The Poor Boy
1 The weird boy
Yuuji... Pense no que está fazendo, pois a partir do momento que atravessar esta porta, nósiremos nos esquecer da sua existência...*** Há momentos na vida que procuramos um modo de nos libertar daquilo que nos aflige. Talvez o motivo de eu tomar esta decisão seja por algo um tanto bobo, mas agora não posso voltar mais atrás, pois conheço muito bem meu pai, e sei que ele realmente cumpre aquilo que diz; o admiro por ser assim, tão determinado, e espero um dia merecer admiração, assim como ele.
Talvez seja a fase pela qual estou passando, estou no colegial, e como dizem os mais velhos: está é a fase da rebeldia. Corro o risco de esta minha decisão se tornar algo frustrante em minha vida, porém, agora, pelo menos, estou decidido a dar o melhor de mim, para que assim, eu possa mostrar que sou maduro o suficiente, e livre para fazer minhas próprias escolhas. Nossa família é de classe média. Meus pais não são extremamente ricos, mas me deram uma vida confortável. Eu estudara desde o primário em um colégio particular, porém, o colégio não era um daqueles extravagantes, apenas para filhos de empresários. Graças à vida confortável que meus pais me ofereceram, tive a oportunidade de ajuntar muito dinheiro, já que mesmo eles atendendo meus caprichos, ainda insistia em trabalhar. Agora morava num pequeno apartamento, perfeito para um homem solitário, que não tem muita habilidade com os afazeres domésticos. Quando achava que estava começando a encerar o chão do apartamento, já havia chegado ao fim dele, de tão pequeno que é. Eu já fora mais preguiçoso, inclusive nos estudos, mas por incrível que pareça, a solidão transforma as pessoas; desde que eu me mudara, passava todo tempo vago estudando, já que tinha uma meta para meu último ano escolar: a bolsa no colégio Higashi no hoshi. Este colégio era um destes só para a aristocracia, mas costumavam oferecer bolsas para aqueles que eram providos de muita inteligência; apesar de eu não eu nunca ter sido um aluno exemplar, minha mãe sempre dizia que eu só não sabia tirar proveito da grande capacidade que eu possuía. Agora eu iria ver se o que ela dizia era verdade. *** Fazia um belo dia, mas não sabia se o céu azul era algum tipo de bom presságio, pois quase todos os dias andavam sendo bons; já estava com o uniforme do meu antigo colégio, e após ter tomado o café da manhã, segui rumo ao colégio Higashi no hoshi, para prestar o exame de seleção. Para minha surpresa, meu celular começou a tocar minutos após eu ter saído do meu apartamento, e não tinha a menor idéia de quem poderia ser logo cedo; então o peguei em um dos bolsos da minha calça, para ver qual era o número que o identificador mostrava, pois dependendo de quem fosse, nem atenderia; mas quando vi que se tratava de minha mãe, atendi mais que depressa, já que ela era o único contato que tinha com a minha família. - Okaa-san! - Yuuji,como você está? - Bem, e você? - Também estou bem. Ne, Yuuji, você vai prestar o exame hoje, não é? - Sim, eu vou. - Ah, faça uma boa prova, ne. Espero que fique tranqüilo durante ela. - Obrigado, okaa-san... Mas como vão as coisas em casa? - Seu pai anda distante. Depois de ele ter descoberto aquilo, ele nunca mais foi o mesmo. - Okaa-san... Perdão por te fazer infeliz, mas eu não agüentava mais.Eu sou um egoísta, só penso em mim mesmo. - Yuuji, não diga isso! A felicidade de uma mãe é ver seu filho bem. Se você está bem assim, eu também estou. - Obrigado, okaa-san. - Bom, agora espero que consiga realizar o desejo de entrar no colégio Karwato, ne. - Também espero... Até mais, okaa-san. - Até mais, Yuuji. Me sentia melhor, mais confiante, após a ligação de minha mãe, pois ela sempre esteve ao meu lado; até mesmo agora, ela vinha me visitar vez ou outra, sem que o meu pai soubesse, e conversávamos muito através da internet. Era um tanto engraçado ter sempre que dar o relatório do dia para minha mãe por meio de mensagens, sem contar os sermões, que não me assustavam, mas que me faziam rir, já que imaginava a cara que ela fazia enquanto digitava. Chequei meu relógio de pulso, apesar de ter certeza de que não estava atrasado, mas queria saber se iria chegar cedo demais, ou na hora certa. Quando já estava frente ao colégio, mais uma vez me espantei com o seu tamanho, pois todas as vezes que lá passava, parecia aumentar de tamanho; sem contar o interior. No dia que eu fora me inscrever, pensara que iria me perder, antes de chegar à secretaria. Por sorte, ainda eu não cruzara com nenhum dos alunos esnobes que lá estudavam, pois já bastava pensar que, teria que os agüentar por um ano inteiro, caso passasse no exame. Ao adentrar o colégio, atravessando a longa passagem até o prédio, vi outros, que usavam uniformes de diversas escolas de Tóquio, sentadas em um canto e outro, mas eu, como estava sozinho, preferi ir até a secretaria novamente, para perguntar se já podia permanecer dentro da classe que aplicariam o exame.
Não fora muito fácil encontrá-la, novamente, já que minha memória não era tão boa, mas pelo menos não confundi tanto os corredores como da primeira vez. E quando estava postado frente à secretaria, disse: — Ah, oi. Queria pedir uma informação. - Sim. O que deseja saber, rapaz? - Aqueles que vão prestar o exame, podem já se dirigir para classe em que ela vai ser aplicada? - Infelizmente não... Mas pode matar o tempo passeando pelo colégio! Por que não aproveita para conhecê-la? Não vai ter tempo para isso quando começar a estudar aqui. - Nem sei se vou conseguir... - Ora, mas que pessimismo. Agora vá, vá se distrair passeando. Não sabia se ela só estava querendo ser gentil comigo, ou estava na verdade me enxotando. Tinha medo de acabar me perdendo por aquele colégio, e perder o horário do exame, mas como ninguém parecia estar supervisionando os corredores, resolvi ocupar meu tempo memorizando o caminho que levava à sala que ficaríamos durante a prova. Um quadro, logo na entrada do prédio, indicava o rumo que deveríamos tomar, através de uma planta do colégio, e com esforço, comecei a seguir o trajeto, parando vez ou outra, em um dos corredores, um tanto inseguro do lado que deveria tomar. Por fim, cheguei ao corredor desejado, e achei a sala, onde vi um homem já dentro dela. Pensei em ficar parado frente a ela, mas era cansativo, e talvez arriscado, já que a mulher dissera que não podíamos ficar na classe. Podiam achar que eu estava tentando ver algo antes da hora e me expulsarem, então voltei a minha caminhada pelos corredores, até encontrar uma das portas abertas.De início, coloquei apenas minha cabeça para dentro da sala, e após me certificar de que não havia ninguém nela, a adentrei, vendo então que se tratava de uma pequena biblioteca. Já próximo de uma das estantes, pegava alguns livros que os títulos me interessavam, e dava apenas uma pequena lida, para não me distrair, e acabar esquecendo a matéria estudada. Devido ao silêncio daquela sala, tinha certeza de que estava sozinho nela, sem contar que eu não vira ninguém ao entrar,mas de repente escutei o barulho de um livro cair, me deixando então paralisado. Não sabia se devia dizer algo como “Tem alguém, aí?“ ou ficar em silêncio, já que havia a probabilidade de ser algum funcionário do colégio, mas por fim, resolvi caminhar silenciosamente, para ver se realmente havia alguém, ou se o livro caíra acidentalmente. Passei pelo primeiro corredor de livros, depois por outro, e só no último fui encontrar um garoto, que parecia ter minha idade, sentado lado a estante; não usava nenhum uniforme, então provavelmente não iria fazer o exame. O que estaria fazendo aqui sozinho? — Ah, bom dia – ele disse, ao notar minha presença. - Bom dia. - Veio fazer o exame? - Sim. E você? - Ah, estava entediado, então resolvi vir ao colégio, mesmo não tendo aula hoje. - Hm, sim... - Nervoso com o exame? - Um pouco. - Devia se preocupar mais com as pessoas que vai conhecer neste colégio. Me assustou um pouco aquele comentário, pois achava que todos do colégio eram inofensivos, já que não passavam de aristocratas, mais preocupados com suas compras e viagens para o exterior; mas quem sabe existia algum tipo de gangue, possivelmente pior que a de colégios públicos, por serem ricos e terem mais armamento a disposição. Era bizarro imaginar a cena daqueles frescos atacando os outros, mas não quis demonstrar o meu espanto para aquele garoto, pois ele podia ser um deles, e por isso já me ameaçava dizendo isso. — Obrigado pela informação. Caso aquele garoto quisesse briga por diversão, seria o mesmo que tentar suicídio, já que era esguio; sem contar que ele tinha um ar inofensivo, só parecia ser um pouco chato, mas eu não poderia esperar mais nada de um riquinho fresco, com ar de intelectual. Será que se eu arrancasse os óculos de sua cara, ele ficaria como aqueles nerds? Assim ele iria ver com quem deve se preocupar, além de ter que suplicar pelos seus óculos. Após eu emergir dos meus pensamentos perversos, voltei a observá-lo, e em seguida disse: — Vou indo... Tchau. — Até –ele falou, enquanto folheava um livro. Acho que me tornaria uma pessoa amarga, caso entrasse neste colégio, a prova disto foi aquele garoto, que parecia um poço de antipatia com aquela cara; mas por um lado acho que eu conseguia compreender o porquê de ele ser assim. Normalmente estes ricos costumam ter apenas um filho, e assim toda a responsabilidade cai sobre ele ao alcançar determinada idade. Deve ser estressante a cobrança dos pais; acho que estas pessoas não têm vida, nasceram apenas para levar o nome da família adiante e a boa fama também. Prefiro levar uma vida razoável, ao invés de uma cheia de luxos, mas estressante; para quê vou acumular tanto dinheiro, sendo que no fim eu vou morrer sem ter gastado tudo?Além de que, ter sempre tudo aos nossos pés, torna a vida tão chata... Prefiro acordar todos os dias, sabendo que tenho mais uma meta para alcançar. Olhei novamente meu relógio de pulso e vi que faltava mais cinco minutos para o exame, então me dirigi até a sala, onde voltei a ficar postado frente à porta, assim como alguns outros, que também já aguardavam ao lado da porta. E assim que ela se abriu, vi que um e outro ficaram imóveis, parecendo muito nervosos. Um homem de meia idade, ao meu ponto de vista, surgiu pela porta, e logo ordenou que nós entrássemos; como os alunos daquele colégio, ou pelo menos como aquele que vi na biblioteca, tinha um ar imponente, e nos observava como se estivesse selecionando soldados para guerra, sendo que não passávamos de simples alunos atrás de uma bolsa de estudos. Ele olhou para o relógio que havia na sala, e mais que depressa, correu fechar a porta, deixando algumas pessoas para fora, que em seguida passaram a bater, pedindo que abrisse, porém, o homem fingiu não escutar, dizendo: — A pontualidade é algo extremamente importante neste colégio. Todos que estavam na sala se entreolharam, e ouvi a garota que estava na minha frente, dizer baixinho para outra: — Você notou que poucas pessoas vieram prestar o exame? — Sim – disse a outra garota. — Dizem que o ensino não é tão rígido, mas muitos desistem por causa das regras e da antipatia dos professores. — É? — Sim, dizem que eles só dão prestigio para os ricos. — Que injusto! — Ah, fica quieta, aquele homem está vindo para cá. Ambas ficaram quietas e petrificadas, fingindo não serem elas as que conversavam até segundos atrás, mas não tinha como enganá-lo, já que eram as únicas que falavam, e provavelmente ele ouvira a conversa toda, mas acho que em algum lugar, ainda existia humanidade naquele ser, que não as expulsou da sala, apenas colou o caderno de exame em suas carteiras. Não demorou muito, e logo eu já tinha um caderno em minha carteira também. O homem após entregar o exame para todos, seguiu até a porta, e em seguida checou o horário mais uma vez, dizendo: — Muito bem, vocês terão três horas para fazer o exame, começando a partir deste momento. Minhas mãos começaram a tremer de súbito, e ao abrir o caderno, comecei a folhear as páginas, para ver se havia muitas questões que eu não saberia responder, mas para minha surpresa, eu sabia praticamente tudo, e então retirei uma lapiseira de meu estojo,e mais que depressa comecei a responder as questões, e resolver alguns cálculos. Eu não conseguia acreditar que estava indo tão bem; era como se um milagre tivesse acontecido. *** Faltava mais alguns minutos para que o tempo acabasse, e a sala estava praticamente vazia, mas tentei me manter calmo, pois queria entregar o exame impecável, e precisava conferir todas as questões. Quando terminei, ainda não acreditava na segurança que eu tinha com as minhas respostas, e sentindo uma enorme felicidade, entreguei o caderno de questões para o homem, que provavelmente devia ser um professor, e segui para fora da sala, encontrando já o garoto da biblioteca no corredor. — Foi bem? –ele perguntou, quando passava frente a ele. - Hm? Está falando comigo? - Sim. –falou, com uma expressão indiferente em seu semblante. - Acho que sim, apesar de ter sido um dos últimos a sair. - Que bom. Normalmente os últimos que saem, são aqueles que mais se esforçam. - Você é estranho – disse num impulso.
- Por quê? –ele perguntou, sem mudar a expressão. - De início me disse aquilo, que me pareceu uma ameaça, agora diz “que bom”, isso é estranho. Você está me fazendo de bobo? - Não, só queria conversar com alguém, e eu fui com a sua cara, só isso. Estava curioso para conhecer um futuro bolsista – ele falou com certa ironia. - E você não vê bolsistas todos os dias, enquanto está em aula? - Não, pois os poucos que tinham, já saíram do colégio. Talvez fosse uma daquelas típicas brincadeiras, que os alunos fazem com aqueles que ainda vão entrar no colégio; no meu caso, eu não sabia mesmo se seria aprovado, mas se eu ganhasse esta bolsa, nem as palavras de um nerdzinho rico, me fariam desanimar. Voltei a caminhar,ignorando a presença daquele garoto irritante, e ele ainda teve a ousadia de me seguir, dizendo: — Logo nos veremos de novo, ne. Nunca eu conhecera ser mais estranho que esse. Será que ele já estava selecionando aqueles que vão passar por alguma punição, nas mãos dos alunos brutamontes? Há ricos brutamontes? Estava começando a acreditar que, seria pior do que enfrentar os garotos de colégios públicos...
Notas finais
Espero que tenham gostado da estória.
Caso tenham, ficaria muito agradecida se acompanhassem o desenrolar dela. n-n
Caso tenham, ficaria muito agradecida se acompanhassem o desenrolar dela. n-n
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