The Precious Blood

57 A MORTE DE JACOB BLACK


Notas iniciais
Hey!!!! Oolha eu aqui!!!!

Bom, depois de um apoio incrível que eu recebi de vcs pelos comentários, e de TRÊS recomendações EM UM DIA, eu finalmente consegui escrever o capítulo!!!!
(Digam "aleluia Déh!")
kkkkkkk....
Porém aviso:
1º>> este cap saiu aos trancos e barrancos e não é como se eu tivesse completamente segura sobre ele... então me perdoem qualquer coisa... sácomé? Espero não decepcionar depois de tanta espera!

2º>> Eu repeti o poema da epígrafe, pq acredito que agora vocês poderão ler com outros olhos e compreender melhor "as entrelinhas"!!!

3º >> gente, minha vida está o CAOS, por isto não consigui mesmoooo responder todos os comentários, mas eu leio e NECESSITO de cada um deles! Certo??

ESPECIAL: Agradeço a Lucynda, a Maah Cardeal e a Babiziinhaah pelas recomendações e enorme carinho que demonstraram com isto!

Dedico este capítulo a todos os que me apoiam, incentivam e sempre comentam! Adoro vcs!! ♥

Bora ler??


“Morre agora, morre

E descobrirás que não morrerás

Morre no amor e quando estiveres morto,

nova vida receberás,

Novo sangue lhe correrá pelas veias.


Morre, deixa a fragilidade de tua alma carnal esvaecer-se:

Ela é a grade, tu o prisioneiro.


Morre diante da bela e imponderável rainha,

E quando morto estiveres ante tal majestade

Hás de tornar-te insigne senhor.


E aquilo que pensam ser a tua morte,

Será o início de tudo.

Da majestade verdadeira é que se regeneram os mortos.


Aguarde o silêncio da morte,

Em nome da vida...”



40 dias atrás...

Tudo o que sentia era dor. Seu sangue parecia ser composto por estilhaços de vidro e rasgavam seu interior conforme corria penosamente por suas veias. Jacob olhava perdido para o nada, mas seus olhos pareciam cegos, a dor tomava conta de tudo, inclusive de seus sentidos.

Respirar era penoso, sentia as feridas abertas protestarem mais e mais cada vez que seu peito se movia em busca de ar. Seria tão melhor que ele não precisasse se mover. Jamais havia sentido dor igual, aquela tortura que o fazia esquecer de tudo o que era, de tudo que acontecia, de tudo que tinha. Nada mais possuía sua mente além da dor.

Talvez houvesse alguém ao seu lado, alguém que lhe dizia qualquer coisa. Talvez houvesse muitas pessoas ao seu redor. Nem ao menos sabia se alguém lhe tocava, se alguém fazia algo. Nada perecia livrá-lo da agonia. Sua garganta se fechava, sentia o sangue de seu corpo tentando escapar de si.

Passou a sentir frio. Uma sensação que há tanto tempo não tinha, que havia se esquecido do quanto poderia ser incomodo. Queria ter forças pra se curvar diante daquelas sensações, queria ter forças para gritar ou chorar, mas parecia fraco demais pra isto. O pior sofrimento físico lhe era imposto e ele nem ao menos podia reagir a ele.

Em algum momento de tudo isto, um rosto surgiu em sua frente, uma imagem que ainda que distorcida por sua visão lhe causou conforto. Uma mulher. Era apenas isto que podia definir com seus sentidos tão deturpados.

“Sarah”. Algo gritou no fundo da sua mente. Era importante que ela não sofresse, que ela estivesse protegida. De alguma forma Jacob sabia, apesar de toda a agonia, que precisava resistir. Resistir para estar com ela.

E ele tentou, mas descobriu que se sentia incapaz. Seu corpo não tinha mais força, era como se Jacob não tivesse mais controle sobre ele. Ele não suportaria lutar para se recuperar, porque não havia como. Deixou que seus olhos fechassem, passou a sentir a agonia na escuridão.

“Meu sangue vai lhe salvar, meu amor”. Aquela voz conseguiu ultrapassar a barreira de sua inconsciência e lhe chegar nítida aos ouvidos.

“Sarah!”

Jacob queria chamá-la, queria vê-la, tocá-la. Para isto bastava acordar… acordar…

Se forçou a isto, como se nadasse contra uma maré de concreto para despertar. Não conseguiu, não podia! Quanto mais se esforçava, mais torturante era a dor, o frio, o desespero causado pela escuridão. Até que por um momento, desistiu, cansado. E aconteceu… a dor diminuía, aos poucos o alívio lhe vinha, lhe desprendendo da agonia.

Aos poucos se sentia mais forte, leve, livre! Uma liberdade passou a tomar conta dele, a dor quase se esquecia.

“Não!”

Ele ouviu. Era a voz amada. Aquilo o desestabilizou por um momento.

“Não… Não vai!” A voz feminina repetiu. E a voz, somente aquela voz parecia ter uma força incrível, parecia ter braços a lhe puxar de volta do lugar onde ele ia sem ao menos se dar conta.

Jacob se concentrou naquela voz novamente, na força e importância que aquele pedido tinha.

Mas ao fazer isto voltou a sentir dor. E pior que isto: se sentia prisioneiro, fraco, submisso da dor. Era como se garras funestas agarrassem tudo o que ele era e conseguissem atingir sua essência, derrotando-o facilmente. Neste momento a consciência de Jacob despertou com outra voz, firme, poderosa, majestosa.

“Não se aprisione ao corpo, Jacob. Irá destruir-se e perder-se. Não podemos ajudá-lo se insistir.”

Esta voz lhe parecia mais nítida, clara e próxima. O que ela lhe dizia parecia ser o certo.

“Abandone o seu corpo. Você tem poder pra isto. Nós lhe concedemos poder pra isto.”

Jacob ainda procurou se ater a outra voz, procurava se concentrar no pedido lamentoso para que ficasse.

“…eu preciso de você… aqui!”

Ela dizia. Sarah dizia. Mas a voz dela não parecia ter a mesma força, quanto mais ele a buscava, tentando permanecer aonde estava, mais sentia que a perdia. Quanto mais tentava resistir, mais perto se sentia de sucumbir. Mas ele não podia simplesmente abandoná-la.

“Jacob, não se perca! Liberte-se do seu corpo agora! Agora!

A outra voz lhe disse grave, rígida. Parecia o certo. Era o certo. Ele precisava obedecer.

E então deixou-se ir, deixou-se fluir. E foi a coisa mais fácil que já fez. Repentinamente não havia mais dor, não havia mais cheiros, toques, desespero, agonia. Estava livre para ser inteiro. Só então Jacob criou a consciência que seu espírito era muito mais amplo do que aquilo que seu corpo podia abrigar. Só então descobriu o quanto se comprimia para viver naquele corpo humano.

Ele estava por toda a parte, fluía por todos os cantos e por todas as dimensões. Junto a si sentiu a presença nítida de outros espíritos, muitos outros. Juntos eles pareciam integrar-se. A força de um era a força de todos. Não tinha olhos, mas podia ver tudo, ouvir tudo. Bastava deixar-se ir.

Mas uma força considerável ainda lhe prendia a dimensão terrena: Sarah. Ele podia senti-la, vê-la. Mas Jacob a via não como um corpo. Sarah não era aquela mulher de cabelos escuros e longos, corpo delgado, olhos castanhos.

Jacob sequer se lembrava se ela era velha ou nova, se tinha manchas ou cicatrizes, se era alta ou baixa. Enquanto espírito, ele ao menos sabia que existia tais definições.

A partir daquele momento Sarah era a luz que resplandecia e lhe chamava para perto. Ela era uma força magnânima que lhe fazia orbitar ao redor de si, sua aura envolta em beleza descomunal, uma beleza que não era vista, mas sentida de todas as formas possíveis. Sublime e única. Sua alma era larga, igual e tão maior que ele. Para ele, aquela alma traduzia o eterno, o amor.

Porém ela ainda permanecia estática em um único plano, firmada no interior de uma vida terrena. Mas ainda assim, sua grandeza o impressionava, o enternecia e o chamava a se entrelaçar a ela, ficar com ela. Eram espíritos fadados a se somarem e tornarem-se um, e juntos resplandecerem em uma luz ainda mais brilhante, uma beleza inacreditavelmente mais pulsante e uma força imensurável. Uma união que estremecia as bases do mundo espiritual, o mundo que deveras existe e impera acima de todos os outros.

Era impossível que não estivessem juntos, porque sempre estiveram assim. Não havia um e depois o outro. Eram os dois criados como um desde o princípio, quando a grandeza Divina lhes concedeu a Graça da Criação. Almas que nasceram para ser par.

Diante daquilo, o espírito de Jacob moveu-se a transmitir a humana Sarah uma verdade absoluta:

“Estou em você… em você para sempre…”

– É preciso que venha, espírito guerreiro. É preciso que venha só.

Outros espíritos, lhe chamavam, no entanto. E Jacob, o chamado “espírito guerreiro”, sabia que ainda estava muito preso ao plano terreno, que precisava libertar-se um pouco mais. Porém um sentimento humano demais ainda o assolava: medo. Medo de perder o contato tão vital com o espírito que lhe completava.

Percebeu então que não era pra ser assim. Se estivesse realmente liberto, sentimentos humanos não iriam dominar suas vontades.

– És espírito guerreiro. Ainda o chamam por Jacob Black. Ainda tem um corpo terreno a pertencer-lhe. Mas está conosco agora e precisa vir. – Espíritos sussurravam incontestáveis. – Não estará deixando-a. Mas precisa vir. Precisa evoluir.

Jacob tentou, mas descobriu-se quase incapaz. O espírito de Sarah se trançou ao dele de tal forma que tornava impossível a dissociação. Então outras luzes se juntaram ao redor deles, aos poucos se infiltrando e separando minimamente o laço espiritual. Isto fez-se somente em parte, somente até Jacob poder ir um pouco mais além, onde pudesse estar mais perto daqueles que o chamavam.

Mas ainda que não estivessem completamente separados, Jacob percebeu a luz de Sarah minguar. Reconheceu aquilo como desespero humano. Sentimento de perca. Ela pensava que o perdia. No entanto, ele não podia voltar, não naquele momento, pois sabia que tinha que seguir em um outro caminho.

– Jacob Black. – A multidão de vozes lhe chamou novamente.

O espírito de Jacob ventou como espiral cortando céus atingindo um amplo espaço de sensações. Em seu caminho, o espírito do guerreiro quileute deparou-se com mais sentimentos humanos: tristeza, dor, aflição, pesar. Eram os sentimentos dos seus irmão quileutes, ainda tão ligados a ele. Tais sentimentos não o atingiam duramente, mas o fazia retroceder e fluir para perto daqueles que sofriam, transmitindo-lhe sua força.

Mas não pôde ficar muito. Logo teve que seguir seu caminho, até que pairasse em um vácuo claro, com os tantos espíritos que lhe chamavam orbitando ao redor de si, com suas luzes eb graça. Jacob ainda se sentia menor que eles, tal como sabia que lhes devia reverência.

– O último Alpha. Jacob Black. – As vozes eram como vento. Ora se faziam mansas, infiltravam-se por todas as arestas e se faziam sentir. Ora eram fortes, sacudiam as barreiras impostas e zumbiam sinistramente.

Jacob sabia que ali estavam seus ancestrais, seus irmãos antigos, aqueles que lhe abriram caminho. E ele sabia que um dia eles já haviam conversado com ele... mas neste dia, em sua juventude, quando renegou o imprinting no auge da sua fúria, negou também a graça concedida por aqueles que naquele momento o rodeava.

– Grande poder lhe foi dado. Grande poder tu ainda poderá ter… Merece-o? – Perguntaram.

E diante da pergunta, o espírito do Alpha se encolheu. Não sabia. O que havia feito para merecer seu poder?

– Diante do poder os fracos se tornam malignos. Já fostes muito fraco, Alpha Black. – Disseram acusadores, suas vozes com um timbre escuro, denso. Formaram um cerco ao redor de Jacob, o oprimindo ainda mais.

Imagens tomaram conta dos espaços outrora só ocupado pelas auras luminosas dos espíritos. Imagens de um corpo de homem e também de um corpo de lobo.

O espírito de Jacob viu passar diante de si todas as suas faltas, seus pecados, suas fraquezas humanas. Cada uma delas: quando, ainda menino, sentiu revolta por se tornar um lobo; quando desejou que sua vida acabasse ao perder o amor da humana Isabella; quando tentou matar a inocente criança Renesmee sem que ela nada tivesse lhe feito; quando proferiu maledicências aos espíritos e renegou o amor; quando virou as costas para pai, irmã, amigos, povo e seguiu em uma vida onde buscou somente riqueza efêmera e prazer carnal; quando desprezava sua matilha e não considerava os sentimentos de seus irmãos.

Jacob viu o rosto da humana que verdadeiramente amou… viu Sarah a chorar diante de uma traição e viu quando desprezou Mery, sua bela amante ruiva. As cenas dele se servindo do corpo da moça para ter prazer e depois, a escorraçando de sua vida, pairavam ao seu redor junto com todas as outras.

– Merece poder? Merece esta Graça? — A pergunta veio acusadora a sacudir o espírito de Jacob.

– Eu me arrependo. – Respondeu. Sua própria voz parecia muito ínfima e insignificante. Mas ele foi ouvido. Por um instante o silêncio pairou e as imagens de suas infâmias continuaram a ser exibidas por todos os cantos.

O silêncio então se fez muito mais esmagador do que a vozes altas e fortes dos espíritos a lhe acusar. Logo depois ele se sentiu invadido, sentia que lhe sondavam internamente.

– Arrepende-se? – Voltaram a questionar.

– Sim. – Afirmou.

Uma a uma, as cenas que lhe atormentavam, da mesma forma como iniciaram-se, foram desaparecendo. E cada uma que desaparecia, era um peso de que se livrava. E assim foi, até que nada mais restasse. Era como se nada nunca houvesse existido.

Os outros espíritos se afastaram, pararam de sondar sua essência. Depois de tudo aquilo, se sentia mais forte, mais limpo.

– Nunca se esqueça Jacob: O mais nobre ser é aquele que sabe se impor, mas também é aquele que não tem vergonha de se curvar diante daqueles que deve respeito. Sua sabedoria é a nossa sabedoria, sua força vem de nós. Jamais deve nos recusar. Nós lhe ensinaremos seguir pelo caminho certo, para os braços Daquele que nos criou.

Novamente o espírito de Jacob se encolheu. Não por temor e opressão, mas por reverência. Inclinava-se, cordato, sentindo-se limpo para fazê-lo, sentindo-se digno em estar diante deles, junto a eles.

– Seu poder é divino. Não lhe é concedido para enaltecer sua vaidade. Aqueles que tem poder devem sempre usá-los para cuidar. Muitas almas dependem de ti. A dignidade da vida de muitos depende de ti. Vieste até nós agora, Jacob, porque padeceu em sacrifício nobre. Mas daqui tu só sairá com poder maior, para fazer o bem e cuidar do seu povo… — Aquelas palavras ecoaram no espaço por algum tempo antes que os espíritos prosseguissem — … ou não sairá! Mas se aqui ficares, ficará só, sem nós e ninguém mais.

Jacob soube naquele momento que era posto a prova. Que ali estava o marco do sua existência. Ele teria que aprender o que quer que queriam lhe ensinar ou então só lhe restaria o vazio eterno. O nada. Nem dor e nem amor. Descobriu então, o quanto a eternidade poderia ser terrível.

– Não! – Disse, antes que pudesse se conter.

– Tens uma missão louvável, Jacob. Mas repetimos que aquilo que lhe é concedido não é para si. É para outros. Poderá ser chamado de rei. Mas saiba que seu reinado é, em verdade, servidão. Viverás pelo outro. Estás preparado?

Aquilo certamente abalaria profundamente qualquer espírito mais raso, inocente. Poderiam pensar que servir seria escravidão e não irem além disto. Ou então poderiam se prender a noção que vivendo pelo outro, como disseram os espíritos, não teriam existência própria. Mas Jacob já havia passado por muitas coisas.

Ali era confrontado e sabia que ele poderia escolher o oposto daquilo que lhe era proposto, poderia escolher viver somente para si. Mas se assim escolhesse, o que lhe restaria seria somente a si mesmo. Nada mais. E ele já descobriu, a duras penas, que ele por si só não se bastava. Ele precisava do pai, dos irmãos, da esposa para ser completo. Ele precisava do outro, estar com o outro para ser pleno. Ele não suportaria mais viver como viveu durante dez anos, amargurando e preso a uma solidão fria.

Viver pelo outro. Seu poder era para e pelo o outro. Sim. Ele entendia a profundidade que aquilo significava. Entendia, porque ele amava verdadeiramente. E por amar entendia que a felicidade estava não só em viver pelo outro, mas ter alguém por quem viver.

– Estou. – Respondeu finalmente. Realmente se sentia preparado para isto. Sentia que esta era a sua razão de viver.

Ao seu redor, as luzes brilharam ainda mais.

– Alpha Black. O que dizemos não é leviandade. Não é viver só por quem te ama, por quem te entende e te apóia. É viver pelo seu povo, proteger quem precisa e não pode se proteger sozinho. Ainda que não compreendam as atitudes que tomares, ainda que te amaldiçoem, te joguem pedras, que te dediquem ódio. Ainda assim não deverá deixá-los. Estás disposto a pegar na mão de alguém, que por ventura, poderá te esfaquear pelas costas ou lhe ferir a face?

Jacob se lembrou do rosto ensangüentado de Leah, dela encolhida e ferida por ele. Lembrou-se de como ele a odiou naquele momento por lhe dizer duras verdades. A frase que ela lhe disse naquele momento soou forte em seu interior:

“– Eu não te disse antes, mas agora eu digo: eu te amo amigo, volta, nós ainda te amamos... ainda sim… ainda amamos …”

Já haviam feito aquilo por ele. Não o abandonaram mesmo quando tudo o que ele fazia era ferir. E aquilo o havia salvo da miséria.

– Sim. – Novamente se sentiu preparado para responder. E era sincero. Ali ele não podia mentir, nem era possível. E cada resposta era respaldada em um entendimento muito profundo. Tudo ali era essência. E só.

E diante daquela ultima resposta, a magia final aconteceu. Um som forte eclodiu do nada, e era como um zumbido de vento em tempestade. As luzes dos outros espíritos rodopiaram ao redor do espírito de Jacob, como se ele repentinamente tivesse se tornado um centro. Uma ardência aos poucos tomava conta de seu intimo, as luzes a sua volta misturaram-se a sua, como se integrassem a ele. Se sentiu crescer, a ardência tímida tornou-se maior. Queimava.

_ Alpha guerreiro, seu poder é luz que escuridão alguma poderá apagar! – Disseram as vozes daqueles que não estavam mais ao seu redor, mas dentro dele.

Jacob soube então que os espíritos se doaram a ele, concedendo tudo o que foram, todo o poder que tinham a um único ser. Ele.

No vácuo claro daquela dimensão, o espírito engrandecido do guerreiro quileute tomou nova forma. A silhueta de uma fera imensa e bela se contornou aos poucos. Um lobo feito de luzes espirituais. O maior de todos, e sem sombra de dúvidas, o mais poderoso de todos.

O som do lugar passou a ser outro. Era um uivo profundo.

E então Jacob não só ouviu, como sentiu uma ordem suprema e direta. A voz do Ser Magnânimo soou clara para si.

_ Regresse. Viva. Cresceu em espírito, filho. Cresça agora como homem.

Foi como se um buraco negro se abrisse e lhe sugasse para baixo. Jacob despencou dimensões em uma velocidade incalculável. Despencou até que visse a imagem impressionante de seu próprio corpo, pálido e sem vida, deitado em uma cama conhecida, num quarto também conhecido. Era o quarto que ocupava em sua casa, antes de dormir junto com a esposa. Algumas pessoas o rodeavam, uns chorando, outros temerosos.

_ O que está acontecendo com ele? – Sua irmã, Rachel, perguntava. Jacob pairava ao redor deles, mas percebia que eles não o sentiam. Era como se não tivesse ligação com a dimensão em que eles estavam. Era como se estivesse… morto.

_ O sangue dela…é como se tivesse vida própria. Corre pelas veias e cura o corpo mesmo com o coração parado. É… incrível. – Um vampiro estava ao lado dele. Mais precisamente, Carlisle Cullen.

_ É como acontece com os vampiros? O sangue está correndo pelas veias mesmo com ele morto? O veneno daquela coisa fez isto com ele? – Leah perguntou.

_ Não. Não é isto. Eu examinei o sangue de Jacob. Não há veneno nele. Só há o sangue dele, limpo, e o de Sarah, que se mistura ao dele em velocidade impressionante. O sangue dela tem vida própria e é ele que está curando o corpo de Jacob. – Carlisle disse, parecendo fascinado.

_ Eu não quero saber do sangue dela! Não quero só o corpo de Jake sem ferimentos! Quero mais do que isto! Eu quero o meu irmão vivo! Rachel gritou, histérica, sendo segura por Paul para não avançar em Carlisle.

_ Acalme-se Rachel! – A voz de Billy soou firme, interrompendo a histeria da filha de forma imediata. Tal como a sua voz, a expressão do velho Billy estava firme e segura. – Meu filho não está morto e não vai se transformar em coisa alguma! Eu sei. Eu sei! Jacob se tornou um espírito guerreiro, como no princípio da nossa linhagem. Ele está vivo, mas seu espírito está longe do corpo agora.

Jacob fluiu pra perto do pai, a certeza do velho o chamou a se aproximar. Sentiu então uma breve conexão com a dimensão terrena quando Billy sorriu. O pai havia sentido a presença do espírito do filho.

Dois dias foi o tempo que Jacob permaneceu longe daquele mundo. Em meio a isto, já haviam chorado sua morte e o teriam velado se Renesmee não tivesse percebido que algo acontecia no corpo aparentemente morto do Alpha.

Nessie, tal como Milla, quase foram mortas sumariamente pelos lobos quando estes descobriram que elas haviam sugado todo o sangue que restava no corpo de Sarah.

Quando os lobos – Seth, Quil, Paul, Jared e Sam — invadiram a sala de cirurgia do hospital de Forks, encontraram as duas chorando ao redor de Sarah, com os lábios sujos com o sangue da moça.

Julgaram Jacob morto e julgaram Sarah morta. O caos se estabeleceu naquele ambiente e só não houve luta porque Seth se pôs em defesa da amada e de sua amiga. Foi impossível que os outros lobos o contestassem e dada a tensão que passavam com a suposta morte de Jacob e Sarah, deixaram que Seth levasse as duas vampiras do hospital.

Ele teria conseguido, se Renesmee não tivesse teimado em ficar assim que ouviu Paul dizer que o cunhado e sua esposa receberiam a cerimônia fúnebre mais nobre de todas.

_ Não! Eles não estão mortos! Não estão! – Ela dissera.

A menina gritava em meio a todos, se colocando protetoramente entre a mesa de cirurgia na qual Jacob estava e a poltrona em que Sarah estava desacordada. Marido e mulher assustadoramente pálidos. Ainda assim, Nessie se manteve firme na crença de que não estavam mortos.

Os olhos da menina estavam ferozes e a força dela naquele momento era muito superior a dos lobos, uma vez que o sangue de Sarah corria fresco em suas veias. Ela parecia alucinada e todos estavam perdidos. Paul avançou sobre ela, mas antes que desse dois passos e completasse sua transformação, foi agarrado pelo pescoço por Renesmee. A híbidria o arrastou pra perto do corpo de Jacob, deixando o rosto do lobo quase rente ao peito de seu Alpha.

Paul escutou então aquilo que só Milla e Nessie haviam percebido. Ouviu o ruído quase imperceptível que o sangue fazia ao correr por si só nas veias de Jacob, sem um coração a lhe impulsionar.

_ Santo Deus! – Murmurou Paul.

Abismados, os outros lobos se concentraram para também perceberem o mesmo. Ainda alterada, Nessie arrastou um Paul inerte pra perto de Sarah, para que ele ouvisse o eco baixo de um pulsar. O coração da moça ainda batia, quase silencioso.

Jacob e Sarah foram retirados do hospital, levados para a casa do penhasco. Renesmee cuidou de distrair os humanos para que não percebessem a movimentação, Milla ficou pra trás com Seth e arrumou toda a desordem que deixaram pra trás.

Nos dois dias seguintes, Sarah permaneceu desacordada e o corpo de Jacob, ainda com o coração silencioso, se curava lentamente das feridas deixadas pela Ukhaha. Ambos foram examinados por Carlisle, que pouco ou quase nada soube explicar sobre a situação dos dois. Alguns acreditavam que Jacob realmente estava morto e Sarah novamente em coma, se recuperando do ataque das vampiras.

Outros, como Billy Black, confiavam que o Alpha estava sim vivo e que em breve retornaria.

Mas depois de dois dias de agonia, eis que Billy sentiu algo sacudir seu interior, fazendo-o estremecer. E ele soube que era o espírito do filho que estava perto. Não teve dúvidas. E assim era. Naqueles dois dias, o espírito de Jacob permaneceu em outra dimensão, mas naquele momento retornava.

_ Ele está voltando. – Billy dissera, firme.

E a partir daquele dia, ninguém mais duvidou que o Alpha retornaria. O processo foi lento, mas milagrosamente lindo de se ver. Nem Billy e nem Rachel saíram de perto do corpo de Jacob um segundo sequer, mal pregaram os olhos nos dias seguintes.

A cor da pele deixou de ser opaca, retomando novo brilho e sedosidade. Ele pareceu crescer, alcançando alguns centímetros a mais do que já tinha. Os contornos da face se tornaram mais firmes, como se uma mão mais caprichosa corrigisse as falhas que antes ser algum havia percebido. Os cabelos cresceram também e se tornaram ainda mais negros.

No peito, no lugar em que as garras da demônio Ukhaha haviam feito enorme estrago, as cicatrizes ainda permaneceram. Três linhas finas de cor um pouco mais clara que o castanho-avermelhado da pele do índio eram nítidas até mesmo para olhos humanos.

E no sétimo dia após a batalha, um som causou comoção geral: o coração de Jacob voltara a bater. Lento, grave. Foi um marco durante ansiado retorno.

Com o corpo humano recuperado, mais forte, o espírito de Jacob finalmente restabeleceu a ligação com a dimensão terrena. O coração passou a pulsar cada vez mais forte, até que o calor retornasse ao seu corpo e o seu cheiro, diferente do que era, se alastrasse aos poucos pelo ar, deixando seu rastro e sua marca onde estava.

No décimo dia, os profundos olhos negros do Alpha Black se abriram. Regenerado, com nova vida concedida.

Jacob encarou o teto, olhos bem abertos. Sugou o ar com força, o prendeu dentro de si por três segundos e soltou, ruidosamente.

_ Jacob… — Uma voz rouca e embargada sussurrou a seu lado direito. Billy. Só ele estava no quarto, os outros estavam fora.

Sem um ruído sequer, sem que Billy realmente visse, Jacob estava ajoelhado a frente de sua cadeira. O coração do velho disparou consideravelmente. Billy engoliu em seco ao encarar o rosto do filho. Não era só o seu menino. Era um homem. O olhar dele parecia ter muito mais força do que já tinha, o primeiro impulso que Billy teve foi de recuar. Mas não pode, estava paralisado. O pai sentia a pele trepidar diante da imponência daquele homem.

_ E aí velho… — A voz soou despreocupada, controlada. Jacob falava como se nada tivesse fora do seu lugar. Absolutamente seguro de si.

Billy engoliu em seco novamente. Pigarreou, procurando por sua voz.

_ Filho… o q… o que aconteceu?

Jacob estreitou os olhos para o pai. E era como se sondasse sua alma.

_ Você sabe. – Disse, voz baixa. Quase um sussurro.

_ Os espíritos guerreiros? – Billy perguntou, quase podendo sentir uma aura luminosa em seu filho. Jacob parecia resplandecer, de certa forma.

Aos poucos os lábios de Jacob desvelaram um belo sorriso. E esta foi a única resposta que Billy obteve para sua pergunta.

Depois disso o Alpha se ergueu e deu um beijo demorado na testa do pai. Billy sorriu de volta, e depois de todos os dias de agonia, deixou lágrimas escorrerem de seus olhos. Com dedos quentes, Jacob secou o rosto do pai e saiu do quarto, deixando para trás um senhor sorridente, murmurando preces de agradecimento aos Céus.

Jake caminhou seguro para onde parte de sua vida estava. Não encontrou ninguém em seu caminho. Era melhor assim, pensou. Ainda não queria se encontrar com outros, não queria confrontar o mundo lá fora. Tudo o que ele precisava naquele momento era dela.

Não havia fome, sede ou coisa alguma que pudesse adiar seu encontro.

E desta forma, logo após despertar de uma quase morte, Jacob foi de encontro ao quarto onde ela repousava.

Abriu a porta do outro quarto e respirou fundo ao sentir o cheiro de Sarah, que pareceu lhe revigorar ainda mais, se é que isto era possível. Seus olhos dispararam para a cama e para Sarah, deitada imóvel sobre ela. Apertou os olhos com aquela imagem. Ainda era insuportável vê-la assim.

Se deu conta do soluço de Rachel, sentada em uma poltrona perto da cama. Ela olhava lacrimosa para o irmão, seus olhos brilhavam com um fascínio semelhante de alguém que vislumbrava um milagre. Um pouco mais perto da cama, estava outra criatura que lhe sorria brandamente: Koraíny.

Quando Jacob encarou o elfo, que claramente pousava de guarda ao lado de Sarah, recebeu uma breve reverência.

_ Alpha. – O elfo lhe saudou, respeitosamente. Depois o encarou, lhe avaliando de forma inescrupulosa. Jacob percebeu o poder do elfo vindo em sua direção e recuando logo depois. – Impressionante. – Koraíny murmurou logo depois.

Jacob ignorou aquela avaliação e o que possivelmente Koraíny havia concluído, e caminhou pra perto de Sarah.

Ao passar pela irmã, no entanto, parou. Pegou suas mãos e as beijou, fazendo com que a índia chorasse alto. Jacob a puxou pra um abraço, afagando carinhosamente seus cabelos, um tanto descuidados.

_ Jake… Jake… — Ela dizia, por entre soluços altos.

_ Está tudo bem. Estou aqui. – Ele murmurou no ouvido da irmã. A voz firme, mesmo sussurrada, fez Rachel estremecer. Jacob pegou os rosto dela entre as mãos e olhou fundo em seus olhos. – Se acalme. – Ao dizer aquilo, como se acariciasse os sentidos da irmã com a voz, Rachel cessou o choro aos poucos, como se recebesse uma ordem.

_ Não nos faça mais passar um susto como este, garoto! – Ela disse, com a voz ainda entrecortada, mas tentando parecer brava. Jacob sorriu, fazendo Rachel corresponder de forma quase imediata.

_ Vou me lembrar disto quando estiver em apuros.

Rachel balançou a cabeça e voltou a abraçá-lo. Jacob a apertou delicadamente e beijou o topo de sua cabeça.

_ Por que não vai dar uma olhada no velho Billy, pra mim? O coração dele ainda não está controlado.

Rachel se afastou, olhou para o irmão e depois para Sarah. Entendeu que ele queria ficar sozinho com ela. Sorriu uma vez mais, passou a mão pelo rosto do índio e saiu, voltando a chorar assim que fechou a porta. Jacob suspirou e pela primeira vez desde que despertou, se sentiu cambalear.

Ignorou Koraíny e se aproximou do leito onde Sarah se mantinha imóvel. Já a tinha visto mais de uma vez em situação parecida, mas se sentia tão mal quanto da primeira vez.

Os cabelos castanhos estavam bem penteados e jogados na frente de seus ombros. Rachel deveria estar cuidando dela, o cheiro da irmã estava forte ali.

Vagarosamente Jacob se sentou na cama, observando a face melancólica e pálida de Sarah. Ela parecia pior do que na outra vez que esteve em coma. Jacob sentia certa tristeza emanar dela. Inclinou-se sobre ela e tragou o seu cheiro como um viciado faz com pó de cocaína. Fechou os olhos para sentir melhor.

_ Sarah… acorde… acorde, meu amor. Eu estou aqui. Eu voltei.

_ Talvez isto não adiante, Jacob. Sarah se mantém reclusa desde que sentiu sua ausência. – Koraíny disse a suas costas.

_ O que aconteceu? – Perguntou, rouco.

_ Desconfio que saiba melhor que eu sobre isto… Mas suspeito que você foi convocado a outra dimensão e para isto teve que romper parte das ligações que tinha neste plano. Foi como uma morte. Quando Sarah percebeu isto ela se fechou em si mesma, de forma tão profunda que nenhum de nós, elfos, teve acesso. Ela nos libertou com o poder de sua mente, mas se mantém bloqueada desde então. Quando chegamos a La Push e soubemos o que houve, vimos como você estava, compreendemos. Ela não queria sentir sua morte e fugiu para o lugar mais profundo de si mesma.

Jacob ouviu atentamente cada palavra do elfo, mas não tirou os olhos de Sarah. Ele lhe acariciou o rosto.

_ Volte, eu estou aqui. Está tudo bem, Sarah. Volte. – Jacob sussurrava próximo ao ouvido dela, implorando, quase ordenando que ela despertasse.

_ Vá com calma, Jacob. Seja paciente. Sarah encontrará o caminho de volta somente quando estiver preparada. – Koraíny pousou a mão em seu ombro.

_ Paciente… — Repetiu, vago. Jacob se acomodou melhor na cama e puxou Sarah para seus braços. Ela não esboçou reação, estava completamente entregue.

Koraíny ainda o olhava avaliadoramente.

_ Pode nos deixar a sós? – Pediu ao elfo.

_ Se lembra do que aconteceu contigo? – O elfo perguntou, ignorando o pedido de Jacob.

_ Vagamente. – Respondeu. Sua cabeça pareceu confusa ao lidar com assunto, mas resolveu falar com o elfo insistente, talvez Koraíny lhe ajudasse a compreender as coisas.

_ Se lembra de algo, isto significa que ainda possui uma ligação com o mundo espiritual. – O elfo disse.

_ Talvez. – Murmurou.

_ Você chegou perto, não? Sentiu a presença Dele de forma direta, não é? – Koraíny também murmurava quase imperceptivelmente e Jacob sabia que realmente, só ele era capaz de ouvir o elfo. Jacob sentiu um arrepio diante da pergunta do elfo. Sabia muito bem o que ele queria dizer.

_ Do Grande Criador? – Jacob perguntou, ainda necessitando confirmação para poder responder. — … Deus? – Tentou conter o tremor ao dizer o nome.

_ Chame como quiser. Falamos de um só. Só há um. – O elfo respondeu, os olhos faiscando em expectativa.

Jacob se lembrou da ultima voz que ouviu antes de ser tragado a dimensão terrena novamente:

“Regresse. Viva. Cresceu em espírito, filho. Cresça agora como homem.”

No corpo humano, só o poder daquela lembrança vaga lhe parecia uma experiência forte demais. Os olhos negros se umedeceram. Talvez, em espírito, tivesse tido a honra de ver a face do Altíssimo. Não se lembrava.

Jacob se prendeu ainda mais ao corpo de Sarah, finalmente sentido o impacto da grandeza de tudo aquilo que havia passado.

_ Que Graça imensa lhe foi concedida, Jacob! – Koraíny, sensível a cada reação de Jacob, percebeu a resposta de sua pergunta sem que o lobo Alpha precisasse se pronunciar. – Seu poder concedido e verdadeiramente abençoado! Realmente és nobre. – Koraíny olhou diretamente para Sarah. – Agora entendo a união de vocês. São iguais. – A voz do elfo parecia emocionada, mas Jacob não olhou para o elfo para conferir, permaneceu encarando os cabelos de Sarah.

_ Por favor… nos deixe a sós. E peça para que todos saiam da casa por esta noite. Só por esta noite. – Foi só o que pediu.

Koraíny ainda permaneceu alguns segundos parado a sua frente, para depois de afastar e tirar todos da casa. Jacob sabia que alguns elfos faziam a segurança de La Push naquele momento, sabia também que ele teria que ir até sua alcatéia, retomar a liderança dos lobos, ver como estava o mundo. Tinha a desagradável sensação de que o caos permanecia para fora dos portões de sua casa.

Mas tudo o que ele precisava naquele momento, logo depois de despertar como homem, era se restabelecer ao lado da sua mulher, ainda que esta permanecesse distante. Jacob podia senti-la muito bem, ter o conforto de estar próximo a ela.

Aos poucos a lua se levantava no céu, já era tarde da noite. Jacob se deitou como estava — vestido apenas com um moletom simples — na cama ao lado de Sarah. Mantendo-a sempre muito perto, ainda murmurou que tudo ia ficar bem, que ele estava ali, com ela. Que ela podia voltar.

Sarah não despertou, mas ele percebeu a melancolia de sua expressão se abrandar. Ela parecia quase serena.

_ Preciso crescer como homem… — Ele disse a ela, enquanto enrolava uma mecha dos cabelos castanhos entre os dedos. Disse o que havia sido recomendado a ele. – Mas preciso de você pra isto. – Pediu humilde.

Jacob acariciou o rosto da moça e encostou suavemente seus lábios aos dela.

_ Teu sangue curou o meu corpo, teu sangue permitiu que eu voltasse como homem. Você é a mulher que eu devo ter em minha vida. Volta. Eu preciso de você.

Sarah se mexeu minimamente, se aconchegando a ele. Só com aquela reação mínima, o coração de Jacob disparou no peito, vivo e ansioso. Mas Sarah não despertou naquela noite. Nem nas seguintes.

Jacob estava quase a todo momento com ela e quando não estava, pedia para que alguém ficasse em seu lugar. Por vezes Leah, outras vezes Rachel, Emily ou um dos quatro elfos que rondavam La Push.

Mas quando a moça finalmente despertou, Jacob estava longe, junto dos lobos, ampliando a área de ronda. Porém, mesmo a quilômetros de distância, Jake sentiu o momento exato em que Sarah abriu os olhos. E a sentiu tão perto, tão intensa, que era realmente como se ela vivesse dentro dele.

De alguma forma, o sentimento havia mudado. Sarah parecia lhe compor fisicamente e não só espiritualmente. Ele dispensou os lobos e andou até uma colina no coração da reserva.O lugar era de difícil acesso, mas era perfeitamente lindo.

Até aquele momento, Jacob não havia se transformado em lobo. Descobriu naqueles dias que podia ligar sua mente a dos outros lobos mesmo em sua forma humana. E assim se manteve.

No topo daquela colina, Jacob esperou que Sarah viesse até ele. A atraiu pra si e mesmo caminhando até ele, Jake a sentia temerosa e angustiada.

Mas ela veio. Os olhos apertados, sua face tão linda estava ainda pálida. Ela caminhou trêmula até ele, que tinha o peito a se contorcer de ansiedade. Parecia que havia uma eternidade que não sentia o corpo de Sarah junto ao seu, e aquilo era um inferno.

Quando ela apareceu em sua frente, Jacob não demorou a tomá-la em um beijo insano, pegar seu rosto por entre as mãos, entranhando seus dedos nos cabelos longos e juntar sua boca a dela em um ritmo fremente. Separou-lhe os lábios com a língua ansiosa, envolveu sua cintura com um braço e colou o corpo dela junto do seu. Inspirou o cheiro dela em meio ao beijo e tomou sua rainha em seus braços com a certeza absoluta que ela lhe firmava em seus próprios pés e também lhe elevava ao mais sublime lugar.

Ali ele teve certeza que aquela mulher era o poder mais sagrado e secreto da face da Terra, e enquanto a tomava, tinha vontade de se encolher diante dela.

E quando ele apartou os lábios dos dela, a viu languida e remida, com a boca inchada e vermelha, as faces coradas, o coração pulsante e uma aura majestosa a seu redor. Como era bela! Tanto que Jacob podia sentir sua beleza ainda que fosse cego, aquilo irradiava com tanta força que chegava aos ossos.

_ Abra os olhos! – Disse abruptamente a ela. Precisava que ela o visse e finalmente cresse que ele estava ali, vivo.

O mar castanho se abriu para ele, um olhar nublado, desfocado, que demorou até realmente vê-lo. Mas quando aquilo aconteceu, Jacob viu as órbitas castanhas se iluminarem, viu os lábios dela se ampliarem em um sorriso.

_Jacob!

Sarah correu para os braços dele logo que suas pernas destravaram, pulando em seu colo e sendo erguida no ar como se não houvesse gravidade.

_ Eu estou aqui! Estou aqui! – Os lábios dele murmuraram colados no ouvido dela. Sarah estremeceu da cabeça aos pés e se agarrou ainda mais no corpo dele.

Sim, lá estava ele. Seu Jacob! Seu amor! Ela se prendeu a ele com força, tateando o seu corpo, beijando a pele exposta do pescoço e inspirando o cheiro.

­_ Jacob! – Era tudo o que ela conseguia repetir, enquanto sentia as mãos dele passeando em suas costas, em um carinho maravilhoso.

_ Shiii... se acalme! – Ele sussurrava, tentando abrandar os soluços incessantes que vinham da moça.

Demorou até que ela se soltasse um pouco dele e finalmente contivesse os ânimos tão alterados.

_ Eu pensei… eu pensei… eu senti você partindo! Eu… eu tive tanto medo… eu não podia suportar isto! Eu sei que não poderia, eu preciso que…

Jacob calou Sarah com um novo beijo. Este foi mais singelo, brando. Os lábios quentes se moviam sobre os dela com suprema graça, lentos e complacentes, arrancando um gemido languido da moça.

_ Eu. Estou. Aqui. – Cada palavra de Jacob foi pontuada com um selar de lábios.

Sarah respirou fundo, tentando achar um rumo certo em meio ao caos de seus pensamentos e sentimentos. Ela se manteve de olhos fechados, respirando cada vez mais lentamente até que, finalmente, se controlasse.

_ O que aconteceu? – Com a voz controlada, se afastando alguns passos para longe de Jacob, Sarah perguntou. Era uma pergunta era tão simples, mas a resposta tão complexa.

Jacob evitou explicar a qualquer um o que havia acontecido, se preocupou apenas em seguir adiante e cuidar do povo quileute naqueles tempos tão conturbados. E a sua segurança em olhar apenas para o tempo presente e futuro evitou maiores questionamentos sobre a notável transformação nele. Apenas o seguiam e confiavam. Quando tudo o que assolava as pessoas era o medo, a figura de Jacob tornou-se vital.

Quando os próprios lobos não sabiam se poderiam resistir a um novo ata que de vampiros, quando a existência dessas criaturas já não era desconhecida entre os quileutes, quando mortes e mais mortes aconteciam ao redor da reserva, não havia mais segurança. Era como se um manto negro, de mãos e braços funestos agarrassem todos os corações de uma só vez e os possuíssem.

Foi assim que Jacob encontrou seus amigos, familiares, irmãos. Seu povo estava perdido na escuridão, desolados, completamente dominados por ela. E então ele se impôs, e suas ordens foram como um fôlego para o afogado, uma embarcação segura para o naufrago. Jacob surgiu com calor e luz. Passou a ser como um Sol para todo o povo.

Por isto confiavam e o seguiam sem perguntas e, sobretudo, sem medo.

Mas com Sarah era diferente. Jacob sentia que a ela devia explicações. Sarah precisava saber de exatamente tudo o que havia acontecido.

Ele respirou fundo, prendeu seus olhos aos dela, criando uma conexão potente. Naquele instante, o mundo externo caiu por Terra. Eram somente os dois.

E Jacob suspeitava que seria ali, ao se explicar para Sarah, que compreenderia o seu novo eu.

Notas finais
Gente, é isto! Hahahahaha...
Oremos para que eu consiga terminar o próximo mais brevemente! kkkkkk

Vou me OBRIGAR a arrumar tempo e responder todos os comentários e possíveis dúvidas que aparecer neles, mas qualquer coisa coloco o meu face a disposição de vcs: https://www.facebook.com/deh.puertta

Tradicionalmente na vida de uma aula, peço aquelas coisas: comentem, recomendem, leiam, aproveitem!

Bj, bj, bjo!