agora tudo fazia sentido. “Foi você não foi Niadhi? Foi você que estava alterando minha memória!”. Ele não falou, sabia que não precisava. Niadhi sorriu, a voz dela soou cristalina como sempre na cabeça dele:
“É só pra você saber o que os outros vão saber da sua casa!”. Ela sorria “Vai ser assim: a casa já estava sendo construída a um bom tempo, só que o dono dela desistiu e você e a Sarah compraram! La Push inteira já sabe disso, só vocês que não!”. O riso dela retumbou em sua mente. Jacob estreitou os olhos. Até que ponto os elfos interferiam na vida das pessoas sem que elas se dessem conta?
“Ei! Nós não podemos fazer isto a torto e a direito, como dizem os humanos! Nós temos que ter permissão de Quendra e ela só deixa em casos excepcionais, como o de vocês! Mas agora você já sabe o caminho, perto dos penhascos. To te esperando lá!”. Com isto ela desapareceu da janela, no segundo seguinte um carro cruzou com o de Jacob na estrada, batendo os faróis bem onde a elfo estava.
Jacob diminuiu a velocidade conforme entrava em La Push, com suas características casinhas de madeira, as lojinhas pequenas e singelas e o mar, imenso e escuro. A estrada que levava a casa era de cascalho, conforme iam entrando por ela as casas iam diminuindo e a natureza se fazendo mais presente, não chagava, no entanto, a ser mata fechada. A frente da estrada via-se o mar, o caminho ia subindo, ficava cada vez mais elevado. Ele ainda estava longe ao avistar a bela construção solitária, imponente, fugindo aos padrões da reserva quileute.
A casa era de frente para o mar, não havia muros altos, era clara, grande, suas luzes estavam acesas. Uma piscina com formas curvilíneas enfeitava a frente da construção, tinha dois andares, uma sacada a rodear todo a piso superior. Embora tivesse padrões elevados, tudo fora medido harmonicamente, não havia extravagâncias, exagero em sua arquitetura. No fim das contas, Jacob achou a casa muito boa: bonita e grande o suficiente pra ele não esbarrar em Sarah constantemente.
Jacob parou o carro dentro dos limites da casa, mas não foi para a garagem. Ele abriu a janela e avistou Niadhi sorridente debruçada na sacada. Mas não saiu do carro, não queria acordar Sarah. Inclinou-se no banco e fechou os olhos, a brisa salgada entrava no carro: como seria daqui pra frente? Até aquele dia, ele não entendia a ordem absurda de Quendra pra que ele se casasse com Sarah e, se dependesse do que a rainha lhe disse que o libertaria, ele estaria eternamente atado aquela mulher.
“Se amarem estarão livres de minha ordem! Eu amar? Aquela criatura é doida!”. Mas ele parou um instante, a lembrança de Victor conversando com Sarah, dela dançando tão esplendorosa, dos aplausos de todas aquelas pessoas para a doutora e mulher que era… “E se … elafor capaz de nos libertar? E se ela se apaixonar?…” Um leve tremor atravessou o peito de Jacob, ele abriu os olhos e lentamente virou a cabeça para olhar Sarah. Levou um susto.
Ela estava acordada e ele nem percebera as alterações de seus batimentos cardíacos, sua respiração, nada. Não percebeu porque não houve alterações. Ela o encarava, os olhos suaves, serenos, parecia uma criança que tinha acabado de acordar de horas e horas de sono. O olhar dela o prendeu, eles se olharam sem nada dizer, foi Sarah quem quebrou o silêncio.
_ Não me acordou por quê? – A voz dela estava tal como os olhos: cálida. Ela dizia aquilo lentamente, baixinho, sem tirar os olhos dos dele. Aquela voz tinha o alto poder de uma carícia, pareciam mãos a fazer um cafuné gostoso.
_ Não tava com paciência pra ouvir sua voz! – Ele respondeu na mesma intensidade de som que ela, com isto a rouquidão de sua voz ficava ainda mais aparente. Ela sorriu e desviou os olhos para a casa.
_ Ficou muito boa Niadhi! – Ela disse ainda baixo, sem se mover da posição que estava: recostada no banco do carro, os cabelos ondeados jogados na frente dos ombros. A elfo nada respondeu, apenas alargou o sorriso, suas formas humanas desaparecendo lentamente. Sua pele se coloria aos poucos, suas pestanas alongavam-se, seus dentes brilhavam mesmo á distancia.
Jacob suspirou e saiu do carro e sem que Sarah pedisse, abriu o porta-malas e pegou as malas que lá havia, a passos firmes se direcionou ao interior da casa. Sarah se espreguiçou e também rumou para dentro de seu novo lar. Assim que entraram, Sarah encontrou suas recomendações de decoração milimetricamente obedecidas. Os móveis que ela comprou estavam todos ali, os quadros e objetos de decoração modernos também.
A casa exalava conforto, as cores claras da decoração eram quebradas com uma ou outra mobília colorida. Havia uma Sala de Estar; outra sala com um moderno televisor afixado na parede, luzes saíam do interior das delicadas molduras de gesso e um aparelho de som de última geração. Ainda no andar inferior ficava a cozinha enorme; a Sala de Jantar; um escritório; um banheiro grande; um pequenino e elegante lavabo; uma sala espaçosa vazia em seu centro, com um espelho enorme em uma das paredes, e alguns aparelhos de ginástica ao canto.
Niadhi guiava Jacob e Sarah praticamente saltitante pela residência, explicando tudo, mostrando tudo, dizendo quem dos elfos fez o que e muito empolgada com os aparelhos mágicos de cozinhar: a cafeteira, o microondas, a torradeira… Jacob revirava os olhos constantemente. No andar de cima ficava a enorme biblioteca de Sarah e junto, um ambiente que funcionaria como seu escritório. E claro, cinco espaçosas suítes. Sarah pegou suas malas e levou pra uma delas, a que escolheu tinha uma bela e grandiosa janela, a cama grande e confortável que tinha comprado, o closet já com algumas de suas roupas e uma vista esplendorosa para o mar. Jacob foi para o quarto onde já estavam suas coisas, era tão espaçoso quanto o de Sarah, mas sem tantos vidros e janelas, ele não gostava daquilo.
_ Eiii!!! Jacob, Sarah!! Não vão dormir agora, são sete da noite!!!
“Mas que elfo mais insuportável é esta cadela de guarda que Quendra arrumou!”, Jacob pensou, deitado em sua confortável cama, seguro e trancado em seu quarto.
– Jacob! Eu não sou cadela muito menos de guarda! Mas posso ser a elfo de estimação de vocês, quer? – A criatura gargalhou com o grito/rosnado de Jacob:
_NÃO!!!! – Ele desceu a escadaria rapidamente pra enxotar Niadhi dali, quase esbarrou em Sarah…
_ Eeeee… — os dois disseram. Niadhi gargalhou mais.
– Vocês dois tem imã, só pode ser! Tão habilidosos pra fugir de vam-pi-ros, com reflexos tãooo apurados e vivem se “trombando”!
_ Fala logo o que você quer e se man-da!! – Jacob falou impaciente!
_ Hum Jacobiii, calma que eu vou deixar vocês a sós, já entendi que você não me quer vigiando, hãn? Hãn? – Ela erguia as sobrancelhas conforme falava. Jacob rosnava e Sarah se aproximou perigosamente veloz da elfo. Mas Niadhi sumiu. Quando Jacob ia respirar aliviado, ela apareceu rindo bem nas costas dele. “Ahh, criatura infernal!!”
_ Calma que eu paro! Eu só queria avisar que a maior parte de seus conhecidos estão na casa de Sam e Emily, Jacob! É uma excelente oportunidade de apresentar Sarah pra todo mundo de uma vez só, eles estão curiosos com ela, já que nenhum dos lobos pode vê-la em seus pensamentos por obra de nossa majestade Quendra!
_ Até que não é má idéia Niadhirritante! Assim me livro disto de uma vez. — Jacob já estava irritado com a curiosidade de todos para conhecer sua esposa tão misteriosa. Isto porque o lobo não comentava coisa alguma sobre o seu casamento. Apenas chegou a La Push com uma aliança, dizendo ter se casado e que a esposa sabia sobre a verdade dos lobos. Só.
_ Vamos logo então! – Sarah disse, já saindo para a porta.
_ Nãoooooo! Agora você vai esperar eu tomar um banho querida! – Jacob puxou o braço de Sarah com muita força, ela não estava preparada e foi de tudo de encontro a ele. Niadhi riu, Jacob e Sarah se afastaram, recompondo-se rapidamente. O índio continuou a falar como se nada tivesse acontecido — Depois agente vai. Já acabou Niadhi? Então tchau!
A criatura desapareceu ainda rindo.
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De longe Sarah avistou as crianças que brincavam alegres em frente a charmosa casinha de madeira. Elas eram alegres e saudáveis. Sarah não costumava se encontrar com crianças assim, visto que ela as via somente no hospital. Ela não disse nada nem a Niadhi, tampouco a Jacob, mas gostara, e muito, de La Push. Aquele lugar simples, rodeado de arvores, mar, com pessoas sorridentes a transitar pelas ruazinhas… havia no ar uma aura de aconchego. Lar! La Push se parecia verdadeiramente com um lar.
Jacob ainda dirigia o carro de Sarah. Ela não reclamou, aquilo era realmente normal para um marido. Sem saber porque, a doutora sentia um frio na barriga ao pensar que estava sendo levada para conhecer a família de seu marido. Ela estava nervosa, mas tentava manter as aparências.
As crianças pararam de brincar assim que avistaram o luxuoso carro se aproximando da casa. Era visível que todas elas eram quileutes, estava na cor da pele, na cor dos cabelos e dos olhos. Havia cinco delas, o mais novo parecia ter uns três anos e a mais velha, doze ou treze. Mas foi justamente a mais velha que, ao vir correndo em direção ao carro, levou um tombo feio ao enroscar o pé em um buraco.
Jacob mal parou o carro e Sarah já abria a porta para verificar se a garota estava bem. Mas antes que ela pudesse alcançá-la, um índio muito bonito, vestido só de uma bermuda jeans, saiu do meio das arvores, chegando à garota rápido demais. As crianças não pareceram se assustar nem um pouco com a velocidade absurda.
_ Claire, Claire meu anjo, o que aconteceu? Você está bem? – Ele tinha gestos e expressão de uma preocupação angustiante. Sarah ponderou se ele seria o pai da menina, mas não… ele parecia muito jovem, talvez irmão?
_ O meu pé, o meu pé dói Quil! – Era absurdo aquilo, ele parecia sofrer o triplo da dor da garota que chorava. Sarah se aproximou cautelosa.
_ Será que eu posso ajudar? – Quil olhou pra cima por um instante, se deparando com a bela morena, logo atrás dela Jacob se recostava no carro com os braços cruzados.
_ Como? – Quil perguntou, atordoado com os soluços de seu imprinting. Sarah sorriu e se ajoelhou na frente da menina, fazendo Quil recuar um pouco, muito a contragosto.
_ Eu geralmente cuido de problemas na cabeça, mas acho que eu posso dar conta do seu pé! Você deixa eu ver? – Ela disse, dando uma piscadela para Claire. A menina controlou um pouco o soluço e perguntou:
_ Vo..você é médica? – Sarah afirmou com a cabeça, sorrindo – Então pode! ... Não vai doer vai?
_ Pode doer mais se agente não cuidar! Mas se cuidar a dor vai passar, você vai ver, Claire não é?
Sarah pegou o pé esquerdo da menina com todo o cuidado, esta se encolheu um pouco quando a doutora lhe tirava a bota. Habilidosa, ela examinou com cuidado, já estava começando a inchar. A morena se direcionou a Quil.
_ Não quebrou, mas foi uma torção feia! Leve ela para um lugar mais confortável, que eu vou ver o que tenho pra medicá-la.
_ Eu vou entrar naquela casa moça, você pode entrar sem cerimônias…
_ Não se preocupe Quil, era pra casa de Sam mesmo que estávamos indo. – Quil nem havia se dado conta que Jacob se aproximou. Olhou de Sarah para o Alpha, mas estava atordoado demais para fazer as devidas conjecturas, deu um aceno cordial a Jacob e logo voltou sua atenção a Claire.
_ Oi tio Jacob! – Fora o coro das quatro crianças que ficaram pra trás. Sarah achou engraçado, elas estavam todas comportadinhas, uma ao lado da outra, cumprimentaram Jacob como se ele fosse uma autoridade. Jacob olhou para a menina e os três garotinhos com seu jeito de sempre, as crianças já estavam acostumados com a apatia dele.
_ Oi – ele respondeu robótico, depois se virou pra Sarah – Te espero lá dentro! – E saiu atrás de Quil.
Sarah esperou ele virar as costas e fez uma careta exagerada, mostrando a língua para o lobo. As crianças imediatamente colocaram as mãos na frente da boca pra abafar os risinhos. Jacob se virou, estranhando e, tanto Sarah quanto as crianças fizeram caras inocentes, disfarçando o riso imediatamente. Jacob estreitou os olhos e seguiu em frente. Sarah sorriu para as crianças, dando outra piscadela, agora de cumplicidade.
_ A Claire vai ficar legal? – Um menino de uns seis anos perguntou.
_ Vai sim, não foi nada grave crianças, podem voltar a brincar que eu vou cuidar dela, certo? – Eles acenaram e logo voltavam a correr.
Sarah se levantou e foi caçar alguma coisa pra tirar a dor de Claire dentro do carro. Ela tinha que ter algo! Mas enquanto ela fuçava em sua maleta no porta-malas, seus ouvidos passaram a prestar a atenção na conversa que vinha de dentro da casa.
_ Claire o que ouve meu amor? Põe ela aqui no sofá Quil, Seth sai daí, anda!
_ Jacob?
_ Não chora Claire, eu vou buscar um muffins pra você, acabei de fazer, é de chocolate!
_ Jacob, meu filho! Não sabia que você vinha hoje!
_ Nem eu Jacob, que bom que apareceu por aqui. Quil o que ouve com Claire? O Seth disse que ela caiu?
_ Foi sim Rachel, mas uma moça já ta vindo cuidar dela…
_ Moça? Que moça?
_ Ahnn, eu não sei bem, na verdade eu estava preocupado com Claire…
_ Ela é médica, veio junto com tio Jacob, vai cuidar do meu pé! – A menina disse isso ainda com voz chorosa.
_ Sim, ela é minha esposa, antes que perguntem!
Sarah respirou fundo, pegou a maleta e rumou para a porta, a casa parecia ter muita gente, gente demais.
_ Jacob, irmão, ainda não entendo por que você se casou tão rápido! – A voz feminina disse. Sarah enrijeceu com a mão na maçaneta. E agora? O que Jacob ia falar? Que foi amor a primeira vista?
_ Foi um impulso Rachel, um impulso! – “Nossa, que resposta Senhor!”, Sarah pensou abrindo a porta cautelosa.
_ Com licença, boa noite!
Ela estava certa, tinha gente demais na salinha. Todas as cabeças se viraram pra ela. A moça já não tinha nenhum acessório que havia posto para a viagem, estava com os cabelos soltos, o mesmo sobretudo claro que vestia, estava agora aberto, fazendo o vestido justo que ela usava por baixo aparecer.
_ Boa noite – O coro de vozes fortes demais chegou a assustar Sarah. Ela sentiu, principalmente pelo calor que fazia no ambiente, que havia mais lobos reunidos ali.
_ Ualll!!! Dá pra entender o tipo de impulso agora! – Seth deixou a frase escapar baixo, observando Sarah de cima a baixo, mas nem precisou se virar pra perceber o olhar cortante de Jacob sobre ele. Levou uma cotovelada de Paul, que estava perto dele. – Ai!
Sarah tentou esconder o riso, uma humana não teria escutado o sussurro de Seth. Procurou encontrar a menina, onde ela tinha sido levada? Mas Quil logo surge no meio de todos, chamando por Sarah. Isso a aliviou, pois por um momento todos tinham ficado sem reação. A doutora se aproximou do sofá que Claire estava deitadinha e sorriu pra menina, ela parecia bem melhor lambendo os dedos de chocolate, mas ainda fazia caretas.
_ Então vamos olhar seu pesinho dona comilona! – Sarah tirou uma pomada anestésica muito útil de dentro de sua maletinha e começou a passar no pé inchado. Todos voltaram as suas conversas, falando baixo, mas ninguém tirava os olhos de Sarah. Jacob permanecia impassível num canto da sala.
_ Eu enfaixei, mas isso não é o suficiente, ela precisa ser levada ao ortopedista. Ele, com certeza, vai tirar um raios-X, só pra checar, mas ela não quebrou nada. Leve estas anotações que eu fiz, são os anestésicos que eu dei pra ela tomar. – Sarah falava com voz profissional, se direcionando a Quil, embora todos prestassem a atenção – E você senhorita, acho que vai ter que ficar sem correr por um tempinho. Seu pé vai precisar ser imobilizado e você vai usar uma botinha bem charmosa durante uns dias. Mas vai ficar boa, eu garanto!
_ Bom eu vou levá-la agora então... droga! To sem carro! – Quil disse, se lembrando que estava vindo de uma ronda, tinha chegado ali correndo.
_ Xiii, cara! A Leah e o Embry levaram o nosso carro pra saírem e eu vim de moto. E o Sam foi no mercado de Forks comprar as coisas pra Emily! Ó, mas a Leah e o Embry já devem estar chegando, daí você pega o deles! – Seth falava rapidamente, tentando arrumar uma solução, olhando a cara nada boa de Quil.
_ Pode levar me... nosso carro Quil, não é Jacob? – Jacob só levantou uma sobrancelha, olhando pra Sarah do outro canto da sala. Mas ela não esperou resposta, cruzou o espaço decidida, chegando até onde Jacob se sentava começando a apalpar seus bolsos em busca das chaves.
_ Ei!?! – Ele disse, bufando.
_ Se você levantasse iria ficar mais fácil, não acha querido? Vamos de pesinho pra mim ou me dê a chave! – Ela dizia com voz mansa, característica que contrastava drasticamente com a expressão de Jacob. As pessoas da sala observavam a cena curiosos, embora tentassem disfarçar. Jacob tirou a chave do bolso de trás da calça e jogou para o Quil.
_ Cuidado com o carro! – Ele disse simplesmente, recebendo um aceno de Quil, que não ousou recusar a oferta.
_ Cuidado com a princesinha! – Sarah disse quando Quil já saia com Claire da casa. Emily, Billy e Rachel alargaram um sorriso de canto a canto em direção a Sarah, sorrisos que fizeram o coração da moça aquecer. Ela se sentiu bem, tão bem como há muitos anos não se sentia diante de outras pessoas.
_ Senta aqui dona Sarah! – Brad, que se sentava ao lado de Jacob, se direcionou a moça todo cordial. Sarah riu.
_ Dona? Ora, eu não vou sentar só porque você me chamou de velha. Não pensei que estivesse tão mal. – Ela estava brincando com alguém que nem conhecia? Sarah se estranhou, mas o lugar deixava-a confortável, ela não sabia explicar o porquê disso, mas se sentia involuntariamente bem.
_ Oh não, não, não, eu não quis dizer isto é... é que eu só quis...
_ Liga não que o Brad é tapado!
_ Seth não fala assim dele, ele só quis ser educado! – Rachel disse franzindo o cenho.
_ Continue sentado Brad! – A voz autoritária de Jacob se sobrepôs as outras. Todos o encararam abismados: será que ele ia deixar a esposa de pé? Mas o que ele fez depois não surpreendeu só os quileutes, mas também Sarah, que tentou disfarçar, fazendo cara de que era absolutamente normal aquela atitude.
Pegando a cintura da morena, Jacob a puxou para se sentar em seu colo, com firmeza. Não foi rude, mas também não fora uma flor de delicadeza. Sarah procurou se ajeitar, se sentando de lado no colo quente, cruzou as pernas e pôs as mãos encima das mesmas, enquanto Jacob continuava com as mãos em sua cintura. Mas os ouvidos dos lobos presentes na casa não deixaram de reparar na alteração de batimentos tanto de Jacob quanto de Sarah. Sorriram internamente: é, dava pra entender cada vez mais o “impulso” que levara ao casamento.
_ Não vai nos apresentar a ela Jacob? – Rachel perguntava cautelosa, como sempre se dirigia ao irmão. Jacob se inclinou para frente, aproximando ainda mais o corpo de Sarah, o perfume dela estava em seus cabelos, fraco mais estava lá.
_ Estes são Brad, Seth, Jared, Collin e Paul, meu cunhado. Aquela é Rachel minha irmã; Billy, meu pai; Emily, dona da casa; Sue Clearwater; Kimberley, noiva de Jared. As crianças lá fora são Elisa e Jason, o menor, de três anos, meus sobrinhos, filhos de Rachel e Paul. Os outros dois garotos são Adam e Brian, filhos de Emily e Sam.
_ Nossa, bastante gente, é um prazer conhecê-los! – Sarah disse sorrindo.
_ Imagina querida, o prazer é todo nosso. Estávamos ansiosos por conhecê-la desde quando soubemos de seu casamento com meu irmão. E
_ Bom eis-me aqui então Rachel. Espero não ter decepcionado!
_ Mas é óbvio que não decepcionou, mas surpreendeu né? Ai Paul, para com isto, só to falando! – Seth! Paul deu outra cotovelada no rapaz que não tinha noção do perigo. Só ele e Leah eram mais ousados quando se tratava de Jacob, este já havia desistido de repelir Seth. “Ô cara insistente!”, pensava o lobo Alpha. Sarah não conseguiu conter o sorriso espontâneo.
Billy sorriu junto com a moça. O sorriso lindo, suave dela, tanto tempo ele não via algo assim… Gostou, e como gostou da nora. O nome dela ainda ressoava em sua cabeça como um bom presságio. O mesmo nome de sua amada esposa… só podia ser um sinal sagrado de que ela era realmente boa para o seu filho.
_ Então você é médica? Vai trabalhar no hospital de Forks até onde sei! – Billy perguntou, querendo conhecer mais a linda mulher.
_ Sim sou médica, neurologista mais especificamente. Está tudo certo pra eu trabalhar no hospital de Forks mesmo, começo na segunda.
_ Legal! E você é boa nisso de neurologia? Poxa, mexer com cérebro não deve ser nada fácil!
Sarah riu, se virando para Collin: _ É, não é fácil mesmo, mas o que me atrai nesta especialidade é justamente isso: os mistérios do cérebro humano. É uma das áreas mais complicadas da medicina, eu não posso dizer que sou excelente, mas procuro fazer sempre o melhor e…
_ Ela é muito boa no que faz sim! – A objetividade de Jacob fez todos se virarem pra ele de boca aberta. Um elogio? Um elogio vindo de Jacob Black? Nossa! Ainda que foi dito sem emoção alguma na voz, era um evento milagroso!
_ Oh! Obrigada Jacob, não pensei que estivesse atento a isto! – Ele esboçou um meio sorriso sarcástico para Sarah.
Todos ouviram um barulho de motor neste instante. O carro parou em frente a casa e Sarah sentiu Jacob enrijecer repentinamente. Segundos depois Leah e Embry entravam na sala, de mãos dadas, sorrindo. Mas o sorriso de Leah esmaeceu assim que ela encarou Jacob. Eles cumprimentavam todos com abraços e brincadeiras, mas a Jacob se limitaram a dar um breve aceno. Sarah percebeu o claro desconforto e estranhou: tinha coisa ali!
_ Embry, Leah está é minha cunhada, Sarah! Vejam, ela não é linda? – Sarah se levantou do colo de Jacob, balançando a cabeça para a Rachel, e se direcionou ao casal recém chegado.
_ É um prazer! – Ela deu a mão para Embry que sorriu pra ela, cordial. Bem diferente do cara que levantou Emily do chão para cumprimentar, que bagunçou o cabelo de Rachel e deu um tapa estrondoso nas costas de Paul. Já Leah mediu Sarah de cima a baixo, com uma sobrancelha erguida. Mas depois sorriu e as duas morenas se cumprimentaram, trocando beijos na face.
_ Realmente muito bonita Rachel! Mais uma mulher bonita pra você se vangloriar de ter na família, não é Billy?
_ Bom Leah, acho que a Rachel vai se encarregar disto muito bem, se você não percebeu – A voz de Billy ainda era forte e vigorosa, apesar de seus cabelos já grisalhos.
_ Vocês estão tendo a capacidade de me deixar realmente envergonhada! E isto não é muito fácil! – Todos riram. Sarah continuou de pé, apenas contornou a cadeira de Jacob apoiando as mãos no encosto. Sentar tão próximo dele a deixava desorientada e desconfortável demais.
_ Mas digam, como foi este casamento escondido de vocês? Onde foi? – Emily perguntava oferecendo os seus muffins a Sarah.
“Droga!”, Sarah pensou enquanto pegava um bolinho e mordia, tentando ganhar tempo pra responder. Esperava que Jacob respondesse primeiro, mas o idiota também começou a comer. Sarah engoliu o delicioso quitute e respondeu à pergunta que a deixava tão desconfortável. Foi branda, tinha que disfarçar.
_ Ah! foi uma destas coisas que agente não consegue nem explicar, tampouco entender! Quando agente viu, estávamos os dois em uma capela de Las Vegas, com alguns amigos meus, dizendo um sim. Foi assombroso e… bom! – Ela disse sorrindo, envolvendo os braços em torno do pescoço de Jacob, se inclinando conforme falava. Tentava assim disfarçar suas meias verdades.
Jacob olhou pra cima, com a cabeça muito perto do rosto de Sarah, e deu um de seus característicos sorrisos irônicos. Ela o encarou e, no fundo dos olhos castanhos, ele viu a mesma coisa. Leah olhou aquilo e ergueu uma sobrancelha, ela via algo mais entre os dois. Tentava captar o que ligava o casal tão… cordial? Percebia que a respiração de Jacob se aprofundava cada vez que Sarah se aproximava mais dele, como se ele quisesse cheirá-la melhor, o que era compreensível visto que o cheiro da moça era realmente bom. O coração de Sarah alterava o ritmo quando ela encarava Jacob de perto, sem chagar a acelerar demais, mas que a pulsação mudava, mudava! E os olhares: estes pareciam se ligar absurdamente quando se encontravam, parecia que um cabo de aço os prendia! Era interessante, muito interessante!
Leah nunca tinha colocado fé naquele casamento, não entendia o mistério que fizera Jacob tomar aquela decisão repentina, mas não acreditava que tivesse sido algo parecido com um imprinting. Pensava que fora uma fuga impensada e desesperada da lembrança de Bella. Desconfiava e desconfiava muito! Mas os dois não mais se falavam depois da briga. Ela, no entanto, não deixava de observá-lo a distancia.
_ Mas vocês vão ter que fazer outro casamento aqui, sem falta! Seguindo as tradições quileutes, afinal Jacob ocupa uma posição elevada entre nós e não faz sentido ele deixar de respeitar as tradições, não é mesmo? – Sue falou, como membro do conselho, achava aquilo extremamente importante para o Alpha dos protetores quileutes. Além disso, acreditava que aquele casamento precisava ser abençoado corretamente, seria vital para Jacob que desse certo a união. Todos haviam gostado de Sarah e tinham esperança que ela seria a força que destruiria as rochas do coração do índio.
_ Tradição quileute?
_ Outro casamento?
Sarah e Jacob perguntaram ao mesmo tempo, ambos surpresos.
_ Sim, sim filho! Seria indispensável pra nós Sarah, temos tradições, sempre fazemos nossos casamentos nelas. Você as aceita querida? Não se oporia, oporia?
_ Não, claro que não Billy. Eu só fiquei surpresa! Um casamento já é grande coisa pra uma mulher, imagine dois? – Billy sorriu aliviado.
_ Isso vai ter que esperar. Sarah acabou de chegar a La Push, tem que se ambientar no novo emprego, nós temos que nos organizar na nova casa, enfim, vamos pensar nisto quando as coisas estiverem mais calmas. – Jacob falou sério. Ninguém contestou e Sarah soltou um discreto suspiro de alivio, mas sabia que era só um adiamento. Teriam que fazer outro casamento. Argh!
_ Falando em casa, como ficou Sarah? Os garotos disseram que era muito bonita e grande! Estão gostando de lá?
_ Sim, a casa é muito boa, tivemos sorte de arrumá-la! – Sarah falou, já consciente da mentira espalhada pelos elfos sobre sua morada. – Porque vocês não vão lá pessoalmente para ver? Eu posso fazer um almoço de domingo pra todos vocês amanhã. Sou médica, trabalho bastante, mas posso me garantir na cozinha, que tal? – Depois que disse, ela mesma se impressionou com a empolgação que fez o próprio convite. Ela queria agradá-los? Era isso mesmo? Por quê? Ela não fazia a mínima idéia.
Jacob se mexeu desconfortável na cadeira e fez uma pressão nos braços de Sarah. Só então a moça percebeu que ainda estava abraçando-o por trás. Droga! La Push estava a deixando de cabeça virada, só podia. Mas ainda assim ela não se arrependeu do convite. Ela percebeu que todos encaravam Jacob, como se esperassem uma confirmação dele. Sarah se exasperou com a cara carrancuda dele, voltou a se inclinar para perto do índio.
_ Você não garante que não irei matá-los de indigestão Jacob? Diga a eles que podem testar meus dotes caseiros sem receio querido – Ela falou colando o rosto ao de Jacob, só ele tinha percebido a insinuação “não os faça recusar”, da moça. Ele fechou os olhos e disse:
_ Sim, claro! – Mas ele não fazia a mínima idéia se ela cozinhava ou não, nunca checou.
_ Bom, seria um prazer Sarah! – Rachel disse, sinceramente feliz ao ver uma possível aproximação com o irmão.
_ Se você quiser agente pode ir mais cedo te ajudar querida! – Emily ofereceu também empolgada.
_ Não precisa Emily, que eu dou conta! Quero vocês só como convidadas, um dia de descanso pra vocês! Então fica certo, todos aqui almoçarão lá em casa amanhã!
Eles ainda continuaram uma conversa descontraída com Sarah, faziam inúmeras perguntas sobre a vida da moça em Washington, sobre o trabalho no hospital, sobre a família dela. Sarah não falou muito de Xavier, todos perceberam sua tensão ao mencionar a morte do padrasto. Mas da mãe ela falou com visível carinho, devoção. Até Jacob passou a ouvir atentamente a história da moça, impressionado, mais uma vez, ainda que não admitisse isto pra si mesmo.
Ela nunca havia falado tanto sobre si mesma tão naturalmente. Não entendia sua empatia por todos ali, nem como passou a fazer parte das brincadeiras dos homens, que pareciam mais garotos, como se já estivesse habituada, rindo deles. A moça se sentiu parte daquele lugar, uma flor de alegria brotou em seu peito. Uma família deveria ser aquilo, Sarah só tivera a mãe, mas tinha certeza que aquilo era uma família maravilhosa, ainda que não tivesse referências disto.
Sam chegara momentos mais tarde, entrando dentro da casa com os dois filhos nos braços, um de cada lado, risonhos enquanto o pai os erguia de Elisa e Jason, que tentavam alcançá-los. As crianças passaram a brincar dentro da casa, deixando esta mais barulhenta e enérgica. Sarah já estava sem o sobretudo, os cabelos feitos em um nó dos próprios fios. Estava sentada no braço do sofá de Emily, mantendo uma conversa amena com Rachel e Sue. Quil trouxe o carro e Claire um pouco antes do maravilhoso jantar de Emily ser servido, com a ajuda de todas as mulheres, inclusive Sarah.
Após o jantar Jacob já demonstrava impaciência de ficar ali, mas antes que pudesse chamar Sarah pra ir embora, Sam lhe chamou para uma conversa, dirigindo o índio para fora da casa cheia. Sam queria falar sobre uma suspeita quase certa: a transformação de mais um jovem quileute, depois de anos de latência na tribo. Parecia que o garoto não tardaria se juntar ao bando.
Aproveitando que Jacob se afastara da casa, Leah se sentou ao lado de Sarah, em um canto mais afastado perto da cozinha, deixando Embry junto com os outros homens.
_ Então, gostou daqui ou vai sair correndo dos loucos e nunca mais voltar? – Leah começou, descontraída.
_ Você não sabe o quanto sou sincera ao dizer que sim, gostei muito daqui e de todos! Eu não acreditava nisso, mas… foi amor a primeira vista! – Sarah falou calmamente, sorrindo, mas a loba viu uma intensidade passar pelos belos olhos castanhos a menção daquela frase.
_ Eu também não sou muito disto, mas também gostei muito de você, como todo mundo, aliás! – Leah riu – mas vamos ficar com a coisa de amizade a primeira vista que é melhor! E pode acreditar em mim, porque eu não costumo declarar isso pra todo mundo que conheço.
Sarah riu junto com Leah. – Amizade! É, eu não sou muito disso sabe? Mas acho que com você pode ser diferente…
_ Com certeza, nada comigo é igual aos outros!
_ Eu acredito, você parece ter opinião forte e eu gosto disso! – Sarah realmente gostou da impetuosa mulher.
_ É claro que eu gostei de você por não te classificar como “sem sal”. Não é só porque agente é mulher que temos que ser songa e coitadinha não é mesmo? Você não sabe como odeio as que são assim, tenho até uma lista das que são, com uma numero UM imbatível! – Sarah gargalhou alto, achou aquilo hilário.
_ Leah! – Era Embry se aproximando, dizendo o nome da loba como quem emitia um alerta de cuidado. Leah só assentiu levemente para o namorado, ela não era burra a ponto de tocar no nome e na história de Swan. Embry voltou a falar com o cunhado e Leah se virou para Sarah novamente — Posso te contar um segredo Sarah? – A loba disse, se inclinando para o ouvido da moça.
_ Manda! – Sarah disse já confidente, sussurrando.
_ Nunca pensei que Jacob fosse acertar ao escolher uma esposa, ele nunca foi bom pra isso. Ele realmente fez algo muito bom ao te trazer pra cá, como há muitos anos não fazia. E não é só por nós que digo isto, mas principalmente por ele. – Leah já não estava com ar de brincadeira, falava séria. Sarah notou uma pitada de pesar nas palavras e olhos da moça e sentiu um incomodo no peito. Nada de Jacob lhe interessava, mas agora ela queria saber mais sobre ele. Uma centelha de curiosidade foi despertada.
_ Como assim? – ela perguntou, ainda sussurrando. Leah olhou ao redor da sala e todos estavam distraídos demais pra prestarem a atenção nas duas. Billy conversava animadamente com Sue, os lobos estavam em alguma disputa acirrada, Paul e Rachel no maior Love, Emily no meio das crianças, brincando com elas, Sam e Jacob estavam fora de seu campo de sentidos apurados.
_ Pode parecer difícil de acreditar pra quem conheceu ele só nos últimos anos, mas Jacob era completamente diferente do que é hoje. Pense no oposto do amargo Black e estará imaginando o que um dia ele foi. Mas ele sofreu um… um baque muito grande e perdeu a alegria de ser e de viver que tinha, que era tão forte que contaminava todo mundo. – Leah suspirou baixinho e Sarah agora teve certeza: havia pesar e angustia nos sentimentos dela para com Jacob.
_ Realmente é difícil de acreditar nisto Leah. Apesar de eu ser casada com ele, não posso negar que Jacob é uma pessoa difícil de conviver! – Leah olhou pra Sarah com angustia aparente, envolveu as mãos da médica com as suas extremamente quentes.
_ Não desista dele Sarah! Eu realmente acredito que ele não se perdeu pra sempre. Eu sinto que você é capaz de nos trazê-lo de volta, de fazê-lo reviver. Lute por isso que eu garanto que você não vai se arrepender. Eu não estou falando bobagem Sarah. Eu estive ao lado de Jacob em seu momento mais conturbado, que também não era um tempo muito fácil pra mim. Ele conseguiu ver em mim o que poucas pessoas perceberam naquele momento, ele se preocupou comigo mesmo passando por uma turbulência de sentimentos, mesmo sendo tão jovem. Eu realmente gosto dele, mesmo que ele tenha… — ela hesitou um instante fechando os olhos — … enfim, não importa, eu gosto dele tanto quanto todos que o conheceram antes.
O coração de Sarah se descompassou, ela se surpreendeu com a intensidade do discurso de Leah. Ela não podia imaginar Jacob de outra forma, mas o jeito como a loba disse tudo aquilo despertou outro olhar de Sarah sobre Jacob. Aos poucos ela conjecturava que o arrogante e prepotente Black poderia esconder algo que não estivesse apto a encarar. Mas o que havia em seu passado que o deixara assim? O que ele havia sofrido, o que justificaria toda aquela frieza? Sarah se sentiu acuada diante da expectativa de Leah.
_ Farei o possível pra que isto aconteça Leah. – Ela respondeu, tentando aliviar a loba. Mas Leah balançou a cabeça, fechando os olhos.
_ O possível é pouco querida, porque muitos já tentaram de tudo. Um dia ele já fez muito mais que o possível por alguém, alguém que não merecia, ele se doou completamente, como poucos são capazes de fazer. Acredite Sarah, ele merece que façam mais que o possível por ele…
_ Vamos embora Sarah! – Jacob falou ríspido da porta, sobrepondo todo o barulho da sala. As duas mulheres que sussurravam deram um pulo, nenhuma se deu conta que Jacob estava perto, que estava ouvindo…
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