The Possibility That I Never Considered
16 When You Need To Know Who You Realy Are...
Notas iniciais
Bom, falando desse capítulo agora certo? kkk' POV's todo do Syn. Eu me divirto fazendo POV dele, porque ele é o que eu uso a fala mais descontraída sempre e muito palavrão. kkk' Então, o capítulo é todo mimimi (Olha, a Mona escreveu um capítulo todo fofo, que épico -q), mas não vai fazer ninguém chorar não haha (Eu acho que não, tem pessoas muito emocionais, tipo eu, mas ok). O Syn é um idiota admitido (na minha Fic, ok? kkk'). Vocês vão ver kkk' Boa leitura e nos vemos lá em baixo. Ah,, aconselho que leiam as notas finais também =)
Aconselho MUITO que leiam as notas ;)
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Batidas na porta. Calmas e tensas. Fortes e quase sem barulhos. A conversa que eu estava querendo adiar o máximo possível. O gordo já estava na porta. Puta merda, a última coisa que eu realmente queria era conversar com esse desgraçado. Já tinhamos chegado e estranhamente, nenhum bebeu o dia inteiro e muito menos quando chegou. Todos se dirigiram para seus quartos. Parece que o dia tinha virando em me constranger. O silêncio o tempo todo. E o olhar do Zacky. Realmente não sei definir aquele olhar. Raiva, com certeza estava no meio. Mas é difícil de acreditar. Cara, eu não costumo ver o Zachary com raiva. E agora ele estava com raiva de mim. Olha que ótimo, não?
Abri a porta torcendo para que ele não tivesse o que falar... Quisesse esclarecer algo e não soubesse nem como começar. Ele entrou sem mesmo que eu autorizasse e depois de andar um pouco, parou em minha frente e me encarou. Continuou no silêncio por um bom tempo. O que me fez ter esperanças de que ele não sabia o que falar. Muitas esperanças. Ele tinha toda a coragem do mundo para me encarar, fato. Mas eu não tinha a mesma coragem para encará-lo de volta. Afinal, eu estava com medo do que ele iria falar. Do que iria acontecer. Mais ainda, do que iria me importunar. Mas ao contrario do que eu pensava, ele sabia o que falar. Com certeza ele sabia.
– O que você tem na cabeça, Synyster Gates?
– O que?
– Ah, quer dizer que não está entendendo? — Ele se manteve em silêncio por um minuto e eu também. Achei que seria inútil responder aquela pergunta. Realmente era. Eu só queria saber o que ele tava tentando dizer. — Talvez tenha alguém que saiba muito melhor do que eu, Syn. E do que você também...
– Quem?
– O Brian.
– Quem é Brian.
– Não lembra? Está pior do que eu esperava. O Brian Elwin Haner Jr.
– Esse sou eu.
– Não. Você é o Synyster Gates.
Eu realmente não estava entendendo aonde ele queria chegar. Eu sei que sou o Synyster Gates, mas é o nome artistico, todo mundo sabe disso. E além do mais, porque aquilo me parecia muito mais estranho do que realmente deveria ser. Quer dizer, ele estava falando de mim, para mim, em terceira pessoa. Isso não é muito normal, sabe?
– Synyster Gates é o meu nome artistico.
– Esse é o problema. Synyster Gates não é você. É um guitarrista. É só um guitarrista... E você não pode ser o Synyster Gates toda hora.
– O que você quer dizer com isso?
– Quero dizer que quando o Jimmy morreu, o Brian foi junto.
Pronto. Era exatamente sobre isso que eu estava com medo de que ele tocasse no assunto. Eu juro que tento me controlar quando falam do Jimmy, mas eu não consigo. Normalmente eu me estresso demais. Afinal, não conseguiria chorar na frente deles mais uma vez. A última foi na morte do Jimmy. Eu me sinto um monstro desde esse tempo. Talvez seja mesmo o que eu tenho sido. Um monstro.
– Pare de falar besteiras, Zacky...
– Não é besteira. Você tem sido como um idiota à dois anos, isso não é besteira. Sinto muito em falar, mas você tem sido um idiota com todo mundo.
– Zachary Baker, eu não sei...
– CALA A BOCA, CARALHO. TÁ NA MINHA VEZ DE FALAR. — Como assim eu não reagi? Nossa. O caso era grave. Normalmente eu voaria e teriamos uma briga, mas depois esqueceriamos e tudo voltava ao normal... Como se fossemos crianças no jardim de infância. — Desde que o Jimmy morreu, você não é mais o mesmo. Não é tão divertido como era e nem tratar bem os seus fãs vocês está tratando.
– Quem disse isso?
– Eu vejo, Gates. Eu percebo isso, muita gente percebe. Você vive estressado, fechado, nunca se abre com ninguém. Cara, acima de uma banda, somos amigos, uma família... Não tem porque você tratar a gente assim.
– Vocês que estão com isso na cabeça. Eu estou normal. Desculpa se não sou o mais divertido, mas eu realmente não posso fazer nada. Eu nasci desse jeito e não dá pra mudar esse tipo de coisa. Então por favor, se retire do meu quarto que eu não quero brigas.
– Tá vendo? Quem aqui falou em briga? Tudo pra você é assim agora?
Não acredito, ele estava certo mais uma vez!
– CARALHO, ZACKY. SAI DO MEU QUARTO!
– NÃO! EU AINDA NÃO TERMINEI E VOCÊ VAI ESCUTAR ATÉ O FIM! EU JÁ TO DE SACO CHEIO, FALOU? EU GOSTO DO SYNYSTER GATES, MAS EU AMO O BRIAN HANER. E SE FOR PRECISO BRIGAR COM VOCÊ PARA TER O MEU AMIGO DE VOLTA, EU BRIGO!
– Cara, eu não to com cabeça pra falar do Jimmy.
– Você nunca tá com cabeça pra nada. Só que eu não tenho mais cabeça para te aturar. Isso é estressante, sabe? Eu sinto falta de quem você era antes.
– Eu sinto falta do Jimmy.
– Todos sentimos falta. Mas só você ficou assim. Somos amigos trabalhando juntos e você tem que fazer o que é melhor para a banda. Tem que voltar a pensar em todo mundo e não só em você.
– Isso é loucura.
– Sim, é loucura. Você está vivendo um sonho de adolescência, não tinha que jogar isso fora. Tá fazendo as pessoas felizes e enlouquecendo-as, com sua música. Eles te amam, te idolatram, você tem que tentar sentir isso.
– Sabe que não é disso que eu tô falando.
– Mas é aí que eu quero chegar. Fazer algumas loucuras no palco te torna mais feliz para quem está assistindo. Mas a gente vive com você, sabemos como você é. E eu te garanto, mudou muito.
– O que eu posso fazer? Eu não sou a única pessoa no mundo que já mudou, sabia?
– Mas você pode se salvar. Devia tentar isso.
– Me salvar?
– Sim. Está assim por causa do Jimmy.
De tudo que o Zacky já me falou, aquela foi uma das coisas que eu desejei nunca ter escutado. Que eu mudei para pior por causa do Jimmy. Ele tinha que ter muita coragem para me falar isso tão na cara assim. Pior ainda, falar isso duas vezes.
– JÁ CHEGA, ZACKY. PRIMEIRO ENTRA NO MEU QUARTO PARA FALR QUE EU TO FICANDO MALUCO. E AGORA QUER COLOCAR A CULPA NO MEU MELHOR AMIGO. VAI EMBORA DAQUI! SAIA DO MEU QUARTO!
– EU NÃO DISSE ISSO. DISSE SÓ QUE A MORTE DO JIMMY TE MUDOU EMOCIONALMENTE. E FOI TRAGICAMENTE FORTE. SÓ TÔ FALANDO DA REAÇÃO QUE ISSO LHE CAUSOU! EU SINTO FALTA DO JIMMY, QUERIA MESMO SABER PORQUE ELE SE MATOU! MAS NÓS ESTAMOS FALANDO DE VOCÊ AGORA.
– O JIMMY NÃO SE MATOU!
– PARA DE SER IDIOTA, GATES! VOCÊ VIU QUE ELE SE MATOU, VIU A CARTA. O QUE PASSOU, PASSOU. INFELIZMENTE, NãO PODEMOS TRAZER O NOSSO REV DE VOLTA, MAS TEMOS QUE SEGUIR EM FRENTE. VOCÊ TEM SEUS FÃS, NÃO MACHUQUE ELES. TENTA SENTIR O AMOR QUE ESTÁ FALTANDO PARA QUE FIQUE MELHOR... — Ele disse em tom de raiva, mas sua expressão não combinava com isso. Parecia triste, e eu, me sentia um monstro. Caralho, eu não devia ter feito aquilo com a minha vida... Eu só queria meu melhor amigo, mas parece que fiquei cego em relação ás outras pessoas. Puta merda. — Tenta perceber em quem mais esteve sempre do seu lado.
– O Jimmy não se matou... — Eu não conseguia dizer mais nada. Eu estava estressado com o fato dele ter "culpado" indiretamente o Jimmy por uma mudança negativa em mim. Uma mudança que é real, mas que eu realmente não queria que fosse. Mas sem o Jimmy, tudo estava diferente. Eu perdi um cara que é meu melhor amigo desde criança, o único que sabia tudo sobre mim, o único que já tinha me visto chorar... Só ele, nenhum outro. Embora eu considerasse muito todos da banda. — E eu não to agindo diferente com os fãs.
– Você disse que não entendia como eles podiam sentir falta do Rev sem nem ter conhecido. E desde então, você não é mais o mesmo com ninguém. — Apesar da minha fala estressar qualquer um, afinal, eu só tinha repetido o que disse antes em tom mais baixo, ele se manteve calmo. Pelo menos alguém estava calmo.
– É proibido dizer o que eu penso?
– Não. Mas devia ser proibido de insultar o amor dos outros.
– Quer que eu faça o melhor pela banda? Eu faço. Só precisam arranjar um novo guitarrista base e o Zacky Vengeance vira o guitarrista solo. — Disse me dirigindo a porta do quarto e abrindo-a. — Agora saia do meu quarto.
– Não. — Ele caminhou até mim e bateu com apenas um mão na porta, mas com tanta força que ela se feixou e a minha mão escorregou da maçaneta, fazendo ela feixar de vez. — Eu não quero que você saia da banda. Você é o alvo de fãs. O fodão de Avenged Sevenfold. Não somos nada sem você. Não somos nada sem qualquer um de nós agora. Gates, eu não consigo me imaginar sem você... Somos amigos desde pequenos.
– É a única coisa que eu tenho a fazer para o bem da banda. — Lembram do que ele fez para me barrar no corredor do ônibus? Então, ele fez o mesmo ali. E aquilo sim me deixava sem reação. Talvez ele tenha percebido. Não me deixava passar para onde eu queria ir. Me prendeu na parede com os braços. Caralho, ele não ía me deixar em paz?
– Não é não... — Encarar o Vengeance me parecia muito difícil sempre. Me parecia pior agora. Aqueles olhos verdes de criança pidona me lembravam uma época estressante da minha vida. E quem estava sempre do meu lado era o Jimmy. Que ótimo, agora eu estava parado, simplesmente encarando (Um tanto perto demais pro meu gosto, mas foda-se. Aquele gordo não iria me bater e se batesse, eu matava ele. Então ele podia ficar o quão perto quisesse. Miserável) o Vengeance e me lembrando do Jimmy. Paranóia? Não, pior. Merda. — Você tem razão. Não está com cabeça para conversar sobre isso. Continuamos outro dia. Mas para de pensar em tentar sair da banda. Eu te mataria.
Finalmente, achei que aquele gordo nunca fosse sair do meu quarto.
Não dava para ficar no meu quarto, não no estado emocional que eu tava. Eu até tentei, mas não deu certo. E em que quarto eu iria parar se não o da minha pequena? Talvez eu não estivesse fazendo o certo, mas eu precisava dela agora. Eu iria acordá-la ou simplesmente invadir o quarto dela, sei lá, mas talvez eu esteja preocupado com o que ela vai achar... Às vezes acho que ela está muito chateada comigo e porra, ela tem motivos de sobra para nem olhar mais em minha cara. Talvez fosse muita sacanagem ir lá e acordá-la à essa hora por nada.
Levei muito tempo me decidindo se iria ou não falar com a Mel, até que eu percebi que precisaria falar com alguém e que o único alguém que não conseguiria me matar seria ela. Bati na porta do quarto e esperei por bem pouco tempo até que ela abriu.
– Achei... Achei que já estivesse dormindo.
– Estava brigando com o Zacky?
– Minhas brigas são sempre muito altas?
– Não tenha dúvidas... — Todo mundo poderia perceber que aquele sorriso no rosto dela era completamente falso. Mas porque eu realmente não sei, ela não precisa fingir um sorriso para mim, não mes... Puta merda. É isso. Até para a Mel eu virei um monstro. Isso não poderia estar acontecendo, não mesmo. — Entra aí.
– Eu não sei o que falar. — Disse depois de me sentar em sua cama do hotel. Ela apenas parou em minha frente, sem expressão.
– Veio aqui, não veio? Alguma coisa tem para falar...
– Porque está assim? Está me tratando diferente esses dias.
– Desculpa Gates, eu...
– NÃO ME CHAMA DE GATES. — Nem preciso comentar que assustei ela com o tom de voz, mesmo não tendo tido coragem de ter encarado ela nessa fala, mas qualquer um teria se assustado. — Desculpa...
– Tudo bem, isso faz com que eu não precise mais responder sua pergunta. — Qual a outra reação de um homem que não tem mais senso e muito menos direito com algum amigos da própria banda, além de encarar os dedos para uma garotinha que havia acabado de esculachar ele? Até tem, mas essa aí foi minha reação, encarar os dedos. Eu realmente não sei como ela tem esse dom de me animar e mesmo assim, de me colocar com vergonha tão rápido. — Desculpe, acho que estou pegando pesado com você também.
– Não, eu mereço tudo pelo que estou passando.
– Agora me conta, o que está acontecendo?
– Eu não sei. Sabe, desde que o Jimmy morreu eu realmente tenho sido muito diferente. Não consigo explicar Mel, não consigo. Tenho sido um idiota com todo mundo, grosso... Eu não tenho sido um bom amigo e nem mesmo percebi o que estava do meu lado à tanto tempo. Meus amigos que me apoiam, me amam, mas eu estava cego e ciente de tudo, me sentia mal por fazer tudo o que fazia, mas não ocnsigo parar. Ele era meu melhor amigo... Perder meu melhor amigo foi horrível. Eu me senti tão isolado da palavra do Jimmy, que acabei fazendo da minha palavra, algo que já não se pode mais acreditar.
– Brian... Se sentiu culpado e isolado da palavra do Jimmy?
– Sim.
– Como isso é possível? Quer dizer, são pensamentos contraditórios, não fazem sentido colocados dessa forma.
– Sabe, eu sabia de tudo do Jimmy. Ele não estava feliz naquela época. Mas isso, eu não sabia porque. E mesmo sem saber, eu tentei ajudar. Passei horas sentado com ele e tentando acalmá-lo, sem nem mesmo saber de que eu tinha que acalmar ele. Conversando com ele, dando apoio moral, força. Sempre estive ajudando ele o máximo possível, como ele sempre fazia comigo. Eu disse tudo o que podia e toda a companhia que eu fazia para ele com certeza era suficiente para que ele continuasse forte. Perdi festas e encontros por causa dele, e tenha certeza, não me arrependo de ter feito isso.
O que era aquilo molhado em meu rosto? Lagrima(s)? Não, não podia ser. Eu não choro na frente de ninguém, eu sou o... Synyster Gates. Parece que agora caiu a ficha, Brian Haner. Você é apenas um guitarrista idiota.
– E depois ele me aparece morto. Por culpa própria, ele se matou. E no momento, tudo o que eu pensava era "Então minhas palavras não foram o suficiente? O tempo que eu dediquei todo para você não foi o suficiente? Todo o carinho que eu separei só para você não foi o suficiente? Você se matou? Me deixou aqui, sem o meu melhor amigo?"... E eu fiquei com raiva de mim depois disso. Era o meu melhor amigo, ele tinha os motivos dele.
– Brian...
– Terminou que eu achei que ninguém mais precisaria de mim nem de meu tempo. E virei um ignorante.
– Brian, você está chorando.
– Foi só um cílio que caiu no meu olho. — Falei coçando o rosto para disfarçar e só assim percebi como eu realmente estava.
– Não. Você está chorando compulsivamente.
Caralho, ela tinha razão. Eu já estava chorando sem nem me lembrar como era isso.
– Não queria chorar na frente de uma fã.
– Me considere agora apenas como sua melhor amiga. Ou salvar a minha vida não foi o suficiente para mostrar que ainda existe quem precise de você? — Qualquer dia desses, se encontrar essa menina morta com certeza fui eu. Ela tinha mesmo que sempre me mostrar tudo tão na cara? — Olha em volta. Você tem uma vida perfeita e amigos maravilhosos. Eles precisam sim de você. Tem que dar uma chance para eles, tenta fazer isso. O Jimmy ficaria orgulhoso.
– Eu sei que tenho que dar uma chance, Mel. Mas eu... Eu... Não sei, eu...
– Está com medo?
– NÃO!
– Para de ser idiota, Synyster.
– Não me chama pelo nome artistico.
– Então me dê motivos para que eu te enchergue como o Brian.
– Tá, eu estou com medo sim. E estou chorando na frente de uma garota de 14 anos. E estou com saudades de meu melhor amigo. E reagindo a tudo isso como se fosse uma criança. Tudo bem agora?
– Não. Eu nunca disse que isso era bom Brian, te ver triste nunca foi e nunca será bom. Só queria que admitisse. Fica mais fácil ajudar agora, tenha certeza.
Já falei que odeio quando o silêncio resolve aparecer? E já falei que ele tem me perseguido muito ultimamente? Então, ele estava lá de novo. Era horrível ter que admitir para mim mesmo que eu estava chorando, na frente de quem eu estava chorando, logo com quem eu tinha discutido e principalmente, ter que admitir que eu não consegui simplesmente entrar no meu quarto e me virar sozinho. Eu tinha que ter ido até a Mel, né? Idiota. O único problema é que eu não tiro mais o Jimmy da minha cabeça. Ele sabia até meus segredos obscuros, ele não podia ter me deixado aqui... Bom, poder até podia sim, mas ok.
– É um pouco estranho te ver chorando desse jeito... — Puta que pariu, ainda chorando? Porque eu mal consigo perceber? Eu não queria estar chorando, não mesmo. Pelo menos não na frente dela.
– Não queria ter brigado com o Zacky... Não queria que o Jimmy tivesse me deixado. — Qual o poder que essa garota tem de acalmar alguém com um toque apenas? Eu nem tinha mais coragem de encara-la e senti uma de suas mãos em meus rosto. Ela estava tentando fazer com que eu a encarasse. Caralho, não tava muito claro que eu não queria encarar ela? Teimosa. Ela conseguiu fazer com que eu me rendesse.
Passava as mão no meu rosto, enchugando as lágrimas, uma por uma. Eu realmente não sei como ela me faz bem apenas me tocando e enxugando as minhas lágrimas. Quem mais faria aquilo comigo além dela? Seus olhos demonstravam toda tristeza e vazio que os meus não demonstraram nesses anos. Apenas raiva eram o que os meus olhos diziam. Até eu sentia isso ao me olhar no espelho, parecia que isso afastava um pouco os outros. Mas não ela.
Sabem qual é a parte mais perigosa de estar sozinho em um quarto com uma garota que foi capaz de mudar sua vida como ninguém e que mesmo sendo muito mais nova meche muito com você, tanto pela forma de olhar quando pela de agir para te ajudar?
Acho que está bem claro, certo?
Puta merda, porque a gente sempre tinha que inventar de brincar de encara-encara nessas horas. Bom, vamos excluir o fato de que é melhor nessas horas que quando estamos na frente de todo mundo. Eu sou homem, caralho. É um pouquinho difícil controlar esse tipo de coisa, e ela ainda acha que eu controlo bem mais do que realmente conseguiria controlar com uma outra pessoa.
– Mas agora me fala, Mel. O que está acontecendo com você?
– Não tem nada acontecendo comigo... — A sua expressão muito bem feita e talvez ensaiada, quase me fazia acreditar que ela estava falando a verdade. Mas ela não estava, não precisa ser adivinha para saber disso. Precisa apenas passar tecnicamente vinte e quatro horas com ela. — Não entendi sua pergunta, Haner.
– Para de ser besta, eu sei que você não está bem. — Porque essas dresgraças grudadas no meu corpo que eu chamo de braço puxaram ela para mais perto? Em pé e na minha frente enquanto estava sentado, ela ficava na minha altura quase que perfeita. Um pouco maior, já que ela não era tão baixa e a cama também não... — Me diz qual é o problema.
– Eu ainda não posso...
– Como assim, pequena? — Tanto tempo que eu não a chamo assim... Pequena. Tanto que ela chegou a sorrir quando me escutou chamando ela assim. Parece que agora aquela história de que tudo depende de mim começa a fazer sentido.
– Tava com saudade de ser chamada assim. — Puta que pariu, porque o sorriso dela me lembra tanto o Jimmy? Quer dizer, eu ainda não decidi se isso é bom porque sentir a presença daquele sorriso de novo me fazia feliz ou se isso me matava de vontade de chorar porque sentia falta daquele chato. — Eu ainda não sei se eu sou a solução do problema ou se eu sou o problema. Quer dizer, parece que estava tudo perfeito antes de mim.
– Mel. Você não está falando da gente, tá?
– Talvez... Não exatamente, mas é que tipo. Parece que eu cheguei e que tudo começou a acontecer com todo mundo.
– Não pode se culpar por conhecidência.
– Mas posso me culpar por dor de cabeça. Vocês não precisam de tudo isso, ok? Eu acho que atraio coisa ruim e eu não quero isso para vocês. E se foi por minha causa que o Matt recebeu a carta e que as coisas começaram a acontecer no geral? Talvez seja melhor se eu sair daqui.
– Primeiro que se sair, não vai ter onde morar.
– Tenho a casa do Daniel. Ele se mudou, não mora mais perto da minha mãe.
– Para com isso, Mel. Você não é o problema de ninguém.
– Então me explica porque antes de eu chegar estava tudo bem.
– NÃO ESTAVA TUDO BEM!!! — Tenho que parar de dar esses gritos repentinos, isso assusta ela e eu tenho que me controlar para não rir. — Não estava tudo bem.
– Me prova que não estava tudo bem. Me mostra só um vestígio para eu acreditar nisso? Não tinha nada de ruim acontecendo antes.
Isso, Brian. Você tenta não ser um idiota e acaba sendo pior. Ela pediu uma explicação e não um beijo, seu filho da puta. Mas é quase incontrolável nessas horas, mais ainda quando ela não coopera nem um pouquinho pra parar o beijo. Parecia que era exatamente aí que ela queria chegar, que apenas se rendia, não fazia mais nada além de me beijar de volta. Logo a gente, conseguimos passar tanto tempo controlando... Ela só parecia se rendeer mais. Por isso que às vezes prefiro ser o Synsyter Gates, Brian tem andado muito carente.
Estava tudo indo... Perfeitamente bem? É, se é que me entendem, estava tudo indo bem sim. Tirando o fato de que eu estava beijando uma garota muito mais nova que eu e que eu sei muito bem que a maioria se assustaria nessas horas. Mas ela mudava a posição da minha mão toda hora. Chata. Enfim, estava indo tudo na boa. Até que ouvimos um barulho, Porta? Sim, porta. Puta merda, a minha porta.
– Eu não acredito. — Eu disse já tentando levantar. Lembra o que eu pensei sobre o Zacky ter muita força nos braços? Eu que tô fraco demais, porque aquela coisa pequena conseguiu me parar.
– Para Syn, para!
– Eu quero saber quem era, né?!!
– Voce não tá com cabeça pra conversar comigo, imagina para conversar com quem acabou de ver isso aqui. — Porque as palavras dela me pareciam tão certas? — Deixa, Syn... Amanhã a gente tenta descobrir quem foi.
– Você realmente tem que parar de me tratar como um bebê...
– Você realmente tem que parar de agir como um primeiro.
Não é que eu simplesmente me deitei, como ela falou? Também, ela tinha razão. Acho que indepentende de ser o Matt ou o Oliver, eu mataria ele sem nenhuma pena. É, acho que estamos agindo como duas pessoas na seca e completamente descontroladas, isso não pode continuar. Quer dizer, ou tem que ser algo assumido ou não pode existir. Caso contrário, iriam descobrir de qualquer forma e os boatos ainda iriam ser muito maiores do que realmente deveriam ser.
Fechei meus olhos em uma tentativa de dormir logo, mas não parecia funcionar. Vários pensamentos e consequencias rondeavam minha cabeça, sem me deixar em paz nem por um minuto. Já tenho andado dias demais sem dormir por causa disso.
"Você ainda não me deu um motivo para que não me sinta como um problema... Eu sou o seu problema, não tem como esconder isso."
Preferi nem responder. Continuei fingindo que estava dormindo. Até dormir de verdade. Mas o que ela queria dizer com "Eu sou o seu problema"? Ela é maluca? Desde que o Jimmy morreu ninguém mais me tratou como ela e nem me fez sentir como ela faz. Eu não sei o que seria de mim agora sem ela, realmente não sei... Talvez eu já tivesse acabado com essa banda. Talvez seja melhor sem mim. Eu tenho sido um idiota à dois anos, eu entendo isso. Porra, eu pra eu ter conversado sobre isso com a Mel. Ela com certeza me faria sentir melhor. E seria um assunto interessante, ela sempre tem mais uma piadinha pra fazer. Nisso aí, ela parece com o Baker.
Notas finais
Então, beijoos. E até sábado =D
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