The Phantom of Princeton-Plainsboro

5 Cap 5 – I’ve been watching you.


Allison levantou mais cedo, tomou um banho, escovou os cabelos enquanto olhava para o espelho com um meio sorriso e um pouco de apreensão. Seria seu primeiro dia no novo emprego e por algum motivo, um frio no estômago começava a tomar conta dela. Terminou de ajeitar-se, vestindo com esforço uma calça jeans e uma blusa de mangas comportada. Ela achou que lhe deixava com um ar sério e ao mesmo tempo jovial. Tomou um café, engolindo apressada o que restava na xícara quando olhou no relógio em seu pulso e constatou a hora.

Em pouco tempo ela já estava lá, ocupando seu lugar no Pronto Socorro, verificando as pranchetas dos pacientes que deram entrada durante a noite.

Aproximou-se do leito de um senhor de pouco mais de sessenta anos com um problema renal. Ele parecia dormir, então ela se aproximou para checar o soro.

–Você é um anjo?

–O que disse?

O homem agora olhava pra ela e piscava tentando focar no rosto da linda médica que com seus cachos e seu jaleco branco mais parecia um ser enviado dos céus.

–Você é o anjo que eu ouvi cantar ontem a noite?

–Não, eu não sou um anjo. Sou a médica que está cuidando de você. Sossegue. Logo, logo você vai pra casa.

Ele relaxou um pouco e fechou os olhos novamente.

O dia passou entre um paciente e outro, relativamente tranqüilo. Cuddy passou perto do meio dia para verificar como ela estava se saindo. Parou encostada à entrada e ficou a observar. Tudo parecia estar como deveria estar. Ela virou-se um pouco assustada quando Wilson pousou a mão sob seu ombro.

–Como ela está se saindo?

–Bem. De fato, MUITO bem.

–Nenhum ‘incidente’ ainda?

–Ao que parecer não. Vamos Wilson, me acompanha até a lanchonete. Acho que não quero almoçar sozinha hoje.

O bom doutor sorriu e, com um aceno de cabeça, seguiu a colega.

O relógio apontava quinze minutos para às seis da tarde quando Allison entregou as fichas dos últimos pacientes da tarde na cabine das enfermeiras com a ordem de que as passassem para o médico do turno da noite.

–Doutora, o médico da noite não virá. Teve um problema familiar e perguntou se você não poderia estender suas horas de plantão para cobri-lo.

Ela fez um muxoxo, mas como não queria decepcionar ninguém em sua primeira semana de trabalho, avisou que tomaria um banho e comeria alguma coisa antes de voltar para lá.

A experiência lhe fez ter sempre uma bagagem de mão para emergências, por isso Allison fez seu caminho pelos corredores até o vestiário feminino. Cruzou com uma médica andando depressa, que lhe dirigiu um olhar temeroso e um aceno com a mão. Cameron imaginou ter ouvido a colega bradar um ‘se eu fosse você não andava sozinha por aqui’, mas afastando esses pensamentos tratou de se apressar e fazer o que tinha que fazer.

Entrou no vestiário, tirou suas roupas e abriu o chuveiro. Deixou a água escorrer por seu corpo enquanto apreciava seus poucos minutos de tranqüilidade. Um barulho a fez abrir os olhos e desligar o chuveiro para ouvir melhor.

–Quem está aí?

Quando não obteve resposta, Allison enrolou-se na toalha e pôs um pé pra fora do box, pisando com cuidado no chão escorregadio.

–Quem está ai? – repetiu, tendo como resposta apenas o seu próprio eco.

Ela ouviu o barulho mais uma vez, e dessa vez mais forte. Vestiu-se depressa, guardou suas coisas e se preparou para sair quando a porta abriu de repente.

Gritou.

–Dra. Cameron! Desculpe se assustei você. Com licença, preciso usar o banheiro.

Ela deu passagem para a enfermeira, que entrou apressada numa das cabines.

–Escuta, você...

Mas então ela desistiu de saber e balançando a cabeça negativamente, saiu para cumprir o turno da noite.

***