Já era 16:30, os três amigos estavam viajando a mais de três hora de uma viajem que durava cinco horas. Eles estavam conversando, haviam passado quase que o tempo todo conversando, eles haviam falado sobre muitas coisas, gostos, animais, magia, falado um pouco sobre suas vidas. Os irmãos Takeshi contaram sua saga até Nazema depois da morte trágica de seus pais, eles haviam perdido os pais em um grave incidente, eles foram brutalmente assassinados e sua casa fora completamente destruída e eles só não morreram também porque haviam perdido a noção do tempo enquanto se divertiam no parque e não estavam em casa no momento. Eles estavam a procura de respostas, não pensavam em se vingar, queriam apenas descobrir quem e por que e depois eles iriam decidir o que iriam fazer.

Ezlo também contou sua história, de como havia sofrido nas mãos de seu pai que o forçava a treinar até a exaustão, de como seu pai queria força-lo a reerguer sua família a qualquer custo. Até que um dia ele e sua mãe fugiram e foram acolhidos em um mosteiro onde recebeu treinamento magico, físico e espiritual. Depois de alguns anos ele e sua mãe voltaram para casa, ele derrotou o pai, conseguindo dele seu respeito e a liberdade que ele queria. Foi assim que decidir sair de casa, ganhar experiência para restaurar sua família a seu modo.

Eles ainda estavam conversando quando um assunto começou a despertar certo medo nos Takeshi: Afinal como iriam viver em Eldrasia?

– Sabe, estou com um certo medo, até agora estávamos felizes e empolgados, mas em nenhum momento pensamos como viveríamos na capital. – Koji se mostrava mais preocupado do que Tatsume.

– Bem mano sei que vamos ter que trabalhar já que nosso dinheiro não vai durar muito. Mas temos o bastante pra passar alguns dias. – Tatsume falava em tom esperançoso, embora também estivesse preocupado.

– Fiquem calmos, não se preocupem com estadia e comida, a guilda oferece isso enquanto não se estabilizarem na cidade.

– Mesmo assim a gente nem sabe como vamos ganhar dinheiro, e eu e Tatsume não sabemos fazer nada.

– Verdade, a gente não tem experiência em nada.

– Pelo jeito vocês dois não pesquisaram muito quando decidiram vir pra capital né? – Ezlo parecia incrédulo, “como eles viajam sem saber nada?”, ele pensava olhando para os dois ali a sua frente, suspirava vendo o ar de interrogação sobre eles, “é vou ter que explicar” – Bom eu explico então como funciona.

Os dois agradeciam e ficavam atento a explicação do amigo.

– Bem, quando vocês chegarem à guilda, vão conhecer os outros e o mestre, quando ganharem seus poderes vão poder começar a treinar, poderão ficar morando na guilda e comer lá enquanto não conseguem algum outro lugar. Lá pra ganhar dinheiro basta fazer as missões que vão estar disponíveis na guilda, algumas missões pagam mais do que outras, quanto mais difíceis mais vocês ganham, depois vão poder fazer o que quiserem com o dinheiro. A, quando entrarem na guilda vocês vão ter alguns benefícios que só um membro de um Grupo Oficial pode ter como descontos em transporte e hospedagem e algumas regalias em restaurantes, podendo até comer de graça.

– Nossa agora gostei bom pelo menos agora estamos tranquilos, sabemos que vamos conseguir nos virar na capital né Koji.

– Pois é, mas ainda sim não podemos abusar, temos que nos controlar.

– Se fosse vocês, ficaria despreocupado, vai dar tudo certo, vocês só precisam ir se organizando aos poucos.

Eles paravam de conversar quando ouviram alguém bater na porta da cabine, sem saber quem seria, Ezlo se levantou e abriu a porta deixando entrar uma bela moça de uniforme verde com um carrinho cheio de petiscos e algumas guloseimas.

– Licença senhores, vão querer comer algo?

Foi apenas nessa hora que eles olharam para o relógio, já aviam se passado três horas e meia desde que partiram, eles não estavam com fome, mas compraram alguns biscoitos. A moça se foi e eles comeram um pouco, estavam ansiosos sabiam que faltavam apenas mais algumas horas para chegarem, eles se olhavam e riam, mas o que fazer durante o tempo que restava? Bem eles decidiram descansar um pouco, tirar um breve cochilo, Koji se sentou na janela do lado direto e fez de sua jaqueta um travesseiro, Tatsume deitou a sue lado, apoiando-se no ombro do irmão e colocando sua blusa sobre o rosto. Ezlo se deitava no banco, fazendo de sua pequena sacola um travesseiro, e assim o três adormeceram.

...

Já havia se passado algum tempo quando Ezlo acordou, olhando em volta ele viu que Tatsume e Koji ainda dormiam, ao olhar pela janela seus olhos brilhavam e ele rapidamente se levantava, indo em direção aos irmãos os sacudindo e tentando os fazer acordar.

– Vamos, Vamos, acordem já estamos chagando!

Demorou um pouco, mas os dois acordavam relutantes se espreguiçavam e só percebiam onde estavam ao olhar pelo vidro, passando por eles varias casas e edifícios, sim eles estavam na cidade capital Eldrasia, a cidade de todos. Como ela era enorme, enumeras casas em estilo clássico coloridas e decoradas com flores, edifícios que ocupavam quarteirões de 4 e 5 andares, algumas casas enormes e grandes edificações das famílias mais poderosas da cidade podiam ser vistas ao longe ostentando seu poder, dava para se ver também praças, parques, as pessoas olhando o trem passar e caminhando pelas ruas, até mesmo se via as bases de alguns grupos oficiais, via-se magos andando e usando seus poderes, alguns treinando outros apenas ajudando os não magos. A cidade crescia e ficava maior conforme o trem ia andando, mais alguns minutos eles estariam chegando a seu destino final, a estação de Eldrasia.

– Vamos começar a arrumar as coisas, já vamos descer. – Ezlo estava empolgado e voltava para seu lugar pegando sua sacola e verificando se tudo estava no lugar, os irmãos Takeshi faziam o mesmo, verificavam tudo, dinheiro, documentos, roupas, estava tudo em ordem.

Do alto falante da cabine ouviam o maquinista avisar que estavam chegando.

“Senhoras e senhores passageiros, daqui a cerca de 5 minutos estaremos chegando à estação, a viagem durou cinco horas como o previsto, por favor, verifiquem suas bagagens, quem tiver deixado bagagem do vagão bagageiro do trem, por favor, entreguem os papeis para os condutores que estarão retirando as malas.”.

Cinco minutos depois o trem chegava a estação, ela era grande, mas não chegava a ter as mesma proporções da estação de Nazema, tinha apenas um andar, alguns poucos estabelecimentos na entrada e apenas 4 plataformas, ela era coberta feita de tijolos formando um enorme arco, algumas estatuas e pilares decoravam a estação. Não era a hora de prestar atenção na estação, os três agora saiam do trem apressado, viam as pessoas caminharem de um lado para o outro, a saída bem a sua frente levando eles até uma das avenidas principais da cidade, ao saírem notaram que o sol estava se pondo. A frente deles as casas pareciam se multiplicar e os edifícios bem maiores, a frente da estação, uma pequena ladeira, e bem a frente cerca de 500 metros a frente viam a praia, sim a praia, não se via muito bem a faixa de areia, mas se via o mar, exuberante, o sol se escondiam sobre as aguas fazendo daquele momento um espetáculo, banhando os corpos de todos com um brilho regenerante, não havia momento mais lindo e mais marcando do que aquele para os três amigos, eles haviam chegando, agora faltava pouco para que eles chegassem na guilda.

Ezlo caminhava na frente, sendo seguindo de perto pelos Takeshi, eles iam sem olhar para os lados, não queriam admirar nada só queriam chegar a guilda, pararam apenas quando algo lhe chamou atenção, uma loja, a loja de artigos para magos mais famosa do mundo, lá estavam eles na frente de uma das vitrines vendo os livros, cartas e varias outras coisas, um dia eles ainda iriam comprar coisas ali pensavam eles, seus pensamentos eram interrompidos quando Ezlo chamava por eles, bem ao longe, os dois correram em sua direção e ao virar uma rua se depararam com algo que lhes fez parar e sorrir, ali estava ela, um pouco distante, sobre um grande morro a guilda Phantom Punk. Como a descrevê-la, uma enorme construção um palácio, em tons de amarelo e laranja, arvores enormes pareciam surgir de dentro do lugar, muitas plantas cresciam e uma enorme grade protegia a parte de trás da construção, podia se ver pequenas cachoeiras caírem dos andares mais elevados, as enormes vidraças e janelas que se iluminavam com o cair da noite podia se ver uma espécie de caminho d’água a frente do castelo, o lugar era realmente enorme.

A guilda

Depois de vários minutos ali parados, eles se entreolhavam, e como se todos pensassem a mesma coisa, começaram a correr na direção da guilda, não pareciam se importar que houvessem andado muito até ali, foram quase 40 minutos de caminhada, mas não importava chegar aquele belo lugar era o mais importante.

Quando chegaram atravessaram a ponte que os levava aos portais da guilda, os pequenos emblemas decoravam os arcos daqueles muros, ao atravessarem virão a frente deles uma enorme escadaria que elevava a uma grande porta em madeira onde o brasão da guilda estava entalhado, subiram por ali devagar, tentando recuperar o folego, ao chegarem à porta os três pararam, Ezlo animado colocou as mãos na porta enquanto os Takeshi se sentiam paralisados diante daquela porta, o que estava ali dentro mudaria a vida deles, e apenas agora o medo tomava conta deles. Quando Ezlo finalmente abriu aquela porta, os irmãos pareciam não acreditar no que viam. Era como se estivem entrando em uma festa aonde eles eram os convidados mais esperados, um tapete vermelho se estendia da porta a um balcão, ao lado das portas duas escadas, uma de cada lado levavam aos outros andares, algumas outras portas se espalhavam pelo salão, paredes em tons de bege e vinho, faixas e tapeçarias ostentavam o emblema da guilda, distribuídos de formas aleatórias mesas redondas de madeira pura cobertas com toalha de mesa laranja, varias cadeiras acolchoadas em veludo laranja, pessoas bebiam e comiam, rindo e conversando, algumas olhavam para eles, ali parados na porta. Os irmãos Takeshi só pensavam em uma coisa “Chegamos, finalmente chegamos”.

...

– Ezlo, que bom que volto, seja bem vindo de volta! – um rapaz de 20 anos que vinha descendo a escada a direita deles os cumprimentava indo em sua direção, vestido com calças largas de moletom preto, camiseta amarela em baixo de uma jaqueta que parecia ser maior que ele em um tom de verde escuro ele parecia feliz em ver Ezlo. – Vejo que trouxe amigos, quem são eles?

– A oi Ishida, esses são os irmãos Tatsume Takeshi e Koji Takeshi, conheci eles enquanto voltava para cá. Eles estão procurando por alguém que os ensine magia.

– A sim, bem muito prazer irmãos Takeshi eu sou Ishida Kobayshi, mago da natureza. – Ele os cumprimentava de longe com um aceno e se virava de novo para Ezlo. – Bem você os trouxe para o lugar certo, com certeza o mestre vai ensinar magia a eles.

Ishida sorria e os levava por entre o salão, os quatro iam caminhando sobre o tapete, alguns parava para olha-los, alguns sorriam, outro acenavam, todos pareciam felizes e não se importavam muito com a presença de estranhos ali. Ao chegarem ao balção algumas pessoas estavam ali, uma jovem de cabelos azulados, de kimono rosa estava de costas, junto dela um rapaz loiro vestido como cientista parecia beber algo, atrás do balcão estava um moça de cabelos loiros e pele clara, parecia estar com um vestido azul, com uma capa branca caindo sobre os ombros, sentados estavam três homens, o do meio de costas, se via apenas o cabelo grisalho comprido jogado sobre um dos ombros preso num rabo de cavalo com um enorme sobretudo leve branco, em seu lado esquerdo um senhor de cabelos e barba curta banca, calça social, camiseta branca para fora da calça e blazer conversava com ele, e a seu lado direito um homem aparentando ter 40 anos, de cabelos pretos, vestido como segurança estava tomando cerveja apenas ouvindo a conversa.

A moça de cabelos azuis se virava, sua pele era bem clara e seus olhos pareciam ser rosados, ao ver Ezlo ela foi a sua direção o cumprimentando.

– Ezlo que bom que voltou, e ai a missão foi difícil?

– Oi Kaya, não foi não, demorou um pouco, mas foi fácil até. – Ele a cumprimentava com um aperto de mão, e acenava para a outra moça que estava lá. – Oi Dayse como vai?

– Olá Ezlo, vou muito bem, bem vindo de volta. – Ela olhava para o jovem sentado a sua frente e lhe chamava atenção, ele então virava-se para eles acenando de volta.

– Olá Victor, pode continuar benbendo.

– Não tudo bem já tinha acabado quem são esses ai com você? – O tom dele era um pouco frio, ele ajeitava os óculos e o jaleco branco enquanto se levantava, estava usando calças pretas e uma camiseta social meio acinzentada.

– Esses são os Tatsume e Koji Takeshi, são irmãos.

– A sim, sejam bem vindos a guilda.

Ishida se virava para os três homens que estavam sentados ali, e batia no ombro do que estava no meio, ele se virava lentamente, vestido como samurai, ele se levantava do banquinho, sua calça azul marinho caia sobre o chinelo de madeira, alguns fios grisalhos lhe caiam sobre os olhos, ele aparentava ter menos de 60 anos, com um sorriso doce e um olhar sereno ele apenas acenava na direção deles.

– Mestre Kouta, Ezlo trouxe duas pessoas que querem te conhecer, eles são irmãos e queriam saber se o senhor podia lhes ensinar magia.

Ele caminhava na direção dos dois rapazes, que sentiam um calafrio na espinha, podiam ser postos pra fora a qualquer momento, o medo agora tomava conta deles, mal conseguiam se mover, foi quando ele parou bem a frente deles, sorrindo os cumprimentando.

– Sejam bem vindos as guilda Phantom Punk. Sou Kouta Ishikawa, mestre da guilda, podem me chamar de mestre Kouta.

– O...olá mestre Kouta, sou Tatsume Takeshi e esse é meu irmão mais novo Koji. – Os dois não sabiam como agir, apenas apertavam a mão do mestre enquanto o olhavam fixamente.

– Bem Ezlo, e sua missão? Completou-a com sucesso?

– Sim Mestre, trouxe aqui a carta de agradecimento da vila para o senhor. – Ezlo tirava de dentro de sua sacola um pequeno envelope lacrado e entregava para Mestre Kouta.

– A sim muito obrigada, agora vamos falar dos jovens aqui, estão dispostos a aprender magia e se tornarem membros oficiais da guilda?

Os dois se olhavam, engoliam a seco e depois afirmavam com um gesto, o mestre sorria, caminhava até o balcão, pegava um enorme livro, uma caneta de pena, abria em uma pagina e os chamava.

– Por favor, venham e assinem seus nomes aqui neste livro. – Eles foram, devagar, Tatsume foi o primeiro a assinar, fez de tudo para não tremer as mãos e não assinar seu nome tremido, Koji foi em seguida, parecia mais calmo do que seu irmão, assim que terminaram o mestre voltou a falar. – Muito bem agora vocês são membros oficiais da guilda! A partir de agora, essa guilda será sua casa, e os outros membros sua família, vocês são parte dessa grande família, sintam-se em casa. Já sabem o poder que vão querer?

– Não, apenas queríamos poderes iguais. – Koji tomava a frente da conversa e se mostrava agora mais calmo e confiante.

– Bem então já sei o que vou fazer, peço apenas que venham comigo e com meu amigo Kamijo.

– Ok! – Os dois respondiam juntos, como se houvesse ensaiado aquele momento, se despediram de Ezlo e dos outros, Ishida estava com suas bolças, e falava apenas que levaria elas para o quarto aonde eles iriam ficar, eles então agradeceram e foram com o mestre, atravessaram uma parte do salão e entraram por uma porta.