The Phantom of Princeton-Plainsboro
4 Cap 4 – In dreams He came
Ele soube, no momento em que a viu, que ela seria seu tormento e sua salvação. Aqueles olhos de esmeralda ainda estavam tatuados nos seus de safira. Ela não o viu... Ele precisava ter calma para se aproximar. A calma que ele não tinha em seu peito atormentado.
Na semi escuridão do seu esconderijo ele pensava nela. Aflito com sua perna que não parava de doer e lhe deixara incapacitado para a vida, para ser feliz, para encontrar o amor. Ele se pegava pensando... Depois de tanto tempo uma luz entrava na escuridão de sua alma e lhe trazia algum conforto. A simples presença dela.
Num impulso, ele levantou mancando, e com gestos decididos descobriu o pano de cada um dos vários quadros de sintomas abandonados no porão do grande e velho hospital. Ficavam todos ali, empilhados e imprestáveis como ele agora se sentia... Como há muito tempo se sentia.
Uma tela em branco.
Os primeiros rabiscos apareceram cheios de fúria... eram as primeiras frases de uma nova melodia. Algo feito para ela, pensando nela.
Fechou os olhos e suspirou.
Allison vestiu sua camisola branca bordada com pequenos contornos de flores de cerejeira e deitou na cama. Toda a pressão que vinha acumulando durante o dia abateu-se sobre ela naquele instante. Ela conseguira um emprego no renomado hospital Princeton-Plainsboro! Os olhos dela brilharam por um instante ao constatar a realidade das suas atuais possibilidades.
Estendendo a mão, alcançou um livro de cabeceira e abriu na página marcada com uma rosa seca. Deixou os dedos vaguearem por suas pétalas murchas, pensativa... Mas logo afastou os pensamentos e pôs-se a ler o primeiro parágrafo.
Não demorou para o cansaço se abater sobre ela e suas pálpebras fraquejarem hesitantes entre abrir ou fechar de vez.
Rendeu-se ao sono.
E naquele mundo fantasioso em seu subconsciente ela sonhou... sonhou com o homem desconhecido. Seus olhos profundos da cor do mar era tudo que ela via quando tentava livrar-se dos braços que lhe agarravam por trás.
[i]“In sleep he sang to me, in dreams he came,
That voice which calls to me,
And speaks my name.
And do I dream again? For now I find
The Phantom is here
Inside my mind”[/i].
Desesperada, ela lutava para livrar-se das mãos firmes que lhe prendiam dentro daquele lugar escuro. Onde era? Ela não sabia. Ela não conseguia enxergar.
Apenas os olhos dele.
E o hálito suave sussurrando em seu ouvido.
[i]“Sing once again with me our strange duet;
My power over you grows stronger yet.
And though you turn from me to glance behind,
The Phantom is there
Inside your mind”[/i].
“Mostre-me seu rosto. Revele-se a mim”
“Sou eu quem eles ouvem”
[i]“In all your fantasies, you always knew
That man and mystery
Were both in you”[/i].
Ela despertou do sono, ofegante. Ainda podia ouvir aquelas palavras entoadas em notas musicais, em sua cabeça. Estava ainda numa linha tênue sem saber se ainda dormia.
Não! Não! Estava acordada e podia sentir um arrepio correr atrás da nuca, bem ali onde ele sussurrou com sua boca fria.
Passou uma mão nervosa atrás do pescoço e parou, acariciando o ponto onde ele a tocou perto da orelha.
Sorriu.
Aos poucos deixou-se relaxar novamente caindo num sono profundo, sem sonhos.
***
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