The Precious Blood

45 A DECISÃO DE ÉVORA


Notas iniciais
o/ Hey meus amores! Sou eu novamente!
Então... as vezes não dá pra responder os comentários de vcs, mas nem por isto eles deixam de ser vitais para mim! Hj eu gostaria de pedir desculpas por isto e agradecer aos leitores especialíssimos que comentaram no ultimo capítulo: Sara Silva (sempre comigo), Solara (ohhh... me apaguei tanto a ti!), Amando (seu nome já é poesia), Hellen Black (outra que conquistou esta autora aqui, e que me inspira muito), Emily Ribeiro e a Karen (comentam todo santo capítulo o/), Mary Pink (leitora antigaaaa... e preciosa), Karen Black Salvatore (conheci agora, mas já era uma leitora minha q eu não conhecia! Que alegria receber-te! Bjos)
É isto! A todas vcs um beijo grande e mais um pouco da história que lhes sirvo de todo o coração! Até lá em baixo!

Um ser indistinto,

Um ser isolado,

Esconde-se em lembranças...

E as Vozes do passado...

Mortas, quietas, abafadas;

Lhes cantam uma canção qualquer:

Sórdida, profunda, que remoem tuas memórias.

Tão perto de Deus, tão perto das sombras.

Nobre nebulosa,

Misteriosa indefinida...

Criatura de vida mortífera.

Tens nas mãos o bem, tens nas mãos o mal.

Seus pés deixaram de ser humanos. Suas patas pousaram no chão de areia com um baque surdo depois da transformação. Sua mente foi povoada com a ligação forte de outras mentes, lhe transmitindo pensamentos em uma corrente turbulenta junto de sentimentos e visões. Imediatamente pode distinguir os pensamentos de Leah em meio aos outros três presentes e chiou um rosnado.

_ O doutor presa não lhe mandou ficar em repouso, Leah? — Jacob falou em pensamento, cobrando da loba teimosa aquilo que Embry havia lhe dito.

_ E desde quando um vampiro sabe o que é melhor pra mim? – Ela resmungou, azeda. Jacob bufou.

_ Como você está? – perguntou, visivelmente preocupado com o recém-ataque que Leah sofreu.

_ Sou dura na queda, Jake. Não sou mais aquela idiota que te fez quebrar as costelas pra me salvar um dia. Eu sei lidar com imprevistos… se quer saber, me sinto muito bem por ter arrancado um braço de um dos infelizes que me atacaram. O sanguessuga leitor de mentes diz que o cara era hábil.

_ Edward reconheceu mais um? De novo? – O alpha ficou mais atento, sua mente trabalhando tão rapidamente que Leah não entendia nada.

_ Não outro, o mesmo. Um tal de Félix. Os vampirões Cullens, metidos a heróis, dizem estar se armando para um possível contra-ataque. Só que o problema é que eles querem outros vampiros amigos em Forks… – Leah resmungou, achando a ideia insana e repassando em sua mente a conversa turbulenta que Carlisle tentou ter com ela, amenizada, de certa forma, por Seth. Claro.

_ O que? – Os pensamentos de Jacob foram imediatamente para Sarah e mais vampiros perto do território onde ela vive. – Nem pensar! – Jacob rugiu.

_ Eu imaginei que fosse pensar assim. Então eu disse não por você. Agora… eu preciso saber… Quando vocês voltam? – Leah perguntou.

_ Não vai demorar muito. _ foi só o que Jake respondeu, desconfortável quando percebeu sua beta vasculhando sua mente para tentar descobrir o que afinal acontecia no lugar onde ele se metera.

_ Sei… - Ela pensou.

_ Como estão as coisas? – ele disparou, ansioso por mudar de assunto.

_ Sem vampiros desde minha emboscada. Isso não deve ter importância agora, mas os garotos estão fazendo um bom trabalho na sua oficina. Principalmente Seth, isto quando nós lhe obrigamos a se destransformar. Ele insiste em se desgastar em alguma espécie de esforço físico… pra esquecer… ou se anestesiar.

_ Ele ainda não pergunta dela? – Jake perguntou, tendo consciência que Seth já viu Milla como vampira em seus pensamentos, mas nunca fez uma menção ao fato.

Leah suspirou, cansada.

_ Do mesmo jeito. Ele não anda falando muito mesmo. Está no automático. – Jacob percebeu a dor velada na mente da loba. Suspirou.

_ Certo. Tome cuidado com tudo, Leah. Voltarei assim que puder. Não deixe que os Cullens façam qualquer idiotice só porque demos uma brecha a eles.

_ Nem precisava falar isto. Já que tem de ir… mande um “oi” para Sarah por mim… - Leah soltou, como uma alfinetada pra ele. Durante todo aquele tempo ela vem tentando desvendar o “enigma” Sarah. Tinha se convencido que havia algo com a sua esposa que Jacob escondia e colocou isto na cabeça de toda a matilha. Estava quase insustentável a situação. Tanto ele, quanto Sarah sabiam que a revelação estava próxima. Mas por enquanto ele apenas ignorava as indiretas muito diretas dela.

_ Pode deixar. – E com isto se despediu dela, sentindo seu corpo se tornar humano novamente com um fogo quase doloroso descendo por sua espinha.

Vestiu-se com uma bermuda gasta e voltou a caminhar sob pés humanos pela mata, logo identificando o cheiro de Milla. Torceu o nariz, mas seguiu em frente. Ela estava sentada em uma pedra gigantesca na extremidade leste da praia, seus cabelos batendo com a brisa fresca de início de noite, os olhos fechados e a cabeça tombada para o lado. Tinha uma expressão serena e melancólica, seus ombros estavam baixos, seus músculos visivelmente relaxados… uma postura frágil. Ao longe, ela parecia um anjo, emoldurada por um céu salpicado de estrelas. Daquela forma ela se parecia tanto com a menina humana que fez Jacob sorrir lhe servindo café numa cantina de hospital.

_ Planejando um ataque, lobo? – Ela sussurrou, sorrindo para Jacob e o mirando com os olhos cor de âmbar. Jake se lembrou que os olhos azuis da humana que ela foi eram muito mais faceiros, mas tinham a mesma doçura que ainda permanecia naqueles olhos vampíricos.

_ Não, estou prevendo um ataque… — Ele disse, já alcançando a pedra em que ela estava e saltando pra cima dela. – Sabe como é… regra numero um para um lobo: jamais confiar em uma vampira, mesmo se ela parecer boazinha.

Milla sorriu timidamente, mas aos poucos deixou seu sorriso alargar, tornando-se belo, e depois assustador, predador.

_ Pareço boazinha? – Ela perguntou, apertando os olhos.

_ Oh! Não… isto é só porque eu sou muito pior do que você. – Jacob deu um sorriso de ameaça a ela também.

Ela riu, jogando a cabeça pra trás e voltando a fitar o mar. Jacob se sentou ao lado dela e ambos torceram os narizes para o cheiro do outro. Os músculos de Milla ficaram em alerta, tal como os de Jacob. Ficaram um momento em silêncio.

_ Conta de novo? – Milla sussurrou, com voz pequena e cantante, como de uma criança.

_ Você disse que se lembrou disto…

_ É sempre bom ouvir. Pra ter certeza que não foi fantasia… — Ela voltou a pedir, e Jacob sentiu o estranho impulso de afagar os cabelos de uma vampira. Naqueles momentos ela parecia exalar carência.

Jacob olhou na mesma direção que ela e voltou a contar aquilo que já tinha repetido vezes e vezes desde que Milla deixou de se esconder ou rosnar cada vez que sentia o seu cheiro.

_ Vocês se conheceram no meu casamento… Seth ficou fissurado em você desde a cerimônia. Depois eu soube que toda a lembrança que ele tinha do meu casamento era um par de olhos azuis e um sorriso trêmulo de uma menina loura e corada. Depois ele ficou te secando quando a festa começou, mas morrendo de medo de se aproximar. Pra ele era como se um oásis estivesse a sua frente e havia o risco de um passo mais próximo o fazer desaparecer. Você era o oásis dele…

Jacob já estava se sentindo hábil em recontar os pensamentos e sentimentos de Seth quando ele descobriu o seu imprinting. Há duas semanas aquela história tinha sido a coisa que aproximou lobo e vampira, ligando-os em um momento sem tensão e sem a revolta que as suas naturezas provocavam um no outro. Milla ouvia tudo com uma expressão angelical, aquilo parecia aplacar sua dor. Certa vez ela disse a Jacob que aquela era a história que fazia o seu monstro interno dormir.

_ …você estava morrendo de medo, mas eu e Sarah te arrastamos para o Seth e você saiu arrastando as unhas pela área e dizendo: “nãooo, aquele lobo vai me devorar e…

_ Mentiroso! – Milla ralhou, espremendo os olhos. Jacob riu.

_ É só pra dar mais emoção a esta história. Cansa repetir a mesma coisa. – Jacob disse, e fez um biquinho. Ele gracejou incomodado com a expressão pacificamente dolorida que começou a tomar conta do rosto de Milla, conforme prosseguia com o seu relato.

_ É uma história real, então mantenha-se fiel aos fatos… - ela bufou. – É por isto que não se pode confiar em lobos! – Disse, maneando a cabeça, mas rindo logo depois.

_ Mas eu nem mudei tanto as coisa, sanguessuga…

_ Jacob… — Ela disse, jogando a cabeça de lado e erguendo uma sobrancelha de forma intimidante.

_ Ok, ater-se aos fatos… hum… como eu ia dizendo, você estava morrendo de medo e nós saímos te arrastando pela praia até Seth. Depois, quando você estava perto ele te olhou como um idiota babão e você o olhou… bem… eu não sem bem como definir aquela sua cara… — Jacob colocou a mão no queixo enquanto fazia uma expressão de extrema concentração. Milla soltou um rugido e elevou o punho para socar Jacob… mas como sempre, ele desviou.

_ Lentaaa… — Jacob cantarolou, tirando sarro dos reflexos de Milla.

_ Eu não sou lenta, só estou sem vontade de te dar uma lição! – ela disse, armando um bico. – Mas não me provo… — antes que ela pudesse terminar, Jacob soltou uma baforada de ar no rosto da vampira. Ela trancou a respiração rapidamente, mas não a tempo de sentir o odor do lobo vir como uma avalanche pra cima de si. Ele riu e saltou graciosamente da pedra, sabendo que ela iria atrás dele.

Dito e feito, ela foi.

_ Como você é infantil! Brinca com o perigo, brinca! Uma só dentada e não vai ter alpha pra contar história! – Ela ameaçou, se curvando em posição de ataque.

­ _­Uma só patada e vai ter cabeça de vampira rolando pela areia! – ele também ameaçou, fazendo uma expressão feroz tão falsa que Milla não conseguiu se conter e riu.

_ Como diabos você faz isto? – Ela disse, entre o tilintar cristalino e agudo de seu riso.

_ Isto o que? – Ele perguntou. Milla rolou os olhos, mas depois deixou sua alegria esvair-se e seu rosto voltou aquela reservada melancolia.

– Me fazer rir…

Jacob respirou fundo e se aproximou dela.

_ Não me dê uma de Edward Cullen. De vampiro deprimido na face da terra já basta um. – Milla deu um meio sorriso mole, que não durou nem meio segundo. – Soube de hoje… você sabe… com Sarah… você resistiu bem… é um grande passo.

_ E o que isto significa? Que mereço os parabéns? Jacob… minha condição ainda é uma… uma… merda! E pior que isto: minha condição é uma eterna merda, multiplicada pelo infinito. – ela rosnou, carrancuda.

_ Bom, a proposta da patada ainda está de pé… então as multiplicações da merda pelo infinito e além acabam. Mas o problema é que, até onde me lembro, eu deixei uma certa garota continuar a existir justamente porque ela me disse que ia lutar, não só pra resistir… mas lutar pelo seu amor. Mas pode ser que o veneno vampírico deixe as criaturas burras e melodramáticas…

Milla olhou para Jake com censura, mas ele apenas suspendeu as sobrancelhas.

_ Melodramáticas ou realistas? Veja bem… você sabe o rumo da minha… existência agora? Sabe o que me restou? Eu descobri que tudo o que resta da minha alma ama uma criatura que não suporta o meu cheiro, que tem agonia da condição fria e morta de minha pele, e que pode morrer com um simples descuido meu, caso os meus dentes perfurem a sua pele. E eu não posso me aproximar mais da minha família, pois é melhor pra eles que eu esteja realmente morta, que eles sejam completamente ignorantes da minha condição… — Ela parou, soltando um suspiro desnecessário. -Eu temi Seth quando eu descobri que ele era um lobo, o chamei de aberração e agora eu sou a pior delas, muito pior do que ele. – Ela deixou um engasgo lhe travar as palavras. Jacob ficou em silêncio, esperando ela desabafar. Era a primeira vez que ela fazia aquilo. – Que vida poderemos ter juntos? Eu sou seca agora, morta por dentro, nada de filhos… e vou condená-lo a esta tortura eterna de venerar aquilo que odeia? Eu não vejo Jake, não vejo uma forma, uma saída… ainda que eu resista a todo sangue humano: eu sou uma vampira e ele um lobo.

_ Ninguém disse que ia ser fácil e doce… é um caminho além do impossível. Mas se não fosse pra ser… o sentimento estaria morto junto com o som do teu coração. – Jacob sussurrou, brando.

_ Que sentimento Jake? Que sentimento? Amor, dor? – ela deu um riso amargo. –Me diz você: ele está feliz agora? Eu estou fazendo bem a ele assim? – sua voz se converteu em um murmúrio quase imperceptível. – Dói pra ele sequer perguntar de mim… não é?

_ Sim, dói Milla. Seth está sofrendo. Muito. Mas ele esta sofrendo porque sabe o quanto é penosa a sua condição pra você mesma. Ele está sofrendo porque você está, porque você não abriu a brecha pra que ele lhe faça feliz. Quando ele encontrar um caminho que te traga felicidade então ele vai ser feliz. – A voz de Jacob tinha deixado o tom brincalhão e juvenil naquele momento. Ele falava com os olhos fixos no rosto angustiado da vampira.

_ Um caminho além do impossível… — ela murmurou, virando o rosto.

_ Mas não inalcançável…

Milla riu novamente, um riso descrente, acre. Jacob se lembrou da primeira vez que viu o riso e alegria pulsante em Milla. O quanto se lembrou de sua própria juventude através dela e o quanto desejou que ela não perdesse aquilo. Eis que agora ele testemunhava exatamente o que não queria. Engoliu em seco, sentindo o peito sacolejar e não era só por Seth, seu irmão querido que sofria por Milla, mas por ela mesma, aquela menina perdida em um mundo paralelo.

Antes que pudesse racionalizar qualquer coisa ele ergueu a mão, elevando-a em direção a vampira. Ela viu o gesto e deixou seu olhos fixos lá, sem saber ao certo o que significava. Jacob estendeu a outra mão, de forma que seus braços ficaram abertos em direção a ela. Ela ergueu os olhos e encarou Jacob. Nos olhos negros dele, em sua presença tão imponente e ameaçadora de lobo alpha, havia algo inédito: uma receptividade gratuita à vampira. Os braços abertos eram o convite a um abraço.

Jacob viu os traços do rosto de Milla se contorcerem ainda mais, em uma agonia profunda. Era o choro seco daqueles vampiros que estavam perto demais de sua própria alma. Lentamente, muito lentamente, ela deu um passo a frente… depois outro… e outro… e estacou, tampando o rosto com as mãos e depois puxando os cabelos tão lindos ainda que desgrenhados pelo vento.

Ficou lá, sem coragem de se mover mais, já sentindo a tensão pelo calor do lobo tão perto de si. Poderia ela se deixar indefesa naqueles braços, que de um momento a outro poderiam se converter em garras? Ela não se moveu, nem mesmo quando sentiu que ele se aproximava. Ficou lá, com a pele trepidando cada vez mais e os instintos gritando em sua mente: ataque… fuja!

Não pode. Ela deixou então que o calor e o cheiro agressivo rodeasse a si. Tremeu e um chiado escapou abafado de seu peito quando a pele de Jacob encostou nela e os braços férvidos cercaram o seu corpo e… aconchegaram. Jacob se sentia tenso enquanto a afagava, sua cabeça doía pela ardência que o cheiro dela provocava em suas vias aéreas, mas se permitia envolver sorrateiramente o corpo estático e rígido dela.

Pararam de respirar.

Um terremoto pareceu se formar no interior de Milla, conforme ela sentia um tremor incessante passar da pele de Jacob para sua, ruindo suas estruturas. Ela soltou a respiração e ficou zonza com o cheiro quente golpeando seu interior. Havia, depois de tantas barreiras incitadas pela natureza daquelas criaturas, uma migalha de aconchego, de conforto, que crescia aos poucos a cada milissegundo que o choque de corpos inimigos se misturavam.

Os ombros dela caíram, seus braços penderam, a solidez de seus músculos gelatinaram-se e ela sussurrou:

_ Obrigada… — E depois estava a metros de distância, dispensando um sorriso cálido para Jacob e se afastando.

Jake a viu partir e depois encarou os próprios braços, como se eles fossem membros alienígenas:

_ Eu. Abracei. Uma. Vampira. – Ele sussurrou, pausadamente, e depois riu. – Isto foi estranho…

_ Estranho e mágico… — ele escutou a voz mansa atrás de si, vislumbrando a silhueta de Sarah vir em sua direção iluminada pela lua. Ela sorria, um sorriso lindo, envolvente… leve… tão leve.

_ Me espionando? Está ficando hábil em se esconder, hein? – Ele disse, andando para ela buscando diminuir a distância que os separavam mais rapidamente. Jacob a olhava minuciosamente, estranhando a expressão despreocupada que havia no rosto de sua esposa. Parecia haver mais cor em suas bochechas… parecia com ela mesma, há meses atrás.

Ela deixou ele ficar parado na frente dela a encarando, juntando as sobrancelhas.

_ O que foi? Vai me dar um castigo por isto? – Ela disse, com um riso sapeca. O peito de Jacob se encheu, era como se um vigor estivesse o inflamando. Que saudade ele estava daquela Sarah! Tanto que ele nem tinha percebido o quanto, tanto que só um olhar mais leve já o fazia sorrir bobamente.

Mas no fundo ele esperava que os olhos dela se conturbassem novamente, que seu semblante se agravasse e ela lhe escondesse mais uma de suas visões, fechando-se em uma postura composta.

_ Jake? – Ela chamou, quando ele parecia aéreo demais. – O que foi? Esta tudo bem? – ela perguntou, preocupada, mas ainda com a face dócil.

_ Está… — ele deixou escapar, mas ainda observava. Depois de tantos dias ao lado de uma mulher tão determinada a esconder suas perturbações ele se sentia… desconfiado…

_ E então… notícias de La Push? – Ela perguntou, o puxando pelo braço e o fazendo deitar na areia. Ela se inclinou em cima dele, apoiando a cabeça nos cotovelos e o encarando com olhos brilhantes.

_ Tudo em paz… na medida do possível. Só Leah, desconfiada e teimosa… — Ele disse, com os olhos pregados em cada expressão de Sarah. Ela rolou os olhos.

_ Como sempre… — ela riu

Jacob se remexeu desconfortável. Na noite anterior ele reclamou com ela que sentia falta de seu riso e ela havia dito que as coisas não estavam tão leves pra que ela sorrisse assim. E agora… ela parecia tão… tão do jeito que ele sentia falta?

_ Você não está fingindo… está? – Ele perguntou, direto. Sarah franziu a testa.

_ O que?

_ Você não está tentando me esconder as coisas… amenizar minha preocupação… ? – Sarah colocou os dedos nos lábios dele e fez uma carranca.

_ Não, não estou! Eu também sinto falta disto, Jake! De sentir o peito leve. Posso me permitir isto?

Ela se afastou, se levantando e virando as costas. “Droga!” Jacob pensou.

_ Pode… sim… é só que… com tudo que está acontecendo. Você tem tentado me poupar e…

_ Eu estava era perdendo você… perdendo o alívio que só você pode me dar no meio de tudo isto! Precisei de uma garota meia-vampira pra me abrir os olhos! – Ela resmungou, deixando a impaciência escapar de sua voz. Ela se virou, ficando contra o vento, seus cabelos sendo jogados para frente. – E estava te puxando junto…

_ Como?

_ Jake… você já me puxou de um abismo uma vez. Só você tem este poder, de me dar brilho quando eu me sinto estar afundando na escuridão. – Ela abaixou a cabeça. – Eu não estava me fazendo de alegre pra te deixar feliz. Eu estava igual… igual a uma criança esperando um doce, pra ficar feliz… — De repente ela parecia sem jeito, começou a retorcer os dedos das mãos. – Não me deixe esquecer de como é sorrir… por favor… — Ela sussurrou.

_ Se você perder isto… eu perco também… — Ele murmurou. Andou para perto dela e lhe abraçou, cheirando e depois beijando o seu pescoço. – Dança pra mim? – ele pediu.

_ O que? – ela disse. Fazia tanto tempo que ela não dançava, que já tinha se esquecido que podia fazer isto.

_ Dance… dance igual aquela vez que te vi em seu apartamento de Washington.

E ela sorriu largamente. Ele se lembrava! Naquele dia ela dançou com tanto vigor que se esqueceu de tudo, só deixou que a satisfação de seu corpo brincando no ar lhe dominasse. Então ela se deu conta de algo que até então não tinha atentado: aquela foi a primeira vez que sentiu desejo por Jacob.

_ Sem música? – Ela perguntou, olhando pra ele. Ele sorriu e levou o indicador aos lábios indicando silêncio. Depois a fez fechar os olhos. E havia uma música constante na praia, composta pelo vento e pelas aguas que iam e vinham em ondas que quebravam na areia.

Devagar, ela se desprendeu dele, e se afastou em direção ao mar, de costas, os olhos fixos no moreno que a observava. Ela abriu os braços, como se fosse se jogar no mar e, tão lentamente, foi deixando que seu corpo insinuasse ondas tais como as que vinham do mar. E Jacob passou a testemunhar novamente e graça celeste que ela parecia alcançar enquanto se entregava daquela forma ao movimento. Ela sorria, seus olhos dispersavam um turbilhão de sentimentos, eram ardentes e dóceis, misteriosos e claros. Os pés dela batiam na água, molhando o seu corpo aos poucos, ensopando o vestidinho branco que vestia. A transparência causada pela água revelou a Jacob que era só o vestido que cobria o seu corpo e nada mais.

Da suavidade de uma brisa, os movimentos dela foram evoluindo para uma espécie de furacão, hipnotizando Jacob como na primeira vez. Os olhos negros se fixaram no subir e descer constante dos seios dela, nas pernas que se projetavam com tanta desenvoltura, dos braços que desenhavam movimentos tão sedutores no ar. Ela ia se entregando, cada vez mais… o corpo deixando-se perder na dança, parecendo implorar por uma explosão de êxtase. Ela apertou os olhos e continuou e Jacob encontrou semelhança nos movimentos que ela fazia ali com aqueles que a embalavam quando faziam amor. A mesma suntuosidade nos quadris, os braços que erguiam os seus cabelos.

Ela abriu os olhos, turvos por uma emoção desconhecida a Jacob, sorriu ardente e elevou os braços, despencando no chão… ela caiu tal como na primeira dança que ele testemunhou dela, com os cabelos espalhados ao seu redor, com os braços moles acima de sua cabeça, erguendo o peito e encolhendo levemente as pernas torneadas. Sorriu, completamente inebriada… seu vestido havia subido demais, caindo na base das coxas.

A eletricidade que emanava dela sugou Jacob e ele nem pensou em lutar contra. Foi rapidamente em direção a ela, se ajoelhando ao seu lado. Ela continuou com os olhos fechados, sorrindo… sorrindo tão entregue! Seu corpo clamando por outro corpo, apelando pelo corpo dele.

Ainda de olhos fechados ela sentiu as mãos de Jacob em suas cochas, fortemente contraídas no impulso de conter o desejo, abrindo-as. Sentiu ele se colocar entre elas, a pele dele fervendo na sua própria. Não conteve o gemido. O fogo que se alastrava por seu corpo não era abrandado nem mesmo pelas aguas que ainda chegava até eles, os últimos resquícios das ondas.

As mãos firmes deslizaram por seu corpo, subindo o vestido. Ela ergueu-se apenas para deixar a roupa sair por sua cabeça. Finalmente, abriu os olhos, encontrando a imensidão dos olhos negros fixos nela. E se sentiu em um outro universo, onde só ele existia… só ele. Ele olhava o seu corpo nu, parecendo fascinado e sedento, ajoelhado por entre as suas pernas. Ele estava nu. O vento batia livre por todas as partes de seus corpos e isto só fazia a chama que os consumia aumentar, os arrepios lhe torturarem a pele. Ela gemeu em antecipação.

Ela o queria, e queria com urgência, sem demora… Seus olhos gritaram isto pra ele, e sem nada dizer, Jacob a penetrou, mergulhando fundo e forte dentro dela. Inteiro, completando o que faltava. Ela arfou, deixando escapar um suspiro ruidoso. Ergueu seus próprios quadris em direção a ele querendo sentir mais. As mãos de Jacob agarraram firmemente a lateral de seus quadris, deixou seu corpo cair por sobre o dela e abocanhou-lhe um seio, sugando, ao mesmo tempo que saia lentamente dela, para depois estocar impiedosamente de novo. Loucura! O coração dela falhou… parecendo parar. Sarah agarrou os cabelos negros de Jake e o puxou os lábios dele para os seus com urgência.

E outra dança iniciou-se, provocando um ruído incessante de gemidos quentes. Jacob começou lento, torturando Sarah cada vez que saia do corpo dela devagar demais e lançando-se para dentro com velocidade completamente oposta. Aos poucos, porém, a necessidade fez o ritmo acelerar, e Jacob dar mais vigor as estocadas, mergulhando no corpo de Sarah com afinco. Ele vinha se chocar com ela e ela erguia seus quadris querendo mais e mais…

A ondulação de prazer começou insuportavelmente se alastrar do ventre para o resto do corpo de Sarah, fazendo até suas pálpebras formigarem. E vinha a onda de prazer que fazia seu corpo se perder aos poucos. Jacob reivindicou o seu olhar perto do clímax. Ela lhe olhou e abriu o sorriso mais pleno que poderia dar quando sentiu o orgasmo os arrasar divinamente, cruelmente.

Aos poucos os gemidos se converteram em risos leves. Jacob saiu lentamente de dentro de Sarah e salpicou pequenos beijos pelo rosto dela.

_ Eu te amo… — sussurrou.

_ Eu amo mais… — Sarah gracejou. Jacob a puxou pra cima de si, fazendo-a rolar na areia.

Areia… praia… vento… ar livre… expostos…

_ As meninas! Elas podem nos ver aqui, Jake! – Sarah disse, em alerta, olhando para todos os lados. Ele gargalhou.

_ O problema é delas! – Disse, a puxando de repente para adentrar o mar, saindo da margem. Ambos mergulharam juntos, e ficaram a brincar nas aguas, perseguindo um ao outro.

Sarah emergiu quase sem folego, mas logo sentiu seus pés serem puxados para baixo, fazendo-a mergulhar no fundo sem ter chance de ao menos ter enchido seus pulmões de ar na superfície. Logo a boca de Jacob cobriu a sua, em um beijo sem ar algum, no fundo da agua. Aquilo pareceu deixar tudo mais intenso, terminou com a cabeça zonza, acabou por engolir água quando as bocas se separaram.

_ Louco! – Ela soluçou, quando pode voltar a superfície novamente, tossindo. Jacob apareceu a frente dela, sorrindo, sorrindo lindamente. – Quer me matar?

Em duas braçadas ele tinha o corpo colado no dela novamente, em uma proximidade perturbadora. Lambeu a agua salgada do pescoço dela e depois mordeu-lhe a orelha.

_ Sim… te matar de amor… — Ele sussurrou. Logo depois cobriu os lábios de Sarah em um beijo quente e molhado. Era praticamente impossível não se perder nos braços dele.

Mas eis que ele desaparece de repente, deixando-a com o bico do beijo nos lábios, e afundando nas aguas azuis novamente. Ela bufou.

_ Cadê você? – Perguntou, para o que só parecia ser uma imensidão de águas. – Se eu te pegar vou te matar!

Nada… Nem sinal…

Ela mergulhou e saiu nadando a toda velocidade com os olhos bem abertos, vasculhando tudo em baixo do mar. Como ele havia desaparecido assim? Ela ficou tão letárgica com os beijos dele que perdeu os sentidos?

Voltou a submergir, bufando raivosa. Gritou.

_ Jake! Eu vou sair daqui!

Assim que acabou de falar um corpo caiu como um meteoro a sua frente, espirrando agua para todos os lados. Era Jake, ele havia subido em umas pedras próximas dali e saltado repentinamente.

Ele voltou a emergir rindo da expressão carrancuda de Sarah. Tentou pegá-la nos braços novamente, mas ela fugiu a nado. Jacob a perseguia, mas não era tão rápido quanto ela embaixo d’agua. Ela acabou conseguindo pular nas costas dele e afundá-lo a força.

Jake ria, um riso gostoso e leve que a muito tempo Sarah não ouvia dele. Parecia deixa-lo mais jovem, havia nele uma energia que pulsava para o corpo e para a alma de Sarah e a aquecia, envolvendo-a em uma vitalidade amorosa. Ouvindo aquele riso, empenhada em faze-lo perdurar mais e mais, Sarah teve a impressão de ouvir o riso de Jacob, duplicado… triplicado. Mais risadas pareciam se juntar a dele, mas os outros risos pareciam brotar de dentro dela. Ela ficou estática de repente, querendo ouvir mais… fechou os olhos e viu bochechinhas coradas de tanto rir, sorrisos abertos, que ofuscavam a luz… cabelos negros…

_ Sarah? – Jacob a chacoalhava, com o semblante preocupado. – Fala comigo… o que foi desta vez?

Ele tinha parado de rir? Há quanto tempo? Sarah sacudiu a cabeça, parecia ter sido transportada pra outro lugar. O riso, o sorriso que viu a poucos segundos era tão… tão de Jake, tão próprio dele.

_ Outra visão? – Jacob continuava perguntar. Só então ela percebeu que estavam perto da margem novamente, o corpo de Jacob cobria o dela, prensando-a em uma pedra grande que havia ali.

_ Não… eu… não sei o que foi… — Ela murmurou, tentando recuperar o que tinha visto e ouvido, mas era tudo muito difuso, muito distante.

_ Mas o que…? – Jacob começou a perguntar, mas Sarah colocou os dedos nos lábios dele, o silenciando.

_ Não… não me pergunte mais nada… eu não sei quem era, mas não foi uma coisa ruim. – Ela sorriu e passou os braços ao redor do pescoço de Jacob, ficando quieta. Ambos estavam encharcados, os cabelos de Sarah estavam colados em suas costas, a agua batia na cintura dos dois. Aos poucos a consciência de Sarah foi se libertando da imagem nebulosa que viu e se prendendo mais no presente… na pele de Jacob junto a dela, do calor dele a cercando. Delicadamente ela desceu as mãos pelos músculos vincados das costas dele, sugou a agua da curvatura de seu pescoço com beijos. Aos poucos Jacob também relaxou…

_ Está tentando me distrair de uma visão sua de novo? – Ele murmurou, fechando os olhos e apertando a cintura de Sarah quando sentiu as mãos dela envolverem o seu membro.

_ Não está funcionando? – Ela disse, roucamente, passando a língua no lóbulo da orelha dele. Jake soltou um rosnado baixo.

_ Está… — Ele voltou a sorrir com o rosto afundado nos cabelos molhados dela, para depois capturar seus lábios novamente, procurando avidamente o seu sabor, a sensação frenética de ter a língua dela enroscada a sua.

E Jake estava novamente tão perto de Sarah, de seu corpo e de seu coração, que a fez tremer por dentro, como se isto fosse possível. Ela se deixou embalar pelas sensações que aquele corpo férvido lhe provocada, se enroscando mais e mais nele, enquanto suas vontades imploravam por ainda mais. Ela, que tentava durante todo aquele tempo parecer segura e controlada, forte o suficiente para suportar as novas responsabilidades que o destino lhe dera, permitiu-se enfraquecer novamente, entregar-se a Jake de forma plena.

E naquela entrega, enquanto faziam amor encostados naquela pedra, ela teve consciência de que estava cheia de medos, mas que apesar disto, não havia e não haveria coisa no mundo que ela quisesse mais do que ele...

Jake fez com que ela circundasse as pernas a sua volta, sustentou seu corpo agarrando a sua cintura e novamente se enterrou nela. Era impulsivo nas estocadas e absolutamente terno em seus beijos, acariciando os lábios dela com os seus e sua língua tinha um sabor de amor eterno. Os olhos dele tinham um poder absoluto de lhe trazer paz em meio ao inferno, tal como de a fazer arder em pleno céu. Sarah tinha certeza que aqueles olhos negros enxergavam mais do que ela mostrava. Ele era, enfim, tudo o que a fazia esquecer de seus dissabores, perder a consciência do amanhã e viver somente aquele momento. Um momento em que ela o sentia teu, e só teu... um momento em que ela era dele... e só. Era o que bastava e não passava pela sua cabeça lembrar de outra coisa que não fosse o cheiro dele, só havia a vontade de viver para sempre a magia que envolvia o gozo dele nela e o dela por ele.

Ela se deixou ser apenas amante naqueles braços porque, naquele instante, era tudo o que queria.

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Estava só! Ao seu redor só havia o céu indescritivelmente único do mundo dos elfos, em que a noite era colorida por luzes efêmeras que pareciam fazer do céu a tela de um pintor magno. Aquele lugar, que ninguém poderia ir a não ser a rainha, era reservado para que os soberanos estivessem puramente com sua alma, com seu interior. Como um templo sagrado de meditação, feito só para ela.

Quendra se sentou embaixo de uma árvore frondosa, cujas flores tinham um brilho particular e olhou para frente, os olhos desfocados. Passou as mãos pela relva macia e deixou que sua mente se recordasse de outro tempo… a quase três milênio atrás…

#1.050 a.C. – Recanto dos elfos #

_ Como pôde majestade? Sei que é belo se entregar a um amor puro, mas agora tu nos deixará assim que esta criança nascer! – Quendra disse, olhando a figura gloriosa de sua majestade, acariciando o ventre cheio de uma criança elfo, fruto de um relacionamento humano.

_ Todos nós temos nossas fraquezas Quendra… eu sei que partirei assim que meu filho nascer, que serei julgada por Deus, mas não pude evitar. – Évora, a única e suprema rainha dos elfos sorriu lindamente para Quendra. Seu corpo já não tinha característica alguma de um elfo, o filho que estava em seu ventre havia tomado tudo pra si. A partir daquele momento ele seria o elfo e sua mãe a humana. Mas Évora ainda conservava beleza única. Sua pele era clara e delicada, tinha uma cor rosada nas bochechas, seus olhos daqueles castanhos límpidos, seus cabelos com grades cachos loiros. – Eu tenho que confessar que admiro a sua resistência Quendra…

Évora lhe disse aquilo com olhar cúmplice, se referindo a ele.

_ Não há nada parecido acontecendo comigo alteza... eu... eu apenas o protejo, sinto que precisa....

_ Quendra… aquele homem precisa realmente de proteção, mas não é do que virá, e sim de si mesmo. – A elfo abaixou a cabeça resignada diante das palavras de Évora. – Ele te venera, guarda em si um sentimento muito grande e também muito perigoso… Se há uma coisa que devo lhe alertar antes de partir é: tome cuidado! – As mãos delicadas e não mais tão fortes acariciaram os cabelos de Quendra.

_ O que a majestade sabe que eu não sei? – Quendra ousou perguntar. Évora sorriu.

_ Eu sei de tudo… tudo querida… — Ela sorriu, erguendo o queixo de Quendra para que ela encarasse seus olhos. Imediatamente Quendra estremeceu ante aquele olhar que pareceu se converter em um abismo, de uma intensidade incalculável. Ela quase podia ver a sua própria existência gravada nos olhos da rainha Évora e nitidamente analisada por ela… havia algo de glorioso e havia algo de sombrio. Ela não suportou a carga de seu próprio destino e fechou os olhos.

_ Há sempre dois caminhos Quendra… ambos repleto de sacrifícios. Nada é simples para criaturas como nós. Eu posso confiar em você Quendra… de tudo o que sou, eu ainda posso confiar em você, por isto lhe digo: muito cuidado, você andará muito perto das sombras. Não se perca nelas.

Quendra engoliu em seco, estremecendo por dentro.

_ Eu… tomarei… — sussurrou, temerosa. Resolveu mudar a conversa para outros rumos. _ Mas ficaremos como? Sem uma rainha, como ficaremos? – Perguntou, nitidamente preocupada.

Évora soltou o seu rosto e se virou, encarando as planície coberta de flores coloridas e o grande lago azul que havia ao norte. As aguas do lago, apesar de azuis, eram cristalinas, e revelavam os corais coloridos que havia em sua profundidade. A rainha ficou observando aquilo durante um tempo, voltando a acariciar o seu ventre. Parecia tomar uma decisão difícil.

_ Terão outra soberana… — ela disse, depois de um tempo.

Quendra ergueu-se e arqueou as sobrancelhas azuis.

_ Teremos? – perguntou, sentindo um arrepio lhe percorrer a espinha. Sentimentos não tão frequentes aos elfos causavam um frenesi em Quendra, fazendo sua postura hesitar diante da rainha.

Évora se virou aos poucos, até ficar novamente de frente para Quendra.

_ Sim, terão. – Os olhos dela revelavam uma sabedoria milenar, maior do que somente o tempo presente poderia compreender. – Você! – Ela disse, encarando Quendra analiticamente.

_ O que? Mas… mas eu? Como eu majestade… — Quendra sentiu sua mente girar. Olhou o ventre de Évora. – Mas e a sua criança?

A rainha sorriu.

_ As crianças elfos levam muito tempo para evoluir. Você reinará até que Lairon… — ela sorriu, olhando para sua barriga. – …tenha sabedoria o suficiente para decidir por si. Mas saiba Quendra, Lairon será o único elfo que você não terá o poder de esconder nada, absolutamente nada. Ele terá tanto acesso ao seu interior quanto eu.

_ Mas majestade, somente o seu filho, Lairon, terá a sua sabedoria e poder semelhante ao seu... ele será o teu sangue, nele será preservado tudo o que és!

Évora sorriu uma vez mais, sabia que Quendra estava com medo…

_ Sim, eu sei disto… como também sei a escolha que meu filho fará na sua existência. Uma escolha com uma bela e grandiosa consequência. Ele saberá agir certo, tenho certeza disto, e não importa se seja como rei ou não. Mas, por agora, eu sei Quendra, que o melhor a fazer é lhe conceder isto… a realeza…

Évora lhe tocou, colocando a mão no meio de suas costas e apertou. Uma eletricidade irradiou dentro dela, fazendo o coração da elfo bater mais forte, mais rápido.

_ És teu o poder… e todas as tuas glorias e chagas… - Évora murmurou pesadamente. Retirou as mãos das costas de Quendra e era como se uma parte de seu corpo fosse rompida.

Quando Quendra abriu os olhos sabia: era a soberana, o luz do poder parecia irradiar de seus ossos. Esperou poucos segundos para se acostumar com aquilo e depois… sorriu… um sorriso com milhares de segredos…

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#Tempo presente, séc. XXI#

Quando Quendra despertou daquela lembrança sentia como se tivesse acabado de receber a “coroa” novamente. Os ventos do lugar, que agitavam a relva ao seu redor pareciam diferentes, pareciam trazer pra si a presença da primeira e única rainha antes dela. Parecia que a voz da soberana morta lhe sussurrava aos ouvidos. No fundo, por mais que ousou fazer aquilo, sabia que sempre seria incapaz de matar a neta da única rainha legítima dos elfos. Sarah descendia dela, de Évora.

Quando Lairon nasceu, aquela criatura tão iluminada, Quendra soube que a existência de Évora continuaria a perdurar até o fim dos tempos. Fechou os olhos e se lembrou de Sarah lhe dando uma ordem, no dia que impôs sua vontade a Quendra, querendo que a vampira Milla fosse salva de alguma maneira, de qualquer maneira. Naquele dia, ao olhar para os olhos de Sarah, foi como se pudesse ver os olhos de Évora no auge do seu poder.

“É perigoso pra ela ainda Quendra…”

A voz de Lairon sussurrou nítida, repentinamente. Ali, naquele templo, ela podia ouvi-lo com clareza. Ele ainda se mantinha próximo, tendo o seu espírito fortalecido pelo laço forte e imponderável do sangue de sua filha viva.

_ Ela saberá lidar com isto, Lairon. Todas as suas artimanhas para mantê-la viva garantirão a supremacia dela. – Quendra disse, com voz aparentemente controlada.

“Quendra… minha rainha… não se magoe comigo…” A voz dele soou dentro da elfo novamente. E, uma vez mais, a voz daquele elfo, tão amado por ela, lhe afagava os sentidos. Ele, o único conhecedor de todas as suas faces, de todas as suas sombras e luzes.

_ Não tenho o direito de guardar mágoas de ti, Lairon… não tenho… não para aquele que me permitiu ficar com o poder que era seu por direito… diante de todos os riscos…

Não havia porque se esconder dele, morto ou vivo, ele a conhecia tanto, que parecia morar dentro de seu coração.

Chegará o tempo em que você descobrirá o porque eu e minha mãe confiamos isto a você… Mas tal como eu lhe concedi o meu reinado, eu lhe peço… não se perca daquilo que precisa fazer por Sarah… por favor…”

Os olhos de Quendra se tornaram obscuros, sua postura ficou petrificada, ela apertou a mandíbula fortemente.

_ Talvez chegue o tempo que você descubra que não poderia ter me confiado isto…

“Ah Quendra!…” A ultima palavra de Lairon soou como um lamento penoso, até que sumiu, desapareceu, deixando novamente aquele silêncio quebrado somente pelo vento constante que agitava a copa da árvore que estava acima de Quendra.

Ela suspirou, suas mãos agarraram a relva que outrora acariciava. Ela fincou as unhas na terra e curvou-se. Fechou os olhos e deixou um grito agonizante cortar o vento. Uma gota cristalina de lágrima escorreu pelo seu rosto conforme ela via a bela Sarah a sua frente… chorando…

Notas finais
Ohhhh.... Muitaaa coisa q eu gostei de escrever neste capítulo, a começar pela cena entre Jake e Milla... Depois um pouco de romantismo entre o nosso casal predileto (digo, meu casal predileto) e Quendra.... ahhhhhh... eu tenho que confessar que eu adoro escrever sobre ela... e não é por ela ser boa ou ruim, mas por ser o personagem mais enigmático e desafiador q eu consegui construir! Isto é realmente muito dificirrrrr... dá certo? A Quendra causa aquela pulga atrás da orelha em vcs? Pq esta é a função dela!
Hehehehehe...
Maisssss uma vez agradeço as leitoras fiéis, recebo de braços abertos a nova comentarista Karen Black Salvatore e....
e....
até a próxima! kkkkk
Bjoooooo...