The Precious Blood
6 A ORDEM
Notas iniciais
Bom, foi mesmo por falta de tempo. Já tem bastante coisa escrita da fic, massss... aqui eu tenho que fazer umas mudanças e não estava tendo tempo!
Eu gostaria de agradecer a todoooos os comentários muito fofos e encorajadores que me deram!! Não sei se depois de tanto tempo vcs voltarão a comentar, massss...
As leitoras minha do outro site aviso: este capítulo tem algumas adaptações!
“Ainda que não saibam eles se pertencem!
Não permita que se percam,
Pois eles são uma só alma em dois corpos!”
Quendra estava sentada no círculo junto de seus companheiros. Sua voz cristalina se misturava com a dos outros em uma melodia alegre, saltitante. As palmas deles faziam um ritmo gostoso, envolvente, dançante, misturando-se de tal forma com as vozes que pareciam inseparáveis. E eram.
Aquela noite os elfos estavam reunidos em mais uma de suas tradições. Uma pira de chamas coloridas resplandecia no centro do grande círculo de elfos. O ambiente bucólico era indefinível. Era o recanto daquelas criaturas, sendo tão mágico quanto elas, tão perfeito em beleza como elas. Uma criação divina! Flores únicas se espalhavam por todos os lugares, brotavam das arvores em grandes quantidades, juntamente com os frutos que alimentavam os elfos. O marrom da terra e o verde da grama faziam lindos desenhos no chão campestre.
Aquele lugar pertencia só a eles. Só eles iam até lá. Sem caminhar, sem voar, sem correr. Bastava que o desejo de estar em casa se manifestasse, que lá chegavam. Era impossível saber onde ficava o lugar, se estava na Terra ou não. Um refúgio particular e secreto.
Embalados pela música élfica, alguns deles dançavam esplendorosos ao redor do fogo. Seus movimentos eram lentos, dada a velocidade natural que tinham. Mas certas coisas só ficavam belas e poderiam ser verdadeiramente apreciadas daquela forma: deliciosamente calmas, lentas e modestas.
Mas eis que a paz do momento se perturba quando um vento forte vem sacudir tudo naquele lugar. O fogo se balança furiosamente, fazendo os que estavam próximos recuarem confusos. Uma agonia, uma inquietude possui o coração dos elfos com veemência. Sentimentos que não eram deles, mas de outros. Nunca aconteceu algo parecido antes, mas eles sabiam: algo ou alguém queria se manifestar, precisava. Estavam certos.
A Rainha entra em transe, um transe muito mais forte daquele que tivera a vinte oito anos atrás, quando Lairon veio lhe pedir pela vida da filha. No meio das chamas ela via dois pares de olhos castanhos, lindos, mas angustiados. Ela não entedia. Um par de olhos poderia aparecer ali: os de Lairon. Ele tinha a alma ligada com a de seus irmãos, podia se manifestar com eles. Mas os outros olhos só foram levados ali somente por pertencer a uma alma unida com Lairon. Eram os olhos de Laura. Quendra jamais presenciara tal feito e tinha uma certeza: aquilo jamais aconteceria de novo.
“Quendra... Quendra...”
“Não permita...”
“Ajude-os…”
“Não deixe que eles se percam… Façam algo irmãos, não deixem eles se perderem…”
“Eles precisam estar juntos, precisam ficar juntos”
“Eles se pertencem”
As vozes de Laura e Lairon vinham em uma mistura caótica, ora falavam juntos, ora separados. Sussurravam de todos os lados, o som de suas falas misturadas ao som do vento.
_ Não entendo. De quem falam? Por quem pedem?
“Sarah e ele... eles estão separados, correm o risco de se perderem...”
“Vocês podem, ajudem-os, eles precisam se libertar. Deixe-os amar, os ajude!”
“Ele está preso em uma maldição, na escuridão, não vai enxergá-la…”
“Ela esta presa em um trauma, em uma ferida, tem medo de amar…”
“O verdadeiro sentir… só um pode libertar o outro…
“Ajudem-os, faça agora! Eles precisam agora!…”
Tão rápido como começou, terminou. As vozes angustiadas e temerosas se foram, levando com elas o vento, o transe da Rainha. O fogo estava imperturbável como antes. Mas Quendra sabia exatamente do que os pais falavam. Sua consciência já estava desperta para o que as vozes se referiam. Mas ela só poderia fazer uma única coisa para atender o novo pedido dos pais.
Ela ajudaria, mas sua ordem seria só um começo. Todo o restante do caminho os dois teriam de percorrer sozinhos. Não havia garantias. Iria depender do que fosse mais forte, das escolhas que ambos predestinados fariam.
Ela se levantou, olhando para todos que esperavam sua soberana se pronunciar.
_ Não preciso de todos. Fiquem aqui e façam suas preces por aqueles que irei encontrar. Farei o que possível for, mas não será tudo, não será nem o começo!
Assim ela partiu, levando consigo somente Koraíny, seu braço direito.
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Ele correu em sua angústia por horas, não sabia onde se encontrava. Parecia ser alta madrugada, ele não tinha noção das horas exatas. Aos poucos seu ritmo foi desacelerando, o lobo gigantesco observou que a mata densa e fechada a seu redor começava a se espaçar. Ele procurava não pensar como homem, mas seu lobo também estava desorientado, ambos não sabiam como seguir.
De repente o vento que batia contra ele mudou de direção. Seus pelos foram jogados para trás, ele fechou os olhos e inspirou o novo ar. O vento lhe trouxera um cheiro, um cheiro que fez as patas do lobo se impulsionarem para frente, por puro instinto. Porém não era um instinto que ele costumava enfrentar. Não era em busca da morte de um vampiro que o lobo partia, ele não estava sendo guiado pelo odor fétido deles. Não!
Homem e lobo, fundidos em uma mesma criatura, foram irrevogavelmente atraídos pelo mais sublime dos odores que já puderam sentir. A fragrância divinal possuía uma mistura de essências cítricas que se abria para notas florais. Jasmim, orquídeas, rosas, lírios, todas as flores pareceram se juntar, unindo seus perfumes de forma harmoniosa. A plenitude do cheiro se completava com um perigoso e delicioso toque picante.
Era atraente, intenso, suave, doce. O lobo não sabia definir, o que sabia é que era irresistível não seguir o rastro que deixava. Já o homem queria descobrir de onde vinha aquilo. Não estavam longe.
Aquela que disseminava o perfume estava de costas para o vento. Seus cabelos, longos e ondeados, eram jogados para frente, abanando soltos e descontrolados, ela não ligava. Já não se importava em ocultar seu cheiro como antes. Sarah decidira não fugir mais, tinha que acabar com aquilo. Contava que quanto mais seu cheiro estivesse espalhado e latente, os dez vampiros que a perseguia há três dias por aquelas florestas, se tornariam mais instintivos e menos pensantes. Se fosse pra lutar como havia planejado, que fosse ela a única a ter astúcia no embate. Seria mais fácil se eles estivessem descontrolados. Tinha esperança que eles brigassem entre si por ela, que se matassem para conquistá-la.
Procurara se colocar no local mais distante das cidades, no meio da única clareira que encontrou nas matas fechadas das redondezas do estado de Washington. Ela era, sem dúvida, muito mais hábil e rápida que eles, embora não tão forte. Mas isso bastou para que conseguisse uma boa distância deles. Conseguira tempo pra pensar. Pra pensar e praguejar sua maldita sorte. Um descuido de sua parte fizera com que um grupo anormalmente grande de nômades vampiros sentisse o seu cheiro e desenfreasse a perseguição. Ela queria saber que tipo de coisa fizera aos céus pra receber um castigo atrás do outro.
Encontrou-os na visita a sua cidade de nascença, a bela Gold Beach, lugar aonde sempre ia para se lembrar da mãe. A paz e beleza de lá faziam o sorriso e a presença de Laura mais forte em suas memórias. E foi em uma das praias mais belas do lugar, mas também a mais afastada, que ela, distraída com a brisa gostosa da noite, deixara seu cheiro se libertar de si. Quando sentiu o odor fétido e o som dos vampiros já era tarde.
Eles estavam próximos naquele exato instante. Há alguns quilômetros do lugar aonde ela os esperava, rígida, de olhos fechados, concentrando seus sentidos nas passadas deles. Levariam poucos minutos para alcançá-la. Mas seus sentidos captaram outro som, um som singular. Eram passadas mais pesadas na terra, embora muito mais velozes que qualquer animal da floresta poderia ter, acompanhadas com o pulsar de um coração grande. O que quer que fosse, estava vindo em sua direção também.
”Droga! Que sorte, que sorte!!! Que coisa está vindo pra mim agora?” Ela praguejava em pensamento, mas não permitia se mover. Os vampiros estavam perto demais, ela não poderia descuidar. A coisa de coração grande e veloz só diminuía suas chances, então ela tinha de se concentrar mais, não se preocuparia em definir nada naquele momento. Mas a frase que a Rainha elfo tinha lhe dito uma vez voltou a retumbar na sua mente… “não são só os humanos que compartilham este mundo, existem muito mais coisas”.
A “coisa de coração grande” chegara primeiro até ela, mas, por incrível que pareça, ficou parada a poucos metros a sua frente. O ser tinha uma respiração forte, muito parecida com a de um animal, aliás, parecia definitivamente um animal de grande porte. Só então ela abriu os olhos, dando de cara com o que parecia um lobo enorme, com olhos negros, duros, sombrios, mas inteligentes demais. A criatura tinha imponência, exercia mais fascínio que qualquer animal que Sarah já tinha se deparado. Não podia ser natural. “Isso é um grande problema! Será que ele tá avaliando se sou apetitosa?…
O homem lobo, no entanto, ficara estático porque não sabia o que aquela mulher, aparentemente humana, com um cheiro inconcebível, estava fazendo ali, no meio do nada, rígida, segurando um cantil que estava amarrado em sua cintura firmemente. Olhava pra ele sem demonstrar medo algum. A respiração dela não se alterara em nenhum momento, tal como as batidas de seu coração.
Mas ele não teve mais tempo de avaliá-la, o cheiro da moça não pode suprimir o fedor do bando de sanguessugas que chegavam como bestas naquela clareira. “Maldição! São muitos”. O lobo pensava que teria de lutar sozinho contra o que parecia uns dez malditos seres. Não iria conseguir e ainda tinha a estranha humana. Mas, antes mesmo que ele se pusesse em posição de ataque, ela já corria, rápida demais, de encontro com os vampiros.
Começou a luta. Sarah estava certa, os vampiros estavam fora de si. Tentavam agarrá-la a qualquer custo, mas ela fugia deles habilidosamente. Eles eram mais fortes, mas força não era o mais precioso em uma luta. Era ela que analisava os mais fortes, ela que reconhecia os mais fracos, ela que pensava nos pontos e maneiras exatas de atacar. Eles não, simplesmente partiam pra cima dela. Rapidez, sim, isso era mais importante que força! Eles não conseguiam pegar nem seus cabelos longos enquanto ela corria entre eles, pondo uns contra os outros, confundindo-os.
A adrenalina corria nas veias da bela combatente – ah… seu maravilhoso hormônio humano! –, aquilo deixava-a ainda mais rápida, mais eufórica, menos consciente do cansaço dos dias de fuga. Ela corria um grande perigo, mas lutava. Partia logo para as cabeças. Braços, pernas não adiantavam, a cabeça os fazia parar. Uma, duas, três… Ela as arrancava em saltos, prendendo-as ora entre suas pernas, ora com as próprias mãos enquanto girava no ar veloz. A velocidade era o suficiente para que conseguisse. As jogava longe de seus corpos. Primeiro precisava acabar com eles, depois queimá-los-ia.
Em um milésimo de segundos, olhos castanhos e negros se encontraram. Ambos se espantaram um com o outro, abismados que o outro lutava também, destruía também. Mas não pensaram muito naquilo, focaram em seus oponentes. Agora restavam os mais fortes, os mais hábeis dos vampiros do grupo. A luta ainda estava difícil. Eram quatro, dois com a moça e outros dois que tentavam furiosamente passar pelo lobo para alcançar sua “comida”.
Sarah tentava se esquivar dos dois que se jogavam sobre ela, com os dentes lindamente pavorosos a mostra. Mas eles pareciam agir juntos, pareciam querer dividi-la. “Cristo, são parceiros!”, ela pensava. A fêmea tentava segurá-la para que o parceiro a pegasse, mas ela escapava das mãos da fria. Mas aquilo estava irritando. Ela não conseguia dar golpes eficientes nos dois, eles rodavam em circulo em volta de Sarah e vez ou outra investiam. Ela ia ter que se arriscar. Deixou que a fêmea a segurasse pelo braço e nesse momento ela soltou mais de seu cheiro. Ensandecida, a fria mirou direto para a jugular de Sarah, mas ela fora mais rápida, envolvendo a cabeça da criatura com um dos braços puxando pra um lado, ao mesmo tempo que segurou o corpo e puxou pro lado oposto.
Ouviu o trincar de granizo, mas sua cabeça foi puxada pelos cabelos. O frio respirava ansioso em seu pescoço, ela desviou, mas ele manteve seus cabelos presos. Ela evitou puxar a cabeça pra que não fosse escalpelada. Enfiou a mão dentro do bolso da calça com rapidez, arrancando o isqueiro com o tecido e tudo. O fogo que saiu do objeto não tinha muita projeção, mas bastou para que o vampiro se desconcentra-se. Era a chance que precisava! Estourou a tampa do cantil na força com que o pegou e tacou em cima do vampiro, atirando o isqueiro aceso junto. Uma pequena explosão, e o fogo se espalhou pelo vampiro antes que ele pudesse pensar.
O lobo já tinha estraçalhado os dois que se meteram com ele, picando-os em tantos pedaços quanto foi possível. Sobre aqueles frios, o Alpha despejou toda a sua loucura interna, sua fúria. Por mais força e destreza que tivessem os vampiros, não teriam chances. Ele olhou pra mulher que se movia mais rápido que qualquer coisa que ele já vira. Ela catava os pedaços de corpos de granito e jogava no outro frio que queimava. Um cheiro pútrido se espalhava, forte, insuportável. Não havia mais no ar o aroma que o guiara até ali, pouco se percebia dele naquele instante, muito mais suave do que esteve durante toda a conturbada luta.
Os pelos de Jacob se eriçavam, enquanto considerava o que diabos era aquela mulher letal que queimava os vampiros. O cheiro que vinha dela parecia mais um feitiço, usado para atrair possíveis inimigos. Seria isso? Ele não sabia, mas não estava confortável com ela. Poder demais, poder demais… gritava sua mente em alerta. Escapou-lhe um rosnado. Sarah ouviu.
Virou-se de repente para ele, com os músculos ainda tensos, em posição de ataque. Interpretou mal os olhos sombrios do lobo, os pelos eriçados. Na cabeça dela ele era uma fera sem controle, selvagem como os vampiros, pronto a atacá-la. Ela não podia correr o risco, partiu pra cima dele.
O lobo se assustou! “Merda, ela quer me matar?!!”. Ele, pela primeira vez em muitos anos, estava em desvantagem em uma luta. A maldita fêmea enigmática, bruxa, feiticeira, diaba... ele definitivamente não sabia, era boa de luta. Ela não o atacava de início, mas já estava se esquivando tempo suficiente pra deixá-lo confuso, pra descobrir seus pontos fracos e dar golpes exatos, eficientes. Um chute na articulação da pata dianteira dificultava o ataque do lobo. Ele passou a se defender dela. Ela ria, a desgraçada ria! Ah ele ia matá-la! Nenhuma mulher ganhava rindo dele em uma luta!
A raiva da afronta de Black unida à presunção de Sarah, ao pensar que ganhava e dar as costas em um momento ao seu oponente, bastou para o que aconteceu a seguir. Foi tudo muito rápido. A moça sentiu suas costas serem rasgadas dolorosamente pelas garras da fera com que lutava, fazendo o seu cheiro se espalhar incontrolavelmente pelo lugar, com toda força o poder que a essência possuía. Ao mesmo tempo, viu o lobo ser jogado longe dela, sem ver o que ocasionara isto. E depois a voz forte, intransponível e exaltada:
_ CHEGA!
Sarah reconheceu a voz, ainda que nunca tivesse ouvido aquele tom nela. Sentiu algo que jamais sentiu quando a elfo lhe falara: seus músculos travaram, ela foi suspensa ao ar e prostada de joelho diante de Quendra por uma absurda força invisível. Temeu o motivo dela estar ali, daquela maneira… “Temo que para que nossa missão continue firme, você terá de ser destruída se houver possibilidade de isso acontecer”, lembrou-se. Sarah sabia que teve sorte em ficar intacta naquela luta com tantos vampiros. Esteve muito próxima de ser pega. Pensava se os elfos estariam ali para acabar com o risco de ela oferecer mais poder aos vampiros.
Jacob, no entanto, experimentou a mesma sensação que causava a sua matilha quando dava alguma ordem. Assim como Sarah, perdeu o controle de todos os músculos de seu corpo, endurecendo como se congelasse de repente. Ainda durante o golpe que deu em Sarah, foi levantado e jogado longe. Antes que caísse ao chão, no entanto, seu corpo voltou a ser humano, sem que ele quisesse isto! Não estava calmo ou ferido o suficiente pra se destransformar daquela maneira. Caiu ao chão nu, sem forças, com o corpo rijo. Logo depois a sua oponente caiu de joelhos ao seu lado, espalhando terra pra todo lado, dado o impacto que teve com o chão. E então o silêncio.
Só se ouvia o som dos dois lutadores prostados ali no chão. O coração dela batia frenético, descontrolado. Ele estava tenso, mas sentia, inexplicavelmente, uma força dominadora e soberana sobre ele, sentia necessidade de também se colocar de joelhos. Uma força de obediência que não vinha só dele, mas da magia que estava em seu sangue, do compromisso que seu ancestral assumira ao pedir por ela. Com dificuldade ele se colocou sentado sobre os joelhos, ainda sem o controle absoluto dos movimentos. Silêncio… Via a mulher ao seu lado de cabeça baixa, olhos fechados. O cheiro perturbador dela incendiava suas narinas. Só ouvia o som que vinha dela, inspirando e expirando, do pulsar do coração dela e do seu próprio. Mas ao direcionar seu olhar para outro ponto, viu algo que o deixou mais tenso, se possível: duas criaturas estavam diante deles. Ele ergueu os olhos devagar e se espantou…
_ O… o que é isso? – escapou-lhe em um engasgo, assustado ao se deparar com as criaturas únicas, soberbas. Um dos que estavam parados a sua frente falou, mas não lhe respondendo, parecia falar com os céus conforme olhava pra cima.
_ Se perdendo! – Quendra disse irônica, com voz macia demais – Eles estavam se matando! SE MATANDO! – ela não gritara, mas a voz tornara-se densa, forte, gutural. Jacob sentiu como se aquilo tivesse sido uma chicotada em suas costas, sentiu o tremor da que estava ao seu lado. Ambos se encolheram.
A Rainha então direcionou seu olhar pétreo para Sarah e Jacob. Eles sentiram o olhar dela, mas não focaram seus olhos na soberana. Sarah, depois de tantos anos conhecendo Quendra, jamais a viu tão exaltada, mas ela não compreendia o motivo disto, tampouco compreendia porque o dócil Koraíny também tinha um semblante tão sério.
_ Vocês tem noção do que quase fizeram? Vocês têm noção do que causariam a todos nós se algum de vocês conseguissem fazer o que planejavam? – Quendra dizia com a voz mais controlada. – Nós escolhemos vocês, cada um de vocês nós protegemos, ambos tem algo de nós dentro de si. Algo que nos une, nos liga. Sabem o que isto significa? – Nenhum deles disse uma palavra, Quendra continuou – A você quileute, foi dado poderes pra proteger não só os seus, mas toda a vida humana e o que você me faz? Quase mata a mais preciosa dos humanos!
Diante disto Jacob não pode mais se calar, ele não entendia o que aquela criatura era e nada do que ela dizia se encaixava.
_ O que está acontecendo aqui? Quem são vocês? Como sabe tanto sobre mim? – ele queria perguntar tudo o que rodava em sua cabeça, mas recuou diante do semblante sério da criatura.
_ Você tem certeza que não me reconhece guerreiro quileute? Não sente quem eu sou?
Sim, ele sabia que ela estava ligada a ele de uma maneira muito forte. Mesmo sem entender tinha deferência por ela. Sempre pensara ser o mais poderoso entre os seus, mas sentia que estava abaixo dos seres que o encaravam agora. Passado o espanto das formas tão belas dos elfos, ele sentia uma espécie de reconhecimento passar por sua memória. Era, no entanto, uma memória que ele não sentia ser sua, mas que estranhamente fazia parte de quem ele era.
_ Eu sou aquela que em tempos passados socorreu o teu povo, Alpha Black! Eu faço parte do povo que compartilhou a magia que hoje corre em teu sangue. A nossa magia, a magia que nos foi dada para proteger os humanos. Nós somos os elfos, eu sou Quendra, Rainha elfo. Seu poder vem de nós!
Ao dizer isto Quendra se aproximou mais de Jacob, sua voz ressoando em todos os cantos da floresta, imperiosa. A Rainha pegou os braços do índio e o levantou com uma facilidade assombrosa. O aparente toque delicado dela escondia a força insuperável de seu ser. Ela era tão alta quanto o índio, seus olhos ficaram nivelados e, até o olhar tão forte de Jacob, perdeu para o dela. Ela parecia desvendar-lhe a alma!
_ Jacob Black! O último líder guerreiro, ou melhor, o ultimo Alpha da linhagem quileute. Presumo que você saiba muito da magia que envolve seu povo, mas acaso sabe como isto começou?
_ Com os espíritos guerreiros. – Jacob disse de forma automática, respondendo a elfo rapidamente de tão impregnada aquela história estava nele. Mas a criatura a sua frente balançou a cabeça, um sorriso velado parecia surgir na face da elfo.
Por um momento a expressão de Quendra se suavizou. Sarah olhou curiosa para cena. Estava tão confusa que esquecera suas próprias conjecturas para a vinda dos elfos ali. Eles se conheciam? Aquele homem era a fera? Guerreiro? Quileute? “O que diabos tá acontecendo aqui?”, ela pensava. Como Koraíny, ela só observava a conversa que se passava entre Quendra e o homem fera misterioso, agora não mais ajoelhada, e sim, sentada, com os músculos mais relaxados. Com certeza aquela seria mais uma história dos misteriosos elfos.
_ Ao menos esta promessa vocês mantiveram: o segredo sobre nós! – A Rainha disse mais para si mesma do que para o índio – Nós lhes demos poder para se defender, para se proteger das tribos mais poderosas que ameaçavam a sua. Ah… naquela época as pessoas eram muito mais conscientes do mundo sobrenatural que os envolvia, mas também sofriam muito mais com ele. Não havia brancos naquele lugar, o mesmo lugar que você vive Alpha. Porém uma tribo queria se sobrepor a outra, mas a sua era a mais fraca. Era realmente uma pena! – Quendra soltou Jacob e se virou, seus olhos saíram de foco. Ela estava em outro lugar, em outros tempos.
_ Eu os admirava Black, era uma pena ver os quileutes se acabarem aos poucos. A terra de vocês era e continua sendo muito preciosa, suas mulheres, belas e fortes, as crianças saudáveis, os homens valorosos, corajosos. Eu admirava a forma como vocês sempre foram unidos, como irmãos, muito semelhante ao sentimento que nós elfos possuímos. Mas isso despertou a cobiça de outra tribo, eles queriam suas riquezas, só que diferentes de vocês, eles tinham entre eles homens habilidosos. A maioria os conhecia como feiticeiros.
Quendra fez um sinal para Koraíny ao seu lado. Imediatamente este começou a fazer movimentos com as mãos e logo todo o ambiente se modificava. Não pareciam estar mais na mesma floresta. Estavam agora em um penhasco, o pôr-do-sol estava no seu fim, as cores da noite se impondo aos tímidos raios solares. Diante deles a imensidão de um oceano se revelava. Jacob conhecia aquele lugar…
_ La Push! – sussurrou abismado.
Uma figura estava ajoelhada na ponta penhasco. Era um homem; sua pele tinha o característico tom marrom avermelhado dos quileutes; seus eram cabelos negros, lisos e espessos, cobriam toda suas costas. Estava vestido apenas com uma calça rudemente feita em pele de animal. Ele olhava para o céu, tinha as mãos elevadas como se pedisse clemência, seu rosto estava transtornado.
_ Grande Rei do Universo, eu lhe peço, eu lhe imploro, ajude-nos. Nosso povo não pode resistir àqueles feiticeiros malditos! Eles estão acabando conosco, nos escravizando, roubando nossas mulheres, nossas crianças, matando nossos guerreiros. Não podemos lutar contra eles, contra o poder deles. Oh Rei Divino, envie ajuda, nós já não podemos resistir, eles nos destroem. – O corpo do homem balançava para frente e para trás. Continuou suas preces na língua de sua tribo. Estava desesperado, desolado.
Jacob sabia que aquele era um dos seus, mas não sabia quem ele era. Tentou se aproximar, mas não importava o quanto ele andasse, o índio continuava na mesma distancia. Sentiu um toque macio, que o fez virar. Deparou-se com as belas órbitas castanhas de Quendra. Ele entendeu: era só uma imagem, uma lembrança. Virou-se novamente para o seu irmão de outros tempos: ele não estava mais só. As mesmas criaturas que estavam com Jacob naquele momento estavam também ao lado do quileute que se balançava em desespero. A mesma que lhe tocou o ombro, a mesma que estava ao seu lado também tocou o homem do penhasco. A voz dela saiu bem mais suave e branda do que com Jacob:
_ Khairã, levante-se, nós o ajudaremos!
O homem desolado direcionou os olhos aos elfos e logo agarrou os pés de Quendra. – Oh céus, és a nossa salvação?
Quendra abaixou-se e envolveu o índio com os braços, levantando-o com cuidado. – Sim nós somos. Só poderemos te ajudar porque sem nós sua tribo será extinta. Vocês não merecem isto. Sabemos que Aquele pra quem você pedia socorro agora mesmo, lhe oferece ajuda através de nós. Para lutar contra a magia, magia lhes será concedida. – Quendra pegou o rosto do índio e o fez olhar dentro de seus olhos. Começou a falar em um tom de ordem suprema. – Seja sincero agora, não só sincero por você, mas por todos os seus. Pelos que vivem agora e pelos que virão. Utilizarão o poder que lhes for concedido somente para proteger a vida humana, seja ela do seu povo ou a que estiver ao vosso alcance. Nada além disto. Não falará nunca sobre a fonte do seu poder, esconderá como o seu mais precioso tesouro. Somente saberão aqueles que nós contarmos. Não contestarão uma ordem nossa quando ela for dada, nem mesmo se exigirmos seu próprio sacrifício.
Cada palavra que a elfo proferiu impregnou-se no índio de tal forma, que a partir daquele momento, todos os seus descendentes carregariam as marcas da promessa que ele fizera:
_ Sim eu prometo, prometo qualquer coisa para que nos ajude. É justo!
_ Sendo assim, que seja feito. – A Rainha se virou para o que lhe acompanhava – Pode fazer isto Lairon?
O elfo levantou a cabeça e Jacob só então percebeu que era outro deles que estava ali naquele momento. Mas uma movimentação atrás dele chamou sua atenção novamente para a mulher misteriosa que estava, até então, em silêncio. Ela se levantou, caminhado na direção da visão, seus olhos tinham um brilho de fascínio…
_ Pai... – ela sussurrou, tentando alcançá-lo. Koraíny a segurou levemente pelo braço:
_Sim é ele minha querida, mas em outros tempos. É só uma lembrança. – Ela olhou para Koraíny e afirmou com a cabeça. Depois grudou os olhos na imagem do pai e permaneceu assim.
Na visão, Lairon se aproximou do índio e, assim como Quendra, olhou no fundo dos olhos dele, dizendo com voz suave, mágica, um sussurro ventoso. – Dou-te agora o que de mais precioso temos: o poder que está em nosso sangue. A partir de agora terás uma magia em vossas veias. Passará ela aos teus, usará conforme achar necessário para seu propósito, mas não levianamente. Ela irá crescer e se adaptar as suas necessidades, da forma que só ela pode fazer.
Lairon colocou a unha em seu próprio braço, fazendo sair o líquido sanguíneo que corria em suas veias por um pequeno corte. Colocou o braço no centro do peito do índio Khairã fazendo este arfar. A magia do elfo separou-se de seu sangue. Criando garras, penetrou de forma dolorida no corpo do índio. Do coração, a magia foi-lhe a medula, alastrando-se e fundindo-se no corpo e na alma do índio. Após uns instantes ele caiu inconsciente. Lairon se levantou e juntou-se a sua Rainha. – Está feito, que Deus os guie!
Os corações de Jacob e Sarah batiam acelerados. Cada um espantando por seu motivo: ela, pelo pai, ele, pela história oculta de seu povo. Mas o lugar voltara a ser o mesmo de antes, a visão terminara. Quendra colocou-se a frente de Jacob e atrás de Sarah. Olhou as feridas quase fechadas nas costas da moça. Foram profundas. Ela passou as mãos pelas costas ainda ensangüentadas de Sarah, fazendo com que a pele ficasse absolutamente lisa outra vez.
_ Agora compreendem o que vocês fizeram? Colocaram a mesma essência em lados opostos ao lutarem um contra o outro – A voz de Quendra tornou-se tensa mais uma vez – Black, Sarah é filha de Lairon, um dos nossos. É portadora humana da preciosa mistura entre mulher e elfo. Deve ser protegida e não… — ela não precisou falar, apenas pegou na blusa branca de Sarah que estava rasgada e tingida de vermelho.
Jacob engoliu em seco. Olhar para aquela mulher ensanguentada e saber que ele havia feito aquilo o havia deixado, de repente, muito desconfortável. E além de tudo isto, havia o nome. A criatura majestosa havia dito “Sarah”. Ele tentou evitar, mas imediatamente a lembrança do sorriso de sua mãe lhe golpeou a mente. Ele havia ferido uma mulher que, segundo a tal rainha, devia proteger e que tinha o nome de sua mãe.
_ Eu não tive culpa – ele começou a dizer com a voz também alterada, um princípio de irritação começava. Era só o que faltava, aquela louca era mais perigosa do que ele. Ele só se defendeu. Ele não estava nada amistoso com a mulher, ah! se ela fizesse ele perder a magia que protegia a tribo. – Ela me atacou, ela veio pra cima de mim. E além do mais, se não fosse por mim, aquele bando de vampiro teria feito com ela o que eu comecei a fazer. Quer dizer, eles fariam bem pior!
Sarah olhou espantada para o homem nu, que parecia inconsciente disto, tratando de focar nos rígidos olhos dele. “Mas que prepotência! ‘Se não fosse por mim’... Há! Capaz!”. Quando ela ia responder, Quendra começou a falar.
_ Tem razão Alpha. Dessa vez Sarah escapou por pouco, mas não sei quantas chances assim ela terá – novamente o sorriso velado apareceu no rosto da elfo. Sarah não gostou daquilo, tinha certeza que Quendra planejava algo. – Sarah precisa de proteção, não pode se cuidar sozinha. Sarah precisa de você Black e de seu bando!
O queixo de Jacob caiu. Sarah levou a mão no testa com tudo, se dando um tapa… “eu sabia, eu sabia!”
_ Calma aí Quendra! Você sabe que foi só por um descuido que eu atraí o bando de vampiros. Isso não vai se repetir. Não mesmo. E eu poderia ter vencido sozinha sim! Não preciso de ajuda, eu fui bem treinada, posso me defender, vocês sabem disso! Ah… e vocês disseram que não poderiam me defender quando eu já fosse capaz de fazê-lo, então é isso. Não pre-ci-sa!
_ É, ela não precisa de mim. Ela quase me matou também esqueceu? – Jacob dizia. Não sabia explicar, mas sentia que aquela mulher lhe provocava um desconforto nada bom. Ela o desorientava e era arrogante. “Eu não vou virar babá!”. Pensava o lobo em uma birra interna pela humana anormal chamada Sarah. Ao se dar conta que se comportava como um adolescente, ficou com ainda mais raiva de Sarah.
Os dois elfos suspiraram juntos. Quendra olhou para os dois teimosos a sua frente, sentia as barreiras que os separavam.
_ Ah, tão fechados em seu próprio mundo, em seus próprios medos. – ela disse de cabeça baixa, fechando os olhos. Ela estava consciente do que se passava no coração de Jacob, na forma como este endurecera, como se fez rígido para fugir de seu medo de amar e sofrer novamente. Ele não curou sua ferida como pensava, apenas a escondeu. Sarah também. Ela se tornara uma mulher esplendorosa, admirável, mas fechada. Vivia só e justificava que seria melhor assim, dizia a Koraíny que afastada das pessoas manteria seu segredo melhor guardado. Mas não era por causa disso que não tinha laços fortes com ninguém, que não se envolvia em nada fora de seu trabalho. Quendra sabia.
_ Vocês vão fazer o que eu julgar necessário fazer. E Sarah, não somos nós que vamos protegê-la, e sim, a matilha dos lobos. Acho apropriado que você fique junto deles agora. Não podemos correr riscos como o de hoje e você sabe bem porque. Não depende só de você, do que você faz ou do que você pode sofrer. Tem outras coisas em jogo, por isto não ouse me contestar.
_ Peraí! Eu vou ter que levar esta isca de sanguessuga comigo? Eu vou ter que protegê-la? Não, não, não! – Jacob definitivamente não estava gostando daquilo. Ter aquela mulher vivendo perto dele? Seria um chamariz para problemas, ele tinha certeza – A matilha não está mais crescendo e ela pode acabar com todos nós se atrair muitos sanguessugas pra lá. E além do mais eu tenho o meu povo pra proteger…
As pupilas de Quendra dilataram-se perigosamente. Ela olhou pro lobo e ele se lembrou do que ela disse ao seu antepassado “… proteger a vida humana, seja ela do seu povo ou a que estiver ao vosso alcance…” “Droga!”, pensou o lobo. A voz dela começou baixa, sinistramente baixa, mas com uma força imensurável. Era uma ordem. Uma ordem contra a qual nem Sarah, nem Jacob e nem qualquer elfo poderiam desacatar. Não tinham forças para isto.
_ A matilha só aumenta conforme a necessidade disto acontecer. Se vocês dão conta, permanecerão no número que estão, se precisar de mais, outros virão. Você vai protegê-la Black, porque deve isto a mim e aos humanos! Sarah, você vai permanecer com os lobos! – Quendra fechou os olhos, pensando mais calmamente, fazendo as devidas conjecturas para a ordem que dera. Se afastou e sentou-se em uma pedra. Olhou o casal estupefato na frente dela. Os dois prendiam a respiração. Continuou:
_ Os lobos e nem ninguém deverão saber de nós. Por isto Sarah será para eles apenas uma humana especial, sem poderes inexplicáveis. Você viverá em La Push Sarah, escondendo de todos sua natureza, só a usará se houver extrema necessidade. Jacob você não poderá desgrudar dela e ninguém poderá desconfiar do que na verdade acontece. Por isto vocês voltarão a La Push como um casal, voltarão casados e isto é uma ordem. Farão todos pensar que é esta a razão da proteção que Jacob dará a você Sarah, ninguém poderá desconfiar que isto não é verdade. E assim será!
_ O QUÊ? – Gritaram Jacob e Sarah juntos. Imediatamente os dois começaram a falar juntos, nervosos, andando de um lado a outro, espantados…
_ Não Quendra, isto não faz sentido, eu posso me proteger sozinha caramba!
_ Casados por quê? Pra que isto? Eu posso mandar prende-la em um castelo e fazer rondas com a matilha em volta. Sem casar… isto é… Airrrr! – ele exclamou ao topar com tudo em Sarah. Ela também olhou irada pra ele e depois virou-se pra Quendra: _ Viu só? Como você acha que alguém que nem olha por onde anda vai me proteger? E eu…
_ Chega! Vai ser assim pronto! – Quendra estava impaciente, o comportamento dos dois estava sendo infantil, ela não suportava isto. Aquela era a única forma que a Rainha encontrou pra atender o pedido de Lairon e Laura, mas sabia que não seria fácil que as coisas dessem certo. Mas seria bom se acontecesse. – Não tem o que explicar e tampouco o que discutir. Vão e se casem pelas leis dos homens, em igreja, como preferirem. Mas isto está resolvido!
Ela virou as costas e Koraíny a seguiu. Mas antes, em um ato ousado da parte dele, Jacob usou o argumento mais forte que tinha pra fugir daquela loucura. Mesmo que fosse de mentira ele não queria se casar, não podia conviver com a mulher que estava ao seu lado diariamente, ela o desorientava.
_ E se eu sofrer um imprinting? — Disse com voz fraca ao tentar contestar a ordem da elfo. Não queria usar este argumento, sempre teve horror que isto lhe acontecesse um dia. Mas usou. Quendra, contudo, sorriu com um esplendor que Jacob jamais presenciara aquela noite. Aproximou-se dele, terna e lhe disse:
_ Ah Jacob… esta magia é inexplicável até mesmo pra nós, ela surgiu de vocês, veio da evolução da magia de vocês! Se há algo que não podemos explicar é o amor. Ele é mais imponente do que qualquer coisa do universo, seu poder é incontestável. É uma pena que você não acredite nisto – Ela colocou a mão macia no peito nu do rapaz, no coração que bombeava o sangue pelo corpo dele, mas que estava distante do amor – Mas não se foge da força que ele possuí Jacob, não se foge… Deus queira que um dia vocês dois compreendam isto.
Ela voltou a se afastar, olhando de Sarah para Jacob – Quanto ao imprinting, talvez você descubra que o que está reservado a você seja mais forte até mesmo do que esta bela magia do seu povo. – Ela fechou as belas pestanas azuis e sorriu uma vez mais – Sim, mais forte, basta apenas se permitir… — Seus olhos focaram nos olhos dos dois novamente – Quando, e se, algum de vocês, ou os dois amarem, estarão livres de minha ordem. Livres pra fazer o que desejarem… livres…
Assim ela e Koraíny simplesmente desapareceram, misteriosos como sempre foram, deixando pra trás duas pessoas confusas, temerosas e raivosas com o curso que suas vidas tomaram. Sarah respirou fundo, resignando-se, disse:
_ Sugiro Las Vegas, será mais rápido e indolor. – Ela olhou para as densas órbitas negras de Jacob – E arrume algo pra vestir que eu não vou andar com você assim por aí!
Ele bufou e de um salto voltou a ser lobo, tentando disfarçar o absurdo desconforto que sentiu ao se dar conta de sua nudez. Desde quando ele sentia vergonha por estar nu diante de uma mulher? Elas que deveriam ficar desorientadas. Ele não queria admitir, mas também lhe incomodou o fato de Sarah aparentemente não ligar pra aquilo. Saiu em disparada rumo à cidade, com Sarah irritada em seu enlaço. Não demorou ela o ultrapassou, soltando uma gargalhada que o deixou furioso – Te encontro lá lobo tartaruga, e vá bem vestido, noivo! – completou irônica. Pelo menos teria uma diversão nas horas vagas: irritar o lobo prepotente e durão…
Notas finais
Esta parte é um tantin
ho engraçada! Tem muitassss coisas aí, mas o mais marcante é "a ordem" da rainha... Bom, na vdd, a história entre os dois começa aí, e este casal juntos vai ser... no mínimo intenso! É, eu prometo isto: momentos de intensidade!
Vou postar mais rápido o outro capítulo, PROMETO!
Mas, não desistam de mim, okay! Comentem, comentem, comentem!
E se gostarem, somente se gostaram, que tal recomendar? Assim outras pessoas podem "testar" a fic! kkkk
Eu agradeço por TUDO!!
Bjs, bjs!
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