The Precious Blood
35 BECAUSE I LOVE YOU
Notas iniciais
"Meus amores, leitores que me acompanham e que me inspiram, fiz o melhor que pude nos capítulos que se seguirão. Trata-se de um dos momentos mais marcantes da fic e foi escrito com muita dedicação. Nenhuma palavra foi desprovida de sentimento, de afeto. Ousei descrever algo que não se pode mensurar, tampouco limitar no escasso espaço verbal. Leiam com calma, são longos três capítulos, conectados um ao outro, numa única sequência. Because I Love You, Now and Always and Nothing Else Matters... (Porque eu te amo, agora e sempre e nada mais importa) As músicas, colocadas em links no decorrer do texto, são de suma importância, pois elas caracterizam bem a cena. Agredeço o carinho de todos vocês que me chega pelos comentários e pelas maravilhosas recomendações. É isto, depois me digam o que acharam. Falamos novamente daqui três capítulos a contar com este.
Eis aqui, a entrega!"
Abs e bjs, Déh
Revelaram o motivo, a causa, a razão...
Era só porque amavam e isto era tudo.
As dores foram então liquidadas pela iminência da entrega,
Pela ânsia do querer, pelo o desejo de pertencer.
E se despiram de tudo e foram assim...
Se abrigar na alma d’outro.
Ela desconhecia muitos mistérios de sua existência. Os últimos fatos, sua sensibilidade tão aflorada nos últimos tempos, requeria coragem… coragem para administrar coisas tão sutis e tão intensas. Sarah estava consciente que desenvolvera muito dos elfos em si. Como eles, ela tinha consciência de coisas futuras. Não se tratava de previsões ou pressentimentos, ou consequências de atos presentes. Sarah sabia ser capaz de ver o que alguns chamam de carma, de fado. Captava essências. Nos primeiros dias depois de sua visão completamente confusa com seu pai e com o vampiro morto Henrique, ela tentou não pensar em nada daquilo, preferia imaginar que era ilusório.
Mas não era assim. Percebeu que seu coração estava mais aberto. Sentia com mais força, com mais consciência, percebia nos seus próprios olhos, refletidos no espelho, sua essência particular. Por ser assim, ela passou a olhar o homem que vivia com ela naquela casa, com outros olhos. Por um tempo, ela não lhe dizia nada, tampouco se aproximava de Jacob. Ele chegou a temer, tinha receio de que ela tivesse se afastado dele por ele dizer claramente que a queria como mulher. Porém, o que acontecia realmente, era que Sarah passou a olhar pra ele de um modo diferente, de um jeito muito mais quente. O olhar dela tinha capacidade de transportar Jacob a um mundo particular, profundo.
Ela ia lhe visitar enquanto dormia, ainda sem falar com ele, nos dois dias que se seguiram a alta de Charlie. Sarah tocava Jacob, sem se importar se ele estivesse dormindo ou não, deixando ele consciente de suas visitas ao seu quarto. Ela lhe acariciava e, por vezes, lhe cantava um acalanto. Ele adormecia com ela assim, e não pedia explicação sobre suas ações, no fundo sabia que ela estava somente conhecendo seu próprio sentir, apreendendo o significado de tudo aquilo.
Mas eis que os dias se passaram e assim, neste mistério silencioso entre eles, chegou a manhã do dia do casamento. Jacob acordou cedo, quando o sol ainda se esforçava para dissipar a escuridão da noite, colocando as cores de uma nova aurora. Aquela seria uma aurora especial.
Jacob não dormiu em sua casa aquela noite, na véspera do casamento. Era tradição que os noivos não se vissem. Por isto eles foram separados logo na manhã do dia anterior. Jacob estava na casa de seu pai, dormindo no quarto simples e apertado que um dia foi seu. Ele inspirou o ar, não tinha visto, mas sabia que Sarah havia passado por ali aquela noite: o cheiro dela estava lá. Menina travessa… ela devia ter fugido das vistas das índias!
Ela passou ali, justamente, para lhe deixar um bilhete. Estava ao lado de sua cabeça, no pequeno criadinho ao lado da cama.
“É hoje!
Caminharemos para o altar e nada é tão leviano como da primeira vez. Se serás guiado até lá pelo mesmo motivo que eu, gostaria que soubesse este motivo.
Caminharei até você, naquele rito, pra sermos abençoados, unicamente por uma ordem… pela ordem do meu coração!
Jacob Black… será verdade!”
Jacob apertou aquele papel como se abraçasse sua própria euforia. Sim, seria verdade!
*********
Do outro lado daquela aldeia, Sarah acordou. Levantou-se e abriu a janela. Era verão, o primeiro dia de verão! O sol iluminava tudo com vigor, parecendo vestir-se com seu melhor traje, um esplendor de felicidade. Tudo parecia se compor aos sentimentos de Sarah. O azul, as cores, o calor e os sons do dia… Tudo emanava uma vida pulsante, prenunciava um tão esperado encontro, a tão ansiada entrega. O aviso de um milagre era sussurrado pelo vento. O milagre da entrega amorosa.
Na alvorada daquele dia, tanto Sarah quanto Jacob esqueceram-se de qualquer coisa que pudessem lhes perturbar, macular a preciosidade rara do que sentiam. Porque diante daquilo, qualquer desesperança se escondia constrangida. O belo mostrava-se claro, emoldurava aquelas duas almas, distanciava quaisquer incertezas. Não havia mais qualquer resquício de duvida.
Sarah sentiu, novamente, um sacudir de suas entranhas, o estremecimento de sua pele, e uma vontade de sorrir, de despejar um sorriso ao nada, um sorriso vindo lá de dentro, do lugar que ficava entre os pulmões e acima do diafragma. Mas ainda era cedo pra isto, ela reservaria estes sorrisos para mais tarde.
Antes de qualquer coisa, os noivos passariam por cuidados, benções individuais. A tradição dizia que os responsáveis para aquele momento seriam as mães, tanto do noivo quanto da noiva. Mas, por serem ambos órfãos, ficou acertado que quem faria tais honras seriam as irmãs de Jacob. Rachel e Rebecca. Na reunião onde se decidiu isto Jacob não estava presente, pois foram as mulheres que decidiram. Naquela reunião as irmãs Black – Rebecca recém chegada a reserva com sua família – choraram muito, se lembrando da mãe. Rebecca foi a que mais se retraiu, a que mais tentou fugir da dor que a ausência que a Black matriarca fazia em sua vida. O controle foi recuperado quando todas as índias, e Sarah também, se reuniram envolta das duas e iniciaram uma prece para que a mãe agisse nas duas, que transmitisse seu amor a elas, e as fizessem dignas de tal função. Aos poucos elas se acalmaram, como se a mãe tivesse lhes oferecido conforto de algum lugar desconhecido.
As horas se passavam rápidas, o café da manhã passou alegre, tanto na casa de Billy quanto na casa dos penhascos.
_ Vô! Mas porque eu não posso ir com meu pai?! Eu quero ir! – Jason dizia emburrando na cadeira ao lado de Jacob.
_ Eu já disse que não pode Jay! Só estarão lá os guerreiros da tribo, ninguém mais. _ Billy explicou novamente.
A matilha também faria um ritual de benção ao seu Alpha, estavam se preparando naquele momento, para que estivessem prontos quando a benção individual dos noivos começasse. Tudo aconteceria ao mesmo tempo, em um horário marcado por um relógio de sol montado no centro da praia.
_ Mas vô, eu sou um índio guerreiro já! – Ele disse bravo e Jacob riu.
_ Com certeza Jay! Mas você é um índio guerreiro que ficará com o noivo certo? Veja bem, é um cargo importante também. – Jacob falou, sorrindo mais que o comum, com uma voz mais leve. O pequeno riu. – E eu lhe darei uma missão muito importante também: trazer Sarah até mim no altar! Que tal?
_ Pode ser… eu aceito isto… — Ele ponderou, com carinha concentrada. Os homens e meninos que não eram lobos e estavam ali, riram todos do pequeno.
Os homens e mulheres que rodeavam Sarah e Jacob tinham a função do os fazer rir, de os mimar. Ofereciam frutas, comidas típicas da tribo, trouxeram-lhes presentes, pintavam-lhe com tinha vermelha e preta, cada um desenhando algo em suas peles. Jacob e Sarah tiveram que beber o extrato forte de plantas da região, para dar ânimo e vigor para toda a festa e o seguir de suas vidas.
Quando faltava pouco para o sol bater no ângulo certo do relógio na praia, fazendo a sombra cobrir o ponteiro central, todos saíram das casas, deixando os noivos somente com aqueles que fariam o primeiro rito.
Jacob entrou no quarto maior da casa, no lugar onde havia sido sua garagem um dia. Era o quarto de Rachel e Paul. No canto do cômodo havia sido preparada uma enorme tina de banho, com flores dentro. Jacob se sentou na cama e retirou o cocar de penas luxuosas que havia sido posto em sua cabeça. Rebecca ainda não estava lá, devia estar vindo da casa dos penhascos ainda. Ele escutou o som da cadeira de Billy vindo para o quarto. O velho Black entrou tímido, com os olhos intensos, tentando conter o orgulho em excesso, a felicidade e emoção que sentia.
_ Filho! – Ele disse, olhando Jacob sentado na cama. – Como você está? – Billy perguntou, mantendo a voz vigorosa, sem nenhum tremor de emoção. Ele parou a cadeira a uma certa distância de Jacob.
_ Não sei explicar… eu não sei… eu…
_ Está nervoso? – Billy perguntou, sorrindo complacente. O filho lhe devolveu o riso, encabulado.
_ Muito. Não pensei que eu fosse ficar assim… não era pra eu ficar assim…
_ É natural. Me lembro como se fosse hoje o jeito que fiquei no dia do casamento com sua mãe. Eu estava morrendo de medo de desmaiar feito um molenga quando a visse no altar. Mas quando ela apareceu e sorriu, eu não tive medo de mais nada. As mulheres certas tem a capacidade de fazer isto com a gente, filho. Você vai ver. Elas pensam que nós somos os protetores da história toda, aqueles que as sustentarão… não é bem assim. Na verdade é elas que nos fazem mais fortes, é nelas que a gente acaba criando forças. Só o colo de uma mulher pode fazer um homem realmente forte.
Há quanto tempo eles não conversavam assim? Há quanto tempo Jacob simplesmente não ouvia os conselhos e as histórias de seu velho? Ele se levantou e se ajoelhou diante da cadeira do pai, abaixando a cabeça.
_ Eu só queria ser pra ela tudo que eu sei que você foi pra minha mãe, pai. Eu só queria aprender a ter sua força… a força que você teve pra segurar todos da nossa família quando ela se foi. Eu só queria poder manter o amor forte e vivo como você manteve seu amor pela mamãe, mesmo com ela morta. Você é meu exemplo pai… me perdoe por desmerecer sua dedicação por um tempo. Me abençoe pai! – A voz rouca de Jacob ficou trêmula, ele apertou a mão de Billy com suavidade e devoção. Só percebeu a presença de Rebecca quando ela soltou um soluço na porta.
Billy estendeu o braço à filha e ela foi pra perto do irmão e do pai, que tão pouco via. Sentia que Jacob disse exatamente o que ela queria dizer ao seu pai. Billy abriu os braços e aconchegou cada um dos filhos em um lado.
_ Vocês nunca desmereceram meu amor um segundo sequer de suas vidas. Mesmo que vocês tentaram se afastar de mim, pela dor que sentiram, vocês nunca saíram do coração deste velho aqui! Todos vocês, meus filhos, são a permanência em vida do meu amor por Sarah, sua mãe. Vocês deixaram este amor sobreviver, eu amo vocês e continuo amando ela através de vocês. Mesmo quando você e Rachel saíram de La Push, Becca, mesmo quando você se afastou de nós Jake, vocês nunca estiveram em outro lugar longe do meu coração.
Rebecca soltou um soluço alto e beijou a testa do pai, demoradamente.
_ Me perdoe por ter sido tão fraca, de ter fugido e te deixado sozinho pai.
_ Meu anjo, não há o que perdoar. Eu entendo. – Billy riu sua risada de trovão, vigorosa e inabalável, mas caiu uma lágrima dos olhos dele, escorrendo em meio ao semblante sorridente. Da mesma forma uma lágrima escorreu pelo rosto de Jacob. Mas, a exemplo de seu pai, Jake sorriu, e beijou a mão de Billy que estava segurando.
_ Jake! Jay, meu pequeno guerreiro… — Billy cantarolou, com a mesma melodia que Jake se lembrava que sua mãe cantarolava quando lhe chamava. Becca também se lembrou e riu chorando da maneira como o seu pai disse. Ela se afastou de Billy e foi para o irmão, abraçando-lhe pelas costas largas. — … Meu grande guerreiro! — Billy completou, com voz forte e profundamente emocionada. Jacob estremeceu o corpo.
Billy pegou o rosto do filho com as mãos e fez os olhos negros e marejados lhe encararem.
_ Homem… guerreiro… meu filho, você se tornou homem! Eu sei, eu sempre soube que você seria grande, que você teria honra! É assim que eu te vejo. Os pais sentem, talvez antes que os próprios filhos, aqueles que lhes farão bem. Sarah, aquela mulher linda… A forma como ela me tocou com o seu primeiro riso… senti que ela já era parte de mim, que já era minha filha. E quando ela me disse o nome... ah, eu tive certeza disto. Sarah… sabe o que significa? – Ele perguntou ao filho.
_Princesa, a filha do Rei. – Jacob respondeu. Desde pequeno ouvia seu pai bradar pela casa que sua mãe tinha o nome e a alma de princesa. Billy sorriu, confirmando com a cabeça.
_ Tal como sua mãe… ela é uma princesa. Ela é a mulher certa para o meu filho! Eu abençoo, Jake, abençoo a sua vida com ela, abençoo você. Meu menino, meu filho… guerreiro e homem. Eu te amo e eu… e-eu… te abençoo!
A força da voz de Billy pode passar toda a grandeza e imensidão daquele sentimento paterno, daquela benção. Jacob envolveu o velho em seus braços, soluçando.
_ Eu te amo pai! – Ele disse, com extrema necessidade, as únicas palavras que poderiam se aproximar daquilo que impregnava o seu coração de homem lobo, que um dia já foi menino nos braços de Billy. Rabecca se uniu ao abraço.
Em meio ao abraço dos três, ouviu-se ao longe uivos fortes e longos de toda a matilha, sincronizados em uma só melodia. Havia chegado o momento. O primeiro rito!
*************
Eram as mesmas palavras e o mesmo procedimento acontecendo para cada um deles. Para Sarah e para Jake. Suas roupas foram retiradas delicadamente, por Rachel e Rebecca.
_ Dispa-se do que é mal no mundo, daquilo que não comunica à sua essência enquanto ser capaz de amar… — Elas lhes diziam, Rebecca com as lágrimas descendo pelos olhos, Rachel com um sorriso envolto em magia.
Juntos, Jacob e Sarah fecharam os olhos e entraram na tina de banho.
_ Serás lavado(a) por estas águas, perfumadas pelas flores da terra, geradas por Deus… – Com as próprias mãos, as gêmeas pegavam a água e derrubavam na cabeça dos noivos.
_ Vá até o profundo de seu ser… se comunique com sua alma… ouça a voz do amor supremo que os espíritos acima de nós nos concedem… impregne-se dele… É chegada a hora de unir-se a outro, em verdade e em amor…
No centro da praia, a tribo inteira se uniu e começaram os cânticos, as preces… tambores soavam alegres, flautas se sobrepunham a eles suaves, vozes vocalizavam essências espirituais…
Rachel sorriu e pegou o óleo perfumado e começou a passar no corpo de Sarah.
_ Que ele seja o rosto que nunca esquecerás… o corpo que amarás na Terra… Uma benção na tua vida, o sol de tuas manhãs, o motivo de tua luta diária… tua recompensa no leito da noite… — Rachel disse a Sarah, ungindo-a em óleo.
Becca passou as mãos besuntadas no mesmo óleo nas costas nuas de seu irmão, com ternura e devoção, firme em sua prece quase cantada…
_ Que ela seja a canção que te embale, que ela seja o amor que sempre durará, aquela que sempre te tocará fundo, que lhe conduzirá ao prazer do sagrado amor conjugal… que ela seja o regozijo do tua cama e a beleza dos teus dias…
Sarah se levantou da tina, e foi sendo enxugada por Rachel com um tecido macio e branco, de algodão puro.
_ Descubra-o, desvende-o… Saiba o que forma o teu homem, saiba suas horas, seus gostos… ele é sagrado em tua vida… cresça com ele e o faça crescer, alimente-o com o seu amor… Sirva a ele o melhor de si…
Becca pegou a tigelinha com uma tinta negra e brilhante, com a ponta de uma pena desenhava traços precisos e delicados ao redor dos olhos de Jacob. Lhe dizia:
_ Seja inteiro para ela, seja seu amigo, seu amante, seu companheiro e cúmplice… Seja a energia que a impulsione, a luz que ilumina seu caminho… peça a Deus, todos os dias ao acordar, para que seja capaz de fazer isto…
Os uivos dos lobos, sendo projetados ao vento, causavam estranhamento ao povo, mas compunham o ritual. A matilha ungia a união de seu Alpha.
_ Sarah… quando for dele, seja inteira, seja dele e só dele… Abra a casa de teu espírito, deixe ele entrar… entrar com sua vida e força… receba-o na tua alma e no teu corpo. O abrigue, o acolha dentro de si…
_ Jacob… saiba tocar tua mulher, conheça tua fêmea, distinga o que ela exala, as suas vontades, suas formas e suas fases… descubra o corpo dela… ela será teu templo sagrado de amor em carne! Troque cheiros, olhares, reserve somente a ela sua fome de desejo porque ele será, a partir de agora, a única na sua vida… a única no mundo.
Em Sarah a pintura não era negra, mas feita com uma estranha tinta dourada, que emanava reflexos luminosos. A pintura nela estava sendo nas mãos, nos pés, nos braços. Eram desenhos pequenos e delicados, compondo a maquiagem ao redor de seus olhos, destacados por uma espécie de Kajal negro. No alto de suas maças, uma ínfima porção de pó de ouro foi colocada.
_ E que do amor entre vocês, nasçam frutos… que a vida se perpetue com a semente dele abrigada no seu ventre. Que floresça, que seu ventre seja fértil e teus braços bons acolhedores de filhos.
Eles foram vestidos. O vestido de Sarah trazia um certo esplendor natural. Por sobre a renda, flores de tecido foram aplicadas ao longo de todo o vestido, as alças pareciam pequeninas folhas pregadas uma na outra, que adentravam pelo corpo do vestido como um emaranhado de ramos. Jacob trajou uma calça e uma túnica elegante, brancas, de um tecido fino de algodão: tinha brilho, viscosidade.
As irmãs Black concluíram seus dizeres circulando ao redor dos corpos deles com um incenso nas mãos.
_ Sejam um do outro e um para o outro. Juntos, encaixem-se. Que vossas vidas sejam belas e o amor que os une, intransponível! Que os ventos dos céus compactuem para este momento sagrado e que Aquele que ordena a vida os abençoe nesta união. Caminhem agora para o sacramento, estão prontos!
Sarah sorriu e levantou os olhos, se encarando no espelho. Seus cabelos estavam presos em um trançado elaborado, com alguns fios deixados livres, tal como sua franja, dando uma aura natural e suave ao penteado. O arranjo em seus cabelos foi feito com finos e delicados fios de cobre que foram trançados uns nos outros formando flores ternas adornadas com minúsculas pedrinhas coloridas. O arranjo fazia uma espécie de arco e depois se embrenhava em meio ao trançado displicente de seus cabelos. A maquiagem realçava os seus olhos e a cor predominante era o dourado. Mas era um dourado que não se destacava, parecia que a pele de Sarah incorporou aquela cor, adquirindo uma espécie de brilho natural. O pó de ouro no alto de suas maças apenas lhe realçava o olhar.
Não calçava nenhum calçado. Seus pés estavam apenas pintados, com desenhos de formas circulares, interligados, não havia uma ponta solta. Segundo Raquel, representava a forma como os noivos se ligariam.
_ Está linda! De todas as noivas que eu já vi na vida, você é a mais… a mais… majestosa! – Rachel disse, colocando as mãos na cintura da cunhada, pelas costas.
_ Trabalho seu Rachel! Obrigada! – Sarah disse, sua voz estava embargada, sentia que seu peso havia desaparecido, parecia que não havia gravidade para lhe prender ao chão. Isto dava-lhe uma constante perturbação no estômago.
_ Imagine Sarah! Você está com uma beleza própria, uma luz tão linda nos seus olhos… tão intensa! – Rachel pegou as mãos de Sarah, fazendo-a se virar. – Ah! Você é a princesa… a Rainha do meu Jake! Meu irmãosinho! Minha mãe teria gostado tanto de te conhecer… ela estaria te paparicando agora! – As mãos de Rachel estavam trêmulas.
_ Rachel, do lugar onde a sua mãe está, eu acho que ela me conhece até mais do que eu mesma. – Sarah disse, acariciando as mãos suaves de Rachel.
_ Sim, eu sei disto… – A índia respirou fundo. – Bom, agora é só esperar um pouquinho que logo as crianças virão te buscar!
Sarah seria acompanhada até o altar por quase todas as crianças quileutes que ela conhecia.
_ Tudo bem Rachel. – Ela respondeu, sorrindo embaraçada para a índia.
_ Eu vou precisar me arrumar agora. Vou ser rápida. Se importa de ficar sozinha?
_ Não Rach, pode ir. Eu vou ficar bem aqui.
Rachel deu um beijo suave na bochecha de Sarah e saiu do quarto, sorrindo pra ela. Assim que ela fechou a porta, Sarah fechou os olhos e soltou um engasgo. Levou as mãos pintadas ao peito, apertando lá.
_ Calma coração! Fica quieto aí dentro! – Ela sussurrou. Depois voltou a abrir os olhos, encarando-se no espelho uma vez mais. Uma lembrança nostálgica e um tanto dolorosa lhe veio. Mas aquilo lhe veio impregnado de doçura, de um afeto imortal.
Era como se Sarah ouvisse novamente a voz suave, tão macia e doce de sua mãe. Tantos anos haviam se passado, e naquela época, quando Sarah ainda era pequena, Laura lhe disse coisas que só agora pareciam fazer sentido…
“Eu vou sentir o que você sentir meu bem, se você estiver triste eu estarei, se chorar eu vou chorar, se sorrir eu vou ser feliz, se amar, minha vida terá valido a pena. Quando você amar minha querida, se entregue, viver um amor verdadeiro nunca é um erro…
…Eu sei que você vai ser feliz, que você vai ser muito amada…
…Sim meu amor, eu sinto, eu tenho certeza, você vai ser importante pra muitas pessoas. Você vai amar um amor tão bonito quanto o meu pelo seu pai, eu sei que vai. Vai ter uma família linda, vai ser forte, sim valeu a pena por você! …”
Sarah colocou o dedo embaixo dos olhos antes que a lágrima caísse e borrasse sua maquiagem. Ela se virou para o lugar onde uma aresta de luz solar iluminava o quarto e se ajoelhou lá, levantando seu vestido delicadamente. Abaixou a cabeça.
_ Mãe… — Ela sussurrou, em tom de prece. – Queria tanto que estivesse aqui, comigo. Queria tanto que me abraçasse agora, que me ajudasse a entender tudo o que eu estou sentindo. É tão estranho. De repente isto se tornou tão mais forte, tão maior do que eu mesma… eu não sei lidar com isto… não sei… — A bela mulher, ajoelhada sozinha, respirou fundo, estremecendo o peito. – Onde quer que você esteja, me ajude agora. Me abençoe, me faça realmente ser digna desta coisa tão monstruosa… tão monstruosa e tão … tão linda que está tomando conta de mim. Eu vou deixar mãe, vou me deixar levar, vou me entregar… eu não vou mais ter medo de me jogar no oceano deste sentimento… eu vou mergulhar e descobrir… me ajude… — Sarah voltou a apertar a mão no peito, sentindo o jubilo crescente e incontrolável querendo se expandir ainda mais. — Eu te amo… sempre… - Aquelas foram as ultimas palavras de sua prece, mas ela continuou ajoelhada.
_ Sua mãe e seu pai estão contigo, meu amor!… Seja feliz… – Sarah pulou ao ouvir a voz de Koraíny lhe acariciar os ouvidos. Se levantou e perscrutou cada canto de seu quarto.
_ Sarah? Não é Koraíny, ele não está aqui. Este é apenas um recado que eu te trouxe dele. – Niadhi apareceu sobe suas vistas, com o olhar mais carinhoso que poderia ter.
_ Um recado? – Ela perguntou. Desanimou de repente, só agora percebendo a ausência que o sumiço do seu elfo amigo fazia.
_ Foi-lhe permitido lhe ver e lhe falar algo, por intermédio de um outro elfo. No caso… eu! – Niadhi sorriu, resplandecendo um branco brilhante aos olhos de Sarah. A morena sorriu de volta, mas aos poucos o sorriso dela foi se desfazendo.
_ E por que ele não veio pessoalmente? – Ela perguntou, suspeitando do motivo. Koraíny havia desobedecido uma ordem, ele foi julgado, talvez punido… Sarah sentiu um outro tipo de estremecimento no peito. Niadhi se precipitou para perto de Sarah, lhe abraçando.
_ Nada disto! Nem pense em ficar triste! Ele não queria isto, ele só queria que eu levasse de você um sorriso estampado no rosto! Bem lindão! – Niadhi começou a dizer. – É um momento especial e único pra você, então fique bem!
_ Ele foi punido por minha culpa não é? Por ter me impedido.
_ Ele não se arrepende. E nenhum dos elfos o condena por isto. Mas lei é lei. Não é como na terra dos humanos, Sarah. Entre nós ela tem de ser cumprida independente de nossas verdadeiras intenções. Temos mais poderes, isto é extremamente mais responsabilidade sob nossas atitudes e sob as consequências de nossos atos. – A elfo disse suave, tranquila, acariciando as costas de Sarah. – Não se pode brincar com os rumos do destino. Ele é a força mais poderosa e perigosa que existe.
_ Qual foi a punição? – Sarah perguntou, em meio ao afago gentil.
Niadhi se afastou, lhe olhando nos olhos. Suspirou.
_ Ele perdeu as habilidades de se transportar. No mundo humano ele não pisa mais. Sua missão se restringe ao nosso território. – Niadhi respondeu-lhe.
Sarah soltou uma exclamação silenciosa.
_ Quando um elfo perde este poder… ele perde também o poder… o poder de… ver… — Ela sussurrou, incapaz de continuar a falar.
_ Sim, ele perde o poder de ver além do lugar onde está, e do tempo em que está… Koraíny não pode mais ver como nós, não pode ver o que se passa no mundo humano.
Sarah apertou os olhos.
_ Ele não pode mais me ver… eu não poderei mais vê-lo… nós nunca mais vamos nos encontrar?
_ Não Sarah… não aqui, neste território. – A lagrima escapou de Sarah, mas Niadhi a enxugou, deixando o rosto de morena ainda limpo e intacto. – Ele só foi afastado fisicamente de você, mas ele te ama demais pra que vocês realmente se afastem… — Niadhi a consolava. – Olha ele pediu pra eu lhe entregar isto. – A elfo levou Sarah a se sentar, e lhe entregou um papel, com a caligrafia mais estranha que ela já tinha visto, as palavras escritas lá eram de uma língua desconhecida.
_ O que é? Não entendo. – Sarah sussurrou. Niadhi sorriu.
_ Não se lê assim Sarah. É linguagem élfica, só entende quem faz parte de nós. Você é assim… veja com os olhos certos Sarah, veja com os olhos élficos!
Sarah mudou então o seu “olhar”, mergulhando na magia que envolvia sua alma. Então pode ler, quase podia ouvir Koraíny.
“Eu estava do lado do seu pai quando ele viu sua mãe pela primeira vez. Fui o primeiro pra quem ele disse estar amando humanamente aquela bela e singela moça.
Layron era um irmão precioso demais para que eu não tivesse um laço imensurável por ele. Eu sabia e eu sei que a maior felicidade dele sempre foi estas duas mulheres, tão humanas e tão grandiosas: Laura e Sarah.
Senti-me estando no lugar do seu pai durante toda a sua vida, Sarah. Ainda que você não soubesse, eu te via dormir no berço, eu cantava o mantra preferido de Layron pra você dormir, eu te via correr pequenina nas praias de Gold Beach. Te acompanhei na escola, rindo das suas inteligências. Você me fez sorrir com coisas pequenas e, ao mesmo tempo, tão grandes. Você também me fez chorar, quando eu não era o suficiente para te proteger da dor.
Foi-me impossível não ter por você um amor mais precioso que já tive em minha vida. Acho que Lairon me permitiu isto, de certa forma. Sentir o amor de pai… de um pai humano. Eu te amo, minha princesinha elfo, a nossa Rainha humana!
E não importa o que agora me deixou afastado de você. Eu não posso ver mais como está o seu rosto quando você acorda, como fazia todas as manhãs de tua vida, mas eu sinto o que você sente, o teu amor me deixa satisfeito. Sei agora que terá alguém para cuidar de ti. Ele te pertence e você pertence a ele… era assim que tinha de ser.
Siga neste caminho, meu amor, e seja feliz, sabendo que nada poderá apagar sua presença de mim. Nem a distância entre mundos!
Koraíny.”
As palavras de Koraíny não fizeram Sarah chorar, mas sorrir com realeza. Niadhi observou que ela, vestida e pintada daquela forma, sorrindo com a pureza magnânima com que sorria naquele momento, fazia honra ao título que Koraíny lhe dera: Princesa dos elfos e Rainha dos humanos.
_ Diga-o que também o amo! E que estaremos juntos novamente… antes que eu morra… eu sei disto! Eu ainda abraçarei ele em vida, Niadhi!
_ Eu direi sim, Sarah. Mas agora me dê sua mão, pegue o presente dele. – Niadhi estendeu sua mão e nela havia um saquinho marrom. A elfo o abriu e dentro havia um pequeno amontoado de raízes secas.
Sarah franziu o cenho.
_ Meu presente? De Koraíny? – Eles estavam decididos a apresentar um enigma atrás do outro.
_ Sim, Sarah. Isto aqui são raízes, raízes que Koraíny mesmo arrancou. Estas raízes foram plantadas em semente por seu próprio pai um dia… há mais ou menos 560 anos. Destas raízes nasceram todas as tulipas azuis que Koraíny te trazia. Estas tulipas que te fizeram sorrir muitas vezes, te dando forças para seguir em frente. Pegue. – Niadhi estendeu as raízes secas para Sarah e ela as pegou confusa.
Porém, assim que as raízes tocaram a pele de Sarah, algo mágico aconteceu. Aos poucos o que era seco começou a ficar verde, a ter vida novamente. Sarah assistiu as raízes secas se transformarem em um ramalhete esplendoroso de tulipas azuis em suas mãos.
_ Meu Deus! – Ela exclamou. Niadhi sorriu.
_ Faça deste o seu buquê, minha querida. O nascer destas tulipas em suas mãos significa que você tem tudo o que é necessário pra que a beleza e a vida floresça em ti. As tulipas lhe faziam sorrir, era o que você achava belo, o que representava a força para seguir em frente! Agora Sarah, tudo isto está em você, por isto a raiz seca se fez flor em suas mãos. Que a felicidade deste sentimento fique contigo e com Jacob, mesmo se o sol sumir novamente, mesmo se os céus virarem um campo de batalha… nada poderá romper com isto!
Sarah olhou para Niadhi e não sabia o que dizer. A elfo lhe sorriu, uma ultima vez, e aos poucos, desapareceu.
_ Sarah! Desça! As crianças chegaram!!! – Ainda sorrindo, Sarah escutou o grito de Emily lhe chamando.
_ Estou descendo! – Ela gritou de volta, se levantando da poltrona, arrumando o vestido. Pegou uma tira que havia sobrado do seu vestido e amarrou ao redor das tulipas. Respirou fundo e foi de encontro às crianças que faziam uma algazarra no andar de baixo.
As crianças tinham uma pintura leve e alegre no rosto, misturada com as cores que o noivo e a noiva foram pintados: preto e dourado. Nas cabeças delas haviam coroas com flores e penas luxuosas. Vestiam branco e carregavam tigelinhas cheias de pétalas de flores. Elas pulavam e cantavam um refrão incessante em língua quileute. Sarah sabia querer dizer “Viva o amor, viva a vida, viva a união”.
_ A noiva! A noiva! – O filho caçula de Sam, Brian, gritou eufórico, apontando o dedo para Sarah que descia as escadas. As crianças gritaram, as mulheres riram.
_ Meu Deus! Sarah, como pode ter ficado tão linda? – Rebecca disse, enquanto Sarah terminava de descer as escadas de sua casa e era imediatamente rodeada por todas as crianças. A noiva sorriu para a Becca, que era diferente de sua irmã gêmea em muitos aspectos. Rebecca sorria, brincava, mas era mais fechada que Rachel. Ela, ao contrário da irmã, tinha os cabelos curtos, na altura do pescoço e tinha a pele com um brilho mais bronzeado, por morar no Havaí, onde havia muito mais sol.
A alegria das crianças parecia revigorar tudo aquilo, aquela algazarra toda fazia parte do ritual. Elas circularam Sarah e lhe jogavam pétalas de flores, cantavam e riam.
_ Vamos crianças, levem a noiva pra fora! – Rachel berrou, por sobre a algazarra.
Elisa pegou na mão de Sarah, sorridente, a puxou para o caminho de fora. Matt e Julia, os filhos de Rebecca, pegaram a cauda de seu vestido e ergueram. Sarah saiu escoltada pelas crianças, sorrindo e conversando com elas.
_ Tia Sarah está linda!
_ Muito obrigada Elisa! Você também está maravilhosa meu amor.
_ Eu vou te entregar pro tio Jake! Ele que me pediu isto, sabe? É minha missão! – Jason falou, inflando o peito e jogando o resto das pétalas de flores de sua tigelinha em Sarah.
_ Estarei em suas mãos assim que chegarmos a praia Jay. – Sarah disse a ele, dando uma piscadela tão sua para o indiosinho. Ele abriu a boca, vislumbrado.
_ Tia, você está parecendo uma fada! Quando eu crescer vou arrumar uma namorada igual a você. – Adam, o outro filho de Sam, lhe disse.
_ Pode até arrumar alguém melhor do que eu, Adam!
Eles seguiam em um uma trilha de pétalas de flores até a praia, onde o altar estava montado. Nas margens do caminho, velas foram postas, e queimavam ainda na luz do dia. Chegaram perto e a cantoria das crianças pararam. A maior parte delas saíram correndo, deixando Sarah sozinha com Jason. Elas sussurravam baixinho:
_ Recebam a noiva, recebam a noiva, recebam a noiva…
Todos os convidados se levantaram. Jacob, no altar junto de Billy, também, mas ficou de costas para a direção que Sarah estava. Seu coração acelerou, ele apertou os olhos.
_ Calma Jake! – Billy lhe disse.
O altar foi posto bem no centro da praia, a decoração era predominantemente branca. Havia velas em recipientes de vidro espalhados pela areia ao redor do altar, as flores adornavam tudo, flores pequenas e também brancas. Os convidados sentavam-se em grandes almofadas ao redor do altar, formando um círculo em volta dos noivos.
_ Não fica nervosa tia! – Jason sussurrou pra Sarah, enquanto eles esperavam as mulheres que estavam junto com eles irem ocupar seus lugares.
_ Segura minha mão Jay. – Ela sussurrou de volta para o garotinho. A mãozinha dele pegou a dela e ambos sorriram.
Sarah deixou Jason ir na frente, após lhe dar algo de precioso seu para ele entregar a Jacob. Era um cordão, o cordão com o pingente de apanhador de sonhos que ela nunca tinha se separado desde que Jacob havia lhe dado.
Jason foi e entregou o cordão ao tio.
_ Este objeto foi escolhido pela noiva e representa tudo o que ela ama. Esta sendo entregue a você agora Jacob. – Billy disse, iniciando o ritual.
_ Olhe pra ela tio. Agora você pode, pro resto da tua vida. – Jason disse, virando Jacob com as mãosinhas em direção a noiva.
A voz suave de Claire foi dispersada em meio ao silêncio que de repente se instaurou no lugar. A garota cantava uma melodia espiritual. Era a hora, Sarah tinha que ir ao encontro de Jacob. E ela foi. Seu peito subindo e descendo em exaltação, uma inconstância fazendo suas mãos tremerem, fechou os olhos e caminhou.
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Havia muitos cheiros naquele lugar, mas o que Sarah reconheceu foi o de Jacob. Inspirou ele com força e continuou de olhos fechados, só sendo guiada pela força invisível e poderosa que emanava dele. Só havia um som naquele lugar que importava, que fazia seus lábios vibrarem em ansiedade e sua garganta travar-se: o som do coração dele.
Jacob olhou para ela e sorriu, e todos puderam ver o esplendor daquele ato. Aquele índio, aquele homem, cresceu de repente, alcançando uma grandeza que só caberia a um rei. Ele olhou pra mulher que vinha até ele, e a força do que sentiu arrasou com o mundo daqueles antepassados que um dia haviam tirado dele um sortilégio. O mundo espiritual sentiu ser sugada de seu tão resguardado domínio, a magia que um dia foi renegada por Jacob.
E então o encantamento se fez presente. Sarah sentiu a imperiosidade daquele sentimento explodir dentro dela, revelando-se ao universo. Abriu os olhos e dentro deles havia a grandeza da razão de uma vida. A vida de Jacob.
Jacob e Sarah, como reis de um universo particular e místico, sentiram na pele a magia, escorrendo por seus corpos e dentro deles. O reencontro daqueles olhares marcou a beleza em brilhos e em cores, beleza que se alastrou por toda aquela praia, fazendo sorrisos se plantarem em cada rosto.
A maior parte da matilha compunha o primeiro círculo ao redor do altar. E eles, os lobos, também sentiram o grandiosidade daquele momento. Passaram a olhar Sarah como uma deusa secreta.
Os olhos negros de Jacob pareciam acompanhar a tempestiva exultação do coração dela… e ela… ah… ela estava lá, para Jacob, andando em direção a ele. Ao redor dela parecia haver uma aura de flores e luzes, sua boca exibindo lábios cheios e sorridentes… parecia o seu portal do amor.
Lá estava ela, de pés descalços, linda como nenhuma outra coisa do universo… tão singela e tão majestosa… uma fada, princesa… A mulher dos seus sonhos, o significado de sua vida, parada bem a sua frente.
Ela chegou até ele e Jake levantou sua mão pra que ela pegasse. As mãos se tocaram e o início da glorificada entrega foi selado.
_ Por que está aqui? – Ele lhe sussurrou, encostando sua testa na dela.
_ Porque eu te amo! – Ela respondeu, sorrindo.
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