– Mestre Kouta, que magia vai selar em nós dois? – Tatsume ainda parecia preocupado, embora a firmeza de seu irmão o acalmasse um pouco.

– Vou colocar um selo gêmeo em vocês dois, selos idênticos, mas a magia que ele vai dar a vocês dois vai ser ao acaso, pela sorte, o selo vai decidir qual magia vocês vão ter.

– Então nem o senhor sabe o que vai vir? – Koji perguntava e se perguntava quem era aquele tal de Kamijo que os acompanhava.

– Isso mesmo.

Eles estavam andando atravessando os longos corredores do lugar passaram por algumas pessoas, por vários lugares, puderam ver pelas portas varias salas de treino, salas de arte, algumas de leitura, até laboratórios havia ali. Subiram uma escadaria enorme até chegarem a outro salão, este cheio de prateleiras com livros e objetos, vários papeis jogados com símbolos e selos.

– Kouta, esse lugar esta bagunçado demais não acha, precisa de uma boa faxina também, parece que você nunca limpou isso. – Kamijo falava pela primeira vez, sua voz era rouca, mas bem forte e firme.

– Kami, Kami, sabe que não tenho tempo e só eu sei arrumar esse lugar.

– Por favor, não me chame de “Kami”, na frente dos novos membros, o que eles vão pensar que sou.

– Se não querem que eles pensem se apresente então horas.

Os dois irmãos agora confusos não sabia o que fazer, apenas olhava para os dois a sua frente discutindo como se fossem dois jovens, Kajimo suspirou e se virou para eles com um sorriso tímido e se apresentou de forma bem formal.

– Bom eu sou Kamijo Kishi, Patriarca e líder da família Kishi.

Eles não sabiam do que se tratava apenas se curvavam o cumprimentando, tentando passar a impressão que eles sabiam quem era que estava a sua frente. Enquanto isso Mestre Kouta procurava pela bagunça algo. Eles esperaram um tempo, até de dentro de um grande livro ele retirou um papel, nele só se podia ver duas faixas grossas com algumas letras ilegíveis na parte de baixo delas, mestre Kouta se aproximou dos irmãos, Kamijo ficou atrás deles. A pergunta que veio a seguir mexeu um pouco com os irmãos.

– Então, antes de colocar este selo em vocês preciso saber, por que decidiram se tornar magos?

– Bem – Respondia Tatsume um pouco tenso por não saber se aquela resposta iria ser aceita – Nós perdemos nossos pais em um incidente, eles foram mortos e nossa casa destruída, queremos descobrir quem foi.

– Nós não queremos vingança, a gente só quer saber o porquê disso, sabemos que a vida de nossos pais era um mistério antes da gente nascer, mas não sabemos se havia motivos para acabar com a vida deles. – Koji agora se colocava a frente, sério querendo não passar a impressão errada.

– Como escaparam? – Kamijo falava sério e assustado – Como seus pais foram mortos?

– Nós não estávamos em casa, passamos o dia fora no parque da cidade, passamos o dia jogando. – Tatsume respirava e Koji agora ficava olhando para o lado, como se tentasse não ouvir – Morávamos em uma pequena fazenda fora da cidade, quando voltamos achamos a cada destruída, nossos pais nos escombros... E suas cabeças foram cortadas e desapareceram.

– Nada foi roubado, nenhum machucado grave foi encontrado nos corpos, apenas as cabeças tinha sumido, sem ter onde ficar, e com medo de que algo nos acontecesse, decidimos então sair da cidade, foi quando decidimos ser magos, queremos achar o culpado e saber o porque, apenas isso, o que vamos fazer depois a gente ainda não sabe. – Koji se segurava, por ser o mais novo, tentava se mostrar forte diante daquilo, não havia muito tempo que isso havia acontecido e as imagens ainda rondavam seus pensamos. – Isso já faz alguns meses.

– Bem vocês são fortes, não se entregaram a raiva nem ao desespero, tomaram a decisão correta diante de uma situação aonde muitos haveriam apenas desistido da vida, ou saído com raiva atrás do responsável. – Mestre Kouta parecia de certa forma feliz, satisfeito com a resposta e até mesmo orgulhoso daqueles dois garotos que estavam em sua frente.

– Nós vamos ajudar vocês com a busca, um crime desse não pode ficar impune, vamos fazer o possível e o impossível para ajuda-los, aqui vocês estarão em segurança e vamos protegê-los como se fossemos uma família.

Família era algo que há meses eles sentiam falta, que ansiavam em ter de volta, a família que foi tirada deles de forma brutal, queria recuperar a felicidade que tinham a vida que lhes fora roubada, sabiam que era impossível, mas ali talvez eles tivessem um conforto, uma base a qual poderiam se apoiar em segui em frete.

– Bem, vamos deixar de enrolar, Tatsume fique em minha frente, Koji fique de costas pra seu irmão e de frente a Kamijo. – Mestre Kouta agora falava com firmeza, e parecia mais sério, rasgava a folha ao meio e em cada parte uma faixa preta.

Os dois irmãos obedeciam, agora, mais confiantes do que antes, mais calmos, havia chegado a hora, eles agora iriam se tornar magos. Kamijo e mestre Kouta estenderam os braços esquerdos dos garotos, e enrolaram o papel em seus antebraços, como se fizessem um anel, respiravam fundo e pronunciaram ao mesmo tempo algumas palavras que os irmãos não conseguiam entender, o papel parecia grudar em seus braços e uma dor terrível tomava conta deles; eles fecharam os olhos, tentando imaginar algo que os fizesse esquecer-se daquela dor, em suas mentes vieram às imagens de sua infância, de seus pais que ainda vivos na porta de sua casa, esperando com os dois de braços abertos, eles correndo pela pequena estrada de terra até eles, mas nunca chegavam e sabiam o porquê, eles não estavam mais ali. Ao abrirem os olhos a dor tinha sessado, mas seus braços ardiam muito, quando Kamijo e mestre Kouta retiraram os papeis, eles agora estavam em branco à marca começava a brotar em seus braços e uma aura começava a cobrir seus corpos, uma aura leve e quente, parecia abraça-los.

– Está aura é a aura de nossa guilda, uma aura de proteção que só aqueles que têm seus nomes gravados em nosso caderno de membros podem ter, e que agora que vocês tem magia vocês podem vela e ela pode se manifestar sobre vocês. Vocês dois agora tem a benção protetora da guilda Phantom Punk. – Com um grande sorriso mestre Kouta os cumprimentava, assim como Kamijo.

Os dois irmãos olhavam aquela marca que estava agora em seus braços, e que conforme a aura da guilda ia desaparecendo, ela ia sumindo junto. Eles ficaram assustados, mas logo foram acalmados por mestre Kouta que pegava em seus braços e olhava atentamente as letras dando uma breve explicação.

– Estes selos são selos gêmeos e também são mágicos, eles só apareceram quando usarem magia, essa frase aqui em baixo diz qual poder vocês receberam e devo admitir vocês ganharam um ótimo poder.

– Bem Kouta você entende mais do que eu, diga logo qual poder eles ganharam antes que essas letras desapareçam e você não ache e...

– Calma Kamijo – Mestre Kouta ria o interrompendo – Já sei qual poder é, eles ganharam a magia de “Manipulação de Matéria”.

Kamijo parecia assustado e surpreso, seus olhos olhavam para mestre Kouta, incrédulo com o que acara de ouvir.

– Está me dizendo que esses dois garotos ganharam essa magia? Incrível ela é muito poderosa.

– Pois é, pelo jeito esses garotos são mais forte do que pensávamos. – Ria mestre Kouta soltando os braços dos garotos, que o olhavam sem entender uma palavra do que eles estavam falando.

Vendo aquilo mestre Kouta percebeu que eles não sabiam do que se tratava aquela magia. Kamijo ficava olhando para mestre Kouta como quem espera uma explicação, como não veio ele mesmo se pôs a falar.

– A magia que vocês dois ganharam é a magia de “Manipulação de Matéria”, uma magia que permite a vocês controlarem toda matéria morta, num resumo, vocês podem fazer o que quiserem com tudo que não tiver vida, reconstruir casas, destruir ou deformar morros, até mesmo dar nova forma a objetos apenas usando a magia que vocês têm. Podem fazer esferas perfeitas usando apenas uma porção de terra, construir um vaso perfeito com um pouco de argila, reformar uma casa sem se quer comprar matérias para isso.

Os dois se olhavam e engoliam a seco, aquele parecia ser um ótimo poder, muito forte até do que eles queriam, temiam por não poder controla-lo de maneira correta, mas já que era aquele poder que haviam ganhado tentaram se adaptar aquilo e se mostrar felizes com sua magia.

– Bem, amanhã vocês já poderão treinar, agora podem fazer o que quiserem ir dormir, comer algo, conversar, a guilda é sua casa sintam-se a vontade para fazer o que quiserem. – Mestre Kouta estava feliz, abraçava os dois e todos iam caminhando para fora daquele cômodo. Mestre Kouta levava os dois, um de cada lado, abraçando eles segurando-os um em cada ombro. Rindo conversava com Kamijo que agora estava caminhando em sua frente, servindo como guia e apresentando cada cômodo da guilda por onde passavam.

Os quatro se encaminharam de volta ao salão principal, lá todos estavam a espera de seu retorno, e quando entraram foram recebidos com sorrisos e mestre Kouta logo anunciou em voz alta.

– Vamos brindar meus amigos, aos nossos novos membros, Os irmãos Tatsume e Koji Takeshi, agora eles são da nossa família!

A voz dele ecoou no salão, todos levantaram seus copos, canecas e taças, e um enorme brinde foi feito. Os irmãos iam à direção de Ezlo, e enquanto caminhavam, os vários membros da guilda os cumprimentavam, lhes dando boas vindas, muitos até lhes desejaram boa sorte. Eles sorriam emocionados e de certa forma pareciam sonhar, todos ali pareciam felizes, e os tratavam com cortesia, nenhum olhar torto, nenhuma cara feia, apenas sorrisos e acenos, se sentiram bem, de certa maneira se sentiram, pela primeira vez depois de meses, em casa.

Ezlo os cumprimentava e os levava até uma mesa aonde se encontravam Kaya, Victor e a moça loira que antes estava atrás do balcão, que agora era apresentada como Daysi Boldrié maga médica e psíquica. Na mesa comida e sucos, todos se sentaram e passaram a comer e a conversar, foi ali que souberam quem era Kamijo Kishi e também sobre sua família – A família Kishi é conhecida como sendo umas das mais antigas em Eldrasia, seu grande poder e habilidades em pesquisa e caça, fizeram deles grandes detetives, agindo também na área de captura e prisão de criminosos perigosos. Kamijo era o chefe da família, o homem que antes viram tomando cerveja a seu lado era Sander, seu filho mais velho e o primeiro na linha de sucessão da família.

Passaram horas ali conversando, os irmãos até se esqueceram da forte ardência em seu braço devido ao selo, a conversa estava boa, seus agora novos amigos estavam rindo e brincando com eles, tudo ali parecia magico, e eles temiam ser apenas um sonho. A conversa só acabou, pois tanto os irmãos Takeshi quanto Ezlo estavam cansados e com sono e decidiram que já era hora de dormir, Daysi e Kaya os levaram até os quarto, muitos andares acima, quanto mais escadas subiam mais cansados ficavam, ao chegarem ao andar certo foram direto para o quarto, Ezlo parou primeiro já que seu quarto era antes do quarto dos irmãos, ele apenas se despediu e entrou, duas portas afrete chegaram ao quarto, se despediram das duas meninas que voltaram para o salão. Quando entraram no quarto ficaram surpresos com o tamanho, o cômodo era enorme, duas camas de casal uma em cada parede, um banheiro simples para os dois, além de um guarda roupa enorme e uma cômoda.

Sem pensar duas vezes os dois começaram a se preparar para dormir, tomaram banho e se deitaram, não demorou muito até que caíssem no sono.

...

Já era quase 10 horas quando os dois acordaram alguém os chamava do lado de fora enquanto batia na porta, Tatsume se levantou e foi ver quem era, era Ezlo acompanhado de Sander, o mesmo homem que viram ontem todo arrumado, estava agora com um casaco fino branco, calças jeans e camiseta preta, a faixa levando o brasão da família ainda estava em seu braço sobre o casaco.

Ezlo disse a Tatsume que seria Sander que iria treina-los, já que o mestre Kouta teria saído sedo para ir a uma reunião com os líderes dos grupos oficiais, e que ele iria ajuda-los com o treinamento, mas que era pra eles se apressarem. Tatsume então com pressa entrou no quarto, deixou a porta aberta, mas nem Ezlo nem Sander entraram, ficaram do lado de fora esperando, Koji havia acordado e ouviu a conversa, estava se arrumando enquanto Tatsume colocava a mesma roupa do dia anterior, pouco tempo depois os dois saíram vestidos com as mesmas roupas que chegaram não levavam apenas blusas já q do lado de fora estava calor.

Todos desceram rapidamente e se dirigiram para o lado de fora da guilda, foram para os fundos aonde um pequeno espaço fora arrumado para eles, o treino segundo Sander seria simples, apenas para eles aprenderem a usar seus poderes. Mas o treino foi difícil, por não terem nascido com a magia, os seus poderes não conseguiam se manifestar com facilidade.

Demorou horas até que finalmente conseguissem fazer com que uma barra de ferro se contorcesse e formasse um circulo, a felicidade dos dois era tanta que mal podiam acreditar no que estavam fazendo, sem usar as mãos eles podiam fazer aquela barra de ferro levitar, sem usar força eles conseguiam dobrar ela fazendo com que ela formasse um anel perfeito, conseguiram até mesmo solda-la sem usar nenhuma maquina.

O dia foi passando, e eles pararam apenas para almoçar e fazer um breve lanche à tarde, eles iam progredindo conforme as horas se passavam, conseguiam agora desmontar um vaso e refaze-lo de varias maneiras diferentes, eles também treinaram um pouco de luta e defesa, algo que eles iriam precisar saber. No final do dia, já muito cansados, apenas jantaram e foram para o quarto dormir.

O dia seguinte se seguiu da mesma forma que o anterior, de manhã cedo Sander os acordou para treinar, novamente passaram o dia treinando parando apenas para comer e fazer suas necessidades, foi assim a semana inteira: acordavam cedo, treinavam até a noite, todos os dias.

Até que depois de passada aquela semana acordou cedo como sempre, mas não foram treinar, ao descerem e chegarem à cozinha, Sander os esperava junto de Ezlo e Ishida, um papel estava em sua mão, sem saber o que eram foram surpreendidos com uma noticia.

– Bem garotos, treinei vocês a semana toda, e agora o mestre me autorizou a parar com os treinos, e agora vou dar a você sua primeira missão pela guilda. – Sander falava sério, bem sério, ele sempre se mostrava alegre, falava muito e raramente ficava sério daquele jeito.

– Nossa primeira missão? Pensamos que ainda iriamos treinar mais até que estivéssemos prontos. – Fala Koji preocupado e até com certo medo.

– Vocês já estão prontos, já sabem o suficiente, agora é hora de mostrarem que vocês aprenderam o que eu lhes ensinei, confio em vocês dois, e vou deixar que Ezlo e Ishida os acompanhem em sua primeira missão. – Por mais que tentasse Sander agora não parecia mais tão sério, estava orgulhoso até em deixar que seus dois alunos agora fossem em uma missão.

– Vamos rapazes vai ser demais, vamos não fiquem nervosos, vai dar tudo certo e vai ser uma aventura. – Ishida estava eufórico, parecia até que era ele quem estaria fazendo sua primeira missão.

– É mesmo vai ser uma grande aventura. – Ezlo tentava animar os irmãos Takeshi, e suas palavras não poderiam ser outras, aquela missão seria sim uma grande aventura, muito além das expectativas de todos.

– Bem ok já que estamos prontos então vamos nessa! – Tatsume era o primeiro a se animar. Koji ao ver o irmão animado, também se animava, não muito, pois não se sentia pronto, mas já que seu irmão estava confiante ele também tinha que estar.

Koji então pegava o papel que Sander lhe dava e lia.

– Missão de ranking D, Local da missão, cidade de Hiosaka, Objetivo: Missão de reconhecimento de campo. Descrição, “Viemos por meio desta carta lhes pedir ajuda, minha família comprou um terreno em uma das áreas rurais da cidade, e logo depois recebemos um aviso de que algo rondava o terreno, tememos que sejam magos que queira roubar o terreno ou que estejam a procura de algo.” Recompensa: 9.000,00, numero de membros solicitados de 2 à 4.

– Nossa 9.000,00? Se for dividir da mais de 2.000,00 pra cada um de nós quatro. – Tatsume se espantava com o valor, nunca imaginou que as missões valiam algo perto disso.

– Bem dá 2.250,00 pra cada, mas bem vamos ficar aqui parados ou vamos nos arrumar para ir? – Ezlo interrompia os pensamentos de Tatsume, que logo se dava conta que eles iriam sair imediatamente.

– Bem Ezlo tem razão, vocês tem que se arrumar e ir, ainda precisam pegar o trem. – Sander falava enquanto levava os garotos para fora da cozinha – Vão se arrumar logo e venham comer, vocês partem logo em seguida.

Todos corriam, esbarrando em outros membros, foram para seus quartos e se trocaram com rapidez, pegaram apenas o necessário, dinheiro, alguns documentos e algumas roupas; com a mesma velocidade em que foram se trocar, eles agora voltavam para comer, ou melhor, engolir o café da manhã. Logo em seguida foram se despedindo de Sander, encontraram Kaya treinando, se despediram dela também e foram caminhando apressados em direção à estação.

Ao chegarem à estação a noticia, o trem ainda iria demorar à chegar, cansados devido a pressa com que saíram compraram suas passagens e esperaram sentados, ficaram quase 1 hora esperando até que o trem chegou, ao embarcar notaram que aquele trem era diferente do que os irmãos haviam pegado para chegar a Eldrasia, não haviam cabines separadas, nos vagões bancos para 4 pessoas um de cada lado, em pares um banco de frente para o outro. Escolheram um que ficava ao fundo, Takeshi e Koji se sentaram no banco da frente, Ezlo e Ishida se sentaram a sua frente, de costas para o banco de trás. Aquela viagem ainda lhes aguardavam muitas surpresas, aquela missão seria realmente uma grande aventura.