The Possibility That I Never Considered
20 Again (?)
Notas iniciais
Demorei um pouquinho mais que o normal para postar esse, não foi? Pois bem, deu trabalho escrever isso aqui. Vocês vão entender tudo depois. O capítulo tá dividido em três partes e eu dei privilégio à esses personagens. Como eu disse: Tudo tem um motivo. Quando chegar a hora, vocês ficam sabendo. E tem uma parte lá, que não tá em nossa língua. Não tentem entender ou colar no google tradutor, vai dar tudo errado. Apesar de eu ter achado uma ideia tanto tosca quando ridícula colocar daquela forma. Mas eu não sou um robô e isso foi tudo o que eu consegui.
Sobre a personagem que vai aparecer, quem me mandou reviews do capítulo passado e me mandar desse receberá o aviso privado. Porque tem que ter lido essa capítulo.
Vamos ao que interessa, boa leitura e nos vemos lá em baixo.
—Não sabe combinar roupas.
— Achei que já tivesse parado com isso.
— Impressão minha ou você não está muito animado para uma noite de Natal?
— Juro que eu daria qualquer coisa pra dizer que é impressão sua.
— Qual é o problema?
— Porque acha que eu tenho um problema, May?
Noite de vinte e quatro de Dezembro. Nenhuma festa muito marcante, mas uma reunião de família. A de Matt, podemos afirmar com clareza, é bastante unida. E o Natal era mais um motivo de comemoração e de união entre eles, afinal, não tinham motivos para estarem tristes, preocupados ou qualquer coisa do tipo. Mas ele estava.
— Matt, você está recebendo cartas anônimas, preciso falar mais alguma coisa?
— Não tô preocupado com isso, com certeza tem algum idiota querendo colocar medo na gente e fica mandando essas cartas estranhas.
— O que te leva a pensar isso?
–- Nada aconteceu até agora, apenas recebemos cartas.
— Seja quem for esse assassino estranho, está se saindo muito bem.
— Mayane?
Se tratando do Matt, o olhar e as ações lhe pareciam estranhos. Ela falava com mais certeza do que deveria sobre o assunto, afinal, até agora ela não estava no meio de nada daquilo. Até porque, era muito suspeito exatamente ela ter sido “cercada” e não qualquer outro da família. Justamente a garota que sempre brigava com ele, somente ela da família sabia de alguma coisa. Seria ela o alvo ou a flecha? Ou seria ele o problema? Matt Shadows paranoico, ótimo, agora sim o anônimo estaria fazendo um bom trabalho.
— O que foi?
— Nada, ignore.
— O que tanto te preocupa, Matt?
— Não sei.
— Como assim não sabe? — Quase “gritou” a mais nova, tentando mostrar o quanto a situação a deixava curiosa. Encarou o primo com um olhar preocupado e desconfiado, mostrando uma expressão nada diferente. — Parece que você tá começando a ficar paranoico, Shadz. — Ela não obteve uma resposta. Esperou pouco tempo por alguma coisa, mas não tinha nada, nem mesmo uma respiração mais forte para denominar como suspiro e a expressão dele não combinava nem um pouco. O que dificultava a resposta certa, Matt estava andando com esse ar de misterioso ultimamente. — Não pode ficar paranoico. Estressar algum de vocês é exatamente o que esse anônimo estranho aí quer, se conseguir estressar exatamente o remetente das ameaças vai piorar a situação, não vai?
— São apenas pivetes brincando com a minha cara. — Foi uma resposta seca e talvez, um tanto sombria. Tensa, fria, estressada, o tom mostrava claramente o medo que este carregava em si. — Não é nada de mais.
— Como assim “Não é nada demais”, Matthew? — Uma pausa para encarar o homem, tão grande, tão forte, tão indefeso, tão… Tão confuso. Ele não estava conseguindo mentir mais, mentiu por muito tempo e para todo mundo, mas sabia que uma hora teria de contar para alguém. Estava com medo, era quase impossível esconder naquele momento. — Você não acha a história muito bem feita para ser um trote não?A tradução, a sua fobia, os acontecimentos e até o seu passado, talvez a família Sanders possa ser essa família Karmo.
— Meus pais não esconderiam um sobrenome de mim.
— Não precisariam esconder o que você nunca iria ficar sabendo. — Matt a encarou confuso, pedindo uma explicação apenas com o olhar. Aquilo não fazia sentido. — Pensa comigo, aos dezoito anos temos autoridade para mudar de nome. Seu pai pode conhecer a história e ter feito isso para esconder tudo.
— Mas porque, Mayane?
— Isso eu não posso te dizer, Matt. Você só vai conseguir descobrir conversando com ele.
— Mas e se isso não for uma boa idéia?
— Porque? — Ele encarou o chão, sem respostas mais uma vez. O que estava fazendo com que ele se sentisse constrangido. — Tem mais alguma coisa, Matt? Você ainda está me escondendo algo?
— Talvez.
— Não pode esconder nada em uma situação como essa.
— Primeiro que tem piores, segundo que isso não é assunto para uma noite de Natal. — Exclamou o mais velho e nem deu chances da prima falar algo. — Anda. — Puxou-a pelo braço. — Vão achar estranho se ficarmos a festa inteira aqui sozinhos.
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— BRIAN!! — Gritou a mais nova de cabelos roxos, indo em direção ao irmão e por acaso, grande ídolo também. — Eu tava com saudades de você.
— Eu também, Mckenna. — Ele a abraçou de volta bem apertado. Havia um tempo que ele não encarava a garotinha de cabelos coloridos. E podemos dizer que na verdade, ela ainda não tinha cabelos coloridos na ultima vez que tinham se visto. Ele já sabia, mas ainda não tinha visto, — Gostei do seu cabelo.
— Sério? Porque eu não senti nenhuma empolgação nessa fala.
— Acho que cabelos roxos me lembram uma pessoa que eu não quero lembrar. Sentimentos que não quero sentir. E algumas lembranças que eu não deveria lembrar. Mas eu gostei do cabelo, sério.
— Como assim?
— Conversamos depois, sem estarmos na frente da família toda, tá bem? — A irmã apenas assentiu com a cabeça.
Synyster tinha um presente para ela. Uma guitarra, cópia da sua só que nas cores roxo e verde e com a Deathbat da irmã gravada (sem a parte do “bat”). Uma guitarra bonita, além de tudo, a garota gostava do instrumento e costumava tocar muito com a de seu pai. Eles tinham uma relação sem igual, pai e filha, sempre que podiam estavam juntos. Brian gostava de saber disso. Sempre se dera muito bem com o pai também, embora não tivesse sido assim ultimamente, o Sr. Brian Haner achava que o Syn já estava muito ausente em quesito familiar, mas olha só, ele anda muito ausente até com os colegas de banda.
A Mckenna não estava entendendo a situação do irmão, mas ela já tinha percebido que ele tinha um problema e não era um problema qualquer. E ela estava totalmente curiosa para saber o que o Brian tinha para contar. Ele sempre tinha mais uma confusão, mas ela nunca o tinha visto em tal estado que chegava a dar pena. Pela aparência, o que passava era um homem muito forte que não se abala com nada. Pois é, parece que se abala sim.
O Sr. Haner não sabia exatamente o que sentia. Estava muito feliz por poder passar a noite de Natal com seu filho também, mas estava estressado. Naturalmente, Brian passava dos limites desde seus dezesseis anos de idade, sempre com o Rev. Mas seu filho foi seguir carreira artística e já não era mais aquele menino. E ele tinha ficado sabendo da pequena Mel e do quão juntos eles estavam. O Sr. Haner tinha medo dele começar tudo de novo e estragar a própria vida. Problema é que ele não conhecia a pequena, não sabia à quanto tempo ela já estava com a banda e muito menos que sua filha já a conhecia, apenas pela internet.
E o Brian… Nem ele mesmo sabia o que se passava dentro da própria cabeça.
Aquela troca de presentes entre os familiares, que conseguia ser divertida na família Haner, e uma Mckenna totalmente enlouquecida.Ela queria muito saber o que se passava com o irmão. Assim como queria saber sobre o que mantinha seu irmão na história. Eram muitas dúvidas rondando a mente da garota.
— Finalmente, parecia que nunca iríamos conseguir ficar sozinhos.
— Ah, qual é? Foi uma reunião interessante.
— É, eu sei. E obrigado pela guitarra.
— Combina com o seu cabelo. — Sorriram.
— Mas apesar de ter sido uma reunião divertida, Syn…
— NÃO… — Tenho que parar de assustar as pessoas com esse começo de frase em tom mais alto. — Me chame pelo nome artístico.
— Mas porque?
— Porque eu tô estressado com o Synyster Gates. — Ela fez uma expressão, tanto quanto “?” para o irmão, que começou a rir. Ele tinha falado o óbvio e tinha piorado toda a fala. — Eu realmente não sei como começar a contar.
— Então eu faço perguntas e você responde, tudo bem? — O mais velho assentiu com a cabeça enquanto a de cabelos coloridos começou a formular uma pergunta. — De quem lembra quando vê alguém de cabelos roxos e porque não gosta de lembrar dela?
— Dele. — Corrigiu o homem, assustando a irmã. — É o Zacky.
— Brian… — Ela parou por um tempo, ainda totalmente confusa e um pouco assustada, depois encarou novamente o irmão. — Você é gay?
— COMO É, MENINA?
— Você disse que cabelos roxos te lembram alguém que não gostaria de lembrar, te traz sentimentos que não gostaria de sentir e lembranças que não gostaria de lembrar. Logo depois fala que é o outro guitarrista da sua banda, o que quer que eu pense?— Preciso comentar que a mais nova conseguiu constranger o irmão e faze-lo corar violentamente? Ele tinha parado e pensado. Era exatamente isso que estava parecendo.
— Sua boba. — Ele a abraçou e a derrubou, exatamente como fazia com a Mel. Ambos caindo em gargalhadas. — E fique por aí com seus hormônios atacados, tá? Eu sei que tú tá em uma idade tanto quanto avassaladora, mas nem tudo é beijo, sexo ou qualquer coisa com esse tipo de relacionamento. — Ficou com um pouco de medo de ter assustado a irmã, mas percebeu que não tinha feito isso e riu ainda mais. Parando logo depois e se colocando quase sério. — Seria melhor se eu fosse gay e quisesse pegar o Zacky. O problema não seria tão grande. Só que não é isso, o problema é em nossa… amizade.
— Porque essa pausa antes de “amizade”?
— Porque eu já não sei mais nada. — A garota o encarou, esperando por uma continuação que não demorou muito a vir. — Eu e o Zacky temos brigado muito ultimamente. Não me pergunte por que. Ele é muito provocante e não quis me explicar isso, disse que eu teria de descobrir sozinho. Disse que eu tenho sido um idiota, e o pior de tudo: Ele está coberto de razão. Mas eu não sei o que é que tanto incomoda ele. E eu sinto falta de quando eramos amigos e do quão juntos ficávamos. Além do mais, eu fiz a proeza de piorar tudo.
— O que você fez?
— Uns tempos atrás, ele veio falar comigo sobre isso. Eu o coloquei pra fora do quarto depois dele falar que eu só estou sendo esse idiota agora por causa do Jimmy. Na hora, eu pensei que ele queria culpar o Rev, mas não era isso.
— Calma Brian, fala devagar. Agora me fala, com quem a Mel ficou:
— Com ele.
— E porque ficou com ele e não veio contigo?
— Porque o Zacky é o único que não foi visitar a família no Natal e porque seu papai não suporta ela. — Sorriu.
— Porque o pai não gosta dela? — A pequena garota se assustou com o comentário. Ela nem sabia que o pai sabia dela e queria poder conhecê-la.
— Eu não sei bem, mas ele acha que ela pode ser um fardo para a banda. Ele sempre foi meio estranho e ficou chateado quando eu saí de casa para tentar com a banda, então acho que ele vai cismar com quase tudo do que acontecer comigo. — Riu mais uma vez. Estava tentando fazer como a Mel, levar tudo com um sorriso no rosto.
— E porque o Zacky não foi passar o Natal com a família?
— Não faço a menor idéia.
Pararam e por um momento, reinou o silêncio.
— Brian. — Chamou a pequena, tendo como resposta um grunido preguiçoso do mais velho, como um “hum”, bem baixinho. — Posso conhecer a Mel?
Ela ficou encarando por um tempo a expressão pensativa do Syn. Ele já sabia a resposta, mas quera demorar ela um pouco.
— Desculpa, Mckenna… Mas infelizmente não.
— Porque?
— Teria de vir comigo e com a banda para ver ela e eu não quero te envolver em nada, tudo bem?
— Do que você tá falando? Tem acontecido alguma coisa estranha?
— Sim, umas cartas que o Matt tem recebido ultimamente e eu tenho uma impressão de que todo mundo está envolvido. E se você for, pode se envolver também, desculpe mas eu vou seguir meu cargo de irmão mais velho e vou te proteger.
— Mas não protegeu a Mel?
— Infelizmente ela chegou antes disso. E eu tenho a impressão de que ela é muito mais que uma garotinha nesse caso. Vem cá, cadê a Pinkly?
— Tem certeza que só não quer que eu vá porque você é gay? — Sorriu a mais nova.
— Já disse que não quero pegar o Zacky!!!
— Mas ninguém falou do Zacky, meu amor. Eu digo onde está a Pinly, vem. Mas me explica isso das cartas melhor.
Parece que o Brian se dá bem com garotinhas de 14 anos, fazer o que?
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POV’s Mel
— ZACKY!!
— Oi.
— Nossa, que frio. — Não tive respostas, ele apenas revirou os olhos. O Zacky tava exatamente assim, isso meio que estressa um pouco. Meio e um pouco é o caralho, estressa demais mesmo. — O que está fazendo?
— Nada!
— Olha aqui, Zacky — consegui fazer ele virar a atenção para mim, me encarando um tanto quando desentendido. — Se você quer ficar bancando esse idiota com todo mundo, foda-se. Mas também não vá ficar chamando o Syn de um monte de coisas não. E se vai me tratar assim, eu quero pelo menos um motivo justo para que isso aconteça. Porque caso não tenha percebido, é Natal, eu passei o Natal com um ídolo que sempre admirei e que está me tratando com indiferença. A gente ainda tem mais uns dois dias pela frente antes do resto do pessoal chegar, então trate de me explicar tudo para que se eu precisar, pedir desculpas. Anda, o que eu fiz?
— Nossa. — A única coisa que eu tenho para me falar é: Sua idiota, o cara tá mal, para de pensar em você e percebe que o cara tá triste, não trata ele assim, sua puta de esquina. Sério, é tão horrível ver tanta tristeza assim no olhar dele. — Acho que o Syn tirou a sorte grande. Tô precisando de uma amiga como você.
— Mas eu to aqui, V. — Se sentei ao lado dele e o encarei, tentando passar um pouco de confiança, sem sucesso. — Eu posso te ajudar sempre que você precisar, seu bobo.
Abracei ele e lentamente, ele me abraçou também. O abraço dele é confortável, sabe?
— Me fala, Baker… Porque você tá chateado assim?
— Acredita que eu não sei direito? — Ele sorriu e eu o copiei, só que com uma expressão um tanto confusa. Fiquei por um tempo, esperando uma explicação melhor, talvez um sinal de que alguma coisa já tinha aparecido na cabeça dele.
— Porque você está estressando com o Gates?
— Eu? — Ele fez aquela carinha de desentendido como quem não quer responder algo, mas isso não funciona comigo, nunca funcionou. — Eu não sei. Só queria que ele se importasse comigo como eu me importo com ele.
— Ele não te xinga, não te ameaça e nem faz chantagens emocionais para você, Vengeance.
— O que você quer dizer com isso?
— Essas aí são suas formas de expressar que se importa. A dele é diferente, é menos percebível. O Brian não faz absolutamente nada, mas está marcado no olhar dele. Tenta encarar ele melhor quando encontra-lo novamente.
— Tenho medo, Mel.
— De que?
— De encarar ele. — Continuei no jogo de expressão facial que sempre usava para exigir uma explicação que demorava pra chegar. — Eu acabo lembrando de tudo. De quando éramos amigos, de nossas brincadeiras, nossas farras… — Já disse que o sorriso dele é muito mais bonito quando é verdadeiro? — Tenho medo de ficar com ainda mais raiva por tudo que ele tem feito.
— Zacky, encara o Syn como se fosse um objeto. Para bem em frente à ele e me diz: Quem mais tem feito exatamente o que ele faz, por raiva disso? — Parece que alguém aqui gosta de encarar o chão, não é tio bolota?
— Eu? — Assenti com a cabeça. Pelo menos isso do Syn ele não tinha, não escondia de si mesmo, seus próprios defeitos. — Eu. Nossa. Isso é estranho…
— Isso é um tanto contraditório. Mas as verdades são mesmo assim, se não soubermos separar, nada vai fazer sentido.
— Tá treinando pra ser a futura Willian Shakespeare, é? — Rimos. Idiota.
— Talvez eu seja a vítima dele. — O clima já não estava mais pesado por alí. — Seu bobo.
— Mentiria para mim?
— Eu creio que não, porque?
— Como anda exatamente seu relacionamento com o Syn.
— Tá voltando ao normal. — Sorri. — Estamos voltando a ser amigos. Mas porque a pergunta?
— Amigos não se beijam. Pelo menos não na boca e não trancados em um quarto. Muito menos com uma diferença de idade tão grande. Ou se beijam?
— Não, mas… — Se demorasse mais um pouquinho pra cair a ficha, eu mesma iria me atirar do ônibus quando ele entrasse em movimento. Estava muito na cara. — Era você?
Ele sorriu.
— Na verdade, não. — Ok, talvez não estivesse tão na cara assim. — Mas o Johnny acabou me contando sem querer um dia desses.
— Então era o Johnny. O anão me deve uma. Brian queria sair e acabar com o rosto de quem tinha visto, e na verdade, eu quase apanho pelo Johnny. — Apesar de sem graça, Zacky estava rindo. Sínico.
— Desculpa tocar no assunto do nada, eu só fiquei curioso mesmo, — Sorri de leve para ele e, por um tempo, ficamos em silêncio absoluto. Isso sim é estressante.
— Onde está a Gena?
— Não faço idéia.
— Achei que chamaria ela pra passar o Natal com a gente. — Ele encarou o chão, sem expressão alguma. Aquilo realmente já estava me estressando. — Vocês… brigaram?
— Não exatamente. Foi só uma discussão.
— Porque?
— Como você disse, parece que eu tenho sido um idiota com todo mundo. Isso influenciou um pouquinho.
— Um pouquinho?
Tá, fiquei sem resposta. Mas não porque ele não quis dizer nada. Ouvimos um barulho e depois, algum similares à passos. Tentamos identificar qualquer coisa por um tempo de uns cinco segundos ou pouquinho mais, até vermos um vulto preto do lado de fora do ônibus. Depois que o barulho diminuiu. Obviamente saímos correndo de onde estávamos e o Zacky ainda tentou achar o cara ou “a cara”, mas a noite estava bem escura. Eu observei em cima da mala do Zacky, algo que tinha me chamado a atenção. Um envelope amarelo fosco.
— Zacky! Zacky, vem cá! Zacky?
— To aqui Mel, o que foi? — Ele entrou, ainda analisando o ônibus, mas sem sucessos de encontrar algo visivelmente diferente. Isso no geral. Estique minhas mãos e entreguei para ele, o envelope. — Onde achou isso?
— Apareceu aqui em cima de tua mala. — Falei enquanto ele observava calmamente o envelope que tinha pego de minhas mãos. — Quais são as possibilidades de aquele vulto preto que vimos lá fora foi alguém que entrou aqui para colocar isso e depois fugiu?
— Por enquanto, todas. — Ele finalmente me encarou. — Vem, vamos ler o que tem dentro.
Sabe, você que recebeu essa carta. Vou direto ao ponto. É melhor ninguém ficar sabendo da existência dela. Eu estou vigiando vocês, sei cada passo e cada erro, cada sentimento estranho, sei tudo. Sabes bem como não pode mostrar. Mas mesmo assim, ainda irei dizer. E que quanto mais complicado for, mais simples estará ficando… Para quem você não quer.
Sivh smuj rednek piak re-ted sareg. Ted iarkit tegem sareg ereav iareg rednu si sted sison go en ereav satgnedapen. Ted iabal tdog iak ned agaizdem revig sarkit-mat, ran sem ne sakuinus i usum redneah. Seirp lit sarsiag ta sakein edvah asard fa itnikianap, ned uinyvtop ap ak negni ovub tedom si emmovs, i ne silibomotua ta sakein ellive asard fa itysari, dem oro tdlok subravks i ysum dniks, isiv sivh ajoutrevnok. Re saminiged, nedu ajickudorp, nedu sen, nedu piak, nedu itsarpus… Nedu etlak elgon. Sakein ekki stap-sat pleajh. Itoniz fa siruk gej sa relat? Piak ted ovub tedom si evigpo sidris egilebaksnedil? Sen re-ted, sa es sij asgo. Sailaz, alb, ivskilp, negni avlaps redniv sout nurb. Sadur terof si tgyrf, stinaiceivs fa rodirb, esledil lagap tetni, lagap ta en rah dlyks. Sakeins re samsuaj un, sarkit-mat? Idrof itub ednek dak ned uaigolb ekki ekeisap, ekki ary kul.
— Sinto lhe dizer, Mel… Mas as possibilidades de alguém ter entrado, colocado isso aqui e ter fugido continuam sendo todas.
— Que. Caralho. É. Isso? — Perguntei. Assim mesmo, pausadamente. Até era percebível com o latim, mas puts, aquilo é impossível de entender. — Que língua é essa? A que usam para se comunicar no interior de Marte? — De certa forma, conseguimos rir um pouco da situação.
— O jeito é guardar, esperar todo mundo chegar e chamar o Thomas de novo. — Ele falou, colocando novamente os papéis no envelope. Ou pelo menos, tentando colocar.
— NÃO! — Quase gritei. — Você tá louco? Seja quem for, tá vigiando e eu tenho certeza que fechar as cortinas da janela do carro é pouco, até porque vamos para um hotel em três dias, não sei por que porra.
— E daí?
— E daí que ele ameaçou e disse que não podia sair dali, não podia ser mostrado para mais ninguém. E já tem dois que sabem ,a carta era pra você, não pra mim.
— Mas eles não vão poder fazer nada contra você se todo o resto tiver sabendo disso, entenda.
— Não, entenda você. Se ele ameaçou, ele não vai fazer nada com quem mostrar, e sim, para quem mostrarmos. Zacky, isso tem que ficar em segredo total.
Ele parou e pensou um pouco, ainda me encarando. Parecia buscar uma resposta.
— Tudo bem. — Ele guardou o envelope bem no fundo da mala dele e voltou para a pequena “sala de TV” do ônibus. — Não precisa se preocupar, não acho que ele venha fazer mais alguma coisa com qualquer um de nós. Estranho mesmo foi o motorista não ter percebido e a porta estar aberta. Mas só pra constar, você dorme comigo hoje. Não vai ser difícil, afinal aqui tem que dormir todo mundo no montinho mesmo.
— Zacky… — Falei em tom fraco, apenas para chamar a atenção dele. Que me encarou com suas órbes verdes, esperando (im) pacientemente pela continuação. — Na carta ele disse “Sabes bem como não pode mostrar. Mas mesmo assim, ainda irei dizer.”.
— E daí? — Ele me encarou com uma expressão que parecia dizer “Eu to fingindo não estar com medo, mas estou tremendo por dentro, visivelmente” Sua voz saiu um pouco fraca. Não pude segurar um risinho nessa hora.
— E daí que fica parecendo continuação. E se essa carta for pro Matt?
— Aí fudeu de vez. — Ele tentou brincar, até conseguiu. — Mas isso não é noite de falar dessas coisas, tudo bem? É Natal, porra. E eu tenho ceia.
— Sério? — Perguntei com cara de tédio. — E o que é?
— Três sabores diferentes de Cokies, você pode escolher. — Gargalhamos juntos. Zacky é um cara divertido quando não está invocado.
Passar o Natal jogando video-game e comendo cokies com um de seus guitarristas preferidos. Na boa? Até eu acho isso muito estranho. Mas foda-se, era o Zacky Vengeance. Sem contar que eu ganhei bônus por estar usando uma camisa do Vengeance University. A noite passou e uma hora nós teríamos que dormir, certo? Não tinha acontecido nada de estranho, não que eu tenha visto.
Mas enquanto dormia ao lado de Zacky, senti alguma coisinha caindo lentamente ao meu lado e abri os olhos ainda tendo tempo de ver o objeto fininho cair bem devagar. Só me toquei quando ele chegou ao chão. E ainda teve tudo aquilo de coçar os olhos, identificar o lugar, reparar no relógio (por acado, cinco e meia, não tinha nem duas horas que eu tinha ido dormir)… E aí sim, me lembrei que eu só acordei para ver alguma coisinha. Por sorte o Zacky não é como eu, tem um sono muito pesado e não acordava com um pedacinho de papel. Nesse papel, tinha escrito: “Não sei se entende, mas isso vale pra você também”.
What the fuck???
Notas finais
Beijos gente, se cuidem e vejo vocês no próximo capítulo.
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