Notas iniciais
Desculpem, eu demorei um pouquinho. eu to tendo alguns problemas em casa, vão perceber que isso é normal. Infelizmente. Mas enfim, fiz mais um capítulo, espero que gostem. xD

Sentada na banheira, pensativa. A água toca todo o meu corpo, menos o rosto. Cabelo preso em um coque que eu , obiviamente, só uso para tomar banho, caso contrário, marcaria meu cabelo todo. Eu poderia dizer que meu rosto está seco, mas estaria mentindo. As lágrimas dominam as áreas do lado e embaixo de meus olhos. De fundo musical, e eu sempre faço isso, tocava Don't Jump — Tokio Hotel. Irônico, não? Bom, além de idiota, euzinha aqui, sempre fui uma masoquista espiritual. Nunca consegui escutar essa música sem chorar. Eu consegui chorar escutando Bubbles de System Of A Down. Sinceramente, não acho que isso seja normal. E eu gosto disso. Das lágrimas escorrendo em meu rosto, da dor que fica por dentro, do vazio, da solidão... Ficar sozinha com a música, é disso que eu gosto. Mesmo que isso me torture, arranhe todo o meu corpo por dentro, eu gosto da sensaçãode que a palheta de uma guitarra estraga meu corpo por dentro. Porque somos amigas, ela sabe o que faz.

I scream into the night for you

Don't make it true

Don't Jump

The lights not guide you through

They're deceiving you

Don't Jump

Don't let memories go

Of me and you

Estava tudo calmo, tenso, depressivo. Tenho que admitir que aquilo me fazia bem, por incrível que pareça. Eu já devia estar tomando banho á uns 35 ou 40 minutos. Até que Danger Line parou a música que tocava antes. Olhei para a tela do celular. "Syn Gates chamando".

- Oi, Syn.

- Você disse que viria aqui.

- Eu sei, to tomando banho e já vou.

- Tá bem.

Desliguei, terminei de tomar banho e saí da banheira. Coloquei umshort, que na verdade, era uma legg grossa entre meu joelho e o topo de minha perna. Uma camisa de manga comprida branca, que deixa minha barriga de fora e uma regata vermelho sangue por cima. Claro que eu não ia deixar minha barriguinha "muito sexy" de fora. Cabelo despenteado. Ou não, ele sempre parecia arrumado mesmo. Coloquei meu celular para carregar e fui no quarto do Syn.

Bati na porta, e ele não demorou muito para abrir. Eu entrei, ele se deitou, colocou o filme para passar e fez sinal para que eu deitasse ao seu lado. Eu estava parada do lado da porta. Caminhei e deitei ao seu lado, como ele havia sugerido.

- Bom, esse filme é de...

- Comédia? — Perguntei com cara de quem já não aguentava mais, e cortando a fala dele.

- Suspense, sua boba.

Nós dois rimos e começamos a assistir o filme, que na verdade, era de suspense e drama. O perfume de Syn, sem dúvida, é o melhor que já tinha sentido em toda a minha vida. Mas hoje era diferente, era o cheiro próprio do Brian Haner. E é bem melhor, confortante. Na verdade, ele sempre me conforta, aquele homem é incrível. E deitada em seu lado, pude me recordar do primeiro dia. Um sorriso confuso e tão seguro, um olhar tão sincero, uma forma de me desvendar, sem me conhecer. E claro, perceber como tudo o que tinha passado era marcado em seu olhar. Aquele homem é realmente o meu sonho. Eu nunca fui daquelas fãs que tinha fantasias pornográficas ou românticas. Só queria poder vê-lo um dia, um toque. Mas agora... Agora eu o chamo de melhor amigo. E ninguém nunca tinha feito coisas por mim, como ele fez em tão pouco tempo. Que parando para pensar, foi bem pouco mesmo.

- Você tem pressentimentos fortes? — Ele me perguntou do nada. Óbvio que fiquei meio confusa de primeira, mas a resposta já tinha ficado bem clara no dois segundos seguintes. Seus olhos transmitiam sinceridade, preocupação, carinho. Olhos que já não me encaravam á muito tempo mesmo.

- Do que você está falando? — Respondi com um sorriso fraco.

- Eu estou falando da forma que você fica quando estamos indo ensaiar. Como olha preocupada para todos os lados e como fica inquieta, mas sorrindo. Você não engana nem mesmo o ingênuo do Johny.

- Eu fico?

- Fica sim, pode falar o que é.

- Eu me sinto perseguida. Mas hoje nem tava, já começou a parar.

- Isso é bom. — Ele me abraçou, sorrindo um pouco. — E o que mais?

- Como assim, "o que mais"?

- Eu sei que não é só isso. Porque você tá triste?

- Eu não estou triste. — E sorri.

- Olhando esse seu sorriso, eu acredito. — Ele sorriu de volta. — Mas olhando em seus olhos, sou obrigado á te desmintir.

- Nunca imaginei que você era fofo. — Eu o desafiei com o olhar.

- Eu to parecendo um gay... — Ele estava olhando para baixo e virou sua atenção para mim, com cara de mal. — E a culpa é sua!! — Ele me empurrou, de forma que eu caí na cama com tudo.

- Você finalmente resolve se revelar e quer colocar a culpa em mim? Olha que você vai preso, viu? Eu sou de menor. — Eu falei, desafiando-o e tentando sair debaixo daquele tanque de guerra. Ele podia me dar um pouquinho de força, seria bem útil.

- Eu não tenho medo de ser preso, garota! — Ele brincou, me segurando com mais força, percebendo que eu já estava conseguindo sair.

- E eu não tenho medo de morrer. Quero ver você me matar agora. — Eu fiquei completamente parada e olhando, com o mesmo olhar desafiador de antes.

- Tá, sua chata. Para de implorar, eu perdou você. — Ele saiu de cima de mim e começamos a rir. — Mas é sério... Tem alguma coisa que não te deixa em paz.

- Eu sei... Mas não sei como explicar exatamente isso. — Respondi baixinho. Ele ficou calado por um tempo. Tempo suficiente para que eu começasse a chorar.

- Ei, calma. — Ele me abraçou. — Não precisa falar hoje, se não tiver pronta.

- Tá tudo bem, relaxe. Eu conto... — Tentei me acalmar. Mas não conseguia. Não parava de chorar e mais uma vez, pensamentos idiotas e tentadores dominaram minha mente.

- Clama aí, pequena. — Ele me segurou de frente para ele, com força. — Você tomou o seu remédio? — Eu apenas o olhei. Óbvio que a retardada aqui tinha esquecido de tomar. — Você não tomou, não é?

- Desculpa, eu esqueci. Juro que não ficaria sem tomar, juro.

- Tudo bem, mas você vai tomar agora.

- Ta bem. — Me levantei e fui em direção ao meu quarto. Peguei um remédio, e tomei, com metade de um copo de água. Depois, voltei para o quarto do Syn.

Eu me deitei novamente ao seu lado, ainda com o rosto vermelho de tanto chorar e me cobri. Ele me abraçou e colocou sua cabeça perto da minha. Eu me virei e fique de frente para ele.

- O que está acontecendo? — Ele cochichou.

- Eu não sei. — Cochichei bem mais fraco.

Ficamos um tempo sem saber o que falar. Tirando o fato de que, quem entrasse ali, não teria o melhor dos pensamentos. Mas ninguém entraria, óbvio. Eu queria contar para ele, mas não conseguia... Afinal, ele é o meu melhor ami....

- Pequena. — Ele interrompeu meus pensamentos. — Você falou para sua mãe que ela não poderia te trocar por outro filho... Como assim? — Eu me sentei na cama e abaixei a cabeça. Parece que eu já tinha deixado óbvio que era exatamente aí que eu não queria chegar. — Desculpa, não precisa falar nada.

- Tudo bem, um dia você iria descobrir. — Falei. Ele se levantou e se sentou ao meu lado. — Sabe, eu começei a ser o pesadelo da família quando nasci. Foi totalmente por acaso que aconteceu, minha mãe queria me colocar em um orfanato e sair do país com meu pai. Só que ele não quis. Tudo bem, fui criada por ele e minha mãe, tudo indo bem. Menos o fato de que ela não poderia ter mais um filho. Até que eu conheci o rock. E eu não sabia que eles eram anti-rock. Foram me deixando mais de lado, me ignorando mais, minha doença atacou, minha família inteira se distânciou. Eu fiquei grossa, eles me mudaram de colégio e eu não fiz amigos no novo. Só algumas pessoas que falavam comigo ás vezes, mas nunca passava muito tempo. Eu estava me cortando todo dia e isso doía muito. Não pelo físico, pelo sentimental. E eles continuaram. E ficaram nessa. E eu me tornei o total pesadelo, com assinatura, da família. E minha mãe e meu pai, tentaram me colocar no orfanato de novo, mas eles não me aceitaram. Por causa do meu estilo estranho.

O silêncio pertubador e confortante voltou por um tempo. Pouco tempo.

- Não sei o que te falar... — Ele me abraçou, fazendo com que eu parasse mais de chorar.

- Não precisa falar nada... Agora, a gente tem que dormir, porque amanhã vocês vão se apresentar.

- É verdade. — Nós deitamos na cama. O Syn, eu não sei. Mas eu demorei um pouco para dormir. Mas graças ao remédio, não demorei tanto.

Claro que todos já estavam na sala onde ficamos esperando para irmos todos juntos ao ensaio. E hoje, teríamos que ir de carro e entrar pelos fundos. Tem alguns fãs malucos que ficam esperando desdo cedo para entrar primeiro no show. E bom, não tinha hora hoje. Os meninos já haviam ensaiado tudo e seria só uma repassada antes do show. Mas já estávamos todos juntos, menos o Matt. Ele estava com o carro, e não dava para ir sem ele no momento.

- Onde está o Matt? — Perguntei, sem saber de nada.

- Foi pegar o sobrinho do Jimmy. — Johny se manifestou rapidamente. O que era bem raro.

- Porque? — Perguntei.

- Você ainda vai entender... — Syn me respondeu. — Vai entender bastante coisa ainda.

- Tudo bem... — Eu fiquei ainda mais confusa.

Matt entrou, muito delicadamente como de costume, e o garoto veio atrás. Ele parecia completamente perdido, tanto quanto eu no primeiro dia. Matt segurava uma das malas e o garoto, a outra. E eu, na verdade, ainda não tinha o encarado. Eu estava confusa demais com tudo o que estava acontecendo.

- Esse é o Oliver. — Matt falou, apontado para o garoto e o deixando completamente sem graça. — Oliver, você já sabe nossos nomes. Aquela alí é a Melissa.

- Eu vi, em um documentário de internet. — Ele respondeu.

- Nossa. — Respondi. — Normalmente as pessoas não acreditam.

Matt foi colocar as malas do Oliver em um quarto vazio, do lado do dele. Oliver tem os cabelos bem pretos, cortados parecido com o do tio. O que me chamou muita atenção, claro. Eu amo garotos com cabelos bagunçados. E esse corte, maiorzinho na frente e pequeno no resto era perfeito. Tudo nele me fazia lembrar o lindo, perfeito do Rev. Os seus olhos eram tão azuis quanto os do Jimmy e sua pele era bem branquinha. Era maior do que eu, bastante. Não exageradamente, mas bem maior. Tão tímido quanto eu. Me chamou atenção, era um garoto bonito. Nada de mais, já tinha visto vários garotos bonitos.

- Ele tem 15 anos. — Synyster falou bem baixinho, no meu ouvido.

- E daí? — Perguntei, bem baixo também.

- E daí, que... Agora,você fala da Daniele e eu tenho como te ameaçar.

- Idiota. Eu acabei de olhar para a cara do menino e você fica nessa.

- Isso não te lembra nada? — Virei meu rosto e ele tinha um sorriso malicioso em seus lábios, além de uma sombrancelha arqueada.

Sínico.

Claro que o Syn não iria parar de me encher, mesmo aquilo não sendo a verdade. Se bem que, assim como na minha situação, ele pode não estar caídinho pela Daniele. Mas no caso dele, tenho certeza que não tira a Daniele da cabeça. Mas agora ele iria cismar com o Oliver. Ele sempre arranja uma forma de me irritar. Mas eu amo aquele homem, meu menino lindo. Meu Synyster Fuckin Chato Gates.

- Parace que o Gates quer se vingar. — Johny falou perto do meu ouvido.

- É, aquele corno. — Respondi. Nós rimos, e eu recebi um tada de costas de mão no braço

- Posso ser corno, mas já dei vários também. — Ele é provocante.

- Então, podemos ir? — Matt voltou do quarto, arrastando mentalmente todos para dentro do seu grande carro.

- Eu vou depois. — Falei um pouco pensativa.

- Tem certeza? Tem que entrar pelos fundos hoje. — Matt é um fofo... Menos quando acorda, fato.

- Tenho. Eu vou pegar meu celular, reaplicar meus remédios e vou. — Não pude deixar de perceber o olhar confuso de Oliver.

- Como assim "reaplicar"? — Arin finalmente falou algo.

- Bom... É que... — Eu fiquei meio sem ter o que falar.

- Eu explico no caminho. — Meu amiguinho lindo fez todos tirarem a atenção de mim. Tá vendo porque eu amo esse idiota? — Se você permitir, claro. — Ele se virou e olhou para mim.

- Tudo bem. — Eu sorri de lado. Ele me retibuiu, me passando confiança. Incrível.

Eles saíram e eu caminhei até o meu quarto. Peguei o remédio que teria de tomar, mas apenas fiquei encarando a caixinha. Dói muito ter que tomar aquilo todos os dias. Eu me sinto como uma doente, como um fardo. As palavras de minha mãe tem sentido. E muito. Ela sempre estava certa. Ela me colocava para baixo, eu me deprimia e ela estava certa mais uma vez. Não era a primeira tentativa de suicídio da minha vida. Eu estava triste, muito triste. Tirei as pulseiras de meu braço e encarei aquilo que agora, já eram arranhões. Então, senti algo bom dominar o local. Um sentimento de companhia própria, felicidade, amor, paz... E apenas um nome em minha cabeça. THE REV. Pode parecer estranho, ridículo, mas é bem isso. Eu sorri do nada, o que sinceramente, me assustou um pouco. Então eu tomei o remédio, peguei meu celular e deixei o local.

Mas no caminho, o sentimento de perseguição voltou. E é horrível, eu realmente fico inquieta. Olhando de um lado para o outro, sem saber o que fazer. Com vontade de correr, só isso. E eu começo a me sentir estranha, sempre assim.

- ENTRA NESSE CARRO AGORA, GAROTA!! — Como não reconhecer aquela voz linda (E cá para nós, muito sexy)?

- Zacky? — Perguntei me virando. E percebendo que havia acertado, óbvio. — O que está fazendo aqui?

- ENTRA AGORA! — Ele ignorou minha pergunta. Então eu entrei no banco ao seu lado, do carro de Matt. Ele me encarou confuso.

- Cara, o que aconteceu? — Perguntei, ainda confusa.

- O Syn falou do que você sentia no caminho para o ensaio. — Eu o olhei com cara de "E daí?". — E naquele mesmo momento, eu pude sentir também.~Falei para o Matt que vinha pegar o amplificador.

- Ué, porque?

- Porque não queria que ele viesse, muito menos o louco do Syn, ou todo mundo alí. Eu não conseguiria fazer certo dessa forma. — Nós rimos. — Não me acha um louco, acha?

- Não, acredite. Não tenho motivos. — Eu deitei minha cabeça em seu ombro, que começou a acariciar cuidadosamente meu rosto. E depois, desencostei, o liberando para dirigir o carro.

Claro que eu fiquei quieta no carro. Obviamente o Zacky estava pensando em que desculpa iria dar quando chegasse lá e escutasse um "O amplificador está aqui, seu doente!". E eu, bom... Eu estou confusa. Se o zacky também sentiu, alguma coisa tinha. Mas preferi ficar quieta. Só queria assistir mais uma pequena repassada do show e pronto. Depois, iria ter todo o show. e eu e o Oliver, estariamos em especiais, do lado do palco. Nada melhor. Mas tudo aquilo ainda estava me intrigando. Afinal, sempre tem mais algum segredo escondido. Falo isso por mim, sempre fui assim. Talvez eu realmente seja louca. Mas não conta. Chegamos no local e fomos em direção ao palco principal.

Notas finais
Gostaram? u-u Eu gosto de drama, desconfiança, mistério... haha' eu ainda estou tentando adaptar a outra fic... Mas acho que com Tokio Hotel ficaria melhor, sei lá. Mas to tentando. Apesar de que, leio uma história por si e não pela banda. Mas da mesma forma. Obrigada por estarem acompanhando. Espero que tenham gostado =D