Notas iniciais
Mais um capítulo flores!!!! Amei os comentários!!! E de pouquinho vem aparecendo leitoras novas! Hj eu gostaria de agradecer todos os comentários da Leona, Rafa Moreira, Taisa, Mary Pink, bell lima, Thatah Franco, Binhablack, Arícia Black, Julia Koppe, Pri, amando, VanBlack, Lissa Black... aguardo vcs nos próximos comentários!
E eis a pergunta: terei mais?
Bora ler agoraaaa....

“Ela encanta ao dançar
Surpreende ao filosofar
Ela é arte por toda parte
Ela é a chuva e o fogo que arde.
Ela é mesmo assim
Um vento, um poder
uma mulher que dança
Uma mulher difícil de esquecer.

Uma feiticeira a me desorientar,

A ruir minha muralha…”

Sarah saia exausta de mais uma tensa cirurgia. Esta lhe custara toda a manhã, foram mais de cinco horas tentando retirar, sem causar muitos danos, uma bala alojada em uma delicada área do cérebro de um garoto de nove anos. Ele fora atingido em um assalto a um supermercado próximo a sua casa. O inocente teria sua vida alterada pra sempre, simplesmente por brincar na calçada errada, na hora errada.

_ Você foi brilhante mais uma vez Drª. Tein… digo, Drª Black! – Victor ia lhe dizendo, sério, vendo o semblante exaurido da bela companheira de trabalho ao seu lado. Ela bufou levemente, o “Drª Black” lhe incomodava profundamente. Há dois meses fizera seu casamento fajuto com aquele “ser”, como ela se referia a Jacob em pensamento, e não tinha se acostumado nem um pouco com isto. Era bom demais viver sozinha. Victor continuou tagarelando – Eu realmente não acreditava que pudéssemos salvar o garoto. A bala estava em um local realmente delicado, pensei que o perderíamos. Masss... você simplesmente foi demais, conseguiu extrair a bala sem fazer com que o paciente perdesse massa encefálica. Eu não sei de onde você tirou tanta habilidade!

Sarah olhou pra Victor Brandt balançando a cabeça negativamente. Ela sempre ficava abismada com a forma que ele via uma cirurgia como uma performance artística – O trabalho não foi só meu e sim da equipe. Além do mais, ele não morreu, mas terá sérias seqüelas. Você sabe disto Dr. Brandt! – Sarah disse séria, mas com uma voz controlada, profissional.

Desta vez o médico deixou a empolgação de lado e abaixou a cabeça. Aquilo era verdade e não havia como lamentar, o menino tão saudável provavelmente não sairia mais da cama. Sarah continuou andando a passos firmes até seu consultório, na ala sul do grandioso Hospital Georgetown Center, com Victor em seu enlaço. Assim que adentraram no ambiente moderno e requintado que era a sala da Drª Black, eles se sentaram um de frente para o outro, com uma mesa branca entre os dois.

_ Então hoje é seu último dia? – Victor estava cansado de saber que aquela seria a última vez que Sarah clinicava no hospital, mas perguntava como se tivesse esperança de que ela dissesse que não, que iria ficar. Ele tinha um semblante pesaroso, olhava fixamente o anelar esquerdo de Sarah, com a bela aliança de ouro. Se ela tivesse lhe dado uma única chance, uma única que fosse depois do mal entendido que tiveram, ele poderia ser o marido dela e não outro qualquer, que ninguém conhecia.

Sarah percebeu o olhar fixo de Victor e escondeu a mão embaixo de sua mesa. O anel que tanto lhe incomodava passara a pesar duas toneladas. Ela suspirou e tratou de responder o médico – Sim hoje é meu último dia. Só estou aqui pra checar se esta tudo bem com os pacientes que passei para os outros da equipe e organizar alguma papelada com a diretoria do Hospital. Eu só fiz aquela cirurgia porque se tratava de uma emergência, mas é bom que você se acostume com isto doutor, porque será você quem vai assumir meu posto neste hospital.

_ Rá, mas nunca vou chegar a sua altura, você sabe – Sarah não gostava quando ele olhava pra ela daquele jeito. Maldita hora que deixara ele beijá-la, o cara virou uma sarna atrás dela. Fazia dois anos e ele só desistiu quando a viu com a aliança. “Pelo menos pra isto prestou este casamento!”, pensou.

Não que Victor fosse mal, ou feio. Muito pelo contrário, ele era um profissional excelente, nunca misturara as coisas, era cavalheiro, tinha boa índole, e era sim, muito bonito. O oposto de seu “marido”, Victor era loiro de olhos azuis, descendente de alemães. Mas o problema não era com ele e sim com ela. Na única vez que resolveu tentar se envolver com alguém, o cara resolveu passar dos limites, não se satisfazendo com um simples beijo. Ela tentou corresponder, sabia que era natural aquela reação por parte de Victor, mas não pode. Sentira nojo, travou, não ousando tentar algo parecido desde então.

Sarah soltou outro suspiro e rebateu – Você tem cinco anos a mais de carreira do que eu Victor!

_ Não seja tão modesta. Você é simplesmente a cirurgiã chefe da maior equipe de neurocirurgia de Washington. Preste atenção, não é deste hospital, mas da cidade inteira, a sede do governo dos E.U.A! Se alguém consegue isto em sete anos de medicina é porque é no mínimo, eu disse no mínimo, talentosa. Talento e dedicação juntos então resultam nisto que está a minha frente. – Victor apontou as mãos pra ela como se mostrasse uma beldade – A melhor neurocirurgiã que eu já vi!

Apesar dela achar tudo aquilo um exagero, o médico estava certo. Logo em sua residência, naquele mesmo hospital, Sarah se destacara na especialidade que resolvera escolher: neurologia. Foi a mais jovem médica a assumir uma cirurgia de grande porte quando o neurocirurgião responsável não pode comparecer a tempo. Segundo a equipe médica que acompanhou a primeira cirurgia neurológica de Sarah, ela se saíra melhor que o cirurgião chefe daquela época. E ele tinha vinte anos de carreira. Logo ela alcançou o posto que ocupava e o mantia com extrema competência.

_ Nós vamos ter uma perca e tanto, não só a equipe, mas os pacientes. Bom os pacientes simplesmente te adoram e o fato de eu assumir o seu lugar não vai deixá-los nada contentes, disso eu tenho certeza, principalmente os de sexo masculino, se é que me entende! – Victor riu ao ver a expressão de desconforto da morena. Mas mesmo sendo conhecida por sua seriedade, Sarah se deixou rir.

_ Estarei a um telefonema de distância para o que precisarem. Não me perderão completamente, este é o lugar que nasci e cresci como médica, não vou me esquecer disto.

_ Que bom, porque eu vou ligar se eu encontrar um caso além da minha capacidade, pra pedir socorro! Então até mais ver Sarah e boa sorte nesta nova vida, eu desejo sinceramente que seja feliz.

_ Obrigada Victor eu…

_ Dr. Brandt, atenção Dr. Brandt: comparecer ao setor C com urgência… ­- A voz que soava em todos os cantos do hospital fez Victor sorrir e fazer um gesto de “o dever me chama” para Sarah e sair rumo aos corredores. Ele não a abraçou ou deu um beijo no rosto de despedida, pois sabia que Sarah não gostava muito disto, principalmente ali, no Hospital.

Assim que a porta de seu consultório foi fechada, Sarah recostou a cabeça na bela poltrona de couro que estava sentada e pôs os pés encima da mesa, fechando os olhos logo em seguida. Foi inevitável que a imagem de seu adorado marido não preenchesse sua mente. Lembrou-se do dia que se casaram… um dia nada romântico, mas sem dúvida inesquecível. Fora o dia que ambos chamaram de “sacrifício”.

# Flash Back on #

Ela já estava cansada de esperar em frente aquela maldita capela 24 horas de Las Vegas. Já eram oito horas da manhã e nada do santo homem aparecer. Será que ele não sabia seguir o rastro que ela teve o cuidado de deixar? Será que fugiu da ordem dos elfos? “Idiota, Quendra te acha até no inferno pra fazer o que ela quer! Infelizmente!”. Ela já tinha pego roupas em uma loja que arrombou — deixando cuidadosamente um dinheiro que havia sacado no balcão -, tomado banho no banheiro de um hotel vagabundo e ido pra bendita capela que tinha um enorme letreiro: “O Santuário do Amor”.

_ Quanta originalidade! – ela pensou alto, andando de um lado para o outro.

_ Também acho! – ela ouviu o sussurro dele mesmo a uns bons metros de distância. O lerdo vinha caminhando igual uma tartaruga, parecendo contar os passos, fixando um olhar duro na moça que o esperava de braços cruzados. Se ele achava que metia medo nela estava muito enganado, pois ela sustentava o olhar com igual firmeza.

_ Até que enfim! Nunca vi alguém que aprecie prolongar torturas! – ela disse com voz também baixa enquanto ele se aproximava. No rosto dela havia um sorriso de escárnio, que, ainda assim, não deixava de ser belo. “Bom, pelo menos ele está bem vestido, ainda que com esta piadinha”. Ela pensou observando as belas roupas pretas do rapaz, sérias, clássicas. Parecia q ue ele se dirigia a um velório e não a um casamento.

_ Estava cuidando de um detalhe muito importante para o nosso teatrinho amada – Ironia! Parecia que este adjetivo ia fazer parte constantemente das conversas entre os dois. – Toma! – Ele disse, jogando uma caixinha de veludo preta quando ainda estava a dois metros de distância. Sarah a pegou sem esforço algum e quando abriu se deparou com duas alianças de ouro. Ela pegou a menor e colocou no dedo. Não ficou certinha, um pouquinho larga, mas não chegava a sair do dedo.

_ Assaltou uma joalheria é? Até que dá pro gasto! – Ela disse se virando e entrando na igrejinha. Já havia combinado os pormenores com o cerimonialista, que achou absolutamente estranha a frieza da noiva. Jacob a seguiu, ainda com passos lentos, dizendo sarcástico:

– Calma amor, o noivo costuma entrar antes da noiva até onde eu sei!

Ela rolou os olhos e continuou andando. No pequenino altar cheio de enfeites de corações, havia duas testemunhas que Sarah pegara na rua e pagara um bom dinheiro pra estar ali. O casal sisudo se posicionou no altar, distantes um do outro, e olharam furiosamente para o pastor encarregado da cerimônia. O coitado chegou a se encolher, sentia-se em um paredão de fuzilamento.

Sarah batia o pé ritmadamente enquanto palavras que ela não ouvia eram ditas. Jacob olhava para o teto, as mãos no bolso amaldiçoando sua sorte. Os dois só chegaram a se tocar no momento da troca das alianças. Jacob tirou e colocou de volta a aliança de Sarah, com muita rudeza, enquanto Sarah colocou a aliança no dedo dele suavemente, levando a mão do moço aos lábios em seguida. Porém, ao invés de beijar os dedos do rapaz, ela deu uma dolorosa mordida, arrancando sangue e um chingamento baixo de Jacob. O pastor quase teve um ataque cardíaco de tanto que sua pulsação acelerou de espanto. Gaguejando ele declarou ao casal mais estranho que já vira:

_ E.. eu... vos declaro ma..marido e mulher!

Os dois bufaram, fazendo uma cara de zanga, viraram as costas saindo apressados pelo corredor. Mas ao chegar a porta, um homem, alto, belo e loiro, lhes barrava a passagem. Sarah o reconheceu imediatamente: Koraíny em forma humana. Ela sabia que eles iam checar!

_ Falta uma coisa muito importante pra selar o compromisso…

_ Quem é você? – Jacob interrompeu bruscamente. Mas não precisou de resposta, o homem fixou os característicos olhos castanhos nos negros e deu um sorriso magnífico, chegou a ofuscar os olhos aguçados do rapaz. Era um elfo!

_ Como eu ia dizendo, Jacob e Sarah Black, falta o beijo pra selar o compromisso. Casamento humano sem beijo no final não é casamento! – O elfo dizia com semblante divertido. Sarah o fuzilou com os olhos. Naquele momento, se ela não o respeitasse e não soubesse que ele era muito mais poderoso que ela, tinha saltado em sua garganta.

_ Ai que engraçado! – Jacob disse com voz monótona, tentando contornar o elfo. Mas este o segurara firmemente e o arrastou pra perto de Sarah sem dificuldade alguma. Os olhos de Koraíny ficaram mais sombrios e ele disse, com voz tão baixa que só a audição aguçada dos presentes pode captar:

_ Eu não estou brincando. Sem beijo não há casamento! E afinal vocês vão ter que fazer muito melhor do que isto pra convencer as outras pessoas de que este casamento é real e não por o segredo sobre Sarah e nós em risco! Vamos, estou esperando!

Sarah e Jacob engoliram em seco. Aquilo já era demais! Jacob, pela primeira vez em sua vida estava com receio de beijar uma mulher e Sarah não tinhas boas experiências quanto a isto. Muito, mas muito lentamente, eles se viraram um de frente para o outro. Sarah observou a boca carnuda do lobo prepotente e voltou a engolir em seco, fechando os olhos e trincando o maxilar. Jacob se virou para o elfo e perguntou: _ É mesmo necessário?

Koraíny sorriu com diversão outra vez e afirmou com a cabeça. – É pra vocês irem se acostumando, casais costumam se beijar de vez em quando em público. – Ele riu, mas Jacob estava desconfortável demais pra pensar em dar um soco nele. Ele se virou novamente para a moça, dava pra escutar os dentes dela ranger. Tamanho era o nervosismo de Sarah que ela deixou que um pouco de seu cheiro se desprendesse dela. O cheiro perturbador, ainda que suave, fez os batimentos de Jacob acelerarem, ele não conseguiu refrear o instinto de inalar o ar. “Maldita feiticeira!”, ele pensava.

Sarah abriu os olhos, encarando os de Jacob a sua frente, ele deu um passo em sua direção ao mesmo tempo que o estômago dela um salto. Outro passo, lento demais… Ele passou a olhar o movimento que a moça fez pra umedecer os lábios ressequidos com a língua. O calor dele já chegava ao corpo dela, ela não agüentava mais aquilo, ia dizer raivosa:

_ Acabe logo com is… — Mas ela começou a falar bem quando Jacob resolvera fazer o movimento final. O rapaz acabou por pegar a boca da moça aberta. Com isto, não foram só as bocas macias e quentes que se encaixaram rapidamente, mas as línguas também se roçaram e isto não estava nos planos de nenhum dos dois. Como se tivessem levado uma descarga elétrica os dois saltaram pra traz, Sarah sentia as bochechas tão quentes quanto os lábios que a tocaram. Jacob tentava não degustar o novo sabor que tinha em sua boca. Era tão perturbador e demoníaco quanto o cheiro que ela exalava. “Ela é uma bruxa, ela é uma bruxa maldita…”, ele repetia em pensamento.

Koraíny ainda tinha uma expressão divertida ao observar a cena. Os dois protagonistas estavam quase de costas um para o outro agora, com olhares duros, mas visivelmente alterados. – Interessante isto! – Disse baixo Koraíny, aguçando o olhar para os dois. – Bom, acho que por enquanto está bom. – Disse em voz mais alta, chamando a atenção dos dois carrancudos.

_ Como assim por enquanto? – Jacob perguntou com a voz mais rouca e insegura que o normal – Você não está querendo dizer que nós também vamos ter que… que…dormir... eu e ela… bem você sabe! – Jacob disse isto fazendo um gesto sugestivo entre ele e a morena. Mas assim que ela se deu conta do que ele quis dizer, seu coração se tornou uma metralhadora. Ela arregalou os olhos e disse com o que parecia ser revolta e aversão na voz:

_ Não!

Jacob se assustou com aquilo. Em um décimo de segundo Koraíny já estava perto de Sarah, abraçando seu corpo rígido e inerte, sussurrando-lhe ao ouvido: — Nunca, nunca te obrigaríamos a isto meu anjo, nunca! Só você pode escolher isto. Só você pode tomar esta decisão, entendeu?

Era impressão de Jacob ou havia sofrimento na voz do elfo? Sarah recobrou o controle rapidamente, se afastando de Koraíny e olhando pra Jacob. Falou-lhe de forma fria, sem demonstrar emoção alguma:

_ Temos que acertar as coisas práticas. As cortinas se abriram, a encenação vai começar.

# Flash Back off #

Dois meses haviam se passado e eles nem se falavam direito. Muito a contragosto ele estava hospedado no apartamento da moça em Washington, esperando que ela organizasse suas coisas no hospital para partirem pra La Push. Ela muito protestou para sair de Washington e abandonar sua preciosa rotina no Hospital Georgetown Center, mas Quendra fora mais uma vez incisiva ao exigir que ela ficasse junto da matilha dos lobos quileutes. A moça, porém, pediu o favor de os elfos ajudassem-na a arrumar um bom lugar pra viver em La Push, de preferência sem vizinhos, para que não tivesse que encenar o tempo todo. Assim que Quendra permitiu, os elfos construíram rapidamente uma casa com todas as minuciosas especificações da médica, que comprou pessoalmente todos os adereços e mobília da casa. Ela gostava de conforto e elegância, era um luxo que se permitia.

Ela deixou tais pensamentos de lado, e depois de fazer um rápido almoço, foi dar a sua última ronda pelo hospital, se despedindo dos pacientes. Entre os companheiros de trabalho Sarah não era dada a muitas afetividades. Era sempre educada, sempre mantia o controle de toda uma equipe em situações de tensão, dava orientações precisas e valiosas a quem lhe pedisse, mas era só. Nada de sair depois do plantão em grupos, ir a festas, dormir no mesmo hotel em congressos de medicina que iam em grupo, nada. Ainda assim, era muito admirada por todos. É claro, algumas médicas e enfermeiras tinham inveja da talentosa, linda e jovem médica, mas não podiam deixar de respeitá-la. Isto se devia principalmente pela maneira com que ela cuidava dos pacientes.

Para eles ela era carinhosa e dedicada. Muitos que podiam falar, conversavam por um bom tempo com a doutora, que lhes ouvia atenciosamente, falando sobre assuntos leves, acalmando a estada nada agradável em um hospital. Ela tinha a habilidade de falar o real estado de um paciente, ainda que fosse grave, sem deixá-los em pânico. Eles confiavam nela! E foi isto que ela fez durante aquelas ultimas visitações: conversou com todos, por quanto tempo eles sentiram necessidade. Os pais e enfermeiros da ala do hospital que atendia pacientes com déficits motores e/ou cognitivo mental ficaram impressionados mais uma vez: ela tratara os pacientes gravemente debilitados com o mesmo cuidado que tratava qualquer um dos seus pacientes, falassem eles ou não, andassem ou não. Assim, ela acabara por sair do hospital a meia noite, indo direto para a sua cobertura no coração de Washington, logo na avenida mais movimentada. Ela também ia se despedir da casa que morava há seis anos.

_ Boa noite Josh – ela disse cordialmente assim que passou pelo porteiro da noite. O simpático senhor lhe deu um aceno de cabeça, sorrindo. O porteiro do turno da madrugada era o que ela mais encontrava ao chegar do hospital.

_ Doutora, o Sr. Black ainda não chegou da viagem de Seattle, mas ele disse que vai estar aqui pela manhã pra vocês seguirem viagem.

Sarah ergueu as belas sobrancelhas: — E ele mandou me avisar isto? – Ela perguntou descrente. Ele lhe dando satisfações?

_ Bom, sim senhora. – Josh lhe disse um tanto desconfortável. Ela já suspeitava: Josh era educado, mas ela duvidava que o Black tenha sido.

– Pode dizer o que ele disse exatamente Josh.

_ Bom, Doutora, é que, bom ele disse que, ele disse…

_ Diga exatamente o que ele disse, só reproduza, está bem?

_ Sim. Bom, ele disse: “Diga a ela que eu vou voltar amanhã de manhã e não vou esperar mais nenhum dia pra voltar pra La Push! E diga também que é bom que ela não me enrole!”.

Sarah inclinou a cabeça pra trás e simplesmente riu por ver o porteiro tentar imitar o jeito arrogante de seu “estimado marido”.

_ Ai, ai! Certo, obrigada pelo recado Josh. Foi divertido! – Ela saiu rumo ao elevador soltando o nó que prendia seus próprios cabelos, rindo ainda mais ao ouvir o sussurro indignado do porteiro: “Ele não merecia ela!”

Ao chegar ao seu apartamento se deparou com uma elfo toda sorridente sentada em seu sofá.

_ Niadhi o que você está fazendo aqui?

Sarah mal percebeu o movimento do levantar da criatura e ela já estava em sua frente, abraçando-a, com o “Cumprimento dos humanos!”, era o que a meiga elfo sempre dizia. Para Sarah, Niadhi era a mais fofa dos elfos que conhecia, ela sempre associava-a a um bichinho de pelúcia de 1,80 m. Era a que mais se fascinava com coisas humanas e a que mais se empolgou no projeto de construção veloz de uma morada humana.

_ Vim dizer que a casa ficou absolutamente digna de um bom humano! – Sarah não podia deixar de rir daquilo, pois esse era o jeito de Niadhi dizer que a casa ficara linda, espetacular, enfim, um grandioso elogio. – Nós já transferimos todas as coisas úteis da casa do Jacob pra lá e ninguém percebeu. Vocês já podem se mudar! Um belo lar!

_ Obrigada Niadhi, diga a todos os outros que me desculpem também por ter metido vocês nesta coisa toda. Mas foi a rainha de vocês que começou com isto então…

_ Foi maravilhoso, nenhum de nós tinha construído uma casa humana antes, com materiais de humanos, mas acho que nos saímos bem! Bom, é bem mais empolgante atender este seu pedido, do que na época que eu tinha que matar aqueles vampiros pra te defender, sabe quando você não controlava seu cheiro? – A elfo disse aquilo com a mesma cara fofa, mas Sarah sabia muito bem que ela podia ser letal quando necessário.

_ Ok, ok! Eu acredito nisto. Quero só ver no que deu. Amanhã nós mudamos, que dizer, hoje. – Sarah disse olhando o relógio.

_ Era só isso. Tenho que ir anjo, sai sem avisar Quendra. Em nossas preces pedimos que vocês fossem felizes naquela casa, acho que foi a diferença entre construtores elfos e construtores humanos.

_ Acho meio difícil isto, mas quem sabe as coisas fiquem ao menos suportáveis não é? – Niadhi sorriu, balançando a cabeça. Deu um beijo terno na testa de Sarah e desapareceu logo depois. Sarah suspirou e, antes de começar a se preparar pra dormir, disse pra si mesma:

_É, nova vida! Vou precisar de suas orações elfos!

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Ela acordara no dia seguinte às sete da manhã, sem nada pra fazer, sem hospital pra ir, sem cirurgia marcada, nada. Só esperar pelo marido, coisa que ela jamais imaginou que fosse fazer. Levantou com raiva da cama, desejando que toda aquela história fosse um pesadelo. Mas não era! Ficou zanzando pela casa como uma barata tonta até decidir o que faria para passar o tempo. Dançar! Sim, dançar era sempre a melhor coisa pra fazer quando ela estava tensa ou raivosa. Na dança ela se entregava como não fazia em coisa alguma. Deixava o seu corpo se conectar com as músicas minuciosamente selecionadas e sentia em cada movimento a emoção que o som pedia.

Ela sempre dançava sozinha, o que era uma lástima para os possíveis expectadores, pois dificilmente haveria alguém que dançasse com tanta paixão, intensidade e precisão divina de movimentos como ela. O ritual de entrega já se iniciava quando ela começava a se preparar para dançar: uma saia leve e curta por cima do collant que aderia a sua pele, desenhando suas belas formas; as sapatilhas; o cabelo preso em um coque firme. Fazia os alongamentos como uma preliminar do que viria. Havia sutileza enquanto ela exigia o máximo da sua já excelente flexibilidade, sua expressão acompanhava a delicadeza da iniciação, tornara-se angelical. Ela já havia permitido que seu coração aflorasse a pele naquele momento. Colocara a sua seleção preferida de músicas: começava com as mais calmas, mais melancólicas e gradualmente passava para aquelas mais intensas, explosivas.

Ela dançou ininterruptamente por quatro horas. Magnífica, Sarah escrevia poesias com o corpo, alongando-se, contraindo-se, rodopiando, se jogava ao vento com confiança e aterrissava ao chão com a leveza de uma pluma. Ela tocava a música com os membros, seus movimentos se tornavam sons. Sua coluna parecia borracha, látex, seda quando curvava-se, encaixava-se, projetava-se. Suas expressões, ah!… estas eram a força dos sentimentos que ela guardava dentro de si, seus olhos carregavam as nuances das emoções: ora suaves, ora melancólicos, ora lascivos, luxuriosos. Por vezes surgia um sol em cada um de seus olhos ou então uma lua de ouro.

Era tão intensa quando dançava, se entregava tanto ao frenesi que começava ao primeiro movimento, um vício sagrado, que o corpo tão resistente protelava, cansava-se. Ela sentia que já tinha a respiração mais acelerada, forte, suor começava a brotar na pele, conferindo-lhe um brilho especial, o coração acompanhava o ritmo da música, que se tornara angustiante de tão expressiva. Era a última música (http://www.kboing.com.br/yann-tiersen/1-85247/#), e caminhava para seu fim, para um cume arrebatador. A morena apertava as mãos no peito enquanto rodopiava veloz, seus olhos chegaram a se apertar, seu corpo começara a tremer, ansiando pelo acorde final.

Tão entregue ela estava que não percebia os cabelos se desprenderem do coque, batendo-lhe no rosto com os movimentos que fazia. Tão entregue, que não percebia os olhos negros fixos em cada movimento que ela fazia. Aquela música sempre fazia isto com ela, chegava naquele momento ela sempre, sempre sentia que subia ao céu sentindo o calor do inferno.

Acabou! Ela se jogou no chão esparramando os cabelos castanhos em volta de sua cabeça e pelo seu rosto em uma desordem gloriosa. Sarah estendeu os braços acima da cabeça e sorriu olimpicamente, arqueando a coluna, em um êxtase supremo que seu corpo sempre pedia, mas que ela só se permitia sentir ali, na dança. Aquela postura da morena seria digna de ser eternizada em uma obra de arte.

Ainda sorrindo, feliz com a súbita fraqueza que sentia, ela abriu os olhos ainda turvos, virando a cabeça para o lado… foi inevitável seus olhos não se prenderem na intensidade das órbitas negras de Jacob, que a observava rígido na porta do salão de dança da cobertura…

Notas finais
N/A: Olha o poder da bailarina..... Bom girls, o linkisinho da música que eu coloquei lá em cima, não sei se vcs vão gostar, mas eu escrevi ouvindo ela então resolvi colocar. Ah... no próximo vamos conferir a reação hamm, digamos, reação interna de Jacob com esta dança intensa..uuuul! Eu simplesmente amo vossos comentário flores... Neste site, com tantasssssss fic's, é dificil trilhar nosso caminho... agente acaba perdida no meio de tudo...
Por isto, conto com vcs que gostaram da fic pra divulgar beleza?
Mutio brigadinha. Bjs, inté o próximo